sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Linguagem Gestual

Em conversa com um amigo surdo, fiquei hoje a saber que a linguagem gestual não é universal. Não fazia a mínima ideia que assim era. Sempre pensei que os gestos eram iguais em todo o universo...mas não.
Deixo de seguida o link para um site com linguagem gestual em todo o mundo. É introduzir a palavra e ver os videos com os gestos, nas mais diversas línguas.
A Língua faz parte da especificidade cultural de cada grupo e contribui simultaneamente para essa mesma especificidade, assim, de país para país a língua e a cultura terão características singulares. Podemos então referir que tal como um Português utiliza a Língua Portuguesa, um Inglês utiliza a Língua Inglesa, os Surdos de país para país utilizam uma Língua Gestual referente à sua nacionalidade.
Neste sentido, temos uma identidade e cultura Surda Portuguesa e uma Língua Gestual Portuguesa, assim, à semelhança dos ouvintes, os surdos também têm a sua própria Língua referente à cultura que representam. Como refere Oliver Sacks "nós somos a nossa Língua".


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Boney M

Morreu Bobby Farrell, o líder da banda Boney M. O músico, de 61 anos, foi encontrado morto esta manhã num quarto de hotel de São Petesburgo, sem que tenha sido ainda divulgada a causa da morte.

O seu agente, John Seine, adiantou no entanto que Farrell se queixara de dificuldades em respirar antes e depois do espectáculo que deu ontem na cidade russa.
Nascido em Aruba, nas Antilhas holandesas, Roberto "Bobby" Alfonso Farrell foi descoberto pelo produtor Frank Farian, que o convidou a integrar os Boney M, grupo formado em 1975 e que havia de tornar-se famoso em plena época do "disco sound".
Actualmente o músico vivia em Amesterdão, actuando com regularidade com a banda que o tornou conhecido ou a solo.

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E...lá vão todos indo...ricos e pobres.

Posta Mirandesa


BABEM-SE MENINOS E MENINAS!
Ingredientes:
1,2 kg de carne de vitela mirandesa; sal grosso, de preferência integral (sem substâncias quimicas).
Preparação:
O lume das brasas deve estar forte no inicio. As brasas incandescentes devem estar distribuidas de forma regular no fogareiro ou lareira de forma a proporcionarem uma distribuição uniforme do calor. A grelha deve ser colocada a uma altura de cerca de 10 cm das brasas.
A carne deve ser cortada em postas com uma espessura de 3 a 4 cm (cerca de 300 g por posta).
Coloque a carne na grelha sem tempero nenhum. Após esta operação, e caso o deseje, tempere com sal grosso.
Volte a carne, sem espetar, quando aparecerem pequenas pérolas de sangue na superfície superior. O tempo que a posta está na brasa depende do seu gosto pessoal, consoante prefira a carne bem ou mal passada.
Para conservar a suculência da carne, esta não pode ser picada. Ao voltar a posta, o lume deve estar forte, para que se crie uma crosta que impeça a saída dos sucos. Contudo, esta crosta não deve ser espessa, porque senão o calor penetra na carne de forma deficiente e a posta acaba por ficar queimada por fora e mal grelhada por dentro.
Acompanhamento: batata cozida com casca e salada.
Recomendação:
A lenha utilizada não deve ser de madeiras resinosas (ex: pinheiro). Para produzir as brasas aconselha-se a lenha proveniente de fruteiras (ex: videira) e a generalidade das folhosas (ex: carvalho). Como alternativa, utilize carvão vegetal.
Nunca utilize uma grelha que tenha servido anteriormente para grelhar peixe sem que esteja muito bem lavada e queimada pelo calor do grelhador, para evitar a alteração do gosto e aroma da carne.
Não deve usar produtos quimicos inflamáveis para acender a lenha ou o carvão. A razão deste procedimento reside no facto de esses produtos libertarem substâncias que vão alterar negativamente o gosto, o aroma e a qualidade da carne, além de serem prejudiciais à saúde.
Na impossibilidade de utilizar um fogareiro ou lareira, a posta pode ser confeccionada num grelhador eléctrico a temperatura elevada.
E já agora, para a sobremesa, um rico pudim de castanhas e ovos caseiros.

Aqui está a Realidade Portuguesa

Um autarca queria construir uma ponte e teve respostas de três empresas: uma polaca, uma alemã e uma portuguesa.

- Faço por 3 milhões - disse o polaco:
- Um pela mão-de-obra,
- Um pelo material e
- Um para meu lucro.

- Faço por 6 milhões - propôs o alemão:
- Dois pela mão-de-obra,
- Dois pelo material e
- Dois para mim.
- Mas o serviço é de primeira.

- Faço por 9 milhões - disse o português.
- Nove?!? - Espantou-se o presidente:
- É demais!!! Por quê?!?
- Três para mim,
- Três para si,
- E três para os polacos fazerem a obra...
- Adjudicada !!!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Viola, ou Violão

Quase todos os rapazes da minha geração, sabiam tocar umas "coisitas". Outros havia, como eu, que tinhamos a mania que tocavamos umas coisitas. Uns e outros, autodidatas. Iamos aprendendo uns acordes, que viamos fazer aos outros, mas o pouco que sabiamos era mais que suficiente para animar as nossas eternas tertúlias. Não existiam escolas de música e, mesmo que existissem, não haveria carcanhol para pagar eventuais aulas. Ficam, então, aqui algumas aulitas de borla. Como afinar a viola, como mudar as cordas de nylon ou de aço na viola acústica e na guitarra eléctrica.
(como afinar a viola)
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(mudar as cordas na guitarra eléctrica)
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(mudar as cordas de aço)
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(mudar as cordas de nylon)
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Os Insubstituíveis

Na sala de reuniões de uma multinacional o director, nervoso, fala com a sua equipa de gestores.


Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: ninguém é insubstituível .


A frase parece ecoar nas paredes da sala de reuniões em meio do silêncio.


Os gestores entreolham-se, alguns baixam a cabeça.


Ninguém ousa falar.


De repente um braço levanta-se e o director prepara-se para triturar o atrevido:


- Alguma pergunta?


- Tenho sim. - E Beethoven ?


- Como? - Encara-o o director, confuso


- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?


Silêncio.....


O funcionário fala então:


- Ouvi esta história estes dias contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso.


Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam a achar que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.


Quem substituiu Beethoven? Luis Vaz de Camões? Rosa Mota? Fernando Pessoa? C. Ronaldo? Vasco da Gama? Eusébio? D. Afonso Henriques? José Saramago? Carlos Lopes? Egas Moniz? Padre António Vieira? Thomas Edison? Padeira de Aljubarrota Ana Brites? Albert Einstein? Picasso? Afonso de Albuquerque? etc...


Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram o seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.


Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direccionado para alguma coisa.


Está na hora dos líderes das organizações reverem os seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipa focando o brio e os seus pontos fortes e não utilizando energia a reparar nos seus erros ou deficiências.


Ninguém se lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico ...


O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado dos seus talentos.


Cabe aos líderes de uma organização mudar o olhar sobre a equipa e canalizar os seus esforços para descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso do seu projecto.


Se o seu gerente/coordenador , ainda está focado em melhorar as fraquezas da sua equipa corre o risco de ser aquele tipo de líder técnico, que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola, Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.


Seguindo este raciocínio, caso pudessem mudar o curso natural, os rios seriam rectos não haveria montanhas, nem lagoas nem cavernas, nem homens nem mulheres, nem sexo, nem chefes nem subordinados . . . apenas peças.


Quando um famoso comediante foi para "outras moradas", ao iniciar o programa seguinte, o seu companheiro de comédia entrou em cena e disse mais ou menos o seguinte:.


Estamos todos muito tristes com a partida do nosso irmão ... e hoje, para substituí-lo, chamamos:.... Ninguém ... pois ele é insubstituível!...
 
*Portanto, nunca te esqueças que és um talento e, consequentemente, insubstituível!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Abraço

Para todos os leitores e leitoras deste Blogue, um grande abraço deste vosso amigo e que o Ano de 2011 seja repleto dos maiores éxitos pessoais e profissionais.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Até Breve

Por: Fernando Calado
Estamos na véspera de mais uma data cheia de memórias e significado para todos os bragançanos que sempre viveram numa grande cumplicidade com os seus estudantes e a velha Academia: o 1º de Dezembro. Nesta noite, para além de se cumprir a tradição da visita fortuita a algum galinheiro descuidado, os estudantes levavam à cena, no velho Teatro Camões, grandiosas representações cénicas, muitas vezes patrióticas. O professor responsável pelos ensaios, durante o longo 1º período, foi durante muitos anos o Dr. Fernando Subtil. Em sua memória e preito de homenagem publico aqui o texto que escrevi quando Fernando Subtil deixou de estar entre nós e se fez saudade.
As pessoas cumprem o seu tempo cumprindo-se. E foi isso o que aconteceu com o Dr. Fernando Subtil cumpriu-se, no seu desejo de intervir na sociedade do seu tempo, de se rever na mudança do quotidiano da sua cidade que tanto amou, com um amor, paradoxalmente, de encanto e desencanto, pelo facto do devir histórico não se identificar com o seu imaginário de criador de factos, de cidades ideais, de metas próximas ou longínquas.
Fernando Subtil, dizia-me muitas vezes: - O nome nos une, bem como o gosto pela escrita.
E acrescentava: - Vós, mais dois, ou três e eu, fazíamos o melhor jornal da região.
Este Jornal nunca aconteceu e em escritos vários e jornais diversos gastámo-nos em polémicas infindas, concordamos, discordamos, fizemos política na divergência, vivemos lado a lado numa apreciação discreta e tantas vezes manifestada numa cumplicidade de quem vive perto da palavra escrita.
- Li o vosso artigo e como eu gosto da forma como escreveis, mas tenho que me meter convosco porque não concordo com o conteúdo.
Avisava o Dr. Subtil deixando muitas vezes uma nota de afecto perante o meu desassossego e descontentamento: - Vós bem sabeis quanto vos quero...
Quantas vezes me citou, quantas vezes lhe respondi, quantas vezes me convidou para o tal Jornal, único, interventivo, literário, para o tal Jornal que ficou a ser o melhor do mundo para toda a eternidade porque só existiu na grandeza dos sonhos de Fernando Subtil.
Contudo, este é o texto que não queria escrever, porque quando morre um homem que passou pela vida com a exuberância e a força de Fernando Subtil, um homem que tanto escreveu e tanto disse, um homem que fez a paz e fez a guerra, um homem que marcou a história de Bragança, este homem estará sempre aí perto do nosso desconforto, das nossas omissões, das nossas incapacidades para a denúncia.
Uma das últimas vezes que jantei com o Dr. Subtil foi pelo Inverno, esperou-me pacientemente bebericando o seu copinho, junto à lareira do restaurante Turismo. Mal entrei fulminou-me logo com o seu humor matreiro: - Convidei-vos para aqui para não vos comprometer...
Desculpei-me e achei que aquele jantar iria ser uma monotonia à volta de dois homens que pouco falaram durante a vida, embora fossem tão próximos no mundo estranho da escrita.
Bem pelo contrário, foi um jantar ameno e o Dr. Subtil tornou-se, como por magia, num Fernando afável que brincou o tempo todo com os seus sonhos, com os seus desejos, com a sua doença, dizendo-me que ainda queria escrever um livro sobre o cancro, não o cancro que o havia de matar, mas o cancro da sociedade em que se vive.
Já no final e como quem revela um segredo, disse em tom quase teatral, bem a seu jeito:
- Pedi-vos para jantardes comigo para vos dizer que vou fundar um Jornal, que tem o nome dum rio e quero que sejais meu sócio. O título só o direi depois...
Esse Jornal, o melhor para o Dr. Subtil, só se poderia chamar, disse-me mais tarde: SABOR.
À meia-noite despedimo-nos, num abraço cheio de afecto, como dois velhos sócios e fez questão de pagar o jantar para me obrigar a termos que jantar de novo, retribuir o pagamento e confirmar se aceitava a sociedade.
Jantámos de novo, no mesmo sítio, um jantar já mais doloroso, porque com pena e imensa tristeza eu tive que dizer que por motivos profissionais, tão cedo, não queria entrar em nenhum projecto jornalístico.
Paguei o jantar, despedimo-nos com o mesmo abraço e eu fiquei com a impressão que o Dr. Subtil estava muito triste, pois, o sonho do SABOR diluía-se, tragicamente, na frieza da sombria noite transmontana.
Parece-me que nunca mais falei com o Dr. Subtil, a nossa despedida entristece-me, mas por outro lado deixa-me cheio de orgulho, porque nós dois, tão cúmplices durante a vida, despedimo-nos à beira dum sonho.
Em qualquer parte onde estiver o Dr. Subtil ele estará sentado, escrevendo para toda a eternidade à beira de muitos anjos escritores de sonhos e de projectos, sorrindo com aquele seu sorriso ímpar, cheio de ironia e complacência e um frio enorme perpassa por aqui, porque não sei o que F. Subtil diria, em nota de rodapé, deste meu escrito que não desejo que seja de circunstância.
Até breve Dr. Fernando Subtil é assim que se diz, quando todos sabemos que estamos de partida a caminho dum lugar, algures, onde nos espera o nosso SABOR, escrito em letras radiosas com a tinta mágica da eternidade.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Vamos lá Aprender a Fazer Rabanadas

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Poema - O Mar

Recebi, de um velho amigo, este saudoso poema que agora partilho com todos.
Obs* A parte do copo...está garantida!

As ondas do mar reviram-se
Reviram-se constantemente
Lá no meio trazem peixes
E atrás principalmente.

Se o mar tivesse varandas
Ia-te ver ao brasil
Como o mar não tem varandas
Mando-te um bilhete postil.

Outras... e outras tantas, que hoje se calhar não têm tanta graça como na época devida...
bebe um copo que eu bebo outro, em louvor dos velhos tempos.

Abração.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Feelings

Morris Albert, nome artístico de Maurício Alberto Kaisermann, (São Paulo, 7 de Setembro de 1951) é um cantor e compositor brasileiro, que vendeu discos em mais de 50 países, totalizando 160 milhões de cópias. Famoso pelo seu sucesso de 1975 "Feelings" e "She's my girl" bem como outras canções que compôs em inglês.
Versão de Richard Clayderman
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Uma Abelha na Chuva de Carlos de Oliveira

Na imensidão das dunas e da atmosfera mística da Gândara, terra primordial da obra de Carlos de Oliveira, as pessoas são como as abelhas. Em colmeias podres ou em comunidades obreiras à espera da ferroada, decorre esta narrativa de forte carga simbólica

Carlos de Oliveira
O foco da história incide no amargurado casamento de Dona Maria dos Prazeres com Álvaro Silvestre. Sem filhos e sem amor que os una, sobrevivem entre discussões acaloradas (pelo álcool e pelo desprezo) e a farsa que representam para os habitantes da localidade. Numa narrativa que arranca do presente (anos 50, em pleno Portugal do Estado Novo) e que se enleia nos momentos passados, adensando a tragédia, descobrimos um Álvaro penitente. Na redacção do jornal da vila, o comerciante quer publicar um acto público de contrição, assumindo as culpas por burlas e outros dolos. Mas surge a sua orgulhosa esposa para o amedrontar e nada acaba por ser publicado.
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O ódio que este casal nutre entre si, ou o fel que destila das suas almas, acaba por verter sobre os criados e outros personagens secundários que esvoaçam ao seu redor. Jacinto e Clara, o jovem par de namorados que concebia um futuro, é atingido por esse mal e perde a vida num climax trágico que anuncia a tempestade. Ele é assassinado, vítima do ciúme doentio de um pretendente, da repulsa de um pai com aspirações sociais e de um Álvaro bêbado que fala sem pensar nas consequências. Ela escolhe a água, no fundo de um poço, para finar a sua vida e a da esperança que transportava na barriga.
Ficam os outros. Fica uma colmeia putrefacta, arrastada pela lama, desfeita pelas chuvas... embora algumas produtoras de mel ainda a possam reabilitar. Talvez...

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dez Empresas do Distrito de Bragança Distinguidas como PMEs Excelência

Dez empresas do distrito de Bragança foram este ano distinguidas com o prémio PME Excelência. Uma distinção atribuída pelo Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e à Inovação (IAPMEI), Turismo de Portugal e principais bancos portugueses. A nível nacional foram premiadas 1100 pequenas e médias empresas de quatro sectores: comércio, industria, turismo e hotelaria.

No distrito de Bragança foram distinguidas dez empresas.

A farmácia Bem Saúde, de Bragança, fi uma delas.
Maria Gomes sublinha a importância desta distinção.
“Estamos dentro das 1100 empresas que ganharam o prémio e que apresentam os melhores resultados de gestão. É uma questão de mostrar solidez da empresa. Acho que mais empresas se devem candidatar e atingir os objectivos financeiros, o que nos tempos de hoje é muito difícil devido à crise”, adianta.

Cláudio Trovisco, da Trovidoce de Macedo de Cavaleiros, foi outro dos contemplados com a distinção.
E explica as características que uma empresa tem de reunir para ser uma PME de excelência.
“Seria uma autonomia média acima dos 50 por cento, um crescimento entre os oito e os dez por cento, um resultado líquido face aos capitais próprios acima dos dez por cento (aqui se vê a necessidade de recorrer à banca), e os resultados líquidos sobre os activos líquidos das empresas acima dos cinco por cento.”

Já Orlando Carvalho, da Protecção 24, considera que seria importante que mais empresários da região se candidatassem.
“Sem dúvida. Sou daqui da região e fico triste de ver só quatro ou cinco empresas do meu distrito distinguidas entre 1100 em todo o país”, sublinha.

O reconhecimento é anual e as empresas terão de manter os mesmos parâmetros para conseguirem nova distinção em 2011.

Entre as 1107 empresas distinguidas pelo IAPMEI com o prémio PME de Excelência estavam dez do distrito de Bragança.

Para além das três empresas já referidas, também a cooperativa Agro-pecuária mirandesa foi distinguida na área de indústria, a transportadora Santos e a empresa Alfandeguense nos transportes, a sociedade de construções Antero Alves de Paiva no sector de construção. A óptica de Antero Santos, a loja de materiais de construção Melo e a Santosjóias venceram no sector do comércio.
Brigantia, 2010-12-21

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um Presépio Original

Por: Carla A. Gonçalves
Foi num dia de neve e muito frio que encontramos José Santana, um ex-emigrante reformado, a trabalhar nas figuras e peças que dão forma ao grandioso presépio instalado na rua do Norte, num terreno junto ao antigo Cine-Teatro Torralta, cedido ao artesão para esse mesmo efeito. Quem por ali passa não fica indiferente àquela que é uma das maiores referências cristãs da época de Natal, o grande símbolo do nascimento de Jesus Cristo, em Belém, na companhia de Maria e José. É que o seu construtor não deixa nada ao acaso na tentativa de construir a Belém do seu imaginário e, para isso, mete mãos à obra bem cedo, a tempo de ter a obra pronta cerca de duas semanas antes do Natal.
Mas o que leva alguém a construir minuciosamente tal obra com o intuito apenas de a expor na rua e celebrar a época natalícia e o nascimento de Jesus Cristo? José Santana não tem resposta para esta pergunta que não seja o prazer em dedicar-se a tais trabalhos, apelando a uma tradição cristã que corre o risco de começar a cair em desuso, pelo menos nas grandes cidades. Foi desde que se reformou que o ex-emigrante, com 70 anos, decidiu dar asas à imaginação e construir, pela altura do Natal, um grande presépio. Desde há três anos, essa é uma obra que é colocada na rua, num terreno privado que lhe é cedido especialmente para esse efeito, mesmo de frente à sua casa. “Inicialmente fazia o presépio no quintal de casa, ali no bairro de Além do rio. Mas depois decidi fazê-lo aqui, é onde passa mais gente e onde passamos mais tempo”, conta, recordando que ele próprio nasceu naquela rua, numa casa que hoje se encontra demolida. No tal quintal da outra casa, no bairro de Além do Rio, José Santana tem outras peças que despertam curiosidade: os monumentos da cidade de Bragança. São peças de um tamanho considerável, verdadeiras réplicas de alguns dos mais simbólicos e representativos monumentos da cidade: o castelo, a Domus Municipalis, a Igreja de São Vicente, a Sé de Bragança.
Curioso, no entanto, é que foi apenas há cerca de sete anos atrás que José Santana se voltou para as artes e meteu mãos à obra. Um dom que lhe vem da imaginação e da vontade de ocupar o muito tempo livre que os dias lhe reservam. “É uma maneira de me entreter, nunca aprendi nada com ninguém”, conta, com simplicidade. Na verdade, tudo começou por um acaso.
Antigamente, na Praça da Sé fazia-se um grande presépio, (hoje substituído por um presépio de luzes já pré-feito), onde figuravam alguns monumentos da cidade. “Eu vi desfazer o presépio e reparei nos monumentos que lá tinham. Foi aí que pensei, porque não fazer o castelo de Bragança?”. Essa foi mesmo a primeira peça que se aventurou a fazer recorrendo a madeira, chapa e outros materiais. Bem sucedido na sua empreitada, quis fazer a Sé de Bragança, peça que, ainda hoje, considera como a “melhor e mais bonita de todas”, e nunca mais parou. Na garagem de sua casa, de portas abertas, cumprimentando quem passa, José vai dando largas à imaginação, ouvindo críticas e sugestões.
“No ano passado os Reis Magos ficaram mais pequenos do que os camelos, mas este ano já estão em condições”, mostrou. O seu empenho na perfeição é levado ao ponto de ter mandado fazer umas alforjas, “à moda antiga”, para colocar em cima dos camelos. “Ainda pensei em aproveitar aquelas meias de Natal que se colocam nas chaminés, mas as alforjas são mais típicas, têm mais a ver”, notou, dizendo, com a humildade de quem se faz a um trabalho por dedicação, que “com a experiência” vai melhorando de ano para ano. A apoiá-lo incondicionalmente está Isabel Santana, a sua esposa, que só recentemente descobriu que o marido levava jeito para estas coisas do artesanato.
“Não sabia que ele tinha este dom e este jeito para fazer estas coisas”, confessou, apontando para os pormenores das peças em execução e para o material ali dispendido. É que, depois de construídas as peças e montado o presépio, José Santana ainda coloca iluminação natalícia, recorrendo, para tal, ao gerador do vizinho do lado. “O vizinho dali do lado faz-me esse favor e eu, depois, pago-lhe a luz”. Um trabalho e uma despesa a que não olha, cumprindo um sonho que em criança nunca realizou. “Quando era criança não fazia presépio, mas ia sempre à Sé ver o que faziam lá”, recordou. Puxando pelas memórias, José lembra que, nos seus tempos de criança, há mais de 50 anos atrás, havia um senhor que fazia o presépio da Sé. “Chamavam-lhe o Alberto de Mirandela e eu, em garoto, ainda cheguei a trabalhar com ele e a vê-lo fazer o presépio. Talvez seja daí que me vieram algumas ideias”. Daí e da sua experiência de vida em França, onde viu, pela primeira vez, as igrejas de traço oriental que hoje recorda para dar forma no seu presépio.
Foi também da experiência laboral que teve em França, trabalho enaltecido e louvado pelos seus patrões, como pudemos ver nas inúmeras cartas de louvor que recebeu, que José adquiriu conhecimentos que, hoje, lhe permitem fazer as peças e os trabalhos manuais com tanta destreza e perfeição. “Eu lá trabalhava nas pontes e fazia um trabalho manual. Tinha de fazer as cofragens e depois colar o betão”, explicou, apontando que “isto é quase a mesma coisa”. Numa comparação curiosa, José Santana vai dizendo que gosta tanto de fazer o presépio e estes trabalhos, como gostava de jogar à bola e assim descobrimos, por acaso, estar perante aquele que foi dos melhores marcadores do Grupo Desportivo do Bragança (GDB). José Santana chegou a fazer duas épocas de juniores e esteve oito anos nos seniores, onde jogou como interior esquerdo. Enquanto esteve na tropa, ainda chegou a treinar no Lusitano de Évora, mas apenas por desporto.
Foi convidado a ficar, mas a sua vida já estava encaminhada noutro sentido. Casado, não quis deixar a terra natal, preferindo regressar. Entretanto, porque a vida é mesmo assim, encontrou-se com três filhas e resolveu emigrar para França para ganhar a vida. Instalado em Paris, José ainda chegou a treinar numa equipa francesa. “Tinha 30 anos e ainda me iam buscar a casa para jogar à bola”.
Depois, teve outra filha e o trabalho assumiu o primeiro plano. “Eu gostava tanto de jogar futebol, como gosto, hoje, de fazer presépios, mas a minha vida não dava para isso”, concluiu. Ainda assim, é sem arrependimentos que olha para trás. “Passei bons dias, não tenho pena do tempo que passei porque também gozei muito”. Hoje, o tempo ocupa-o como gosta, num trabalho que expõe a quem por ali passa. Depois de dias e dias a dar forma ao seu presépio, José revela que, este ano, vai surpreender quem aprecia o seu trabalho e, na noite de Consoada, vai colocar a figura de Maria a caminho de Belém, acompanhada de José. Vale a pena ver e apreciar este trabalho que José dedica a toda a cidade.

sábado, 18 de dezembro de 2010

O Emplastro

Não há muito a dizer. Eis o Emplastro!
Obs* Longe de mim, querer ferir susceptibilidades.

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Conversa da Treta

António Feio, vitimado pelo cancro quando ainda tinha tanta conversa da treta para aditar à que quotidianamente escutamos, foi o caso mais mediático de luta contra a doença. Lutou. Acreditou na ciência. Nunca perdeu o sorriso. Deu a cara. 
Teve o cuidado de transmitir aos que sofrem de cancro que a detecção da doença não deve ser encarada como o fim. Que a pior solução é baixar os braços e esperar, no desespero, que ela, a encapuzada de negro, nos venha buscar. 
Ensinou-nos que a vida deve ser vivida até ao fim. Na luta consciente, pois o optimismo exagerado, como na economia, só pode agravar desilusões. No acreditar na ciência dos homens que tantos progressos tem feito nesta área. Ou na fé no Criador, para aqueles que nele acreditam.

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Bite-Xis

Existem várias razões para se roerem as unhas...

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Mau Tempo no Canal - Vitorino Nemésio

Mau Tempo no Canal é um romance trabalhado desde 1939 e publicado em 1949. A acção decorre nas ilhas do Faial, Terceira, Pico e na ilha de São Jorge entre 1917 e 1919 e retrata a sociedade açoriana, mais concretamente, a sociedade estratificada da cidade da Horta, local onde decorre a intriga principal e onde Vitorino Nemésio se encontra nesta altura da sua vida.
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O livro começa com um namoro entre Margarida, filha de uma família aristocrática à beira da falência, e João Garcia - filho de Januário, pequenos burgueses com talento para o negócio mas escorraçados pelos primeiros, os Clark/Dulmo.
O pai abusivo de Margarida, Diogo, propõe-lhe que case com o tio Roberto, que virá de Londres e que, rico ainda, poderá salvar da desgraça os fidalgos arruinados seus parentes. Entretanto, Januário, pai de João, congemina vinganças contra os Clark Dulmo que tanto o despeitaram...
Literalmente pelo meio, está o canal do título, o braço de mar que divide as ilhas do Faial e do Pico, que divide os proprietários e novos-ricos da Horta dos pobres, populares e simples baleeiros do Pico, com quem Margarida dialoga na mesma pronúncia, no mesmo sotaque, ao longo do romance.
Mau Tempo no Canal conta uma quantidade de histórias numa só, é uma trama que enreda uma série de sucedidos e cujo ponto de apoio mais evidente é a relação entre dois personagens, entre duas famílias e entre dois estratos sociais.
Os afectos, as paixões e os amores surgem-nos inteiros, frescos, intensos. Entramos no coração de uma menina de boas famílias, dividida entre o amor original de um rapaz de família indesejada e o dever de alianças com famílias de bem. Neste livro, respira-se a maresia, sofremos a melancolia do mar, a sensação de lonjura, de liberdade e esperança: a sensação de ser ilhéu.

Zip Zip

Sketch protagonizado por Raul Solnado e Fernanda Borsatti na primeira emissão do programa Zip Zip.


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O Teatro Villaret foi palco de um dos mais espectaculares programas da Rádio Televisão Portuguesa.o Zip Zip, um programa que teve a colaboração de Carlos Cruz, Fialho Gouveia e o Raul Solnado.
Zip-Zip foi um programa televisivo de 1969 apresentado por Raul Solnado, Fialho Gouveia e Carlos Cruz e que constituiu um importante marco na história de televisão em Portugal. Foi emitido em plena Primavera Marcelista, foi realizado por Luís Andrade e apresentado por Carlos Cruz, Fialho Gouveia e Raul Solnado.
O primeiro programa foi gravado no dia 24 de Maio de 1969, tendo Almada Negreiros como convidado principal, e obteve êxito imediato. Foi o primeiro programa português do tipo "talk show" gravado aos sábados, no Teatro Villaret, com público e transmitidos na segunda-feira seguinte à noite.
O Major Baptista Rosa abandonou a Equipa de Produção logo após esse primeiro programa, em virtude de se ter incompatibilizado com os outros membros da Equipa. A partir do 2º programa verificaram-se algumas modificações incluindo o genérico do programa.
Entre o público que assistia à gravação estava presente um agente da PIDE. A emissão dos conteúdos tinha que ser negociada com a polícia do regime entre sábado (dia da gravação) e segunda-feira (dia da apresentação).
José Nuno Martins também colaborou com o programa, trazendo jovens talentos ao palco.
A última emissão foi transmitida no dia 29 de Dezembro de 1969, com os três apresentadores disfarçados de velhos anciãos.
A RTP tem poucas imagens do programa pois não era habitual guardarem-se as imagens dos programas.
Em 29 de Março de 1970 iniciou-se o programa "Tempo Zip" produzido pelas Organizações Zip-Zip e emitido através da Rádio Renascença.
O primeiro disco da editora Zip-Zip foi gravado em Setembro de 1969. O LP incluía muitos dos convidados do programa. Na contracapa aparece uma espécie de poema da autoria de Almada Negreiros. O disco inclui faixas com a Orquestra Zip (a interpretar a "Zipfonia" de Nuno Nazareth Fernandes), Hugo Maia de Loureiro, Intróito, Raul Solnado, António Victorino d'Almeida, Efe 5, Padre Fanhais, Ruy Mingas, Tóssan, José Barata Moura e José Froes Leitão.
O termo Zip-Zip foi inventado por Raul Solnado numa viagem de automóvel ao Porto.
Manuel Pires, funcionário da RTP, foi o autor do boneco.
"O Zip Vida e obra" é um livro da Editorial Ibis com desenhos de autoria de Luís Macieira, Raul Solnado, Filipe Gouveia e Carlos Cruz.
A música do genérico era da autoria do Quarteto 1111.

Recordar Adriano Correia de Oliveira

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Estudo, Trabalho e Armas.

Qualquer semelhança com a actualidade política e económica portuguesa e também mundial...é pura coincidência.

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pó de Arroz

Nasceu acidentalmente em Coimbra, passando toda a sua infância e juventude entre Ílhavo (terra natal dos pais) e Cascais. Desde muito cedo Carlos Paião demonstrou ser um compositor prolífico, sendo que no ano de 1978 tinha já escritas mais de duzentas canções. Nesse ano obteve o primeiro reconhecimento público ao vencer o Festival da Canção do Illiabum Clube.
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Em 1980 concorre pela primeira vez ao Festival RTP da Canção, numa altura em que este certame representava uma plataforma para o sucesso e a fama no mundo da música portuguesa, mas não foi apurado. Com Playback ganhou o Festival RTP da Canção de 1981 com a esmagadora pontuação de 203 pontos, deixando para trás concorrentes tão fortes como as Doce e José Cid. A canção, uma crítica divertida, mas contundente, aos artistas que cantam em play-back, ficou em penúltimo lugar no Festival da Eurovisão de 1981, realizado em Dublin, na República da Irlanda. Tal classificação não "beliscou" minimamente a popularidade do cantor e compositor, pois Carlos Paião, ainda nesse ano, editou outro single de sucesso e que mantém a sua popularidade até hoje: Pó de Arroz.
O êxito que se seguiu foi a Marcha do Pião das Nicas, canção na qual o cantor voltava a deixar patente o seu lado satírico. Telefonia (Nas Ondas do Ar) era o lado B desse single.
Carlos Paião compôs canções para outros artistas, entre os quais o próprio Herman José, que viria a alcançar grande êxito com A Canção do Beijinho (1980), e Amália Rodrigues, para quem escreveu O Senhor Extra-Terrestre (1982).
Algarismos (1982), o seu primeiro LP, não obteve, no entanto, o reconhecimento desejado. Surgiu entretanto a oportunidade de participar no programa de televisão O Foguete, com António Sala e Luís Arriaga.
Em 1983, cantava ao lado de Cândida Branca Flor, com quem interpretou um dueto muito patriótico intitulado Vinho do Porto, Vinho de Portugal, que ficou em 3.º lugar no Festival RTP da canção.
Num outro programa, Hermanias (1984), Carlos Paião compôs a totalidade das músicas e letras de Serafim Saudade, personagem criada por Herman José, já então uma das figuras mais populares da televisão portuguesa.
Em 1985, concorreu ao Festival Mundial de Música Popular de Tóquio (World Popular Song Festival of Tokio), tendo a sua canção sido uma das 18 seleccionadas.
A 26 de Agosto de 1988,quando acabara de actuar num grande espectáculo em ((fornos de Algodres)), morre num violento acidente de automóvel. Na altura, surgiu o boato de que na ocasião de seu funeral não estaria morto, mas sim em coma, porém a violência do acidente por si nega o boato, pois a sobrevivência a este seria impossível.
Morreu no dia seguinte ao incêndio do Chiado. Estava a preparar um novo álbum intitulado Intervalo, que acabou por ser editado em Setembro desse ano, e cujo tema de maior sucesso foi Quando as nuvens chorarem. Está sepultado em São Domingos de Rana, freguesia do concelho de Cascais.
Compositor, intérprete e instrumentista, Carlos Paião produziu mais de trezentas canções.
Em 2003 foi editado uma compilação comemorativa dos 15 anos do seu desaparecimento - Carlos Paião: Letra e Música - 15 anos depois (Valentim de Carvalho).
Em 2008, por altura da comemoração dos 20 anos do desaparecimento do músico, vários músicos e bandas reinterpretaram alguns temas do autor na edição de um álbum de tributo, "Tributo a Carlos Paião.

Poema em Linha Recta

Fernando Pessoa

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Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

Qualidade de Vida do Rendimento Mínimo

Qualidade de vida é receber 800 € mensais (ou mais) para não fazer nada.

Qualidade de vida é levantar á hora que se quer porque os outros trabalham para ele.

Qualidade de vida, é ter como única preocupação escolher a pastelaria onde vai tomar o pequeno-almoço e fumar as suas cigarradas, pagos com os impostos dos outros.

Qualidade de vida é ter uma casa paga pelos impostos dos outros, cuja manutenção é paga pelos impostos dos outros, é não ter preocupações com o condomínio, com o IMI, com SPREAD´S, com taxas de juro, com declaração de IRS.

Qualidade de vida é ter tempo para levar os filhos á escola, é ter tempo para ir buscar os filhos á escola, é poder (não significa querer) ter todo o tempo do mundo para acarinhar, apoiar, educar e estar na companhia dos seus filhos.

Qualidade de vida é não correr o risco de chegar a casa irritado, porque o dia de trabalho não correu muito bem e por isso não ter a paciência necessária para apoiar os filhos nos trabalhos da escola.

Qualidade de vida é não ter que pagar 250€ de mensalidade de infantário, porque mais uma vez é pago pelos impostos dos outros.

Qualidade de vida, é ainda receber gratuitamente e pago com os impostos dos que trabalham o computador Magalhães que de seguida vai vender na feira de Custóias, é receber gratuitamente todo o material didáctico necessário para o ano escolar dos seus filhos, e ainda achar que é pouco.

Qualidade de vida é ter as ditas instituições de solidariedade social, que se preocupam em angariar alimentos doados pelos que pagam impostos, para lhos levar a casa, porque, qualidade de vida é também nem se quer se dar ao trabalho de os ir buscar.

Qualidade de vida é não ter preocupação nenhuma excepto, saber o dia em que chega o carteiro com o cheque do rendimento mínimo.

Qualidade de vida é poder sentar no sofá sempre que lhe apetece e dizer “ TRABALHAI OTÁRIOS QUE EU PRECISO DE SER SUSTENTADO”.

Qualidade de vida é não ter despesas quase nenhumas, e por isso ter mais dinheiro disponível durante o mês, do que os tais OTÀRIOS que trabalham para ele.

Qualidade de vida é ainda ter tempo disponível para GAMAR uns auto-rádios, GAMAR uns carritos e ALIVIAR umas residências desses OTÁRIOS que estão ocupados a trabalhar OU ASSALTAR uma ourivesaria.

Qualidade de vida é ter tudo isto, e ainda ter uma CAMBADA DE HIPÓCRITAS a defende-lo todos os dias nos tribunais, na televisão, nos jornais.

Isto sim, isto é qualidade de vida.

Ass: UM OTÁRIO

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Miudezas da Casa Por Causa da Neve...

Há dias em que fazemos viagens imaginárias à volta da nossa memória, como se fosse possível regressar a sítios e recantos onde estivemos num tempo antiquíssimo.
Então de novo entramos no Soto da nossa aldeia, um mundo fabuloso onde se misturavam cheiros mágicos e cores deslumbrantes. Aqui tudo era possível e as fazendas, os riscados e as popelinas, estavam arrumadas nas prateleiras ao lado da massa, do pimento, do arroz, do açúcar, bem perto da “tarifa” do polvo e do “atado” do bacalhau vindo das terras longínquas da Noruega.
Mais além estavam as miudezas, uma infinidade de linhas, agulhas, elásticos, colchetes e outras pertenças, necessárias ao quotidiano de quem se fazia ao comércio na urgência de comprar, a fiado, tudo aquilo que assegurava o seu viver, nas pacatas sociedades agro-pastoris.
E por hoje falaremos somente nestas miudezas que perpassam pelo nosso dia-a-dia de citadinos, enquanto sonhamos com a horta, com a faceira e o linhar e enganamos o nosso devir, semeando feijões e abóboras nos vasos do parapeito das janelas do nosso apartamento, onde somos encaixotados, longe da liberdade da nossa casa da aldeia, construída à beira da magia dos campos infindos fazendo-se renovo no milagre da hortaliça temporã.
Hoje, neva lá fora…e em noite de neve desejo sempre regressar a casa …acender a lareira e encontrar de novo o nome que a velha mais velha do povoado sempre me chamou e que sabia a mel…a côdeas de centeio e a medronhos em tempo de Natal.
Enfim…as palavras já tardam… tu tambem tardas...e hoje fico por aqui à beira da janela olhando a catedral feita de neve que o céu cinzento está a construir…
…tempos ancestrais regressam na magia da neve e a avó, para sempre, fia na roca perpetuando os longos serões dos misteriosos Invernos do Nordeste transmontano…

(por: Fernando Calado)

Os Verdadeiros Heróis

Menos futebol e um muito maior investimento nas modalidades olímpicas.
Recuso-me, terminantemente, a que os meus impostos sejam canalizados para sustentar a pouca vergonha do futebol profissional.
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