sábado, 5 de março de 2016

… quase poema… ou dos vermes

Ouvi-o durante longas noites… às vezes parecia que voava… perpassando a noite e os medos antigos… outras vezes caminhava em lugar incerto… de novo o bater de asas!… e a respiração se detinha no risco do silêncio.
… voava em lugar difuso!... acordava a noite e o menino de sua mãe!
- Mãe, tenho medo! É verdade que há almas penadas?!
- Não, meu filho! Não tenhas medo! Vai-te deitar! A mãe está aqui!
… sossegavam os medos… a mãe estava ali! E calava-se e máquina da costura da Candidinha costureira que tinha morrido de pneumónica!
… a mãe estava ali!
Hoje, pela manhã encontrei o verme. Morto, de pernas para o ar…inerte!
… e é sempre assim… os vermes assustam… criam medos… voam rente ao boato e à intriga… fazem o que só um verme pode fazer.
… depois morrem… e a verdade é límpida como o sol nascente no coração da serra.
… e os vermes ficam inertes… e a vida continua!
… felizmente!

Fernando Calado

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