sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Projeto inovador de apoio domiciliário na área da demência em Mogadouro

Um projeto inovador de apoio domiciliário, na área da demência, possibilita o diagnóstico precoce da doença e o acompanhamento dos pacientes em casa.
Este serviço gratuito está a ser prestado em Mogadouro, no distrito de Bragança.
clica na imagem para aceder ao video

IPB com mais 36 por cento de novos alunos foi a instituição que mais cresceu em Portugal (com vídeo)

O Instituto Politécnico de Bragança volta a colocar a região no topo das páginas dos jornais graças a mais um feito. Foi a instituição de ensino superior de Portugal que mais cresceu em termos de novos alunos na primeira fase de acesso. A expectativa é que o número total de estudantes se aproxime, pela primeira vez, dos oito mil, o que seria um marco histórico para o Nordeste Transmontano e para a economia de toda a região.
Face ao ano passado, entraram este ano mais 36 por cento dos alunos só nas licenciaturas, ou seja, são 711 novos alunos que foram colocados no IPB, contra os 523 que entraram no ano passado. Em 2015 tinham sido 598.

“E a instituição que registou a maior subida no número de colocados na 1ª fase, face a 2016, foi o Instituto de Bragança, “o mais longe possível de Lisboa”, sublinhou Manuel Heitor, Ministro do Ensino Superior, em declarações ao Expresso. “O ensino politécnico melhorou muito, sobretudo com os estímulos dados para a investigação e pela diversificação de opções, muito relacionadas com os mercados de trabalho e as dinâmicas locais”, disse o governante.

Surpresa pela positiva

Para o presidente do IPB, Sobrinho Teixeira, “os números surpreenderam pela positiva”. “Crescer 36 por cento de 2016 para 2017 foi muito bom. Até o próprio ministro anunciou que o IPB foi a instituição que mais cresceu”, enalteceu.

De acordo com o presidente do Instituto, “este crescimento baseia-se em três pilares. Um deles é muito importante, que é a avaliação do IPB nos rankings internacionais. Não têm a ver com estigmas que se possam criar a nível nacional mas são avaliações que têm a ver com factos concretos e entidades que estão habituadas a avaliar instituições em todo o mundo e esta recorrência de diversos rankings tem tido o seu retorno. Passa pela captura de alunos internacionais, que procuram verificar essa qualidade, mas a mensagem também está a passar a nível nacional”, explica.
“Outro dos pilares é a qualidade de vida da região e a segurança. A cidade tem respondido, as nossas forças de segurança têm sido inexcedíveis.

O terceiro pilar, que eu espero que continue, é a oferta de alojamento. Que seja uma oferta com qualidade, a um preço justo. Podíamos cobrar propinas mais altas mas optamos por não o fazer no âmbito de uma estratégia para a região”, aponta Sobrinho Teixeira, que vê “isto como uma missão para o desenvolvimento da própria região”.

Por isso, faz questão de “agradecer a todos os que estão a trabalhar para que isto aconteça”. “É uma grande demonstração que o interior vai ultrapassar as dificuldades”, acredita.

Matrículas com grande procura

Certo é que os primeiros dias após serem conhecidos os resultados das colocações, foram marcados pela grande procura dos serviços académicos para a formalização das matrículas.
“É a primeira vez que venho. Nota-se que tem um bom ambiente e que toda a gente gosta de cooperar. Já tinha ouvido falar no IPB”, admite Sofia Carvalho, que vem de Vila Real para o curso de Desporto, a sua primeira opção.

Andreia Rocha veio de Penafiel, também para Desporto, um dos cursos que já quase esgotou as vagas. Bragança foi a segunda opção mas não ficou nada desiludida. “Achei bem ter calhado aqui. Por um lado, queria vir para cá, para longe de casa. Já tinha ouvido falar do IPB. A primeira impressão é boa e a animação agradou-me”, contou ao Mensageiro, no posto de atendimento que a Associação Académica montou. “Às 8h30 já tínhamos muita gente à espera. Quando chegam, tiram uma foto para partilhar no facebook da associação académica. As diversas associações também os recebem e ambientam-nos. É uma receção calorosa, também com as tunas”, explica Ricardo Cordeiro, o presidente dos estudantes.

A conversa com o Mensageiro é interrompida porque entretanto chega Fátima Lima. Veio de Marco de Canaveses para  Arte e Design. “Foi segunda opção. Desiludida? Não. Estou a gostar do ambiente. Já tinha ouvido falar muito do IPB. Alguns amigos meus estiveram aqui no ano passado e recomendaram, disseram que de certeza que iria gostar”, conta.

Mestrados e alunos estrangeiros dão contributo


Mas não são só os cursos de licenciatura que tiveram grande procura. “Começámos a seguir esta estratégia nos países africanos de expressão portuguesa. Só do Brasil tivemos mais de três centenas de candidaturas. De toda a América Latina, do sudeste asiático, da China, da Índia. Muitas candidaturas dos antigos países da União Soviética”, revela Sobrinho Teixeira, garantido que “há uma procura generalizada, não só nas licenciaturas mas também nos mestrados”.

Escola                                     Ano
                                               2017    2016    2015    percentagem
Escola S. de Saúde                    85        103   129      - 17%
Escola S. Agrária                        20            8     13     + 150%
Escola S. de Educação            219        159    175     + 38%
Escola S. Tecnologia                184        124    130     + 48%
Escola S. ACT                          203        129    151     + 57%
Total                                          711         523   598     + 36%

AGR/Marta Pereira
in:ndb.pt

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Campanha Eleitoral = Dia das Mentiras Multiplicado por 11

Bragança uma cidade de contrastes

Por. Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
A cidade de Bragança cresceu muito, embora esse crescimento não tenha acompanhado, em vários casos, o desenvolvimento e muito menos a sustentabilidade de alguns equipamentos.
Os autarcas souberam aproveitar, duma forma conveniente, os fundos comunitários e a obra é uma realidade. Muito do que se fez está ao serviço da comunidade, é um bem público, uma mais valia, para uma cidade que se pretende moderna e com respostas de cultura e conforto para os cidadãos. Outras obras foram o sinal duma época, em que era preciso investir, aproveitar recursos disponíveis, embora a sua utilidade seja discutível e até possam ser um sorvedouro de dinheiro do erário público.
Contudo, "Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce." (Fernando Pessoa) e por isso, a crítica positiva é sempre um ato de cidadania, um contributo para a reflexão e para encontrar outras soluções. Também sabemos que só quem faz, produz, pensa primeiro, é objeto de crítica e da inquietação do erro.
Mas Bragança é na verdade uma cidade de contrastes que se têm manifestado ao longo do seu devir histórico. Uma cidade de ricos e pobres, de guerra e paz, de ciclos de desenvolvimento breves e de estagnação prolongada.
A cidade, às vezes, parece que capitula na longa sombra da história. Em 28 de Maio de 1375, o rei D. Fernando promulga a lei das Sesmarias. O reino desertificava-se e a região de Bragança também sentia essa morte anunciada. "A lei pretendia obrigar os proprietários a cultivar as terras mediante pena de expropriação, obrigar ao trabalho na agricultura a todos os que fossem filhos ou netos de lavradores" Enfim, uma lei que promovia o regresso ao mundo rural e o povoamento das aldeias. Contudo, há problemas que não se resolvem por decreto e só com a vinda dos judeus, expulsos pelos reis católicos de Espanha, em 1492, é que a cidade conheceu elevados índices de desenvolvimentos, progresso e riqueza nomeadamente ao nível do comércio e da indústria da seda. Mas logo, no século dezanove, a cidade não resistiu à peste, à insalubridade galopante, a guerras e Bragança de novo assiste à desertificação e à miséria, com galinhas e porcos passeando-se livremente na praça da Sé e outras artérias citadinas. 
A história repete-se e hoje assistimos à capitulação duma cidade que parecia próspera, no fulgor da construção civil e do comércio dos anos oitenta e noventa. E hoje, se a zona industrial e as grandes superfícies comerciais demonstram algum vigor económico, o pequeno comércio local definha a olhos vistos e constatamos, com muita regularidade, falências não espectáveis.
A qualquer hora do dia, ir ao centro da cidade de Bragança, é entrar num mundo nostálgico de recordações, é assistir, paulatinamente, à morte anunciada da zona histórica, é vivenciar o desespero dos comerciantes que abrem as portas e ficam dias inteiros encostados ao balcão na ausência de clientes.
Mas de nada servem estas insípida constatações se não promovermos um grande debate público para encontrarmos soluções para a zona histórica e para a sua dinamização.
Seremos, para todo o sempre, responsáveis, pelas nossas omissões e pela Bragança que recebemos dos nossos antepassados e queremos devolver engrandecida aos vindouros.


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”. 

Obras publicadas

Poesia: 
Verdes de Sangue
Teatro: 
A última esperança 
Coordenação de Biografias:
O Bispo da Catedral 
50 anos de Jornalista 
Prosa:
Há homens atrás dos montes 
O dito e o feito
E já não havia rosas
O Milagre de Bragança
Quando as mães saíram à rua 
Foste-me embora

Pão Centeio

Voto responsável!...

Opinião!...
Por: Nuno Pires
Embora a terminar, ainda estamos no verão. Para muitos, tempo de férias, de contato com a natureza, de festas e diversão. Regressa, o outono, então, sereno e contemplativo, talvez mais propício à introspeção. Mesmo que assim não fosse, entramos, a partir de agora, num importante período de reflexão, da nossa vida, da vida da nossa comunidade, da nossa pátria, da nossa NAÇÃO. As eleições autárquicas estão à porta. Assim, pela nossa porta, pelo nosso bairro, aldeia ou cidade, anda gente que, agora, em campanha, com o nosso bem-estar se importa. E isso só é bom, se for esse o verdadeiro espírito, a forma de pensar e agir, coerente, não só neste período, mas SEMPRE.
Acreditando numa sociedade, onde, cada um de nós, tem um papel importante, na vida do “outro” e na comunidade, não podemos deixar de assumir, de forma clara e inequívoca, a nossa responsabilidade. Agora e sempre, é certo. Mas o dever cívico de votar deve constituir, também, uma atitude de respeito, pelo nosso futuro, por quem está longe e por quem está perto. Por isso, não podemos ficar acomodados, até porque o acomodamento e a indiferença, não nos deixa desresponsabilizados. Impõe-se que cumpramos o nosso dever, assumindo-o com vontade de evoluir harmoniosamente no progresso, com sucesso, como se uma forma de luta se tratasse, combatendo não só a indiferença, como também a descrença. Só participando de forma construtiva, teremos moral para, no futuro, podermos reclamar de forma ativa.
Por outro lado, neste período, é importante que devidamente nos informemos, partilhemos as nossas preocupações, as nossas reflexões, sobretudo no sentido de clarificarmos a nossa posição. Se nos silenciarmos, se não nos tornarmos suficientemente esclarecidos e reflexivos, se não participarmos democraticamente no mundo que nos rodeia, compactuamos de forma negligente e acomodada, com propósitos pouco claros e muito mal definidos, de certa gente.
Só informados e preparados, podemos escolher, coerentemente, entre quem nos parece que está para servir o “seu” povo, num propósito de missão, e não para dele se servir, na função, sem respeito pelo povo que o elegeu, sem ética, nem a honesta dedicação. Quem está preparado para nos governar no presente, e daqui para a frente, de forma transparente, humana, justa e eficiente, potenciando o otimismo e fazendo reviver confiança e a esperança, pois são as positivas realidades individuais e coletivas, melhorando a condições e qualidade das suas vidas, que tornam as pessoas mais felizes, alegres e socialmente interventivas.
Com efeito, não será sensato negligenciar no domínio das promessas adiadas, das utopias descaradas, das prepotências e da ousadias no, controlo das consciências. Conscientes que andam por aí muitas gentes, no mundo da política, sem criatividade, nem ideias, próprias consistentes, sustentadas em esquemáticas “boleias”, será importante que avaliemos os aproveitamentos oportunistas.
Por isso, é nosso dever ser diligentes, o que pressupõe uma observação cuidadosa, para apreciar a importância dos deveres a cumprir e para fazer as escolhas conscientes, como fruto de uma reflexão atenta e ponderada. Só os cidadãos que pensam serenamente nos seus deveres, eleitores, ou candidatos, de maneira a harmonizá-los, nas prioridades que entre eles deve ser estabelecida, nos passos inerentes para os realizar é que possuem o controlo da ação e do tempo, numa perfeita concordância entre os objetivos pretendidos e os realizáveis.

Nuno Pires
anunopires@hotmail.com

Centro social e paroquial dos Santos Mártires envolvido num projecto de inclusão social à escala europeia

Promover a inclusão através da arte é o objectivo do projecto Art of Inclusion, que possibilita a oportunidade de pessoas com deficiência participarem em actividades culturais e experiências de arte.
O centro social e paroquial dos santos mártires em Bragança é uma das quatro entidades europeias incluídas, juntamente com outras de Itália, Alemanha e Roménia.
Até ao momento os utentes já desenvolveram projectos culturais sobre artistas da região, como explicou Sérgio Afonso, do CLDS 3g de Bragança.
“Estamos neste momento no final da segunda fase do projecto. 
Na primeira fase recolhemos informações de cerca 6 artistas da região de Bragança e os nossos utentes com a sua criatividade trabalharam sobre Miguel Torga, Paulo Bragança, Trindade Coelho, Amadeu Ferreira, entre outros.”
Os temas dos projectos a desenvolver pelos utentes vão mudando e o resultado é exposto nos diferentes países.
Esta semana, a Academia dos Santos Mártires está a receber um encontro internacional com os parceiros deste projecto.
Já no próximo mês de Outubro, cerca de 100 utentes com deficiência dos quatro países incluídos no projecto vão participar num intercâmbio internacional que os leva com os seus trabalhos até à Roménia.

Escrito por Brigantia

Bombeiros de Mogadouro adquirem novas viaturas

Os bombeiros Voluntários de Mogadouro contam agora com uma auto-escada, um veículo que faltava no parque de viaturas da corporação.
Segundo o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mogadouro, João Gouveia, a auto-escada vai permitir um combate mais eficaz em caso de incêndios urbanos e outras situações de socorro.“Era uma das lacunas que tínhamos aqui no nosso concelho, porque se houver um incêndio num edifício mais alto já não teríamos possibilidade de acudir e agora fizemos aqui este investimento numa escada de 25 metros e é um bom investimento para acudir em casos em que seja necessário,” explicou.
A viatura custou cerca de 20 mil euros. Desse valor 12 mil e 500 euros foram doados pelos projectistas da barragem e o restante foi financiado pela autarquia.
A renovação do parque automóvel da corporação tem sido uma prioridade da associação humanitária dos bombeiros de Mogadouro nos últimos três anos, com cerca de 500 mil euros investidos na aquisição de uma dezena de novos veículos.
Já nas próximas semanas, os bombeiros voluntários de Mogadouro vão ainda receber um veículo florestal de combate a incêndios. 

Escrito por Brigantia

Descobertos "vestígios importantes" sobre a ocupação humana no castro de S.João das Arribas da idade do Bronze até à alta idade média

Escavações arqueológicas no castro de S. João das Arribas, no concelho de Miranda do Douro, revelaram importantes vestígios arqueológicos datados desde a idade do Bronze até à Alta Idade Média.
As quatro sondagens que decorreram ao longo de um mês trouxeram à superfície um conjunto de vestígios que revelam que naquele local houve uma ocupação constante no período entre os séculos IX a.C.  até ao X depois de Cristo, como explicou a arqueóloga Mónica Salgado que foi uma das coordenadoras das escavações:
“ Os resultados foram bastante positivos, temos uma ocupação continuada, talvez mas ainda não com seguridade, desde o final da idade do Bronze até à Alta Idade Média. Encontrámos quatro estruturas de casas, dos séculos V e VI, encontrámos vário espólio cerâmico, desde a idade do bronze até ao séc. X da idade média, uma lareira e um possível celeiro ou lagar”, explica.
A arqueóloga Mónica Salgado destaca a importância dos achados quer pela quantidade quer pela relevância de algumas peças:
“Temos peças cerâmicas inteiras, temos uma ponta de seta, que é bastante relevante, temos moedas e alguns artefactos em bronze e sobretudo, muita cerâmica”, refere.

Mónica Salgado espera que os objectos encontrados, que agora serão estudados, possam posteriormente ficar em exposição na Aldeia Nova, a povoação mais próxima do local.

O castro de S. João das Arribas foi classificado como monumento nacional em 1910. Este foi o segundo ano de intervenção de um projecto de quatro anos, para conhecer melhor o passado do espaço, que envolve a Palombar e a Câmara Municipal de Miranda do Douro.

Escrito por Brigantia

O GAROTINHO BRAGANÇANO

Por Humberto Pinho da Silva
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)
Não sei se já vos falei de amoroso menino, que conheci, nos anos sessenta, na velha cidade de Bragança.
Tinha a cabeça coberta de farto e fino cabelo; cabelo macio, escorrido, de nuances em ouro velho, que lhe descia até aos ombros. Rosto oval. Pele branca, cetinosa, ligeiramente tostadinha. Olhos vivos e meigos. Lábios bem desenhados. Pescoço alto e esbelto; e cândida expressão, que cativava.
Foi meu companheiro. Companheiro dedicado, com quem passei largos e longas horas de ameno convívio fraternal.
Certa ocasião, após ter vindo, definitivamente, para a cidade do Porto, hospedei-me em modesta pensão bragantina, cuja fachada era fronteira à velha estação ferroviária.
Após o almoço, inesperadamente, surgiu-me, num lanço das escadas, que comunicavam com os quartos, sorrindo. Sorriso lindo, que jamais pude esquecer.
Admirei-me da insólita presença, e indaguei, curioso, a razão de me esperar:
- “ Olá! Então por aqui?! …”
Num trejeito juvenil, disse-me, encolhido, titubeando:
- “ Minha mãe pediu-me para o vir buscar, e ajudá-lo a levar a mala… – Explicou, de mãos enlaçadas, balanceando o corpo.
Agradeci, penhorado, a gentileza, e cortesmente, esclareci que não pretendia incomodar.
- “ O primo Humberto nunca incómoda! …Assim ficamos todos juntos…”
Fiquei sem palavras. Emocionado. Sabia que falava com sinceridade. Os olhos não enganavam…
Não o deixei trazer a mala, como queria. Mala antiga, de cartão endurecido, de cor acastanhada. Insistiu. Recusei. Vencido, acompanhou-me em silêncio.
Ao cruzarmos a Praça da Sé, junto ao Café Central, voltou-se para mim, e, timidamente, declarou:
- “ Minhas irmãs estão ansiosas de o ver…”
Este rapazinho, de bondade e sensibilidade extrema, foi o meu companheiro predileto; amigo sincero e leal, nos anos, que, por obrigação, permaneci na sua velha e encantadora cidade.
Decorrido um bom par de anos, após a derradeira visita, que fiz, encontrei-o, já adolescente, na bonita aldeia de seu pai.
Avizinhou-se, numa tarde abafada de Agosto, com a mesma simplicidade de sempre, e convidou-me para acompanhá-lo a bonito prado, onde pesada vaca, malhada, branca e preta, pastava pachorrentamente, com chocalho barulhento.
Deitamo-nos na relva fofa, mirando o céu azul – onde vagavam pequenas e esfarrapadas nuvens brancas, – sob frondosa e farfalhuda figueira. Uma andorinha, num voo baixo e elegante, rasgou o ar, pairando sobre a relva.
Raios doirados do Sol, crivados pela espessa e fresca ramagem, manchavam-nos o rosto de sombras escuras e claras. Enorme e acolhedora paz, envolvia-nos. Calor de rachar! …Cantavam, não sei onde, à compita, cigarras e grilos – gri, gri.gri…; crass,crass…zzz…- quebrando o murmúrio do silencio.
Os cavalos – que nos transportaram – libertos do selim, espojavam-se, retoiçando e relinchando, alegremente, na relva verde-escura. Ao longe, ladravam cães, e chegavam vozes imperceptíveis, de mulheres e crianças.
Conversamos sobre a canícula, que tudo secava; da beleza de viver à beira-mar; e da tumultuosa vida citadina.
Disse-lhe, então, que dentro de dias tinha que regressar.
- “ E não vai a Bragança?! – Indagou, com pontinha de censura.
- “ Não. Parto diretamente para o Porto.”
_ “ Fique mais uns dias! …A mãe, e minhas irmãs, também gostam muito do primo…”
Não fiquei. Não podia. Na hora da despedida, abraçou-me, beijou-me, e não sei se chegou a chorar.
Fiquei com a sensação – talvez errada, – que me queria dizer, muito baixinho: “ leve-me consigo…”
Soube, mais tarde, por meu irmão, que havia falecido, de forma trágica.
Fiquei triste. Muito triste…
Triste, por não o ter visitado mais vezes. Triste, porque amizades assim, nunca mais encontrei. 
Escrevo, esta crónica, ao cair da tarde. Em breve, para as verdes várzeas do Candal, o céu azul, alaranjar-se-á; e tonalidades quentes de vermelho-sangue e amarelo-ouro-esverdeado, pintarão o azul desmaiado do céu, desta tórrida tarde de Verão.
É o pôr-do-sol. Espetáculo apoteótico de luz e cor. Extasiante; sempre renovado e belo, que encanta, e deixa paz na alma angustiada.
O Sol sempre nasce e sempre morre; morre e nasce todos os dias: iluminando, dando vida e cor à Terra.
Mas…Ai de mim! …, que, vertiginosamente, caminho para as derradeiras cores do meu crepuscular…
Em breve chegará a noite negra; mas enquanto não vier o sono, viverei dos lindos sonhos, que vivi, e dos que não vivi, mas gostaria de os ter vivido…
Recordando companheiros que partiram… mas vivem, eternamente, dentro de mim; e os que ainda não partiram… mas já me sepultaram no esquecimento…
Este garotinho não morreu: repousa no meu coração saudoso: sempre jovem, sempre sorrindo, sempre a dizer muito baixinho à minha alma contristada: “ Gosto muito do primo! …”

Humberto Pinho da Silva nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA. Foi redactor do jornal: “NG”. e é o coordenador do Blogue luso-brasileiro "PAZ".

Projetos mais inovadores apurados no Poliempreende

Os projetos dos Institutos Politécnicos de Setúbal, Cávado/Ave e de Bragança foram os vencedores do Concurso Poliempreende, cuja 14ª edição se realizou na cidade transmontana entre os dias 12 a 15 de setembro.
O primeiro prémio foi para o projeto ‘Ilegal' do IP de Setúbal; o segundo para ‘Célia Celíaca’ do Instituto IP Cávado e Ave; e o terceiro foi para ‘Zthreat’ do IP de Bragança.
Durante uma esta semana Bragança foi a capital portuguesa do empreendedorismo devido o PIN-Polientrepreneurship Innovation Network, uma plataforma que tem por objetivo criar uma cultura empreendedora, que levou a concurso 19 projetos inovadores desenvolvidos por jovens, de diversas áreas de atividade.  
A iniciativa contou com um total de 38 promotores de todos os institutos do país.  

Glória Lopes
in:mdb.pt

Maior número de detenções da PSP foi por condução em estado de embriaguez

Nos meses de Verão a PSP deteve 15 pessoas por condução em estado de embriaguez, num total de 39 detenções efectuadas entre 15 de junho e 15 de Setembro, no âmbito da Operação Verão Seguro, adiantou uma fonte do comando de Bragança.
As restantes detenções foram motivadas por vários crimes, nomeadamente quatro em cumprimento de Mandado de Detenção; oito por suspeita de tráfico de estupefacientes; 12 por outros motivos (três por furto, quatro por falta de carta, duas por agressão ao agente, duas por passagem de moeda falsa, e uma por posse de arma ilegal), revelou a mesma fonte.
Também os crimes por tráfico de droga estão entre os que maior número de detenções originou. Esta terça-feira, a PSP deteve um homem, com 42 anos, em Mirandela,  por suspeita do crime de tráfico de estupefacientes, a quem foi apreendida uma viatura, um telemóvel e produtos considerados drogas, suficientes para 76 doses individuais, informou o comando de Bragança.

Glória Lopes
in:mdb.pt

As ruas não se medem aos palmos

O algodão não engana e no caso da Travessa da Misericórdia, em Bragança, a lente da máquina fotográfica também não.
Afinal, uma imagem vale mais do que mil palavras, logo aqui fica uma fotografia ilustrativa de como nem todas as ruas merecem o mesmo tratamento ao nível da limpeza. Nesta travessa, pelo menos quando por lá passa o Zé, é frequente o cocó de pássaro no chão. 
Já diz o povo "cantam os melros, calam os pardais".

in:mdb.pt

Enfermeiros Protestaram em Mirandela

Os cerca de 50 enfermeiros, realizaram uma vigília em frente ao hospital de Mirandela  onde apresentaram cartazes de protesto.

Paulo Bragança revela exílio de 11 anos em que foi funcionário público e professor de filosofia

Cantor está de volta a Portugal para retomar o seu lugar no fado.
Foto: Pedro Ferreira
O fadista Paulo Bragança está de volta aos palcos portugueses e prepara um novo disco. Conta em entrevista o que andou a fazer durante a mais de uma década em que esteve afastado de Portugal. 

Porque é que estivemos tanto tempo sem ouvir falar do Paulo Bragança?
Porque estive fora de Portugal quase onze anos, seis deles em exílio absoluto. Parti em 2006 e quando dei por mim já tinha passado este tempo todo. Se antes disso me dissessem que eu ia estar tanto tempo longe do meu país, eu diria que era um absurdo. 

E porque é que partiu? 
Por desencanto e por desilusão. 

Desilusão? 
Sim. Desilusão pela indústria da música e pelos ‘lobbies’ que tanto podem construir um artista como destruí-lo. A experiência que tive foi um bocado infeliz. Confiei demais. 

E o que é que andou a fazer durante onze anos fora de Portugal? 
Eh, pá! No primeiro ano andei a deambular pela Europa, andei muito pela Roménia e por várias cidades de Leste, mas acabava sempre em Londres. Um dia, estava muito aborrecido porque não conseguia criar empatia com Londres, apanhei o comboio e o ferry e fui para Dublin. Cheguei lá ao final de um dia medonho. Eram seis da tarde mas parecia noite. O tempo lá é sempre assim. Aquela é a terra dos eternos invernos. Nem os romanos lá quiseram ir (risos). 

E porquê Dublin? 
Na altura, eu tinha lido um artigo numa revista que dizia que a Irlanda é o país do mundo com mais prémios Nobel da literatura. E isso interessava-me, até porque eu tinha-os lido a todos. E pensei: nem é tarde nem é cedo. Cheguei lá e fiquei deslumbrado com a cultura e com a forma de vida. Lá, toda a gente canta e toca. Numa só noite, há mais vida em Dublin do que em Portugal inteiro. E com o tempo acabei por assentar lá. Até tirei um curso em Estudos Irlandeses. 

E durante este tempo nunca quis ter notícias de Portugal? 
Durante seis anos estive no anonimato absoluto. Quis que fosse assim. Cortei com tudo. Não tinha contactos de ninguém. Precisava mesmo de estar comigo e de levar com um banho de realidade. Posso dizer que na primeira noite que cheguei a Dublin fui dormir num hostel, um tipo de espaço onde eu nunca tinha entrado. No dia seguinte, fui à casa de banho e quando regressei ao quarto tinham-me roubado tudo. Fiquei sem o pouco que ainda tinha. 

E nunca comunicou a ninguém onde estava? 
Não. Estive completamente isolado. Até deixei de ouvir música e de escrever. Mais tarde, tive a sorte de conhecer uma família que era proprietária de um castelo e que me deixou ficar lá a viver ao longo de ano e meio. Era um castelo cheio de mistérios e barulhos. Metia muito respeito. E foi nesse período que desci às entranhas de mim mesmo. 

E nunca ninguém o procurou, nem amigos, nem família? 
Mesmo que tivessem tentado, não tinham conseguido encontrar-me. Cheguei a fazer um pacto com a embaixada para só comunicarem o meu paradeiro se me acontecesse alguma coisa. 

E como é que a sua família lidou com esse silêncio de tanto tempo? 
Eu já os tinha preparado. Quando me despedi da minha mãe, a partir de Madrid, disse-lhe mesmo que podia ser um adeus sem volta. 

Durante o tempo em Dublin, fazia o quê para ganhar a vida? 
Bem! Eu nunca liguei nenhuma a dinheiro. Para mim, ele existe para se gastar. Se fosse preciso, até ia lavar pratos, mas a determinada altura consegui um trabalho na câmara de Dublin. Estive lá algum tempo até ser dispensado por causa da crise. O caminho óbvio teria sido ir para o desemprego, mas eu não quis. Na altura, o governo irlandês tomou uma medida fantástica no sentido de proporcionar, a quem quisesse, o regresso à universidade. E eu fui estudar filosofia, tirei o mestrado e tudo. Até me convidaram para dar aulas. 

E nunca disse a ninguém que era cantor? 
É engraçado, porque um dia estava a fazer um trabalho para a câmara e houve uma colega que, do nada, me perguntou se eu gostava de cinema. Eu disse-lhe que sim e ela convidou-me para entrar num filme. Disse-me que eu era a pessoa certa. 

Que filme era? 
Era uma curta-metragem independente chamada ‘Henry & Sunny’, mas que ganhou vários prémios e se tornou num filme de culto. Chegou a ser exibido no Fantasporto. O realizador, que se chama Fergal Rock, está neste momento a fazer uma longa--metragem num dos grandes estúdios de Hollywood. 

E nesse filme qual era o seu papel? 
Era o papel principal, curiosamente de um palhaço desempregado que é ostracizado. É um filme muito engraçado. É uma tragicomédia em que eu, o palhaço, me apaixono por uma grande atriz. Foi nessa altura que eu abri pela primeira vez o livro e disse quem era. Eles foram ao Google à minha procura e ficaram surpreendidos com o que encontraram. Chegaram ao pé de mim e perguntaram-me o que é que eu estava ali a fazer. 

E o que é que Paulo lhe respondeu? 
Disse-lhes que estava a tentar fazer alguma coisa pela vida (risos). A verdade é que depois daquele episódio eu não pude negar mais quem era. E os convites para cantar por lá começaram a chegar. 

Regressou a Portugal em abril. Qual foi a primeira coisa que fez? 
Foi ir a Alfama e ao Sr. Vinho. Nem podia ser de outra maneira, até porque tenho um enorme carinho pela Maria da Fé [proprietária do Sr. Vinho]. Queria ver o que se estava a passar e rever muitas pessoas. 

E como é que foi recebido? 
Com um enorme carinho. Houve pessoas que nem reconheci logo e que me trataram muito bem. Não notei qualquer cinismo. Acho que foi tudo muito genuíno. 

E já conseguiu formar opinião sobre o que se está a passar no fado? 
Sim. Acho que se estão a fazer coisas muito interessantes. O que me apetece dizer dizer é: ‘Abram, abram, continuem a desbravar’. Acho que finalmente estão a cair certos preconceitos que não tinham razão de existir. 

E o Paulo foi bem vítima deles! 
Sim, pois fui. Eu levei com tudo em cima, ou porque metia instrumentos que não devia ou porque cantava descalço. De lá para cá quantos já apareceram a cantar descalços? 

Durante muito tempo, o Paulo foi uma espécie de mal-amado do fado! 
Eu nunca me senti mal-amado. Eu entrava numa casa de fados e toda a gente me pedia logo para cantar. Eu até me senti enquadrado. Diretamente, nunca ninguém me apontou o dedo. Hoje, à distância, claro que tenho de reconhecer que ousei fazer algumas coisas para as quais as pessoas não estavam preparadas. Tive de levar com a fatura. Mas tudo bem. Não guardo ressentimentos de ninguém. E mesmo que guardasse, estou numa fase da minha vida em que não quero perder tempo com isso. A vida é muito curta. 

Regressando agora, depois de um período de ausência, não sente que vai ter de começar do zero? 
Não. Não sinto isso. Eu tenho uma capacidade de adaptação muito forte. Depois de tudo o que passei, não posso temer nada. Há pessoas que têm talento, mas não têm estofo para isto, inclusive para estarem expostas às críticas. Esta vida não é só chegar ao palco, cantar e levar com as palminhas. Eu só tenho pena do que virá daqui a 100 anos. A isso é que eu já não vou poder assistir porque já não vou cá estar (risos). 

O que é que espera que venha a acontecer consigo agora? 
Nada de especial, a sério! Estou a preparar um novo disco, desde há quatro anos a esta parte com o Carlos Maria Trindade, que é uma pessoa com quem eu trabalho desde os anos 90. A única coisa que eu quero é ter a oportunidade de poder mostrar este disco. Para já, as coisas estão a acontecer e desde que vim já fiz vários espetáculos. No festival Bons Sons, onde cantei em agosto, acabei o concerto com crianças à minha espera para me pedirem autógrafos. Eram crianças entre os oito e os doze anos, com fotografias e com livros onde aparecia e que eu nem conhecia. Fiquei tão orgulhoso que me caiu tudo (risos). Aquilo valeu por qualquer cachet. Foi o meu maior prémio em muito tempo. 

E que disco é esse que vem aí? 
É um disco de originais que faz um pouco o resumo daquilo que foi a minha carreira. É o fechar de um ciclo e o abrir de outro. Claro que é um disco de fado, mas há outras coisas. Há uma espécie de triângulo Lisboa-Dublin-Istambul.

Miguel Azevedo
Jornal Público

Há obras nos castelos do Norte para não se dar com o nariz na porta

Potenciar os monumentos para a população e para os turistas: é este o objectivo da “Operação Castelos a Norte”. Um mês depois do arranque oficial, vai-se descobrindo o que o solo escondeu durante muito tempo.
A Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN) vai intervencionar cinco castelos, todos eles situados a norte, na região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Chama-se “Operação Castelos a Norte” e arrancou oficialmente em Agosto mas vai prolongar-se, pelo menos, até ao próximo ano. É a primeira vez que estes castelos e fortificações, alguns deles raianos, vão ser intervencionados “com a dimensão da empreitada que agora será realizada”, adianta a DRCN.

A operação arrancou oficialmente com a intervenção no castelo de Montalegre, mas vai alastrar-se por territórios vizinhos. Junta-se àquele castelo do distrito de Vila Real, o de Monforte de Rio Livre (Chaves), de Outeiro (Bragança), de Mogadouro e de Miranda do Douro (ambos situados em concelhos pertencentes ao distrito de Bragança). O orçamento ronda os 2,3 milhões de euros e é co-financiado por fundos europeus.

“Cada um destes castelos e fortificações constitui um notável repositório de arquitectura, história, e património paisagístico”, diz, por escrito, a DCRN ao PÚBLICO. No entender da entidade, a disposição destes castelos pelo território pode “constituir mais um recurso importante para a sustentabilidade económica” das áreas que ocupam.
É com essa sustentabilidade em mente que a DCRN traça os objectivos destas intervenções: “potenciar o usufruto dos monumentos pela população local e pelos turistas que acorrem à região cada vez em maior número”. A DRCN registou, durante 2016, “uma subida de aproximadamente 82% em relação ao ano anterior”, em termos de procura nos monumentos e museus que supervisiona. Esse aumento de interesse por parte dos turistas é um dos argumentos para levar a empreitada avante. Todos os castelos intervencionados são monumentos classificados, pertencem ao Estado e estão sob a alçada da entidade.

O presidente da Câmara de Montalegre, Orlando Alves, dizia, na altura do início dos trabalhos oficiais, que são “milhares os turistas que todos os anos visitam Montalegre” e que quando chegam ao castelo dão “com o nariz na porta”. Um mês depois do início dos trabalhos arqueológicos no local — obrigatórios para a realização da operação — o presidente adianta que já “foram já encontrados vestígios do prolongamento da muralha do castelo”.

O autarca espera que, o mais tardar em 2019, a sala de visitas do castelo possa reabrir. Um desejo antigo da autarquia, que guarda na edificação e no Ecomuseu de Barroso — Espaço Padre Fontes as principais atracções turísticas para quem chega do outro lado da fronteira.

Noutro ponto do território transmontano, em Miranda do Douro, ainda se está em fase de aquisição de terrenos. Artur Nunes, presidente da câmara afirma que os segredos que o solo escondeu durante muito tempo podem vir agora a ser descobertos. “Durante 500 anos a ordem foi não mexer, agora a Direcção Regional entendeu que estava na altura de descobrir o material que se encontra enterrado”, afirma o autarca.
O castelo reserva ainda um papel estruturador na vida urbana da cidade. Esta valorização do património traz, como em Montalegre, a expectativa de mais dinamismo para uma região que tem registado “um aumento exponencial” de visitantes.
Todos os castelos intervencionados guardam uma importância especial já que foram palco de muitos episódios do passado militar de Portugal e, por isso, segundo a DRCN, “constituem elementos simbólicos de enorme relevância para a história da nacionalidade”. Exemplo disso é o castelo de Outeiro, situado no concelho de Bragança, que terá sido um importante ponto de vigia do Reino de Leão, durante a Idade Média, mas que, tirando pequenos ajustes, nunca tinha sido intervencionado. O castelo foi destruído no século XVIII e está em ruína. César Garrido, presidente da Junta de Freguesia, diz que “a ideia [por detrás da empreitada] é tornar a fortificação visitável”.

Esta não é a única intervenção “a norte” realizada pela DRCN, no âmbito do presente Quadro Comunitário de Apoio Norte 2020. Aos castelos, juntam-se catedrais e mosteiros, assim como operações na Igreja de Santa Clara do Porto e no Vale do Varosa. 

Pedro Castro Esteves
Texto editado por Ana Fernandes
Jornal Público

Campanha de prevenção da sinistralidade rodoviária contra animais teve acções em Mogadouro e Alfândega da Fé

Sempre que uma estrada é construída provoca grande impacto na natureza.
O biólogo Pedro Moreira assegura que muitos animais selvagens morrem e algumas espécies ficam em risco de extinção.
A Ascendi, concessionária do IC5 e do IP2, em conjunto com o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas e com a Infra-estruturas de Portugal, está a implementar uma campanha pioneira no combate à morte de animais por atropelamento.
O objectivo é alertar os automobilistas para o perigo da falta de atenção na estrada.
Luís Trabulo, da Ascendi, espera que as crianças ajudem a influenciar os adultos e por isso este foi “um projecto pensado para os mais novos.”
O biólogo Pedro Moreira acrescenta que “ainda há muito trabalho a fazer” para que os condutores tenham uma atitude mais preventiva e consciente mas assegura também que as pessoas que começam a conhecer o projecto já dão muito mais atenção à protecção da natureza.

Duas das acções de sensibilização para que não se matem animais na estrada realizaram-se em Alfândega da Fé e Mogadouro, localidades abrangidas pelo IP2 e pelo IC5.
Para a próxima já sabe… quando encontrar um animal na estrada lembre-se desta campanha.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Debate autárquico com os candidatos à câmara municipal de Bragança

Esta manhã houve debate com os candidatos à câmara de Bragança, em discussão estiveram, entre outros assuntos, as propostas eleitorais de cada partido.
António Morais candidato pela CDU, defende que há três pontos essenciais a trabalhar para Bragança ser um concelho coeso.
“ Da necessidade de viver melhor no concelho de Bragança impõem-se duas ou três questões que para nós são fundamentais. O núcleo urbano, o meio rural, com destaque particular para a vila de Izeda, e o Parque Natural de Montesinho, dado que ocupa não muito espaço do ponto de vista geográfico mas também humano. Dada a importância destes três pólos que importa agir”, referiu na sua primeira intervenção.
Para Hernâni Dias, candidato pelo PSD, a coesão social também é uma prioridade mas fez questão de destacar que os resultados do seu primeiro mandato são positivos.
“O nosso programa assenta em três pilares estratégicos. A coesão social, a mobilidade e também a regeneração urbana, são essenciais para conseguirmos continuar a ter sucesso que temos vindo a alcançar em resposta às necessidades das populações, ao que são as suas preocupações do dia-a-dia, para que os cidadãos de Bragança continuem a ter a qualidade de vida que é reconhecida pelo exterior”, disse.
Quem não concorda com esta posição, de que o concelho tem evoluído, é Carlos Guerra, o socialista acha que é necessário devolver a centralidade a Bragança.
“ A cidade de Bragança perdeu completamente a centralidade regional e transfronteiriça, que lhe cabe por direito e tradição histórica. Essa centralidade só é devolvida se apostarmos na valorização dos nossos cidadãos, na qualidade de vida e na valorização da economia. A economia do concelho apresenta indicadores francamente negativos e nós gostaríamos de colocar como ponto fundamental daquilo que é a nossa proposta uma potenciação da nossa economia a partir dos nossos recursos endógenos”, sublinhou.
Para o candidato do Bloco de Esquerda José Freire, o problema central do concelho prende-se sobretudo com o despovoamento, que na opinião do bloquista, é urgente combater. 
“ A candidatura do Bloco de Esquerda vem para humanizar a política, as pessoas têm de estar em primeiro, principalmente aqui no distrito de Bragança, onde começam a ser raras. Temos de criar uma forma de termos as pessoas aqui no nosso concelho e de as fixarmos cá, para conseguir isso a câmara tem de dar o exemplo”, defendeu.      
Manuel Vitorino, que avança pelo PDR, foi mais duro nas palavras e refere que se candidata devido ao que considera ter sido um insucesso: a governação do actual executivo.
“As razões pelas quais me candidatei são precisamente as razões inversas que o actual presidente da câmara invocou. Falou no sucesso que tinha alcançado, eu candidato-me precisamente devido ao insucesso, devido à falta de proximidade, tão propalada no orçamento 2017, devido à falta de equidade e à miséria da locução que envergonha até quem vem de fora”, referiu. 
Por seu lado Francisco Pinheiro, que vai pelo CDS, vê como aposta forte para o desenvolvimento de Bragança o sector primário e no meio rural.
“ A cidade de Bragança é o que é porque temos 114 aldeias, que sempre trabalharam e a cidade cresceu quando o dinheiro e as pessoas das aldeias vieram para a cidade. Não podemos esquecer as aldeias porque é aí que se gera a riqueza e é daí que vem o dinheiro para manter a cidade. Vamos fazer uma aposta muito forte na agricultura, com a criação de uma divisão de recursos endógenos, para que todos os assuntos relacionados com a agricultura tenham na câmara municipal uma referência”, salientou.

Os ouvintes da rádio Brigantia aderiram em massa ao debate promovido, esta manhã, pela rádio que juntou os candidatos à câmara municipal de Bragança. Foram muitos os brigantinos que quiseram assistir e à saída do auditório manifestaram as suas reacções.
“Fiquei mais ou menos esclarecido, gostava de ouvir mais propostas do que aquilo que ouvi. Vejo que muitos candidatos não estão por dentro das necessidades e dinâmica da cidade mas, dentro do possível, foi esclarecedor”, disse o brigantino José Mateus.
“Fiquei esclarecida, acho que ficou claro aquilo que cada um defende e que esta linha que tem sido seguida em Bragança não pode continua a ser seguida”, referiu Joana Botas.
“Havia outros assuntos, principalmente sobre Rabal, que eu gostava de ver esclarecidos. É uma vergonha o que se passa lá a nível de esgotos, esse assunto foi debatido aqui, mas eu já vivo lá há 20 anos e aquilo continua tudo na mesma”, a opinião é de Augusto Santos. 
“Noto que há uma preocupação em fazer evoluir Bragança, mas no meu ponto de vista alguma coisa tem de se alterar”, contou.
Excertos da primeira ronda de discussão no debate autárquico 2017 em Bragança, promovido numa parceria Rádio Brigantia/ Jornal Nordeste. 

Escrito por Brigantia
O debate vai ser transmitido novamente esta noite às 21:30 na Rádio Brigantia.

Alterações climáticas e as consequências na região

Rajadas de chuva fortes, embora cada vez menos frequentes, e ondas de calor excessivo são algumas das consequências das alterações climáticas verificadas na maioria do território da Terra Quente nos últimos dez anos.
Conclusões da primeira fase do Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas, um projeto da Sociedade Portuguesa de Inovação que está a estudar as consequências dessas mudanças nos concelhos de Macedo de Cavaleiros, Mirandela, Alfândega da Fé e Vila Flor.

Carolina Turcato, é consultora no projeto e fala de alguns efeitos das alterações verificados na região.

“As principais vulnerabilidades que afetaram o território nos últimos dez anos foram  episódios de precipitação excessiva com cheias e inundações, causando diversos impactos nos territórios dos diversos municípios.

Foram também registadas ondas de calor em alguns anos, prejudicando culturas, cadeias de produção e a saúde da população.

Em alguns anos foram também registadas secas severas intensas e extremas na região afetando as produções agrícolas e foram ainda analisados os principais impactos a que a região é mais vulnerável. “
O próximo passo consiste em determinar quais as consequências que podem ocorrem no futuro, para, com base nessa informação, serem concebidas estratégias de adaptação em cada um dos municípios que fazem parte do plano.

“Numa terceira fase vamos desenvolver estratégias  de adaptação dos territórios às alterações climáticas. Essas estratégias podem ser tanto na criação de políticas e medidas de consciencialização como também na criação de infraestruturas cinzentas como contenção em locais onde há maior possibilidade de inundações como por exemplo a criação de espaços verdes dentro dos municípios de forma a promover um maior conforto para a população.”
Paulo Silva, engenheiro da Proteção Civil Municipal de Macedo de Cavaleiros, diz que as medidas de adaptação às alterações climáticas fazem falta à população do concelho, e aponta, inclusive, algumas situações.

“Este ano apesar de termos menos ocorrências a nível dos incêndios florestais, os que tivemos foram complicados. 

Durante o inverno, nos anos anteriores temos tido algumas precipitações intensas embora pouco frequentes. Estamos a passar um período de seca que já se tem notado e isso também se traduz em alguns problemas para a população. A nível dos incêndios florestais temos de nos preocupar cada vez mais com a prevenção, a nível da seca, os nossos agricultores terão de se adaptar a essas novas condições e terão todo o apoio do município para desenvolver projetos que possam ser feitos.

Relativamente aos danos que poderão causar em algumas infraestruturas, estamos atentos e vamos tomando as nossas precauções dentro das nossas medidas.”
Relativamente a este ano, Paulo Silva diz ainda ter ouvido algumas preocupações de produtores que vêem certas atividades agrícolas e pecuárias afetadas pelo tempo.

“Relativamente às associações, cooperativas e falando com os produtores sabemos que certamente este ano, a produção da castanha será complicada com grandes percas, assim como a azeitona, duas das atividades agrícolas aqui do concelho.

Também quem tem gado, pastagens secas, há falta de água para dar de beber aos animais, portanto, são preocupações que também nos preocupam a nós.”


O Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas começou a primeira fase de elaboração em junho e trabalha em parceria com o Instituto Politécnico de Bragança e o Instituto do Ambiente e Desenvolvimento da Universidade de Aveiro.

Escrito por ONDA LIVRE

Transmontanos entre os vencedores do Orçamento Participativo Portugal

Dois projetos do distrito de Bragança estão entre os 38 vencedores do primeiro Orçamento Participativo Portugal. Tratam-se de iniciativas da área da cultura, nomeadamente "Contos e Lendas Transmontanas" proposto por Alex Rodrigues, de Pinela, concelho de Bragança, e  projecto da Filandorra – Teatro do Nordeste “O Teatro e as Serras”, que foi implementado em aldeias de Alfândega da Fé.
"Contos e Lendas Transmontanas" proposto por Alex Rodrigues, de Pinela, concelho de Bragança, propõe-se preservar as memórias, as tradições, as lendas  do património imaterial da região.Obteve 760 votos. 
O projecto da Filandorra – Teatro do Nordeste “O Teatro e as Serras” que leva as artes cénicas às populações da Serra de Bornes/Paradela, Alvão/Marão, Gerês e Montesinho também foi um dos vencedores do primeiro OPP – Orçamento Participativo de Portugal na área da Cultura/Região Norte, com 424 votos.
Uma vitória que os responsáveis pela companhia transmontana consideram "histórica" , uma vez que é uma forma de reconhecimento ao seu projeto de trinta anos  por parte da populações da região.
Com um investimento de 100 mil euros e um período de execução de dois anos, esta “almofada” financeira a atribuir à Companhia vai permitir “salvar a Filandorra”, dada a ausência de apoios da DGartes/Ministério da Cultura desde 2012, revelou uma fonte da Filandorra.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Rádio Comercial | New York, New York: Mirandela

Tecelagem de panos – Fábrica do Felgar nas Memórias Arqueológico-Históricas

Em 1863 fundou em Moncorvo o espanhol Manoel Milhano uma tecelagem de cobertores de papa (lã), que manteve durante seis anos e depois transferiu para o Ribeiro dos Moinhos, termo do Felgar, no mesmo concelho, onde ainda hoje se conserva, para aproveitar como força motriz, em roda hidraúlica, a grande queda de água desse ribeiro.
Esta fábrica do Ribeiro dos Moinhos, ou, melhor, chamada Felgar, é hoje dirigida por Manoel Milhano Sanches, filho do fundador, que ainda vive no Porto, onde tem e dirige uma outra de lanifícios.
A do Felgar dispõe do seguinte maquinismo: seis teares, seis cardas, uma esfarrapadeira e duas máquinas de fiação em selfactinas.
Carda lã para as principais terras do Sul do distrito de Bragança, e a sua especialidade é a tecelagem de cobertores de papa, que são vendidos em grande escala pelos concelhos vizinhos, chegando mesmo ao Porto.
Possui dois pisões: um para cobertores e outro para burel, e emprega anualmente, em média, dez operários por dia desde as sete horas da manhã às sete da tarde.
Cada cobertor é vendido por 1$500 réis, sendo inferior, e por 3$000 réis, sendo dos melhores. Por tecer um cobertor de dois arratéis levam 1$000 réis; por arrátel de cardagem 30 réis, e 20 a 25 réis por cada vara (1,10m) de pisoagem.
É esta a única fábrica mecânica de tecido de panos no distrito de Bragança, mantendo-se, porém, em todas as suas aldeias as antigas indústrias caseiras limitadas neste particular ao clássico tear à mão do pardo ou burel e do linho, de fraca produção consumida no território.
Os teares do pardo ou burel tecem pano em média de 1,50m de largura, que, além de aplicado para vestir, serve também para mantas; empregam duas pessoas, no geral mulheres, que fabricam nove a doze varas entre dia e vela de noite.
Há ainda outros teares mais estreitos, chamados de branqueta ou meia cana, manobrados só por uma mulher, que tecem pardo ou burel, linho e estopa, a qual fabrica entre dia e vela seis a oito varas.
Os teares do linho propriamente são ainda mais estreitos, regulando em média o seu tecido por 0,60m; empregam só uma mulher que fabrica de oito a dez varas por dia, contando a vigília.
O tecido de uma vara (1,10m) de pardo largo custa 50 réis e a dita vende-se desde 1$000 a 1$200 réis.
Dita de linho ou estopa os mesmos 50 réis, vendendo-se aquela desde 240 a 300 réis e esta desde 160 a 240 réis.
Nos teares largos do pardo também se fabricam cobertores muito bons e colchas, tendo fama as de Urros, no concelho de Moncorvo, e as de Moimenta, no de Vinhais.
O tecido de um destes cobertores regula por 500 a 700 réis, e de 1$000 a 2$500 réis uma colcha.
É de estarrecer a lembrança da soma enorme de energias desaproveitadas que os nossos rios e ribeiros representam sem que a indústria saiba ou queira tirar dela proveito! Não temos hulha – o pão da indústria – e não aproveitamos a hulha líquida!!!
Nem para irrigações de monta os aproveitamos, sendo que um canal bem dirigido a beber no Douro, pela altura de Miranda podia fertilizar quatro concelhos do Sul do nosso distrito e muito terreno no de Vila Real.

Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança

As couves da Portela

Burro das couves
– Oh senhor! Oh senhor!, desapertou-se o “bencelho”, ajude-me, se faz favor.
“Bencelho”, melhor, vencelho ou vencilho – atilho de palha de centeio com que eram apertadas aos molhos as couves que foram semeadas por alturas do Santo António, em junho, portanto, e colhidas ainda num estado prematuro de desenvolvimento para serem depois vendidas e plantadas. Sim, as couves tronchas comidas no Natal passavam a sua história e faziam o seu percurso! Vinham da Portela, lugar da freguesia de Folhadela, concelho de Vila Real e chegavam ao largo do sr. Albertim, em S. Lourenço, logo a seguir à festa de Nossa Senhora da Saúde.
Juntos com os donos, vários burros ou burras já cansados da viagem e carregados de couves aos molhos, apertados com “bencelhos”, arribavam satisfeitos mesmo assim, pois a parte mais difícil da caminhada estava concluída. O conforto para a noite iam encontrá-lo ali, no largo, aproveitando-se o tempo anterior à deita para realizar já algum negócio antes ainda de retomarem a caminhada para a feira de Vilar de Maçada, ao outro dia de madrugada onde, se tudo corresse bem, despachariam o resto das couves – produto do trabalho daquelas famílias que de tão longe se deslocavam.
– Qual o preço?
– O mesmo dos outros anos.
– Oh senhor, dê-me aí um cento.
– Se forem boas e sãs, eu quero dois centos.
– É só plantar e regar e, no Natal, comerá boa couve, tenho a certeza!
Após tantos quilómetros feitos a pé, ali passavam a noite aqueles pequenos e humildes lavradores da Portela, a caminho da feira de Vilar de Maçada para onde se dirigiam depois de umas poucas horas de recuperação das forças. A direção era o rio Pinhão, atravessado nas poldras.
Terminada a feira, a tirada de regresso era feita de uma assentada, já sem couves e os burros mais livres.

A. Fernando Vilela
in:atelier.arteazul.net