segunda-feira, 17 de julho de 2017

Cidade de Miranda do Douro assinala 472 anos e distingue instituições e personalidades da terra ligadas a diversas áreas

A cidade de Miranda do Douro está a celebrar os 472 anos de elevação à categoria de Cidade (1545-2017) , com um conjunto de atividades culturais, recreativas, musicais, desportivas e socais que mobilizam a sociedade mirandesa e que se prologam até ao dia 18 julho.
Um dos momentos marcantes das celebrações foi a distinção de diversas personalidades e instituições que marcam ou marcaram a história e o quotidiano das gentes mirandesas e oriundas de diversas áreas, desde a política à agricultura, passando pelas artes ou conservação do património.

De entre os agraciados com a Medalha de Mérito Municipal está a presidente da Assembleia Municipal de Miranda do Douro e atual provedora da Santa Casa da Misericórdia, Jacinta Fernandes. A esta personalidade junta-se o comandante Honorário dos Bombeiros de Miranda do Douro, Irondino João e o comandante dos bombeiros de Sendim, José Campos.
Com o Medalha de Honra Municipal foram agraciadas a Associação de Criadores de Raça Bovina Mirandesa, a Associação de Ovinos de Raça Churra Galega Mirandesa e Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino.
Na cultural e defesa do património foi distinguido o Museu das Terras de Miranda, que este ano assinalam 25 anos de existência.
De acordo com o presidente da câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes, os agraciados são pessoas que se destacaram e destacam no âmbito do voluntariado, na promoção da saúde e bem-estar e proteção civil.
Para o autarca, as associações de criadores têm tido aos longos dos anos, um papel preponderante da defesa e valorização do património genético existente no território das “Terras de Miranda”.
“Esta é uma verdadeira aposta nas pessoas e instituições, no seu reconhecimento publico e valorização do seu largado, deixado ao longo dos anos, em que serviram ou servem a causa pública ou a promoção dos valores mais altos de uma sociedade”, frisou.
Outros pontos altos do 472º aniversário foi o regresso do Festival da Canção em Língua Mirandesa, após um ano de interregno.
Pelo palco desfilaram uma dezena de canções originais em mirandês, senda a vencedora do XXXI Festival, a canção “Froles Mirandesas”, interpretada por Fabíola Mourinho. O largo D. João III foi pequeno para acolher uma iniciativa musical com mais de 30 anos existência.
No campo linguístico, houve ainda tempo, no meio de uma agenda carregada de iniciativas,
para a entrega de prémio do Concurso Literário António Maria Mourinho, numa altura em que se celebra o centenário do nascimento do clérigo, investigador e estudioso das tradições mirandesas.
Já no campo transfronteiriço, houve um conjunto de cerimónias alusivas às geminações de Miranda do Douro com as localidades espanholas de Bimenes e Aranda do Douro, com que a cidade mantém relações culturais e socais há algumas dezenas de anos.
A iniciativa ibérica “Pendões ao Alto” que reuniu em desfile pelas ruas da cidade cerca de 60 pendões, estandartes ou bandeiras de grandes dimensões, usados em cerimónias civis, religiosas e militares.
Segundo a organização da iniciativa, que cabe ao município local, os pendões eram no passado ostentados em praticamente todo o reino de Leão, do qual esta região fez parte.
De cores onde predominam o vermelho carmesim (a cor do reino de Leão) e ainda o verde, o branco, azul, amarelo e creme, chegam a atingir 13 metros de altura.
Segundo Artur Nunes, não foi “tarefa fácil” reunir tantos pendões com história e tradição para uma celebração que é “uma forma da união dos povos para o futuro”.
Segundo alguns investigadores da cultura mirandesa, os pendões existentes nos povoados de todo o território do antigo Reino de Leão, em que Miranda se integrava no passado, tiveram a sua origem nos pendões militares medievais que guiaram a reconquista cristã da Península Ibérica.
Ao perderem a sua função bélica, foram recuperados pela igreja e integrados nos rituais religiosos, assim chegando aos dias de hoje.
Os pendões são considerados o símbolo mais antigo das Terras de Miranda, a par do seu próprio idioma, o mirandês, e acompanham a história da região muito antes dos tempos da reconquista.

Francisco Pinto
Mensageiro de Bragança

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