quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Tratores aproximam-se do topo dos acidentes de trabalho no distrito de Bragança

As ocorrências com tratores agrícolas destacam-se nos acidentes de trabalho no distrito de Bragança, com a agricultura a apresentar das taxas mais elevadas de incidência, a seguir à construção civil, indica a Autoridade para as Condições de Trabalho.
Esta é a realidade com que lida o Centro Local do Nordeste Transmontano da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), promotor, em parceria com outras entidades portuguesas e espanholas, de um seminário agendado para quinta-feira em Bragança, inserido na Campanha Ibérica de Prevenção de Acidentes de Trabalho.

Os dados nacionais da ACT indicam, sem discriminar os setores de atividade, que no ano de 2016 foram registados dois acidentes de trabalho mortais no distrito de Bragança. Porém os acidentes com tratores ultrapassam as estatísticas laborais e, no mesmo ano, a GNR contabilizou sete mortes em todo o distrito.

Muitos destes acidentes ocorrem em propriedade privada e as vítimas são os proprietários agrícolas, não sendo abrangidos pelas leis laborais, de acordo com as autoridades.

No ano de 2016, a GNR registou 24 acidentes com máquinas agrícolas, de que resultaram sete mortos, cinco feridos graves e 11 ligeiros, segundo informação fornecida à Lusa pelo Comando Distrital de Bragança daquela força de segurança.

O número de vítimas mortais em acidentes com tratores igualou os sete mortos registados em acidentes de viação no distrito de Bragança, em 2016, segundo dados da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária.

Já em 2017, até 21 de fevereiro, foram registados pela GNR três acidentes com máquinas agrícolas de que resultaram dois mortos e um ferido grave.

Um destes acidentes ocorreu, na terça-feira, em Vale de Nogueira, no concelho de Bragança. Um homem de 63 anos e o trator agrícola que manobrava foram encontrados carbonizados num terreno onde terá feito uma queimada.

Sensibilizar e prevenir é o propósito do Centro Local do Nordeste Transmontano da ACT, como disse à Lusa a diretora, Luísa Guerreiro.

O centro está disponível para realizar ações junto de trabalhadores, empregadores e sociedade civil, segundo a responsável e tem previsto que algumas delas sejam feitas em conjunto com os vizinhos espanhóis, embora ainda não estejam selecionadas, nem calendarizadas.

O seminário programado para quinta-feira, no Centro Empresarial de Bragança, tem também esse propósito com o lema "Conhecer Melhor é Prevenir".

A iniciativa insere-se na Campanha Ibérica de Prevenção de Acidentes de Trabalho, apresentada em maio, em Sintra, e servirá para abordar "os desafios a nível da prevenção, com o objetivo de reduzir os índices de sinistralidade em Portugal e Espanha.

O seminário tem previstas intervenções de entidades portuguesas e espanholas e a presença, na abertura, do inspetor-geral da ACT, Pedro Pimenta Braz.

Agência Lusa

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