sexta-feira, 14 de abril de 2017

Padaria de Gimonde vende 1,5 toneladas de folar para as cidades

Uma padaria de Gimonde, aldeia próxima de Bragança, despachou em dois dias encomendas de uma tonelada e meia do típico folar de carne da Páscoa Transmontana para todo o Norte de Portugal.
As encomendas crescem de ano para ano, como contou à Lusa a família responsável pela produção tradicional e, nesta Páscoa, bateram o recorde com 1.500 quilos a saírem de Gimonde com destino ao Porto, Amarante, Penafiel, Porto, Braga, Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora e ao distrito vizinho de Vila Real.

Por estes dias, antes da Páscoa, a empresa familiar "Pão de Gimonde" confeciona duas toneladas de folar, "cada vez mais para fora", como indicou Elisabete Ferreira, concretizando que as encomendas para fora da região cresceram de uma tonelada, no ano passado, para tonelada e meia este ano.

"É porque a qualidade é boa", atira a "Tia Sónia", como é conhecida a matriarca na aldeia, sem abrandar o ritmo com que enche as formas de massa e das carnes que distinguem o genuíno folar da região.

As carnes que recheiam a massa são variadas, desde a chouriça, ao presunto, toucinho e o folar "é cozido em fornos de lenha, com gorduras saudáveis e apenas azeite e margarina vegetal não hidrogenada, o que o torna mais leve, e com maior digestibilidade", garante quem o confeciona.

A matriarca é natural da Beira onde o folar "é só massa, lá não chicha", mas aprendeu a arte e os segredos do tradicional da zona de Bragança, onde constituiu família e é a família que conduz e trabalha o negócio, com um total de 11 postos de trabalho.

As encomendas de folar chegam, sobretudo das grandes superfícies e transformam os dois dias antes do fim de semana prolongado da Páscoa numa azáfama na padaria de Gimonde.

A produção, garantem, respeita os processos ancestrais desta iguaria transmontana.

"É tudo caseiro, tudo", vinca "Tia Sónia", enquanto "manda e trabalha".

Com as encomendas de folares seguem também para a zona do Porto duas toneladas de pão de Gimonde, o que já é habitual nesta padaria, que duas vezes por semana envia carregamentos de pão para o litoral.

Elisabete é da geração mais nova do negócio iniciado pelo tio-avô, em 1960, e afirmou à Lusa que estão agora "no caminho da exportação".

A padaria "Pão de Gimonde"é a única portuguesa entre 18 parceiros de um projeto internacional, financiado pela União Europeia e coordenado por Israel, para criar uma embalagem inovadora que aumente a durabilidade dos produtos.

Segundo explicou, a nova embalagem terá "nanopartículas e ervas aromáticas" e, sem aditivos, irá aumentar a durabilidade dos produtos, como o pão ou o folar, e facilitar o envio para mercados mais longínquos.

A empresária vai a Israel em maio para mais um encorno no âmbito do projeto que se iniciou formalmente em janeiro e tem a duração de três anos com um financiamento de oito milhões de euros.

Entre os parceiros estão empresas do setor alimentar, nomeadamente pão, carnes, peixe ou queijos, e instituições ligadas à investigação, alguns dos quais já visitaram Bragança.

Há um ano, uma equipa de 60 pessoas de nove países esteve em Gimonde, no âmbito deste projeto, e Elizabete está determinada a levar todos os parceiros a Bragança.

"O que é interessante é que estamos numa aldeia em Trás-os-Montes e conseguimos fazer coisas que, se calhar, muitos não conseguem no litoral", afirmou.

Jornal de Notícias

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