quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dentista e óculos gratuitos em cadeia de Bragança

Protocolo abrange reclusos da prisão de Izeda.
Vários entidades públicas e privadas celebraram esta quarta-feira protocolos que vão permitir aos reclusos do Estabelecimento Prisional de Izeda, no distrito de Bragança, beneficiarem de serviços de dentista dentro da cadeia e óculos graduados gratuitos. Um dos protocolos envolve a Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste que disponibilizará um profissional para as consultas de dentista num espaço equipado pelos serviços prisionais.
O segundo envolve a Cruz Vermelha de Bragança e uma empresa privada que garantirão a oferta de óculos graduados aos reclusos com comprovada carência económica.
A secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro, esteve na cerimónia da assinatura dos protocolos e inaugurou também um espaço para visitas íntimas neste estabelecimento prisional com 251 reclusos e com capacidade para mais meia centena. 
A governante defendeu que cuidar da reinserção social "é fundamental" em todos os aspetos, nomeadamente na área da saúde e que, sem estas parcerias, "far-se-ia com muita mais dificuldade" "Temos problemas ao nível da saúde em ambiente prisional, por isso mesmo está previsto no Orçamento do Estado deste ano uma autorização para o Ministério da Justiça contratar cerca de 60 enfermeiros e mais de vinte médicos porque nos encontramos efetivamente depauperados a esse nível", apontou. 
Segundo explicou, a solução para tratar os reclusos, dá-se através do Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas na maior parte dos casos o apoio que presta não é no interior do estabelecimento, implica deslocação do recluso com guardas prisionais aos estabelecimentos de saúde". "O que estamos a procurar fazer é que muitos desses cuidados sejam prestados dentro do estabelecimento e, ao mesmo tempo, reforçar a estrutura dos serviços de saúde para que exista um apoio mais imediato", declarou. 
O diretor-geral dos Serviços Prisionais, Celso Manata, indicou que existe "um conjunto alargado de protocolos em todas as áreas: na cultura, desporto, trabalho, saúde, segurança". "Nós somos um serviço que nos queremos ligar cada vez mais, quer à comunidade, quer aos outros organismos da Administração Pública, no sentido de todos beneficiarmos com o que cada um tem e no sentido de diminuirmos as despesas que o Estado tem com este tipo de grandes organizações", afirmou. 
O próximo protocolo que deverá ser celebrado, na próxima semana, com a Câmara Municipal de Olhão, no Algarve, "com muita incidência na área laboral", como adiantou. A criação nas cadeias de quartos ou espaços para visitas íntimas é outras das apostas em curso, "numa ótica de regionalização nos 49 estabelecimentos" prisionais portugueses. O diretor-geral explicou que no caso de Izeda, o quarto hoje inaugurado "pode aproveitar não apenas aos presos de Izeda, mas também aos reclusos que estão em Bragança". 
O próximo será em Coimbra, que vai beneficiar Aveiro, a seguir Pinheiro da Cruz e assim sucessivamente, acrescentou. "Vamos a tentar espalhar este tipo de facilidades por todo o território, primeiro criando uma rede e depois quando houver mais meios financeiros podendo dentro do possível daquilo que é uma boa gestão de recursos públicos ter em todo lado", declarou. Um dos parceiros em Bragança é a ótica representada por Rui Santos, que há uma década mantém com o Estabelecimento Prisional de Izeda uma parceria, que passa pela oferta de óculos graduados aos reclusos com poder económico baixo. 
A ótica vai contar agora com a colaboração da Delegação de Bragança da Cruz da Cruz Vermelha para sinalizar e apoiar os casos. 
Este apoio insere-se na responsabilidade social assumida pela empresa de Bragança, que abrange a comunidade em geral, desde que qualquer pessoa "demonstre que tenha rendimentos muito baixos", segundo o representante. 
Ao longo destes anos, a empresa já distribuiu 200 pares de óculos graduados gratuitamente

Correio da Manhã

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