terça-feira, 30 de maio de 2017

Declarações de Jorge Gomes sobre vencimento e formação dos bombeiros criticadas por corporações

O presidente da direcção dos bombeiros de Mirandela, Marcelo Lago, considera que foram infelizes as declarações do secretário de Estado da Administração Interna na apresentação do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais, no Parlamento.
Jorge Gomes afirmou que a comparticipação aos bombeiros que integram o dispositivo vai manter-se nos 45 euros por dia, sublinhando que um bombeiro recebe, ao final do mês, 1.350 euros e que os bombeiros são amadores.

Estas afirmações de Jorge Gomes geraram revolta em algumas corporações de bombeiros, uma vez que o secretário de Estado omitiu que os bombeiros não podem ser escalados 24 horas consecutivas durante 30 dias seguidos.

Ora, Marcelo Lago, presidente da corporação dos bombeiros de Mirandela, entende que Jorge Gomes, de uma forma não intencional, acabou por “ser infeliz nas declarações”.

"Não compreendo a afirmação vinda de uma pessoa que foi governador civil no distrito e sempre apoiou a causa dos bombeiros, dizer que são amadores e recebem 1300 euros, isso seria em 24 horas, mas ninguém faz 24 horas, tem de haver pelo menos dois turnos, o que dá 650 euros", lamenta.

Outro dos motivos de descontentamento relaciona-se com a lei de financiamento às associações humanitárias de bombeiros, que, segundo o grupo parlamentar do PSD, vai ser menor que em 2016.

O deputado do PSD, eleito por Bragança, José Silvano, revela que os deputados laranja já questionaram o governo para esclarecer este assunto.

“Há comunicados e tomadas de posição corporações de bombeiros, sobre a escassez de meios de combate e de equipamento e de um profundo sub-financiamento para assegurar um eficaz combate aos incêndios durante este ano. Vários concelhos do país, com um risco de incêndio em 2017 superior ao de 2016, tem uma previsão de financiamento em 2017 inferior a 2016”, referiu.

Apesar do financiamento se manter nos 25,7 milhões de euros de 2016, este ano há 210 corporações de bombeiros que vão receber menos dinheiro, enquanto outras 203 viram o seu orçamento aumentado.

Com esta lei, o financiamento às corporações de bombeiros passou a ser feito de acordo com critérios assentes no risco e na actividade dos corpos de bombeiros, como índice do risco de incêndio, número de ocorrência, população, área geográfica e número total de operacionais. 

Escrito por Rádio Terra Quente (CIR)

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