quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Recenseamento das povoações de Trás-os-Montes em 1530. Vila de Outeiro

ATitulo da villa dOuteiro
A villa dOuteiro tem huu bõo castello, omde nam vive mais que o alcayde, e he do Duque de Bragança, com toda juridicam, direitos e remdas suas; vyvem na dita villa 62 moradores.
E nas aldeas do termo os seguintes: It. Em Samtulham, 112. – Carçam, 76. – Algosello. 84. – Pynello, 44. – val de Pena, 10 – Paradinha, 34 – Quintanilha, 16. – Veygas, 15. – Milham, 41. – Rio fryo, 59. – Paço, 43.
Soma por todos os moradores da dita vila e termo, 596. E da dita soma sã vyuvas 65; e da dita soma sam moças solteiras, que vyvem sobre sy, 17; e da dita soma sam clerygos, 11.
E este concelho e vila e seu termo he ? comprido, de hu cabo do termo ao outro, coatro legoas boas e ? largo hua; e parte e confina com os concelhos seguintes: Parte e confina com avilla do Vymioso, que he de hua villa á outra duas legoas. Parte e confina com a villa dAlgoso, que he de hua villa á outra coatro legoas. Parte mais e confina com a cidade de Bragança, que he da dita vila á dita cidade três legoas. Parte e confina mais com a villa de Bemnav?te, que he de hua villa á outra catorze legoas, a saber: ao estremo, duas, e doze a Bemnav?te; he senhor de Benav?te o Conde de Benav?te. Parte e confina mais com a villa dAlcaniças, que jaz nos ditos regnos de Castella e he de dom Francisco Amriqez, e he de hua villa á outra coatro legoas, a saber: ao estremo, hua; e do estremo Alcaniças, três, e quy se torna a juntar o termo desta villa com o do Vymioso.
A qual emformaçam eu esprivam tomey por fee de Francisco Pimintell e Affomso Pire, juízes, e Pero Rodriguez e Jorge Diaz, vereadores, e Pero Luis, procurador do concelho, e Antonio de Morais, tabeliam, e com dous hom?s de cada aldeã do termo, que todos jurarã ? os santos Avãgelhos ser verdade o aqui esprito. – Nicolau de Seixas o esprevy.

(Freire, 1909)
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Moáz - Vinhais

Foto: Alberto Martins
1641
Donativo eclesiástico da diocese mirandense para a Guerra da Aclamação (1640-1668).
Moas. — Francisco Rodrigues de Baldim (?) duzentos reis.
Vinhais. — João Feijo cura dos bairros de Vinhais quinhentos reis.
Rio de Fornos. — Francisco Fernandes Conde cura de (...) trezentos reis.
(Abade de Baçal, tomo IV)
1666
Rol do lançamento das décimas eclesiásticas da cidade de Bragança e sua Vigairaria deste ano de 1666 para o de 1667.
Melhe (cura) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 300
Milhão (cura) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 300
Moás (cura) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . 500
Mofreita (cura) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 350
(Abade de Baçal, tomo IV)
1758
Um aviso de 18 de Janeiro de 1758 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, fazia remeter, através dos principais prelados, e para todos os párocos do reino, os interrogatórios sobre as paróquias e povoações pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas, e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755. As respostas deveriam ser remetidas à Secretaria de Estado Negócios do Reino.

MOÁZ
Lugar de Moáz
Bento de Moraes, Cura em a freiguezia, de Santo ⎭ldefonso de Moás, e Santo Sebastiam de Armonis, e Sua anexa Ribeirinha. Certifico, em como por uia do ⎭lustrissimo Cabido de Miranda, recebi hum papel de interrogatorios, o que Sua Magestade fedelissima que Deos goarde me detremina lhe responda, aos ditos interrogatorios.
Moás, e Prouincia de tras os montes, Bispado de Miranda do Douro, Comarca de Miranda, termo de Uinhaes freiguezia Sobre SiDonatario deste termo he o Conde de Atouguia, e tambem do dito lugar Uezinhos tem uinte dois, pessoas Sesenta.
Está Situado este lugar em hum Cabeço Sómente tem huma rua que deuide o lugar huma metade fica para o nacente, e a outra para o poente.
Descobrem -se deste pouo; Sobreiro de baixo; Sobreiro de Cima; a quinta de Soutelo, a quinta de Castro; Aluaredos, tudo dentro de huma legoa?
O termo que tem este lugar he dos mesmos moradores, e nam comtem em Si o termo mais pouoaçõens. declaro que para a parte do nacente he do Cabido de Miranda.
A paroquia está fora do lugar mas muto uezinha, está a freiguezia deuidida em três partes, que bem a Ser Armonis, Moás, Ribeirinha. Armonis, tem onze muradores; pessoas quarenta e Seis, A ribeirinha, tem Cinco moradores, e pessoas uinte, e o termo della he de Senhorio que he do morgado Pedro ⎭oseph, de Ousilhaõ?
O orago de Moás, e Santo ⎭ldefonso, e tem no tempo prezente Sómente dois altares hum Coleteral, e outro na capella mor, e tem duas naues a igreia E a de Armonis, tem dois altares Coleterais, e o Altar mor, o Seu orago Sam Sebastiam, e tem a igreia duas naues, a de Santo ⎭ldefonso tem a ⎭rmandade da Senhora do Rozario, e a de Santo Sebastiam a irmandade do mesmo Santo. Na Ribeirinha Sómente a Capella de Sam ⎭orge Sómente com Altar e duasnaues?
O parocho he cura desta freiguezia dizendo a missa alternatiuamente num dia Santo em Moás, e outro em Armonis; tem em dinheiro Sete mil e quinhentos; uinte dois alqueires de trigo; e uinte de Centeio; dois almudes de Uinho; e he da prezentaçam do beneficio de Uinhais.
Os frutos destes pouos Sam em Moás a maior abundancia Centeio, Uinha, Castanhas, Cerei¡as? Os de Armonis ia Colhem azeite? Os da ribeirinha Sam mais abundantes, de Sobreiros do que de outras Aruores?
O ⎭uis he o da uintena, e está Sogeito ao ⎭uis ordinario da Uilla de Uinhais, e a Camera da dita uilla?
Dista desta freiguezia á Capital do Bispado, que é a Cidade de Miranda do Douro, Catorze legoas; e á capital do Reino Lisboa, oitenta legoas?
Aos mais interrogatorios que pertencem a primeira parte nam a Chei noticia alguma para responder aos interrogatorios da Segunda parte tambem naõ tenho que responder.
A terceira parte Sómente passa por este termo huma ribeira que lhe chamam o Rio de trutas, nace nas bardas do fundo da Coroa de humas fontes em pouca abundancia, a nam he Caudeloza e Corre todo o anno, e nam emtra nella rio algum, Se nam hé em dias de grandes cheias em qualquer parte Se passa; nos grandes emchentes de agoas Coazi tosa ella he arebatada, Corre de norte para nacente, Cria alguns peixes como Sam trutas, ate o termo de Moás, e algums escalos; e para Cima de Moás nam passam po[r] ter a ribeira no Sitio aonde chamam as adegas huma fraga de que fas Cachoeira donde nam podem passar para Cima.
Nam á nella pescarias.
Cultiuam as suas margens, e tem arboredos Siluestres Como Sam Amieiros?
As agoas [1] nam constam de uirtude alguma?
Sempre Conserua o mesmo nome?
Morre, no rio Tuela, aonde Se chama em ual da Silua entre ambas as agoas lemite de Ual de ianeiro?
As pontes Sómente Sam de pao e lhe chamam pontoes hum está em rio de fornos; outro no termo de Moás; e outro no termo dos Aluaredos; E outro no termo da Ribeirinha; tem moinhos, e hum pizam?
Nam consta que em tempo algum, nem agora Se achase ouro nas suas areas?
Uzam os Pouos, liuremente Sem penssam alguma, das suas Agoas para regar os prados?
Tem esta ribeira do nacente ate aonde morre, duas legoas E corre por a uezinhança do lugar de Trauanca, e Rio de Fornos, Moás, Aluaredos, Ribeirinha. E aos mais interrogatorios, que Se contem em o dito papel, que me foi emtregue, o que neste nam respondo, foi por nam achar coiza alguma de que possa dar noticia. E para que conste passei o prezente a que me reporto em- tudo e por tudo Ser o referido na uerdade Moáz e Abril.26.de 1758.
Bento, de Moraes.
1767
MoAZ Freguezia no Bifpado de Miranda, tem por Orago Santo Ildefonfo , o Pároco he Cura da aprefentaçáo do Abbade de Vinhaes , tem fete mil ç quinhentos reis de côngrua , e o que rende o pé de altar: difia de Lisboa oitenta léguas , e de Miranda quatorze, tem vinte e dous moradores.
(Portugal Sacro-profano)
1852
Moaz, F. T. Cm. de Bragança, Ce. de Vinhaes , 12 1. Miranda , 76 Lsb.
108 habitantes
(DICCIONARIO GEOGMPHICO)
1875
MOAZ—freguezia, Trás os Montes, comarca e concelho de Vinhaes, 70 kilometros de
Bragança, 453 ao N. de Lisboa.
Tinha em 1757, 22 fogos; actualmente tem 25 fogos.
Bispado e districto administrativo de Bragança.
O abbade de Vinhaes apresentava o cura, que tinha 7$500 réis de côngrua, e pé d'altar.
É a palavra árabe Mauâz; significa logar do aviso, da advertência, ou do conselhoNem
do verbo uaâza—avisar, aconselhar, ete.
Esta freguezia, foi supprimida por pequena, em 1810, e annexa á de Valle de Janeiro,
no mesmo concelho, comarca, bispado e districto administrativo.
(Portugal antigo)
1935
Notícia da descoberta, «entre as povoações de Carvalhal e a de Moás, no concelho de Vinhais», de «um bem conservado e interessante monumento arqueologico de origem celta, uma enorme mamoa». Daniel Rodrigues, seu descobridor, «deu conhecimento do facto ao arqueologo e investigador rev. Francisco Manuel Alves (…),
devendo estes dois bragançanos, com o comandante da guarnição militar de Bragança, sr. tenente-coronel António José Teixeira, e com o sr. Abel Monteiro, representante do nosso jornal, visitar, muito em breve, aquele local, para se colherem todos os elementos que tão importante descoberta pode trazer para o estudo arqueologico da região»;

«Terras de Bragança», 1935
Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

A Fonte dos Vilarelhos

Na fonte dos Vilarelhos, termo de Alfândega da Fé, vive uma linda moura em guarda de valiosíssimo tesouro. Um homem a quem apareceu soube-lhe falar e ela prontificou-se a dar-lhe seis vinténs diários, tanto disse bastar-lhe para seu governo sem necessidade de trabalhar, se lá fosse todos os dias ao dar da meia noite.
Na verdade, o homem não era peco, e todos os dias, à hora aprazada, encontrava junto à fonte, debaixo de uma pedra, a luzente moeda de prata. Os vizinhos admiravam-se, porque, sendo pobre, vivia à tripa-forra sem trabalhar. Os antigos camaradas de geira chamavam-no ao passar junto da sua porta para o serviço, mas ele dizia sempre que não ia. Por último, aborrecido com a impertinência da chamada, retorquiu escarnecedor e soberbo:

– Que não ia trabalhar,
Nem de trabalhar precisaria,
Enquanto a Fonte de Vilarelhos
Lhe desse seis vinténs por dia.

Na noite seguinte voltou à fonte, mas a moeda não estava e nunca mais a viu.

Fonte: ALVES, Francisco M. – Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, vol. IX, Porto, 1934, p. 451.

O Castelo da Marruça

No sítio chamado Marruça, também dito Castelo de Marruça [em Parada, concelho de Alfândega da Fé], há restos de fortificações, muros, fossos, etc., que dizem ser dos mouros. Perto fica a Fraga do Crato, metida em espesso carrascal, interessante por apresentar a forma de capela e por o povo lhe ligar a lenda de tesouros encantados.
No Castelo da Marruça aproveitaram os rochedos para defesa, completando a parte onde faltavam por muros.
É quase inacessível, a não ser por um lado, no qual reforçaram o sistema defensivo por outro muro um pouco afastado do recinto e por uma larga faixa de pedras de mais de metro, enterradas com a ponta aguçada para cima.

Fonte: ALVES, Francisco M. – Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, vol. IX, Porto, 1934, p. 149.

Os cavaleiros das esporas douradas

Tendo os mouros uma fortaleza no monte do Carrascal, próximo da vila de Chacim, saíram de Alfândega da Fé 25 cavaleiros de esporas douradas, que ajudando os de Chacim e de Castro Vicente, desbarataram os mouros, obrando tais actos de bravura que obtiveram para a sua terra, que se chamava somente Alfândega, o sobrenome que tem.
Diz-se que o alcaide mouro do Carrascal, ufano com o seu castelo, impunha aos circunvizinhos os tributos que queria, exigindo até tributo de donzelas para o seu harém. Pedindo esse tributo aos cristãos de Castro Vicente, estes pediram socorro aos desta vila [Alfândega da Fé], que, tomando as armas, atacaram o castelo com grande intrepidez, tomando-o, matando o alcaide e livrando o país deste malvado.

Fonte: LEAL, Pinho – Portugal Antigo e Moderno, vol. 2, Lisboa,
Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, 1873, p. 114.

Bombos encheram as ruas de Mirandela

Autarcas do Douro unidos em defesa intransigente da linha do Douro

 Os 19 autarcas do Douro uniram-se hoje em defesa intransigente da linha do Douro, para onde reivindicaram um serviço público de qualidade e denunciaram "o desinvestimento" a que tem sido sujeita ao longo dos anos.
"E o que decidimos foi, mais uma vez, levantar a nossa voz em defesa da linha do Douro e de um serviço público ferroviário de qualidade nesta linha e dirigi-la ao Governo, à CP bem como às Infraestruturas de Portugal", afirmou aos jornalistas Francisco Lopes, presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro).

Esta tomada de posição unânime foi tomada durante a reunião ordinária da CIM Douro que decorreu hoje, em Murça, distrito de Vila Real, e depois das muitas críticas lançadas nas últimas semanas ao serviço prestado pela transportadora na linha do Douro.

Operadoras fluviais, turistas, clientes regulares e autarquias locais alertaram para a supressão de ligações, para as carruagens apinhadas e as avarias no ar condicionado.

Francisco Lopes, que é também presidente da Câmara de Lamego, esclareceu que a CIM vai remeter uma exposição ao Governo, à administração da CP e à Infraestruturas de Portugal, "fazendo uma defesa intransigente da infraestrutura ferroviária da linha do Douro e da qualidade de serviço".

Salientou ainda que os autarcas estão preocupados "com a desqualificação a que tem sido sujeita toda a linha do Douro ao longo dos anos", desde a própria infraestrutura, as estações e a redução de material circulante.

Material que, sublinhou, tem sido alterado para "níveis que não são compatíveis quer com a procura diária, quer com uma procura crescente a nível turístico".

"Receamos muito que este desinvestimento que tem vindo a ser feito conduza a linha do Douro e o serviço ferroviário no Douro a um nível de desqualificação tão grande que justifique medidas gravosos como as que já foram tomadas em outros pontos do território, inclusive no Douro, com o encerramento a montante do Pocinho. E essa é uma situação absolutamente inaceitável para os autarcas da CIM", frisou.

Francisco Lopes disse ainda que a eletrificação da via "é prioritária".

"Entendemos que é altura de ser encarada já que, pela primeira vez, há fundos comunitários e uma prioridade de investimento na ferrovia em Portugal que nunca houve em quadros comunitários anteriores", salientou.

O vice-presidente da Câmara de Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, lembrou que "já há muito tempo" que o seu município alerta a CP para "a diminuição da qualidade do serviço".

"A CP tem que olhar para esta linha como uma linha estratégica e não só até à Régua, para lá da Régua e transversal a toda a região", frisou.

José Manuel Gonçalves defendeu a modernização da linha até ao Pocinho, mas também a aposta da ligação a Espanha, reativando o troço até Barca de Alva", uma proposta colocado na agenda do Eixo Atlântico em 2007.

"Era mais uma autoestrada que tínhamos para ligar o interior", salientou.

A CP já reconheceu que está a ter dificuldades em responder "aos crescimentos brutais" da procura na linha do Douro porque "a capacidade não é ilimitada" e adiantou que está a tentar encontrar soluções com a tutela.

Segundo os dados da transportadora, no mês de junho, na linha do Douro, o transporte de grupos aumentou 73%, o que corresponde a mais 8.314 viagens realizadas, num total de 19.629 passageiros transportados em grupos nesse mês.

PLI // MSP
Lusa/Fim

Aldeias do Norte do país estão aderir à iluminação LED

No norte do país as aldeias estão a apostar na troca da iluminação pública tradicional por leds.
Depois do concelho de Bragança, a novidade chegou agora a Alfandega da Fé, mais concretamente a aldeia de Sambade. A nova tecnologia permite uma grande poupança energética e é mais amiga do ambiente.

ULS Nordeste entre as melhores do país em consulta externa

A Unidade Local de Saúde do Nordeste está em 4º lugar, a nível nacional, no que toca à percentagem da realização de primeiras consultas externas. À frente só a ULS da Guarda, Castelo Branco e do Litoral Alentejo.
No grupo onde ficou inserida para avaliação, ficou acima da média, com 37,8%, ao passo que a média do grupo ficou nos 33,6%.

Já na realização das consultas externas seguintes, a ULS Nordeste está em segundo lugar.

No que toca às consultas externas com alta clínica, a Unidade Local de Saúde também está acima da média nacional, com uma percentagem de 17,6%, destacando-se assim da média de 13,3% do grupo de avaliação onde foi inserida. Vale o segundo lugar a nível nacional.

Dados divulgados na passada sexta-feira pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) – indicadores de qualidade de acesso, no primeiro semestre deste ano, no período entre janeiro e junho.

Escrito por ONDA LIVRE

Em Tempo de Máquinas ainda há Animais que trabalham

Tenho reparado, no nosso programa de rádio, que há pessoas novamente a recorrer à tracção animal para fazer os pequenos trabalhos agrícolas na sua horta, aquilo a que nós chamamos “escritório”. Quando alguém anuncia na rádio que quer vender uma burra, mula ou macho que estão prontos para trabalhar a terra, aparece logo gente interessada em comprar, porque, na “nossa família” nada anunciado passa ao acaso. Por isso mesmo, vou apresentar-vos a Associação Portuguesa de Tracção Animal.
“A Associação Portuguesa de Tracção Animal, enquanto entidade de carácter educativo, técnico e científico, tem como principais objectivos investigar, salvaguardar e dar a conhecer o património nacional relativo à tracção animal, em todas as suas vertentes, assim como promover, valorizar e divulgar novas formas de utilização, numa perspectiva moderna e actual, incorporando e adaptando novos conhecimentos.
Constitui, igualmente, objectivo essencial, o fomento de modelos de desenvolvimento sustentáveis com a promoção de práticas culturais compatíveis com a preservação da agrobiodiversidade, a conservação do solo, assim como a inclusão do conceito de tracção animal moderna numa estratégia lógica de desenvolvimento rural.
Para a realização dos seus objectivos, à Associação Portuguesa de Tracção Animal compete-lhe promover e apoiar a realização de estudos científicos, cursos, congressos, conferências e outras actividades afins, formações de âmbito académico e profissional, reuniões de trabalho, exposições, prémios, bolsas de estudo e publicações periódicas. Adicionalmente, desenvolver e intensificar relações de cooperação entre indivíduos e entidades nacionais e internacionais com interesse comum, promovendo o intercâmbio de conhecimento e experiências, assim como informar e sensibilizar a comunidade científica e a opinião pública, promovendo a sua aproximação aos objectivos da Associação”.
É assim que esta associação se apresenta. Espero que este contributo tenha sido útil para vós.
Falemos agora de outras coisas que por estes dias preocupam a nossa família.
“Somos nós, já chegámos, correu tudo bem, graças a Deus!” Este é o telefonema esperado por aqueles que têm agora a casa vazia e estão de coraçao nas mãos com o regresso dos emigrantes ao país onde trabalham todo o ano. Que a Nossa Senhora da Boa Viagem e São Cristovão os acompanhe na viagem, para todos escutarem esse telefonema. O Verão tem sido tórrido e abrasador, diz o nosso povo que, pelas novenas da Nossa Senhora da Serra, o frio aparece, mas as previsões do tempo não são essas. Ainda que na madrugada de quinta-feira, 25 de Agosto, tivéssemos tido direito a uma rega automática vinda do Céu. Foi pouca, mas foi melhor que coisa nenhuma! Neste mês de Agosto tivémos 35 apresentações para a nossa família. Mas na última semana, Deus chamou mais dois elementos, a Tia Especiosa de Sortes e o Tio Augusto de Bragança. Paz às suas almas e os sentimentos às famílias enlutadas.

Página do Tio João
in:jornalnordeste.com

Agricultores e ambientalistas preocupados com suspensão do sistema de recolha de cadáveres de animais

O anúncio da  suspensão do serviço de recolha oficial de cadáveres de animais no âmbito do SIRCA -  Sistema de Recolha de Cadáveres de Animais Mortos na Exploração,  está a causar transtornos e é um motivo de preocupação para os agricultores e ambientalistas.
A (DGAV) emitiu um aviso, dando conta da suspensão do serviço oficial desta recolha, com efeitos a partir do passado dia 26 de Agosto. A Confederação Nacional dos Agricultores (CNA) lembra que “este sistema, que vigora há mais de uma década, é uma imposição da União Europeia e é custeado, em parte, por uma taxa específica no abate nos matadouros”, não sendo, por isso, legítimo que os produtores de animais e agricultores sejam penalizados com custos adicionais, inerentes à regulamentação aplicável à eliminação de cadáveres de animais, como explica João Dinis,  da CNA.

Por sua vez, Samuel Infante, coordenador do grupo de trabalho da Biodiversidade da Quercus explica que esta associação ambientalista tem vindo a defender “um sistema mais eficaz e que proteja a biodiversidade”, tendo alertado o governo para a “necessidade de ser revista a aplicação do sistema vigente.

A Quercus pede especial atenção para as zonas fronteiriças e de montanha, onde as aves necrófagas (abutres e águias) ocorrem com maior frequência”, salientando ainda a importância de garantir a alimentação do lobo-ibérico. Já a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária esclareceu num documento enviado à Brigantia que “os criadores podem continuar a encaminhar os cadáveres dos seus animais, para serem eliminados pela via habitual, através dos serviços do consórcio de empresas que assegura esse serviço, mas o encargo será suportado» pelo proprietário da exploração pecuária”.

De acordo com a DGAV, no caso em que os criadores não possam assumir os custos, “podem ser utilizadas soluções alternativas», como incineração, enterramento, queima e biodigestão, desde que “estejam devidamente salvaguardados todos os impactos sanitários e ambientais”. 

Escrito por Brigantia
Sara Geraldes

Chef transmontano Manuel Bóia entende que se deve apostar na promoção dos produtos na região

O chef de cozinha Manuel Bóia, natural de Santulhão, no concelho de Vimioso, considera que tem havido uma boa promoção dos produtos e da gastronomia transmontanos, mas defende que se devem arranjar estratégias para atrair mais pessoas a conhecê-los na região.
Manuel Bóia, de 33 anos, trabalha há três no “Bica do Sapato”, em Lisboa, um conceituado restaurante onde é chef executivo.

O cozinheiro sente que há cada vez mais promoção da iguarias transmontanas em outros locais do país, mas sugere que falta atrair as pessoas à região para que possam in loco conhecer e apreciar a gastronomia.

“Acho que não deve ser o produto a ir lá, mas sim tentar arranjar a melhor forma de conseguir cativar as pessoas a virem conhecer o Norte, porque não é só a gastronomia que é boa, mas as paisagens, um bom clima, um bom acolhimento. Os que vêm voltam sempre”, sustenta.

O chef Manuel Bóia, natural de Santulhão, que já passou pelas cozinhas do Pestana Alvor, no Algarve, do Grand Real Villa Italia, em Cascais, e do 100 Maneiras, em Lisboa garante que as raízes transmontanas têm influência nos seus cozinhados e reflectem-se por vezes na ementa do restaurante.

“De uma certa forma, sempre tendemos um bocado para as nossas memórias de infância e para a nossa cozinha portuguesa. Há alguns pratos típicos daqui, mas uso mais ingredientes, como batata, nabiça, legumes. Acho que nesta altura não tenho nada que identifique a minha zona, porque a alimentação daqui é muito mais pesada e nesta altura são procurados pratos mais leves. Mas já aconteceu ter feijão de casca, pernil de porco, que é muito típico nosso, butelo ou entrecosto assado, como nós fazemos aqui”, adianta.

A entrevista com o chef Manuel Bóia pode ser ouvida na íntegra na rádio Brigantia depois do noticiário das 17h ou ler na edição desta semana do Jornal Nordeste. 

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

"Rural Art" é a nova atracção de Pinela

A aldeia de Pinela, no concelho de Bragança tem agora uma nova atracção artística. Trata-se de uma pintura, em jeito de graffiti que decora a parede interior de uma antiga paragem de autocarros, vulgarmente chamada de “abrigo".
“Rural Art” é assim que o presidente da Junta de Freguesia de Pinela, Alex Rodrigues, apelida a mais recente obra de arte da aldeia. “A nossa ideia inicialmente foi recuperar o abrigo que se encontrava em muito mau estado. Pedimos apoio ao Município de Bragança que nos  facultou os materiais necessários para o reconstruir. Entretanto, quando se realizou o Festival Street Art em Bragança, surgiu a ideia de fazermos algo idêntico no meio rural”, contou o autarca.

O artista convidado foi Ricardo Dobrões. O jovem, natural do concelho de Vila Flor,  representou alguns dos ícones tradicionais da aldeia., como as ruínas daquilo que se acredita ter sido um castelo ou as peças de cerâmica características da aldeia.  

A Junta de Freguesia de Pinela acredita que esta é uma boa forma de divulgar a freguesia já que têm sido muitas as pessoas que aproveitam para tirar uma fotografia ou “selfie” com este cenário artístico.

Escrito por Brigantia
Sara Geraldes

Dão em troca os monges de Avelãs ao procurador de El Rei a aldeia de Outeiro de Moas e recebem as de Gostei e Castanheira


«Dom Diniz pela graça de Deos Rey de Portugal e do Algarve. A quantos esta carta virem faço saber que eu recebi hua carta d’Affonso Rodrigues e do abbade e convento do moesteyro de Castro d’Avelãas, da qual o theor he tal:
“Conhoscão quantos esta carta virem que eu Affonso Rodrigues procurador d’El Rey em terra de Bragança e de Miranda faço tal cambo com frei Paayo abbade do moesteyro de Crasto d’Avelãas e com o convento desse lugar em nome do dito senhor que elles se partem e dem a nosso senhor El Rey a aldea que chamão Outer de Moas a qual aldea jaz a pee do Outeiro de Miranda como parte com Ulgossello e com Paaço e com Paredina da outra salvo que retem para si a igreja com saas dizimos e o cazal em que ora mora Lopo Fernandez com sas casas e com sas terras as quaaes ora ha o dito cazal; e eu sobredito Affonso Rodrigues por esta camba lhes dou em nome do dito senhor as aldeas que hão nome Gostey e Castanheyra as quaaes aldeas partem com odito moesteyro de h~ua parte e com Filmir e com Nogueira da outra e com Izei outrosi com todalas terras que nosso senhor El Rey ha e de direito deve haver nas ditas aldeas; e por esto seer mais firme, e que [de]pois non possa vir em duvida da huma parte nem da outra nos de suso ditos Affonso Rodrigues e abbade e convento seellamos esta carta de nossos seellos e nos sobredito convento porque sello proprio non havemos rogamos ao dito abbade que seellasse esta carta no seu nome e no nosso.
Dante em Bragança quatorze dias andados d’Agosto era de mil e tresentos e vinte e oito annos”.
E eu Rey suso dito outorgo e dou por firme e por estavel todas estas cousas e mandei ende fazer duas cartas hua que eu tevesse em testemunho e a outra esse abbade e convento a outra.
Dante em Lisboa quatorze dias de Septembro. El Rey o mandou. Duram Pires a fez era de mil trezentos e vinte e oito annos».

(Doações e Privilégios, etc., fl. 5 v. e 70.)
Memórias Arqueológicas-Históricas do Distrito de Bragança

É rejeitada a pretensão dos moradores de Outeiro que pretendiam fosse elevada à categoria de vila a sua povoação e cercada (de muralhas)

«Joham Aires vassalo d’El Rey corregedor por ele e veedor das sas justicas Aaquem dos montes. 
A todalas justiças da dita comarca que esta carta virdes faço saber que os moradores d’Outeyro de Miranda me mostrarom dhuas cartas de nosso senhor El Rey scritas em papel e seelladas do seu seello redondo nas quaees era conteudo que os ditos moradores pediam ao dito senhor Rey que mandasse cercar e fazer vila cercada no dito logo d’Outeyropor que deziam que era seu serviço e prol da dita comarca e por esto lhe pedyam por merce que lhes mandasse quitar o forro que lhy avyam a dar os moradores ao dito senhor; sobre a qual razom mandou a mym o dito senhor as ditas cartas que visse se era seu serviço e a se fazer cerca em no dito logo e se visse que era seu serviço que mandasse aos ditos moradores que a fezessem elhy desse termho agressado das vilas e comarca d’aredor e lhes quitasse do foro que lhy (...) hum ano tinham a dar como visse (...) perante my os ditos moradores me pedirom (...) como em ellas era conteudo; e eu veendo as ditas cartas e o que me (...) sobre ditos era pedido por que athe que se a cerca fezesse no dito logo que seria por (?) dos concelhos da vila de Bragança e de Miranda mandey aos ditos moradores que citassem os ditos concelhos que por seus procuradores parecessem perante my para mostrar se avyam algumas razões a embargar a se non fazer a dita cerca em no dito logo d’Outeiro e a lhy non darem termho das aldeas que aas ditas bilas pertencem; e ao dia que lhes foy assynado a que parecessem perante mym parecerom Domingo Fagundes procurador dos ditos moradores d’Outeiro da huma parte e Joham Macia procurador do dito concelho de Miranda e Vaasco Pirez procurador do concelho de Bragança da outra; e eu fiz perguntar aos procuradores dos ditos concelhos se avyam alguas razões e enbargar aquello que pellos ditos moradores d’Outeyro erra pedido e nas ditas cartas erra conteudo e os ditos procuradores dos ditos concelhos disserom que as ditas forom ganhadas calada a verdade e como non devya; e que porem vierom com suas razooens a enbargar a se non fazer a dita cerca nem lhy dar o dito termho em perjuizo dos ditos concelhos cuja erra a dita comarca d’Outeyro; e logo o procurador dos ditos moradores disse que el non queria hordenhar outro feito nem processo com os procuradores dos ditos concelhos mais que eu visse as ditas cartas e o que me El Rey sobre ello mandava fazer e as comprisse como em ellas era conteudo; e eu veendo o que assy era dito por cada huma das partes e em como o sobre dito procurador dos ditos moradores non queria hir pelo dito feito adiante e vista outrossy huma carta do dito senhor Rey que a mym sobre ello veo depois que me as ditas cartas forom mostradas na qual erra conteudo que eu non mandasse fazer a dita cerca en no dito logo nem lhes desse termho nem lhes quitasse do foro pois entendya que non era seu serviço; e porem eu visto o dito feito e consirando o serviço d’El Rey porem em minha sentença julguey que se non faça cerca en no dito (...) termho em prejuizo dos ditos concelhos de Bragança e de Miranda (...) da qual sentença o procurador dos moradores non apellou nem agravou; e os procuradores dos ditos concelhos me pediram que lhy mandasse dar senhas cartas testemunhaveis por guarda do sobre dito seeladas do seello d’El Rey que perante my anda e eu lhas mandey dar; esta he a do.

Memórias Arqueológicas-Históricas do Distrito de Bragança

Grijó de Parada, Outeiro e Rio Frio de Outeiro

A 7 de Junho de 1903, um domingo, teve lugar em Paçó de Outeiro a representação de O Bastardo de Castela, a que assistiram, além de outros indivíduos, muitos moradores das acima ditas povoações. 
Ao terminar a representação, e já quando iam debandando para suas casas, os de Grijó começaram a lançar pedras; de repente generaliza-se o conflito: chovem as pedras e as balas dos tiros, e o número dos feridos cresce espantosamente,ficando logo morto um homem de Grijó.

(424) O Nordeste de 10 de Junho de 1903.
Memórias Arqueológicas-Históricas do Distrito de Bragança

Vila Nova

No termo de Vila Nova, concelho de Bragança, um quilómetro a sul daquela povoação, e quatro da cidade, nos locais chamados Devesa e Lombeiro Branco distantes entre si quilómetro e meio, há ruínas de povoados romanos, a julgar pelos objectos neles encontrados, tais como: muros, telhas, tijolos, cerâmica, lousas furadas, mós manuárias, pregos de pedra e de tijolo, moedas de cobre, uma das quais do imperador Tibério. Fica neste sítio a Cova do Tesouro, assim chamada por nela se terem encontrado muitas moedas de ouro, conforme diz o povo.
Segundo a tradição corrente em Vila Nova, essas ruínas eram chamadas antigamente «A quinta da Nogueirinha», e lá vive uma moura encantada, que alguém já viu transformada em cabra dourada. Supõem alguns escritores que a antiga Brigância está situada nestas ruínas e como o S. Jorge, que se venera na capela de S. Sebastião em Bragança, ia todos os anos no dia 23 de Abril, montado em cavalo branco, vestido de general, lança em riste, apajeado por um piquete de cavalaria com a respectiva música de clarins, acompanhado de muito povo e rapazio, em procissão custeada pela Câmara Municipal de Bragança, assistir a uma missa cantada na sua capela de Vila Nova, situada em frente das ruínas atrás descritas, não entrando na capela, porque, se lá entrasse, não podia sair, e sendo guardada no adro pelos moradores de Vila Nova, a fim da evitar que fugisse para as ruínas, pois da mesma forma lá ficaria, entende-se que tal usança representa a cristianização do culto pagão pela capela e por S. Jorge, levado para Bragança após o despovoamento do vicus ou pagus correspondente às actuais ruínas com obrigação, moral pelo menos, de o conduzirem á anualmente a visitá-las, a passar-lhes revista.
O facto de o guardarem para que não fugisse para as ruínas equivale à lenda concernente a vários outros santos e santas, já memorados nestas páginas, os quais, transportados para as igrejas dos povoados, fugiam de noite para as suas capelazinhas dos castros ou de locais assinalados por vestígios de civilizações arcaicas. É natural que nesta cristianização a igreja procurasse no seu calendário um santo de virtudes ou predicados correspondentes ao deus pagão que ia substituir, herdando-lhas mesmo muitas vezes na liturgia e conceito popular. Possivelmente, aqui em Vila Nova o fanum, sacellum ou loca sacra seria dedicado a algum deus mavórtico, e o povo, sem preocupações teológicas de maior, ficou sempre adscrito a um culto guerreiro, sem ligar grande importância ao protagonista, quer ele se chamasse Marte, Apolo, vencedor da serpente Pythoni, Perseu, do monstro que atacava Andrómeda, Hércules, das suas famosas empresas guerreiras, quer S. Jorge ou o arcanjo S. Miguel, exterminador da serpente infernal. O culto é que valia: o nome era coisa secundária.
Uma moeda de cobre romana, encontrada nas ruínas da Devesa da Vila Nova, próximo a Bragança. No mesmo local apareceu cerâmica romana e mais outra moeda romana do imperador Tibério.

(Abade de Baçal, tomo IX)

Praça da Sé com Gente...sem ser Dia de "Festa"

terça-feira, 30 de agosto de 2016

O ÚLTIMO ENFORCADO EM BRAGANÇA

JORGE (José), como é mais conhecido, ou José Jorge de Figueiredo, como se vê numa carta que adiante se reproduz – Natural de Maçainhas, concelho de Belmonte, distrito de Castelo Branco; filho de Manuel Jorge de Figueiredo.
Fez parte da Divisão Auxiliar à Espanha e depois ficou pertencendo ao batalhão de caçadores n.° 3 em Bragança. Desertando por uma falta leve do serviço militar, viveu no Alentejo do produto do seu trabalho de campo.
Ultimamente, estando a servir em casa de José Rebelo em Vila Boim, próximo de Elvas, este, desconfiando que Jorge mantinha relações ilícitas com uma pessoa de sua família, levou-o enganado a casa do administrador ou regedor da vila, mandando, entretanto, a um seu amigo que juntasse gente e o prendesse. Jorge, vendo a atitude do povo e receando que o quisessem
prender como desertor, deitou a fugir, ao mesmo tempo que Rebelo gritava sobre ele: «Agarra esse homem, que é o José da Gama», indivíduo a quem aquele povo imputava vários crimes como guerrilheiro.
Foi preso e testemunhas falsas, angariadas pelo Rebelo, acusaram-no de grandes crimes, como a fuga dos presos da cadeia de Almeida e outros, pelo que foi condenado à morte na forca e executado no campo de Santo António de Bragança, vulgarmente chamado Toural, a 3 de Abril de 1843. Talvez devesse ser executado na terra da sua naturalidade ou onde se dizia cometera os crimes, mas para que o facto tivesse menos eco, a pretexto de que fora soldado do batalhão de Bragança, aqui veio ser justiçado.
O povo de Bragança e arredores até bem longínquos tem este justiçado como vítima inocente da malvadez humana e venera-o como santo e mártir, depositando na sua sepultura cera, azeite, dinheiro e outras dádivas, em cumprimento de votos e petições cujo bom despacho atribui à intercessão deste padecente. Com o produto destas esmolas já se lhe erigiu no cemitério público uma capelazinha sobre o local que se julga ser a sua
sepultura, fazendo-se-lhe muitos sufrágios no aniversário da sua morte.
Nesta capela arde permanentemente uma lâmpada e, além de muitas esmolas, há viçosas flores carinhosamente renovadas. A autoridade eclesiástica ainda não se pronunciou sobre este facto, pelo que nada podemos dizer sobre ele; no entanto informaremos que gente muito ilustrada, além da do povo, sente unanimemente sobre a santidade do malogrado José Jorge.
Esta crença geral, que poderia ter sua razão de ser como protesto contra as prepotências dos grandes e natural sentimentalismo pelos oprimidos logo em seguida ao facto, mal se explica hoje, passados oitenta e seis anos, espaço longo de mais para um povo impressionável como o nosso, mas que esquece facilmente essas impressões, persistir no mesmo pensar, a não haver um quid venerável que o justifique. Demais, a 19 de Setembro de 1845 foi enforcado em Chaves José Maria, por alcunha o Calças, natural de Faiões, junto a essa vila; pois a memória deste homem, o último justiçado civil no norte de Portugal, desapareceu com as suas cinzas, bem como a de Francisco Mendes, de Carção, de quem falamos adiante. Este facto, dada a proximidade de Chaves e Bragança e afinidade étnica entre um e outro povo, depõe grandemente sobre os méritos de José Jorge.
No «Livro dos óbitos da freguesia de Santa Maria da cidade de Bragança» há os seguintes trechos que lhe dizem respeito:
«José Jorge de Figueiredo, filho de Manuel Jorge de Figueiredo, natural de Maçainhas de Belmonte do concelho da Guarda, soldado que foi de caçadores n.° 3.Morreu na forca no campo de Santo Antonio desta cidade depois de ter recebido todos os sacramentos espirituaes no dia 3 de abril de 1843, tendo feito hua carta que escreveu Luís Teixeira capellão do dito corpo na qual pede a seu pae e mais vezinhos perdão das offensas e lhe roga que elle deixa tudo a seus sobrinhos, no caso de elle ser morto assim como lhe digão por sua alma seis Missas, e que repartam hua moeda pellos pobres mais necessitados do lugar.
Em ultimo lugar e já no cimo do Pativolo depois de ter feito hua exhortação moral a seus camaradas e a todo o povo a quem declarou a sua innocencia, entregou o papel ao capellão de São Bento, o Reverendo Manuel Annes, que contem o seguinte conforme se acha escrito no Periodico dos Pobres do Porto d’este anno n.° 94: “José Jorge de Figueiredo padecente que estou para ser enforcado em onra do meu porte melitar e cevil, tenho a declarar o seguinte: Digo não sei a razão porque fui exauturado das honras melitares tendo eu sido soldado fiel desde que assentei praça; andei no Exercito de Espanha athé que tive hua simples desserção que pratiquei por temer o castigo de certa cousa leve que me impotarão, e tendo depois como dessertor procurado viver por casa de patrões no Alemtejo, sustentando-me do meu jornal de travalhador de campo fui exautorado das ditas honras tendo outros cometido varias deserções rouvos e asacinos, morrem como melitares e não como paisanos, como aconteceo á pouco em Chaves.
Em onra do meu porte cevil e religioso, confesso que sempre fui temente a Deus e ás Justiças d’este mundo, e que a morte que me impõem só ma podiam empor por eu andar a servir quando desertor em Villaboim ó pé de Elvas, em casa de José Rebelo, que tendo este desconfianças de que eu tinha amizade illicita com familia de sua casa me levou enganado a casa do Regedor da dita Villa ou Administrador e nontanto mandou outro seu amigo a convidar gente para me prenderem e eu que vi tal gente, desconfiando que quizessem prender-me por desertor cuidei em fugir e logo então o dito Rebello gritou: agarrem esse que é o José da Gama homem a quemaquelle povo impotava varios crimes como guerrilheiro e assim fui eu prezo dizendo que era o tal Gama e logo tratou o dito Rebello de me imputar grandes crimes: como a fuga dos presos d’Almeida etc. etc. mas infelizmente só pode arranjar testemunhas falsas que me impuzessem a morte porque vou padecer innocentemente, mas o meu sangue um dia pedirá justiça no devino tribunal visto que pelos homens sou tão barbaramente condemnado e por isso perdoo a todos os que esta me tramarão para que Deus me perdoe a mim e agradeço a todo o povo de Bragança a parte do sentimento que toma na minha morte, que só Deus lh’o gratifica; e espero das auctoridades que esta minha confissão a façam publica. Campo de Santo Antonio 3 d’Abril de 1843. José Jorge”.
E não continha mais. E para constar me assigno dia, mez era ut supra.
O Prior, Innocencio Antonio de Miranda»
Segue a cópia da carta que José Jorge dirigiu ao pai e que foi escrita pelo então capelão do batalhão de caçadores n.° 3, reverendo Luís Teixeira (está no mesmo «Livro dos óbitos» da citada igreja de Santa Maria de Bragança):
«Meu querido Pai. Saude e venturas é o que lhe desejo i a toda a nossa familia a quem muito me recommendo.
Meu Pai. No fim de todos os meus trabalhos estou reduzido á ultima mizeria, em summa chigou a confirmação da minha sentença dia tres deste, vou padecer e espiar a culpa dos meus crimes a unica coiza que lhe peso he que logo que esta receba se lembre da minha alma.
A saber no caso de meu Pai ser morto deixo tudo o que me pertence a meus sobrinhos para que encommendem a minha alma a Deus e hua moeda de ouro para ser repartida aos pobres mais necessitados do logar i seis missas por minha alma i peço-lhe que me perdoem pello amor de Deus i a meus yrmãos da mesma sorte i adeus até o dia de juizo digo mais a todos os meus parentes amigos i conhecidos peso perdão que reprehendão os seus filhos para que não cheguem á minha desgraça i a todos peso me encomendem a Deus.
Bragança 1 de abril de 1843. Deste seu filho obediente – José Jorge Figueiredo».
«Entrou na Cadeia Civil desta cidade por ordem do Snr. Juiz ordinário deste julgado o prezo José Jorge solteiro natural de Maçainhas julgado de Belmonte da Beira Alta filho de Manuel Jorge do dito lugar tera o mesmo de altura cecenta e tres polgadas rosto redondo cor clara com hum risco na face esquerda barba cerrada olhos castanhos escuros, cavello da mesma cor vestido Jaqueta e calça de caragoça sem collete, disse ter de idade vinte oito annos ocupação que tinha sido soldado de caçadores numero tres athe ao dia nove do corrente mez que pello seu commandante do dito corpo foi mandado entregar á authoridade civil deste julgado para delle tomar conta por assim ser julgado no Supremo Tribunal do concelho de Guerra pelo crime de omecidio em que tinha sido acusado no concelho de guerra a que tinha ja respondido eu que este mandei fazer e subscrevi aos nove de março de mil oitocentos e quarenta e tres. O Carcereiro Agustinho José».
(De letra diversa segue a seguinte nota:) «Declaro que este Reo foi no ditho Supremo Tribunal condemnado a pena ultima». (À margem há mais estoutra nota:) «Foi inforcado no campo de Santo Antonio em dia 3 de abril de 1843. Bragança 19 de agosto de 1845.
Depois de 1834 foram justiçados no norte de Portugal (na área da Relação do Porto) catorze indivíduos, sendo quatro no Porto e dez em diferentes pontos, o último dos quais foi o Calças, em Chaves, em 1845, de quem se encontra o processo com todas as horripilantes circunstâncias do enforcamento no Museu Regional de Bragança.
Nos Contos de Afonso Botelho, Lisboa, Livraria de António Maria Pereira, 1894, desde págs. 63 a 83, deixou-nos este escritor (irmão do doutor António Botelho Sarmento, que vivia, casado, em Alvites, concelho de Mirandela), um interessante conto, que diz em nota ser «fundado n’uma tradição popular de Bragança».
Segundo se depreende do referido conto, José Jorge (dá-lhe simplesmente este nome) mantinha amores com uma tal Miquelina, do Pinheiro Velho, concelho de Vinhais. Foi visitá-la em três dias de licença na festa do dia de Natal, e um indivíduo, em companhia de quem fez parte da viagem (ao qual, numa expansão de amante feliz, contara a sua vida), aproveitou- se da escuridão da madrugada em que José Jorge dela se despediu para se lhe introduzir no quarto e fazer-lhe as suas exigências torpes, às quais a moça não acedeu, e, como gritasse por socorro, matou-a e ao pai e mãe que vinham em seu auxílio, evadindo-se depois sem que ninguém suspeitasse do crime, imputando-se as responsabilidades a José Jorge, donde resultou ser preso e julgado, mas absolvido por falta de provas.
Voltou ao serviço militar para caçadores n.° 3 em Bragança, de onde depois desertou, indo para o Alentejo como trabalhador de campo para casa de uma mulher casada que mantinha relações ilícitas com um primo.
Como tivesse conhecimento dessas relações despediu-se, suspeitando a adúltera que Jorge descobrira a sua maldade; não deu, porém, mostras disso e muito afável deu-lhe até um farnel com merenda para o caminho,
escondendo juntamente com ela algumas pratas da casa; auxiliado pelo amante, o marido imputa as culpas a José Jorge, após de quem fez correr gente, conseguindo prendê-lo, fazê-lo julgar e condenar. Termina Botelho
por dizer que mais tarde se vieram a descobrir os verdadeiros autores tanto deste crime do Alentejo como do de Pinheiro Velho.
Nunca ouvimos as espécies referentes ao caso do Pinheiro Velho, não obstando, porém, isso nada relativamente à sua veracidade; contudo achamos inverosímil – ainda mesmo atenta a circunstância de conto – que sendo José Jorge admitido à convivência da família de Miquelina, a ponto de cear com ela intimamente na clássica noite da consoada, como um membro que brevemente seria legítimo, se despedir assim em latim, como amante criminoso que tem todo o cuidado em ocultar as suas vistas. Além disso, pelos documentos que deixamos reproduzidos vemos como as coisas se passaram.

«Despezas que se fizerão para a construção da forca em que sofreu a pena capital José Jorge soldado que foi do Batalham n.° 3 de Caçadores:

21 taboas de choupo de J.° Ferz. carpinteiro a 160 cada uma. . . . 3:360
6 páos de castanho de Fran.co Glz. de Formil a 200 cada um . . . .1:200
Outro dito de cast.o de Magdalena de Formil . . . . . . . . . . . . ...... . . . 200
Outro d.o de Rosa Afonso de Formil. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .... 200
3 centos de pregos que se comprarão a Fran.co Joaq.m . . . . . . . . . 660
Duas barrumas ao m.mo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..60
Duas d.as mais pequenas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 40
Quatro cavilhotes que fez Estevão Serralheiro. . . . . . . . . . . . . . . .... 190
Hûa corda que se comprou a Manuel Antonio Pizarro . . . . . . . ........ 810
4 geiras de carpinteiro a M.el Gama e M.el Parada a 240 cada uma.960
Hum páo grande a J.e Villa Nova. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 2:000
Outro d.o de M.el Melides Per.a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2:000
Soma total ......................................................................................11:680 rs.»

(FONTE: Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal.)

A Escola Primária do "Trinta" transformada no Museu Municipal de Arqueologia... A inauguração é no dia 3 de setembro.

Caçadores defendem proibição total da caça nos terrenos livres

A Federação Portuguesa de Caçadores (FPC) defende a proibição total da caça nos terrenos livres e exige incentivos para o regime ordenado, na sequência do impacto que os incêndios florestais estão a ter na actividade cinegética.
Os incêndios florestais que têm devastado vastas áreas, sobretudo nas zonas Centro e Norte, afectaram também a actividade cinegética nestas regiões, facto que leva a FPC a reagir e a defender a proibição total da caça nos terrenos livres e incentivos para o regime ordenado.

Hélder Ramos, presidente da FPC, disse à agência Lusa que apesar de ainda não ter os dados disponíveis em relação às áreas consumidas pelos fogos, as zonas Centro e Norte do país foram muito afectadas pelos incêndios e, consequentemente, as zonas de caça aí existentes.

A título de exemplo, sublinha que na região de Águeda há zonas de caça com mais de mil hectares que arderam totalmente.

“Não vejo, quer da parte da tutela do Ministério do Ambiente, quer da tutela do Ministério da Agricultura, ninguém preocupado com a actividade cinegética, porque houve zonas de caça que arderam na sua totalidade”, disse.

Este responsável adianta que se está a falar de um património cinegético que, em alguns casos, tem mais de 30 anos e que foi completamente dizimado.

Hélder Ramos explica que existe legislação que permite caçar, 30 dias após um incêndio, e adianta que tudo se resume a uma questão de alteração da legislação, “assim os Ministérios do Ambiente e da Agricultura tivessem coragem de alterar a lei”.

“Nas áreas ardidas nem sequer se deveria poder caçar, visto que a área que ardeu é três ou quatro vezes mais do que em anos anteriores. Nestes casos, nem sequer deveria abrir a caça no terreno livre para todas as espécies. Não faz sentido. Tudo o que está ardido deixa de ter defesas para os animais”, sustenta.

O presidente da FPC adianta que vai pedir na terça-feira uma audiência com carácter de urgência aos ministros do Ambiente e da Agricultura para abordar estas e outras questões relacionadas com a actividade cinegética.

Neste âmbito, defende ajudas ao regime ordenado, como a abolição do pagamento da taxa como incentivo à reposição da sinalização e à continuidade do repovoamento nas zonas de caça afectadas em 50% ou mais de área ardida.

Já em relação ao terreno livre e uma vez que considera que o próprio Estado é incapaz de o gerir, defende a proibição total da caça durante um período provisório.

À Lusa, a associação ambientalista Quercus realçou também o “impacto” que os fogos têm nas espécies cinegéticas e em todas as outras.

“São fortemente afectados por estes incêndios e deixam de ter áreas de alimentação e de refúgio, o que vai ter um impacto directo ao longo dos próximos meses”, explicou Samuel Infante, da Quercus.

Este responsável realçou ainda o impacto directo dos fogos, que mataram imensos animais.

Samuel Infante explicou também que existem mecanismos legislativos, que em anos anteriores já foram utilizados, para que não se cace durante uma ou duas épocas. “Tudo isto deve ser agilizado. Não se pode deixar passar meses, devem ser tomadas medidas imediatas”, concluiu.

in:sapo.pt

Alegada tentativa de assalto no Santuário de Santo Ambrósio

Na noite de domingo para segunda-feira, a capela das esmolas, no Santuário de Santo Ambrósio, em Vale da Porca, foi alvo de uma alegada tentativa de assalto.
A ocorrência foi notada na manhã do dia seguinte, pelo funcionário responsável pela manutenção do recinto, enquanto procedia à rega do espaço.

Já não é a primeira vez que o Santuário de Santo Ambrósio sofre este tipo de violação, e apesar de não terem chegado a entrar, deixaram ficar estragos, conta António Patrício, responsável pelo Santuário.

“Aconteceu o que acontece sempre, andaram em volta da porta mas não conseguir abrir porque, penso eu que devem ter sido incomodados por alguém e deixaram o serviço a meio.

O alarme também não tocou, não sei porquê. Ainda danificaram a fechadura, o que nos vai dar bastante despesa e trabalho a arranjara. Uma fechadura daquelas é muito cara, custa mais ou menos 250 euros. 

Além do material estragado vamos ter muito trabalho a concertar pois aquela porta é reforçada e vai ser preciso cortá-la. Vai dar muito trabalho.”

A GNR esteve no local e tomou conta da ocorrência.

Escrito por ONDA LIVRE

Parte VII - Reconversão Urbanística da Estação Ferroviária de Bragança e área envolvente

As negociações com a DGTT foram reativadas com perspetiva diferente de localização da Estação Rodoviária e dos fluxos rodoviários no acesso à cidade. No mês de novembro de 1998, a Câmara Municipal encomendou um estudo de avaliação das alternativas de localização, considerando as seguintes zonas: plataforma alta da cidade; plataforma próxima do centro urbano e plataforma mais na periferia. O estudo apontou como localização mais favorável a antiga estação ferroviária, que aproveitava todos os benefícios de centralidade do espaço a que correspondia uma oportunidade de requalificação urbanística de uma vasta área central e nobre da cidade.
No mês de janeiro de 1999, fez-se o pedido de aprovação de localização, aprovada pela DGTT, com 15 lugares-cais e autorização para uma paragem junto das residências para estudantes do IPB, o que muito facilitaria a vida aos estudantes vindos de fora. O projeto passaria a incluir um módulo de passageiros regulares, com nove cais de embarque, um módulo de passageiros expresso com cinco cais de embarque e um módulo de mercadorias, serviços e turismo com catorze espaços para operadores.
Em maio de 2001, a Câmara Municipal procedeu à adjudicação do projeto de execução da estação Central de Camionagem. O início dos trabalhos ocorreu a 20 de janeiro de 2003, conclusão ocorreu a 10 de março de 2004. O processo de negociação com a DGTT de Acordo de Colaboração Técnico-finaceiro foi concluído já com as obras em estado avançado de execução, foi assinado no dia 27 de junho de 2003, tendo prewsiodido à cerimónia o Ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação, Eng.º Carmona Rodrigues acompanhado pelo Secretário de Estado dos Transportes, Eng.º Francisco Seabra, natural de Bragança. A inauguração decorreu no dia 24 de janeiro de 2004, foi presidida pelo Secretário de Estado dos Transportes, Eng.º Francisco Seabra, a bênção das instalações foi feita pelo Bispo da Diocese D. António Montes Moreira.
Também o arranjo urbanístico do topo da Praça Cavaleiro de Ferreira, desenhada o ano de 1948 pelo Arq.to Januário Godinho, foi um sonho de décadas por parte dos responsáveis políticos do concelho, no sentido de conferir maior dignidade à referida Praça. A tentativa mais significativa de preencher esse espaço ocorreu no ano de 1963, com a elaboração do projeto da Sé Nova. Com esta nova localização foi abandonada a anterior localização, junto ao Cemitério, no campo de Santo António. Pretendia-se que as obras iniciassem durante o ano de 1964, na comemoração dos duzentos anos da transferência da sede da Diocese de Miranda do Douro para Bragança. Novas perpectivas vieram a ditar uma nova localização para a construção da Catedral, visto para o topo da Praça ter sido decidido, no ano de 1966, a elaboração do projeto para a construção dos Paços do Concelho.
No ano de 1997, assumimos na candidatura autárquica, rematar o topo sul da Praça Cavaleiro de Ferreira com projeto que lhe conferisse maior relevância urbana. A solução foi a da construção do Teatro Municipal, apoiada por fundos comunitários do III Quadro Comunitário de Apoio, no âmbito do programa da Rede Nacional de Teatros.
Em Bragança, no ano de 1817, existia a Casa da Comédia, administrada pela Santa Casa da Misericórdia, foi adquirida pela Câmara Municipal e passou a designar-se de Teatro Brigantino. Encerrou no ano de 1888 por falta de condições de segurança, tendo sido concessionado à Associação de Socorros Mútuos dos Artistas de Bragança, que o recuperou e inaugurou no ano de 1892 com a designação de Teatro Camões. No ano de 1969, um incêndio arruinou-o e assim, após século e meio este equipamento ficou inativo. Em Abril de 1974 abriu portas o Cineteatro Torralta edifício com uma grande sala de espectáculos, projeto do Mestre Viana de Lima, sala que encerrou no final da década de noventa.
As obras do Teatro iniciaram a 26 de outubro de 2001, foram dadas por concluídas a 19 de fevereiro de 2004. Este projeto representa um ativo para o municipio, para os cidadãos em geral, para as escolas, para as companhias de teatro e de outras artes. Dia 31de janeiro de 2004, decorreu a cerimónia de inauguração presidida pelo Primeiro-ministro Dr. Durão Barroso, tendo sido significativa a participação de autoridades nacionais e regionais da região e da vizinha Castela e Leão.
O topo da Praça era um morro alto de pedra sobre o qual existiam algumas construções de fraca qualidade, o espaço irregular e rochoso por detrás da antiga moagem servia de lugar de estacionamento automóvel e acolhia um pré-fabricado onde funcionava a sede do Grupo Desportivo de Bragança. A construção do topo da Praça Cavaleiro de Ferreira e área próxima deixa na cidade uma marca urbanística de grande qualidade, o mesmo se pode dizer relativamente à requalificação urbanística da antiga estação ferroviária, área envolvente e acessos, operação concretizada em seis anos, que no seu conjunto foi o maior investimento realizado nas últimas décadas, cerca de duas vezes superior à intervenção Polis. A qualidade dos projetos, a harmonia da operação urbanística e a utilidade para os cidadãos confirmam ter sido feita cidade moderna para o futuro sem que se tivesse rompido com o passado.
A ocupação da parcela de terreno entre a antiga Moagem Mariano e a Escola secundária Abade de Baçal foi prevista no âmbito do plano global de arranjo urbanístico, aí se previa a construção de um grande parque subterrâneo de estacionamento automóvel, de capacidade superior a 500 lugares, intergrado em edifício com funções habitacionais, de comércio e serviços, incluindo um espaço para Sede da Junta de Freguesia da Sé, que estava precariamente instalada na ala Sul do antigo Colégio dos Jesuitas. O processo de construção desenvolveu-se entre o mês de abril de 2000, com a abertura de concuros público internacional para a empreitada de concepção/ construção de um edifício para habitação, comércio, serviços e estacionamento, com concessão do estacionamento em dois parques subterrâneos e estacionamento de superfície, foi concluída no ano de 2004.
Finalmente, para concluir este conjunto de seis textos alusivos à chegada do comboio a Bragança até à sua extinção e reconversão urbanística da antiga estação ferroviária, de referir que são muitos os registos de memória relativos à ferrovia na região, de entre vários cito a publicação no ano de 2006, na comemoração dos 100 anos da linha do Tua, e dos 150 anos da introdução do comboio em Portugal, pela delegação do Inatel em Bragança, com o apoio da Câmara Municipal de Bragança de publicação com o título “ 100 anos da Linha do Tua, 1906-2006”, textos de Luís Ferreira, pintura e fotografia de Luís Canotilho. Um legado de informação do estado em que a linha, material circulante e estações se encontravam no final da década de oitenta.
Como registo significativo, o Núcleo Museológico Ferroviário de Bragança, que integra a rede do Museu Nacional Ferroviário. Ocupa a antiga cocheira de carruagens da que foi a última estação da linha do Tua, esteve aberto ao público até meados do ano de 2003, enquanto o último funcionário da CP, em Bragança, Valdemar Augusto Pires não passou à situação de reforma. 
Com a execução das obras de reabilitação do espaço da antiga Estação Ferroviária, foi reabilitado esse edifício e elaborado o projeto de ampliação que, logo que executado perimitirá musealizar todo o espólio aí existente, estando previstos os seguintes temas: a história dos transportes ferroviários no país, nos aspectos sociais, económicos e políticos, do ponto de vista do ordenamento do território e seu significado para a Região de Trás-os-Montes; a história da linha do Tua, os seus construtores, os trabalhadores, os comboios, a exploração; a atualidade do caminho-de-ferro como transporte moderno e de futuro, no país e na europa.  
O projeto para as obras de ampliação do Museu foi elaborado no ano de 2008 pelo arquiteto Carlos Prata, inclui o aumento da área de exposição, de superfícies transparentes, permitindo usufruir do conhecimento de memórias associadas a um período de cerca de um século de circulação ferroviária no distrito.
É muito valioso o espólio existente, inclui peças como: carruagem fabricadas no ano de 1887 pela companhia Belga Ateliers Nivelles; locomotivas fabricadsa no ano de 1889, e no ano de 1908. Aqui está uma relíquia, a locomotiva E81, fabricada no ano de 1886, a 1.ª locomotiva a circular na linha do Tua, quando da inauguração do 1.º troço da linha, batizada com o nome Trás-os-Montes. No mês de fevereiro de 2007, foi assinado entre a Câmara Municipal e a Fundação Museu Nacional Ferroviário, o protocolo para a gestão partilhada do núcleo museológico de Bragança. Este projeto deverá ser brevemente concluído, com apoios da União Europeia, será o sétimo espaço museológico da cidade, contribuirá para a afirmação social cultural e identitária do Nordeste Transmontano.



Jorge Nunes
in:jornalnordeste.com