quarta-feira, 12 de julho de 2017

Frei Gonçalo de Santo Alberto

Natural da Matela, concelho do Vimioso; faleceu em Évora a 23 de Setembro de 1624 e aí jaz no convento dos carmelitas descalços de Nossa Senhora dos Remédios, a cuja ordem pertencia. O Hagiológio Lusitano diz que faleceu a 10 de Abril, mas devemos seguir a versão do cronista da ordem. Era filho de pobres lavradores, e foi talvez como criado com mancebos de Miranda para Salamanca onde estudava cânones, aplicando-se nas horas vagas ao estudo do latim, que em dois anos que ali esteve aprendeu regularmente. Entrou depois para o convento dos carmelitas descalços de Salamanca, mas não consta o dia nem o ano.
Em 1610 veio para Portugal e foi feito conventual do convento de Lisboa, onde se notabilizou pelas virtudes da paciência, penitência e humildade, como as crónicas da ordem memoram.
Em Abril de 1611 esteve prestes a marchar para a missão do Congo, que havia pedido ardendo no desejo de pregar aos infiéis a palavra divina, o que não se realizou por ter revogado a licença o geral da ordem. Foi depois passar um ano no deserto de Bularque, na província de Castela-a-Nova, no convento que aí tinha a sua ordem, vindo depois para o convento de Évora, onde morreu.
O seguinte facto, relatado mui sinceramente pelo cronista da ordem, mostra bem quanto Frei Gonçalo era invulnerável às tentações chichais:
«Uma bonita molher teve artes de se introduzir de noite no aposento do nosso Gonçalo quando estava ainda em Salamanca, “parecendo-lhe que sua bella figura ajudada da ocasião renderia o mancebo” pois não houve nada d’isso; o pudico mancebo correu sobre ella com um facheiro de palhas obrigando-a a fugir “mais fria de medo do que alli veio amante”» diz a crónica.
Devia ser isso! Lá diz o Hagiológio Lusitano, referente ao dia 10 de Abril, onde memora as virtudes do nosso conterrâneo, que era para notar «o rigor com que castigava a rebeldia da carne e a reduzia ao spiritu».

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

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