sábado, 21 de janeiro de 2017

A maior ave de rapina da Europa fez ninho no Douro

O abutre-preto não era avistado no Douro Internacional desde os anos 70. Agora um casal destas aves fez ali ninho e já há registo de um novo membro da família.
O abutre-preto, considerado "criticamente em perigo", está a nidificar "pela primeira vez" no território protegido do Douro Internacional, disse à agência Lusa um estudioso daquela que é tida como a maior ave de rapina da Europa.

“[A nidificação] é uma novidade”, saudou o biólogo José Pereira, assinalando que a norte do rio Douro havia registos de avistamentos, mas não de nidificação, do abutre-preto (Aegypius monachus) - ave necrófaga com uma envergadura de asas que poderá chegar até aos três metros de comprimento.

José Pereira disse que “os últimos avistamentos abutre-preto no Douro Superior ocorreram na década de 70 do século passado.

Recentemente, um casal da espécie abutre-preto fixou-se no Douro e Internacional e, agora, “tem vindo a procriar, havendo mesmo um novo registo de um juvenil em condições de voo", indicou o investigador.

A este facto não será estranho o facto de a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, sediada no Planalto Mirandês, ter vindo a desenvolver e a gerir campos de alimentação de abrutes em áreas como a Zona de Proteção Especial dos Rios Sabor e Maçãs e em toda sua extensão do Parque Natural do Douro Internacional, no âmbito do projeto "Life Rupis".

"De momento, estão ser reativados cerca de uma dezena destes alimentadores nestas áreas protegidas, com o objetivo de aumentar o número de espécie de aves necrófagas".

Os técnicos da Palombar fazem uma monitorização constante destes campos de alimentadores, garantindo que há meia dúzia de abutres-pretos que são avistados de "forma regular".

Este tipo de ave de rapina faz os seus ninhos em cima e árvores de grande porte, ao contrário dos seus familiares como o abutre do Egito ou a águia de Bonelli, que preferem as escarpas de terrenos muito acidentados e com grande declive.

Para os cientistas, o território do Douro Internacional é considerado um dos maiores santuários da Europa de aves rupícola e necrófagas, onde nidificam para além de outras, a águia de Bonelli, abutre do Egito, milhafre real, cegonha preta ou mocho de orelhas.

Foto: António Pereira
in:diariodetrasosmontes.com

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