quarta-feira, 16 de agosto de 2017

CN TRIAL 4X4: Bragança Superou Expectativas

Com a presença de muito emigrantes na região, a pista em S. Pedro de Sarracenos, Bragança, foi palco de uma espetacular jornada do Campeonato Nacional de Trial 4x4, com emoções ao rubro não só para as 30 equipas participantes como também para os milhares que estiveram a assistir.
Tábô Team 4x4, Cameirão 84, Nordhigiene Team, Garagem Transmontana e Torre da Princesa/Autoclube do Nordeste correram em casa, o que se notou sobremaneira pelo apoio recebido. 

No que à prova diz respeito, de salientar a vitória do humorista Pedro Alves Pedro Alves (MonsTTer/Cistus) na classe Extreme, após três pratas e um bronze alcançou, finalmente, o primeiro ouro da época, tenho completado sete voltas ao circuito, mais quatro do que o segundo classificado, António Calçada (NordHigiene Team). António Silva (Canelas Pneus) viu-se obrigado a abandonar a prova mais cedo depois de ter capotado, num acidente do qual apenas resultaram danos, ainda assim conseguiu o terceiro lugar. 

«Duas vezes, pelo menos, perdemos a prova na última volta ou no último minuto e aqui em Bragança não nos fugiu. E ainda bem que foi em Bragança porque estava aqui um palco fantástico para um dia duríssimo de trial com muitas coisas à moda antiga. Parabéns à organização, à Associação TT Sem Limites, ao Flávio Gomes pelo trabalho que ele teve e à Câmara Municipal. Foi um fim de semana fantástico», realçou o piloto Pedro Alves.

Na classe Proto, Bruno Fernandes venceu e aproximou-se dos lugares da frente, relegando para trás Rui Querido (Euro4x4parts/Veicomer), que teve problemas com o carro, e Álvaro Alves (Dream Car) que desde a primeira hora andou sem travões e ainda partiu o guincho da frente e o de trás.

«Tivemos menos problemas do que em outras corridas. Tivemos dois furos logo com meia hora de prova, numa altura que já liderávamos. Caímos para terceiro, mas com um andamento controlado, chegámos novamente à liderança. Ainda tivemos problemas com a porta do condutor e ainda tivemos mais um furo, mas conseguimos a vitória. Foi merecida», explicou Bruno Fernandes

No que à categoria Super Proto diz respeito, Cláudio Ferreira (Auto Higino) repetiu a vitória da etapa em Valongo. «Correu bem. Tive que fazer uma grande gestão do carro para não haver surpresas porque a pista tinha várias ratoeiras. Queremos dar os parabéns à organização porque a pista estava excelente, era uma verdadeira pista de trial», disse o piloto Cláudio Ferreira. 
Cláudio Amarílio (Bar Amarílio), que teve problemas com os sticks e ainda furou um pneu, completou as mesmas 13 voltas do primeiro classificado, mas com mais 52 segundos. O madeirense Sérgio Rodrigues (S&J Team), que se estreou no CN Trial 4x4, conquistou o terceiro lugar. 

João Fernandes (Jovi Team) já se habituou ao ouro e em Bragança conquistou o quarto primeiro lugar da temporada, em cinco possíveis na classe Promoção. «Tivemos vários azares e esta vitória é resultado de muito trabalho e dedicação», desabafou João Fernandes.
A luta com João Vicente (Santerchips/AM turbocharger/Jot4x) foi aguerrida, com o piloto de Évora de Alcobaça a chegar a andar na frente da corrida, mas dois furos atrasaram a equipa, que ficou-se pela segunda posição, com Nuno Urbano (Team Urbano&Urbano/Judas4x4) a ocupar a última posição do pódio.

Na Classe UTV/Buggy, Daniel Duque (Duque TT) fez o terceiro primeiro lugar da época, com sete voltas à pista, mais duas do que Domingos Diniz (Team Revi-clap 1)

A próxima etapa realiza-se em Ourém (Espite Aventura), a 25 de setembro, e, por último, sendo que a última terá lugar em Paredes (Clube TT Paredes Rota dos Móveis), a 15 outubro. 

Confira os pódios
Classe Extreme
1.º MonsTTer/Cistus (Pedro Alves/ Mário Silva) – Land Rover 
2.º NordHigiene Team (António Calçada/Vítor Rodrigues) –Suzuki Samurai R 
3.º Canelas Pneus (António Silva/Daniel Jorge) – Toyota Hilux 

Classe Proto 
1.º Team JMF (Bruno Fernandes/António Azevedo) – Proto XS5
2.º Euro4x4parts/Veicomer (Rui Querido/Ivo Mendes) – Toyota bj40
3.º Dream Car (Álvaro Alves/Álvaro Neves) – Toyota bj70

Classe Super Proto 
1.º Auto Higino (Cláudio Ferreira/Luís Pirralho) – Proto Mercedes
2.º Bar Amarílio (Cláudio Amarílio/Pedro Campas) – Crawler BMW 
3.º S&J Team (Sérgio Rodrigues/Jorge Baeta) – Jimmy 4x4

Classe Promoção 
1.º Jovi Team (João Fernandes/Rodrigo Sousa) – Nissan Patrol GR 
2.º Santerchips/AM turbocharger/Jot4x (João Vicente/Manuel Morgado) – Toyota BJ 40 
3.º Team Urbano&Urbano/Judas 4x4 (Nuno Urbano/Fábio Loureiro) – Nissan Patrol 

Classe UTV/buggy 
1.º Duque TT (Daniel Duque/Hélder Leal) – Polaris RZR 800S 
2.º Team Revi-Clap 1 (Domingos Diniz/Didier Dinis) – Polaris RZR 1000 
3.º M. Transportes (Marco Melo/Raul Grilo) – Polaris RZR 800 S

Classe Absoluto*
1.º Preparações Badinho/Cabral Seguros (Pedro Costa/Bruno Silva) – Crawler Toyota
2.º Team RJ69 (Rui Rocha/João Rocha) – Toyota 
3.º TáBô Team 4x4 (Flávio Gomes/António Leal) – Jeep Crawler

*A pontuação a atribuir para a Classe Absoluto é determinada pela classificação geral final de cada evento nas classes Extreme, Proto e Super Proto, a equipa que conseguir o maior número de voltas em cada etapa é quem mais pontua para o Absoluto. 

Foto de Ricardo Castro
in:abola.pt

Veículo ligeiro atingido duas vezes esta tarde na A4

Um ferido grave e dois ligeiros é o resultado de um acidente na A4, sentido Macedo de Cavaleiros/Mirandela cerca das 17h desta tarde.
Ao que apuramos, o veículo ligeiro encontrava-se parado na berma da estrada quando foi abalroado por um camião e, de seguida, atingido novamente por uma viatura ligeira.

O ferido grave, uma idosa na casa dos 80 anos, e um casal de meia idade, foram levados para o Hospital de Bragança para receberem assistência médica.

O acidente aconteceu ao quilómetro 155,1 da Autoestrada Transmontana que chegou a estar cortada ao trânsito por cerca de 40 minutos.

Escrito por ONDA LIVRE

Volta a Portugal em bicicleta - Bragança

Bragança regressa à Idade Média

Por estes dias, Bragança também pára a máquina do tempo e retorna à Idade Média. 
A Festa da História decorre no Castelo transmontano, com um conjunto de atividades que recriam a época da origem da cidade brigantina.
clica na imagem para aceder ao video

"Fogos que começam à noite não podem ter mão bondosa"

Secretário de estado da Administração Interna apontou situações de "criação de incêndios".
O secretário de Estado da Administração Interna afirmou na terça-feira que os fogos que começam à noite e em "lugares estratégicos e cirúrgicos" não podem ser de "mão bondosa", apontando situações de "criação de incêndios". 
"Estou apenas a constatar o que está a acontecer: e não é às 22h30 que nasce um incêndio em Idanha e que podemos culpar o sol e nem são dois incêndios em Vila de Rei, depois de o fogo estar extinto e que aparecem em locais estratégicos e cirúrgicos, que são de mão bondosa", afirmou. 
O governante falava ao final da noite de terça-feira, no Fundão, concelhos onde desde domingo lavra um incêndio de grande dimensão, que tem dizimado Serra da Gardunha e que começou na madrugada desse dia no Louriçal do Campo, no concelho de Castelo Branco. Um sítio onde, segundo o secretário de Estado, já se tinham registado, anteriormente, 20 tentativas de incêndios, todas apagadas com sucesso, até que "conseguiram o pretendiam", referiu. Sempre sem usar a palavra "incendiário", Jorge Gomes também considerou estranho o fogo que começou esta noite em Idanha-a-Nova, exatamente quando reunia com os responsáveis do teatro de operações no Fundão, ou ainda os dois incêndios registados em Vila de Rei e que não configuram situações de reacendimento. 
Questionado sobre se tais conclusões vão levar a tutela a preparar legislação mais dura para o crime de fogo posto, o governante referiu que importa sensibilizar e chamar a atenção dos cidadãos para os próprios comportamentos e também para aquilo que chamou de "mão menos boa". Por outro lado, referiu que os exemplos citados, todos no distrito de Castelo Branco, também demonstram que, "quando há vontade de que as coisas ardam", por "muito bem organizados e instalados" que os sistemas de proteção estejam, "por vezes não conseguem ter capacidade de resposta". 
Confrontado com as queixas e apelos constantes do presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, relativos à falta de meios e necessidade de um "reforço musculado", Jorge Gomes garantiu que a Proteção Civil está no terreno com a força máxima, mas também lembrou que "os recursos são finitos" e que, por isso, têm de ser geridos. Enaltecendo o trabalho feito pelos operacionais, bem como pela autarquia local, apontou o comportamento deste fogo e as constantes mudanças de direção como uma das causas para a intensidade que atingiu. 
Adiantou ainda que este incêndio tinha cerca de 600 operacionais envolvidos no combate, já provocou 12 feridos, todos ligeiros e oito dos quais bombeiros, mas salientou que nenhuma situação inspira cuidado.

Agência Lusa

Morais, 800 anos de história

Morais, em Macedo de Cavaleiros, é uma das aldeias mais antigas do concelho e celebrou, no passado domingo, 800 anos de existência.
Além da riqueza geológica que a apelida como “Umbigo do Mundo”, pensa-se que o nome Morais faça referência ao apelido de uma família fidalga do séc. XIII que poderão ter habitado naquelas terras.

Rui Sousa, investigador pelo município, refere alguns dos vestígios que a aldeia ainda preserva da antiguidade.

“Escolheram os 800 anos porque é uma data coincidente com 1217, mas há datas anteriores e há documentos que provam a existência da localidade já em anos ateriores. O que é que se preserva dessa altura? Em termos de monumentalidade permanecem as ruínas da igreja da Nossa Senhora do Monte, não sabemos precisar de que época é mas sabemos que é medieval, temos a certeza que no século XVIII ela ainda estava oculta . Também temos a importantíssima Igreja de Santo André em Morais que é uma igreja de finais do séc XVII inícios do séc XVIII que ainda preserva tudo aquilo que tem a ver com grande rota do barroco que nós temos aqui em trás-os-montes. Permanecem ainda as capelas de São Pataleão, da Nossa Senhora da Oliveira e de S. Sebastião.”
Uma data que se tem vindo a comemorar durante a semana, com música a animar as noites na aldeia. Mário Teles, presidente da Junta de Freguesia de Morais, considera importante que uma idade como esta seja marcada pelos habitantes da localidade.

“Esta semana tem-se comemorado os 800 anos da freguesia o que é muito importante. Muitas pessoas talvez pensem que tem menos idade mas a realidade é esta, tem 800 anos.”
Uma forma de exaltar o orgulho da população na terra ao comemorar uma data significativa.

Palavras de Carlos Barroso, vice-presidente do município macedense.

“A aldeia tem 800 anos e existem registos nesse sentido. É, portanto, um marco, 800 anos não se fazem todos os dias, só se faz uma vez, e é uma idade bonita para esta freguesia. Por isso organizaram-se estas festas que duraram uma semana e que têm o epilogo hoje neste domingo.”

Grande parte da história de Morais foi-nos aqui indicada e a maior parte das pessoas ano a conheceria. No entanto, Morais exaltou o seu orgulho e eles estão contentes e em festa.”
No domingo a aldeia inaugurou ainda uma placa alusiva aos 800 anos de Morais.

(Foto: Rui Sousa)
Escrito por ONDA LIVRE

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos - GASPAR LOPES PEREIRA (MOGADOURO, 1642 – LISBOA, 1682)

Nasceu por 1642, na vila de Mogadouro, sendo filho primogénito de Francisco Lopes Pereira e sua mulher Maria Dias. (1) Na terra natal se criaria e ali aprendeu a ler e escrever, com o “mestre-escola” João Bernardo.

Andaria pelos 9 anos quando, ao final de fevereiro de 1651, a vila de Mogadouro foi autenticamente tomada de assalto, por um verdadeiro exército de familiares da inquisição, padres e frades e militares requisitados pelo tribunal de Coimbra para prender umas 120 pessoas acusadas de judaísmo, constantes da lista enviada ao comissário António Azevedo da Veiga, reitor da igreja de Sambade, que comandaria as operações. (2) Um dos prisioneiros foi o pai de Gaspar. Imagina-se a impressão que os acontecimentos terão causado na criança, nela deixando indelével marca.

Posto o pai em liberdade no ano seguinte, a família abalou para Castela, e depois de uma breve estadia em Madrid foi assentar casa em Granada, cidade onde vivia já um tio paterno de Gaspar, metido nos negócios do tabaco. Chegaram ali em agosto de 1653.

A partir de então, ele “nunca teve assento nem morada certa” pois a vida de Gaspar Lopes Pereira era “andar sempre nas estradas, com fazendas dos pais” – para usarmos as suas próprias palavras. Entre Portugal e Espanha conhecia todos os caminhos “por neles andar sempre com seus contratos de mercancia”. Especialmente conhecia os caminhos para Mogadouro onde se deslocava com frequência e fazia estâncias de semanas, como atestaram algumas testemunhas. Mais conhecidos ainda eram os caminhos de Lisboa, onde passava meses e vinha sobretudo comprar tabacos, trazendo de Espanha cavalos e tecidos para vender. Na capital do reino hospedava-se na estalagem de Manuel Fernandes, sita ao Beco das Comédias. E tanto o estalajadeiro que o recebeu por mais de 20 anos, como o barbeiro, o confeiteiro e outros que o serviram ou com ele conviveram, o retrataram como “um homem de bom entendimento, de muita indústria e viveza nos negócios”.

Mas não eram só os caminhos de Portugal e Castela que Gaspar conhecia. Não: ele fazia também viagens para a França, a Itália e a Flandres, conhecendo muito bem Roma e Livorno onde contactou com “professores judeus”, assim como a cidade holandesa de Amesterdão, cuja sinagoga frequentou e onde se apresentava como “público profitente da lei de Moisés”, como ele próprio confessou.

Em 16 de Março de 1675, a inquisidores de Valhadolid escreveram para Lisboa dizendo que haviam passado ordem de prisão a Gaspar Lopes Pereira, que não foi encontrado. E constando que se encontrava em Lisboa, requereram a sua prisão, enviando cópia das denúncias feitas contra ele por: Ana de Cáceres; Francisco Garcia Torres e João de Torres, em 1664, 1666 e 1668, respetivamente.

Foi encontrado na estalagem do Beco das Comédias e preso, no dia 8 de Abril de 1675. Para além dos objetos e mercadorias apreendidas e sequestradas, tinha consigo 47 moedas de ouro, que valiam 206 mil e 800 réis, o suficiente para comprar uma boa casa.

Antes de prosseguir, voltemos atrás, ao verão de 1673, em que os cristãos-novos portugueses, vinham negociando em Roma um perdão geral para os prisioneiros da inquisição e uma alteração dos métodos praticados. Em Roma as negociações eram conduzidas pelo padre jesuíta Francisco de Azevedo e em Lisboa um dos 3 representantes da “nação hebreia” era António Rodrigues Marques, da poderosa família dos Mogadouro. (3) As negociações encontravam-se em bom ponto e era necessário levar documentação importante. E quem melhor do que Gaspar Lopes Pereira, para levar o correio a Roma?

Partiu a 27 de agosto, obrigando-se a fazer a viagem em 20 dias, como costumava. Aconteceu porém que ao atravessar a Espanha, adoeceu com “las calmas” que faziam. E só ao fim de 43 dias é que a documentação chegou às mãos do padre Francisco de Azevedo, que assim tinha visto gorada a assinatura do perdão geral pelo papa. (4) E o padre Francisco de Azevedo acusou Gaspar de se ter atrasado propositadamente e que estaria pago pelos inquisidores. E tão zangado ficaria que, além dos insultos, até puxaram de facas.

Fiquemos agora com Gaspar Lopes Pereira, metido nas masmorras da inquisição de Lisboa. (5) Ao cabo de meio ano, decidiu confessar que judaizara durante 10 anos e que fora catequizado por Diogo Rodrigues do Vale, viúvo de sua tia Maria Lopes. Por dois anos prosseguiu o seu processo, com os inquisidores a dizer que as suas confissões eram diminutas e que contasse toda a verdade, para merecer perdão e misericórdia.

Entretanto, a luta diplomática em Roma continuava e foi suspenso, pelo papa, o despacho de processos pela inquisição portuguesa. Em resposta, o rei D. Pedro II, apoiado pela máquina inquisitorial que dominava por completo a hierarquia da igreja, mandou fechar à chave as casas da inquisição. Pobres dos prisioneiros! Se antes a vida era difícil, agora tornava-se dramática, com o agravamento das condições de salubridade e alimentação.

Só em 1681 a inquisição reabriu e só em 22 de dezembro o processo de Gaspar foi retomado. A solidão e o desespero haviam transformado por completo este homem de “bom entendimento, muita indústria e viveza nos negócios”. Na audiência que então lhe foi concedida, ele revogou as confissões que antes fizera e declarou que fora educado na lei de Moisés desde criança, que sempre fora judeu e que na lei judaica havia de morrer porque só nela encontrava salvação. Muitas sessões tiveram com ele os inquisidores e vários teólogos qualificadores foram chamados para o convencer que a lei verdadeira era a de Cristo. Inútil. Argumentavam que, como fora batizado, era obrigado a ser cristão. Respondia que foi batizado “em tempo que não podia deixar de o ser… e não tem obrigação de seguir preceitos da igreja católica romana que vão contra a lei de Moisés, quando tem esta por mais certa”. 

Continuou irredutível, afirmando que “na lei que Deus dera a Moisés esperava viver e morrer”. Nem sequer vacilou quando lhe ataram as mãos e o levaram para ser queimado no grandioso auto da fé celebrado no Terreiro do Paço em 2 de Maio de 1682, para celebrar o restabelecimento fulgurante da inquisição, no qual foram penitenciados 106 réus, muitos deles trazidos das inquisições de Coimbra e Évora. Daqueles penitenciados, 3 foram condenados à morte como judeus, sendo Gaspar foi um deles. Em mais uma memória enviada para Roma apontando 27 reparos àquele auto da fé, escreveu-se a respeito de Gaspar Lopes Pereira o seguinte:

- (…) E o mesmo Gaspar Lopes, quando o apertavam com razões para o convencer, respondia a tudo por remate: - Sem botica – resposta tão despropositada que parece de homem insensato, e mais desesperado que infiel. E todos os ditos profitentes iam como assombrados e fora de si, com tal aspeto que parecia terem no corpo o diabo, e não falta quem presuma que este lhe apareceu nos cárceres e, ajudando-se das misérias e lástimas em que se achavam, sem remédio para a vida, nem honra, os fez sair em tal desesperação. (6)

Seria o desespero que levou Gaspar Lopes a querer morrer queimado na fogueira? Ou seria mesmo uma profunda convicção interior de que a lei judaica era a verdadeira? Nesse caso, ele deverá ser considerado um mártir do judaísmo e o seu nome inscrito no livro de ouro dos judeus.

Antes de lhe dar a notícia de que ia ser queimado, os inquisidores mandaram um pintor fazer-lhe um retrato, com o seu rosto envolto em chamas, as chamas do inferno. Esse retrato foi enviado para Mogadouro e esteve pendurado na igreja de S. Mamede até se romper, para exemplo do povo cristão.

Se, ao pendurar o seu retrato na igreja, os inquisidores intimavam os cristãos de Mogadouro a execrar a sua memória, nós os convidamos hoje a rezar uma belíssima oração que Gaspar ditou para o processo. O papa Francisco e o bispo José Cordeiro haverão de gostar. Rezem connosco:

Perdóname Señor que te he ofendido,

perdona al miserable que te llama,

perdona el desamor que te he tenido,

no me condenes, Señor, a eterna llama.

Vuelve esses tus ojos a mirarme,

suefre el que por amarte se desama,

valga contigo el confesarme,

válgame ante ti llorar mi ofensa.

Pliegote ahora un poco a escucharme

que si tu gracia en esto mi dispensa

y si mi ayudas, Señor, en lo que digo,

servirá el acusarme di ofensa.

Pecador soy, Señor, tu es testigo,

Que a tus ojos divinos no ay negarlo.

Notas e Bibliografia:
1-Francisco foi o pai de Beatriz da Costa, nascida fora do casamento em 1644. Gaspar teve um irmão inteiro chamado Manuel de Aguilar, nascido por 1645 e uma irmã chamada Beatriz Pereira, nascida já em Castela.

2- O trabalho não terminava com a prisão dos decretados, antes continuava no arrolamento dos bens dos prisioneiros e venda em hasta pública dos necessário para se fazerem 20 mil réis para despesas de transporte e alimentação, pois tinham de pagar até as cordas e os ferros com que os prendiam e as jornas aos que os conduziam para os cárceres do santo ofício.

3-ANDRADE e GUIMARÃES – A Tormenta dos Mogadouro na Inquisição de Lisboa, ed. Veja, Lisboa, 2009.

4- Nesta ofensiva diplomática contra a inquisição foi destacado o papel do padre António Vieira, que fora preso em Coimbra e do ex-notário da inquisição Pedro Lupina Freire.

5- ANTT, inq. Lisboa. Pº 2744, de Gaspar Lopes Pereira.

6- ANTT, Armário Jesuítico, Segunda caixa, nº 87, Reparos feitos por ocasião do Auto da Fé…

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

AGOSTO FESTIVO

Estamos no pináculo do Verão, estamos no epicentro das celebrações festivas, estamos num tempo de plena cantata das cigarras incluindo as humanas, porque se a maioria ganha o pão derramando o suor do seu rosto, há que temperar o sacrifício polvilhando-o de intervalos de folgança concedendo plena expressão à velha sentenças “mais vale um gosto na vida, do que cem mil réis na algibeira”

AS festas e romarias deram azo a milhentas manifestações em larga medida jocosas, como a daquela mulher convenientemente lavada e aperaltada de forma inusual ao ser inquirida acerca da causa de tão especioso ataviamento retrucou impante: “vou à festa com o meu homem”, à noite, no regresso, esbaforida, e o marido cambaleante, respondeu a quem lhe perguntou de onde vinha, azeda vociferou:” venho da festa e esse que vem atrás”.

Para lá desta e de outras facécias as festas eram a frescura das cores infantis e juvenis mais de génese feminina, este amor ao adorno e do ornamento, essa paleta cromática que durante um dia anima as aldeias numa sinfonia de sons gritados de admiração, de afecto, de inveja, de comiseração, de genuína amizade, de exclamação nas comparações entre o aquele ano e o passado presente e quantas vezes repletas de leviandade fugaz de diabrura no vai vem das recordações. É a festa!?

Escrevo é festa. Manda a realidade escrever: agora são os festivais, a ânima festiva resvalou em festivais, a passagem fez-se nos últimos anos a arremedar ritos de passagem vindos de fora, da longe, de língua inglesa, impondo-se nas noites ruidosas ao linguajar portunhol e francófono dos visitantes e emigrantes a passarem as vacanças no terrunho natal, onde tudo parece igual mas não é, subtilmente ali, riscante acolá, na rarefação das gentes nos olhares dos regressados de vez por efeito das reformas, nas alteridades das casas e equipamentos, nos utilitários transportes de matrículas de idade venerável.

Os festivais derramam luz e gritos musicais sobre os campos adjacentes à arena (agora está na moda o termo indicador de outras pugnas) ou terreiro de onde antes da bailação solta na maioria dos casos, as raparigas e rapazes quais possuídos pela doença de S. Vito pulam e voltam a pular soltando de forma audível corruptelas guturais num esfalfamento incompreensível aos ouvidos dos saudosos dos gaiteiros (agora escassos e revivalistas) e das bandas de música e/ou filarmónicas a fenecerem lentamente, ainda chamadas a abrilhantarem cadenciadamente as procissões.

O estiramento da festa em festival obriga aquele que é capaz de ler em voz alta e de compreender plenamente, a não derramar lágrimas sobre o leite derramado do fluir temporal, antes pelo contrário, compete tornar inteiramente sensível aos cinco sentidos o fragor das referidas alteridades, os não dotados de tais atributos tanto se lhe dá, o seu figurino adapta-se à moda em uso, podendo, quanto muito soltar remoques ocasionais no estilo: Maria vai-com-as-outras.

As transfigurações sociais (veja-se a legalização das barrigas de aluguer) obrigatoriamente, tinham de produzir outros olhares e mimetismos na «construção» dos travejamentos capitais do ócio gerando uma indústria de grande valor económico cujo derramamento sobre o enaltecimento dos valores religiosos e sociais nas aldeias e vilas do Nordestino é residual numa odiosa comparação com os gizados e levados a cabo no litoral em geral, e no Porto e Lisboa em particular. No entanto, desses travejamentos brotam fluídos genéticos dos Festivais a concederem vigor aos argumentos de Debord, no seu livro a Sociedade do Espectáculo. Mesmo nos aglomerados populacionais de menor densidade populacional a idosa senhora não desdenha as «modernices», pois velhos são os trapos, o atavismo ao tradicional restringe-se ao sagrado, e aos comeres de antanho de maneira esparsa. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades!

As considerações acima vertidas (de um cuidadoso verter de dúvidas e perplexidades) são-no em face de não poder recuperar o tempo perdido (obrigado Sr. Proust) na má gestão desse mesmo tempo e tentar intuir o futuro numa perspectiva de sermos capazes de preservarmos as raízes da nossa herança cultural centrada no conceito de FESTA pura e dura tão representativa dessa mesma herança de culturas cuja identidade se perde nas brunas da memória.

Os festivais perderam o verniz elitista de chispa da alta cultura, até snob, popularizaram-se, mesmo as coreografias para não falar das programações desceram no patamar das diversas matricialidade, relembro o bailado da companhia Verde Gaio em Bragança, relativamente aos Festivais, alguns deles de corrimão ou vão de escada.

À festa o que é da Festa, o telúrico, ao festival o que é do Festival, o feérico.


Armando Fernandes
in:jornalnordeste.com

DA POLÍTICA E DOS AFETOS A NORDESTE

A política é uma ciência com um método e um objeto que se tem vindo a apurar com o devir histórico tendente a uma maior objetividade dentro da epistemologia das ciências humanas e sociais. Contudo, a política assenta primorosamente no sentido prático da “polis”, que tende a cuidar da cidade, da vida do quotidiano, do bem-estar dos cidadãos, privilegiando a moral, os bons costumes e o sentido estético dos espaços. O que quer dizer que a política para além do rigor científico funciona também com um empirismo assumido, dentro dos laços de boa vizinhança, de amizade, de afetos que leva a reconhecer os pares no âmbito do pensamento ideológico e a olhar os outros como adversários políticos. E aqui entram as emoções construídas e solidificadas ao longo de tantos anos em que lado a lado se lutou pelas mesmas ideias e pelos mesmos ideais. A dado passo os partidos políticos criam uma espécie de irmandade que assenta mais na dimensão afetiva do que na racionalidade política.

Longe vai o tempo em que os partidos se reuniam nas suas sedes partidárias, quase diariamente, com paixão, debatendo ideias, consolidando estratégias, às vezes conspirando. Mas havia o sentido da pertença, da participação efetiva na tomada de decisões políticas quer a nível regional, quer a nível nacional.

As eleições autárquicas aproximam-se e assistimos a uma pré campanha morna, sem entusiamo, sem paixão, a luta partidária esmoreceu penosamente para prejuízo da democracia.

Quando Carlos Guerra assumiu legitimante, em eleições democráticas, a liderança do Partido Socialista do distrito de Bragança adivinhavam-se grandes reformas, e pensava-se que o sangue novo da juventude e o entusiasmo de militantes que há algum tempo andavam arredados das lides partidárias trouxesse uma nova dinâmica ao PS. O presidente da distrital do Partido Socialista de Bragança começou por dispensar da comissão política distrital alguns dos “históricos” do PS bragançano, ou seja o núcleo duro do anterior presidente Mota Andrade. E isso poderia contribuir para renovar o partido, arejar as ideias, experimentar novos saberes. E Carlos Guerra continuou a sua saga reformista e em entrevista aos jornais anunciou que ia dispensar, nas próximas autárquicas, os dois vereadores, Vítor Prada e André Novo que tinham dado provas de grande competência e reconhecimento público. Com estas declarações muitos militantes do PS ficaram expectantes em relação aos novos elementos das listas autárquicas que iriam dar força e vigor ao Partido Socialista. Contudo, este entusiasmo esmoreceu-se quando constataram que o Partido Socialista, liderado por Carlos Guerra e também candidato à Câmara Municipal, não tem listas de candidatos à junta de freguesia dum número significativo de aldeias do concelho de Bragança, coisa que nunca tinha acontecido na história da democracia pós 25 de abril.

A explicação para esta ocorrência podia passar pelo facto de o meio rural ter cada vez menos gente e pelo facto do PSD estar no poder na Câmara Municipal. Mas temos também que ter em conta que o PS está no poder, com grande pujança, a nível nacional. Por isso, numa análise primária e sem nenhuma consistência científica acho que o que faltou ao PS na constituição das listas foi a relação de afeto com as populações, a relação de amizade que se consolida ao longo de muitos anos. Os militantes de base habituaram-se a serem reconhecidos na amizade, no abraço, na visita à adega, no café na cidade, na consideração por parte dos dirigentes distritais e concelhios. Falhou o conhecimento do latente, do imaginário rural que se reflete, muitas vezes, no que não se diz, mas se sente com o coração à beira dos longos invernos e dos tórridos verões em que se mata o porco, se faz o fumeiro, se vai à missa do galo, se encomendam as almas, se recordam as segadas, as acarrejas, as malhas, as canções dolentes de embalar, se ralha por um palmo de terra e logo se fazem as pazes nas grandes desgraças.

Há coisas que não se aprendem na escola pois só a racionalidade não chega quando as emoções prevalecem e explicam o real.      

Não é saudável que o poder se concentre num único partido, em prol da democracia, por isso, desejamos que o PS reforce o seu empenhamento e entusiasmo no combate autárquico para que em outubro não tenhamos que recordar a antiquíssima saudação dos gladiadores romanos: “Ave César! Os que vão morrer te saúdam!”


Fernando Calado
in:jornalnordeste.com

Clube de Bragança recebe a exposição de fotografia "Intrépido"

O clube de Bragança, na praça da Sé, está de portas abertas para todos os que quiserem visitar a exposição de fotografia “Intrépido”, de António Sérgio Strecht.
O brigantino de 34 anos, decidiu expor no clube de Bragança, porque a fachada do edifício sempre lhe despertou curiosidade para descobrir como era por dentro e viu nesta exposição uma oportunidade para todos os que como ele sempre tiveram curiosidade sobre as histórias por trás das paredes de um dos prédios mais icónicos da cidade. “Não conhecia nada deste espaço mas sempre imaginei como é que seria isto por dentro. Conversava com algumas pessoas que falavam do coração de como era o edifício por dentro, dos bailes,  dos convívios a jogar cartas e todas essas histórias me deixaram fascinado mas não fazia ideia de como era o espaço, então a primeira vez que o visitei foi quando me dirigi ao proprietário com a intenção de realizar aqui uma exposição”, contou.
O fotógrafo conta que descobriu a sua paixão pela fotografia durante a vida académica e decidiu apostar na arte. O fotojornalismo é para António Sérgio Strecht uma realização e Trás-os-Montes uma inspiração.
“Intrépido” é o nome da exposição fotográfica de António Sérgio Strecht que já foi visitada, segundo o autor, por mais de mil pessoas e que até ao dia 25 de Agosto está no clube de Bragança, no mesmo edifício do café Chave d’Ouro, na Praça da Sé. 

Escrito por Brigantia

Centro de Exames do IMT de Bragança em condições de degradação avançadas

As condições de degradação em que se encontram as instalações do centro de exames em Bragança do IMT estão a gerar uma onda de indignação por parte de quem frequenta o espaço.
A Brigantia esteve no local, numa quarta-feira, dia de exames de código, para questionar os alunos sobre o que encontraram dentro das instalações.
Na nossa primeira tentativa de abordar os alunos que iriam realizar o exame das nove da manhã, não foi possível obter reacções, uma vez que por uma questão de avaria do sistema, o exame foi cancelado e todos mandados embora. Voltámos mais tarde para falar com as pessoas que conseguiram realizar a prova e as opiniões foram unânimes, apesar de poucos se disponibilizarem a gravar declarações os alunos das escolas de condução não estão de agrado com a situação.
Bruno Almeida explica que “as condições são desconfortáveis. As paredes estão degradadas, estão a desfazer-se, o chão está levantado. Os computadores funcionaram mas já são muito antiquados. Não é uma situação normal. Não é uma sala digna pra fazer exame, temos muito mais condições nas escolas do que aqui. Não estava à espera desta recepção, temos sorte que é verão no inverno ia ser complicado. Estranho, de facto, estas condições.”
Também Paula Pereira ficou surpresa com as condições que encontrou. “Está tudo estragado cheio de humidade, a pintura toda estragada, aquilo vê-se que não tem condições. Os computadores são antiquados para aquilo a que estamos habituados”, explicou.
Depois destas reacções tentámos chegar ao contacto com a tutela para obter respostas.
Numa resposta por e-mail o IMT esclareceu que “tem planeado uma intervenção de manutenção, a curto prazo, nas instalações do Centro de Exames de Bragança. Este instituto está também, actualmente, a estudar uma solução, a médio prazo, de melhoria das instalações do IMT em Bragança.”
Esta situação não é única no país, e em Portalegre e Santarém os centros de exames funcionam na mesma em condições precárias. Sobre estes casos, o IMT garantiu que “estão previstas intervenções nas instalações já existentes e em alguns casos, mudança de instalações.”
Os brigantinos esperam agora solução para o edifício que foi inaugurado há apenas 17 anos. 

Escrito por Brigantia

Durante dois dias, o Jardim 1º de Maio, em Macedo de Cavaleiros, acolheu a quarta edição do Mercadinho de Verão

Maria Lisboa e Banda Atlantis garantiram a animação musical numa noite em que o Parque do Império foi pequeno para receber tanta gente

A aldeia de Pinela, no concelho de Bragança, tem agora um novo espaço de lazer ao ar livre resultante de verbas do Orçamento Participativo

Miranda do Douro recebeu mais uma edição da tradicional Feira dedicada ao Artesanato e às Multiatividades com expositores vindos de vários pontos do país

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Alguns "negócios e doações" de Localidades feitos entre a Coroa e Os Monges do Mosteiro de Castro de Avelãs.

DOCUMENTO Nº 31
Dão em troca os monges de Avelãs ao procurador de El Rei a aldeia de Outeiro de Moas e recebem as de Gostei e Castanheira 

1290
«Dom Diniz pela graça de Deos Rey de Portugal e do Algarve. A quantos esta carta virem faço saber que eu recebi hua carta d’Affonso Rodrigues e do abbade e convento do moesteyro de Castro d’Avelãas, da qual o theor he tal:

“Conhoscão quantos esta carta virem que eu Affonso Rodrigues procurador d’El Rey em terra de Bragança e de Miranda faço tal cambo com frei Paayo abbade do moesteyro de Crasto d’Avelãas e com o convento desse lugar em nome do dito senhor que elles se partem e dem a nosso senhor El Rey a aldea que chamão Outer de Moas a qual aldea jaz a pee do Outeiro de Miranda como parte com Ulgossello e com Paaço e com Paredina da outra salvo que retem para si a igreja com saas dizimos e o cazal em que ora mora Lopo Fernandez com sas casas e com sas terras as quaaes ora ha o dito cazal; e eu sobredito Affonso Rodrigues por esta camba lhes dou em nome do dito senhor as aldeas que hão nome Gostey e Castanheyra as quaaes aldeas partem com o dito moesteyro de h~ua parte e com Filmir e com Nogueira da outra e com Izei outrosi com todalas terras que nosso senhor El Rey ha e de direito deve haver nas ditas aldeas; e por esto seer mais firme, e que [de]pois non possa vir em duvida da huma parte nem da outra nos de suso ditos Affonso Rodrigues e abbade e convento seellamos esta carta de nossos seellos e nos sobredito convento porque sello proprio non havemos rogamos ao dito abbade que seellasse esta carta no seu nome e no nosso.
Dante em Bragança quatorze dias andados d’Agosto era de mil e tresentos e vinte e oito annos”.
E eu Rey suso dito outorgo e dou por firme e por estavel todas estas cousas mandei ende fazer duas cartas hua que eu tevesse em testemunho e a outra esse abbade e convento a outra.
Dante em Lisboa quatorze dias de Septembro. El Rey o mandou. Duram Pires a fez era de mil trezentos e vinte e oito annos».
(Doações e Privilégios, etc., fl. 5 v. e 70.)

DOCUMENTO Nº 32
Doação do padroado da igreja de Sesulfe
16 de Março de 1297

«Dom Diniz pela graça de Deos Rey de Portugal e do Algarve. A quantos esta carta virem faço saber que eu querendo fazer graça e merce ao abbade e ao convento do moesteiro de Crasto de Avelãas dou-lhes e outorgo para todo sempre o padroado da minha igreja de Sam Joanne de Sisulfi que he no arcebispado de Braga e todo o meu direito dessa igreja assi como o eu hey melhor e mais compridamente; e por esto ser mais firme e mais estavel rogo ao arcebispo de Braga que de a esto seu consentimento e saa authoridade.
Esta doação lhes faço por minha alma e pelas d’aquelles donde eu venho; [e] em testemunho desta cousa dei ende a esses abbade e convento esta minha carta assellada do meu sello de chumbo.
Dante em Coimbra desaseis dias de Março. El Rey o mandou. Francisqu’Eannes a fez era de mil e tresentos e trinta e cinco annos».
(Doações e Privilégios, etc., fl. 70.)

DOCUMENTO Nº 33
Posse do padroado da igreja de Frieira
Alusão às povoações de Vale de Prados e das Carvas

1298
«Conhescam quantos este scripto virem que em presença de mim Martim Giraldes tabaliom d’El Rei e das testemoyas que adeante seram scriptas Affonso Rodrigues procurador d’El Rey disse que vira huma carta desse senhor em que fezera graça e mercee ao moesteiro de Crasto de Avellãas a saber: que lhy dera o padroado da egreja de Sam Joanne de Frieyra com todos seos termos e sas pertensas como elle havia e de direito devia haver e com todas as dezimas assy como el sempre houvera e como as melhor podia haver de direito e mandou entom o dito Affonso Rodrigues ao porteiro d’El Rey que com elle andava que fosse meter em posse frey Miguel monge do dito moesteiro do padroado da dita eigreja; e o porteiro foi a dita eigreja com seu foste e entregou o dito monge pela chave da eigreja e pela cadea da campaa do padroado da dita eigreja com todas sas dezimas e sas pertenças assy como suso dito e dicendo que depos (…) que ende era abbade ou depos vagamente della fosse o abbade do moesteiro sobre dito a fazer do padroado e das dezimas da dita eigreja o que quizesse e nem hum non fosse a lho embargar so pena dos encoutos d’El Rey; e protestou ainda o dito frey Miguel pela (…) de Val de Prados e das Carvas.
E de como lhy esta entrega mandou fazer Affonso Rodrigues e lha fez o porteiro pedio o dito monge a mim tabaliom de suso nomeado hum scripto com meu sinal e eu a seu rogo e de mandado do dito Affonso Rodrigues deilho scripto com minha; [e em] testemoyo de verdade assiney-o de meu sinal que tal he. [Lugar do sinal público»] [Testemunhas] que presentes erão: o dito Affonso Rodrigues,Miguel Domingues juiz de Mirandella, Lourenco Martinz abbade de (…) Joanne Annes de Guide, João Martins abbade de Avelaoso, Vaasco Rodriguez, e Gil Rodriguez scudeiro.
Feito foi a (…) dias andados de Janeiro era mil tresentos trinta e seis».
(Doações e Privilégios, etc., fl. 108 v. Viterbo, no Elucidário, artigo «Foste», refere-se a este documento.)

DOCUMENTO Nº 34
Foral de Rio Frio de Monte, hoje Rio Frio de Outeiro no concelho de Bragança
8 de Fevereiro de 1299

«In Dey nomine amen. Conhecida cousa seja per esta carta que em presença de mym Alvaro Piriz tabaliam d’Ell Rey de Purtugal e do Algarve em Bragança e das testemunhas que ao adiante som escritas para esto espiciallmente chamados e rogados dom frey Payo abade do mosteiro de Crasto d’Avellaaes e frey Affonso prioll e comvento desse mosteiro e lugar derom e outorgarom a todollos povoradores que som e que [am de] vir e a toda sua geeraçom a sua villa de Rio Frio de Monte e com seus termos asy como os ora elles am [e] que façam emde sesenta casaes e que lhe dem emde de cada casall vinte [vinte (sic)] soldos de portugueses e senhas oytavas de triguo nas eyras cada hum ano os meos dos dynheiros por a festa de Sam Martynho e os meos polla festa de Pascoa e as oytavas de triguo nas eyras e quinze maravedis de portugueses de oito soldos o maravedi ao abade polla colheyta e ao [celeyreyro] cinquo maravedis de purtugueses por colheita e outrosy [dar-lhos] cada anno polla festa de Santo Andre.
Item: daram ao dito mosteiro a dezyma asy como foy usado atee aquy e voz e coyma pollo foro de Bragança; e quem hy casall emteyro non tyver non de fumadeguo; e quem hy casall emteyro tyver do fumadeguo de fumadeguo de tres soldos portugueses e darem ao mosteyro os meos por a festa de Sam Martynho e os meos polla Pascoa e serem emde [seus] vassallos e hobedientes e que lavrem e mylhorem nesa villa e seus termos; e se ouverem de vender ou apenhar casall ou meo casall ou terça de casall ou quarta de casall comvidaram antes ao mosteyro e em outra maneyra non ho convidando e se o mosteyro ho comprar quiser ou seu apenhoramento e o filhar non quiser venda’no a tall home em tall que seja vasalo hobediente do dito mosteiro e morador de Rio Fryo e pague os ditos foros e de todo ho all que de suso dicto he (...) que non seja frade nen cavaleyro nen cre[le]guo nem home de [de Deus (?) e] se isto non fizerem percam o erdamento e [esto lhe darom fee (?)] retendo pera sy ho padroado da ygreja desa villa de Rio Frio e a apresentacão della.
Item: lhe mandarom que se allgum desa villa de Rio Frio per furto [?], homyzio ou per [coyta] sabuda [ho herdamento] herdamento [sic] que nessa villa de Rio Frio tyver leyxar que o nom perca vindo atee tres annos e pagando os foros e se atee tres annos non vier pera o dito erdamento ho aja ho dito mosteyro.
ltem: mandarom que se elles ou hos povoradores de Ryo Fryo que contra iso que suso dicto he vierem que quallquer das partes que comtra ello vyer que peyte ao outro myll maravydys da dicta moeda e esta carta ser todavya firme e valyosa pera sempre; e Dieguo Martinz e Dioguo Afonso e [Jhoam] Paez e Dieguo Paez e Pay Miguez moradores em Ryo Frio por sy e por todollos outros homens de Ryo Fryo cujos procuradores som per hua procuraçom fecta per Fernam Lopez tabeliam de Bragança a quall eu vy e ley para receberem em sy e em nome de sy e delles e dellas a dita villa de Ryo Fryo aos foros e condiçoens aa pena e [condyçom] que lhe os ditos abade, pryoll e comvento [dese-o] pera outorgarem o aforamento della receberem a dita vylla de Ryo Fryo e em sy e em nome delles e dellas aos ditos foros e condiçoens e pera outorgar o dito foro segundo que dito he. Testemunhas que presentes forom: Fernan Lopes [e Joham Eanes tabaliam e Joham] Fernandez filho de [Joham] Martinz ditos de Bragança e Diogo Joanes abade de Ryo Fryo e Pero Fernandes abade d’Arymonde e Pero Martins [e Diogo Martinz e Martym Pirez fylho de Pero Vaaz dictos de Fontes Barosas] e outros muytos e Alvito Piriz (4) tabaliam sobredito que a esto presente fuy e ao mandado das ditas partes fiz desto duas cartas partidas per [a. b. c. e en ellas] meu sinall que tall he em testemunho [de verdade] das quaes cartas (...) e o dito abbade sellou esta de sello pendente e os ditos abade e comvento outorgarom a posysom delle. Feito foy [este estormento] d’Avelãaes[sic] oyto dias de Fevereyro de mil e trezentos e trynta e sete annos».
(Tombo do Mosteiro de Castro de Avelãs, fl. 121-122.)

DOCUMENTO Nº 35
Correcção do erro que havia entre El Rei e os monges de Castro de Avelãs acerca dos direitos de posse sobre as aldeas, casais e herdamentos de Valverde, Sanceriz,Vila Franca, Rebordãos, Fermontãos, Pinelo, Argozelo, Santalha, Ervedosa, Reboredo de Vacas, Sendelo, Santulhão, Frieira, Cedelo,Viduedo,Vale de Prados,Arrufe e Sesulfe.
1 de Abril de 1319

«Dom Diniz pela graça de Deos Rey de Portugal e do Algarve. A quantos esta carta virem faço saber que frey Martinho abbade do moesteyro de Crasto d’Avelãas veeo a mim pedindo-me por merce por si e em nome do dito convento do dito moesteyro que eu lhes fezesse correger erro que dizia e recebia em composiçoeens e em sentenças que passarom antre o meu procurador por mim da hua parte e os seus antecessores da outra pela minha corte dizendo o dito abbade que ja outra vez houvera demanda perante a minha corte antre mim por meu procurador da hua parte e os seos antecessores da outra dizendo per razom d’aldeos e herdamentos que o meu procurador dizia que me trazião os abbades que forom do dito moesteyro ascondudos e sonegados em terra de Bragança e de Miranda e que tanto forom em preito sobresto que a minha corte deo hy sentença de prazer das partes que o abbade e convento do dito moesteyro se me partirom da aldea de Val Verde e da aldea de Sanceriz e da aldea que chamavom Bragadinha e que chamão hora Villa Franca e dos cazaaes e herdamentos de Rebordãaos e de hum cazal que tinha em Foramentãaos; e que por esto houvesse o dito moesteyro livremente e em paz todolos outros herdamentos e possessoeens que houvessem em termo de Bragança e de Miranda e que mi lhis quitei ende que nunca lhos podesse demandar per nem hua razão assy como he conteudo em hua minha carta de sentença que ende eu vi seellada do meu sello de chumbo e dizia que pois a tempo o meu procurador lhes fez demanda per minha corte per razom de herdades que o dito moesteyro havia em terra de Bragança e de Miranda das quaes me lhis eu quitara segundo he conteudo na carta sobredita e que havendo elles perdudo a dita carta da sentença e non a podendo achar veerom a tal preito que o abbade e convento do dito moesteyro se me partirom d’aldea do Pinello e d’aldea d’Algosello e de Santulhão com todas suas pertenças e termos as quaees som em termo de Miranda e que outrosy xe me partirom do herdamento que havião em termo de Ervedosa scilicet: em Revoredo de Vacas e em Sendello e do herdamento que trazia em Santaalha os quaees herdamentos som em termo de Bragança; e outrosy me partirom d’aldea de Frieyra com todas sas pertenças e do padroado da igreja do dito logar e de todolos outros direitos que na dita aldea havião e que eu lhes outorguei e confirmei por esto todolos herdamentos e possessioeens e outras cousas que trazião em terra de Bragança e de Miranda e nos seos termos assy como conteudo he em outra minha carta d’avença que lhe foy feita sobresto perante minha corte.
E o dito Abbade disse que elle achara a dita carta da sentença primeira que hy foi dada de prazer das partes e pediu-me que como quer que o dito moesteyro não houvesse já direito nem hum nas aldeas sobreditas que lhe fizesse sobresto mercee e que lhe fizesse comprir e guardar a carta da sentença primeira que hy foi dada de prazer das partes; e eu avendo este feito em qual guisa passara como quer que achasse a dita carta da sentença primeira nom fosse mostrada quando fezerom a avença aa segunda vez e como quer que achasse que o dito moesteyro se nom podia ajudar já della nem houvesse direito nem hum nas ditas aldeas nem contra mim sobresto e eu querendo faser graça e mercee com obra de piedade ao dito moesteyro esguardando hy Deos e minha alma tenho por bem e mando que o dito moesteyro de Castro d’Avelãas seja entregue e metudo em posse aquellas aldeas e herdamentos do termo de Bragança que eu delle houve que som conteudos na carta d’avença que hi foy dada na segunda vez; as quaees aldeas e herdamentos som estes convem a saber:
O herdamento que havia em Ervedosa em logar que chamão Revoredo de Vacas e em Cedello, e o herdamento que trazião da Santa Oalha e a aldeia de Frieyra com todas sas pertenças que son em termo de Bragança e o padroado da igreja do dito logar e todolos outros direitos que na dita aldea havião.
E porque as outras aldeas do termo de Miranda que eu houve do dito moesteyro por a segunda aveença convem a saber: Pinhello com todo seu termo e Algosello e Santulhão segundo he conteudo na dita aveença nom posso leixar ao dito moesteyro esguardando como a minha villa de Miranda em cujo termo essas aldeas som estão em fronteyra do meu senhorio e poderia a minha terra damno receber per aquelle logar se os moradores dessas
aldeas nom fossem sobjectos ao concelho da dita villa de Miranda e da sa jurisdicom para viir com elles a vellar e defender a terra quando mester fezer; e tenho por bem, mando que essas aldeas como erão ja minhas por direito e as eu ja dera com todo seu termo a Miranda por suas que assy as hajão pera todo sempre e sejão suas de Miranda.
E consirando prol da minha alma e serviço de Deos como dito he querendo fazer mercee ao dito moesteyro dou e outorgo ao dito moesteyro de Castro d’Avelãas as minhas aldeas de termo de Bragança scilicet: Villa Franca e aldea de Viduedo e aldea de Val de Prados e aldea de Rufe e aldea de Ervedosa que foi em termo de Bragança e aldea de Sezulfe que he em terra de Leedra e tolho de mim todo o direito e senhorio assy da propriedade como de posse que eu em essas aldeias hey e ponho no dito moesteyro e quero e tenho por bem que esse moesteyro haja as ditas aldeas com todos seos termos e perteenças pera todo sempre como melhor e mais compridamente eu havia e de direito havia de haver e retenho para mim o padroado d’aquellas igrejas que em essas aldeas hey e mais som e mando e defendo que nem hum dos meus successores nom possão esto britar nem contra esto venir.
E por esto seer certo e nom viirem depois em duvida dei ao dito moesteyro esta minha carta seellada do meu seello de chumbo.
Dante em Santarem primeiro dia d’Abril. El Rey o mandou per frei Joanne seu capellão mayor e per mestre Gil das Leys e per Estevão Ayras seos creligos. Gonçalo Vaas a fez era de mil tresentos cincoenta e sette annos. Frater Joanne vidit».
(Doações e Privilégios, etc., fl. 10 v. e seguintes.)

No Livro II do Registo da Câmara de Bragança, fl. 72 v., vem também transcrito este documento; difere ligeiramente na redacção e ortografia, concordando no essencial. A cópia da Câmara traz no fim: «Esta carta foi extrahida do original que existe na Torre do Tombo aos 8 de Junho do anno de 1572. El Rey o mandou por Damião de Gois guarda mor da Torre do Tombo.»
Efectivamente encontra-se no [ANTT], Livro III, fl. 124, da Chancelaria de D. Dinis.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

Teatro 1 de Maio - Edifício da Associação de Socorros Mútuos dos Artistas Mirandelenses

foto: autor desconhecido