segunda-feira, 20 de março de 2017

Falta de planos globais de gestão da caça para uma gestão cinegética eficaz preocupa especialistas

Ainda faltam planos globais de gestão da caça, previstos na lei há vários anos. A implementação destes planos que incluem várias zonas de caça é um passo necessário para uma gestão cinegética mais eficaz, em particular para assegurar formas de protecção das espécies de caça maior e das culturas instaladas.
Foi esta uma das ideias defendidas nas “Jornadas de conservação da natureza aliada à gestão cinegética”, dedicadas em particular ao corço e que decorreram sábado, em Alfândega da Fé.

De acordo com o director do departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Norte, Armando Loureiro, a falta de união entre as entidades que gerem as zonas de caça está na génese desta falha.

“Apesar de previstos na lei, são uma coisa de muito pouca prática, importa analisar porquê. A minha opinião pessoal tem a ver como facto de haver pouca organização de carácter regional e sub-regional e de associação de parcerias e de trabalho entre as diferentes unidades de gestão, que são clube ou associações de zonas de caça”, considera.

No caso específico do corço outra das lacunas é a baixa monitorização. A que existe é feita na maioria pelo ICNF nas zonas nacionais de caça. Ainda assim sabe-se que as populações de corço têm vindo a aumentar e, como referiu Paulo Cortez investigador do Instituto Politécnico de Bragança, e consequência disso é o prejuízo causado.

“No panorama actual, as populações de corso têm vindo a crescer e ele provoca dois tipos de prejuízo que é por consumo directo de arvoredo plantado e do que cresce naturalmente e depois faz marcações e acaba por provocar a morte de muitas pequenas plantas”, referiu.

As jornadas foram organizadas pelo Nordeste, um grupo de promoção de desenvolvimento sustentável que une a AEPGA - Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, a Associação de Produtores Florestais do Nordeste Transmontano e a Palombar.

Miguel Nóvoa da organização explica que a sessão serve para colmatar uma necessidade que é juntar especialistas e estudiosos com entidades ligadas à gestão da caça.

“É muito importante trazer as universidades e os institutos para junto das populações e dos agentes do território para conseguirmos aplicar os melhores planos e a melhor gestão de forma a conseguirmos os nossos objectivos”, referiu.

Na zona do Parque Natural de Montesinho, a densidade de corços ronda os 4 a 5 por 100 hectares. Num trabalho recente de monitorização da Palombar no planalto mirandês foi possível detectar uma média de 1 corço por 100 hectares. 

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

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