sexta-feira, 16 de junho de 2017

Papel de Bragança como metrópole de criptojudaísmo e centro de inovação destacados no congresso de Terras de Sefarad

Terras de Sefarad - Encontro de Culturas Judaico Sefardita recorda desde ontem a herança judaica em Bragança.
Trata-se do maior evento que junta arte, cultura e reflexão sobre esta temática realizado em Portugal, na cidade que já foi a metrópole dos criptojudaísmo em Portugal, como defendeu Claude Stuczynski, investigador uruguaio, da universidade de Bar Ilan em Israel.

“Bragança sempre foi considerada pela inquisição como um sítio onde existia uma população de cristãos novos de origem judaica muito importante, no século XVIII por exemplo as indústrias da seda e do couro eram dominadas por cristãos novos. Houve uma quantidade desproporcional de cristãos novos de Bragança que foram processados pela inquisição de Coimbra”, destacou.

Atrair turistas judeus é um dos objectivos da recuperação desta memória da presença judaica, mas não o único como frisa Paulo Mendes Pinto, coordenador da comissão executiva do congresso

“Há um turismo judaico em Portugal a crescer imenso, mas há também um lado cívico as pessoas têm noção de que há esta memória e querem redescobri-la e valorizá-la, mas também por algo mais importante, que é as pessoas perceberem que há 400 ou 300 anos Trás-os-Montes não era nem em termos de desertificação nem de economia o que hoje temos como estereótipo, havia aqui inúmeros empreendedores, tinha lugar inovação e existiam centros culturais, Trás-os-Montes não era uma periferia era um centro”, destaca.

A embaixadora de Israel em Portugal, Tzipora Rimon, fez questão de marcar presença no evento porque entende que se trata de uma iniciativa importante para recordar um capítulo marcante da história do povo judeu.

“Há um grande papel histórico de Bragança, é um capítulo histórico muito importante de Portugal e do povo Judeu. Para mim é muito importante o conhecimento desta história da parte do público português ”, avaliou.

O presidente do município, Hernâni Dias, considera que depois do impacto do congresso, outras conferências e eventos relacionados com a herança judaica podem ser organizados em Bragança:

“No tinha esta noção clara da importância que Bragança teve relacionado com esta temática e isto começa a despertar mais a curiosidade na perspectiva de podermos avançar um pouco mais com a organização de eventos relacionado com esta temática e podermos ter um processo de trabalho e investigação”, salientou.

Ainda ontem foi inaugurada uma exposição de Dvora Morag, no centro de arte contemporânea graça Morais.

Até domingo, é possível assistir a conferências, concertos e cinema judaico e ainda visitar um mercado kosher. Propostas do Encontro de Culturas Judaico-Sefardita. 

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

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