quarta-feira, 5 de julho de 2017

Manuel de Sá

Jesuíta. Nasceu em Peredo, concelho de Macedo de Cavaleiros, a 22 de Março de 1658 e faleceu em Lisboa, no colégio de Santo Antão, a 22 de Abril de 1728; era filho de António Cabral de Mesquita, capitão-mor de Alfândega da Fé, e de D. Úrsula Dinis. Estudou no colégio da Companhia de Jesus em Braga, onde foi recebido aos dezassete anos de idade. Entrou no noviciado de Coimbra a 13 de Fevereiro de 1675 e terminou-o em Lisboa a 14 de Fevereiro de 1677.
Tomou ordens menores em Évora neste último ano e na Universidade desta cidade aprendeu humanidades, nas quais, e em filosofia, fez grande progresso. Antes de concluir o seu curso pediu e o enviaram à Índia, para onde partiu de Lisboa a 2 de Abril de 1680, em companhia de dezanove outros missionários da sua religião. Terminou em Goa os seus estudos e logo ensinou retórica, e depois de professar o quarto voto a 15 de Agosto de 1693 e ler três anos filosofia e oito teologia, foi nomeado superior da casa professa de Goa, que regeu com proficiência.
Em 1709 o rei de Portugal nomeou-o patriarca de Etiópia, para onde, por proibição do imperador da Abissínia, não chegou a ir, do que resultou descuidar-se em pedir as bulas da consagração. Empregaram-no nas missões da Índia portuguesa e nas de Sunda,Malaca, Batávia e Ceilão; foi hábil político e, por incumbência dos vice-reis da Índia, desempenhou várias comissões de alta importância.
Em 1720 foi nomeado membro da «Academia Real de História Portuguesa» logo que esta se erigiu, à qual enviou memórias históricas da China, que ainda não foram publicadas.
Foi durante vinte e oito anos deputado da Inquisição de Goa e serviu muitas vezes de inquiridor. Acompanhou o vice-rei conde de Alvor na guerra contra o famoso Sevagi, na qual foi ferido; e voltou segunda vez a Portugal em 1722. «Em 1724 mandou-o El-Rei recolher ao reino, com o fundamento obscuro de que o seu procedimento era muito prejudicial ao socego publico».
Era douto teólogo, excelente filósofo e versadíssimo em todo o género de erudição. Ficaram dele um tomo de sermões sobre diversas matérias, que são outras tantas peças de pura elegância, e diferentes outras obras. Sousa, Elogio do padre Sá, pronunciado na Academia de Lisboa.

Escreveu:
Sermões vários – Pregados na Índia a diversos assuntos, e oferecidos no primeiro sermão ao Ex.mo Sr. Caetano de Melo e Castro, vice-rei e capitão geral da Índia. Lisboa, 1710. 4.º de VIII-369 págs. «Contem esta collecção quinze sermões, panegiricos e de mysterios, os quaes, se não me engano, podem por sua disposição e linguagem ser contados entre os melhores daquelle tempo».
Carta que em nome de S. Francisco Xavier mandaram os padres da Companhia a el-rei D. João V. Contém o parecer que o marquês de Abrantes dera, de que se vendesse a Índia aos holandeses. É carta política, manuscrita, existente na Biblioteca de Évora.
Começa assim: «Escrevo do outro mundo aos que ainda vivem na terra», etc.
Relação da expedição contra o Angara.
História do memorável cerco de Mombaça, editada em 1723.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

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