quinta-feira, 6 de julho de 2017

António Rodrigues Sampaio

O célebre jornalista da Revolução de Setembro e do Espectro nasceu na freguesia de S. Bartolomeu do Mar, concelho de Esposende, distrito de Braga, a 25 de Julho de 1806. Foi ministro do Reino desde 26 de Maio a 3 de Junho de 1870 e presidente do ministério desde 25 de Março a 14 de Novembro de 1881.
Conquanto não fosse administrador geral de Bragança, cargo a que hoje corresponde o de governador civil, foi secretário geral dessa administração, e, como os próprios desse lugar nunca aqui apareceram, ou, se vieram, foi de fugida, Sampaio exerceu as suas funções e por isso o mencionamos nestas páginas.
Logo que triunfou a revolução de Setembro a 9 deste mês de 1836, o chefe do ministério Manuel da Silva Passos nomeou Sampaio, ao tempo redactor da Vedeta, secretário-geral da administração de Bragança.
Manuel de Castro Pereira era o administrador-geral, mas nunca veio exercer o cargo e Sampaio ficou governando Bragança até 1838, ano em que foi nomeado administrador-geral Rodrigo Pinto Pizarro, barão da Ribeira de Sabrosa. Sendo este eleito presidente do ministério em 1839, nomeou Rodrigues Sampaio administrador-geral de Castelo Branco, para onde partiu.
Pelos anos em que Sampaio esteve em Bragança casou com a viúva do capitão João de Amorim, chamada D.Maria de Barbosa Soares de Brito Sá Lenções, que faleceu em 1844. Esta viúva tinha dois filhos do seu primeiro matrimónio, de nomes: António e Joaquim Amorim. A voz pública indigitava este como o assassino de um tal Cordeiro, marido de uma Lucrécia, moradores na vila de Bragança.
Parece que a influência de Sampaio entrou muito no julgamento para que Joaquim Amorim fosse dado como inocente.
Quando foi da intervenção estrangeira em 1847, que uma esquadra inglesa bloqueou o Porto ao mesmo tempo que o general espanhol D. Manuel de la Concha cercava por terra aquela cidade, o governo, temendo a grande propaganda que contra ele fazia Sampaio, mandou-o prender; este, para evitar o cárcere, escondeu-se e começou a publicar clandestinamente o Espectro, que, como um raio, aparecia em toda a parte, causando verdadeiro assombro não só a sua linguagem violenta mas também o modo como era largamente distribuído, sem que jamais a polícia lograsse encontrar o seu redactor e a oficina onde aquele panfleto era impresso.
Disse-nos o ex.mo sr. António José Ribeiro (1.º oficial aposentado do Governo Civil de Bragança, cavaleiro da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa por decreto de 31 de Agosto de 1863, como se vê pelo Diário do Governo de 3 de Outubro seguinte, octogenário de uma memória pasmosa, de quem são estas notícias) que Rodrigues Sampaio estivera escondido em casa de José Marcelino de Sá Vargas, em Lisboa, durante mais de seis meses e dali publicava o Espectro, facto a que também alude o autor do «Calendário Histórico» in O Primeiro de Janeiro de 1 de Março de 1907.
Sampaio faleceu em Sintra às onze horas e meia da manhã de 13 de Setembro de 1882. O seu retrato vem na Revista Contemporânea (1862) e na História de Portugal, popular e ilustrada, de Pinheiro Chagas, vol. XI, pág. 8.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

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