quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Espumante produzido na aldeia do Lombo faz parte da mesa de réveillon de muitos portugueses

E se logo à noite brindasse ao novo ano com espumante produzido numa aldeia do concelho de Macedo de Cavaleiros? É possível, se tiver na sua garrafeira espumante “Quinta do Lombo” produzido pela Santa Casa da Misericórdia de Macedo de Cavaleiros.
A Quinta do Lombo, que dá o nome ao espumante branco, é propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Macedo de Cavaleiros. 
A ideia surgiu há 12 anos, altura em que a instituição inaugurou uma adega nesta quinta, que já era propriedade da Santa Casa. Actualmente, estão 3 mil garrafas de espumante, na fase de estágio que dura, pelo menos, 9 meses. “Depois das vindimas, o vinho branco vai para as cubas. Depois de fermentar, clarificar e filtrar, o vinho é engarrafado e colocam-se as leveduras próprias. Coloca-se uma carica e fica a estagiar durante 9 meses. Passado esse tempo, com as máquinas adequadas, a garrafa entra num túnel de frio, onde congela o gargalo e as leveduras saem automaticamente. Depois colocam-lhe a rolha e o arame do espumante”, descreve o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Macedo de Cavaleiros, Alfredo Castanheira Pinto. Todas as fases são feitas na adega da Quinta do Lombo. 
No entanto, a fase da inoculação de leveduras e engarrafamento é feita por uma empresa especializada, que se desloca à adega para o efeito, uma vez que esse processo exige um investimento avultado no equipamento adequado, o que a instituição considera que não se justifica, dada a quantidade reduzida da produção.
Os vinhos e o azeite são duas das formas de sustentabilidade da instituição, que tem dois lares: um em Macedo de Cavaleiros, o outro na própria Quinta do Lombo, inaugurado há cinco anos. Os vinhos da Santa Casa já arrecadaram diversas medalhas. O espumante bruto 2004 ganhou a medalha de ouro no “Wine Master Challenge 2006”. 
Entretanto, as regras do concurso mudaram, e a quantidade de produção da Quinta do Lombo não lhe permite concorrer. “Já temos ganho muitos prémios mas deixamos de concorrer porque obrigam-nos a ter em reserva muitas garrafas e como não as temos, não nos aceitam as candidaturas para os prémios. Logo no primeiro ano, ganhamos a medalha de ouro no espumante, a medalha de ouro do espumante, uma medalha de ouro no vinho tinto, várias medalhas de bronze e de prata ”, conta o provedor. 
Actualmente, a Quinta do Lombo tem 5 hectares de vinha que produzem cerca de 3 mil garrafas de vinho branco ou espumante por ano e 30 mil garrafas de vinho tinto. As uvas utilizadas na produção de espumante e vinho branco são as mesmas, por isso a instituição opta por produzi-los alternadamente. No próximo ano, há mais um hectare de uvas brancas que deve começar a dar frutos, permitindo que se possa produzir vinho branco e espumante todos os anos. 
O espumante “Quinta do Lombo” e os vinhos “Casal do Lombo” podem actualmente ser adquiridos através da própria Santa Casa, que está a pensar em abrir, em Macedo de Cavaleiros, um espaço comercial para poder vender os produtos provenientes das suas propriedades agrícolas. 
Para já, as encomendas asseguram a venda dos mesmos. Por exemplo, só nesta quadra natalícia, a Santa Casa enviou mais de cem garrafas de espumante para Lisboa. 

Escrito por Brigantia

Mirandela // Professor de violino lança terceiro romance policial

Pedro Macedo é o autor dos livros da sequela “Edward White”. Depois de "Crime na Universidade", em Abril de 2013, e de “O Espião Americano", em Dezembro do mesmo ano, agora foi lançado o terceiro livro que termina a história policial: “O Caso Michael Cross".
Este mirandelense de 36 anos, professor de violino no Conservatório de Música e Dança de Bragança, juntou os seus familiares e amigos mais próximos, no centro cultural de Vila Flor, para dar a conhecer a sua mais recente obra.
“Foi o Município que decidiu apoiar-me e voltei a escolher Vila Flor para apresentar este livro, tal como aconteceu no segundo”, recorda Pedro Macedo que diz ainda não ter perdido a esperança de apresentar “O caso Michael Cross” na sua terra natal. “Foi lá que apresentei o primeiro romance e vou encetar contactos para saber da recetividade da autarquia em fazer o mesmo com este novo livro”, adianta.

in:mdb.pt

Mogadouro // Figuras mascaradas da Península Ibérica trouxeram folia às ruas da vila

Mascarados da Península Ibérica juntaram-se no passado sábado em Mogadouro, para dia de folia em tempo de chocalheiros, caretos e farandulos, que estão associados às "tradições ancestrais" do solstício de inverno na região transmontana.
No 3.º Encontro de Mascarados de Mogadouro, participaram cerca de duas dezenas de conjuntos de "figuras" provenientes das Astúrias e Galiza, em Espanha. Do lado português marcaram presença caretos, chocalheiros, farandulos e sécias dos concelhos de Mogadouro, Miranda do Douro, Bragança e Macedo de Cavaleiros (Bragança).
Do litoral, com as suas travessuras, estiveram os caretos de Lagoa, concelho de Mira (Coimbra), e cardadores de Vale de Ílhavo, concelho de Ílhavo (Aveiro).
A passagem dos mascarados pelas ruas da vila de Mogadouro não deixou os transeuntes indiferentes e muitos foram aqueles que foram "chocalhados ou tisnados" por estas figuras "demoníacas".

in:mdb.pt

Festival GEADA encerra hoje com o “Enterro do Velho”

Arte, cultura e tradição são as palavras de ordem por estes dias em Miranda do Douro.

Pelo sétimo ano realiza-se o Festival Geada, um evento que une a música aos costumes da região, mostrando os tradicionais rituais de inverno e divulgando a língua e cultura Mirandesas, como enuncia Fernando Belezas, coordenador da comissão organizadora do Festival Geada.

“No primeiro dia tivemos a Roda das Adegas que permitiu conhecer a gastronomia Mirandesa de inverno, assim como os produtos tradicionais, e o no ultimo dia temos o ritual de passagem de ano que é o Enterro do Velho que consiste num desfile que inicia no Largo do Castelo e finda no Largo Dom João III, onde se “queima” o ano velho e se faz o ritual de passagem para o ano novo. Durante os quatro dias da programação temos grupos de música tradicional Mirandesa, também as tradições da região representadas pelos Pauliteiros e as Pauliteiras de Miranda. Durante o dia funcionam os workshops e as oficinas de pauliteiros onde se ensina aos participantes as danças tradicionais Mirandesas.”

O Festival está a superar as expetativas dos organizadores e parece que, veio mesmo, para ficar.

“O Festival está a exceder todas as expetativas. No primeiro dia tivemos cerca de 500 visitantes, o mesmo número de pessoas que tivemos no dia 29 e esperamos ter um aumento de participantes nestes dias.

Está a ser melhor que os outros anos, a adesão aumentou e parece que o festival veio mesmo para ficar.”

Hoje é o último dia do certame e os participantes vão ter a oportunidade de participar no “Enterro do Velho”, uma ritual de passagem para o novo ano.

O Festival é organizado pela Associação Recreativa da Juventude Mirandesa e pela Comissão Organizadora do Geada, em parceria com outras entidades regionais e nacionais.

Escrito por ONDA LIVRE

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Rui Fernandes assume presidência da ACISMC

Rui Fernandes é o novo presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Macedo de Cavaleiros (ACISMC). Um nome que surge após a demissão de António Cunha, e de Pedro Canelha, o número dois da lista, ter também declinado o cargo.

Fica assim descartada a hipótese de eleições antecipadas, com o tesoureiro da lista de António Cunha a subir à presidência para cumprir o ano de mandato restante. O trabalho já começou, e entre as prioridades está a reaproximação dos comerciantes à Associação.

“As ideias são muitas e algumas ainda estão a ser alicerçadas. Passam por congregar com o município, temos toda a abertura por parte do senhor Presidente da Câmara e também do executivo para depois podermos colaborar e trabalhar em conjunto. Reabilitar o cinema é uma das nossas prioridades e vamos tentar tudo para que seja possível, vamos encetar também uma série de reuniões setoriais para nos apercebermos dos problemas do comércio e da industria macedense e estamos também a pensar na exteriorização do comércio para tentar vender a nossa massa produtiva para o estrangeiro e pôr os nossos associados a ganhar alguma coisa com isso. Existe uma série de iniciativas e de mudanças na forma de gerir a casa, cada presidente coloca as suas ideias mediante aquilo que melhor sabe fazer, e o nosso intuito é diferente, queremos por o comércio a “mexer” melhor”.”

A situação financeira da Associação, admite Rui Fernandes, não é a melhor neste momento, até devido à conjuntura económica atual do país. Mas acredita que é possível reverter essa situação.

“Já submetemos, nestes poucos dias de trabalho, candidaturas para o já referido 2020, existia também da direção anterior uma candidatura aprovada. No âmbito da formação já desencadeamos muitos contatos para ver com quem poderemos trabalhar até à reacreditação da casa que é o nosso alvo para dirigir os destinos nesse sentido. A formação vai ser uma grande bandeira que queremos levar para a frente, mas existe outro conjunto de ações que podemos levar a cabo. Temos de nos lembrar que, esta casa, com um número de sócios tão elevado, muitos associados não pagavam quotas há muito tempo e vamos tentar falar com essas pessoas, trazê-las a casa e mostrar-lhes a mais-valia que é ter uma associação comercial de portas abertas para os poder receber e para poder ouvir os seus problemas, poder representá-los, de modo a que possam considerar que esse dinheiro não é mal gasto.”

Para o ano, há outra certeza. Depois de onze anos, a Festa Transmontana do Emigrante chegou ao fim.

“A Feira de São Pedro teve uma alteração significativa no ano transato. Neste momento a colaboração que existe com a Câmara Municipal é muito mais estreita, existem melhorias em relação à última edição desta feira que pretendemos implementar, mas como temos uma comissão que decide estas melhorias, elas ainda não estão efetivadas e vão-se trabalhar até ao realizar do certame. 

Quanto à Festa do Emigrante, devido ao facto de ser realizada em dias de semana para não colidir com as festas das aldeias e por também existirem muitos eventos que o município já leva a cabo nas mesmas datas, vai deixar de existir.”

Rui Fernandes assume agora o lugar, por pelo menos um ano, até ao término do mantado da anterior direção. Deixa a promessa de muito trabalho, iniciativas de valor para o comércio, como, por exemplo ações de animação de rua e a dinamização das infraestruturas da ACISM, como os auditório e as oficinas, a fim de reinvestir na formação.

António Cunha não compareceu à assembleia de sócios, que decorreu ontem à noite, depois de ter deixado o cargo de presidente que ocupava há 11 anos no passado dia 9 deste mês, alegando motivos pessoais. Pedro Canelha, vice-presidente, também acabou por recusar a posição.

Carlos Azevedo é agora o vice-presidente e Cláudio Santos passa a ser tesoureiro. Ficam a faltam dois nomes para completar a direção, que ainda estão a ser escolhidos.

Escrito por ONDA LIVRE

Casa cheia no Concerto de Natal da Banda de Música de Freixo de Espada à Cinta

No dia 27 de Dezembro a Banda de Música de Freixo de Espada à Cinta voltou a atuar no Auditório Municipal para um concerto de Natal.

Edson Pereira, que assumiu recentemente a direção da Banda, referindo estar muito satisfeito com o projeto e que espera, para o ano que se aproxima, muitos e bons desafios. Agradeceu ainda o apoio da Câmara Municipal revelando que a Banda de Música, com a ajuda do Executivo autárquico, irá em breve realizar um documentário sobre a sua história. 

Antes do espetáculo iniciar foram ainda chamados ao palco os três elementos mais antigos da Banda de Música de Freixo de Espada à Cinta, ainda em funções, Manuel Sapage, José Martins e António Massano, que receberam uma pequena homenagem pelo esforço e dedicação àquela “casa” ao longo de todos estes anos. 

O espetáculo musical começou com o coro da Escola de Música de Freixo onde os “pequenos” músicos iniciam a sua formação musical para depois mais tarde fazerem parte da Banda. 

Seguiu-se a tão esperada atuação da Banda de Música que interpretou vários temas de conceituados compositores como Tchaikovsky e o público presente não arredou pé, atribuindo longos aplausos a todos os músicos. 

Depois de um período conturbado a Banda de Música voltou com a qualidade a que sempre habituou o seu público e com a força de quem busca sempre novos desafios. Depois de terminarem o reportório escolhido o público pediu que tocassem mais uma peça e foi desta forma que o espetáculo encerrou.

NI-Joana Vargas

Oficinas de Escrita Criativa em Alfândega da Fé tentam incrementar na juventude o gosto pela literatura

Já começaram as oficinas de escrita criativa, dinamizadas pela Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé em parceria com a Biblioteca Escolar.

A primeira sessão teve lugar na Biblioteca Municipal no dia 17 de dezembro. Os participantes, alunos do 8ºA, 9ºA, 10º e 11ºB da Escola Eb2,3/S de Alfândega da Fé, aprenderam a distinguir os vários tipos de escrita e deram asas à sua imaginação com a construção de textos criativos. 

Este é o principal objetivo desta iniciativa, que se vai realizar ao longo de todo o ano letivo. 

A promoção do gosto pela esscrita e leitura, o estímulo da imaginação e criatividade, assim como o reforço das aptidões ao nível da expressão escrita, são os objetivos que norteiam a realizam destas oficinas de escrita criativa. 

Estas oficinas apresentam-se também como uma forma de impulsionar a participação da comunidade escolar no Concurso Literário Concurso - Prémio Áurea Judite do Amaral, cujo prémio final será a publicação de um livro que integrará os textos elaborados pelos alunos. 

Recorde-se que este concurso foi instituído como forma de homenagear esta alfandeguenses, que se destacou no campo cultural e do ensino nos anos 20 do século passado, ao mesmo tempo que se promovem novos valores na àrea da escrita. 

NI-CM Alfândega da Fé

ENTERRO DO ANO VELHO - Miranda do Douro

O Museu da Terra de Miranda convida- o(a) a participar no ENTERRO DO ANO VELHO, no dia 31 de dezembro.

Não faltes, concentração no Largo do Castelo às 23h30. 

Vem celebrar uma passagem de ano diferente e deixa-te envolver pelo cheiro da tradição!

Video Promocional de Carrazeda de Ansiães

Teatro Municipal de Bragança promete "refrescar" a programação em 2016

O Teatro Municipal de Bragança quer apostar num novo tipo de programação, no próximo ano, aproximando-se do público mais jovem. Uma das mudanças é o facto deste ano o Teatro não fazer parte da organização do FAN, Festival de Ano Novo, que era co-organizado com o Teatro de Vila Real.
A directora do Teatro Municipal de Bragança, Helena Genésio, explica que após 10 anos de funcionamento, o Teatro de Bragança teve necessidade de refrescar a sua programação, de forma a surpreender o público. ”Havia necessidade de fazer algumas mexidas e transformar a nossa programação em algo mais dinâmico, dar-lhe um ar certo ar fresco, uma certa dinâmica e novidade. 
O FAN estava, nos últimos anos, a perder público. Em Bragança este festival estava a perder público porque se tornou numa coisa demasiado rotineira e a novidade já era muito pouca”, confessa a responsável. Helena Genésio salienta a importância de mater a diversidade na programação dos dois espaços culturais, mantendo, no entanto, algumas parcerias, como é o caso do “27, Festival Internacional de Teatro”. 
A directora do teatro sublinha ainda que o Teatro de Bragança tem apresentado novos festivais, exclusivos deste espaço cultural . “Bragança tem dois festivais que, por exemplo, Vila Real não tem. Um deles é o festival “Noites Frias, Vozes Quentes”, que acontece todas as quintas-feiras, há mais de 6 anos. 
Há também o festival ou, será mais um ciclo, que é o “Poetas ao Palco”, falado um pouco por todo o país. Há também o “Dança, Bragança, Dança”, que é um festival que acontece em Abril, pela segunda vez”, acrescenta Helena Genésio. 
No próximo mês de Janeiro, a programação do Teatro Municipal de Bragança, resulta, segundo a directora da vontade do público brigantino, que tem vindo a ser ouvido. 
A agenda fica marcada por uma diversidade de espectáculos, destacando-se os espectáculos ao sábado à tarde, espectáculos para bebés, espectáculos às quintas-feiras à noite, a pensar no publico universitário e espectáculos que vão decorrer durante os dias de semana, direccionados para o público escolar, desde o 2º ciclo, ao ensino secundário. 

Escrito por Brigantia

Festival Geada promete derreter o gelo em Miranda do Douro

Arrancou anteontem em Miranda do Douro mais um festival Geada que vai já na sétima edição.
A iniciativa tem como objectivos festejar e divulgar a cultura e as tradições das terras de Miranda. 
Conhecer algumas das tradições de Inverno do Planalto Mirandês, dançar à volta da tradicional fogueira do galo, e ao som de gaitas-de-foles, experimentar a dança dos pauliteiros e tocar instrumentos tradicionais ou descobrir a língua mirandesa são algumas das propostas deste festival.
A primeira noite ficou marcada pela ronda das adegas, que juntou cerca de 500 pessoas. Uma adesão que surpreendeu a organização, como frisa Fernando Belezas, da Associação Recreativa da Juventude Mirandesa.
“Arrancou com grande força, excedeu, até ver, todas as expectativas que tínhamos. Contou com muitos participantes, cerca de 500 pessoas. Nos anos anteriores temos tido entre 300 e 500 pessoas mas este ano excedemos as expectativas logo no primeiro dia. Esperamos entre 500 às 1000 pessoas por dia. 
O festival está a crescer e este ano pelo menos no primeiro dia já é um exemplo disso. Duplicámos o público comparado com o ano passado. O festival tem um cariz tradicional, é um festival eminentemente familiar e pretende reviver as tradições mirandesas”, frisou Fernando Belezas. 
O director da Comissão Organizadora do GEADA 2015 afirma que o festival pretende dar a conhecer ao público novas manifestações artísticas, como as mais recentes tendências da música tradicional portuguesa, mas também as músicas do mundo havendo ainda lugar para a sonoridade electrónica. “É um festival peculiar que marca a diferença por ser no Inverno, ainda mais durante a semana. Mas o que se pretende é mesmo isso, animar a cidade de Miranda do Douro numa época em que não era assim tão normal. 
As tradições são o nosso principal alvo, é difundi-las, divulgá-las e preservá-las com o nosso festival. 
Este ano, além da música tradicional também nos propusemos a trazer novas sonoridades ao festival essencialmente música electrónica”, acrescentou o responsável. Esta terça-feira é a primeira de concertos, e a animação estará a cargo das Pauliteiras de Miranda, Cindazunda e da banda Nação Vira Lata. Já amanhã o palco do Pavilhão Multiusos de Miranda do Douro será ocupado pelos Trasga, Tranglomango e Cabra Cega. Quinta-feira a proposta é para uma festa de fim-de-ano diferente. “No dia 31, o festival encerrará com a tradicional passagem de ano mirandesa que consiste no enterro do velho, que é enterrar o ano que termina. 
Será feito um desfile que se realiza a partir das 21h30 no largo do castelo e que encerrará com a queima do ano velho na praça D. João III, praça do Município. A queima consiste em enterrar um boneco que simboliza o ano velho e o cortejo será feito pela Banda Filarmónica Mirandesa, sendo esse evento organizado pelo museu das Terras de Miranda. É uma passagem de ano tradicional e muito diferente do que as pessoas estão habituadas”, refere o director da Comissão Organizadora. 
O festival é organizado pela A.R.J.M., em parceria com diversas entidades locais, e decorre até ao dia 31 de Dezembro em Miranda do Douro. 

Escrito por Brigantia

O Concurso de Montras de Natal é uma iniciativa do Município de Vila Flor que envolve toda a comunidade no espírito natalício

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Candidatura de Tradições de Inverno a património imaterial da UNESCO será transfronteiriça

Candidatura será promovida pelo Zasnet e deverá juntar rituais de Portugal e Espanha
A candidatura das tradições de inverno a património imaterial da UNESCO vai ser realizada em conjunto, unindo os rituais de Portugal e Espanha, e será promovida pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT), Zasnet.
A presidente deste agrupamento transfronteiriço, Berta Nunes, adiantou que o objectivo é criar uma candidatura muito mais ambiciosa, que “será de todas as festas de Inverno com máscara e também as de Carnaval” de todo o território do Zasnet, adianta Berta Nunes.
De acordo com a responsável, apesar de a inscrição no registo a nível nacional estar mais adiantado no caso dos Caretos de Podence, este ritual deverá ser incluído na candidatura. “Fará mais sentido fazer uma candidatura conjunta, não será só dos caretos de Podence, há já um consenso em relação a isso. O objectivo é fazer uma candidatura transfronteiriça no âmbito da Reserva da Biosfera, mas, caso não seja possível, pelo menos será uma candidatura conjunta de todo o território português”, garante a também presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé. Contando com o apoio da Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN), a candidatura a Património da Humanidade das Máscaras e Festas de Inverno de toda a zona da fronteira, vai avançar, sendo promovida pelo Zasnet. O AECT inclui o território do Nordeste Transmontano, Salamanca e Zamora.

Registo nacional demorado

No entanto, o presidente da Academia Ibérica da Máscara, António Tiza, frisa que cada tradição tem especificidades diferentes e não é possível uniformizar estas festas, à semelhança daquilo que acontece com outras candidaturas. “O cante Alentejano tem as mesmas características em todas as localidades onde existe. O mesmo não podemos dizer das festas dos rapazes, numa terra faz-se de uma maneira, mas na terra ao lado a festa do rapazes ou do Santo Estevão já é outra e por aí fora”, afirmou o responsável.
O responsável tem ainda alertado os Municípios e a DRCN para a importância de agilizar o processo de registo destas tradições em Portugal.
Este mês, o governo espanhol fez esse tipo de reconhecimento, classificando o Carnaval e os rituais de máscaras como património imaterial e o investigador sublinha que, o primeiro passo para que as tradições de Inverno, associadas às mascaradas, sejam classificadas pela UNESCO como património imaterial, é a classificação a nível nacional, mas lamenta que ainda se tenha feito pouco nesse sentido.

Por Olga Telo Cordeiro/Sara Geraldes
in:jornalnordeste.com

Parada recria tradições relacionadas com o Santo Estêvão

Volta à aldeia no carro de bois, “Corrida da Rosca” e “Galhofa” são algumas das tradições associadas à quadra natalícia em Parada
Em Parada, no concelho de Bragança, a festa em honra de Santo Estêvão envolve toda a comunidade para que se cumpra a tradição, que se perde no tempo. No dia 26, além da missa e almoço comunitário, decorreu a tradicional volta à aldeia no carro de Santo Estêvão. Ontem, dia 28, assinalou-se no calendário cristão o “Dia dos Inocentes” e em Parad terminaram as festas com a “Corrida da Rosca” e a “Galhofa”.Momentos em que os rapazes da aldeia mostram a sua virilidade, competindo em corridas e lutas. 
As tradições associadas ao Natal, começam no dia 24 com a preparação do “charolo”, uma espécie de andor coberto de roscas, que serão posteriormente arrematadas, e as "Loas" que são entoadas na Missa do Galo.
Numa aldeia com muitos emigrantes, há alguma dificuldade em cativar os jovens para reavivar estas tradições e para, voluntariamente serem mordomos no ano seguinte, tendo, para isso que sentar à mesa com os mordomos actuais, no almoço comunitário. Este ano já não foi fácil arranjar interessados. E na “Corrida da Rosca” e “Galhofa” também já não há tanta concorrência como antigamente. “Os mordomos eram quatro mas este ano já só meteram três, porque não havia quem pudesse ser mordomo”, conta Eugénia Vaz, habitante de Parada.
Há oito anos que as festas da quadra natalícia são acompanhadas de uma feira de Artesanato e Produtos Regionais. O presidente da União de Freguesias de Parada e Faílde, António Pires faz um balanço positivo da iniciativa. “Isto começou por ser uma brincadeira e um desafio. O objectivo era aproveitar a Festa de Santo Estêvão e a presença dos emigrantes, que vêm nesta altura à nossa aldeia e que, desta forma, podem adquirir produtos regionais. Começámos com 18 expositores da aldeia e agora temos 24, não só da freguesia mas de outras localidades do distrito. A feira é para continuar, sem dúvida”, sublinha o autarca. 
A aldeia de Parada, também conhecida por Parada de Infanções, têm ainda viva a tradição dos caretos. Para preservar as suas características e divulgar os caretos, foi criada há um ano a “Associação dos Caretos de Parada de Infanções” que tem levado o nome da aldeia a várias localidades do país e da Europa.

Por: Sara Geraldes
in:jornalnordeste.com

“Um bife que foi mal preparado agora, já não tem correcção amanhã”

Após quase trinta anos aberto, o restaurante Solar Bragançano continua a receber distinções, a mais recente é um sol do guia Repsol.
Quase a completar 30 anos de portas abertas, data que comemora no próximo mês de Agosto, o Solar Bragançano, no centro de Bragança, o reconhecimento continua a chegar, o mais recente foi na forma de sol do guia Repsol de 2016, depois de ter sido referenciado no guia Michelin durante 20 anos.
Mas houve também, ainda este mês, diversas referências em revistas como a Visão, o Diário de Notícias ou o Expresso.
Quando questionado sobre que o papel que tem desempenhado na promoção da gastronomia da região e da própria cidade, o proprietário do Solar, Desidério Rodrigues responde mostrando uma crítica gastronómica publicada no Jornal Expresso de 4 de Março de 1995 “pelo maior crítico de gastronomia português, José Quitério”.
“Perante estes factos não podemos inventar”, refere.
“Quando ele aqui veio já há anos que tínhamos esta ementa. O Solar Bragançano não é só uma referência na gastronomia de Bragança, mas a nível nacional”, considera perante as apreciações que são dirigidas ao restaurante.
Apesar disso frisa que a forma como reage a essas críticas é “ignorando-as” e preocupar-se “com aquilo que possa surgir amanhã”.
“São muito oxigénio para nós e ar fresco debaixo das nossas asas que nos permite continuar a voar”, assume o anfitrião do Solar.
A ementa é fixa e “tem tido algum êxito”, admite. Os produtos são o essencial no prato e os acompanhamentos são o que as estações do ano dão. “No Inverno, não vamos colocar no prato tomates e alfaces, que as hortas não nos dão de qualidade, mas temos as verduras, como grelos ou couve penca”, frisa.
“Há 30 anos era valorizado porque não havia tantos como agora e era a única alternativa, agora é valorizado porque continua a ser como era e os princípios que o regem ainda são os mesmos”, é assim que descreve o percurso.
O reconhecimento é, de acordo com Desidério Rodrigues, fruto “da honestidade da comida”. “Há um princípio que se deve ter na gastronomia local: é honestidade. Porque uma pessoa pode pensar que num momento ganhou muito com um determinado cliente e com o tempo isso torna-se prejudicial para nós”, afirma defendendo a ideia de que “um bife que foi mal preparado agora, já não tem correcção amanhã”.
O segredo pode passar pelo conceito de “comida honesta e de conforto”, característica que é indispensável ao homem.
A memória é, no entanto, usada também como um trunfo. “Sem memória, eu não teria elaborado esta ementa. Se não soubesse em pequeno qual o sabor das trutas do rio e de outros peixes, não tinha incluído esses pratos no menu”, revela.
Dá ainda o exemplo das alheiras de caça ou da sopa de castanha, que hoje estão muito em voga, e são pratos que estiveram sempre na ementa e que se mantêm há vários anos.
“As pessoas referem que tinham memória destes pratos da casa da avó ou da mãe, mas em restaurantes fomos os primeiros”, refere, não escondendo o orgulho no facto de o Solar Bragançano ter tido o papel de ser pioneiro no que diz respeito a “trazer para os restaurantes uma gastronomia que se fazia nas casas privadas e em conventos, mas não nas comerciais”.
Os produtos são tradicionais e a forma de os cozinhar não menos antiga, em potes de ferro na lareira ou em forno a lenha.
“Algum valor que é atribuído ao Solar Bragançano é pela forma como confecciona os seus pratos e pelo mínimo de qualidade que têm”, frisa.

Fiel às tradições

Desidério Rodrigues explica que o Solar Bragançano nasceu porque gostava de comer “minimamente bem e a única possibilidade para isso acontecer todos os dias era abrindo um restaurante”.
Antes disso teve uma breve incursão na área da aviação, cumprindo na força aérea o serviço militar, mas foi quando trabalhou na administração de uma Pousada de Portugal, altura em que lidou com vários tipos de clientes, entre eles estrangeiros, que pensou que aquele seria “o embrião de algo que viria a fazer”.
Mas aqueles para quem este tipo de cozinha não é tão familiar também reconhecem o valor da cozinha, acredita Desidério Rodrigues, que afirma receber clientes de toda a parte do mundo.
O cuidado com a decoração e o ambiente marcam também o espaço e a experiência. As mesas da sala logo à entrada estão cobertas com livros e a música clássica ouve-se de fundo. A decoração faz recordar casas antigas num dia de festa.
“A refeição que o cliente faz é muito diferente se a atmosfera for agradável ou não”, afirma.
Apesar de considerar que o restaurante se deve adaptar às novas tecnologias tenta ser fiel às tradições. “Temos de estar atentos ao evoluir dos tempos, mas não podemos deixar vir para a mesa vitelas feitas de bife de plástico”, afirma.
Hoje em dia, qualquer pessoa é um crítico gastronómico. “Com as novas tecnologias, o cliente pode estar sentado numa mesa e a avaliar a qualidade da comida e o serviço. Nestes tempos, é impossível ter uma casa aberta e enganar constantemente. Se usamos uma máscara com o cliente, ela pode-nos ser arrancada”, sustenta o proprietário do Solar, que entende que a cozinha regional e o conceito de produtos que lhe estão associados têm mais futuro do que os pratos elitistas.

Por: Olga Telo Cordeiro
in:jornalnordeste.com

Bombeiros de Macedo de Cavaleiros querem nova ambulância e mais gente em 2016

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros quer, no próximo ano, adquirir uma nova ambulância de socorro.

Ontem à noite, na assembleia para apresentar o Plano de Atividades e Orçamento para 2016, foi revelado que estão previstos 45 mil euros para um novo veículo, de um total de 634 mil e 500 euros, que, como diz António Batista, o presidente da Associação, faz falta.

Mais corpo ativo pode ser admito para o ano. Atualmente, há 29 elementos, e mais 8 podem ser contratados.

Também o caso do ex-comandante João Venceslau foi falado ontem à noite. António Batista confirma que ainda não há novos desenvolvimentos, e que os processos continuam a correr na justiça. Até março, quando haverá novas eleições para a direção da Associação Humanitária, João Venceslau vai permanecer em funções nos Bombeiros de Macedo de Cavaleiros.

Até lá, também não vai haver novas nomeações para o comando dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros, afiança António Batista. Assim sendo, é já certo por mais alguns meses o corpo de bombeiros permanece sem comandante, sendo que Luís Fernandes ocupa o cargo interinamente, depois de ter já recebido as insígnias de 2º comandante em julho deste ano.

As eleições para a direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros devem acontecer na segunda quinzena de março, e António Batista já confirmou que se vai recandidatar, para um segundo mandato de 3 anos.

Escrito por ONDA LIVRE

Feliz Ano Novo

BOAS ENTRADAS

O PHAROL TRANSMONTANO

O PHAROL TRANSMONTANO: periódico mensal de instrução e recreio (Bragança, 1845-1846) – Foi o primeiro jornal a ser impresso em Bragança; de caráter regionalista e periodicidade mensal, publicou o primeiro número em setembro de 1845, e terminou em agosto de 1846 com o número doze, conforme consenso geral nas fontes consultadas. A sua direção, composta por um corpo de três redatores, por vezes assina “Os RR.” No entanto, informa-se os leitores do jornal que os “artigos da redacção ou vão sem assignatura, ou indicados com as seguintes letras iniciais – A.J. – A.F. de M.P. [António Ferreira de Macedo Pinto] – D.A. – para differença daqueles que nos forem communicados”. Seguem-se “As condicções de assignatura” com o preço anual de “960 réis”, e o custo avulso de “120 réis” (n.º 1, p. 2).
Inocêncio Francisco da Silva, no seu dicionário, referencia O Pharol Transmontano como uma publicação de “Bragança, Typ. de D. A. de Sá Vargas, 1845. – Vi, e tenho deste periódico 24 numeros no formato de 4.º, com 182 pag. – Nelle se compreendem numerosos artigos de interesse scientifico e litterario, assignados com as iniciais do sr. Macedo Pinto, que foi um de seus fundadores e principaes redactores.”Os “24 números” referidos correspondem na verdade a 24 cadernos tipográficos, dois por número; a coleção totaliza 192 páginas, e não 182 (provável erro tipográfico).
De acordo com Maria da Conceição Meireles Pereira, O Pharol Transmontano foi o primeiro jornal impresso em Bragança, cidade que, em sequência, entra na história da imprensa periódica, acrescentando que o periódico “sublinhava, no programa que previamente distribuiu, os seus objectivos primordiais”. A autora refere que, além do periódico publicar artigos de “humanidades (biografias, excertos dos clássicos, história e património) e da útil sinopse de leis, portarias e decretos extraída do Diário do Governo”, a maioria é de teor “técnico-científico – agricultura, pecuária e indústrias – patenteando a divulgação das últimas descobertas e aperfeiçoamentos, bem como a reivindicação de novos métodos agro-industriais […]”.

Acrescenta-se, na primeira nota deste texto, que “o Abade de Baçal afirma que o periódico durou até 18475.”
João Carlos de Vilhena e César Mesquita, na sua tese de mestrado defendida em 1997 na Faculdade de Letras Universidade do Porto, onde investigou graficamente as publicações periódicas portuguesas entre 1820 e 1850, escreveu: “periódico de natureza literária O Pharol Transmontano, cujo preço era de 120 reis, tendo como director António Ferreira de Macedo Pinto. Este periódico, que teve 12 números, apresentou 3 xilogravuras […]”.
O autor também menciona que duas representam “animais, de uma forma tosca” e que a outra representa “um instrumento agrícola (gadanha)” cuja “vertente artística assumiria uma importância apenas relativa”, pois a “temática está directamente ligada ao próprio meio rural onde este periódico era publicado […].”

Acrescentamos que as xilografias não se encontram assinadas, e ilustram os textos: “O Alpaca” e “O Lince ou Lobo Cerval” de A.F. de M.P., o redator principal (p. 20, p. 69); e “A Gadanha Alemãa” por D.A., outro redator do periódico (p. 180). 

PROGRAMA DO CORPO REDATORIAL

Os redatores, assinando “Os RR.” abrem o periódico com o texto “O Pharol”, defendendo o aumento da instrução para os portugueses poderem atingir o “grande fim de completa regeneração, e para subirem ao maior gráo de prosperidade e civilização”; afirmam que é indispensável que as “sociedades modernas” tenham o auxilio da “imprensa, com especialidade a imprensa periodica, que derrama a sua luz até ás classes mais baixas, e mais numerosas, e popularisa entre ellas os principios, as verdades, e as mais uteis applicações das sciencias, e das artes, despidas da lingoagem technica, que mal comprehenderiam” […].

No mesmo texto refere-se o atraso civilizacional de Portugal, o qual este jornal tem intenção de mudar. Menciona, alegoricamente, que “não é raro encontrar os rochedos escarpados da preocupação, e da ignorância, contra os quaes vão frequentemente naufragar o agricultor, o artista, e o comerciante, &c. Aqui pois acendemos o nosso Pharol – O PHAROL TRANSMONTANO”.
Quanto aos conteúdos, os redatores prometem “empenho, dando noticia dos inventos, descobertas, e aperfeiçoamentos, que julgarmos de prestimo, nas sciencias, nas artes, e na industria: artigos sobre a historia Natural e Politica, com particularidade dos objectos peculiares a esta Provincia, dignos de serem notados, taes como os animaes, vegetaes, mineraes, monumentos e noticias da antiguidade […]”, sempre interligados com a prática da agricultura.
O texto termina com os redatores esperançosos em aumentar as duas folhas de impressão (16 páginas) por cada número do periódico, e em ilustrar artigos “para mais fácil e clara intelligencia de sua materia” (pp. [1] -2).

ENQUADRAMENTO DOS CONTEÚDOS

António Ferreira de Macedo Pinto (A.F. de M.P.), descrito como o redator principal ou o diretor de O Pharol Transmontano, foi o seu maior dinamizador e colaborador. Liberalista convicto, publica um “Soneto” de 1843, em “Commemoração. Oito de Julho 1832. O Desembarque de D. Pedro nas Praias do Mindelo” (p. 175).

O Dr. Macedo Pinto também redige inúmeras notícias úteis de caráter científico de sua autoria, ou retiradas de outros periódicos, como: “Necessidade de renovar a materia vacinica”, “Aerolithes em Traz-os-Montes”, “Secreção artificial do leite” e “Novo modo de empregar a creosote na conservação das carnes, e do pescado” (n.º 1-n.º 12). Merece destaque a sua colaboração nas rubricas “Hygiene, e Salubridade da Infancia” (n.º 9-n.º 11), “Ephemerides da historia Portugueza” (n.º 5-n.º 11), e o moralista “O Collar da Finada. Romance contemporâneo”, como sua “primeira tentativa” e publicado em continuação (n.º 5-n.º 9).
Antes, no artigo “O Romance”, em voz plural, lê-se: “Os Redactores do Pharol Transmontano, avaliando devidamente a missão e os deveres, que incumbem a todo o escriptor publico, e com particularidade á imprensa periodica, decidiram reservar nas paginas do seu jornal um logar, no qual, a exemplo de nossos Literatos, offerecessem a seus leitores algum alimento para o espirito, que nem tudo se há de dirigir ao corpo, embora as tendencias do seculo sejam essas”; e por estar a la moda, o “Romance – esta forma inseparável da nova literatura, este aspecto brilhante da arte moderna, que insinuando-se por entre as turbas lhes póde, e deve levar, a dissiminar a doctrina, e a ilustração em todos os ramos.” Segue-se que, do romance histórico “possuímos já hoje dois modellos de que nos devemos vangloriar, e que affoitos podemos mostrar a estrangeiros: fácil é de vêr, que fallamos do Eurico [1844, de Alexandre Herculano], e do Arco de Santa Anna [1845, de Almeida Garrett; 2º v, 1850].” Depois, os redatores anunciam: “Será pois um Romance contemporaneo que vamos escrever” (n.º 5, pp. 73-74).
Paralelamente, António Ferreira de Macedo Pinto, pertencia à direção da “Sociedade Agricula do Distrito de Bragança”, criada pelo “Decreto de 20 de Setembro de 1844, assim como Diogo Albino de Sá Vargas (D.A.) e António José Teixeira (A.J.), provavelmente são os nomes dos outros redatores do periódico, nomeados no artigo de D.A. que anuncia o início do funcionamento da sociedade em “princípios do mês de Março” de 1845 (p. 7).
Na nossa opinião, o associativismo cultural gerado pela sociedade referida, impulsiona o lançamento do jornal que abre com a secção “Agricultura”, com a exceção do seu primeiro número. Esta rubrica, escrita por A.J., conta com D.A nos números seis e sete do periódico.
Logo no seu primeiro texto em “Agricultura”, A.J. afirma que “na ordem de todas as industrias sociaes, a agricultura occupa o primeiro logar […]”; e que a “importância real, que presentemente se dá á agricultura, ou se considere como arte, ou como sciencia, em cujo caso recebe mais privativamente o nome de agronomia, é imensa”. Sendo um dos redatores, A.J. diz que seria imperdoável se “na tarefa, que emprehendemos, ficassemos silenciosos sobre o primeiro elemento da prosperidade para o Paiz, para esta Provincia e para o nosso Districto com particularidade […]” (pp. 2-3).
D.A. (?), além de redator, colabora com crónicas históricas e científicas: “Causas da decadencia politica e social da Hespanha” (pp. 25-27), “Cultura do arroz” (pp. 83-84), “Questão dos cereaes em Inglaterra” (pp. 89-91), etc.
No jornal, refere-se que a “instrucção em razão de quaesquer cargos Publicos”, justifica a publicação da “Synopse da Legislação […]”, secção que fecha o jornal, com exceção dos números oito e doze. O número oito porque termina com a resposta à crítica do jornal “Illustrador8 (n.º 31)” sobre o verbo «ermar» (p. 128), e o último número, o doze, finaliza com o texto “Um genio d’artista …” sobre um marceneiro pobre e artista local numa “ingrata pátria” (p. 192). Antes, publica-se a lenda “Florette” traduzida por M.C.F.D., “esposa de um artista desta Cidade” e única colaboração feminina, segundo a “nota (1)” de “Os RR” (p. 190).
Dos conteúdos de teor literário, e apesar das assinaturas dos autores em iniciais, destacamos: “O Cantaro d’Agoa. Chronica do Século XIV” de J.P. de M.S., investigador local que diz “fazer popular a nossa historia” para o progresso da sua “Provincia” (n.º 1-n.º 4); “Aventuras de Mistress Inchbald” de P.C.F., tradutor deste conto moralista (n.º 10-n.º 12); “Breve noticia genealógica da familia dos Moraes” de F.X.G. de S., sobre o convento de S. Francisco na cidade de Bragança (pp. 142-143); e “Lyra” de J. do C.S.T., o segundo poema deste periódico (pp. 154-155).
A rubrica “Variedades”, em letra maiúscula, compunha-se de pequenas notícias do estrangeiro ou nacionais como “Lobos damnados” (p. 79) e “Homens damnados” (continuação solta na p. 127) de António José Garcia; resumidas crónicas históricas ou tabelas de preços de cereais (n.º 1, n.º 3-6); incluía, até terminar no sexto número, a secção “Bibliographia” que divulgava livros de teor variado ou integrava crítica literária (n.º 1, n.º 4-6). No oitavo número do periódico, a secção “Bibliographia” reapareceu com um anúncio à Revista Económica (Lisboa, 1846); depois intitulou-se “Bibliographia Religiosa” elogiando os periódicos Jornal da Sociedade Catholica (Lisboa, 1844-1853) e o Religiozo (Lisboa, 1846); e “Bibliographia Dramatica” com uma lista de quase “112 peças de teatro” publicada na contemporânea “Revista Univ. Lisb. Vol. 5.º serie 3.ª art. 404 e 4209 ” (n.º 10-n.º 11).
Contabilizámos cerca de doze colaboradores no periódico, mas apenas conseguimos identificar o seu redator principal que assinou sempre A.F. de M.P., provavelmente o responsável pela maioria dos conteúdos publicados serem pedagógicos e de natureza técnico-científica.

ESTRUTURA GRÁFICA

O Pharol Transmontano apresenta um frontispício simples, no início de cada número, com o título principal em letra maiúscula de maior dimensão, a respetiva numeração e data (mês e ano). No fim das primeiras páginas, encontra-se a indicação de “Tom. I”, e em cada quarta folha, o periódico tem outra numeração (1 a 24), que identifica os cadernos tipográficos.

O periódico, de 25 cm de altura e impresso a duas colunas, tem pouca ilustração e não é colorido. Separados por pequenas linhas centrais, os textos sucedem-se, encabeçados pelos seus títulos em maiúsculas, exceto os três ilustrados pelas xilogravuras. Com paginação contínua, não incluída nas suas primeiras páginas, cada número contém dezasseis páginas. Sem fim anunciado, desconhecemos as razões do seu término.

CONTEXTO SOCIAL


José Mattoso, historiador, escreve que Garrett e Herculano eram os “líderes simbólicos das gerações românticas e liberais”. E acrescenta que para “compensar a debilidade da rede escolar e até a resistência das populações intensifica-se a actividade jornalística, poderoso meio de socialização política e ideológica, de formação e informação dos cidadãos.” Ainda de acordo com este historiador, no liberalismo, a imprensa e a escola apontam-se como os “principais instrumentos civilizadores”.
Em Portugal, a revolução liberal pretendia o progresso económico que passava pelo aumento da instrução. E uma sociedade instruída adquire mais conhecimentos da história dos territórios, do património nacional, etc. É neste âmbito regionalista e patriótico, que situamos O Pharol Transmontano.


Por Helena Roldão

Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, 30 de abril de 2015

Lobos. Histórias de guerra e de paz com magia dentro

À boleia do lançamento do livro Malditos, de Ricardo J. Rodrigues, fomos desbravar a serra do Larouco, em Montalegre, o segundo maior concelho de Trás-os-Montes. Não vimos um lobo mas encontrámos-lhe a pele, escondida na casa de Glória Afonso, uma das últimas depositárias da secular "gola" do lobo.

Jaime Afonso tem 38 anos e viu o primeiro lobo aos cinco. Foi ali perto de casa, andava no monte a guardar o rebanho quando o “bitcho bravo” – outro nome para o lobo nas terras transmontanas do Barroso, em Montalegre e Boticas – lhe atacou uma ovelha. Tentou gritar para o espantar mas a voz ficou presa na garganta. “Ele decerto viu-me primeiro. Dizia-se antigamente que se o lobo visse primeiro a pessoa, antes que esta o visse a ele, ele apanhava-lhe a fala. Foi o que me aconteceu.”

O feitiço não durou muito. Hoje consegue falar e sorrir enquanto se aconchega com a pele de um lobo ibérico (Canis lupus signatus) – pêlo impecável, mais comprido na zona do pescoço, entre o castanho amarelado, o cinzento mesclado e o negro – que o avô ou o bisavô, não sabe bem, matou antes de a lei o proibir. “O lobo real era assim”, diz Jaime, como que traçando a linha ténue entre a realidade e o mito, matéria de que são feitas as histórias milenares sobre a convivência entre o homem e o animal que muitos consideram demoníaco.

No meio dos bosques de pinhal, aveleiras e carvalhos primitivos da serra do Larouco, onde resiste uma das cerca de 60 alcateias existentes em Portugal, Jaime chegou a ver sete lobos “reais” juntos. A última vez foi há dois anos e “era um animal mesmo lindo”. “Ainda não foi há muitos dias que ouvi gargaliar [um coro de uivos, em dialecto barrosão], vinha ali daquele altinho”, e aponta para a montanha.


São quatro da tarde de um dia primaveril e o pastor tem o gado – três cabras, outros tantos cavalos e 17 vacas – guardado no cerco, em Virtelo. É um pequeno lugar encravado num vale, onde se chega por uma estrada estreita de terra batida. Fica a 40 minutos de Montalegre mas já no concelho vizinho de Boticas, e não tem mais do que três casas. Parece perdido no meio do nada – não há rede de telemóvel.


É ali que vive a mãe de Jaime, Glória Afonso, 61 anos, quase 40 passados na casa simples de pedra que herdou dos sogros. O portão de ferro à entrada dá acesso a uma zona de arrumos, à esquerda fica a cozinha onde berra a televisão e a lenha queima no fogão, as escadas à direita dão para os quartos. Em frente, o quinteiro, área central das casas transmontanas: é um pequeno pátio de pedra sem tecto, onde estão meia dúzia de galinhas e um galo, que antes partilhavam o espaço com os porcos.

Glória Afonso tem olhos cor de mel, a pele clara e marcada pelo tempo, o cabelo grisalho apanhado atrás e veste de preto porque já lhe morreu quase toda a gente. Resta-lhe a neta – “a minha estrelinha Lara” – o filho e a nora, que vivem na cidade. Os herdeiros serão os depositários dos tesouros que Glória guarda religiosamente e cuja origem desconhece. “Quando para aqui vim já cá estavam”.

Um dos tesouros é a gola do lobo, um pedaço da traqueia do animal, que lhe era retirada depois de morto e fumada. Para manter a cartilagem intacta, Glória guarda-a com um pau de madeira enfiado no interior, cortado à medida. Segundo uma tradição secular, a gola era utilizada para curar o “mau ar do lobo”, ou lobagueira, doença que só afecta os porcos. O mal pode ser transmitido pelos cães ou outros animais que tenham contacto com a saliva ou excrementos do lobo e depois bebam água nas pias dos suínos.

“Eles apareciam doentinhos, metiam o nariz nos buraquinhos das paredes e não queriam comer”, descreve a mulher. Foi a sogra que lhe ensinou a técnica: verte-se a água de um púcaro através da traqueia para outro recipiente e dá-se a beber aos porcos. Por magia, ou por outra coisa que Glória não sabe explicar, “eles saravam”.

Glória Afonso. Tarefa de passar a água
 pela gola do lobo era confiada às mulheres
Segundo as contas de Francisco Álvares, biólogo do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio) da Universidade do Porto, ainda deverão existir naquela região meia dúzia de golas. Chegaram a ser 40. “Apenas uma das golas em uso teve uma origem recente, tendo sido extraída de um lobo abatido ilegalmente em 2002”, afirma o investigador, que estuda o lobo ibérico há mais de 20 anos. Só que agora já quase ninguém tem porcos.

Glória só viu um lobo, em miúda, mas por várias vezes usou a gola para curar os seus animais e os das pessoas que vinham de fora pedir ajuda. A gola era o último recurso caso falhasse a mezinha de prevenção: quando o rebanho estava de regresso à aldeia, depois de ter tido contacto com um lobo na serra, deitava-se sal e cinza para o caminho, enquanto se rezava “vai-te lobagueira daqui, que andam a cinza e o sal atrás de ti”. Isto, um Pai-Nosso e uma Avé Maria.
  
Batalhas travadas na serra
A pele do lobo, que estendida à frente de Jaime o cobre da cabeça aos pés – qualquer coisa como 1,70 metros – é o outro tesouro da Dona Glória. Tem-na cuidadosamente dobrada dentro de um saco plástico transparente. “Já alguém a quis levar mas eu não deixo, é uma recordação”, conta, sentada nas escadas do quinteiro.

A pele ainda é do tempo em que nas serras do Gerês, Larouco e Barroso se faziam batidas aos ladrões do gado. Juntavam-se aldeias inteiras para os caçar nos fojos, armadilhas construídas em zonas de cumeada e formadas por dois longos muros de pedra (chegavam a ter um quilómetro), que convergem numa espécie de poço coberto por vegetação.

“As pessoas sabiam onde os lobos andavam, encaminhavam-nos para ali, faziam barulho para que os bichos não voltassem para trás e eles corriam na direcção do fojo, caindo no buraco” de onde já não conseguiam sair, explica Francisco Álvares. Só no concelho de Montalegre existem cerca de 40 fojos, estruturas conhecidas apenas no noroeste da Península Ibérica. A última batida deste género terá acontecido perto de 1950 e hoje os fojos integram percursos pedestres que atraem turistas à região.

A caça ao lobo foi proibida em 1988 para tentar travar a extinção da espécie mas as perseguições ilegais continuaram. Um relatório do Instituto Nacional de Conservação das Florestas (ICNF) dá conta de 64 lobos mortos entre 1999 e 2008 nos quatro núcleos populacionais existentes no país: Peneda/Gerês, Alvão/Padrela, Bragança e Sul do Douro. Destes 64, 21 foram atropelados, 11 foram alvo de armadilhas com laço, dez foram mortos a tiro, três morreram por envenenamento, dois por esgana e um por infecção.

No ano passado morreram pelo menos dois lobos em Montalegre, quatro no país, diz Francisco Álvares. Um censo de 2002 contabilizou 300 indivíduos, um número que já não deve corresponder à realidade. As notícias recentes de ataques dos lobos ao gado, sobretudo na zona a Sul do Douro e nos concelhos da Guarda e de Almeida, puxaram o assunto para a ordem do dia. O secretário de Estado da Conservação da Natureza anunciou recentemente que tem 57 milhões de euros até 2020 para investir na protecção dos rebanhos, com cães de gado, bem como na elaboração de um plano de acção e de um novo censo.
Os pastores são indemnizados pelos animais mortos
pelo lobo mas ninguém os recompensa
pelas crias pequenas que acabam por morrer

Nas aldeias de Montalegre é fácil encontrar quem julgue que há mais lobos na serra. Mas como há menos gado a pastar nos montes e há mais presas silvestres (corços, veados e javalis), ouve-se falar menos dos ataques. “No ano passado agarraram-me ali uma cabra, era nova, tinha dois anos”, diz António Dias Pires, que tem meia dúzia de animais em Castanheira de Chã, uma das 135 aldeias de Montalegre. A cabra tinha um cabrito pequeno, que não aguentou sem a mãe. O ICNF pagou-lhe o prejuízo pela morte da cabra, não pela morte da cria. 

Só em 2014, o instituto pagou pelo menos 28 mil euros em indemnizações aos pastores cujos rebanhos foram atacados por lobos. “Eles pagam”, mas há um “problema grave”, reclama António Dias Pires. Se o ataque ocorrer junto ao fim-de-semana, os técnicos do ICNF só vão na segunda-feira confirmar a morte. Os pastores queixam-se da ginástica que precisam de fazer para guardar o corpo no local onde o encontram. “Eu botava-lhe as pedras por cima, mas às vezes não há lá pedras, vou fazer o quê? Vou andar com as pedras às costas sem poder com elas?”, questiona, apoiado nas muletas.

Os lobos são oportunistas, alimentam-se do que está mais à mão, e é assim que entram na batalha com os homens. Foram as notícias sobre alcateias que dilaceram rebanhos nos montes e vales do chamado “Portugal profundo” que despertaram em Ricardo J. Rodrigues a vontade de saber mais sobre esta “guerra ancestral entre dois exércitos decadentes”. O autor, que é também jornalista da Notícias Magazine, passou os últimos dez anos “nas aldeias acossadas pelas alcateias a ouvir o resmungar dos velhos” e o resultado está em Malditos – histórias de homens e de lobos, lançado nesta quinta-feira em Montalegre.


O livro, publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, resume em quatro reportagens o conflito entre dois mundos em extinção, o dos pastores e o dos lobos, que se amam e se odeiam ao mesmo tempo. Porque “os ódios profundos só podem derivar de amores profundos, ou de um respeito muito antigo”. É como diz Jaime Afonso: “Eu gosto de ver o lobo, acho-o bonito. Agora quando ele ataca pela porta da gente…”

Malditos lê-se de uma penada. Fala de Urzeira, a loba errante e solitária que luta pela sobrevivência depois de um cativeiro forçado, mas acaba por morrer. Conta a história de Adrian, o menino de escola que perdeu o melhor amigo, um pónei, na boca do lobo. Retrata o combate que se trava numa aldeia perdida nos montes da Serra de São Macário, em São Pedro do Sul, onde o autor conversou com o “Mata-Lobos". E acaba com a história do lobo Trevo, salvo pela bravura e sabedoria de três crianças de 15, 13 e dez anos, às quais ensinaram na escola que o lobo está em extinção.

Biólogos estudam as alcateias através do rasto
deixado pelos lobos, como excrementos
O livro não o diz, mas Trevo acabou por morrer na Galiza, depois de atravessar a A52 perto de Verín. Causa da morte: traumatismo de origem desconhecida e hemorragias internas provavelmente causadas por atropelamento, segundo Francisco Álvares. Mas as crianças que o tentaram salvar ainda vivem na aldeia de Meixedo, onde residem apenas mais 70 adultos. Se ficarem por ali, talvez as histórias de guerra e de paz entre homens e lobos possam um dia ter um final feliz.

As jornalistas viajaram a convite da Fundação Francisco Manuel dos Santos

MARISA SOARES (Texto) e SIBILA LIND (Fotografia)
Jornal Público

Aldeias transmontanas estão cada vez mais desertas

A aldeia de São Jumil no concelho de Vinhais tem apenas 35 habitantes. Longe vão os tempos em que lá viviam mais de 200 pessoas.
A procura de uma vida melhor, levou os mais novos a abandonar a aldeia. Em São Jumil já não há crianças. A escola fechou há mais de 20 anos.


Estudo sobre o prestígio social dos professores motiva segunda edição de livro

A profissão de professor até tem prestígio na sociedade mas quando são os próprios docentes a auto-avaliar-se, os resultados são menos positivos. Esta é uma das principais conclusões de um estudo da autoria de Evangelina Bonifácio, directora da Calouste Gulbenkian - Residência para Estudantes, em Bragança, que motivou a segunda edição de um livro.
De acordo com 56 por cento dos inquiridos, a profissão tem prestígio mas, apenas 21,9 por cento dos professores que responderam ao questionário consideram que a sua profissão é valorizada socialmente. 
Apesar de tudo, a professora ficou satisfeita com os resultados desta investigação. “Acho que os professores portugueses trabalham em condições terríveis. Apesar de tudo fiquei satisfeita com os resultados, uma vez que, no geral, 64,3 por cento dos inquiridos reconhece o prestígio social da profissão”, referiu a investigadora. 
Além da imagem que o professor tem na sociedade, o estudo avalia também os desafios desta profissão. “Os desafios são muitos, passam pelo conhecimento, pelo acompanhar do conhecimento, pela criação de uma identidade forte, pelo saber trabalhar em equipa, que é muito importante, e pelos compromissos éticos e deontológicos da profissão”, sublinha a Evangelina Bonifácio. 
O estudo “Professores e Escolas-Imagem Social e Desafios da Profissão”, resulta de uma tese de mestrado, concluída pela docente em 2009, na Universidade de Salamanca. A primeira publicação foi em 2011. Uma vez esgotada, a “Edições Fénix” avançou agora com uma segunda edição do livro. 
Neste estudo, foi analisada uma amostra de 1200 pessoas, de várias localidades do país e várias profissões. 

Escrito por Brigantia