segunda-feira, 13 de março de 2017

Casa-abrigo de Bragança necessita de mais vagas

Imóvel só tem lugar para acolher cinco pessoas de cada vez e precisa do dobro.
Foi criada em 2002 e é destinada a mulheres vítimas de violência doméstica e aos filhos destas.
A casa-abrigo de Bragança, agregada à Misericórdia, tem apenas cinco vagas e necessita de, pelo menos, o dobro dos lugares disponíveis. "Se recebermos uma mãe que tenha quatro filhos, fica esgotada", confirma Catarina Vaz, diretora do equipamento social que, ao longo de 15 anos, recebeu 210 vítimas e descendentes. Todos os acolhidos são de fora do distrito de Bragança - é uma medida tomada pelas autoridades para afastar as vítimas dos agressores.
No entanto, a maioria regressa para eles, o que deixa a equipa da casa-abrigo com "muita frustração", já que, durante o tempo de acolhimento, é traçado um plano de vida, muitas vezes condicionado pela dependência económica. A maioria das utentes da casa-abrigo, indica a diretora, são mulheres agredidas pelos companheiros, mas há também casos de mães vítimas dos próprios filhos. 
A média de idades tem vindo a aumentar, ao longo dos anos, e situa-se já acima dos 45. Ficam, no máximo, seis meses, com apoio de várias entidades e técnicos, e ajuda de respostas sociais da Misericórdia de Bragança, em questões de saúde e ensino.
A manutenção das vítimas no distrito transmontano é, no entanto, curta, "devido às dificuldades na integração no mercado de trabalho", indica Catarina Vaz. E mesmo com atribuição de rendimento social de inserção, "o valor é insuficiente", rondando os 180 € por pessoa, o que leva a que "às vezes regressem às casas-abrigo", quando voltam para junto dos agressores e são, de novo, vítimas de violência doméstica.

Manuel Jorge Bento
Correio da Manhã

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