quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Carne Mirandesa em busca da duplicação

A unidade que a Cooperativa Agro-Pecuária Mirandesa (CAPM) abriu em Vimioso tem capacidade para transformar o dobro da carne que é produzida na região.
A fábrica começou a laborar em Julho e transforma, actualmente, 45-45 carcaças semanalmente embora disponha de meios para trabalhar 80 peças por semana. “Temos condições para transformar o dobro daquilo que comercializamos actualmente”, admite o director comercial da CAPM, Nuno Paulo, em jeito de desafio ao aumento da produção. “É evidente que necessitamos de mais produção, de mais explorações e temos que ser mais competitivos”, considera o responsável.
Se até há bem pouco tempo atrás existiam muitas explorações com 3-4 vacas, hoje dificilmente se encontra alguma com menos de 20-30 animais.
O problema é a média de idades, que anda muito próxima dos 55-60 anos. “Necessitamos que isso desça no imediato. Quem é jovem tem outras ambições, quer a nível profissional, quer de rendimento, e vão ser eles que vão fazer com que a produção aumente”, antevê Nuno Paulo.
O passo decisivo, contudo, poderá ser dado fora dos seis concelhos do distrito que constituem o solar da raça, dado que a CAPM aguarda que a Comissão Europeia autorize o alargamento da área geográfica de produção de bovinos mirandeses.

A nível nacional, o alargamento do solar da raça já foi provado, mas falta a autorização comunitária
Quando o processo estiver concluído, a produção de Carne Mirandesa (IGP) deixará de ser um exclusivo dos criadores de Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mogadouro, Vimioso ou Vinhais, para passar a ser uma realidade em regiões as Beiras ou o Alentejo, onde, aliás, já existem centenas de cabeças de gado desta raça. “No Alto Alentejo existem cerca de 1.000 cabeças de gado, numa altura em que o efectivo total da raça ronda as 5.500”, explica o director comercial.
A nível nacional, o alargamento já foi provado, mas falta a autorização comunitária, sendo certo que há produtos com Denominação de Origem Protegida (DOP) que não sairão das fronteiras do solar da raça. É o caso do Redeão Mirandês, que se encontra certificado desde Fevereiro passado e entrará no mercado logo que aumente o universo de produção da carne mirandesa. Já a Posta Mirandesa, que obteve o selo DOP na mesma altura, poderá ser embalada nas zonas do País que vierem a fazer do solar da raça.
“Obviamente que o alargamento a outras regiões vai aumentar a capacidade de produção, mas não será suficiente. Precisamos que no berço da raça aumente o efectivo”, esclarece Nuno Paulo.
O secretário técnico interino da Associação de Criadores de Bovinos de Mirandesa, António Pimentel, alinha pela mesma bitola. “É preciso aumentar, e aumentar muito a produção desta raça”, defende o responsável.
in:jornalnordeste.com

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