quinta-feira, 13 de abril de 2017

D. José Cordeiro realça exemplo de Maria na Missa Crismal

“Doar-se no Dom total da Graça, como Maria” foi o mote de D. José Cordeiro para a homilia proferida esta quinta-feira Santa, na Missa Crismal, na catedral de Bragança.
Numa celebração que contou com as presenças dos bispos eméritos de Bragança-Miranda, D. António Montes, e de Beja, D. António Vitalino, D. José Cordeiro recordou o exemplo de Maria.
Dirigindo-se aos presbíteros da diocese, presentes nesta eucaristia onde também se abençoam os óleos crismais, que serão usados ao longo do ano nas diversas celebrações, o prelado de Bragança-Miranda instou-os a “doar a vida toda por Deus e pelos irmãos”.  
“O sacerdote é aquele cristão a quem foram impostas as mãos para o serviço inteiro do Evangelho da Esperança. Por isso, não desiludamos o povo santo de Deus com a nossa vida. A nossa vida há de ser honesta, sóbria, alegre, em serviço humilde e totalmente disponível para escutar e acompanhar a todos, especialmente os mais pobres. A nossa relação há de ser vivida sem inveja, ciúme e intriga, ou como diz S. Bento na regra: «e o que houver recebido a ordenação veja não se deixe levar pela exaltação do orgulho». A nossa vida há de ser uma arte possível do discernimento. A nossa vida há de ser resposta à pergunta que hoje mesmo se renova nesta Liturgia: «quereis permanecer fiéis dispensadores dos mistérios de Deus na celebração eucarística e nas outras ações litúrgicas e desempenhar fielmente o ministério da pregação, como seguidores de Cristo, Cabeça e Pastor, sem ambicionar bens temporais, mas movidos unicamente pelo zelo das almas?»
Não será que alguns padecem de “anemia espiritual”? sem doação total a Cristo e à Igreja? Peçamos com confiança, a graça corajosa da conversão progressiva para crescer e viver em Cristo, sujando as mãos ao serviço do Evangelho e dos irmãos, mas permanecendo com o coração limpo.
Doai a vida, caros Presbíteros, e não só a gasteis, ou melhor, gastai a vida doando-vos a Deus e aos irmãos, porque alguns gastam-se sem nunca se doarem inteiramente.
Como nos lembra o Papa Francisco: «O povo de Deus precisa de ser guiado por pastores que gastam a sua vida ao serviço do Evangelho. Por isso, peço às comunidades paroquiais, às associações e aos numerosos grupos de oração presentes na Igreja: sem ceder à tentação do desânimo, continuai a pedir ao Senhor que mande operários para a sua messe e nos dê sacerdotes enamorados do Evangelho, capazes de se aproximar dos irmãos, tornando-se assim sinal vivo do amor misericordioso de Deus».
Renovo aqui e agora a questão que continuamos a refletir no Conselho Presbiteral? No actual contexto de paróquias, párocos e novos recursos, como fazer mais Igreja, criando maior Comunhão, com maior Consciência Missionária e Comunidades mais abertas à eclesialidade?”, sublinhou D. José Cordeiro.
O bispo diocesano já antes tinha lembrado que o azeite deste ano “é oferecido pelo santuário do Imaculado Coração de Maria de Cerejais, a Fátima do Nordeste”. “O simbolismo do azeite é muito forte na liturgia dos sacramentos e na adoração perene da Eucaristia junto do sacrário. Igualmente a oliveira carrega uma riqueza simbólica de paz, fecundidade, alegria e vitória”, disse.
Quanto ao futuro, D. José Cordeiro recordou ainda o exemplo da “Irmã Odete Prévost, martirizada na Algéria no dia 10 de novembro de 1995 deixou isto escrito sobre o hoje e o amanhã de Deus: «vive o hoje: Deus to oferece, é teu, vive-o n’Ele. O amanhã é de Deus, não te pertence. Não deixar para amanhã as preocupações de hoje: o amanhã é de Deus, recomeça-o n’Ele. O momento presente é uma ponte frágil: se o sobrecarregas com as lamentações de ontem e com a inquietação de amanhã, a ponte cede e tu não podes passar. O passado? Deus o perdoa. O futuro? Deus o dá. Vive o hoje em comunhão com Ele».”
A terminar, o bispo de Bragança-Miranda lembrou a Mensagem de Fátima, em ano de centenário das Aparições. “Na feliz oportunidade do centenário da Mensagem de Fátima e do Ano Litúrgico-pastoral Mariano na nossa amada Diocese, é bom recordar, como diz a carta pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa: «a mensagem de Fátima inspira a Igreja a encontrar e a aprofundar os traços do seu rosto mariano». De facto, também nós: «No trilho da imensa multidão dos peregrinos que desejam beber do Evangelho nas fontes de Fátima e se confiam ao cuidado materno da Senhora do Rosário, a Igreja rejubila com o dom do acontecimento de Fátima neste seu centenário», como sinal de Esperança para o nosso tempo.
O Concílio Vaticano II apresenta-nos claramente Maria, como o maravilho exemplo da docilidade ao Espírito Santo: «Ela, a quem os presbíteros devem amar e venerar com devoção e culto filial, como Mãe do sumo e eterno sacerdote, como rainha dos Apóstolos e auxílio do seu ministério» (cf. Presbyterorum ordinis, 18).
Como a Virgem Santa Maria, vivamos o dom do mistério recebido na fidelidade, na confiança e no crescimento contante da fé”, concluiu D. José Cordeiro.

AGR
in:mdb.pt

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