quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Cuscos bragançanos podem vir a ser registados como património imaterial e como marca

O Município de Bragança está a preparar uma candidatura a património cultural imaterial nacional do modo artesanal de confeccionar cuscos, que ainda resiste em algumas localidades do nordeste transmontano, em particular no concelho de Bragança.
Os cuscos, que se assemelham ao conhecido “couscous”, em francês,  são pequenas bolinhas de massa em Trás-os-Montes são servidas, essencialmente, como acompanhamento ou até como doce, no caso dos cuscos doces.

Em Bragança, ainda há quem tenha uma cuscuzeira em casa e meta as mãos na massa para fazer cuscos.

Com origem em países do Norte de África, acredita-se que o hábito de confeccionar e preparar cuscos tenha chegado a Portugal aquando das invasões árabes e que, no caso particular do nordeste transmontano, tenho sobrevivido por herança dos povos judeus.

Uma teoria confirmada pela investigação que está a ser levada a cabo pela socióloga Patrícia Cordeiro para a Câmara Municipal de Bragança, de forma a poder inscrever o processo de confecção dos cuscos no Inventário nacional de património Cultural Imaterial que deverá contribuir para a preservação desta tradição.

A investigadora acredita, no entanto, que o facto de a cultura do cereal, neste caso, o trigo, ter estado bastante enraizada nesta região, “pode também ter contribuído para a continuidade desta tradição”, já que os cuscos substituíam o arroz ou a batata.

Os primeiros registos do trabalho de investigação sobre os cuscos bragançanos foram feitos em Samil.

Maria Guilhermina Lopes, natural desta freguesia, a escassos quilómetros de Bragança, é um dos testemunhos deste trabalho. Apesar de admitir que fazer cuscos “é um processo trabalhoso e demorado”, aos 52 anos Maria dá continuidade à tradição que aprendeu com a mãe.

“Cá se fazem cuscos” é o nome da exposição patente no Centro Cultural Municipal Adriano Moreira até ao próximo dia 8 de Abril e que reúne os primeiros documentos, fotografias e até cuscuzeiras antigas feitas com barro de Piniela, inventariadas no âmbito deste trabalho. 

Além de estar a tratar do processo de inscrição da tradição de confecção dos cuscos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, o Município de Bragança quer também registara a marca “Cuscos de Bragança“ no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, a pensar na comercialização do produto. 

Escrito por Brigantia
Sara Geraldes

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