quarta-feira, 7 de junho de 2017

O Apóstolo de Fátima foi um modelo de santidade na diocese de Bragança-Miranda

“Uma homenagem merecida a um homem que foi um modelo de santidade.” Foi desta forma que o bispo D. José Cordeiro abordou a iniciativa que juntou a Fundação Mensageiro de Bragança, a Santa Casa da Misericórdia de Bragança, a Casa de Trabalho Dr. Oliveira Salazar, o Seminário de S. José e as Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, de Bragança, numa homenagem ao Cón. Manuel Formigão, considerado o Apóstolo de Fátima.
Na sexta-feira, cerca de uma centena de pessoas marcaram presença na inauguração de uma exposição sobre a figura deste sacerdote que passou pela diocese nordestina entre 1934 e 1943.
A exposição está patente até ao dia 6 de julho no museu etnográfico Dr. Belarmino Afonso, na Santa Casa da Misericórdia e inclui alguns objetos pessoais, como um par de botas utilizado pelo Cón. Formigão, peças de vestuário mas, também, uma fotografia dos Três Pastorinhos que inclui um fragmento da azinheira original das Aparições ou excertos dos interrogatórios efetuados pelo “Apóstolo de Fátima” a Lúcia, Jacinta e Francisco.

Desta exposição consta, ainda, a primeira imagem de N. Sra. de Fátima a vir para a diocese, oferecida pelo bispo de Leiria, e um altar utilizado na igreja da Misericórdia aquando da passagem do Cón. Formigão.

A caminho da santidade...
Para além da exposição, foi ainda apresentado o livro “Santas e Santos no Ano da Santidade”. Trata-se de uma coletânea de textos publicados pelo Pe. Joaquim Leite, que dedicou mesmo um dos textos ao Cón. Formigão. “Ao todo, foram sessenta e um encontros semanais com homens e mulheres de todos os tempos, de todas as culturas, de todas as raças, de todas as idades e de todos os estratos sociais. Com eles, aprendi a ler o Evangelho com outra abertura porque descobria em cada santa e santo uma leitura nova e única do mesmo Evangelho de Jesus Cristo. Predispus-me a deixar-me contagiar por todas estas santidades. Com pena o digo, o contágio não pegou.

Deu-me um gozo enorme escrever estas sessenta e uma crónicas. Mas é verdade que algumas me deram mais gozo que outras. A crónica 35, por exemplo, dedicada a São Filipe de Néri, o santo que a Igreja celebra hoje, 26 de Maio, com MO, foi uma delas. Um santo simples, alegre, brincalhão… Foi protagonista de tantas e tão saborosas anedotas. Se tivesse tempo, até lhes contava uma só para amostra. Mas adiante. São Filipe de Néri é um dos tais santos que dá vontade de ser santo. Depois, a crónica 18, sobre o Sr. Cónego Manuel Formigão que hoje é santo desta festa por outras razões que não as da sua canonização. Que honra este meu livrinho ter sido lançado neste contexto solene”, disse o autor. O livro está à venda no jornal diocesano.

Seguiu-se uma breve conferência sobre a figura do Cón. Formigão, proferida por D. José Cordeiro, que recordou todo o trabalho feito na nossa diocese, apesar de nem sempre ter sido bem recebido.

“É de um enorme alcance a homenagem ao Cón. Formigão, com a exposição, a conferência, interligado com isso a apresentação do livro do Pe. Joaquim Leite dos artigos que foram sendo publicados no Mensageiro de Bragança sobre as “Santas e os Santos ao longo do Ano da Santidade” e que inclui a figura do Cón. Formigão. Aqueles que o conheceram de perto dizem mesmo isso, que é um Santo. É uma justa e necessária homenagem que Bragança fez àquele que tanto contribuiu para aquilo que nós somos hoje. Durante nove anos teve uma ação decisiva como fundador e primeiro diretor do Mensageiro de Bragança, como reitor do Seminário Maior, como membro e secretário-geral da Cúria diocesana, como capelão da Santa Casa da Misericórdia, como fundador dos dois patronatos, o de Santo António e o de N. Sra. de Fátima, como assistente espiritual e confessor das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, como secretário particular do bispo D. Luís António de Almeida, depois assessorando D. Abílio Augusto Vaz das Neves. Portanto, a sua presença é muito viva ainda hoje e em feliz hora foi possível esta homenagem. E a diocese está grata também àqueles que coordenaram esta homenagem, e de um modo especial à Fundação Mensageiro de Bragança o ter coordenado de uma forma tão eficaz e reconhecida todas estas instituições e pô-las, todas e cada uma ao seu modo, a darem o seu contributo para que o rosto desta homenagem ao Cón. Formigão fosse também de comunhão, de unidade, de atualidade hoje em Bragança cidade e em Bragança diocese. Da minha parte, também, felicito vivamente a Fundação Mensageiro de Bragança e o jornal em especial que coordenou todo este trabalho de uma maneira tão bela e tão sentida. O eco que nos transmitem, as pessoas que estiveram e os que têm pena de não ter estado, diz bem da dignidade, da elevação, da beleza com que esta homenagem foi realizada”, sublinhou D. José Cordeiro, considerando que “este é um contributo humilde mas importante para o processo de canonização deste padre para ser reconhecido pela Igreja como modelo de Santidade, como um grande intercessor junto de Deus por todos nós”.

O momento alto desta homenagem aconteceu na Catedral, onde o conservatório de Ourém/Fátima interpretou uma Cantata baseada em textos do Cón. Formigão. “É um grande momento de arte e cultura”, frisou o Pe. Cartageno, autor da música, durante a sua intervenção. Uma atuação precedida por um excelente momento musical, proporcionado por alunos do Sagrado Coração de Jesus e da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, que encheu o coração às centenas de pessoas que marcaram presença.

“Fiquei agradado com o que vi e ouvi e tenho de felicitar-vos pela organização do evento e continuar com a mesma disponibilidade para apoiar outras iniciativas do género. Mas fiquei particularmente satisfeito”, sublinhou Hernâni Dias, presidente da Câmara de Bragança, que foi espectador atento.

TESTEMUNHOS
“Na sua passagem por Bragança, em nove anos, o Pe. Formigão criou instituições de cultura e caridade. Sessenta anos após a sua morte, o “Apóstolo de Fátima” volta a congregar, nesta sua e nossa cidade, as mesmas obras por ele instituídas e outras em que deixou a indelével marca de “Homem de Deus”, sábio e santo, a fim de, conjuntamente, proclamarem “As Maravilhas de Fátima”, quando ocorre o centenário das Aparições. Às Irmãs Reparadoras de N. Sra. de Fátima e ao Mensageiro de Bragança, que coordenou a efeméride, o mais profundo e reconhecido agradecimento.”
Mons. Adelino Paes, Provedor da Fundação Mensageiro de Bragança

“Uma cerimónia simples, como simples e humilde foi a vida do homenageado. Mas uma cerimónia sentida, intensa em simbolismo, marcada pela gratidão das instituiçoes que fizeram parte da vida do Cón. Formigão em Bragança. A Santa Casa da Misericórdia de Bragança sente-se honrada por poder contar na sua história de bem-fazer com a colaboração de um missionario da Fé, um Homem de Deus, que também entre nós deixou a sua marca. A sua obra na diocese, agora mais conhecida e admirada, está patente na exposição no Museu Dr Belarmino Afonso. À diocese de Bragança-Miranda e o ao Mensageiro de Bragança um obrigado da SCM de Bragança, uma das instituiçoes herdeiras da vida e obra do Cón. Manuel Formigão.”
Eleutério Alves, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança

“Foi um momento com grande solenidade e participação, sobretudo a Cantata.
Pareceu-nos que a parceria foi um bom momento de crescimento das entidades envolvidos.”
Pe. Bento Soares e João Paulo Matos, Patronato de Sto António

“As Irmãs da Caridade do Sagrado Coração de Jesus congratulam-se com a homenagem feita ao Sr. Cón. Manuel Formigão que contemplou para a comunidade citadina momentos muito belos de comunhão e crescimento na fé. Sentimo-nos “orgulhosas” por integrar esta construção.
A Cantata, sobretudo, foi uma oportunidade de aprofundar a mensagem que Nossa Senhora em Fátima trouxe ao mundo, entrando pela “porta” da nossa querida Pátria.”
Ir. Bárbara Fernandes, Sagrado Coração de Jesus

“Foi uma homenagem justa, por tudo o que o Cón. Formigão cedeu à nossa diocese, a começar na Santa Casa da Misericórdia e a terminar no seminário.”
Pe. José Carlos Martins, Reitor do seminário de S. José

A Fundação Mensageiro de Bragança agradece a todos quantos colaboraram nesta organização e o fundamental apoio da Câmara de Bragança, Câmara de Vinhais e União das Freguesias de Sé, Santa Maria e Meixedo.

AGR
in:mdb.pt

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