terça-feira, 31 de janeiro de 2017

XXI Feira da Caça e do Turismo

Está tudo pronto para a 37ª edição da Feira do Fumeiro de Vinhais


Mais de 75 mil pessoas visitaram o Museu Terra de Miranda

Mais de 75 mil pessoas visitaram o Museu Terra de Miranda. Segundo a Direção Regional de Cultura do Norte este foi um dos mais visitados na região.
Nós fomos conhecer este espaço de história e costumes mirandeses.


Homem morre em despiste de carro em Vinhais

Um homem com 50 anos de idade morreu, às 8h01 desta terça-feira, na sequência de um despiste de uma viatura ligeira na freguesia de Celas, concelho de Vinhais, avança fonte oficial dos Bombeiros Voluntários de Vinhais ao Porto Canal.
A vítima foi transportada para o Instituto de Medicina Legal de Bragança.

No local estiveram elementos da GNR de Bragança, duas viaturas dos Bombeiros Voluntários de Vinhais e uma viatura do Instituto de Emergência Médica. A causa do acidente poderá ter sido provocada pelo piso escorregadio, contudo a hipótese ainda não foi confirmada, avança fonte oficial dos Bombeiros Voluntários de Vinhais.


DRCN atribuiu cerca de 270 mil Euros de apoios diretos a instituições do Norte

De 2012 a 2016, a Direção Regional de Cultura do Norte concedeu 317 apoios a estruturas não profissionais, no valor total de 269.776,04 Euros, no âmbito do Programa de Apoio ao Associativismo e do Programa de Apoio aos Agentes Culturais.
De acordo com o Diretor Regional de Cultura do Norte, António Ponte, o número crescente de entidades que solicitam o apoio direto da instituição é reflexo da “política de proximidade” que tem vindo a empreender durante o seu mandato, marcando presença nos mais diversos eventos e iniciativas promovidas no território. 

“Pretendemos que a Direção Regional de Cultura do Norte seja encarada pelos agentes culturais como uma entidade parceira que, dentro das suas limitações, está disponível para colaborar e incentivar o trabalho desenvolvido localmente pelas associações e autarquias”, sustenta António Ponte, acrescentando que “a partilha e o diálogo” têm sido fundamentais neste processo de construção de um trabalho articulado em rede. 

Tendo sempre presente que a missão da Direção Regional de Cultura do Norte passa não só pelo acompanhamento das ações relativas à salvaguarda, valorização e divulgação do património arquitetónico e arqueológico, mas também pela criação de condições de acesso aos bens culturais, e pelo acompanhamento das atividades das estruturas de produção artística, António Ponte destaca a importância da proximidade no que respeita ao apoio concedido aos agentes culturais. 

“Procuramos desenvolver programas que incentivem e assegurem reconhecimento por parte de uma estrutura do Estado à ação das entidades culturais amadoras da região. Os apoios financeiros concedidos são importantes, mas são apenas a parte de um todo, porque os apoios que procuramos materializar vão muito além disso. Mais do que em projetos, a Direção Regional de Cultura do Norte tem vindo a apostar nas pessoas e nas suas capacidades, reconhecendo o seu trabalho como fundamental para a preservação da cultural tradicional e da nossa memória coletiva”, sublinha o Diretor Regional António Ponte. 

Programa de Apoio ao Associativismo 
Ao abrigo do disposto no Decreto-Lei 128/2001, de 17 de Abril, as bandas de música, filarmónicas, escolas de música, tunas, fanfarras, ranchos folclóricos e outras agremiações culturais que se dediquem à atividade musical, constituídas em pessoas coletivas de direito privado sem fins lucrativos, podem solicitar a devolução do IVA (Imposto Sobre o Valor Acrescentado) pago ao Estado, aquando da aquisição de instrumentos, consumíveis e fardamentos. 

As candidaturas ao apoio são apresentadas até 31 de dezembro do respetivo ano económico.

in:noticiasdonordeste.pt

Obras no Tribunal de Alfândega da Fé: Município celebra protocolo para a concretização da intervenção

A Câmara Municipal de Alfãndega da Fé vai formalizar o protocolo de cooperação com o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça para a realização de obras de reabilitação e adaptação no edifício do Tribunal Judicial de Alfândega da Fé.
Este protocolo, que será assinado amanhã, dia 1 de fevereiro no edifício da Biblioteca Municipal , surge no âmbito do reforço de competências do tribunal de Alfândega da Fé, que passa agora a Juízo de Proximidade, depois de na anterior reforma do Mapa judiciário ter sido transformado em secção de proximidade. A intervenção visa dotar de melhores condições o espaço físico do tribunal, adaptando-o às novas competências. 

Recorde-se que a reabertura do Tribunal de Alfândega da Fé enquanto Juízo de Proximidade implica que aqui passam a ser praticados, obrigatoriamente, atos judiciais e os julgamentos cuja competência seja dos tribunais singulares em matéria criminal (até este momento só seriam feitas aqui as audiências de julgamento se o juiz assim o determinasse pois não era obrigatório). Estes julgamentos correspondem a mais de 80% dos processos-crime. Ora, tal traduz-se numa melhoria do acesso à justiça, evitando a deslocação de pessoas e correspondendo às suas necessidades. 

A cerimónia de assinatura do protocolo conta com a presença da Secretária de Estado Adjunta e da Justiça, Helena Mesquita Ribeiro.

in:noticiasdonordeste.pt

Delegação da ASAE fica em Mirandela

Está assegurada a continuidade, em Mirandela, da delegação de Trás-os-Montes e Alto Douro da ASAE.
A confirmação é do próprio Inspetor-Geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, um ano e meio depois de alguns rumores da possibilidade daquela autoridade de fiscalização sair da Quinta do Valongo, em Mirandela.

Instalações pouco funcionais, onde trabalham 13 operacionais, e a pesada renda, a rondar os 1200 euros mensais, paga pelo Ministério da Economia ao Ministério da Agricultura, eram os argumentos para justificar a possível  deslocalização.

Na altura, Pedro Gaspar já tinha desmentido a saída de Mirandela, mas não descartava a possibilidade de mudança de instalações para outro local da cidade. Agora, o Inspetor-Geral da ASAE, à margem de uma sessão de esclarecimento sobre rotulagem do azeite, na semana passada, em Mirandela, não só garante a continuidade da delegação como até acrescenta que não está prevista a mudança de instalações

Entretanto, o Governo pode estar a equacionar passa a ser competência dos municípios, o exercício de poderes de autoridade na área da segurança alimentar, no âmbito da descentralização que está a preparar.

Sobre esta possibilidade, o presidente da câmara de Mirandela entende que há algumas competências que podem ser partilhadas, mas prefere não adiantar muito sobre um projeto que ainda não se conhece muito bem.

Algumas competências da ASAE podem passar para a alçada das autarquias, mas ainda não se sabe quais. O autarca de Mirandela é cauteloso na reação a esta pretensão do Governo, mas admite que existem algumas competências que podem ser entregues aos municípios e outras partilhadas com a autoridade de segurança alimentar e económica.

Segundo avança o Jornal Negócios, o Governo já tem uma proposta de lei-quadro que define quais as competências que vai descentralizar para os municípios. O documento, a que o Negócios teve acesso, foi enviado para a Associação Nacional de Municípios e estabelece que passa a ser competência dos municípios, o exercício de poderes de autoridade na área da segurança alimentar.

Atualmente, a ASAE detém esses poderes de autoridade e é responsável pela avaliação e comunicação dos riscos na cadeia alimentar.

A Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária também é a autoridade responsável pela gestão do sistema de segurança alimentar. O diploma não especifica em concreto que poderes serão esses que serão descentralizados para as câmaras nesta área.

Informação CIR (Rádio Terra Quente)

FUMEIRO - Para Carla Alves e Alexandrina Fernandes

O Homem via-o crescer espontaneamente, inflamado, das folhas secas, dos boqueirões vulcânicos, dos incêndios repentinos das florestas. Temiam-no, tremiam ao contemplarem os seus efeitos. Por tão ingente impressão os homens primitivos lhe prestavam culto, alargando-se tal culto pelos séculos fora a vários povos de díspares latitudes.
Na sequência dos intempestivos incêndios, às vezes, os nossos ancestrais dos primórdios apreciavam despojos de carne de animais apanhados pelas chamas, o sápido sabor, fugaz, a desaparecer no gorgolejar seguinte. Eles não sabiam produzir o fogo.
Os investigadores acreditam terem os homens aprendido a «fazer» fogo sem saberem uns dos outros, também não é fácil estabelecer prioridades no tocante à fricção de seixos ou de dois paus, sabemos sim, ser essa descoberta a mais importante da história da humanidade.
Os anexins dizem: não há fogo sem fumo, nem há fumo sem fogo. Ora, se o fogo revolucionou a vida dos nossos longínquos antepassados, se possibilitou e possibilita os alimentos serem cozinhados, o fumo defuma as carnes conservando-as mais tempo descobriram os nossos parentes de antanho.
De experimentação em experimentação consideraram as tripas dos animais abatidos como precioso auxiliar no derribar de dificuldades de um quotidiano sulcado delas, impermeáveis e elásticas serviam na perfeição no transporte da imprescindível água, para a confecção de utensílios, vestuário e calçado. E…para receberem produtos a defumar porque de outra forma deterioravam-se num ápice.
Sim, dos experimentos saiu a prova provada de suportarem o fumo sem risco de os conteúdos se estragarem. E, assim foi a parição do fumeiro fruto da fumagem de lenha.
Sobre as características da fumagem dispenso-me de escrever, do mesmo modo relativamente aos modos e segredos na escolha das lenhas, horas e constância do fogo, não obstante, atrevo-me a dizer que existe arte na arte da fumagem levando a que a mesma ascenda a um plano de conceder peculiar sabor aos enchidos, e não apenas prosaico método de conservação.
Nesta crónica parece-me despiciendo aludir a outros produtos passíveis de fumagem que não tenham matricialidade no porco, do estimado animal tão nosso amigo após a sua morte intencional – a matança –, embora judeus e muçulmanos o considerem indigno de ser comido, apreciado, saboreado dentro das sete cozeduras.
No Nordeste o fumeiro durante séculos só ascendia à condição de luxúria gastronómica nas casas dos ricos (ricos a sério eram muito poucos), nos restantes lares de gente abonada, remediada e pobres os salpicões e as chouriças de carne detinham o estatuto de moeda sonante, pagavam favores de toda a ordem, se sobravam vendiam-se alguns e algumas a fim de a Grande administradora – a Mãe – adquirir o indispensável na mercearia, na botica e alguma roupa e calçado. Salpicões e chouriças de carne apenas no folar, parcimoniosamente na altura das segadas, malhas e nos dias nomeados, festas e romarias.
Mais democráticas as alheiras. Mesmo assim imperava a conta, peso e medida, verdade, verdadinha, na generalidade dos lares nem as bocheiras, de verde e restantes estavam à mercê da ânsia de toda a família. Os azedos (de pão), o palaio, a bexiga alegravam o estômago dentro do preceituado pelo calendário.
Como expoente visível, a faculdade de o fumeiro amenizar a monotonia dos jantares (almoços) e ceias, de alegrar as merendas, de proporcionar duplo e deleitoso prazer quando se retiravam do folar rodelas de salpicão e de chouriça, comidas aos solavancos, vagarosamente levava-se ao «céu-da-boca» massa que as envolvia. Delícia das delícias.
As condições de vida mudaram, para melhor, felizmente, desde há anos as transformações sociais e económicas potenciaram a recuperação das Feiras de produtos específicos, sendo a do Fumeiro de Vinhais pioneira no que tange ao mealheiro alimentar de outras épocas.
Fala-se muito do arrebatamento quase totalmente triunfante do sector das Feiras de matérias-primas alimentares. Discute-se animadamente isto e aquilo, salvo melhor opinião valia a pena analisar-se o essencial, deixando de lado o acessório. E, o que é o essencial? Inúmeros vectores, desde os referentes à concorrência até aos da genuinidade, passando pelos da inovação, criatividade, multiplicidade turística e representações gastronómicas. Ainda, acerca das incertezas críticas.


Armando Fernandes
in:jornalnordeste.com

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos - MIGUEL DE SOUSA, MERCADOR E RENDEIRO (1532 – 1597)

Era certamente o mais conceituado de entre os cristãos-novos de Bragança, de certo modo liderando a comunidade. Um dos seus denunciantes retratou-o com as seguintes palavras:

- Miguel de Sousa o qual é muito poderoso na dita cidade, discreto e avisado, com  quem os cristãos-novos se aconselham. (1)

Ele próprio, defendendo-se perante os inquisidores de Lisboa, diria:

- Todas as pessoas a quem ele réu tem posto contraditas são pessoas de muito baixa sorte e caridade e oficiais mecânicos, com os quais ele nunca tratou nem conversou, nem eles com o réu, nem com eles têm razão de parentesco algum; antes é dos principais homens que há da nação, na cidade de Bragança e 20 léguas ao redor dela. (2)

Na verdade ele não era um qualquer mercador e cobrador de rendas. De contrário era um homem de nobre estatuto, condecorado por Sua Majestade com a Ordem Santiago e uma pensão de 20 000 réis. Entrava na da governança da cidade e aparece referido como um dos 5 notáveis que participaram na cerimónia da tomada de posse do castelo de Bragança pelo representante do rei Filipe, em 1580. (3)

E por ser homem de nobre estatuto e conceituado entre os da nação, tomaria a iniciativa de tentar negociar um perdão do rei para os brigantinos prisioneiros da inquisição, dizendo que faria o melhor que pudesse.
Tão conceituado era entre os seus correligionários que alguns até se convenceram de que a inquisição o não prenderia porque tinha uma bula passada pelo santo padre de Roma que o protegia.

Paradoxalmente seriam todas estas “virtualidades” que levariam à sua ruína e que começou em 1587 com a prisão de Diogo Fernandes, de Quintela. Com efeito, um irmão e um sobrinho deste, temendo ser presos, terão ido aconselhar-se com Miguel de Sousa e este lhe terá dito que fugissem para fora do reino. Conselho idêntico terá dado a outros. Tal como aconselharia a que matassem uma moça cristã-nova que fora criada de um Francisco Cardoso e que a atirassem a um poço por temerem que denunciasse cerimónias de judaísmo que presenciara em casa de seus amos.

Decerto não podemos confiar na veracidade dos factos contados por este e outros denunciantes, dado o ambiente que então se vivia na cidade e ficou conhecido como o caso dos falsários de Bragança. Os próprios inquisidores de Coimbra, em 9 de Julho de 1593 mandaram escrever o seguinte:

- Foram vistas as culpas que há contra Miguel de Sousa (…) e vendo-se os defeitos dos testemunhos de Gonçalo Fernandes de que só é a culpa de o aconselhar que se fosse e fica só fautoria, as mais 3 testemunhas têm por falsas (…) e se revogaram…

Aparentemente esta deliberação mostra que os inquisidores consideraram que Miguel de Sousa seria uma vítima dos falsários. Contudo, o processo não ficou parado, antes se fizeram várias diligências para averiguar da verdade ou falsidade das denúncias feitas, as quais foram cometidas ao reitor do colégio da companhia de Jesus, em Bragança. (4)

Dias depois, em 13.7.1593, as coisas mudaram por completo. Leonor Cardosa, (5) curandeira de ossos, moradora na rua Direita de Bragança, vizinha de Miguel de Sousa, que estava presa no mesmo tribunal da inquisição de Coimbra, contou aos inquisidores que, 4 anos atrás, fora chamada pela mulher de Miguel para compor um braço partido a um filho seu. E entrando na casa, viu que estavam ali reunidas umas 11 mulheres, junto ao menino e em outra parte da sala (“muito espaçosa”) estavam uns 18 homens, que a todos nomeou. E toda aquela gente estava seguindo a leitura que fazia um filho de Miguel de Sousa, chamado Francisco, (6) o qual livro era da lei de Moisés, conforme lhe disse a dona da casa, Isabel da Costa.

Entretanto, acaso por quaisquer suspeitas, Miguel Cardoso já antes se tinha abalado de Bragança e dirigido a Coimbra a apresentar-se na inquisição, antecipadamente apontando os seus inimigos. Ficou desapontado por os inquisidores lhe perguntarem se vinha confessar suas culpas e pedir misericórdia. Respondeu que não tinha culpas e que dali seguiria para Lisboa apresentar-se ao Conselho Geral a indicar os seus inimigos que falsamente o poderiam incriminar. Em Lisboa arranjou casa e logo mandou ir a mulher e ali “estavam mui prósperos e descansados” quando veio prendê-lo o meirinho da inquisição, em 18.9.1593.

A expressão “prósperos e descansados” consta de uma das duas exposições enviadas à inquisição pelo advogado Francisco de Sousa, em defesa do seu pai, tentando provar que na base da sua prisão estavam falsos testemunhos promovidos pelos seus inimigos, principalmente Rodrigo Lopes e seu genro Pedro de Figueiredo que em Lisboa andava “em hábito de viúvo com um capuz” arregimentando testemunhas como os irmãos Rodrigues, sapateiros de profissão, “barregueiros” de alcunha “vestidos de pardo”…

Estas exposições de nula utilidade foram para a causa do prisioneiro que, em simultâneo, era carregado de culpas por outras testemunhas, nomeadamente sua mulher que também foi presa, duas semanas depois e sua sobrinha Justa Dias. (7)
Extraordinário o comportamento de Miguel de Sousa. Durante mais de 3 anos, aguentou-se firme, nada confessando e a ninguém denunciando. Acabou queimado na fogueira do auto de fé celebrado em Lisboa em 23 de Fevereiro de 1597.
O mais grave de seus crimes terá sido a sua contumácia, que ficou bem vincada logo ao início, na 2ª sessão que com ele tiveram em 24.5.1594. Começado a ser interrogado pelos inquisidores, logo esclareceu que não tinha nada para lhes dizer e que apenas falaria perante o Conselho Geral, onde se tinha apresentado, não para confessar culpas, que as não tinha, mas para livrar a sua face das calúnias de seus inimigos. Retorquiram-lhe os inquisidores que o seu processo havia de prosseguir naquela mesa e não na do Conselho Geral. A sessão terminou escrevendo-se em ata:

- E por dizer que não queria responder perante o senhor inquisidor mas perante o conselho geral e sendo admoestado muitas vezes não quis responder outra coisa e para constar a sua contumácia…

Esta atitude manteve-a até ao fim. Em uma das audiências diria que se tivesse culpas teria fugido como fugiram muitos. Nem sequer mudou de atitude quando lhe foram atar as mãos e dizer que estava condenado a ser relaxado. E nem ao menos quando se encontrava já no palco do auto da fé ouvindo ler a sentença da morte.

Deveras interessante é o seu processo para o estudo da sociedade brigantina da época. É um processo cheio de contraditas que mostram à evidência um mar encapelado de tensões. Apontando mais de 3 dezenas de inimigos, apresenta mais de 70 testemunhas de defesa. As situações são as mais diversas e as pessoas de todos os setores de atividade (8) e todos os estratos sociais. A título de exemplo veja-se o que aconteceu com Jerónimo Rodrigues.

Em 24.12.1589 disse que jejuou no Kipur de 1578 juntamente com Miguel de Sousa estando ambos na cidade de Guimarães, em viagem de negócios. Em 8.5.1592 disse que tudo foi mentira e que ele inventou aquilo para se vingar de Miguel de Sousa que lhe tinha mandado os seus criados fazer um buraco na parede de um pombal e metido gatos lá dentro que lhe comeram os pombinhos, dando-lhe um prejuízo de 40 000 réis. Haveremos de acreditar?

Miguel de Sousa era natural de Trancoso. Ficou órfão de mãe aos 5 anos e de pai aos 10. Casou em Bragança e ali residiu. Começou a sua vida de mercador viajando muito por Castela onde ia comprar machos e mulas. Depois ascendeu à categoria de rendeiro e só o enunciado das comendas que trazia arrendadas impressiona. Infelizmente naquela época a inquisição não fazia registar no processo o inventário dos bens dos prisioneiros para termos uma noção completa do poder económico deste homem. Terminamos estas notas com a explicação que ele dava para se não comer carne de porco:

- Disse que não se devia comer carne de porco, nem ele comia a carne porque o porco andava sempre com os olhos no chão e todas as coisas que não olhavam para Deus se não haviam de comer.

NOTAS
1-ANTT, inq. Coimbra, pº 9697, de Gonçalo Fernandes.
2-IDEM, inq. Lisboa, pº 5104, de Miguel de Sousa.
3-ALVES, Francisco Manuel – Memórias… Tomo VIII, p. 21.
4-Destas diligências o mais interessante é o comportamento dos jesuítas de Bragança como apaziguadores de conflitos. Com efeito, enquanto procediam ao inquérito pedido, conseguiram estabelecer a paz e “ficar amigos e correntes” entre as famílias de Miguel Sousa (os Borges) e dos Sarmentos.
5-ANTT, inq. Coimbra, pº 5514, de Leonor Cardosa.
6-Francisco de Sousa era então estudante em Salamanca, universidade que frequentou entre 1582 e 1592, formando-se em Cânones e Leis – DIOS, Angel Marcos de – Índice de Portugueses en la universidade de Salamanca (1580-1640), in: Brigantia, vol. XVII, nº ½, p. 178, 1993.
7-ANTT, inq. Coimbra, pº 6038, de Isabel da Costa; pº 9276, de Justa Dias.
8-Interessante: um dos participantes na “sinagoga” em casa de Miguel de Sousa chamava-se Manuel Rodrigues e tinha a profissão de toureiro.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

Douro: Pizzicato e Chula: ou o Rio Poético de A. M. PIRES CABRAL

Escrevo este texto a um sol transparente de Janeiro, uma luz de cristal chega das lonjuras do Planalto e nenhuma reentrância deixa ao domínio da obscuridade. Não sei por quê, (ou, melhor, sei) esta claridade traz-me ao pensamento, e ao olhar, os poemas de A. M. Pires Cabral, também eles límpidos, concisos, austeros e puros, como este dia imaculado.
Este intróito, quiçá desnecessário, para dizer que reside no Nordeste Transmontano, algures, um dos mais notáveis poetas portugueses contemporâneos. É uma voz singular, que sobressai nítida na sua originalidade e na sua pessoalidade, inscrita em alto-relevo num pano de fundo paisagístico e magmático de rios, montanhas e fragas, o que lhe confere a inflexível ossatura, a intransferível identidade que ostenta. A sua palavra é serena mas firme, sóbria mas sofisticada, telúrica mas fina, depurada mas elegante, contida mas intrinsecamente emotiva, leve mas culta. Claridade, harmonia e equilíbrio de matriz indubitavelmente clássicos suportam cada poema, que se espraia suave e elegantemente na página, cuja brancura também vai bem com a luminosidade da sua linguagem. Os rios que desaguam nesta poesia só poderão ser os dos clássicos portugueses e universais – clássicos de todos os tempos no sentido que toda a obra superior é clássica ou integrando em si uma essencialidade clássica, como explicava José Régio na sua doutrinação estética, na Presença. Assim, nesta meticulosa nitidez de dizer repercutem ecos dos mestres fundadores e renovadores da língua: dos trovadores medievais a Camões, “vão as serenas águas deste rio” , do Padre António Vieira a Camilo Castelo Branco, de Almeida Garrett a Eça de Queiroz, de Cesário Verde ao Fernando Pessoa ele mesmo, para nos mantermos somente de entre os criadores pátrios. Dos seus versos emana uma luz intensa, mas à medida da retina humana, uma cintilância que envolve sem ofuscar, uma rigorosa consciência do lugar da palavra e do silêncio: “porque há lugares tão feitos / para a malha do silêncio, / que uma simples sílaba / apenas murmurada – embaraça” . A unidade de tom, de timbre e de visionamento do mundo é a marca de água de uma personalidade ética e esteticamente exemplar, que mantém em relação às suas raízes pessoais e culturais uma fidelidade sem hiatos. O seu discurso poético e as suas opções temáticas desenvolvem-se numa linha realista/naturalista (enquanto tipologia estética, que não enfeudada a realismos ou naturalismos de escola, ou de correntes histórico-literárias) que nos dá a ver o Real numa voz que é sobretudo fala, diálogo, respiração do ser no mundo, emanando de sua funda individualidade.
É pois sobre uma exímia tangência à literalidade que se desenrola a sua linha poética, linha de rumo de uma coerência inquebrantável e elemento básico de uma eficácia poética verdadeiramente incomum. Da terra nasce a obra deste poeta maior e é ao rés-da-terra que a palavra poética caminha, essencialista e imanentista, sem nunca se levantar em qualquer tipo de estridência dramática e muito menos melodramática. Mas não nos deixemos iludir pela acalmia de superfície, ela é possuidora de uma energia expressiva e comunicativa como poucas e é sem tergiversar que testemunha e denuncia os variados desconcertos do mundo, sobretudo o desconcerto de mentalidades que se abatem sobre uma terra e de uma gente esquecidas ou menosprezadas, situadas para cá do Marão, onde gostariam de mandar os que cá estão.
O livro que hoje aqui nos traz, como se vê no título, é Douro: Pizzicato E Chula: o Douro é, como sabem os leitores de A. M. Pires Cabral, um tema obsessivamente, mas nunca repetitivamente, abordado pelo autor: “tenho o rio na boca” , diz ele em Têmporas da Cinza. E este é também mais um livro sobre o seu rio, extraordinário a vários níveis: unidade de tema e de tom, vivacidade do estilo, reflexão metapoética, crítica irónica, cáustica, corrosiva até, de uma certa maneira de encarar a poesia: artificial, postiça, de pose ou de salão, neste caso de bojo ou de porão. Douro: Pizzicato E Chula é uma unidade poética subordinada ao tema da Viagem, uma verdadeira viagem no espaço, no tempo, no pensamento, no Ser. Viagem metapoética, ainda: poesia e poetas constituem-se em longas paragens obrigatórias. Uma viagem total, pois, não à volta do seu quarto, mas uma viagem na sua terra. E também ele poderia dizer: “e protesto que de quanto vir e ouvir, de quanto eu pensar e sentir se há-de fazer crónica” ; neste caso uma soberba crónica e também reportagem poéticas.
“A Fábula do comboio e do barco”  não é mais do que uma representação global do livro por metonímia e sinédoque. Não é mister a fábula exigir como condição indispensável ter na narrativa animais como personagens, mas sim configurar uma narrativa alegórica cujo desenlace reflicta uma lição moral em que seja nítida a vitória do bem sobre o mal, em suas diversas faces ou metamorfoses: a fraqueza sensível sobre a força bruta, a bondade sobre o calculismo e o interesse, a humildade sobre a presunção. Aqui, podemos concluir que a lição desta fábula é a vitória da ancestral sabedoria da natureza perante a jactância dos poetas pretensiosos e ignorantes dos segredos do rio, da poesia das coisas perante a poesia das metáforas. Ao contrário da corrida entre o comboio e o barco, aqui, na verdade, não se registou “um empate técnico” , antes uma vitória do Douro por KO.
  O percurso desenrola-se portanto sob o signo do olhar e da poesia, e se o rio é uno e imutável, já a ideia de poesia, de viagem e de beleza variam conforme o ponto de vista dos viajantes, suas intenções profundas, suas formas de estar no mundo e na vida, isto é no Rio, que tudo isso simboliza ou, melhor, alegoriza. Uma estética natural constituída pelo rio, pelas montanhas, pelo céu, pelos vinhedos, pelas aves, pelos peixes, coexiste, em simultaneidade dialéctica, com uma estética e uma poética humanas. Mas se aquela une o humano e o natural, esta, pela artificialidade das palavras calculadas, das metáforas, das imagens, estabelece a separação, a fenda entre as coisas e a linguagem que as nomeia. Neste caso, este grupo de “poetas abrasados nos mais canoros zelos”  não se contenta em olhar, ver, nomear; dentro deles “têm uma oculta segunda intenção: / fazer a derradeira tentativa / de também se decifrarem a si mesmos, / e não apenas o que o cerne do rio / retém por nomear. // Sagazes poetas, que assim alimentam / dois coelhos de uma cenoura só” . Estes poetas ficam-se pela simples retórica da visão e da composição, postergam a linguagem fenoménica da transparência e da essencialidade, não a essência de raiz platónica residente algures na ideia e na pura contemplação, mas a visão pura de quem vê as coisas no seu natural habitat e conquista a beleza pura da simplicidade e da naturalidade. A referencialidade é pois o ponto de partida da poesia de A. M. Pires Cabral: também, sob esse prisma, poeta de excepção na nossa poesia, a tomarmos por boa a afirmação de Jorge de Sena, retomada por Joaquim Manuel Magalhães, de que haveria uma impossibilidade mental na poesia portuguesa de se escrever no arco da referencialidade.
Mas retomemos a nossa viagem dupla, por este rio acima, – ainda que esta tenha por destino Barca de Alva e não Santarém também ela abunda em digressões, como vêem, – na poesia de uns é o rio que corre, na poesia de outros é o artificioso curso das palavras que faz do rio pretexto para o outro texto, que por grávido de metáforas atroadoras é bem possível que afugente as aves “ou, pelo menos, as deixe / desfavoravelmente impressionadas” .
Deve dizer-se, em abono da verdade, que o poeta não se põe de parte dos seus compagnons de route, assume na pele, cúmplice e solidariamente, a condição precária da humana vaidade que aponta aos poetas-viajantes: “piscamo-nos os olhos, / achamos que somos os maiores” . Mas o Poeta vai mais longe, sente dentro de si um percurso inverso da viagem real: estranho, ontológico, desempenhando a imprescindível função de estranhamento própria da verdadeira poesia: “Sigo no barco que sobe o rio. Porém / não sinto que subo o rio: / sinto, em vez disso, / que o rio me sobe a mim” . A diferença entre a poesia do rendilhado, do arabesco e a poesia autêntica é que esta segrega o real nas suas entranhas, e as palavras são, à maneira do Crátilo, de Platão, coisas, seres vivos, ou que com estes se fundem e confundem. E essa poesia, como o Douro sentido e não só percorrido, “escalda como / uma febre nas dunas. Repercute / nas têmporas, magoa / as vísceras da alma” . Desta forma, ninguém sai incólume à leitura de um poema de A. M. Pires Cabral, porque ele não se funda no fogo-de-artifício retórico, mas no fogo magmático de cariz ontológico dos seres e das coisas. Não nos deixemos pois confundir pela ironia poética dirigida aos poetas abrasados e canoros, os mesmos que no “Prefácio” de Têmporas da Cinza eram classificados como “os piores de todos nós”, porque “perfuram o tímpano” . O Poeta não renega em momento algum a sua condição de poeta, seria aliás renegar-se no píncaro da superior missão porque veio ao mundo, ele renega simplesmente o artificialismo e o convencionalismo poéticos. Desde logo, A. M. Pires Cabral é um poeta no sentido atribuído pelo grande romantismo alemão ao poeta e à poesia, ou seja, categoria estética que percorre e é inseparável do homem no mundo e na linguagem. Aliás, ao observar os múltiplos planos segundo os quais se desenvolve a obra de A. M. Pires Cabral, ocorre-me outra observação de Jorge de Sena, referindo-se à sua própria obra, também ela diversa e plural, como é sabido: “sempre achei que a poesia é a minha principal criação, mesmo quando estou fazendo coisas inteiramente diferentes de poesia. Penso que o sentimento poético está sempre por detrás de tudo o que escrevo” . Sendo, por conseguinte, Pires Cabral um poeta ainda quando escreve em prosa, é enquanto poeta tout court que o seu talento atinge dimensões incomuns e renega, por conseguinte, com certa regularidade, a poesia e os poetas com aquela ironia com que o nosso Garrett renegava o Romantismo, precisamente na sua obra romântica maior, As Viagens na Minha Terra: “Romântico, Deus me livre de o ser” , o mesmo é dizer, “os poetas, repito / são os piores de todos nós” .
Pensamos que na velha disputa entre a origem da beleza superior, se a residente no mundo natural, segundo Kant, ou na obra de arte humana, segundo Baudelaire, A: M. Pires Cabral parece inclinar-se, neste e noutros livros, pelo filósofo alemão. Todavia, não sejamos ingénuos, estamos perante um altíssimo produtor de beleza artificial: apesar da naturalidade da sua escrita, ela não é mais do que o effet du réel, uma procura do modelo exemplar na natureza. Ele sabe que apesar da essencial beleza do seu rio e da sua montanha, elas perderiam bastante sem o sujeito sensível e contemplativo, estésico e estético, espectador e transfigurador, que toma essa matéria primeira para a destilar em matéria verbal indelevelmente inscrita na obra de arte de linguagem, ou seja, no poema. Esta questão entre o Real e as palavras que o cantam, sua pertinência ou utilidade, é pelo poeta insistentemente colocada; e este livro não foge a essa regra. Observe-se o poema “Palavras”: “Que queres, Douro, de mim? / Não posso senão palavras, / […] opor palavras contrafeitas / aos ruídos que salteiam este sítio / tão alegremente / […] Com tanto rumor nativo, / com tanto rumor sadio / - para que diabo, Douro, quererás / as intrusas / palavras inquinadas do poeta?” .
Continuemos então a seguir o périplo líquido e escrito, este mundo natural está entranhado até ao âmago pelo mundo humano: construído, destruído, reconstruído, de novo devassado. O Poeta comove-se, revolta-se, compadece-se: o presente cruza-se com o passado, que o mesmo é dizer, a vida sempre intrínseca e dialecticamente perpassada de morte, como se verifica em “Solar em Ruínas”, cujos destroços, mais que destroços materiais de uma construção, são metafóricas ossadas dos seus antigos habitantes e o testemunho de que a pompa não suspende, antes torna mais ostensiva, a acção da morte. Trata-se de uma meditação de carácter elegíaco que não deixa de denunciar a intemporal exploração do homem pelo homem: “Além, sobre o lado esquerdo, / um solar destroçado pelo tempo, / derruído quase até aos alicerces. // Nasceu do chão do suor como um pomposo / cogumelo, e dele prosperou. / Teve lustres acesos nos salões, / porcelana da China nos armários, / garanhões na estrebaria e no quarto das criadas, / tectos de castanho com lavores, / obra de artesãos remunerados a malgas de caldo. // E, por cima de tudo isto, /uma capela muito compenetrada / do seu papel de pára – raios. // Ei-lo porém decaído do fausto, devassado de animais daninhos / que nele nidificam e defecam. // Lastimável como um cão extraviado / do aconchego dos donos. // Resta um pano da fachada, onde / entre as heras que comem do granito / a pedra-de-armas ainda sobrevive / […]” . E nesta linha melancólica e elegíaca em que o sujeito viaja e se viaja, toma o itinerário em sua mais estreme alegoria.
O rio é, em todas as circunstâncias, uma lição de vida e de poesia, “ou não fosse o rio um espelho / antes de rio” . O seu funcionamento perfeito, a sua rigorosa selecção entre o essencial e o acessório, tornam-no num mestre, diríamos, o supremo Mestre e, nessa medida, “De Scientia” apresenta-se como uma soberba arte poética: “Comparativamente, / o rio sabe muito poucas coisas. // Não sabe, por exemplo, que este peixe /que agora mesmo lhe arrufou a tona / é um Barbus Bocagei. // Porém sabe que tem de ir e vai. /Sabe a rapidez com que deve ir / a cada momento. Sabe o caminho. / E sobretudo sabe o sítio / que o dedo do grande destinador / lhe apontou para recolher ao mar. // E eu? // Atento a todas as vozes, / entregue à libertinagem / de tanta sabedoria - / eu, amigos, que sei eu / de mares no fim da viagem?” .
É privilégio nosso, a Nordeste, bem no centro de múltiplos paraísos naturais, como este(s) Douro(s), termos entre nós, um homem, um intelectual, um escritor, um poeta com a dimensão de A. M. Pires Cabral que, como poucos, tem o segredo horaciano do “malho e da bigorna ”  para erigir a escultura poética. E sejamos gratos a quem dá muito e pede pouco, quase nada. Felizmente, a sua reconhecida contenção não o inibiu de pedir à vida um mínimo, para os seus leitores, essencial: “Não pedi demasiado à vida / nem a esta viagem: / uma guitarra apenas, uma voz” .

1 - A. M. Pires Cabral, Douro: Pizzicato E Chula, Lisboa, Edições Cotovia, 2004, p. 47.
2 - Idem., p. 45.
3 - A. M. Pires Cabral, Têmporas da Cinza, Lisboa, Edições Cotovia, 2006, p. 62
4 - Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra, Porto, Porto Editora, 1985, p. 15.
5 - Douro: Pizzicato E Chula, ob. cit., p. 27.
6 - Idem., p. 28.
7 - Idem, p. 13.
8 - Idem.
9 - Idem, p. 14.
10 - Idem, p. 53.
11 - Idem, p. 17.
12 - Idem, p. 63.
13 - Têmporas da Cinza, ob. cit., p. 11.
14 - Jorge de Sena, cit. por Luís Adriano Carlos in Fenomenologia do Discurso Poético
– Ensaio Sobre Jorge De Sena, Porto, Campo das Letras, 1999, p. 14.
15 - Almeida Garrett, ob. cit., p. 55.
16 - Pires Cabral, Têmporas da Cinza, ob. cit., p. 69.
17 - Douro: Pizzicato e Chula, ob. cit., p. 24.
18 - Idem, p. 19
19 - Idem, p. 30.
20 - Idem, p. 35
21 - Idem, p. 46.
22 - Idem, p. 57.



Fernando de Castro Branco
in:jornalnordeste.com

Autarcas, CCDR-N, ICNF e Zasnet reuniram para dar início ao plano de prevenção de incêndios florestais

Os municípios portugueses que integram a reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica reuniram, na passada sexta-feira, em Mirandela, com responsáveis da CCDRN, do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, e do ZASNET – agrupamento Europeu de Cooperação Territorial.
"A reunião de trabalho pretendeu dar início à execução do plano de prevenção de incêndios florestais e de valorização e reabilitação de habitats naturais", refere Berta Nunes, a presidente do Zasnet, entidade gestora da Reserva da biosfera transfronteiriça Meseta Ibérica
Apesar de ainda estar numa fase embrionária, Berta Nunes adianta que o plano "vai ter em linha de conta a necessidade de combater os problemas do despovoamento, que tem favorecido o aumento de incêndios florestais, e a fraca capacidade que os territórios que integram parques naturais têm tido na fixação de pessoas".
Nessa matéria, Berta Nunes critica a gestão "demasiado centralista dos parques naturais que deve ser substituída por uma maior competência das autarquias nessa matéria, por forma a garantir uma verdadeira gestão de protecção"
Para já, ainda não existe uma previsão para quando a implementação deste plano. No entanto Berta Nunes entende que os projetos a integrar nesse plano terão pernas para andar, lembrando que o Ministro do Ambiente já deu garantias que a prioridade vai para as reservas da biosfera e que haverá financiamento quer do Orçamento de Estado quer de fundos comunitários.

Escrito por Terra Quente

Restaurantes de Mirandela desafiados a criar cartas de azeites DOP transmontanos

Criar uma carta dos azeites com Denominação de Origem Protegida de Trás-os-Montes para estar disponível nos restaurantes de Mirandela. Um desafio lançado à restauração, pela AOTAD (Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes), pela APPITAD (Associação de Produtores em Protecção Integrada) e pelo município de Mirandela, durante a 12ª edição do festival de sabores do azeite novo, que decorreu, nas duas últimas semanas na cidade do Tua.
“Não basta nós produzirmos dos melhores azeites do Mundo, é importante também que eles estejam presentes na gastronomia local. É importante que o consumidor, quando vem a Mirandela não passe só pelos olivais mas que possa usufruir da paixão por este produto. O que se pretende é que haja uma interligação muito próxima entre os produtores, os municípios, a associação de olivicultores, que é a entidade que gere a DOP e os restaurantes”, explicou Francisco Pavão, da APPITAD.

Nesse sentido, os produtores comprometem-se a dar formação gratuita aos proprietários dos restaurantes para poderem aconselhar os consumidores na hora de escolher o azeite que melhor se adequa a cada prato. “Queremos dar formação à restauração para poder aconselhar o consumidor, à semelhança daquilo que faz com os vinhos”, acrescentou.

Entre 2007 e 2012, já tinham sido implementadas cartas de azeite, mas apenas produzidos no concelho de Mirandela. Agora, o objectivo é alargar a todos os azeites DOP de Trás-os-Montes.

Esta é uma ideia que tem vindo a ser defendida por vários críticos gastronómicos e chefs de cozinha. Um dos principais impulsionadores da mesma é Edgardo Pacheco, autor do primeiro guia de azeites de Portugal, que foi apresentado durante o festival de sabores do azeite novo.

O jornalista acredita que este guia poderá ser o primeiro passo para a implementação de cartas de azeite nos restaurantes, um pouco por todo o país. “Alguns restaurantes, muito poucos, já têm. Mas tem sido curioso que, a partir do momento em que foi publicado este guia de azeites, ouça cozinheiros, chefs, alguns até de renome, a preocuparem-se mais com essa matéria e até a procurarem-me para partilharem ideias comigo sobre esse assunto. A partir de agora, estou convencido de que esse trabalho vai ser feito e que daqui a um ou dois anos, haverá um conjunto de restaurantes com cartas de azeites bem feitas”, considera.

Edgardo Pacheco considera essencial  “educar” os consumidores para a cultura do azeite, o que poderá trazer vantagens a vários níveis, incluindo para o desenvolvimento da economia em torno deste produto. “Eu quero chegar a um restaurante e poder ter dois ou três azeites diferentes e saber que, se eu pedir uma carne assada, tenho um perfil de azeite indicado para aquela carne, se pedir um peixe cozido ou grelhado, preciso de um outro azeite…. Isto é um trabalho que tem a ver com a educação, com os restaurantes, até com os jornalistas… No dia em que isso for possível, teremos uma cultura gastronómica na área do azeite, que depois tem impacto a nível económico”, acrescentou o apresentador do programa “Prato da Casa”, da CMTV.

Este é um dos temas abordados por Edgardo Pacheco, numa entrevista em que fala ainda das características que tornam os azeites transmontanos únicos, a nível internacional, para ler no Jornal Nordeste desta semana. 

Escrito por Terra Quente(CIR)/Brigantia

Ex-autarca de Alfândega da Fé vai ser julgado por ter alegadamente beneficiado proprietários de terrenos

O antigo presidente da câmara de Alfândega da Fé, João Carlos Figueiredo, vai ser julgado por negócios com terrenos em que se incluem aquisições municipais para o falhado projecto privado Funzone Village.
Segundo avança o jornal Correio da Manhã, o ex-autarca social-democrata, que liderou o município alfandeguense entre 2001 e 2009, é acusado pelo Ministério Público de três crimes de participação económica em negócio por alegadamente ter beneficiado donos de terrenos, ao pagar preços muito superiores aos praticados no mercado, ou ao valor das avaliações.

João Carlos Figueiredo, de 59 anos, incorre numa pena que pode ir até cinco anos de prisão. 

Escrito po Terra Quente (CIR)

Infinito/Somos feitos da mesma terra

Depois de 7 anos sem publicar um livro, dois dos quais não escrevi rigorosamente nada, volto finalmente, este início de ano a editar não um, mas sim dois livros.
Tinha 20 anos quando publiquei o Enquanto o tempo quiser com textos que vinha acumulando desde os meus 14 anos. Repeti a experiência em 2010 com Ver-me nos teus olhos com textos mais actuais, mais maduros, mais intensos onde o amor era o foco principal.
Agora com 28 anos de idade, e desta vez com a Edições Vieira da Silva lanço dois livros.
Já algum tempo que venho reunindo alguns textos e mais recentemente apercebi-me que sem querer acabei por criar uma pequena história. Então comecei a organizar tudo de forma a fazer sentido.
Infinito é um livro que fala sobre uma mulher que se apaixona, desilude, perde, e que finalmente se encontra e encontra a esperança. É um pequeno conto dividido em 3 partes: Amor, desilusão e esperança. Vamos encontrar textos em forma de desabafo que nos dará a conhecer a história, o homem e a vida dessa mulher.
E depois temos outro livro: Somos feitos da mesma terra, é um conjunto de textos poéticos e de opinião. São textos de cariz social, onde eu mesma expresso a minha preocupação, tristeza, alegria, felicidade sobre a vida e o mundo que me rodeia.
Tudo isto num só objecto: o livro.
São dois em um.
São dois livros, duas histórias diferentes, duas capas mas no mesmo objecto.
Custará 12 euros e estará à venda em todo o país (Portugal).
A apresentação e lançamentos dos mesmos acontecerão no dia 4 de Fevereiro de 2017, sábado pelas 21 horas na freguesia de Carção (distrito de Bragança).
Super ansiosa…Mas muito feliz. Obrigada a todos por tudo.
Acreditam no Amor?

Sara Ana Macedo Afonso
https://www.facebook.com/SarAnaMAfonso/
Obs* Brevemente o Memórias e Outras Coisas publicará uma entrevista com a autora.

Chega ao fim mais uma edição do certame em Macedo de Cavaleiros

Municipio de Alfândega da Fé assina protocolo de colaboração com a DECO

Homem morre em despiste de viatura na freguesia de Celas, Bragança

Vítima tinha cerca de 50 anos
Um homem de cerca de 50 anos de idade morreu hoje na sequência de um despiste de viatura ligeira na freguesia de Celas, concelho de Vinhais, informou fonte dos bombeiros.

Em declarações à Lusa, fonte da corporação de Bombeiros de Vinhais explicou que a ocorrência foi registada pelas 08:01 e que a vítima foi transportada para o Instituto de Medicina Legal de Bragança.

No local estiveram elementos da GNR, dos Bombeiros de Vinhais e Instituto Nacional de Emergência Médica.

Diário de Notícias

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Freixiel foi palco do tradicional leilão que reúne os habitantes da aldeia

Obra do brigantino Fernando Calado apresentada em Vila Flor

As quintas da região de Bragança em destaque na obra de Joana Gonçalves

Aldeia de São Julião de Palácios recebeu a segunda edição da feira

Idosos e alunos do Agrupamento de Escolas reunidos em sarau cultural

No passado dia 26 de Fevereiro, realizou-se no âmbito do projeto “ Mãos na Arte”, o sarau “Mimos Partilhados”, levado a cabo pelos alunos do 7º ao 11º anos do Agrupamento de Escolas de Torre de Moncorvo e contou com a assistência de alunos, professores e utentes das Instituições Particulares de Solidariedade Social do concelho.
O sarau teve início com as palavras da Vereadora da Ação Social do Município de Torre de Moncorvo, Piedade Meneses, que falou sobre este projeto, que pretende dinamizar atividades socioculturais e lúdicas para os idosos.

Os alunos apresentaram alguns videos realizados nas visitas às IPSS, músicas, danças, anedotas e leitura expressiva. A atividade estava prevista no plano de ação para 2017, da Rede Social de Torre de Moncorvo.

Nota de Imprensa - Luciana Raimundo

Alunos convidados a participar no orçamento da escola

Os alunos do ensino secundário e do 3ºciclo do Agrupamento de Escolas de Macedo de Cavaleiros têm 700 euros do orçamento da escola para gerir.
Foi lançado um novo desafio aos estudantes, um orçamento participativo, explicado pelo diretor Paulo Dias.

“Vai consistir na apresentação de projetos que os alunos gostariam de ver desenvolvidos na escola. Pode ser uma obra, arranjas no espaço, sempre ligado à melhoria das condições de aprendizagem.

Pode ser um projeto apresentado individualmente ou em grupo, subscrito por 5% dos alunos do secundário e 3º ciclo. Visa, para já, fazer a gestão de 700 euros do orçamento.”

Um valor que poderá ser superior, o que vai depender do empenho dos alunos, em angariar fundos para concluir a ideia vencedora, ou através de negociação com a direção. A receptividade dos novos gestores foi positiva.

“Os alunos tiveram uma recetividade fabulosa. Uma atitude fantástica. Ficamos todos satisfeitos com a forma como reagiram, com as questões que colocaram. Penso que vamos ter propostas muito interessantes.

Claro que só vai ser aprovado um. Mas disse-lhes que as outras ideias nos darão pistas, para sabermos aquilo que eles [os alunos] querem que a escola tenha.

Se se identificarem com aquilo que a escola tem e faz, serão, com certeza, muito mais felizes, e tudo será mais significativo.”

As propostas vão ser depois apresentadas, discutidas e por fim votadas, a 24 de março, Dia Internacional do Estudante. O prazo de execução está fixado a 31 de dezembro deste ano.

Escrito por ONDA LIVRE

Sul do distrito vai ter segundo Núcleo de Atendimento à Vítima mas localização ainda não está definida

O Governo quer criar um segundo Núcleo de Atendimento à Vítima no sul do distrito de Bragança. O objectivo é, de acordo com a estratégia Nacional de Combate à Violência Doméstica, duplicar a resposta às vítimas no interior do país e, em particular no distrito, as necessidades são nos concelhos do sul, já que a único núcleo se encontra em Bragança.
A secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, esteve sexta-feira em Bragança para discutir com os autarcas a localização desta nova valência.

“Estamos aqui a ver como podemos duplicar a resposta no território que coincide com o distrito de Bragança, com especial preocupação com o sul deste território que fica mais aquém da proximidade de Bragança e maior distância do local onde está sedeado ao núcleo”, referiu.

Não foi ainda alcançado consenso já que há interesse por parte de vários municípios em acolher esta resposta, mas a secretária de Estado considera que a reunião com os autarcas foi muito produtiva e permitiu dar um passo em frente no processo.

A falta de resposta em casa abrigo no distrito de Bragança foi outro dos problemas debatidos com os responsáveis do núcleo e com outros parceiros, já que para os 12 concelhos apenas existem cinco vagas numa casa abrigo em Bragança.

“Estivemos a identificar as necessidades para melhorar a qualidade de respostas, temos aqui algumas ideias nomeadamente a hipótese de ter uma resposta de emergência para além da casa abrigo e do núcleo de apoio à vítima que julgamos poder vir a ter essa resposta também nesta região”, frisou a governante.

De acordo com Teresa Fernandes do núcleo de Atendimento à Vítima de Bragança, só no ano passado 24 vítimas, acompanhadas de filhos menores, foram encaminhadas para casas abrigo, o que significa que a maioria teve de ser colocada em outras zonas do país.

“Estamos na cauda do país, temos cinco vagas disponíveis que praticamente estão sempre ocupadas a zona mais perto é Vila real com outras cinco vagas e por isso é muito importante não só as vagas de casa abrigo, mas também as vagas de emergência, que não existem no distrito, as mais próximas são em Viseu”, aponta.

A Associação de Socorros Mútuos de Bragança, que acolhe o núcleo de atendimento à vítima tem já um projecto para uma nova casa abrigo que incluiria vagas de emergência e mais definitiva, num total de 30, que será analisado agora pelo governo. 

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

Entrevista ao Escritor Transmontano Fernando Calado

O Memórias e Outras Coisas… entrevistou o Escritor e Poeta Transmontano, Fernando Calado.

Memórias e Outras Coisas (MOC): Um homem já nasce escritor, ou são as circunstâncias da vida que o encaminham para a escrita? Donde surgiu a motivação para ser escritor? Alguém o influenciou?
Fernando Calado (FC): O escritor não nasce, faz-se, na maior parte das vezes fruto da circunstância e do acaso. Eu nasci num tempo em que não existia televisão e a rádio surgia timidamente. A única forma de ter acesso à novidade, ao conhecimento era a leitura. Eu, pessoalmente, ganhei o “vício” da leitura, principalmente dos grandes autores portugueses. Assim nasceu o gosto pela escrita e também a aprendizagem para escrever em bom português.

MOC: Os temas dos seus livros são, invariavelmente, inspirados na nossa terra. Por quê?
FC: Porque é fácil ser escritor na nossa terra, porque só é preciso olhar e permanecer  bem perto da imensidão da nossa paisagem austera, rude, mas plena de cambiantes de beleza, só é necessário estar atento nesta observação antropológica às mulheres e aos homens transmontanos que se gastam em jeiras infindas, arrecadam trigo, namoraram o sol e são verdadeiramente sábios para além da sabedoria dos livros.
É por isso que eu só sei escrever no Nordeste, em Lisboa, no Porto, ou nos confins do Planeta, falta-me o ar, o cheiro a alfazema, a rosmaninho e a esteva brava, sufoco, pois só o meu provincianismo consentido me inspira e me devolve as palavras da nossa ruralidade, da nossa beleza, do imaginário da nossa aldeia, porque nós orgulhosamente ainda temos uma aldeia.
Estou sempre de regresso a casa onde é possível escrever como quem come pão centeio, bebe do vinho da pipa e embebeda-se com a água do ribeiro a regurgitar de peixes avaros dos mistérios dos poços fundos.
Então tudo é fácil, o grande livro do Nordeste está aberto e só é preciso copiar a cópia cem vezes repetida na escola da vida.

MOC: Para quando o seu novo livro que, tanto quanto sabemos, será novamente telúrico e dedicado ao nosso mundo rural?
FC: O próximo livro que vem na sequência da trilogia sobre Bragança e o seu imaginário saíra no próximo mês de maio. Os dois romances anteriores: “O Milagre de Bragança” e “Quando as mães saíram à rua” incidem o seu enredo e a construção temática na cidade de Bragança, por isso, este terceiro livro que fecha o ciclo, será sobre as nossas aldeias, a sua cultura, a sua gastronomia, o seu saber e saber fazer, dando grande enfoque ao drama da desertificação do meio rural transmontano. Este livro será sobretudo o regresso a casa, à infância, à guerra colonial, à emigração e também à grande diáspora que leva os habitantes das nossas aldeias para o mundo. É um livro de memórias e de chamadas de atenção. 

MOC: Algum dos seus livros lhe deu um prazer especial em escrever e qual pensa que foi o livro que, até ao momento, marcou mais a sua obra literária?
FC: O livro que me deu mais prazer escrever foi sem dúvida o pequeno livro de poesia: “Verdes de sangue”, tinha pouco mais de 20 anos e timidamente insurgia-me contra a ditadura e a guerra colonial. Mas o romance “O Milagre de Bragança” é sem dúvida a obra em que se revela já a minha fase adulta. Como digo na sinopse deste livro: O Milagre de Bragança. É um romance, onde a História e a ficção se conjugam numa narrativa de judeus, de maçons, de teares da seda, do Colégio dos Jesuítas, do Liceu de Bragança, da velha Academia, do 1º de dezembro, de quartéis, de estudantes e militares, de amores, e traições, de chegadas e partidas, de mulheres que resistem, de homens justos, de homens do mundo, almocreves e pedintes. E o Brasil tão perto e desejado.
 Um romance, uma longa história, uma paixão vivida entre duas guerras mundiais, a guerra civil de Espanha, a guerra colonial e o 25 de Abril, no cenário duma cidade misteriosa, às vezes sombria, outras vezes cheia de luz, onde o sagrado e o profano convivem numa harmonia perene e secular. Uma cidade que no último século viveu o espanto da luz elétrica e o fascínio da chegada do comboio e como a Fénix renasce das cinzas.
Este livro deu-me particular prazer em escrever, porque permite revisitar Bragança onde crescemos e vivemos. Permite revisitar uma Bragança que já não existe.

MOC: Tem referências para a escrita ou é pura e simplesmente inspiração momentânea?
FC: Como se costuma dizer, no trabalho da escrita são “dez por cento de inspiração e noventa por cento de transpiração” Só começo a escrever um livro quando consegui arquitetar, mentalmente, o que eu considero uma boa história. Depois passo para a fase da investigação. De seguida e com a disciplina de escrever todos os dias, passo, paulatinamente, para a construção do livro.

MOC: O que mais gosta na sua escrita?
FC: Gosto principalmente das mulheres e dos homens que ganham vida, das suas alegrias e tristezas, das suas grandezas e misérias, da sua humanidade, das suas emoções, principalmente, quando nos ajudam a acreditar que a vida é uma coisa muito bonita e a felicidade é possível.

MOC: O ser escritor, afetou de algum modo a sua vida?
FC: Sem dúvida a escrita deu-me outra compreensão do mundo e da humanidade. O ato de escrever leva-nos também à reflexão filosófica. As minhas personagens ensinaram-me a ser mais tolerante e a compreender a natureza humana. Por outro lado, os meus livros chegam a muitas pessoas que se tornam na minha família literária e me incentivam com a generosidade dos seus comentários a que continue a escrever.

MOC: Quanto tempo demora a escrever um livro?
FC: Tenho oito livros editados. Há livros que me demoraram alguns anos a serem concluídos. Os últimos livros, porque tenho uma grande disciplina na obrigatoriedade de escrever todos os dias, demoram cerca de um ano a estarem prontos para irem para a editora.

MOC: É possível, em Portugal, viver apenas da escrita?
FC: Há autores que vivem da escrita em Portugal. Autores que se impõem pela sua qualidade, ou pela força da televisão, ou da máquina poderosa de algumas editoras. Eu ainda não atingi esse patamar, embora, felizmente, os meus livros têm leitores certos que vêm aumentando em cada novo livro que é editado.
A imprensa local tem feito um bom trabalho na divulgação da minha obra, bem como este blogue “Memórias e outras coisas” que com frequência me dedica um espaço importante, levando ao mundo a notícia do que escrevo, bem como a republicação de muitos textos postados no Facebook, ou publicados na imprensa.
Reconhecido agradeço ao meu amigo de sempre Henrique Martins, dinamizador do referido blogue, pela atenção que me tem dado, há tantos anos. Aproveito para o felicitar pela perseverança na manutenção deste espaço que tanto têm contribuído para a divulgação da cultura transmontana e das suas gentes.

HM - Eu é que agradeço a tua pronta disponibilidade em me concederes esta entrevista.
Um grande abraço de profunda amizade.

Henrique Martins

28 mil visitantes passaram pela XXI Feira da Caça e Turismo em Macedo de Cavaleiros

Terminou ontem a feira da caça e do turismo de Macedo de Cavaleiros. A organização estima que cerca de 28 mil pessoas tenham passado pelo parque de exposições para a vigésima primeira edição do certame.
A iniciativa teve este ano como destaque o primeiro congresso terras de cavaleiros que debateu os geoparques e o turismo na região e na qual foi apresentada a estratégia de turismo nacional para os próximos anos. O presidente do Turismo de Portugal, Nuno Fazenda, garantiu que regiões como a transmontana não foram esquecidas no delinear desta estratégia e que a coesão territorial é um dos objectivos deste plano que se encontra em fase de discussão pública.
“Um dos desafios inscritos na estratégia para o turismo é a coesão territorial, mitigar as assimetrias nacionais e de puxar e desenvolver turisticamente os territórios do interior. Nas prioridades ao nível dos dez activos estratégicos para o turismo foram que identificados alguns que têm a ver de forma mais directa com Trás-os-Montes e o Douro são os elementos do património histórico-cultural, do património cultural e do activo água, destacando-se a albufeira do Azibo na região”, adiantou.

A gastronomia e os vinhos serão outros dos activos que poderão ajudar a impulsionar o turismo na região, o que só acontecerá, na opinião de Nuno Fazenda, com um conjunto de estratégias e medidas. Uma das que destaca é uma linha de apoio com cerca de 10 milhões de euros disponíveis em exclusivo para o interior.

“Não é com um único projecto ou medida, será através da concertação de várias medidas e acções. Nesse contexto está a aberta uma linha que o Turismo de Portugal lançou recentemente que é para valorização do interior, para apoiar projectos nesta área geográfica e esse é apenas um exemplo de uma discriminação positiva e isso compreende várias dimensões, quer infraestrutural quer de promoção turística”, referiu.

Nesta feira da caça e do turismo, considerada o maior certame desta natureza, o geoparque terra de Cavaleiros esteve em destaque não só no congresso, mas promovendo-se através da gastronomia. Várias receitas inovadoras foram criadas por alunos do curso de restauração do agrupamento de escolas de Macedo de Cavaleiros e mostradas pela primeira vez na feira. Uma forma de aliar os produtos da região e o geoparque, como explica o aluno Carlos Choupina.

“O geoparque pediu-nos para associar produtos que nós fazíamos com os minerais da terra, temos os umbiguitos, um bolo com amêndoa que imita o símbolo do geoparque, temos os micaxistos que é massa folhada com alheira, temos as granadas que têm a forma de pedras encontradas no geoparque, fizemos uma mistura de alheira com uma pasta de castanha e chamamos de granadas”, referiu o aluno.

Desde quinta-feira cerca de 28 mil pessoas passaram pela feira da caça e do turismo de Macedo de Cavaleiros. 

Escrito por Brigantia
Olga Telo Cordeiro

Guia da autoria de Edgardo Pacheco foi apresentado em Mirandela

Edil brigantino dá as boas-vindas à comunidade internacional

Com o intuito de estreitar laços e disseminar o sentimento de inclusão, a 13ª edição do encontro da comunidade internacional em Bragança reuniu quase três centenas de pessoas de 24 países.
Decorreu no sábado, dia 28 de janeiro, no restaurante Rota dos Sabores o 13º Encontro Bragança e a Comunidade Internacional. Promovido pela autarquia brigantina, o almoço contou com quase 300 participantes, oriundos de 24 países, seguindo-se uma tarde com atividades culturais envolvendo, ativamente, as diferentes comunidades que marcaram presença no Mercado Municipal.

“Esta é uma forma do município reconhecer a presença dos imigrantes. Uma comunidade com alguma expressão em Bragança, até porque só na parte ligada ao ensino superior temos 64 nacionalidades diferentes”, começou por referir o presidente da Câmara Municipal, momentos antes do repasto ser servido. “Depois, há outras pessoas que vêm trabalhar, algumas delas já se erradicaram em Bragança e que fazem aqui a sua vida, já têm filhos, felizmente, e que representam, também, um contributo para o próprio concelho, quer ao nível do desenvolvimento económico, quer ao nível da dinamização da própria cidade”, exprimiu Hernâni Dias, reconhecendo o contributo da comunidade internacional para o desenvolvimento da região nortdestina.

“Esta é uma forma de integração, das pessoas poderem passar um dia com outros imigrantes que estão no concelho, tratando-se, simplesmente, de um convívio, de um tempo em que as pessoas estão à vontade para partilharem a sua cultura e a sua identidade”, sustentou o anfitrião do encontro da comunidade internacional em Bragança, reiterando que o município a que preside estará sempre "de braços abertos" para os receber.

Após o tradicional almoço-convívio e da atuação da Banda Jota, que interpretou músicas populares portuguesas, alguns participantes cantaram e desfilaram, dando a conhecer alguns dos seus trajes tradicionais.

No XIII Encontro “Bragança e a Comunidade Internacional”, participaram imigrantes e estudantes vindos da Alemanha, Angola, Brasil, Bulgária, Cabo Verde, El Salvador, Eritreia, Espanha, Geórgia, Guiné, Índia, Israel Itália, Lituânia, Marrocos, Moçambique, Nepal, Peru, Polónia, Portugal, República Central Africana, Roménia, São Tomé e Príncipe, Suíça e Ucrânia.

Nesta organização, o município brigantino contou com a colaboração do Instituto Politécnico de Bragança e da sua Associação Académica, da Associação de Estudantes Africanos em Bragança e do Agrupamento de Escolas Emídio Garcia.

TESTEMUNHOS DA COMUNIDADE IMIGRANTE EM BRAGANÇA

Devi Maya Sunar, 29 anos, Pokhara, Nepal

“Estou aqui a trabalhar num restaurante. Já estou em Bragança há dois anos. Gosto muito, as pessoas ajudam e são muito boas. É muito calminha. É muito bom. Estou-me a integrar bem porque tenho muita gente a ajudar-me como a minha professora e os meus amigos. Aprendo português na escola, na Emídio Garcia, a minha professora é a Fátima. Antes sentia muitas saudades de casa, agora já tenho cá o meu marido, o meu cunhado, e já estou melhor”.

Ana Celheiros, 49 anos, Timisoara, Roménia

“Estou aqui em Bragança há 14 anos. Vim de férias e decidi ficar cá. Gosto de tudo nesta cidade. É calma, as pessoas são simpáticas e é uma cidade acolhedora. Já tenho cá a minha família, a minha irmã e os meus três filhos. Neste momento, estou a trabalhar na ASCUDT e é para ficar. Roménia, ainda vou às vezes, mas só de férias”.




Andriy Oliynyk, 30 anos, Lviv, Ucrânia

“Já estou aqui há cinco anos e dois meses, mais ou menos. Já trabalhei para a autoestrada, para o Sr. Quintino, a cortar erva, depois nas obras e, agora, trabalho na Sortegel. Já tinha muitos amigos em Portugal e por isso é que decidi vir. Mas para mim Bragança é a melhor cidade. Quero ficar cá porque gosto muito das pessoas, pessoas boas, dá para falar, muito boa gente. Já tenho aqui o meu pai e a minha mãe há 15 anos e eu vim cá ter com eles e o meu irmão também já está cá”.

Bruno Mateus Filena
in:diariodetrasosmontes.com