quinta-feira, 24 de março de 2016

Jovens filhas de emigrantes portugueses sentiram-se ameaçadas pela comunidade muçulmana em França

Depois dos ataques terroristas em Bruxelas, acentua-se a discussão sobre a abolição de fronteiras na Europa, o acolhimento e a inclusão de imigrantes, sobretudo muçulmanos, e o domínio que estes exercem sobre os cidadãos da cultura ocidental .
A Brigantia recorda o testemunho de três jovens filhas de emigrantes portuguesas em França, que há mais de 10 anos deixaram o país, devido às dificuldades que sentiam em conviver com as diferentes comunidades e culturas.
Em 2006, Liliana Morais e Cecília Moreira, de 18 anos, frequentavam o ensino secundário e Lara Morais, de 19 anos, tinha já ingressado no ensino superior, todas em Bragança. 
Em entrevista ao programa da Brigantia “Falar de Nós” partilhavam as diferenças que sentiram enquanto emigrantes, comparando com os seus pais e avós e davam conta de que a construção de bairros sociais para albergar imigrantes, onde se incluíam imigrantes muçulmanos, estava a contribuir para a sua exclusão em vez de promover a integração. “Quando oiço falar de França aos meus pais e ao meu avô, não tem nada a ver com a França de hoje. 
Alterou-se tudo. Já não é a mesma França que eles conheceram”, referiu uma das jovens. “Construíram bairros para os muçulmanos e eles não se integraram na vida social francesa. O próprio governo pô-los de parte e sentem-se rejeitados. Os próprios franceses, filhos de emigrantes, não se sentem franceses, porque estão à parte”, acrescentaram as jovens. Numa sociedade cada vez mais multicultural, as jovens davam conta das dificuldades de integração das minorias, em França, nomeadamente em Paris. 
Pelo facto de serem raparigas, diziam que também sentiram dificuldades pois tinham de pensar até na roupa que vestiam para ir para a escola ou atravessar os subúrbios, sentindo medo, sobretudo da comunidade muçulmana. 
Quando chegaram a Portugal, dizem que finalmente sentiram o que era a liberdade. “A vida em Portugal é completamente diferente. Há mais liberdade. Não tem comparação”, referiu uma das entrevistadas. 
As memórias do programa “Falar de nós”, conduzido por Teófilo Vaz e transmitido pela Brigantia em 2006. 
Dez anos depois, após a recolha destes testemunhos, a discussão sobre as diferenças entre a cultura muçulmana e a cultura ocidental ganha cada vez mais actualidade, numa Europa cada vez mais multicultural. 

Escrito por Brigantia

Sem comentários: