segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Língua Portuguesa em risco na Era digital

A Língua Portuguesa corre o risco de perder relevância na Era digital. Isto, caso não seja reforçado o investimento em programas científicos nesta área. O alerta é dado num estudo desenvolvido por investigadores europeus em tecnologia da linguagem.
A investigação, coordenada por António Branco, professor do Departamento de Informática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa [e documentada numa colecção de Livros Brancos], avaliou o nível de desenvolvimento da tecnologia da linguagem para 30 das cerca de 80 línguas europeias existentes e concluiu que em 21 delas este é, na melhor das hipóteses, «nulo» ou «fraco».
No quadro deste estudo, procurou-se saber, em termos de tecnologia da linguagem, como estão a ser equipadas as línguas europeias para fazer face ao choque digital.
As conclusões, explica António Branco, referem que a sociedade de informação «usará cada vez mais serviços tecnológicos da linguagem, nomeadamente ao nível da tradução automática através de máquinas sofisticadas».
Neste âmbito, foi feito um levantamento, analisando o número de citações em dez conferências científicas de topo na área da tecnologia da linguagem. Contaram o número de referências específicas ao recurso a ferramentas de linguagem e as línguas em que eram aplicadas. «O inglês surge com 943 referências, e o português com 47 referências», adianta António Branco, realçando que isto ilustra a preparação da Língua Portuguesa na tecnologia da linguagem.
De acordo com o docente, isto revela que «em termos de tecnologia da linguagem e de preparação para a era digital, a Língua Portuguesa se encontra próxima de outras línguas faladas por comunidades bem mais minoritárias e exposta a riscos similares quanto à sua sobrevivência na era digital».
No caso da Língua Portuguesa, apesar de esta ser a quinta mais falada no mundo, com cerca de 220 milhões de falantes em quatro continentes, António Branco avisa que «se não foram tomadas certas medidas, arriscamos a que o português perca relevância na sociedade de informação».
«Há um hiato imenso entre o inglês e qualquer outra língua. Em particular, em relação ao português, o hiato é ainda maior», acrescenta.
Estabelecendo um gráfico para as 30 línguas analisadas no estudo, o inglês surge no primeiro grupo, bastante destacado. Num segundo grupo entra o francês, o alemão, o holandês, o árabe e o chinês. A Língua Portuguesa ficou incluída num terceiro grupo - menos bem preparado para fazer face à Era digital [onde estão idiomas como o búlgaro, o lituano e o húngaro].
Na obra também estão incluídas as recomendações sobre medidas mais urgentes a tomar nesta área, sobretudo com a articulação de política da língua, e de políticas de investigação e desenvolvimento da investigação científica, com programas específicos multidisciplinares.
O estudo foi realizado por 200 especialistas através da META-NET, uma rede europeia que engloba 53 centros de investigação em 34 países.
«A Língua Portuguesa na Era Digital» faz parte de uma colecção de Livros Brancos sobre «As Línguas na União Europeia da Sociedade da Informação», resultado de um projecto que abrange 30 línguas europeias.

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in:cefeportugal.net

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