quarta-feira, 30 de abril de 2014

Balcão único de Bragança comemorou um ano ao serviço dos brigantinos.

A Feira de Artesanato já está de portas abertas no centro histórico...

Abelha rainha e a sua criação que é essencial

A abelha que é rainha esteve em destaque na última sessão formativa levada a cabo pela Macmel de Macedo de Cavaleiros.
A empresa apícola reuniu este sábado, mais de uma centena de apicultores de lés a lés de Portugal e também de Espanha.
A criação de rainhas é algo imprescindível para a manutenção dos apiários e é ela quem determina a qualidade da colmeia, como sustenta, o responsável pela organização.
Francisco Rogão revela que a fileira apícola está em franco crescimento e o número de colmeias instaladas no distrito de Bragança, está na ordem dos 50 mil efectivos.
Francisco Rogão reitera que o sector do mel é indubitavelmente um escape ao desemprego, e lembra que ainda há muito potencial a ser explorado.
A abelha rainha reúne numa só abelha um bom número de qualidades desejáveis, tais como produtividade, baixa tendência à enxameação, abandono da colmeia e caracterizam-se a pela sua mansidão e resistência às doenças.
De frança veio Gil Fert, o maior criador de rainhas da Europa, explicar a génese e a orgânica da criação da abelha.
E categoricamente afirmou que o apicultor deve apostar na sua criação para aumentar a qualidade e a quantidade de colmeias.
Em média são necessários cerca de 23 dias com as condições ideais para que uma colónia reponha a actividade normal em termos de postura da rainha.
Tempo que pode ser determinante na evolução da floração a explorar e, consequentemente, no seu aproveitamento pelas abelhas.
O especialista francês explica a técnica a utilizar na criação de rainhas.
Da sociedade dos Apicultores de Portugal, com sede em Lisboa esteve o presidente.
António Hermenegildo veio falar de Hydromel e do seu enorme potencial como alternativa a alguns tipos de mel menos procurados.
No entanto, o licor de mel ainda não conta com uma grande procura no mercado.
Criação de rainhas foi o mote para o seminário que decorreu no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros.
Para 17 de maio está prevista uma sessão sobre flora melífera e para 19 de julho está a ser programado o Encontro Nacional dos Amigos das Abelhas, no Santo Ambrósio.

in:ondalivrefm.net

Que emoções Portugal desperta nos luso-descendentes?

Uma ligação forte, um sinónimo de “raízes”, de “identidade”, de “origens”. Tudo isto, Portugal desperta nos jovens de segunda e terceira geração, nascidos nos vários países para onde os seus pais e avós portugueses emigraram um dia. Os luso-descendentes que participaram no Encontro Mundial de Jovens de 2014, realizado por «O Emigrante/Mundo Português», entre 4 e 6 de abril, revelaram a este jornal detalhes de um amor que não se explica facilmente...
Aos jovens que participaram no Encontro Mundial de Luso-descendentes, que «O Emigrante/Mundo Português» realizou entre 4 e 6 de abril com o apoio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, foi colocada uma questão: “O que significa Portugal para si”? 
As respostas mostram uma ligação pais e avós souberam transmitir e os mais jovens quiseram manter.
Renata Caetano vê Portugal como a sua “segunda casa”. “Portugal é um símbolo, é a minha herança familiar”, sublinhou a jovem, natural do Rio de Janeiro, Brasil, cuja família é oriunda de Celorico da Beira. 
Veio ao Encontro Mundial de Jovens luso-descendentes deste ano com a expectativa de conhecer luso-descendentes de outros países e fazer novas amizades. Com ela veio o marido, Eduardo Caetano, com avós são naturais de Bragança, mas cuja ligação a Portugal começou verdadeiramente, quando conheceu e se casou com Renata, uma apaixonada confessa pelo país, que o casal visita pelo menos uma vez por ano.
Esta foi a quinta visita de Anthony Castro a Portugal. O pai, Tony Castro, natural de Ílhavo, chegou aos Estados Unidos com apenas dez anos e, apesar de nunca esquecer o português, não foi em casa que o filho começou a falar a língua paterna. 
Anthony Castro, que nasceu em Nova Iorque acabou por aprender a língua de Camões com amigos brasileiros, no clube de futebol onde joga. 
E apesar do receio de não se conseguir fazer compreender, foi em português que respondeu às perguntas do Mundo Português e revelou os planos de realizar um Mestrado em Estudos Portugueses. Sobre o país do seu pai e avós, o jovem que pretende seguir uma carreira no Direito Criminal não hesita em afirmar que “é único”.
“Não tenho muitos amigos portugueses em Nova Iorque, mas tenho família em Portugal. É um país único e acompanho sempre de perto a seleção nacional de futebol”, contou a este jornal.
“Sentir” Portugal de forma diferente
Mário Lopes nasceu em Portugal e foi só aos 15 anos que emigrou para a Alemanha, a acompanhar os pais e a irmã. A ideia da família era “ficar la por pouco anos e regressar a Portugal”, revelou, mas esse foi um objetivo que, para já, ficou para trás. Aos 33 anos, é em Mainz que vive e trabalha, apesar de vir a Portugal com frequência. “Venho quase todos os anos fazer um estágio com a equipa de futebol UDP de Mainz e venho também com a família”, conta o jovem que confessa ter passado a “sentir” Portugal de forma diferente, depois de ter emigrado. “Fez-me ter outra relação com o país. Tenho orgulho em ser português, defendo sempre o meu país e imagino-me a voltar. Mas neste momento, a Alemanha dá-me melhores possibilidades de trabalho e uma melhor qualidade de vida”, confessa Mário Lopes que diz ter “adorado” o Encontro pela “oportunidade de conhecer locais que de outra forma não conheceria”, referindo-se à visita guiada feita pelos jovens à Assembleia da República na companhia da deputada Maria João Ávila, ao encontro com o secretário de Estado das Comunidades, na Sala do Protocolo do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e ainda à visita aos jardins e ao Palácio de Belém, sede da Presidência da República.
Marcelo Rocha, natural do Recife, Brasil, não é descendente de portugueses, mas tal não significa uma ausência de ligação a Portugal. Pelo contrário. “Frequento o Clube Português do Recife e sou professor de Geografia num colégio privado que pertence a um português, explica o docente para quem esta primeira viagem a Portugal foi a concretização de “um sonho antigo”. “Nas minhas aulas falo de Portugal, quando ensino a geografia da Europa, entre outras matérias. E de repente, estar num local do qual costumo falar, é uma realização pessoal”, revela o professor que pretende vir a dinamizar um intercâmbio entre os seus alunos do Invest Centro Educacional e escolas em Portugal.
Também do Brasil veio Guilherme Romão, de raízes madeirenses - o pai é natural do Machico -, e que tinha estado em Portugal apenas em 2010, no âmbito de uma viagem por alguns países da Europa. “Não tinha voltado ao país e esta foi a oportunidade certa”, contou ao Mundo Português, confessando ainda a vontade de “viver em Portugal por um tempo”. Além de permitir o regresso a Portugal, o encontro foi para Guilherme a oportunidade de “conhecer jovens luso-descendentes e outros países e perceber qual a sua ligação ao país”.
Sinónimo de “raízes”
A ligação de Célio Moreira a Portugal é diferente, já que o jovem nasceu no país e emigrou para a Holanda com 20 anos. Quase 16 anos depois, este filho de uma portuguesa de Leiria e de um cabo-verdiano da Ilha de Santiago, emigrou “por escolha pessoal”. Foi sozinho para a Holanda, lá licenciou-se em Engenharia Informática “sempre com a motivação de voltar para Portugal”. Mas com dois filhos nascidos na Holanda, e Portugal mergulhado numa crise económica, este é um objetivo cada vez mais difícil de concretizar, apesar de ter cá praticamente toda a sua família. “Quando uma pessoa vive fora de Portugal, valoriza todo muito mais: a cultura, os valores. A identidade e o amor por Portugal estão sempre presentes e até se acentuam mais pela saudade que sentimos do país”, assegura Célio Moreira que afirma a sua crença na recuperação do país. Para o português, o Encontro permitiu-lhe durante três dias trocar ideias e experiências “com pessoas dinâmicas, voltar a “respirar” Portugal e regressar à Holanda com novas amizades.
Como Célio, Elisa Rodrigues também nasceu em Portugal. Emigrou para a Alemanha com os pais aos 15 anos e a família instalou-se na cidade de Mainz. A trabalhar na área da Gestão Industrial, já abriu uma firma e embora ainda esteja em fase de projeto, o objetivo é a venda de artesanato português no estrangeiro. Elisa afirma a vontade de regressar a Portugal, porque as saudades de tudo um pouco falam mais alto. “Tenho saudades das pessoas. Aqui as pessoas são mais abertas, mais atenciosas. E tenho saudades do clima, o ar é mais puro”, explica.
Elisa não é a única a pensar mudar-se para Portugal. De um país mais distante, Jennifer Beato viu no Encontro uma “oportunidade única” para visitar lugares que tinha “muita curiosidade em conhecer”, como a Assembleia da República. Para esta filha de portugueses, nascida nos Estados Unidos e “criada” dentro do movimento associativo português em Wonkers, no estado de Nova Iorque, foi “um orgulho” estar em Portugal, país que afirma adorar. “Adoro a maneira de viver em Portugal. Não é tão ‘material’. Nos Estados Unidos estamos sempre a trabalhar ou em casa. Aqui há muito mais convívio, as pessoas estão umas com as outras”, explicou Jennifer Beato que diz andar sempre a afirmar que quer “viver em Portugal”. “A minha mãe tem casa na zona do Porto e eu gostava de abrir aqui um negócio, ter uma quinta e dar-lhe um ‘toque’ americano”, sonha a jovem.
Novos amigos foi o que encontrou Christopher Lopes, de 22 anos, natural de Paris, França, num Encontro onde aprendeu “muitas coisas sobre Lisboa e também sobre Portugal”. Tão importante como visitar lugares que de outra forma seriam inacessíveis, foram “as amizades com luso-descendentes de outros países, alguns tão distantes, que têm as mesmas raízes mas vêm de culturas e vivências diferentes”, contou a este jornal. Filho de um beirão de Aveiro e de uma transmontana da região de Chaves, Christopher diz que Portugal é sinónimo de “raízes”. Vem geralmente duas vezes por ano, tenta sempre conhecer um pouco mais do país que trás “no sangue” e defende: “não podemos esquecer as nossas origens”.
Também de França, mas da cidade de Bordéus, José Ângelo veio ao Encontro Mundial de Jovens luso-descendentes porque achou interessante a iniciativa, que considerou uma forma de “manter os laços com o país”, apesar de já conhecer Lisboa. Disse ainda ter sido uma oportunidade de 
“monumentos e instituições importantes”, locais que “não poderíamos ver normalmente”. “Vinha sempre de férias a Portugal e continuo a vir, mas agora mais por conta do meu trabalho”, explicou o jovem advogado cujos pais são da zona da Ericeira/Mafra e os avós e Braga. Sobre o que sente em relação ao país dos seus pais, Ângelo assegura que “significa muita coisa”. “Significa as minhas origens e mesmo a viver noutro país, não me esqueço quem sou e de onde venho”.
“Ambiente diferente” 
Com pais naturais de Silgueiros e Sabugosa, no concelho de Viseu, Nuno Coimbra já nasceu em Estugarda, Alemanha, mas todos os anos, nos verões e algumas vezes no Natal, vem a Portugal. “Eu gosto de vir sempre para cá, aqui tenho quase toda a minha família, só estou na Alemanha com os meus pais”, explicou. Nuno organiza o evento «Destination PT», que realiza noites portuguesas em discotecas de oito cidades alemãs, e trabalha na multinacional Schindler. Diz que se consegue imaginar a trabalhar na filial daquela empresa em Portugal. “Eu conseguiria viver aqui, e a minha empresa propôs-me ajudar a pagar os estudos superiores na Alemanha, na área da Engenharia, com a possibilidade de depois me enviar para a Schindler Portugal. Seria muito bom”, contou ao Mundo Português. E o que o faz gostar de Portugal? “As pessoas, o convívio cá, que é muito melhor do que na Alemanha”, um “ambiente diferente”, relações mais “amistosas” e “carinhosas” entre as pessoas é o que diz encontrar em Portugal.
Ao contrário do Nuno, Jordan Leal nunca tinha estado em Portugal e o Encontro permitiu-lhe concretizar uma vontade antiga. A mãe emigrou para os Estados Unidos e soube transmitir à filha uma ligação que levou Jordan a interessar-se particularmente por tudo o que esteja ligado à história do país. “É a primeira vez em Portugal e foi muito especial. Adorei o passeio por Lisboa antiga e a ida ao Castelo de S. Jorge”, contou a jovem estudante de enfermagem que não põe de parte a hipótese de “vir trabalhar em Portugal e, quem sabe, até estudar cá Medicina”. “Sempre quis vir a Portugal e esta era uma oportunidade que não podia perder”, assegurou.
Já Inês de Carvalho, 18 anos, está no Luxemburgo desde os sete. A família é natural de Lisboa, cidade onde regressou no início deste mês, integrada no Encontro Mundial de Jovens, que lhe permitiu “visitar locais de referência que não estão ao alcance da maioria dos portugueses, como a Assembleia da República, o interior do Ministério dos Negócios Estrangeiros e o palácio sede da Presidência da República”. Vem todos os anos a Portugal e diz adorar descobrir “as suas diferentes regiões”. E confessa: “apesar do melhor nível de vida que temos no Luxemburgo, o coração está sempre em Portugal”.
Também natural do Luxemburgo, Magali Borges, 19 anos, diz que se sente melhor em Portugal. Com pais naturais de Pedras Salgadas, esta estudante de Educação Social pretende vir a trabalhar com crianças com deficiência, diz que apesar do nível de vida no Luxemburgo ser superior, é em Portugal que se sente melhor. “Quando venho a Portugal fico mais pela região norte, pela terra dos meus pais, mas Portugal é lindo de Norte a Sul”, afiança.
“A minha segunda terra”
Romina Romão, natural de Buenos Aires, Argentina, também está permanentemente “ligada” a Portugal, apesar da distância. Frequenta a Casa de Portugal Virgem de Fátima, onde integra o rancho folclórico. Com avós naturais do Algarve, em 2013 concretizou o sonho de conhecer Portugal, com a vinda do rancho, que atuou em várias cidades do país durante 15 dias. Agora, foi com Encontro Mundial de Jovens luso-descendentes que pode voltar ao país dos avós, desta vez para conhecer Lisboa. De tudo o que já viu, ficou-lhe a impressão de “um país muito bonito, com uma variedade de paisagens, muito seguro e com pessoas simpáticas”. Afetivamente, Portugal já era especial por ser o país da sua família, das suas raízes, algo “que o torna muito importante”. 
Já Helder Fernandes tinha nove anos quando emigrou com os pais e está atualmente a tirar um curso de Eletricidade. Tem 20 anos, os pais são minhotos, naturais de Barcelos, e foi ai que nasceu. O Encontro proporcionou-lhe “uma experiência única e a possibilidade de conhecer luso-descendentes como ele, mas vindos e países muito diferentes. Mas permitiu-lhe ainda algo especial: regressar a Portugal. “Adoro Portugal, adoro o Norte, mas este encontro está a proporcionar conhecer locais de Lisboa. No fundo, somos todos portugueses e com muito amor a Portugal, mesmo vivendo em diferentes países”.
Juan Manuel Gonçalves, como Romina Romão, também integra o rancho folclórico da Casa de Portugal Virgem de Fátima, em Buenos Aires, uma associação à qual os pais estão ligados desde a fundação. O jovem com raízes algarvias - de Vale da Rosa e Boliqueime - também tinha estado em Portugal apenas no ano passado, na tournée do rancho, e foi nessa altura que pode conhecer a família no Algarve, um momento que considerou “muito emocionante”. “Não conhecia ninguém da minha família cá, por isso foi um momento muito especial”, recordou Juan Manuel a este jornal, acrescentando que viu no Encontro Mundial de Jovens deste ano, a possibilidade de conhecer Lisboa e contatar outros luso-descendentes. Foi ainda a oportunidade de voltar a um país que “significa muito” para este-lusodescendente, por tudo o que os pais lhe transmitiram. “É um orgulho estar em Portugal. Na Argentina, os meus pais são portugueses, mas em Portugal são ‘os argentinos’, há o sentimento de nãos erem nem daqui, nem de lá. Então, para mim, foi muito importante vir cá e sentir-me parte de Portugal”, revelou. “Sinto que Portugal é a minha segunda terra”.

Ana Grácio Pinto
Com Ana Rita Almeida e António Freitas
in:mundoportugues.org

O ENTRUDO NO NORDESTE TRANSMONTANO

“ O mascaramento é um fenómeno especial que vive
no coração do social. A condição psíquica que ele
implica – o furor, a folia – não é só uma categoria
lúdica, ele é também um facto humano sobre o
o qual não mais se acaba de reflectir”.
(Louis Gernet)

Tradição e Significado
É nas terras arcaicas e isoladas do Nordeste Transmontano, no ciclo das festas do Inverno, que se iniciam no dia de Todos-os-Santos e que podem prolongar-se até ao Sábado de Aleluia ou ao Domingo de Páscoa, que o panorama temático e funcional destas festividades, em que participam os mascarados, mostra aspectos significativos. Estes estão representados, fundamentalmente, nas seguintes festividades: “Festas dos Rapazes” propriamente dita, festas de Santo Estêvão, festas de Natal, Ano Novo e Reis e Carnaval. As festas de S. João e de S. Pedro, embora não estejam incluídas no ciclo das festas de Inverno, contam, igualmente, com a participação dos mascarados.
O povo, por vezes, considera também o Entrudo como que sendo um santo. Veja-se, a este respeito, o que diz Coelho: “O povo meio comicamente, meio a sério, faz do Entrudo um santo; a expressão Santo Entrudo é muito usual.” (1993: p. 299)
Como já foi referido, o Entrudo urbano ou rural dos nossos dias, tem a sua origem nas antigas festas da Natureza, ligadas à agricultura, as festas Saturnais romanas e as Lupercais celebradas em honra de Pan, o deus dos rebanhos. “Pan é a divindade mais importante do séquito de Dionísio [Baco, na mitologia romana]; deus dos pastores e dos rebanhos, considerou-se originário da região da Arcádia, mas o seu culto espalhou-se por todo o mundo helénico e inclusive para além das suas fronteiras”. (Francesc-Lluís Cardona 1996: p. 126)
O aspecto demoníaco de Pan era consequência da sua cornamenta caprina e do seu corpo peludo. Os seus membros inferiores de bode faziam dele uma figura medonha. Como as artes de sedução nem sempre resultavam, utilizava a força, embora nem sempre tivesse o êxito que pretendia. Um dos seus poderes mais característico era, sem dúvida, o de causar pânico entre as pessoas, obrigando-as a fugir aterrorizadas. Celebravam-se, em sua honra, as festividades agrárias do início da Primavera.
Nesses tempos, e nessas festas (Saturnais/Lupercais) em honra do deus Pan, protector dos rebanhos, eram permitidos àqueles que as que festejavam, todos os excessos, tanto no uso e abuso da comida e bebida, como no escape às regras e comportamentos socialmente estabelecidos, organizando-se, para tal, em associações ocultas. Estas ilicitudes eram efectuadas pelos próprios sacerdotes, que erguiam verdadeiros cultos de apelo à fecundidade, isto no momento mais propício do ciclo da Natureza, ou seja, a aproximação do seu rejuvenescimento que se processava com a entrada na Primavera.
Este era também o momento da purificação e expurgação das pessoas e das comunidades, o que se processava pelos rituais de crítica social institucionalizada e a sua divulgação em praça pública.
A célebre expressão popular “É Carnaval ninguém leva a mal” encontra, assim, a sua razão de ser nestes devassos rituais, próprios destas celebrações, uma devassidão permitida e que, a par de outros ritos expurgatórios constitui, ainda hoje, a sua principal característica.
Ao transpormos esses rituais para a nossa realidade cultural, e no caso concreto do Carnaval de Podence, encontramos a sua representação nos castigos que os mascarados aplicam às mulheres que se atrevem, nesse dia, a sair à rua, “as chocalhadas” como rito regenerativo e fecundante que os espampanantes Caretos revivem e a crítica social expressa na publicação e encenação dos “casamentos” burlescos e ridicularizados dos jovens casadoiros. Estamos, pois, perante rituais expurgatórios de um tempo de passagem que se consubstancia no desfecho do Inverno e o início na Primavera.
Na actualidade, e apesar da “cristianização” que todas estas práticas festivas sofreram ao longo de dois milénios, consideramos poder-se atribuir o mesmo sentido aos rituais carnavalescos que se encontram em algumas localidades do Nordeste Transmontano, e que decorrem no Domingo Gordo, Carnaval, Quarta-Feira de Cinzas e, posteriormente, a meio da Quaresma.
No Nordeste Transmontano, são várias as localidades rurais que no Carnaval se mantêm fiéis às suas tradições e ritos. Estas festas são sinónimo de comunicação e ponte entre idades, sexos e estatutos sociais.
A título exemplificativo, deixamos aqui registado, alguns dos rituais executados em algumas aldeias do distrito de Bragança:
- Na aldeia de Paradinha Nova, os habitantes, no dia de Carnaval, constroem bonecos de palha e repartem-nos pelos bairros da aldeia. Quando chega a noite, prendem-nos nas árvores e destroem-nos à pancada, utilizando paus;
- Em Pinela, na segunda-feira de Carnaval, ao final da tarde, os homens constroem um boneco e escondem-no numa casa à escolha, sem o dono da casa escolhida saber. Na terça-feira de Carnaval à tarde, os restantes habitantes saem à rua e dão a volta à aldeia à procura do Entrudo (boneco). Na casa onde o Entrudo for encontrado, os donos têm que lhes dar de comer. Na quarta-feira, à tarde, os habitantes queimam o Entrudo (o boneco);
- Em Babe, na terça-feira de Carnaval à noite, os habitantes mascaram-se e vão a casa dos vizinhos sem se deixarem reconhecer. A estes mascarados dá-se o nome de “farramechos” ou “farramusqueiros”;
- Na aldeia de Penhas Juntas, no dia de Carnaval, os rapazes desfazem a cama às raparigas e as raparigas aos rapazes, e nada os trava; caso seja necessário, entram pela janela e deitam farinha e açúcar na cama. À noite, os rapazes e as raparigas da aldeia também se vestem de Caretos e vão pedir pelas casas;
- Em Carrazedo, na noite de Carnaval, os rapazes da aldeia constroem um boneco de palha e colocam-no à porta de casa das moçoilas. Por sua vez, cada uma delas, no decorrer da noite vigia a sua porta e, se o boneco de palha se encontrar à sua porta, vai colocá-lo à porta de outra moça. De manhã, onde estiver o boneco de palha, é sinal que a moça dessa casa não irá casar;
- Em Bouça e Ferradosa, os homens prendem dois burros, e com um arado fingem que estão a arar. Depois, dois homens trazem um saco de cinza, e fingem que vão semeando, enquanto atiram cinza às pessoas;
- Nas aldeias de Podence, Ousilhão, Vila Boa, Varge, Salsas e Baçal, nos dias de Carnaval, os homens da aldeia mascaram-se de Caretos e saem à rua em magotes barulhentos, espalhando o “terror, excitação e riso”.
É nesta região, que todos os anos, na altura do Carnaval, as populações se unem e se organizam de forma a defender os valores culturais e etnográficos da cultura popular do Nordeste Transmontano, mantendo viva a tradição.
Os caretos de Podence, ao contrário do que acontece noutras localidades desta região, têm sido mais divulgados devido ao interesse dos habitantes que conjuntamente com a comunicação social (rádio e televisão) promovem os eventos que celebram, em especial na quadra carnavalesca.
O facto de todos os anos se celebrar o Entrudo com a presença forte dos caretos de Podence, bem como as digressões que estes fazem pela Europa acompanhados pela comunicação social, também contribui para a manutenção viva desta tradição secular.

Mariana Especiosa do Rosário
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Assembleia Municipal de Bragança rejeita encerramento de escolas

A Assembleia Municipal de Bragança rejeita o encerramento das escolas do 1.º Ciclo que ainda funcionam com menos de 21 alunos.
Recordo que o Ministério da Educação já informou as autarquias que os estabelecimentos de ensino que estão a funcionar de forma excepcional são para fechar já no próximo ano lectivo.
Esta manhã foi aprovada uma moção, que reuniu o consenso de todos os partidos, a contestar o desaparecimento de escolas e jardins-de-infância.
O documento foi apresentado pela bancada do PSD. O deputado social-democrata, Vasco Cadavez, diz que não faz sentido encerrar os estabelecimentos de ensino sem ouvir as entidades locais.
Na lista de encerramentos estão os jardins-de-infância de Gimonde e Salsas e as escolas de Parada, Cantarias e Formarigos.
Vasco Cadavez diz que não faz sentidas as crianças terem que percorrer vários quilómetros para terem acesso à escola.
Cinco escolas do concelho de Bragança na lista de encerramentos proposta pelo Ministério de Educação. O objectivo do Governo é concentrar as crianças nos centros escolares construídos nas sedes de concelho.

Escrito por Brigantia

Câmara e Assembleia Municipal aprovam documentos em defesa da Maternidade

A Câmara e Assembleia Municipal de Bragança exigem ao Governo que mantenha a Maternidade em Bragança.
Em causa está a portaria publicada pelo Ministério da Saúde, que coloca a Unidade Local de Saúde do Nordeste na categoria mais baixa.
O presidente do município, Hernâni Dias, teme que esta portaria contribua para o encerramento da única sala de partos no distrito de Bragança.
Por isso, a resolução aprovada pelo executivo municipal defende que a ULS do Nordeste seja colocada numa categoria superior, que inclua o serviço de obstetrícia.
Ontem a Assembleia Municipal de Bragança aprovou ainda uma moção apresentada por todos os partidos em defesa da Maternidade de Bragança.
Os documentos vão agora ser encaminhados para os representantes do Governo e deputados da Assembleia da República.

Escrito por Brigantia

Bragança - Bênção de Finalistas juntou milhares de fiéis na catedral

O bispo da Diocese de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, lembrou na homilia da Eucaristia da Bênção de Finalistas, que teve lugar na catedral de Bragança, no passado dia 26 de Abril, que “são cada vez mais as pessoas que estão insatisfeitas com o mundo em que vivemos. 
Todavia, são muito poucas as que fazem alguma coisa para o transformar. Convido-vos a faze-lo com criatividade engenho, desejando um futuro de esperança para todos e cada um, de dignidade no trabalho, de justiça e de paz”, disse aos fiéis que encheram por completo a catedral.

in:mdb.pt

Barragem de Veiguinhas deverá estar pronta até Janeiro

Já está em construção o paredão da futura barragem de Veiguinhas no Parque Natural de Montesinho, em Bragança. “Está a ser feita parte da compactação do material a jusante do paredão, para que depois comece a ser possível armazenar água, após Julho ou Agosto”, adiantou o autarca de Bragança, Hernâni Dias.
As obras sofreram “algum atraso” nos meses de inverno devido às más condições atmosféricas, pelo que o edil acredita que até Janeiro de 2015 a empreitada não estará concluída. “O tempo não permitiu prosseguir com a construção e as obras sofreram uma derrapagem, o que significa um atraso”, explicou Hernâni Dias.

in:mdb.pt

Mirandela - Craque da matemática vai para Oxford

Aluno da escola secundária de Mirandela já tem lugar reservado na universidade de Oxford, uma das melhores do mundo, no próximo ano letivo.
David Martins nem queria acreditar quando abriu a sua caixa de correio eletrónica e verificou que tinha sido admitido na segunda melhor universidade europeia. "Fiquei muito contente por ver que o meu trabalho foi recompensado ao entrar numa das universidades de maior reputação internacional que pode ser uma mais valia na altura de entrar para o mercado de trabalho", afirma.

in:mdb.pt

TURISMO LOW COST NO NORDESTE TRANSMONTANO


terça-feira, 29 de abril de 2014

Autarca de Bragança espera regresso do avião, mesmo com menos voos

O presidente da Câmara de Bragança disse hoje esperar uma eventual reposição da ligação aérea entre Trás-os-Montes e Lisboa com menos voos do que aqueles que estavam a ser efetuados até ser suspensa há um ano e meio.
O social-democrata Hernâni Dias falava à Lusa sobre as perspetivas relativamente à carreira aérea, afirmando que continua "a acreditar que ela vai ser reposta" e que espera venha a acontecer "dentro de pouco tempo, sendo que o modelo ou a forma de operar não será eventualmente o mesmo".
"Poderá ter de haver aqui uma redução ao nível do número de viagens que eram feitas por dia, mas tenho essa convicção plena que nós voltaremos a ter ligação aérea", afirmou.
Questionado se a afirmação resultava de alguma informação obtida junto do Governo, o presidente da Câmara referiu que "ninguém lhe colocou essa possibilidade".
"Estou eu a pensar", declarou, acrescentando não ter "informação absolutamente nenhuma sobre essa matéria" e que "está tudo igual".
A carreira aérea Bragança-Vila Real-Lisboa funcionou regularmente desde 1997 financiada anualmente com ajudas diretas comunitárias de 2,5 milhões de euros às operadoras.
A região tinha, de segunda a sexta-feira, dois voos diários em cada sentido.
Em novembro de 2012, o Governo decidiu suspender a ligação alegando que a União Europeia não autorizava mais este tipo de ajuda.
O executivo anunciou depois que pretendia financiar o serviço com um subsídio a residentes e estudantes, que seriam reembolsados depois da aquisição do bilhete.
A proposta foi posta de parte com o argumento de estarem em preparação novas regras da União Europeia para as ajudas de Estado.
A Comissão Europeia aprovou, em fevereiro, os novos critérios que privilegiam os pequenos aeroportos regionais com menos passageiros.
Poucos dias depois, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, garantiu que o Governo está empenhado em retomar a ligação aérea e que tudo fará para que aconteça "no mais curto espaço de tempo possível".

HFI (PLI) // MSP
Lusa/fim

Autarca quer desviar transportes internacionais de mercadorias para Bragança

O presidente da Câmara de Bragança quer canalizar para esta região o fluxo de transportes internacionais de mercadorias com a construção de uma ligação a Espanha mais rápida do que os percursos atuais no norte e centro de Portugal.
O social-democrata Hernâni Dias defendeu hoje que com 60 milhões de euros conseguirá construir a ligação Bragança/Puebla de Sanábria reclamada há décadas e abandonada pelos obstáculos ambientais da travessia em pleno Parque Natural de Montesinho.
O autarca insistiu, em declarações à Lusa, que a ligação "é importante e necessária" e que "pouparia 70 quilómetros" aos transportadores do norte e centro do país que atualmente a partir do Porto seguem para a zona espanhola de Vigo, e de Aveiro para Salamanca, através da fronteira de Vila Formoso.
Segundo o autarca, a distância para os portos espanhóis de Santander, Bilbao, Gijon que são os destinos e origem das mercadorias seria encurtada com a ligação a Puebla de Sanábria.
O projeto em causa tem já mais de duas décadas e chegou a fazer parte do Plano Rodoviário Nacional como a continuação do IP2, a via rápida que liga todo o interior de Portugal, de norte a sul.
Se esta ligação não for enquadrada no novo quadro comunitário, o presidente da Câmara de Bragança tem "a noção clara e quase a certeza absoluta" que não voltará a ter uma oportunidade.
Hernâni Dias reiterou que "esta infraestrutura é necessária para o desenvolvimento de Bragança, da região e do país também".
O autarca social-democrata quer aliar esta ligação a outro projeto de 12 milhões de euros para a ampliação da pista do aeródromo municipal de Bragança de 1.700 para 2.300 metros e a sua transformação em aeroporto regional.
"Dar-nos-ia mais capacidade em termos de desenvolvimento económico e também em termos turísticos com uma ligação aérea para o norte da Europa ou para outros destinos", considerou.
Segundo disse, a autarquia "está a encetar contactos com operadoras low cost para tentar perceber se há algum interesse em operarem em Bragança e de que forma é que o aeródromo tem capacidade para expandir, para crescer e com isso captar outro tipo de públicos".
A ambição do presidente da Câmara foi hoje apoiada na Assembleia Municipal de Bragança com a aprovação por maioria de uma moção a defender os dois projetos.

HFI // MSP
Lusa/fim

Notícias da aldeia

Hoje levantei-me cedo para sentir o orvalho e a relva molhada. As folhas das couves tinham pérolas, gotas de água que brilhavam aos primeiros raios de sol que se levantava preguiçoso lá para os lados do Cabeço. Os pássaros já tinham acordado há muito tempo e regalavam-se depenicando as alfaces novas.
- Vá lá pássaros madrugadores já chega… o pequeno-almoço está a ser demorado! É de boa vizinhança deixarem também algumas alfaces para mim!
Eles compreenderam e em bando voaram para cima da oliveira, embora alguns, mal dispostos que pensam que só tem direitos e não tem deveres, tenham refilado por lhe ter interrompido o repasto tão fresco.
Estávamos nesta pequena contenda quando vejo o caracol, meio envergonhado, pois também ele, já fora da casa, estava a refastelar-se comendo os rebentos mais frescos das couves novas.
- Não fiques envergonhado, caracol, há tanto tempo que não te via fora da tua casa que é bom ver-te todo esticado … ao sol… fora de casa exibindo as tuas longas antenas que talvez sirvam para comunicar com os outros caracóis espalhados pelo mundo!
Mas o caracol ficou envergonhado e discretamente recolheu-se em casa… fazendo-se de morto! E eu pensei, os pássaros são tantos e comem muito e ainda reclamam em cima da oliveira. O caracol… sozinho… ficou envergonhado e recolheu-se na sua casa sem dizer nada.
Pois é assim… os ricos comem tudo e querem comer cada vez mais, enquanto os pobres envergonhados da sua miséria se escondem em casa… e não dizem nada!
...e assim vai o mundo!

Fernando Calado

Câmara Municipal de Bragança - Resolução sobre a Portaria 82/2014, de 10 de abril

Resolução sobre a Portaria 82/2014, de 10 de abril – estabelece os critérios que permitem categorizar os serviços e os estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde aprovada, por unanimidade, em Reunião de Câmara de 28 de abril de 2014.

Jogo inventado pela brigantina Cátia Vaz já passou fronteiras

O jogo educativo-pedagógico, para prevenir o bullying, que resultou da dissertação de mestrado da brigantina Cátia Vaz foi referenciado no manual do 4º ano de Português "A Grande Aventura" da Texto Editores.  
“A Brincar e a Rir o Bullying Vamos Prevenir” também já passou fronteiras. Encontra-se disponível em países onde há comunidades portuguesas. Cátia Vaz diz que o objectivo é levar o jogo a todo o mundo. 
A técnica superior de Educação Social, formadora de profissão, explica como funciona o jogo, que nasceu no âmbito da sua tese de mestrado em Educação Social, no Instituto Politécnico de Bragança. 
Cátia Vaz confessa que não estava à espera que o feedback por parte dos profissionais da área fosse tão positivo. “A Brincar e a Rir o Bullying Vamos Prevenir” é um auxílio educativo direccionado para alunos do 1.º e 2.º ciclos que reúne três conceitos: educação, jogo e novas tecnologias.

Escrito por Brigantia

Gastronomia no Museu Abade de Baçal

Nos próximos dias de 8 e 9 de Maio o Museu do Abade de Baçal recebe o gastrónomo Virgílio Nogueira Gomes para a apresentação do seu último livro e trocar ideias e sabores.
Neste âmbito, dia 8 de Maio realiza-se a palestra sob o tema “Linguagem do Património Imaterial: a alimentação, alguns exemplos”; dia 9 de Maio tomará lugar a apresentação o livro “Tratado do Petisco e das Grandes Maravilhas da Cozinha Nacional”.
Este livro percorre o país em busca do património gastronómico e das práticas alimentares da nossa cultura, revelando-nos velhos saberes da tradição local e partilhando connosco antigos segredos transmitidos de geração em geração, trazendo-nos as histórias que fazem a história da cozinha em Portugal.
Todas as ações serão dirigidas pelo gastrónomo Virgílio Nogueira Gomes.
Nasceu em Bragança e tem formação superior em Gestão Hoteleira pelo Instituto International de Glion, na Suíça, fez carreira em gestão hoteleira com incidência em alimentos e bebidas. É investigador em História da Alimentação, e professor de Gastronomia e Cultura e de História da Alimentação. Coordenou acções de promoção da Cozinha Portuguesa em vários países estrangeiros e proferiu centenas de conferências e palestras sobre Gastronomia.
É membro da Academia de Letras de Trás-os-Montes e Alto Douro autor do livro “Transmontanices – Causas de Comer” e co-autor do livro “A Cozinha do Mar” e escreve com regularidade em diversos jornais e revistas.
Foi membro da Comissão Nacional de Gastronomia, que levou a Gastronomia a Património Cultural, e coordenador do seu Conselho Técnico.
Tratando-se de um evento pontual esta é também uma boa ocasião para revisitar o Museu do Abade de Baçal e conhecer a sua programação cultural no mês em que se celebram os museu.

in:noticiasdonordeste.com

Bragança recebe mais uma Feira das Cantarinhas e Feira de Artesanato entre os dias 30 de Abril e 4 de Maio

A Câmara Municipal de Bragança e a Associação Comercial, Industrial e Serviços de Bragança (ACISB promovem a partir do próximo dia 30 de Abril mais uma Feira das Cantarinhas e Feira de Artesanato de Bragança.
O evento, que este ano soma vinte e oito edições, integra um variadíssimo leque de actividades e muita música para animar estes dias.
A XXVIII Feira de Artesanato a decorrerá entre os dias 30 de Abril e 4 de Maio, no Jardim Dr. José de Almeida em Bragança.
A Feira das Cantarinhas regressa este ano ao centro da cidade, ocupando algumas ruas do centro histórico durante os dias 2, 3 e 4 de Maio.
A organização das feiras está a cargo da ACISB e da Câmara Municipal de Bragança.

in:noticiasdonordeste.pt

AS CABRITAS DO JORGE

Tratarem-me pelo primeiro nome soa-me a amizade e quando me chamam só por Jorge dificilmente esqueço essa pessoa.

Vem isto a propósito de eu ter uma grande admiração e apreço pelo Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga. Tal como os dois padres da minha paróquia é de uma grande simplicidade e modéstia.

As traseiras do meu andar dão para a quinta arquiepiscopal onde pastam umas cabritas com cabritinhos que fazem mil e uma cabriolas.

A minha mulher segue-os nas suas correrias e tropelias, estabelecendo com eles uma empatia à distância. Um dia, ao fim da tarde, estávamos para ir para Lisboa e atrasamos a ida mais de uma hora para convencer as freiras do Paço a recolherem um cabrito que tinha nascido há uns minutos e o frio da noite era de rachar.

As irmãs já me conhecem pelo telefone e sabem das minhas preocupações com os cabritos. Uma vez ou outra até os vou visitar, mas não gosto do bode, que amedronta as cabras e amobe uma ou outra por ser violento. Até a comer as ataca e as expulsa da erva mais mimosa.

Hoje, ao anoitecer, a minha mulher viu que três cabritinhos novos tinham ido para a horta e não conseguiam ultrapassar a vedação para voltar para junto das mães.

Telefonei às freiras e elas agradeceram, mas já quase escuro não mexeram uma palha. Vou lá eu e com a ajuda dum paquete da quinta apanhámos os cabritinhos e pusemo-los do lado da vedação, onde estavam as cabras agitadas e a paz regressou ao redil. Os berros das cabras e cabritos durante a noite não nos iam deixar dormir.

Quem sente uma grande dor que já me começa a contagiar é a minha mulher ao pressentir que na Páscoa vão matar os cabritos. Se, ao menos, deixassem um ou dois… Ela fala nos cabritos do Jorge aos meus filhos lá longe e a cumplicidade é de toda a família.

A minha mulher já não quer que eu compre carne de cordeiro ou cabrito para casa. Por isso, deixei de visitar o Toninho Feliz nas Gandariças.

Eu já em criança via os animais domésticas mais próximos da socialização do que da mesa.

Hoje sonho com uma grande quinta em que pudesse ter animais domésticos em liberdade e penso que o que nos separa dos animais e plantas não é tanto como muitas vezes pensamos.

Jorge Lage
in:diario.netbila.net

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Pequeno sismo em Vinhais, população não sentiu

Um pequeno sismo ocorreu hoje na zona de Vinhais, no Nordeste Transmontano, sem que haja registos de que tenha sido sentido pela população, divulgou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
De acordo com informação do instituto, "foi registado nas estações da Rede Sísmica do continente um sismo de magnitude 2.6 na escala de Richter com epicentro a cerca de 12 quilómetros a Noroeste de Vinhais, no Distrito de Bragança.
A Lusa contactou os bombeiros de Vinhais que adiantaram que no local ninguém "sentiu nada" e que não lhes chegou qualquer pedido ou eco por parte da população relativamente à ocorrência.
O IPMA dá conta também, no comunicado, de que "não foi recebida nenhuma informação confirmando que este sismo tenha sido sentido".
"Se a situação o justificar serão emitidos novos comunicados", acrescenta o instituto.
O IPMA disponibiliza uma página na Internet com a listagem dos sismos ocorridos por todo o país, a maioria dos quais de pequena intensidade e impercetíveis à população.
Na mesma página pode constatar-se que, que nos últimos dias registaram-se vários pequenos abalos na zona de Vinhais, todos, com a exceção do de hoje, abaixo dos 2.0 na escala de Richter.
Com estes valores, os tremores de terra são considerados micro nesta escola que qualifica como "forte" os abalos a partir dos 6.0.

HFI // JGJ
Lusa/fim

PODENCE: UMA ALDEIA DO NORDESTE TRANSMONTANO

“Por isso a minha aldeia é tão grande como
outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…”
(Alberto Caeiro)

Origem e Evolução Histórica
Alguns dados históricos e origem da população
Podence é uma pequena localidade, com uma área de 14,33 Km2, 357 habitantes e uma densidade populacional de 24,9 hab./Km2. Localizada na região de Trás-os-Montes, no Nordeste Transmontano, pertence ao concelho de Macedo de Cavaleiros e ao distrito de Bragança. O seu orago é Nossa Senhora da Purificação.
Segundo os dados que conseguimos recolher junto dos habitantes da aldeia, (uma vez que não existem registos escritos socorremos-nos da tradição oral) Podence terá nascido ainda antes da formação de Portugal, tendo sido fundada pelo povo mouro.
O que atrás se afirma é defendido com afinco pelos populares, dando como justificação dessa fundação os locais que dizem ser vestígio da passagem dessa antiga civilização pela aldeia.
Um dos lugares mouriscos é, segundo os mesmos, o “Curral Mouro”. Esta justificação baseia-se no facto de os Mouros terem sido sempre grandes criadores de cavalos, sendo que o local referido se caracteriza por ter os melhores pastos, em resultado da existência de um poço, o chamado poço dos Mouros. O poço está inserido em plena rocha, o que comprova, dada a complexidade exigida na sua perfuração, a estadia dos mouros em Podence.
Há ainda outros factos que servem para provar a passagem moura pela povoação como, por exemplo, os nomes de família. Existe na aldeia a família dos Mouratos, caracterizando-se as mulheres por terem um rosto alongado à maneira das Andaluzas Espanholas. As Andaluzas utilizavam, à semelhança dos naturais de Podence, o provérbio: “ali quem desce da capela de cima, para Lamadona”.
Realça-se o facto de ainda hoje existir a família dos Mouratos que, segundo os naturais da terra, são descendentes da já referida família dos Mouratos.
Por fim, e para terminarmos este breve resumo histórico, vamos revelar outro facto, que remonta à génese da aldeia, socorrendo-nos das palavras de um habitante local: “Mais ainda …, vai a gente pela aldeia acima e depois da igreja, dizem:

- O que é aqui?
- É o castelo!
- E onde é que está o castelo!?
- Acabou, existiu mas foi há muitos anos, agora só resta o nome.”

Resumindo e parafraseando, uma vez mais, um habitante da terra:
“Podence é a aldeia mais antiga de Portugal fundada pelos Mouros e tem um poço que o povo ainda hoje diz, que é o poço dos Mouros”. Este tipo de afirmação, que podemos ouvir talvez em todas as aldeias do nosso país, funciona, não só como uma procura de identidade própria, mas ainda como uma tentativa de remontar às origens, as quais permitam estabelecer a ligação com o nosso quotidiano. Estamos perante uma procura de raízes, de referências, um modo de não ficar perdido no tempo.
Situação Geográfica
Limites de Zona
A aldeia de Podence situa-se a oito quilómetros da sua sede de concelho, Macedo de Cavaleiros, que por sua vez pertence ao distrito de Bragança, em pleno Nordeste Transmontano. Cruzam esta povoação vias rodoviárias importantíssimas, que estabelecem ligação com o litoral do país. São elas a antiga EN-15 que liga Bragança ao Porto, e o IP4, que à semelhança da EN-15, liga também Bragança com a Cidade Invicta, a capital do Norte de Portugal.
Como limites de zona, Podence tem as aldeias de Santa Combinha, Vale de Prados, Lamas de Podence, Quintela de Lampaças, Corujas, Edroso e a sua anexa Azibeiro, todas pertencentes ao concelho de Macedo de Cavaleiros, se bem que a cerca de três quilómetros, em direcção a Bragança, fique a fronteira entre o concelho macedense e o bragançano, sendo Podence considerada uma zona limítrofe de concelho.
Tipologia da População: Ocupação Sócio-económica
O sector primário – como, aliás, não poderia deixar de ser –, é o que reúne maior grau de importância na aldeia de Podence, embora resumindo-se praticamente aos ramos da agricultura e pecuária. O sector secundário tem também alguma predominância nesta aldeia, devido ao facto de uma das maiores empresas de construção civil do concelho estar aí sedeada dando, por conseguinte, trabalho a várias pessoas da terra. O sector terciário é o que integra menor número de trabalhadores locais, resumindo-se apenas a cinco comércios, quatro do mesmo ramo, o hoteleiro, e um supermercado.
No campo da agricultura, que dentro do sector primário é o que reúne maior número de trabalhadores, temos como principais culturas:
- a castanha, o morango, o centeio, batata, uva e fruta em geral. Saliente-se o facto de a actividade começar a estar mecanizada tendo, nos últimos anos a esta parte, o número de máquinas agrícolas aumentado substancialmente.
No tocante à pecuária, esta resume-se apenas à criação, em pequena escala, de bois que têm por finalidade o meio de tracção e vacas para a extracção de leite.
Características Predominantes
Como características predominantes pode destacar-se o facto de estarmos perante uma aldeia simples, onde a emigração “rouba” à terra um grande número de residentes, facto que tem como consequência, uma baixa significativa no índice de mão-de-obra. O sector primário é o que predomina na aldeia e, dentro deste, a agricultura.
Locais Onde se Exerce a Actividade Profissional
Como atrás já referimos, o sector primário é o que reúne maior número de trabalhadores que exercem a sua actividade na agricultura. O sector secundário reúne um número pouco expressivo de trabalhadores, salientando-se o facto de estes serem, na sua totalidade, pessoas com idades que variam entre os vinte e os quarenta anos, portanto, dentro de uma faixa etária jovem. Por fim, temos o sector terciário que tem pouco significado, pertencendo uma parte ao ramo hoteleiro e, outra, ao comércio de bens de primeira necessidade.
Nível de Escolaridade: Sucesso/Insucesso Escolar
A população de Podence apresenta um nível de escolaridade bastante baixo, a maior parte da população apenas tem a quarta classe. Existem casos de completo analfabetismo em pessoas ainda relativamente novas, para não falar nas mais idosas em que o índice é altíssimo, atingindo números assustadores.
Na população mais jovem o nível de escolaridade sobe um pouco, embora ainda seja bastante baixo. Esta situação deve-se a questões que podemos considerar de luta pela sobrevivência, dado se tratar de jovens oriundos de famílias de fracos recursos económico-financeiros. Os pais, depois de concluírem a quarta classe iam trabalhar, uns na agricultura e outros emigravam situação que, de certa forma, é transmitida à geração mais nova.
Salvo raras excepções, estas pessoas para concluírem um ano de escolaridade precisavam de, pelo menos, dois anos e por vezes, mais. Chegavam a sair da escola crianças com catorze anos, mantendo-se alguns até essa idade, porque a lei a isso obrigava.
Ultimamente as novas gerações atingiram já, como meta, o nono ano (3ºciclo). Contudo, a média geral do nível de escolaridade, é a quarta classe.
Pode concluir-se, pelo atrás referido, que estamos perante um caso de alto nível de insucesso escolar.
Para futuro prevê-se, e ainda bem, uma subida do nível de sucesso, pelo facto, não só de começar a verificar-se uma melhoria das condições de vida em geral, como ainda, pelo regresso de alguns emigrantes à sua terra de origem.
Hábitos Culturais em Podence
Características Sócio-Culturais
A aldeia de Podence tem como característica sócio-cultural o facto de ser uma terra com vários usos, costumes e tradições juntando-se, praticamente todos os habitantes, para os festejar.
Uma outra característica reside no facto de a população apresentar uma grande homogeneidade na maneira de pensar, não só em termos políticos como também em termos religiosos
Rituais de Grupo
Podence é uma aldeia que se pode considerar rica em rituais de grupo, não só na parte religiosa como na profana.
Em termos religiosos destacam-se:
- A missa dominical, o mês de Maria, em que o terço é rezado colectivamente na igreja, a novena em honra da Nossa Senhora das Dores, a Via Sacra pelas ruas da aldeia por altura da Quaresma, a festa em honra de São Sebastião, a festa do Senhor, data em que realizam as primeiras comunhões, a festa em honra da Nossa Senhora da Purificação e a grande festa em honra de Santa Eufémia.
No tocante aos rituais profanos, temos:
- O aguerrido Carnaval, a fogueira de Natal, e o grandioso arraial realizado no Verão, na noite da festa de Santa Eufémia.
Podemos também considerar um ritual de grupo, toda a actividade agrícola, onde geralmente se juntam várias pessoas, como por exemplo na apanha da azeitona, da castanha, da batata e vindima.

Mariana Especiosa do Rosário
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

O CARNAVAL E O MITO

Para muitos é um pecado
Que do imposto que pagamos ao Estado
E do lucro que damos ao mercado
Um pedaço seja destinado ao Carnaval
Para outros no entanto
Da magia do tambor, da cor do canto
É que vem o calor que seca o pranto
Em seus olhos já cansados de ver tanto mal…
“Lamento de Carnaval”, Gilberto Gil
(cit. por Soares: 1999, p. 125)

O Carnaval e a Máscara (alguns exemplos)
Segundo a definição de Houaiss, o Carnaval caracteriza-se por ser um “período anual de festas profanas, originadas na Antiguidade e recuperadas pelo cristianismo, e que começava no dia de Reis (Epifania) e acabava na Quarta-Feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma; constituía-se de festejos populares provenientes de ritos e costumes pagãos e caracterizava-se pela liberdade de expressão e movimento.” (2003: p. 1803)
O Carnaval insere-se assim, num conjunto de ciclos que integram o calendário cerimonial anual sendo, sem dúvida, um dos mais importantes.
Presente sob formas muito diversas no meio urbano, ele apresenta, nas sociedades rurais mais tradicionais, características relativamente recorrentes.
O ciclo do Carnaval conhece o seu auge nos três dias que vão do Domingo Gordo à Terça-feira de Carnaval, embora os dias que os precedem possam ser já um prenúncio das folias e liberdades que se seguirão, materializados nos preparativos, quer dos trajes, quer gastronómicos.
O Entrudo propriamente dito, na sua celebração – se exceptuarmos alguns rituais específicos de cada localidade – obedece a um certo número de constantes, de difusão geral no país. A ausência completa de restrições alimentares, tanto em quantidade como em variedade é uma dessas premissas. António Serrão de Castro escreveu um soneto, no séc. XIX, o qual mostra esta realidade de forma inequívoca:

“Filhós, fatias, sonhos, mal assadas,
Galinhas, porco, vaca e mais carneiro,
Os perus em poder do pasteleiro,
(…);
Querer em um dia comer tudo;
Não perdoar arroz, nem cuscus quente,
Despejar pratos, e alimpar tijelas,

Estas as festas são do gordo Entrudo.” (cit. por Coelho: 1993, p.300)

É preciso não esquecer que logo a seguir começa um período de jejuns e abstinências. No caso concreto do Carnaval Transmontano, este articula-se com a aparição de personagens mascaradas de cariz muito próprio, como sejam os mascarados, máscaros, Caretos, os marafonos ou marafonas, ou ainda madamas, que constituem um elemento de relevo nestes festejos carnavalescos.
De todas estas práticas carnavalescas ressalta o carácter de licenciosidade autorizada, de momentânea ruptura e inversão da ordem social, onde todos os excessos são admitidos.
Para Queiroz: “os foliões ritualizam o mito carnavalesco, acreditando estar revirando a ordem social, instaurando uma sociedade igualitária revivida anualmente, cuja esperança é que um dia se perpetue.” (cit. por Soares: 1999, p. 131)
Daillois, e no que respeita à festa, justifica-a desta forma: “A vida regular, ocupada nos trabalhos quotidianos, sossegada, sujeita a um sistema de interditos, cheia de preocupações em que a máxima quieta non movere, mantém a ordem do mundo, opõe-se à efervescência da festa. ” (1988: p. 95)
A festa, aqui representada pelo Carnaval, funciona como a catarse de que a sociedade necessita. Daillois considera que “Ela implica uma grande concorrência de povo agitado e barulhento. Estes ajuntamentos maciços favorecem eminentemente o nascimento e o contágio de uma exaltação que se prodigaliza em gritos e em gestos, que incita as pessoas a abandonarem-se sem vigilância aos mais irreflectidos impulsos. Mesmo nos nossos dias (…) distinguem-se ainda nelas alguns miseráveis vestígios do arrebatamento colectivo que caracteriza os antigos rega-bofes. De facto, os disfarces e as audácias permitidas no Carnaval (…) demonstram a mesma necessidade social e continuam-na.” (1988: pp. 95-96) Estamos, assim, perante a Teoria da Ordem e do Caos. À Ordem opõe-se o Caos, a desordem.
Neste período, o mascarado mais não faz do que reforçar essa inconsciência no jogo de identidades sobre a qual assenta a vida social.
Quando falamos da realidade “máscara” e da sua riqueza simbólica, não podemos esquecer a sua diversidade em função da finalidade a que se destina.
Temos, pois, a máscara funerária, a máscara de teatro e a máscara carnavalesca.
Cravo (1999)8 desenvolve esta teoria atribuindo-lhe outros conceitos.
Segundo ele: “os etnólogos consideram actualmente as máscaras universais em
três grandes grupos: segundo a simbologia, a funcionalidade lúdica e o esvaziamento do seu conteúdo original.”
O Mito
Não se pode falar de Carnaval sem se falar de mito, uma vez que este é parte integrante de todo o imaginário que lhe está associado.
O mito, na sua vertente antropológica, remete-nos para o relato simbólico – que é passado de geração em geração – de uma qualquer realidade, seja ela referente a um fenómeno, uma cultura, um costume social.
No âmbito do costume social que, no caso concreto objecto do nosso estudo se consubstancia numa tradição popular, ou seja, o Carnaval, consideramos que mito, ritual e máscara, representam três realidades que se interligam.
Ao transpor-se o mito para a realidade, utilizam-se rituais que se podem manifestar através de diversas formas, de diversas representações constituindo a máscara, e no que respeita ao Carnaval, um elemento de grande valor simbólico.
Esta, ao simbolizar o fantástico, provoca o espanto, o assombro, ou seja, cumpre uma das primeiras funções do mito.
Veja-se, a este respeito o que diz Campbell, citado por Oliveira: “Quer concebamos a mitologia em termos de afirmação do mundo como ele é ou da restauração do mundo ao que deve ser, a primeira função da mitologia é despertar na mente um sentimento de assombro (…)” (2006: p. 13)
Cravo (1999), quando se refere ao mito, enquanto elemento transmitido pela máscara, afirma que: “cada tipo de máscaras não existe em si mesmo como sendo objecto separado dos seus contextos sociais e culturais. Por isso, neste grupo as máscaras só se consideram autênticas em função das mensagens que nos transmitem, devendo atestar a omnipresença do sobrenatural que pretendem representar e o pululamento dos mitos que nos querem transmitir.”
As sociedades de qualquer país caracterizam-se, seja qual for a sua situação geográfica, por apresentar um conjunto de valores, tradições e costumes, impregnados de grande valor afectivo. Este cariz afectivo, que se alimenta de uma diversidade muito própria, e que torna cada sociedade única, exige-lhe uma representação colectiva que perpetue a sua cultura, as suas tradições, considerando Caillois a este propósito que: “Os dados históricos e sociais constituem os invólucros essenciais dos mitos.” (1980, p. 20)
Queiroz afirma que o mito age sobre o real, no que respeita às representações colectivas, definindo-o: “enquanto a tradução de sentimentos e aspirações de uma sociedade por meio de imagens, compondo um conjunto de representações colectivas de grande valor afectivo para ela; tal conjunto se refere a algo que poderá realizar-se um dia e que se procura instalar por meio de comportamentos apropriados… O mito se aproximaria da utopia, uma vez que refere a instalação de um modelo de sociedade atraente, mas irrealizável; todavia a
utopia não é senão um projecto ideal, enquanto o mito age sobre o real.” (cit. por Soares: 1999, p. 120).
O Carnaval de Podence, representativo dos rituais de Inverno alusivos ao culto da fertilidade e da agricultura, é extremamente rico no que se refere à mitologia. Embora se baseie de forma muito significativa, no mito do “eterno retorno”, ou seja, da renovação do ciclo agrário que se concretiza com a chegada da Primavera e em que a vida é entendida como uma realidade que cumpre um ciclo, constata-se que o mesmo vive, essencialmente, do mito; mito em que se fundamentam as suas raízes.
Assim, não podemos deixar de nos referir aos deuses que mais marcaram o Carnaval e à mitologia que lhe está associada. As bacanais romanas, mais não são do que festas onde a orgia impera, sendo dedicadas ao deus Baco (Fig. 6) – ou Dionísio, para os gregos –, rei do vinho, da folia e do prazer.
Segundo Chevalier, as bacantes “s’abandonnant avec ferveur à son culte, parfois jusqu’au délire et à la mort. (…) A leurs pratiques étranges, (…) on a donné le nom d’orgiasme ou de ménadisme.” (1983: p. 94).
Este sentido de transgressão, esta vivência de uma certa loucura, está bem presente na realidade do nosso Carnaval Transmontano.
O deus Pan, não só enquanto deus dos cultos pastorícios mas também através da sua figura, meio humana, meio animal (Fig. 7), “d’apparence à moitié humaine, à moitié animale; barbu, cornu, velu, vif, agile, rapide et dissimule: il exprime la ruse bestiale.” (Chevalier: 1983, p. 724), foi como que a inspiração do comportamento dos nossos caretos. Estes, tal como Pan, caracterizam-se por possuir uma astúcia/manha bestial quando atacam as raparigas.
Em síntese, concluímos que a mitologia é transversal a toda a Humanidade, através do seu poder metafórico e dos seus símbolos. Campbell, (cit. por Oliveira: 2006, p.13) afirma que: “A vida de uma mitologia brota e depende do vigor metafórico dos seus símbolos. Estes transmitem mais do que apenas um conceito intelectual, pois seu carácter interior é tal que proporcionam um sentido de efectiva participação numa realização de transcendência.”

Mariana Especiosa do Rosário
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro