sexta-feira, 9 de junho de 2017

DVORA MORAG - DISRUPTIVE ORDER

A obra de Dvora Morag (Rehovot, Israel, 1949) explora, a partir do espaço íntimo e silencioso da casa, a inquietação e a tensão entre a memória pessoal e os acontecimentos da história da humanidade. A sua criação artística traz, na essência, as marcas profundas da Segunda Guerra Mundial ou do persistente conflito israelo-palestiniano.
15 junho 2017 a 15 setembro 2017
Filha de sobreviventes de Auschwitz, a sua identidade, como a obra, ficaria moldada, mesmo que indiretamente, pelas lembranças fragmentárias e dolorosas do holocausto, que, em criança, fora incapaz de compreender e organizar numa narrativa coerente e objetiva, ainda que, e apesar das palavras silenciadas, houvesse “indícios em toda a parte”.

Sem ter estado lá, essas vivências colaram-se-lhe à pele, foram-lhe transferidas de forma tão profunda e emocional que se tornariam na sua própria memória, a partir da qual vem formalizando uma eclética gramática artística, onde se combinam a pintura, a escultura, o vídeo, o som ou a instalação.

Entre a sequência e o fragmento, a construção e a desconstrução, o passado e o presente, a sua obra apresenta-se como um inquietante espaço doméstico com diferentes entradas para a memória, onde o visitante perde o sentido do tempo e do lugar.

Encriptadas na sua morfologia, seja pelo tecido de serapilheira que envolve os objetos ou pelas linhas que se intercetam nas suas pinturas panorâmicas, o sentido das suas obras não se descodifica num primeiro olhar.

As formas esquivas e enigmáticas parecem atuar como imagens que escondem mais do que mostram, dando origem a uma multiplicidade de narrativas e significados que se intercetam, interrompem, desdobram, sussurram e dispersam pelo espaço arquitetónico, armadilhando a nossa atenção.

Do mesmo modo que a casa se coliga com o mundo, o mais pessoal e privado articula-se aqui com questões políticas e culturais, que a artista tão bem reconhece nas palavras de Fernando Pessoa, no Livro do Desassossego: “tudo o que se passa no onde vivemos, é em nós que se passa”.

Curadoria: Jorge da Costa
Coprodução: Município de Bragança
Centro de Arte Contemporânea Graça Morai
Ideias Emergentes
Colaboração: Embaixada de Israel em Portugal

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