sexta-feira, 7 de abril de 2017

… quase poema… ou de Lisboa

Em Lisboa há muita gente… muita casa… muita luz… e o marquês de Pombal a Oriente…
… em Lisboa está o meu futuro…todos os afetos… a ternura em cada riso que se desenha à hora da chegada… e só por isso Lisboa… é a minha cidade… onde reinvento os montes na espuma branca e revoltosa do mar… Vasco da Gama… e a Índia tão perto…
… em Lisboa mendiga-se na rua e os pobres tombam na calçada… à sombra… enquanto o sol se esconde no Bairro Alto…
… ficam os silêncios… as memórias e as solidões penduradas nas ameias do castelo de São Jorge… ficam os meus olhos de pedinte… mendigando a sombra dos freixos… onde habita a felicidade… fica este desencanto do homem antiquíssimo que carrega penosamente todas as mágoas do mundo… e morre-se… e ninguém repara que se morre…
… e Sérgio Godinho alivia a longa noite de Lisboa… vestindo as grandes perdas de canções: “Que força é essa, amigo… que te põe de bem com outros… e de mal contigo!”
… em Lisboa há muita gente… muito mar… muitos ricos… muito pobres…
… na minha aldeia… há pouca gente… mas não há pobres…
e a calçada é branca… em noites de geada… e sempre florida de páscoas e alfazema… quando os sonhos amanhecem…
…e eu estou sempre à espera do tempo das rosas… para beijar a madrugada… e encontrar a primavera junto ao poço da minha horta!



Fernando Calado

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