quarta-feira, 24 de agosto de 2016

A ilha dos museus!

Podia estar a falar da famosa "ilha dos museus" em Berlim que está classificada como património cultural da UNESCO. Mas isso nada teria de especial. Toda a gente conhece, de ler, ouvir falar ou de "viva voz" o fantástico conjunto de cinco museus que, na verdade, iniciaram nos idos de oitocentos a museologia moderna, ou seja, a arte de partilhar culturas e de dar a conhecer patrimónios.
Mas não! A ilha dos museus que me interessa e por estes dias me encanta é mais nossa e mais perto. E merecerá, no devido tempo, o reconhecimento coletivo pela visão certeira dos líderes locais que paulatinamente foram investindo num património diferenciador que, mostrado dos vários ângulos em que está disponível, nos oferece a visão clara de um território e do seu povo.

Escrevo de Bragança. Verá quem por aqui vier que, pelo centro deste centro transmontano, se encontra disponível e em contínuo enriquecimento um conjunto de oferta museológica que, por si só, justifica a experiência de uma visita.

Falo do Museu Militar, do Museu Ibérico da Máscara e do Traje, do Museu do Abade de Baçal do Centro de Fotografia Georges Dussaud, do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, do Centro de Interpretação da Cultura Sefardita, ambos projetados pelo arquiteto Souto de Moura e ainda do polo principal do Centro Ciência Viva, cartão de visita do respeito deste território pela altíssima qualidade do seu ambiente e ecossistemas ou ainda da adjacente Casa da Seda instalada num antigo moinho de água e, finalmente, do Centro de Memória da presença militar em Bragança.

Como corolário deste extraordinário e desafiador conjunto, tem a Câmara Municipal em projeto a programação e acolhimento nos antigos silos da EPAC, do novíssimo Museu da Língua que se espera venha a ser igualmente projetado por nome cimeiro da nossa arquitetura nacional.

Não precisa de grande explicação o acerto da escolha se pensarmos no peso patrimonial da Língua numa qualquer sociedade, mas não deixa de ser especialmente oportuno quando o território onde é celebrada é, em si mesmo, um cruzamento de duas línguas nacionais e outras tantas Ibéricas. A projeção internacional do Português e do Castelhano antecipam a importância e abrangência nacional e internacional deste projeto.

Fica apenas a desequilibrar no prato da balança do esforço de desenvolvimento, tão fustigado pelo centralismo atávico do nosso país, uma atenção mais cuidada e uma amplificação mais notória desta aposta e das suas consequências tão benéficas quanto exemplares.

Cristina Azevedo
Jornal de Notícias

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