quarta-feira, 10 de maio de 2017

Uma triste e real crítica de uma triste e crítica realidade

Vivemos um período de luxo no que toca ao interesse estrangeiro pelo país. Tenho de dar uma nota de destaque ao turismo e ao investimento no nosso cantinho à beira mar plantado. Aliás, não é Bragança o melhor local para se investir? Batamos palmas aos que permitiram que assim seja (como é maravilhosa a nossa Zona Industrial/ Armazenamento de Mós!). 

Mas não é para falar de investimento e economia no concelho de Bragança que vos escrevo, mas sim de cultura e património (desta vez...). 

Comecei há semanas o meu estágio no Museu Nacional de Arqueologia em Belém, no Mosteiro dos Jerónimos e na semana do dia 4 ao dia 7 esteve presente na Praça do Império o XII FIMI (Festival Internacional da Máscara Ibérica). Estão a imaginar o evento, certo? Fala-nos a organização, que estiveram presentes cerca de 650 participantes (imaginem o número de visitantes) e que este ano houve uma tentativa de fazer a ligação entre o património histórico e cultural de Lisboa com as tradições ancestrais da Península Ibérica. 

Ele houve de tudo: desfiles, concertos, exposições e tendas de divulgação das regiões. Eu vi barracas de Miranda do Douro e de Macedo de Cavaleiros, de Oviedo e Salamanca, de Mogadouro e Vila Real. Mas sabem o que não vi? Uma barraca de Bragança. Não vi e olhem que dei mais que uma volta, não fossem estar escondidos atrás de algum monte (reparem como fiz sem querer um slogan à nossa região). Não vi barraca como não vi quem tivesse vontade de nos vender, como não tenho visto há vários anos (sei que lá estiveram uns quantos caretos do concelho de Bragança no meio do desfile, não vou ser injusto).

Infelizmente, abandonei o Reino Encantado de Miguel Torga há 8 anos, com o desejo de voltar e esperar algo diferente no meu regresso. Alguém com responsabilidades que goste de nos vender lá fora, que divulgue a marca Bragança (a azul e amarela, não aquele "coiso" vermelho e dourado que me leva a todo mundo menos à nossa cidade).

Tive uma professora no meu mestrado que dizia que só podemos conhecer, galvanizar e proteger o nosso património se o amarmos. Será que alguém com responsabilidades políticas e sociais ama realmente o nosso património? Se não, vamos fazer um exercício em conjunto:
1º Passo - acedam ao site da Câmara Municipal de Bragança;
2º Passo - cliquem no botão "Visitar";
3º Passo - abram qualquer uma das imagens e esperem conhecer algo sobre elas;
4º Passo - lamentem como eu lamentei o facto de apenas poderem ver uma foto.

É triste, é triste querer conhecer e não poder, como é triste saber que o maior cego é o que não quer ver. É muito triste perceber que por esse país, Europa e Mundo fora não nos conhecem porque quem nos deve divulgar está entretido com pão e circo. É triste ver que tudo o que se faz nesta terra é uma cópia barata do que se faz noutros lados, como é triste imaginar um Portugal do Turismo sem o nosso Reino Encantado. 

Repeti várias vezes a palavra "triste" pelas mesmas razões que repeti a palavra "crítica". 

A crítica torna-se mais triste quando vou do trabalho para casa a pensar neste artigo e encontro um livrinho de divulgação turística de Miranda do Douro perdido numa calçada Lisboeta...


Paulo Daniel Lopes
in:noticiasdonordeste.pt

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