segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

“O POVO DO NORDESTE TRANSMONTANO” – CARTA (BRAGANÇA, 16 DE JANEIRO DE 1978)

Memórias da RTP - 2010-06-21 - Centro Escolar da Sé em obras

Bragança, obras do Centro Escolar da Sé atrasadas devido a dificuldades da empresa responsável, o que pode levar à perda do financiamento do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
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...do meu tempo de Faculdade

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
…no meu tempo de Faculdade éramos muito limitados e quase acreditávamos que a Terra está silenciosamente parada e o sol magnífico viaja pelo Universo sem fim.
Também não admira, vínhamos todos da longa noite transmontana…afeitos às fragas …às longas invernias…às segadas e às malhas em tempo de Verão.
O pai vendia o vitelo, o feijão e o trigo e lá íamos para a Faculdade, com 2 contos no bolso, para vencer o longo mês na cidade universitária.
…e por lá nos arrastamos durante os intermináveis, mas saudosos, 5 anos, para concluir, penosamente, uma simples Licenciatura. 
…fomos a imensas aulas…fizemos intermináveis exames…sabíamos as manias dos professores…dávamos a volta…namoramos…repetimos exames…cabulamos…fizemos noitadas…pertencemos ao Teatro universitário…cantamos fados pela noite velha…estudamos na urgência do exame…lemos infindas Sebentas…passeamos os livros…frequentamos Bibliotecas…bebemos copos…vivemos em Repúblicas...finalmente os 5 anos passaram…finalmente o canudo de Licenciados. Para irmos para a vida…governar a vidinha.
…que tempo de sombria ignorância…a que eu vivi…que tempos de horizontes largos e saberes muitos os que hoje se vivem…Quem não faz, hoje em dia, uma banal Licenciatura em apenas um ano?! 
…Tempos gloriosos! A sabedoria desceu à rua!
Uma nova ética…marca o novo tempo…o Licenciado…já não pensa, mesquinhamente, em governar a sua vidinha…mas em servir o seu País…em servir Portugal.
…Bendita a Pátria que tais filhos tem!
Salvé Camões!


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

VALE BENFEITO

O Padre JOÃO BORGES VERGUEIRO PIRES DUQUE e suas irmãs D. MARIA, D. ÂNGELA e D. ISABEL instituíram em 10 de Junho de 1757 um vínculo de morgadio com bens em Vale Benfeito e Travanca, com a obrigação de uma missa cantada a S. João Baptista, no seu dia, podendo ser de cinco clérigos, e outras quatro pelas almas deles instituidores e de seus pais e irmãos.
Nomearam por administrador, após a sua morte, seu irmão o capitão de ordenanças FÉLIX BORGES VERGUEIRO PIRES DUQUE, que casou com D. ISABEL MARIA DE MORAIS e faleceu a 9 de Maio de 1778. Tiveram os filhos:
I – D. LEONOR VALÉRIA BORGES DE MORAIS, que esteve recolhida largos anos no convento de Santa Clara de Bragança, mas não professou. Segue adiante.
II – D. MARIA DÁRIDA BORGES DE MORAIS, que foi freira em Santa Clara de Bragança e faleceu a 6 de Abril de 1819.
III – D. BERNARDA MARIA BORGES DE MORAIS (ver pág. 490, tomo VI, destas Memórias), casou com o então tenente de cavalaria de Bragança, ANTÓNIO MANUEL DE ABREU DE FARIA FIGUEIREDO SARMENTO E DOUTEL, mais conhecido pelo nome ANTÓNIO MANUEL DE ABREU E SARMENTO (pág. 29, tomo VI, destas Memórias «ABREU SARMENTO»), e a quem foi dado brasão de armas, irmão do tenente-coronel de cavalaria JOSÉ VICENTE DE ABREU SARMENTO, que fazia parte da «Junta Provisional do Supremo Governo», organizada em Bragança em Junho de 1808 contra os franceses (pág. 131, tomo I, destas Memórias) e faleceu sem descendência.
D. BERNARDA MARIA BORGES DE MORAIS e ANTÓNIO MANUEL DE ABREU SARMENTO
tiveram os filhos:
I – ANTÓNIO VICENTE DE ABREU, que, como tenente de infantaria nº 24, fez parte da brigada de Beresford, ficando prisioneiro no desastre da praça de Almeida em 26 de Agosto de 1810 (1139), e que em 1826 aboliu o vínculo de morgadio «Vaso de Ouro», junto a Bragança, de que era administrador e que havia sido instituído em 1667 por seu bisavô MANUEL DE FARIA FIGUEIREDO SARMENTO, filho este de MANUEL DE FARIA FIGUEIREDO BORGES DA ROCHA, cavaleiro professo na ordem de Cristo, com mercê de uma comenda, fidalgo da casa de sua majestade e mestre-de-campo, etc. (págs. 26 e 685 do tomo VI destas Memórias). Faleceu a 4 de Janeiro de 1830 sem descendência.
2 – JOSÉ BERNARDO BORGES DE MORAIS DE ABREU SARMENTO, que nasceu a 24 de Março de 1777 e faleceu muito novo ainda, segundo consta, na guerra contra os franceses, nos Pirenéus (?), como capitão de cavalaria, deixando descendência.
3 – FRANCISCO MANUEL DE ABREU SARMENTO, que nasceu a 27 de Março de 1780, foi reitor de Parada e não deixou descendência.
– D. LEONOR VALÉRIA BORGES DE MORAIS, atrás referida, sucedeu na administração deste vínculo e faleceu solteira em 11 de Maio de 1847, deixando por universais herdeiros de todos os seus bens, bem como dos que constituíam o vínculo, a sua sobrinha D. MARIA CÂNDIDA DE ABREU SARMENTO (a) e a seu marido JOSÉ JOAQUIM DE MORAIS (b), com a condição de todos estes bens passarem por morte destes aos filhos havidos de entre ambos e, na falta destes, poderiam dispor desses bens, preferindo sempre seus legítimos herdeiros.
(a) D. MARIA CÂNDIDA DE ABREU SARMENTO era filha de JOSÉ BERNARDO BORGES DE MORAIS DE ABREU SARMENTO, já referido, e de D. LEONARDA DE JESUS FIGUEIREDO, de Bragança.
(b) JOSÉ JOAQUIM DE MORAIS era filho do capitão de milícias e cirurgião MANUEL ANTÓNIO DE MORAIS, neto do Dr. ANTÓNIO ALEXANDRE DE MORAIS E OLIVEIRA, bisneto de GREGÓRIO BORGES DE MORAIS E OLIVEIRA e terceiro neto de SALVADOR BORGES DE MORAIS E OLIVEIRA ou SALVADOR DE MORAIS (pág. 490 do tomo VI destas Memórias), e que casou com D. ISABEL ESTEVES, irmã única dos instituidores do morgadio de Valbom de Mascarenhas, instituído em 11 de Maio de 1719 (ver tomo VI, pág. 489, destas Memórias), o qual, por estes não terem descendência, passou, por expressa disposição sua, a seus sobrinhos, filhos da dita sua irmã D. ISABEL ESTEVES e de seu marido, o morgado de Vale Benfeito (SALVADOR DE MORAIS), morgadio que nesta família se conservou até depois da extinção dos morgadios, sendo mais tarde os seus bens vendidos, pertencendo hoje uma grande parte e a casa em Valbom aos doutores Abraão de Carvalho e Alberto Félix de Carvalho e a seu cunhado major Joaquim Maria Neto, todos biografados neste tomo.
D. MARIA CÂNDIDA DE ABREU SARMENTO e JOSÉ JOAQUIM DE MORAIS tiveram os filhos: MANUEL BERNARDO; JOAQUIM JOSÉ DE JESUS, médico naval, promovido por distinção a capitão e falecido a 30 de Abril de 1868, com vinte e nove anos de idade, em Luanda, a bordo da corveta Duque da Terceira;
ANTÓNIO VICENTE; FRANCISCO MANUEL DELFIM; BERNARDINO CÉSAR e D. MARIA ROSA DA ANUNCIAÇÃO. Apenas o BERNARDINO CÉSAR DE MORAIS, ou BERNARDINO CÉSAR DE MORAIS ABREU E SARMENTO, que casou com D. MARIA DAS DORES ÁLVARES PEREIRA VAZ DE MAGALHÃES, filha do morgado de Alvações, deixou dois filhos legítimos e nenhum mais deixou descendência (ver tomo VI, pág. 349, destas Memórias).
Na antiga casa, hoje quase de todo abandonada, em frente à igreja (lado sul) do morgadio de Vale Benfeito, instituído pelo sargento-mor António Borges de Morais em 1523, havia uma pedra de armas encimando um grande, elegante e bem trabalhado portal de cantaria, que ainda existe. A pedra de armas ignora-se o fim que teve, e as pirâmides que ao mesmo pertenciam estão sobre os cunhais da capela-mor de Nossa Senhora do Freixo.
Encontra-se ainda na mesma casa, na verga ou padieira duma porta lateral, voltada a poente, um pequeno escudo gravado em cantaria, tendo todo o campo ocupado por uma grande flor-de-lis florentina, figura heráldica dos Esteves de Budalde, dos quais descenderia, como é presumível, D. Isabel Esteves, mulher do morgado Salvador de Morais, já referidos, por seu pai Pedro Esteves de Mascarenhas.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Incêndio urbano em Macedo de Cavaleiros investigado pela Polícia Judiciária

Um incêndio urbano ontem à noite na Rua do Lameirão em Macedo de Cavaleiros destruiu todo o recheio e telhado de um armazém agrícola.
No total tomaram conta da ocorrência cerca de 19 meios humanos e seis meios terrestres não tendo havido registo de feridos.

O alerta foi dado cerca das 22h30 mas até agora as causas são ainda desconhecidas. Ao que conseguimos apurar o local foi vedado para a Polícia Judiciária que vai agora tomar conta da ocorrência.

Atualizado a 18/12/2017 às 11h27

Escrito por ONDA LIVRE

Orçamento para 2018 do município de Bragança no valor de 37,6 milhões de euros aprovado

A assembleia municipal de Bragança aprovou o orçamento para o próximo ano no valor de 37 milhões de euros. O executivo do PSD apresentou as contas para 2018, que traduzem uma diminuição do valor global em relação ao orçamento deste ano, registando-se também uma diminuição da despesa e uma redução da dívida.
O presidente da câmara, Hernâni Dias, salienta ainda que a atracção de investimento e o desenvolvimento económico serão prioridades no plano para o próximo ano.

“Construímos o orçamento com base em premissas muito sólidas, naquilo que tem a ver com a redução da dívida, que não é grande, mas também com uma preocupação enorme de apoio na área social e no que toca à captação de investimento ao nosso concelho”, destacou.

Apesar de considerar que se trata da continuação dos orçamentos anteriores, o PS deu o benefício da dúvida e absteve-se por entender que a política no documento foi sufragada nas últimas eleições. Dinis Costa, o líder do grupo parlamentar socialista, referiu que este “é o primeiro orçamento de um novo mandato e é natural que as grandes opções do plano e orçamento reflictam aquilo que é a política que foi sufragada pelo eleitorado nas últimas autárquicas" e o PS quis dar “um sinal de boa vontade política”.

Também o Bloco de Esquerda se absteve visto que considera que o documento apresenta propostas com que o partido concorda, salienta António Anes.

“Foram apresentadas pelo presidente da câmara algumas propostas válidas que vêm ao encontro de algumas situações defendidas pelo BE, relativas aos benefícios das populações, investimentos, inclusive as barragens e charcas para rega e combate a incêndios, mas o bloco não pode estar de acordo com tudo, relativamente ao problema da ETAR o executivo não tem nada elencado para o resolver”, destacou.

Por seu lado, o CDS votou mesmo a favor do orçamento apresentado apesar de entender que há uma continuidade nas políticas e com algumas das quais o partido não concorda, segundo Armindo Carneiro Gonçalves.

“Este orçamento é de continuação das políticas em relação aos anteriores, mantém-se a política do abandono ao mundo rural, praticamente o dinheiro é gasto todo aqui na cidade”, criticou.

Já a CDU votou contra até porque, de acordo com Filipe Costa, não foi cumprido o preceito legal do estatuto de direito de oposição.

“Os partidos com assento na assembleia municipal devem ser chamados antes da aprovação do documento a darem a opinião sobre o documento e proporem a introdução de coisas que possa ter cabimento orçamental, isso não aconteceu e seria suficiente para votar contra. Mas há outra dimensão que tem a ver com opções políticas, que no seguimento de orçamentos anteriores, a autarquia insiste em aprofundar um caminho de transferências de responsabilidades na área da acção social para a economia social”, afirmou.

Com uma maioria reforçada desde as últimas eleições, o executivo não teve problemas em aprovar o orçamento que aposta em quatro vertentes: gestão interna e participação cívica, a coesão social, o desenvolvimento económico e competitividade e a reabilitação urbana. 

Escrito por Brigantia

O Presidente da Câmara Municipal de Bragança deseja as Boas Festas a todos os cidadãos.

Bragançanos solidários

Nem o frio demoveu as mais de 350 pessoas de participarem no I Trail Urbano Noturno Solidário, na noite de 16 de dezembro, cujas inscrições resultaram em 1.868 euros, que foram doados, na totalidade, à União das Misericórdias Portuguesas, para as vítimas dos incêndios.
Promovido pelo Município de Bragança, em colaboração com o Ginásio Clube de Bragança, o evento, que se dividiu nas provas (não competitivas) de trail e de caminhada, partiu da Praça Camões com destino ao Castelo de Bragança, percorrendo parte do Centro Histórico, com regresso ao epicentro de Bragança, Terra Natal e de Sonhos (na Praça Camões).

O I Trail Urbano Noturno Solidário está integrado na programação de Bragança, Terra Natal e de Sonhos, que, de ano para ano, “reforça”, assim, o cariz solidário. 

CM de Bragança

OLIVA - História de uma Oliveira

Portugal está em boa posição para assinar Carta Europeia das Línguas Minoritárias

Portugal tem condições para assinar a carta europeia das línguas minoritárias, resta agora ao governo avançar e pedir a ratificação. São as conclusões do encontro que decorreu em Miranda do Douro e que trouxe até à região onde nasceu a segunda língua oficial do país peritos do Conselho da Europa nesta matéria.
O secretário executivo da carta europeia, Xisto Molina, considera que muitas das exigências já são cumpridas actualmente e entende que este é um momento histórico para que o próximo passo seja dado.

“O passo principal seria que a câmara e o os representantes nacionais pudessem reunir para ver quais são os artigos que estariam já no âmbito de aceitação, para perceber se se reúnem todos os requisitos para o passo seguinte. Vimos que em muitos aspectos a situação é positiva, nesse sentido, não deveria haver muitos obstáculos já que na situação actual, muitas das exigências deste instrumento já estão garantidas. Estamos numa situação histórica e quem sabe propícia para que o governo de Portugal considere que é o momento adequado para assinar a carta”, salientou.

O presidente do município acredita que o governo já tem poucos argumentos para não assinar esta carta de protecção da língua mirandesa. Artur Nunes acredita que depois do trabalho realizado ao longo de dois dias com os peritos do conselho europeu será possível ultrapassar as dúvidas, nomeadamente do ministério dos negócios estrangeiros.

“Temos neste momento as condições para propor ao governo a assinatura da Carta Europeia das Línguas Minoritárias. Temos o compromisso de todas as partes e podemos comprometer-nos ao nível local, regional e nacional de todas as condições para que Portugal assine a carta”, referiu.

O município de Miranda do Douro tem marcada para Janeiro uma reunião com a secretaria de estado dos assuntos europeus para debater este assunto. 

Escrito por Brigantia

Feira de Artes, Ofícios e Sabores garantiu animação este fim-de-semana em Vimioso

Vimioso recebeu este fim-de-semana a Feira de Artes, Ofícios e Sabores. Cerca de 70 expositores marcaram presença no pavilhão multiusos. Para além da venda de produtos e animação, o certame teve em destaque actividades desportivas e cinegéticas com mais de 800 participantes.
A feira de arte, ofícios e sabores vai na 16.ª edição e é uma oportunidade para os comerciantes e produtores de promoverem os seus produtos.

“Gosto muito de representar a minha terra e de apresentar os meus trabalhos, pintura a óleo e artes variadas, é melhor que se realize nesta altura do Natal, especialmente para quem goste de oferecer prendas é ideal nesta altura”, afirmou uma artesã de Argozelo.

O presidente do município de Vimioso, Jorge Fidalgo, considera que realizar este certame perto do Natal continua a ser a melhor opção.

“Percebemos que nesta altura as pessoas têm mais disponibilidade para visitar a feira, já temos cá alguns dos nossos migrantes e emigrantes e as pessoas têm mais disponibilidade para virem aqui com os seus filhos porque as aulas já acabaram”, destacou.

Uma das novidades deste ano foi o festival da canção intergeracional, que tinha como objectivo descobrir talentos do concelho. O certame acolheu ainda do VI festival de folclore da castanha e um concurso de doçaria de castanha. 

Escrito por Brigantia

Memórias da RTP - 2010-06-09 - Aumento de Cirurgias

Bragança, aumento do número de cirurgias no Centro Hospitalar do Nordeste nos últimos quatro anos, devido às intervenções cirúrgicas em regime de ambulatório.
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Memórias da RTP - 2010-06-22 - Projectos QREN em Bragança

Bragança, encontro promovido pelo Programa Operacional Regional do Norte, ON2, sobre a execução do QREN - Quadro de Referência Estratégica Nacional.
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Memórias da RTP - 2010-06-11 - Roteiro turístico em Bragança

Roteiro turístico, cultural e gastronómico em Bragança, com destaque para a 5ª edição do festival "Sons e ruralidades" na aldeia de Vimioso.
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Memórias da RTP - 2010-06-16 - Escolas recuperadas

Bragança, o reordenamento do parque escolar determinou o fecho de duzentas e quarenta escolas primárias, algumas já recuperadas para outras utilizações.
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sábado, 16 de dezembro de 2017

Tertúlia na Casa Regional dos Transmontanos e Alto Dourienses do Porto

“Portugal Rural”. Trás-os-Montes, décadas de 50/60 - Foto: Artur Pastor

Fora da Caixa - Dicionário transmontano

O Fora da Caixa foi até Trás-os-Montes, para conhecer um dicionário com palavras típicas da região.
São mais de 10 mil expressões recolhidas nos distritos de Bragança e Vila Real.

Falta de ecopontos condiciona comerciantes em Bragança

Os comerciantes do centro histórico de Bragança denunciam a falta de ecopontos. Para muitos, os mais próximos estão a mais de 500 metros.
A situação condiciona tanto moradores como comerciantes, que na hora de separar o lixo, optam por não o fazer.

Iluminação de Natal e concurso de presépios – as novidades natalícias de Macedo

Este ano, a iluminação de Natal da cidade de Macedo de Cavaleiros foi mais dispendiosa devido à utilização de novos enfeites mas que recebem diariamente um agrado positivo da população, tal como explica Elsa Escobar, vereadora da cultura.
“Foi um pouco mais dispendiosa porque se poupou noutras coisas, por exemplo a cidade natal, como não foi feita como nos anos anteriores, o dinheiro que não se gastou ali pode ser despendido na iluminação. Nos anos anteriores os enfeites utilizados eram parte da câmara e a outra parte eram adjudicados a uma empresa privada. Este ano resolvemos não utilizar nenhuns da câmara porque já não estavam em condições e atendendo ao tempo que tínhamos para os mandar arranjar era impossível. Para além disso também achamos que devíamos investir em qualquer coisa inovadora, contratamos uma empresa do concelho de Macedo de Cavaleiros e foram eles que colocaram tudo.

Depois também tenho seguido pelo Facebook o número de gostos que têm sido colocados na página, na imagem de capa e estou muito satisfeita com os comentários que aparecem lá e com o número de gostos.”

 Novidades que não passam apenas pela iluminação. O concurso de presépios já começou e são 19 os inscritos nesta nova iniciativa que revelou uma boa adesão.

“Uma boa adesão, considero eu. Temos 19 inscrições, nem todos os que se inscreveram vão  participar no concurso na medida em que não cumpriram o prazo para os ter montados. Houve dois que foram montados já após o prazo, portanto as fotografias já tinham sido tiradas e colocadas no facebook para votação, mas eu considero que foi interessante a forma como as pessoas se envolveram. Há presépios fantásticos, aliás eu diria que todos estão muito bons com muita qualidade e como eu disse, como tive oportunidade de dizer da outra vez, é uma coisa muito nossa. Ontem estive algum tempo no jardim depois de sair do trabalho e achei interessante ver as pessoas pararem com os filhos tirarem fotografias junto ao presépio, portanto acho que a adesão e o interesse demonstrado têm sido muito bons.” 

Também a concurso estão 12 montras de lojas de comércio de Macedo das quais se pretende enaltecer o comércio local não esquecendo o espírito natalício.

Agora sim, já se vive o Natal por terras de Macedo de Cavaleiros.

Escrito por ONDA LIVRE

Novo espaço em Bragança onde a arte abriu residência

Foi inaugurada oficialmente na Capital do Nordeste a Plataforma de Arte e Criação, uma autêntica casa para artistas que poderão ensinar, criar e expor os seus trabalhos com total liberdade criativa.
Foi inaugurado no centro histórico da cidade de Bragança um novo espaço onde a Arte é rei e senhora. Da pintura à escultura, da música ao teatro, passando pela poesia, tudo sob o teto da Plataforma de Arte e Criação. Um espaço aberto a todas as manifestações artísticas e culturais, que não negligencia os mais novos e, inclusive, os cidadãos portadores de deficiência.

Miguel Moreira e Silva e Alexandra Dias são os coautores de um projeto que oferece residência para retiro de artistas, espaço para exposição e formação, tendo na sua génese “a ambição de que cada criador se sinta num espaço em que a porta está aberta para ele".

“Calhou-me, assim, o cargo de presidência, mas mais por uma questão de tirarmos proveito daquilo que cada um tem de maior virtude, ele das artes plásticas e eu da parte da organização, de estruturação dos projetos e da própria conceção, no fundo, de organização pedagógica porque esta visão tem uma componente pedagógica muito forte”, começou por elucidar a mentora do projeto, explicando a origem do nome da associação a que preside, “Lux & Sphaera”, em português, Luz e Esfera. “Tem um nome impronunciável, mas decidimos ir buscar dois elementos que são muito importantes na produção de desenho e na pintura e, depois, brincámos porque achámos que ficava mais interessante em latim”, esclareceu Alexandra Dias que tem, também, na pintura um dos seus hobbies.

Professora de literatura e artes plásticas, esta ideia, recorda, nasceu “do outro lado do mundo”, nas Ilhas Fiji, onde lecionava na universidade. Concebido o projeto na sua mente, mas não tendo a possibilidade de o colocar em prática, a ideia foi amadurecendo e quando chegou à Europa, mais concretamente a Bragança, partilhou-a com, na época, uma das suas mais recentes amizades, um artista já de nome feito, Miguel Moreira e Silva. E por ambos se completarem, deu-se, então, o clique e juntos lançaram-se nesta aventura movidos por uma paixão em comum, a Arte.

“Plataforma porque se pretende que seja um espaço multidisciplinar, dentro daquilo que são as artes plásticas, mas, depois, multiartístico porque nós estamos, na essência, circunscritos às artes plásticas, mas temos sempre a porta aberta para que outras artes venham aqui confluir também”, esclareceu Alexandra Dias, estendendo o convite a todas as manifestações artísticas, “primordialmente, a música, pequenas performances de teatro, temos já um projeto para breve”, adianta, mas sem esquecer a escultura, a pintura e claro está as máscaras tradicionais da região. “É essa a ambição”, confessa a docente universitária, cujo gosto particular por tudo o que exalte os sentidos a levou a investir neste projeto de criação, “para que cada criador se sinta aqui num espaço em que a porta está aberta para ele, quer do ponto de vista da produção, quer do ponto de vista da receção”.

A designação do termo Arte vem do latim Ars, que significa habilidade e denota, frequentemente, um reflexo da época e cultura vividas.

Quanto à noção de que a arte é só para alguns, Xana como é conhecida entre os amigos, desmistifica essa ideia pré-concebida: “nós temos aqui um leque de quadros com preços bastante acessíveis e, portanto, a arte não é algo inacessível para a bolsa de cada um e só queremos que as pessoas venham cá, se divirtam e se quiserem aprender a fazer máscaras, a pintar acrílico ou a óleo ou uma aguarela, terão sempre aqui um destino”.    

Para além de um acesso privilegiado aos meandros artísticos, focado nos diversos processos de criação, onde se contemplará nas oficinas e nos ateliers um convite extensível, sobretudo, às crianças, aos alunos e às pessoas portadoras de deficiência, outro dos aspetos a sublinhar neste projeto eclético, permeável e diferenciador que visa, em grande parte, a formação multidisciplinar, é a componente de residência artística. “A nossa ideia, de Plataforma de Arte e Criação, é nós sermos um espaço onde as pessoas possam vir fazer residências artísticas e para que os artistas de todos os pontos do país e não só, porque pretendemos, muito em breve, estendermo-nos à Península Ibérica e fazermos aqui um cruzamento interartístico com a arte ibérica e, fundamentalmente, que os artistas sintam que este é um espaço onde podem vir para estar e ficar durante uns dias e a casa é virtuosa nesse sentido, pois são convidados a permanecerem numa espécie de retiro artístico criativo”, alicerçou Alexandra Dias, que procura uma cooperação entre instituições como, por exemplo, o Instituto Politécnico de Bragança, no sentido de trazer alunos ao espaço recém-inaugurado e os mesmos poderem observar e interagir com os artistas.

Natural de Bragança e formada na área da literatura, mais precisamente Línguas e Literaturas Portuguesas, investigou, posteriormente, o cruzamento da literatura com as artes plásticas e tanto a tese de mestrado como a de doutoramento pautaram-se por essa dimensão simbiótica de dois mundos completamente distintos mas que se cruzam quase como numa quintessência perfeita. No entanto, foi em Estética que Alexandra Dias se especializou. E apesar de este ser um projeto detentor de todos os fundamentos para dar certo, a verdade é que o mesmo não se refletiu, ainda, em apoios institucionais, tendo exigido um investimento inicial e, agora, contínuo da parte dos coautores desta original e ambiciosa criação. Contudo, nas palavras da presidente da Associação Lux & Sphaera, “vale a pena investir porque o fazemos com amor e quando se nota essa paixão que temos por qualquer coisa tudo vale a pena”, advogou a docente, esperando, no próximo ano, que os apoios institucionais se concretizem de forma que a própria Plataforma de Arte e Criação tenha algum retorno, permitindo-lhe dar um salto qualitativo na sua programação, até porque o material das artes plásticas utilizado nas oficinas é bastante dispendioso, para além do aluguer da casa, das despesas correntes e de toda a logística que uma associação, naturalmente, envolve.   

Arte é definida como uma atividade que manifesta a estética visual, desenvolvida por artistas que se baseiam nas suas próprias emoções.

Na inauguração da Plataforma de Arte e Criação, onde compareceu uma pequena multidão entusiasta pelo arranque de um espaço que se espera que marque a rotina cultural citadina, esteve patente uma exposição coletiva com obras dos artistas Dila Moniz, das Caldas da Rainha, Luiz Morgadinho, de Seia, Mutes, de Arcos de Valdevez, e Costa Araújo, de Braga, para além de algumas obras de Miguel Moreira e Silva e Alexandra Dias. Já a eternizar o momento, em notas dignas de registo, estiveram os irmãos Rómulo e Igor que encantaram o público com a sua interpretação de grandes temas da música clássica.

“Para já, foram estes os artistas que aceitaram o nosso convite. Mas existe um interesse notório de vários artistas de diversos pontos do país e, inclusive, alguns internacionais bastante conhecidos que, estranhamente, têm interesse em vir aqui meter-se connosco neste buraco”, revelou o artista plástico Miguel Moreira e Silva, no tom cru que o carateriza, aproveitando, também, para reiterar o convite feito por Alexandra: “o nosso objetivo é como o próprio nome indica sermos uma Plataforma de Arte e Criação e, assim, nós estamos abertos a todas as áreas artísticas como a serigrafia que, também, estou interessado em aprender, a pintura, a escultura, e as máscaras que são incontornáveis e pretendemos, posteriormente, fazer cerâmica e estamos disponíveis para qualquer tipo de atividade artística, seja literatura, música ou poesia”. Em suma, “pretendemos ser uma casa e uma residência aberta às artes num sentido amplo e que haja uma interdisciplinaridade entre as distintas artes numa conjugação de vários esforços, de várias correntes artísticas com um fim comum”, cimentou o artista que nos últimos anos tem ganho o respeito dos seus pares com trabalhos exímios que não deixam ninguém indiferente.

Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com

Politécnico de Bragança quer pôr a academia a pedalar com bicicletas elétricas

O Instituto Politécnico de Bragança (IPB) quer pôr a comunidade académica a pedalar, disponibilizando, a partir de janeiro, de 100 bicicletas elétricas, nas quais foram investidos mais de 241 mil euros, foi hoje divulgado.
O Politécnico de Bragança é o responsável pelo "IPBike" e será o primeiro a avançar com este projeto coordenado pelo Instituto da Mobilidade e Transportes (IMT) e que envolve 15 instituições de Ensino Superior portuguesas, pelas quais serão distribuídas três mil bicicletas (duas mil elétricas e mil convencionais), num investimento global de seis milhões de euros.

A partir de janeiro, estudantes e todos os funcionários e colaboradores do IPB podem alugar, por um período de seis meses a um ano, uma destas bicicletas, com o compromisso de deixaram o veículo motorizado em casa e de fazerem o número de quilómetros que hão de contratar, já que um dos propósito do projeto é contribuir para o meio ambiente, como explicou o responsável local pelo mesmo, Vicente Leite.

"O IPB comprometeu-se a substituir um determinado número de quilómetros em transportes motorizados pelas bicicletas e os utilizadores assumem parte da responsabilidade deste objetivo", explicou.

A cedência das bicicletas será gratuita, cabendo ao utilizador suportar apenas um custo mensal de 20 euros para manutenção e seguro obrigatório, além de uma caução.

Junto às entradas dos edifícios do campus académico existirão "perto de 40 pontos de amarração" para deixar os veículos.

"Pôr a academia a pedalar", em Bragança, implicou um investimento de mais de 241 mil euros, financiados em 85% por fundos comunitários e com uma comparticipação da Câmara de Bragança no valor de 15 mil euros.

O presidente do município, Hernâni Dias, explicou hoje, na apresentação das novas bicicletas à academia, que decidiu "imediatamente" integrar este projeto porque complementa e vai ao encontro das políticas locais de mobilidade e preservação ambiental.

Bragança já disponibiliza, a quem quiser passear durante algumas horas pela cidade, o aluguer de 20 bicicletas elétricas (as Xispas) que "já tiveram mais de 40 mil horas de utilização".

A autarquia tem também prevista a construção de 22 novos quilómetros de ciclovias na cidade, a juntar aos oito já existentes, nomeadamente em torno do campus do politécnico.

O presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, sublinhou o "exemplo e sensibilização que [a instituição] quer dar aos jovens do valor que deve ter o ambiente", além de pretender demonstrar que, "mesmo com muito frio, as pessoas andam de bicicleta, em Bragança".

A sessão de apresentação do "IPBike" contou também com conselhos da PSP de Bragança aos futuros utilizadores destas bicicletas elétricas, ao nível da partilha da via e do espaço público com peões e veículos motorizados.

Ficou também a garantia do comissário Pereira de que a Polícia de Bragança "raramente regista acidentes em que tenham sido intervenientes condutores de velocípedes", acrescida do apelo para que esta estatística não seja alterada.

O presidente do IMT, Eduardo Feio, referiu-se à aposta neste projeto junto das instituições de Ensino Superior, apontando "a bicicleta como um instrumento muito importante para pequenas deslocações" e salientando a importância de encarar "a mobilidade numa perspetiva multimodal".

Para o responsável, este projeto "é também uma forma muito importante de animar as cidades".

Agência Lusa

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Estudantes de Bragança levam bens a famílias de Vila Nova de Poiares

Uma turma do Instituto Politécnico de Bragança pôs literalmente em prática o sentido do curso de Serviço Social e Desenvolvimento comunitário para ajudar famílias afetadas pelos incêndios.
Depois dos incêndios de 15 de outubro, os alunos pensaram na sala de aula o que poderiam fazer pelas pessoas mais afetadas pelos fogos. Se o pensaram, mais depressa o fizeram. Durante quase mês e meio, fora do tempo de aulas e aos fins de semana, começaram a angariar bens que, na passada quarta-feira, entregaram a 15 famílias de Vila Nova de Poiares.
Para isso, alugaram, com a ajuda da Escola Superior de Educação, um autocarro. Com a parte da bagageira completamente lotada com louças e peças mais pesadas foi preciso colocar muitas coisas na parte de cima, literalmente em cima dos assentos. "Alugámos um autocarro de 55 lugares para levar tudo e para nos levar a nós também", diz entusiasmado João Ferreira, um dos alunos.
Uma ideia que surgiu na sala de aulas, acrescenta. "Na unidade curricular de problemas contemporâneos em que estávamos numa discussão para ver quais eram os problemas sociais que afetavam, neste momento nosso país, foi na altura de outubro, dos incêndios e então nós decidimos, enquanto turma e com está nos objetivos do curso fazer um projeto de ação social que fosse de encontro aos nossos objetivos. Fizemos algum trabalho de investigação para ver quais eram as aldeias afetadas e Vila Nova de Poiares foi a vila que se disponibilizou a receber os nossos materiais".
O estudante de Matosinhos adianta que falaram com mais câmaras mas as necessidades eram outras como materiais de construção ou alimentos para animais. Bens que eles não tinham capacidade para arranjar enquanto estudantes.
Cristina Fernandes, é de Lousada e aluna de Serviço Social, acrescenta que foram buscar os bens a vários sítios. "A Chaves, à Régua onde temos alguns alunos da turma e aqui em Bragança. Fomos para a rua e as pessoas disponibilizavam-se logo quando lhe dizíamos qual era o objetivo".
À medida que os sacos com bens de todo o tipo iam entrando no autocarro os lugares reservados para a turma começam a ficar em causa mas Cristina Cardoso, aluna do Peso da Régua diz que a turma vai toda. "Vamos todos os 15 elementos. Todos tomámos a iniciativa e vamos todos entregar os bens às quinze famílias que já estão identificadas pela câmara de Poiares, para ter a certeza que é mesmo tudo distribuído às pessoas certas".
Paula Martins é uma das professoras do curso de Serviço Social e Desenvolvimento Comunitário do Politécnico de Bragança. Ficou surpreendida com o empenho e organização que os alunos tiveram fora das aulas. "Foi um pormenor que eu não esperava. Eles próprios criaram um sistema de presenças, fora das aulas. Reuniam à noite para trabalhar, uma folha de presenças, reuniam para fazer os flyers, outra folha de presenças, ou seja foi um trabalho mesmo em conjunto".
A professora acrescenta que as quinze famílias estão bem identificadas. "Dez famílias que perderam totalmente todos os bens e mais 5 que perderam quase tudo. (Estes 15 alunos) estão a cumprir muito bem o sentido do curso. Fazia falta mais prática num curso que é muito teórico e eles cumpriram essa parte a 100%", termina.

Afonso de Sousa
TSF

Stória de l 76 i l Brabo – Tiu Chic´Albino, Tiu Agusto Albardeiro i l Tiu Zé Godenso

Por: António Preto Torrão

(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Angueira – molino de las Trés Ruodas
ou de ls Lucas an Terroso
(foto de Luís Torrão – agosto 2016)
La patrulha de la guarda i la licença para usar chiçqueiro
Als mius pais, Zé Luiz Pero i Marie Rosa Quintanilha, i als mius armanos, Jorge i Anica, que, cun muita soudade, a uns i outros, guardo na mimória i ls lhembro siempre; a Eimílio, a Aquilino i a la outra Ana Marie, mius armanos tamien, i als sous filhos i mius sobrinos.

I, cumo forma de lhembrância de ls lhugares i de ls modos de bida de la giente i inda de houmenaige a la mimória de ls protagonistas desta stória.

Hai pouco tiempo, miu armano Eimílio lhembrou-me ũa stória que, ne ls anhos cinquenta de l seclo passado, acunteciu an Angueira, ambolbendo las seguintes personaiges, ou melhor, pessonas, porque, sendo real, esta stória tenerá acuntecido mesmo:

L tiu Chic´Albino, un de ls barbeiros i l anfermeiro i regidor de Angueira;

L tiu Agusto Albardeiro, que fazie albardas, molidas, arreios i atafaios pa las bestas (cabalhos, mulas i burros);
L tiu Zé Godenso, molineiro que, tenendo quedado toda la bida solteiro, bibie, cun su armana i l sou cunhado, la tie Adorinda i l tiu Manuel Talaito, na casa de l molino de las Trés Ruodas ou de ls Lucas, nome por que, inda hoije, ye coincido i que queda, ne l termo de Angueira, quaije al cimo de Terroso.
La stória que bos bou a cuntar passou-se al cimo de l´açuda i a cerca de trés cientos de metros arriba de l molino de Terroso – un  de ls dous, antre ls siete molinos que habie ne l termo de Angueira, que nun tenien caliendra – i un pouco abaixo, a menos de dous cientos de metros, de l molino de ls Lucas.

Nesse tiempo, ambora l´auga scassasse muito, raros eran ls beranos an que la ribeira secaba. Cumoquiera, ne l Berano, ũa açuda demoraba alguns dies para retener la auga neçaira i subreciente pa l molineiro poner l sou angeinho a moler. Antón, l molineiro de l que quedaba lhougo abaixo aporbeitaba para represar an l´açuda de l sou molino l´auga que benie de l que quedaba más arriba. Cun este sistema de aporbeitar l´auga, era mui pequeinho l sperdício de la pouca que habie na ribeira.

Quando esta sória acunteciu, inda nun tenie sido feita la bala de la eirrigaçon, ũa canal de cantarie, cun bários quilómetros de cumprida, que, aporbeitando l´açuda de l molino de Terroso, lhebaba l´auga pula Yedra, la Senhora, la Cabada, l Cachon, la Salina i la Mediana anté la Faceira i a las Ulmedas. Este melhoramiento, feito pul goberno ne ls anhos sessenta, bieno a permetir regar las muitas huortas que habie an todos estes sítios de l termo de Angueira de la marge dreita de la ribeira.
Tengo la certeza de que naide ou pouquitas pessonas saberán que, naquel tiempo, ls fumadores que quejíssen usar chiçqueiro tenien que tener ũa licença i pagar bien por eilha. Ye que, cun la çculpa de porteger i de purmober la andústria nacional de cerilhas – Fosforeira Nacional –, Salazar ls oubrigaba a tirar ũa licença.

Ũa beç, nun deimingo de berano, mesmo a la nuitica, l tiu Chic´Albino i l tiu Agusto Albardeiro, cumo tenien l hábito de fazer, fúrun a la pesca a l´açuda de l molino de Terroso, un sítio bien longe de l pobo, onde, a aqueilha hora, deficelmente poderien ser bistos por quien fura que fusse ou apanhados pula guarda. Tenerien an mente pescar uns barbos, çcalhos i xardas que eran mui apreciados por toda la gente. Al cuntrairo, nesse tiempo, quaije naide daba aprécio als carangueijos – lhagostins de pata branca, bien çfrentes de ls “talibans” que, hai pouco tiempo, nun sei quien fui que tubo la mala eideia de ls botar na ribeira – i que, antón, antes de la ida de ls “barragistas” para, alhá, ls apanharen i, nas marges frescas de la ribeira de Angueira, passaren ls sábados i ls deimingos cun sues famílias, eilhi abundiaban.

La casa de l molineiro, al lhado de l molino
de las Trés Ruodas ou de ls Lucas (agosto de 2016)
Un cachico apuis de haberen chegado mesmo al cimo de l´açuda de Terroso, ne l sítio onde, na marge dreita, desauga l ribeiro de la Puntelhina, alhá stendiran la rede a toda la lhargura de la ribeira. Tudo isso a las scuras porque, sendo lhuna nuoba, lhunar nun habie. Assi, la única lhuç era la de las streilhas. Mas bien sabien que esse era l sítio onde habie ls maiores i melhores peixes an toda la ribeira. I, para les dar tiempo de caíren ne l sou apetreicho, solo purmanhana alhá tornarien para reculhir la rede i, quaije de certeza, ũa cestada de peixes bien chena.
Staban yá quaije de partida pa l pobo, quando, al loinje, oubiran un barulho stranho ne l alto de Peinha Ferreira, cerca de la mesma marge de la ribeira, que parcie ser de alguien que, ls tropeçones, baixaba pula caleija, mesmo al lhado de la huorta de l tiu Miguel Galharito, para Terroso. Çcunfiando, purmeiro, que fusse algun lhobo i, despuis, ũa patrulha de la Guarda Republicana, para nun seren bistos nin apanhados, ls dous scundírun-se lhougo, l melhor que pudírun, na borda de la ribeira, antre i bien ancubiertos puls amineiros.

Bien listos i atentos i de oubido a la scuita, deilhí a pouco, quedórun quaije cula certeza que serie solo ũa pessona. Que bicho nun serie i la guarda tamien nun arrastrarie tanto ls pies nin farie rebolar tantas piedras. I, cunsante l bultio se iba acercando deilhes, mas, subretodo, depuis de, al fondo de la huorta de l tiu Galharito, birar para riba, quedórun bien más çcansados. Afinal, era l tiu Zé Godenso, que, çopo i cun cachico de bino a más – que tenerá buído na taberna de l tiu Cereijas i de la tie Marinácia Fresca, ne l Ronso, ou an la de l tiu Morais i de la tie Bexela, an Sante Cristo –, torpeçando nas piedras de la caleija, tornaba de l pobo, cuosta abaixo, por este atalho, para sue casa, que quedaba un cachico más arriba.
Raposo bielho cumo era, l tiu Chic´Albino lhougo se lembrou i cumbinou cul tiu Agusto Albardeiro pregaren ũa partida i daren un baliente susto l tiu Zé Godenso. Fingindo que eran ũa patrulha de la guarda i, cumo era lhuç que fusque, quando aqueste staba yá an tierra praina i mesmo a chegar cerca de l scundideiro onde staban, saltórun-le l camino i, çfarçando, cun boç fuorte i mui mal-ancarado i falando grabe, cumo era sou questume i próprio de qualquiera outoridade, diç l tiu Chic´Albino:

– Alto lá!… Pare já aí!… O senhor quem é?

– You sou Zé Godenso…

– I donde vem?

– Pus bengo de l pobo!…

– O senhor está a querer endrominar-nos!…

– Nun, senhor!… – defendiu-se, todo anculhidico, anrascado i a tremer de miedo, l tiu Godenso. – Bengo de l pobo!… Stube a oubir l gramofone de la senhora dona Laura!…

Chegando-se un pouco más cerca del i fingindo que l staba a cheirar i l iba rebistar, pregunta-le:

– O senhor que tabaco fuma?

– You nun fumo ningun!…

– Fuma, fuma!… que cheira a tabaco!

– Mas you nin sequiera fumo…

– Ó 76, pega em mim que, senão, ainda o mato! Que este homem está a mentir-nos com quantos dentes tem na boca!…

– Stou a dezir la berdade, senhor guarda!…

– Ora mostre-me cá o isqueiro, que quero ver se tem a licença!

– Mas you nun tengo chiçqueiro!…

Fazendo que rebistaba l tiu Zé Godenso i cumo nun tenie ancuntrado nin cigarros nin chiçqueiro, diç l tiu Chic´Albino pa l tiu Albardeiro:

– Ó 76, desta vez, vamos deixar passar!… Que, hoje, para sorte dele, o homem já não tem cigarros nem traz isqueiro. Mas vamos estar atentos!… Que, da próxima vez, não nos há de escapar!…

Angueira – aspeto atual de l molino de
las Trés Ruodas ou de ls Lucas an Terroso
(agosto de 2016)
Finalmente,  l tiu Zé Godenso alhá atrabessou, l más rápido que puode, pa l outro lhado de la ribeira. I quier-me mesmo parcer que nunca dantes, cumo an essa nuite, tenerá chegado tan rápido deilhi a casa…

Deilhí an delantre, siempre que l tiu Zé Godenso se ancuntraba cun quienquiera que fusse cuntaba-le la sue abintura: que, ũa nuite, ũa pratulha de la guarda – l 76 i l Brabo – le salíran l caminho, l mandórun parar, i rebistórun i l quejíran prender.

Cumo se questuma dezir, naide puode afiançar: desta auga nun beberei!... Ye que la cousa fui-le tan bien armada que tengo quaije la certeza que, se inda hoije fusse bibo, l tiu Zé Godenso cuntinarie cunbancido de que fui ũa patrulha de la Guarda Republicana que, nessa nuite, le saliu l caminho, l mandou parar, l rebistou i l amanaçou que l iba prender.

I quanto nun se tenerán adbertido l tiu Chic´Albino i l tiu Agusto Albardeiro al oubir l tiu Zé Godenso cuntar-les esta stória!…

António Preto Torrão. Licenciado em Filosofia (Universidade do Porto)
DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Mestre em Educação – Filosofia da Educação (Universidade do Minho)
Pós-graduado em Inspeção da Educação (Universidade de Aveiro)
Professor e Presidente Conselho Diretivo/Executivo
Orientador de Projetos do DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Autor de livros e artigos sobre Administração Educativa
Formador Pessoal Docente e Diretores de AE/Escolas

Inspetor e Diretor de Serviços na Delegação Regional/Área Territorial do Norte da IGE/IGEC

Bocabulairo/vocabulário


Abintura – aventura \\ abundiar – abundar \\ adbertir – divertir \\ amanaçar – ameaçar \\ amineiro – árvore que se dá bem em lugares húmidos e junto aos rios e aos riachos \\ ancubierto – encoberto \\ angeinho – engenho \\ aqueste – este \\ atafals – arreios \\ barragista – nome dado em Angueira ao trabalhador das barragens de Miranda do Douro, Picote ou Bemposta \\ bino – vinho \\ boç – voz \\ buído – bebido \\ búltio – vulto \\ caliendra – canal por onde passa a água do açúde até ao moinho \\ cantarie – cantaria, pedra de granito \\ çcansado – descansado \\ çculpa – desculpa \\ çcunfiar – desconfiar \\ cerilhas – fósforos \\ çfarçar – disfarçar \\ çfrente – diferente \\ chiçqueiro – isqueiro \\ coincido – conhecido \\ çopo – coxo \\ cumoquiera – de qualquer maneira \\ deilhí – dali \\ cunbancido – convencido \\ delantre – diante \\ desaugar – desaguar \\ falar grabe – falar Português \\ loinje – longe \\ lhuç que fusque – lusco-fusco \\ lhuna – lua \\ lhunar – luar \\ naide – ninguém \\ neçairo – necessário \\ ningun – nenhum \\ outoridade – autoridade \\ pobo – aldeia, povoação \\ parcer – parecer \\ purmanhana – ao alvorecer \\ purmeiro – primeiro \\ quaije – quase \\ questume – costume \\ quienquiera – quem quer \\ regidor – autoridade a que incumbia resolver litígios e manter a ordem pública na freguesia \\ scassar – escassear, faltar \\ scuita – escuta \\ scundideiro – esconderijo \\ seclo – século \\ sperdício – desperdício \\ streilha – estrela \\ subreciente – suficiente \\ taliban – (sentido figurado) variedade de lagostim recentemente lançada ao rio Angueira e que, atualmente, nele prolifera

Para saber o significado de outras palavras clique AQUI.

Ouro e dinheiro furtados na aldeia de Amendoeira

A casa de uma habitante de Amendoeira, no concelho de Macedo de Cavaleiros foi alvo de furto na passada terça-feira.
A lesada conta que levaram ouro e apenas o dinheiro do mealheiro dos filhos porque não costuma ter dinheiro em casa. Foi quando chegou a casa e viu as luzes acesas que percebeu que algo não estava bem.

“Cheguei a casa por volta das 13h15, o meu marido ficou na garagem. Entro pela porta da cozinha e vejo a luz da dispensa acesa, pensei que tinha sido o meu filho que a tinha deixado. Vou ao quarto das visitas vejo 3 gavetas com os papéis de fora, também pensei que tinha sido o meu filho, conforme chego a casa, subo as escadas vejo o quarto todo revolvido e o meu roupeiro, tinha tudo no chão, a cómoda estava tudo revolvido. O meu potinho do ouro tinha desaparecido, tiraram 90 euros do mealheiro dos meus filhos e não conseguia abrir a porta sequer do meu quarto porque estava tudo espalhado no chão. Foi os brincos da minha filha também, rasgaram a caixa e levaram-lhe os brincos e o meu ouro, tudo. Eles iam mesmo a dinheiro e ouro.”

Os vizinhos da lesada contam ter visto um carro parado cerca do meio dia e meia mas que não lhes levantou suspeitas pois já seria recorrente o seu paradeiro pela zona.

“Os vizinhos o que me disseram é que estava um BMW branco a trabalhar ao pé de minha casa com um indivíduo lá dentro ao telefone, só que não suscitou suspeitas porque pensou que era visita, pensou que estava ali ao telefone e não tirou matrícula. Depois no dia seguinte fomos falar com outro vizinho que diz que também não ligou ao facto de ver lá o carro, porque era um carro que já andava por ali há dias para cima e para baixo e pensavam que era alguém que tinha uma empresa na zona industrial. E é sempre o mesmo carro, um BMW branco de jantes pretas com 3 a 4 indivíduos lá dentro.”

A lesada refere ainda que é importante que sejam tiradas as matrículas dos carros menos conhecidos como forma a tentar ajudar as autoridades policiais no caso.

“Devemos ter muita atenção, quando virmos um carro que nos levante suspeitas, mais vale matrículas a mais do que a menos, porque as pessoas não têm atenção, não tiram matrículas. As pessoas estão vigiadas há muito tempo, como eu estava e eu entrava em casa e não reparava, só digo para termos mais atenção, se vem alguém a seguir-nos e sempre que virmos um carro estacionado que não conheçamos sempre tirar a matrícula.”

De relembrar que a 6 de Novembro uma casa na aldeia de Vale Benfeito foi alvo de um furto que apresentava os mesmos moldes.

Em Amendoeira esteve presente a GNR e a Unidade de Investigação Criminal.

Escrito por ONDA LIVRE

Um dó li tá

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Amanheceu. O tempo serenou. Abrimos a janela e um pássaro canta na frescura da árvore vestida de ouro, em tempo outonal. Desligamos a Televisão… deixamos de entender o mundo. As certezas de ontem são as incertezas de hoje. Não há passado porque se perdeu no desrespeito pela tradição... e se ignorou a dignidade humana instituída. Não há presente porque se afoga nos calabouços do medo e do tempo incerto. Não há futuro porque não se pode planear…prever…a lógica da incerteza fragiliza os mais frágeis que vivem o presente sem horizontes de amanhã, sem a frescura renovadora da esperança.
Hoje, ainda tomamos o pequeno-almoço pela manhã no recato da nossa casa… Quantos dias poderemos tomar o pequeno-almoço pela manha? Não sabemos… vivemos no sobressalto… no medo do saque consentido… na eminência da pobreza planeada. Tudo legal. Quem duvida da legalidade do Despacho, da Portaria, do Decreto-Lei, da Lei que todos os dias…pela calada da noite nos delapida o património…nos saqueia as magras reformas…nos retira serviços de proximidade… nos comprometem a saúde…nos fragilizam as escolas.
Gostava de saber de um sítio onde não houvesse Estado… onde as Leis assentassem na honradez dos vizinhos…regressar ao Comunitarismo… cultivar a horta…criar o porco e as galinhas… viver em paz com os vizinhos na esperança que não me saqueassem o renovo, nem me assaltassem a capoeira.
Mas não vale a pena sonhar…os velhos comunitarismos são uma miragem… o reino maravilhoso do Torga… morre paulatinamente… grande é o deserto!
O Povo continua a votar no seu Partido… a comprar o tractor maior do que o do vizinho… a assistir resignadamente à morte dos idosos… as crianças deixaram de jogar ao pião e ao giroflé… giroflá na cerca da escola… E um dia breve... talvez a última criança, do tal reino maravilhoso que morre duma forma ignóbil, legal e consentida às mãos do Poder de Lisboa dirá sozinha a última lenga-lenga, na imensidão dos destroços dos casebres abandonados:
Um dó li tá
Cara de amendoá
Um segredo
Colorido
Quem está livre, livre está. 
Em cima do piano está um copo de veneno, 
quem bebeu morreu, 
o azar foi mesmo teu!
...não acreditem... hoje acordei mais cinzento... não acreditem... temos que agarrar a esperança... nem que seja a ultima esperança!
Nos dias mais cinzentos é quando se ouve, duma forma mais vibrante e clamorosa o Hino sagrado da Maria da Fonte:
"É avante Portugueses 
É avante sem temer 
Pela santa Liberdade 
Triunfar ou perecer"


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.