sábado, 17 de junho de 2017

Avião da Aero Vip faz manobra para evitar colisão com 'drone' em aterragem em Cascais

Um avião da Aero Vip teve hoje de realizar uma manobra para evitar a colisão com um 'drone' a 300 metros de altitude quando estava em aproximação para aterrar no Aeródromo de Cascais, disse à agência Lusa o piloto.
"Na aproximação à pista 35 de Cascais vislumbrei um objeto que julguei ser uma ave. Ao aproximar-me, apercebi-me de que se tratava de um 'drone' de grandes dimensões, de quatro rotores. Tive de mergulhar, aumentar a razão da descida, para evitar a colisão com o 'drone', que passou a cerca de cinco metros acima da asa esquerda", relatou Jorge Cernadas à Lusa.

O comandante acrescentou que o incidente ocorreu pelas 18:00, num momento em que o 'drone' "estava a cerca de 300 metros de altitude, na linha de voo que o avião seguia" sobre a vila de Tires (distrito de Lisboa), a "dois, três minutos de aterrar".

O Dornier 228, com 14 pessoas a bordo, já estava então com a configuração de aterragem e com o trem em baixo.

O piloto classifica o incidente, algo que nunca lhe tinha acontecido, como "muito grave".

"Se houver uma colisão, pode provocar um acidente e colocar em causa a segurança da aeronave e dos ocupantes", alertou Jorge Cernadas, que reportou a ocorrência à torre de controlo do Aeródromo de Cascais e que vai também comunicá-la ao Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF).

O avião (com capacidade para 18 passageiros) tinha descolado de Portimão para o Aeródromo Municipal de Cascais, em Tires, com 12 passageiros e dois tripulantes. O destino final foi Bragança, onde aterrou entretanto.

A companhia Aero Vip, do Grupo Seven Air, é responsável pela ligação aérea regional Bragança-Vila Real-Viseu-Cascais-Portimão, e vice-versa, efetuada diariamente.

Este é o segundo incidente nesta semana envolvendo 'drones' e aviões e o quarto nas duas últimas semanas. É também o oitavo incidente conhecido deste tipo desde o início do ano.

Na quarta-feira à noite, um avião da TAP, com cerca de 130 passageiros, cruzou-se com um 'drone' a 700 metros de altitude, quando se preparava para aterrar no Aeroporto de Lisboa.

O Airbus 319, proveniente de Milão, Itália, "cruzou-se" com o 'drone' por volta das 21:00, no momento em que a aeronave estava à vertical da Ponte 25 de Abril, na zona de Alcântara, e a poucos minutos de aterrar no Aeroporto Humberto Delgado.

A 01 de junho, um avião que se preparava para aterrar no aeroporto do Porto quase colidiu com um 'drone' a 450 metros de altitude, obrigando os pilotos de um Boeing 737-800, da companhia TVF, France Soleil, grupo Air France/KLM, a realizar várias manobras.

Esse incidente ocorreu cerca das 16:40, no momento em que o Boeing 737-800, com capacidade para cerca de 160 passageiros, estava na aproximação final para aterrar, a 3,5 quilómetros da pista 35.

Após este incidente, a Associação Portuguesa de Aeronaves Não Tripuladas (APANT) alertou para os riscos inerentes a estas práticas, aludindo ao regulamento aprovado pelo regulador do setor.

O regulamento da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) proíbe o voo destes aparelhos a mais de 120 metros de altura, uma medida que pretende precisamente "minimizar a interação com a aviação geral", e nas áreas de aproximação e descolagem de um aeroporto, "uma vez que são consideradas fases críticas de voo", sublinhou a APANT.

JGS // ROC
Lusa/Fim

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