terça-feira, 28 de setembro de 2010

A Arte do Assobio

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Nos dias de hoje as pessoas não costumam assobiar. Antigamente esse acto era tão evocativo do nosso rude individualismo e independência, de uma autoconfiança despreocupada. As pessoas assobiavam enquanto trabalhavam, assobiavam uma melodia alegre qualquer e assobiavam para as garotas que passavam. Nos musicais, o assobio acompanhava impensados actos de coragem, coreografias na chuva e passeios a pé pelas ruas, com as mãos enfiadas nos bolsos e a aba do chapéu inclinada num ângulo jovial.

Assobiar é uma relíquia de um tempo menos tecnológico, pré-TV Cabo e Internet, quando as pessoas precisavam fazer companhia a si mesmas e serem a fonte do próprio divertimento. Faz parte da cultura da conversa na varanda, na esplanada do café. É uma arte solitária. As crianças ainda tentam assobiar: franzem os lábios e sopram em vão. Um belo dia, conseguem reproduzir alguns acordes de uma canção infantil. A alegria é profunda, até ser silenciada pela inibição.

"O assobio é uma tradução da música através da alma, e as pessoas têm medo de libertar a sua alma."

2 comentários:

Kate disse...

Adoro assobiar e sem medo algum dos que orgulham-se em afirmar que odeiam os assobios ... Tô assobiando e andando pra eles! kkkkker

Ana Martins disse...

No meu tempo, e já lá vão uns bons anos, assobiar era coisa de homem.
Sendo eu uma Maria-rapaz o assobio era frequente mas lá estava a minha querida avó a chamar-me á razão:
Mulher não assobia,porque mulher que assobia, a sorte lhe desvia.
Provérbios que se vão perdendo e já não fazem sentido.
Assobiar a uma mulher que passava era um elogio que que enchia o ego de qualquer uma.