segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Trás-os-Montes: Australianos confirmam uma das maiores reservas de lítio da Europa

Em três meses, é a segunda grande descoberta comunicada ao mercado pela Dakota, que espera em Abril ou Maio provar que é possível extrair por meios convencionais em Portugal lítio para a produção de baterias.
Os australianos da Dakota Minerals, a empresa que está a desenvolver a prospecção de lítio para baterias em Trás-os-Montes, confirmaram a existência naquele local de uma das maiores reservas daquele mineral da Europa, que deverão garantir mais de dez anos de vida útil à exploração.

As mais de 50 perfurações realizadas no final do ano passado em Cepeda, Montalegre, detectaram a existência de jazidas estimadas em 10,3 megatoneladas (milhões de toneladas) de pegmatite (rocha), onde se encontram concentrações de 1% de óxido de lítio e de 0,05% de estanho.

"Cepeda representa agora o maior recurso de lítio num depósito de lítio-césio-tântalo em pegmatite na Europa," argumenta o comunicado emitido pela empresa esta segunda-feira, 20 de Fevereiro.

Os resultados preliminares dos testes metalúrgicos - estes ainda em curso - indicam uma baixa concentração de óxidos de ferro, o que aponta para a possibilidade de produção de derivados de lítio através de meios convencionais. Em Abril ou Maio, quando chegarem os resultados definitivos, a Dakota espera provar que é possível obter a partir deste material carbonato de lítio num grau adequado à produção de baterias.

"O dia de hoje estabelece um marco importante na nossa estratégia de nos tornarmos em fornecedores sustentáveis de lítio para os mercados europeus, com o anúncio de recursos capazes de sustentar uma vida útil superior a 10 anos," afirma o CEO da Dakota Minerals, David Frances.

No final de Janeiro, em declarações ao Negócios, a empresa previu investir entre 200 e 400 milhões de dólares (185 a 370 milhões de euros) até 2019 para criar junto à zona da exploração, em Montalegre, um complexo de extracção e uma fábrica para processamento de compostos de lítio para o fabrico de baterias a utilizar na indústria automóvel e no armazenamento de electricidade em casa, para autoconsumo.

A empresa australiana concentrou no último ano a sua actividade em Portugal, acordando com a Lusorecursos, via Lusidakota, a detenção de direitos nas áreas de Serra de Arga, Barca de Alva e Barroso-Alvão. Foi nesta última zona - em Cepeda, Montalegre - que iniciou a prospecção em meados do ano passado e concluiu a segunda fase de perfuração.

Até ao fim de 2016, investiu mais de um milhão de dólares (cerca de 930 mil euros) nas actividades de prospecção que actualmente envolvem seis pessoas. Com a venda de activos na área do lítio na Austrália e um aumento de capital realizado entretanto, a empresa incrementou para mais de 14 milhões de euros a posição de liquidez da empresa em Portugal, estando aberta a comprar novas licenças no país.

Da rocha ao produto acabado

O lítio está presente em particular em duas formações minerais, numa concentração de 1%: o espoduménio e a petalita. Em ambos os casos o processo de tratamento pode aumentar as concentrações, respectivamente, para 6% e 4%.

A rocha é extraída mecanicamente do solo com recurso a equipamento pesado. O mineral é depois enviado através de tapetes rolantes para várias fases de trituração e peneira.

De seguida passa por um processo de pré-flutuação em que são acrescentados agentes de limpeza, dando origem a uma polpa que passa por várias peneiras vibratórias, centrifugadoras e agitadores. 

A polpa segue para a fase de flutuação, processo que ajuda a separar ainda mais os elementos, e depois para uma lavagem e adição de produtos químicos. O composto é finalmente seco e filtrado. 

O concentrado de espoduménio (a um preço de 600 a 650 dólares por tonelada) é depois transformado em carbonato de lítio ou hidróxido de lítio (vendido por 20 a 22 mil dólares por tonelada). Este produto acabado é usado depois no fabrico de baterias.



Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt
Jornal de Negócios

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