sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Francisco António da Silva

«Mestre entalhador», da vila do Mogadouro, arrematou em 1771 a obra de talha do retábulo da capela-mor da igreja de Urrós nas seguintes condições: 
«Levará em primeiro luguar sua banqueta com suas coartelas nas bandas para a receber. Levará seus pedestais, banco, coluna e friso. Levará hum caixilho na boca da tribuna em parte entalhado. Levará logo ao pé do caixilho por cada lado seu pilar entalhado, e logo primeira coluna tersada e entalhada com suas tarjas; e logo de cada banda hûa meia cana fazendo o retiro para tras com sua cupula e sua pianha que sirva para nicho dos Santos; e logo de cada lado sua coluna também tersada e entalhada; e hum pilar por banda para acabar de ligar a parede; e na meia cana que vai entre os pedestais se abrirá com seus gonzes para entrada do camarim; levará sua tarja para o Sacrario...... e subindo ao remate será nesta forma: em partes será acrecentado a proporção do pitique (?) e em cima do camarim levará hûa cupula com seu franjado que servirá a receber em cima das colunas do centro que para o mesmo se lhe faram suas coartelas; e em cima das tais coartelas levará de cada lado seu Anjo de altura correspondente ao menos de coatro palmos; com seu resplendor romano e por cima virá ao modo de pavilhão crescendo para diante comprimento necessario ao menos quatro palmos». Esta obra foi justa por 197$000 réis.
O doutor Francisco Vaz de Quina, provisor e vigário-geral do bispado de Miranda, por ordem do respectivo bispo mandou pôr a pregão, no pátio do palácio episcopal, «a factura do retabulo da capella mór da igreja matriz do lugar de Urrós por assim se lhe ordenar por sua Excelencia Reverendissima e sendo com efeito apregoada a dita obra pollo porteiro do juizo geral desta cidade em altas e inteligiveis vozes dizendo quem quer lançar na obra e factura do retabulo da capella mór da igreja do lugar que se hade rematar e repetindo o mesmo pregam hua, duas, tres e mais vezes; appareceu logo Francisco António da Silva, mestre e entalhador da villa do Mogadouro e lançou na ditta obra na forma dos appontamentos na quantia de cento e noventa e sette mil reis, e logo o ditto porteiro tornando a pregoar na forma sobreditta por nam achar quem fizesse menor lanço lhe aceitou o seu ao sobreditto e veio a elle Reverendo Doutor Menistro dizendo que tendo afrontado muitas vezes a ditta obra nam tinha achado quem nella lançasse por menos quantia de cento e noventa e sette mil reis pello que respeita tam somente a obra que se deve mandar fazer por conta dos fructos da Abbadia e apregoando ultimamente o mesmo porteiro disse em vozes altas entelegiveis ha quem por menos de cento e noventa e sette mil reis faça a obra do retabulo da capella mór do lugar de Urrós que se arremata e mandou outra vez elle Reverendo Menistro afrontar e logo o porteiro andou para baixo e para cima se havia quem por menos fazia a ditta obra com hum ramo verde na mam fazendo afronta e dizendo que afronta fazia porque mais nam achava e dizendo que se mais achara mais tomara doulle hûa doulle duas doulle outra mais pequenina ha quem faça por menos senam dou o ramo e por nam haver quem fizesse menos lanço logo elle Reverendo Doutor Menistro lhe mandou entregar o ramo ao sobreditto Francisco Antonio da Silva que o recebeo da mão do porteiro de que eu escrivam dou fé e lhe houve por rematada a dita obra».
Esta obra fora preceituada pelo visitador na diocese em 1771, que mandou «alargar dez ou dose palmos a parede de tras da capella mór e fazer de novo o seu retabulo…… [além de outras alfaias para o culto, ordenava mais que se fizessem] seis castiçais a romana».
Na obra de carpintaria arrematada para esta capela em 1771 por José Gonçalves, de Sanhoane, mestre carpinteiro, se declara que «será de pernas e terão os caibros de grosso meio palmo... e levarão de vão entre perna e perna palmo e meio, e levarão as pernas e os oliveis embotidos a meia madeira. Será o forro por cima das pernas em tosco de escama de peixe e será por baixo forrada e apainelada com suas coartelas e flores ou rosas nos remates dos paineis e toda na forma da capella de Carragosa».
Em outro processo, junto a estes documentos de Urrós, declara-se que a capela-mor «levara um retabolo de novo todo pelo feitio da capela mór de Rabal termo de Bragança».
Em outras arrematações de obras, como na da capela-mor da igreja de Mós de Rebordãos, em 1745 adjudicada aos mestres-canteiros José da Costa e Isidoro Martins, de Santa Comba de Rossas, por 200$000 réis, se diz apenas:
que a autoridade eclesiástica mandou pôr a pregão a obra pelo porteiro e, como não houvesse quem a fizesse por menos «lhe mandou entregar o ramo» aos ditos arrematantes. Assim por este teor aparecem vários outros autos de arrematação.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

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