sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

E o planeta aquece…

O planeta Terra bateu recorde de temperatura pelo terceiro ano consecutivo, revelam dados publicados por três agências internacionais.
Perante esta vaga de frio que enregela Portugal, pode parecer contraditório falar num aumento da temperatura global do planeta. Mas não é. O local não representa a totalidade da superfície do planeta. De facto, dados de três agências internacionais, divulgados nesta quarta-feira, indicam que pelo terceiro ano consecutivo a temperatura global do planeta bateu recordes, para o pior.

Os relatórios divulgados pela agência espacial norte-americana (NASA, na sigla em inglês), a agência governamental dos Estados Unidos para a atmosfera e os oceanos (NOAA, na sigla em inglês) e pelo Met Office do Reino Unido, revelam que o ano de 2016 foi o mais quente desde 1880, ano dos primeiros registos da temperatura do planeta. Por temperatura do planeta entenda-se a temperatura média global do ar à superfície em terra e no mar.

Refira-se que no século XXI já houve cinco anos em que se bateram recordes de aumento de temperatura: 2005, 2010, 2014, 2015 e 2016. Os dados agora divulgados mostram ainda que os meses entre Janeiro e Agosto de 2016 foram, individualmente, os mais quentes desde 1880, como se pode ler no site da NOAA (https://www.ncdc.noaa.gov/sotc/summary-info/global/201612). No resumo deste relatório pode ler-se que a temperatura média do planeta foi 0,94 graus Celsius superior à temperatura média registada no século XX: a temperatura média global registada nos continentes foi 1,43 graus Celsius superior à do século passado, e a registada nos oceanos foi 0,75 graus Celsius superior à do século XX.

Os relatórios também confirmam que este aumento global da temperatura está relacionado com o aumento registado na concentração de dióxido de carbono na atmosfera causado pela actividade humana. Os níveis de dióxido de carbono são os mais elevados desde há 4 milhões de anos, no Plioceno. Nessa altura, a espécie humana ainda não existia, vivendo em África os antepassados australopitecos de que a Lucy é o fóssil mais famoso.

Perante estes dados, devemos estar ainda mais preocupados: a tendência para o aumento é clara e os efeitos desta sobre o clima, e logo sobre os ecossistemas, são cada vez mais notórios. Por exemplo, o fenómeno climático “El Niño” esteve particularmente intenso no Oceano pacífico no ano passado. Também alarmantes são os efeitos deste aumento sobre os pólos: no Ártico a extensão de gelo continua a diminuir para níveis mais baixos de sempre, enquanto que na Antártida o ano passado registou o segundo nível mais baixo alguma vez observado. 

O tímido recuo nas emissões de gases com efeitos de estufa por parte de alguns países, não esconde os excessos do passado e a poluição insuportável em algumas regiões da China, por exemplo. Não temos muito por onde escolher. Mas sabemos que alguns governantes persistem e continuam a ignorar a realidade do aquecimento global. Apesar do acordo histórico de Paris, assinado por 200 países em 2015, continuamos perto de ultrapassar os limites das metas ambientais então propostas.

Entre nós, o comportamento de cada um pode fazer a diferença, diminuindo os consumos energéticos e tendo comportamentos gerais mais amigos do ambiente. 

António Piedade
Conteúdo fornecido por Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

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