sábado, 30 de junho de 2018

Incidente com touro deixa homem gravemente ferido esta manhã em Macedo de Cavaleiros

Um homem ficou gravemente ferido esta manhã, após ter sido atingido por um touro, durante a preparação de uma chega desse género de animal em Macedo de Cavaleiros.
Segundo fonte dos bombeiros, o animal terá feito com que a vítima, que fazia parte da organização da atividade, se elevasse no ar, caindo depois com força no chão, o que levou à fratura da costela esquerda.

Num primeiro momento, desconfiava-se que a queda pudesse ter provocado uma hemorragia interna, o que, após a realização de exames, não se veio a confirmar.

Ainda assim, o ferido foi transportado para o hospital de Bragança pelo helicóptero do INEM, onde se mantém internado.

No local estiveram os Bombeiros Voluntários de Macedo de Cavaleiros, apoiados pela Viatura Médica de Emergência Rápida do INEM (VMER).

A atividade da qual resultou este ferido estava inserida nas festividades da Feira de São Pedro que decorre até amanhã.

Escrito por ONDA LIVRE

Notícias da aldeia - O contrato

Por: Fernando Calado
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Ontem encontrei-o por acaso…lá andava ele junto do quintal…silencioso…discreto…sapo!
… a noite estava quente e acho que resolveu fazer uma pausa na sua rotina de jardineiro e do convívio ameno com as roseiras e morangueiros para se refrescar junto ao poço, na companhia consentida com os humanos de quem guarda alguma reserva e distância.
Já está farto de esperar o beijo transformista…e já não sente o bater do coração da rapariga campesina que pela calada da noite se fazia ao horto…em noite de São João… na esperança que o sapo atarracado e gordo se transformasse no príncipe radioso, tão sonhado em madrugadas quentes e de desejos incontidos…
… também já se cansou da criançada andar a levantar falsos testemunhos, cheios de despropósitos para a personalidade dum sapo que se preze: - “Eu vi um sapo; Com guardanapo: Estava a papar; Um bom jantar”!
… já viram isto?!
O que ele quer… é que o deixem em paz… que o deixem refrescar-se no poço…e continuar pela noite dentro no seu mister de jardineiro.
Entendi as suas razões e ontem com direito a fotografia assinalando o acto solene firmamos o contrato: - Ele pode utilizar o meu espaço agrícola para as suas jardinagens e não paga nada por isso…eu, no bom espírito da torna jeira também não pago nada pelos seus serviços de jardineiro especialista.
…e assim está bem!
Os bons contratos fazem os bons amigos!
…boa noite sapo!...espero que o contrato seja irrevogável!


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

O CAFÉ DE JACU

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
O Jacu, ou Penelope Purpurascens; protagonista deste artigo
                   PRÓLOGO:
Eu, ACAS, nasci e me criei numa fazenda de café, em Cravinhos (SP), região de Ribeirão Preto, à época alcunhada de “A Capital do Café”. Pois é, leitores, a região de Ribeirão Preto já foi a maior produtora de cafés do mundo! No final da década de 50 e início da década de 60, houve a infestação de uma praga nos cafeeiros, chamada de “ferrugem”, que se dizia de origem africana. O vírus, por assim dizer, se instalava nas raízes dos cafeeiros e ia comendo a planta por dentro: primeiro as raízes, depois o tronco e por último os galhos e ramos novos. Tentou-se de tudo para combatê-lo, porém a ciência foi vencida naquela oportunidade. 
A meu ver, faltou experiência dos governantes e vontade política de gastar algum dinheiro com a contratação de cientistas, para a execução de pesquisas dentro e fora do país, para conhecer melhor e combater a praga que nos assolava.
A única solução encontrada foi a mais drástica possível: a erradicação dos cafeeiros, todos. Arrancados os cafeeiros, ainda tinham que queimá-los, pois os “vírus” sobreviveriam de outra maneira, ocultando-se no solo de massapé roxo e nobre da região, oriundo de aluvião vulcânico. Dessa maneira, muitos fazendeiros perderam as rédeas de comando, pois não sabiam dirigir outro tipo de cultura. Hoje, a região é considerada a mais promissora do Brasil, tendo ali surgido burgos agrícolas muito ricos, que são os maiores produtores do mundo de etanol originário da cana-de-açúcar, além de produzir muito açúcar e suco de laranja, que abastecem a maioria dos países do hemisfério norte, incluindo-se aí os Estados Unidos da América, que é o maior rival nessa competição, porém os EUA vivem às voltas com as nevascas, que frequentemente dilaceram com a sua produção, ao passo que no Brasil este fenômeno não existe; aqui é sempre primavera e verão o ano inteiro (na maior parte do país), sendo que na região entre São Paulo e Paraná, temos com certa frequência a precipitação de geadas, especialmente entre os meses de junho e agosto que, se não é época da floração dos cafeeiros, é quando as gemas das flores se formam nos ramos; com isso a quantidade de frutos é menor, pois muitas dessas “gemas” não vingam. As geadas “queimam” as copas dos cafeeiros, o que faz com que os novos ramos, os “brotos”, não vinguem e com isso a quantidade de frutos diminui, além de afetar os tamanhos dos grãos e etc. 
Com a “desistência forçada, devida à erradicação pelos motivos alavancados acima,” o estado de São Paulo perdeu a hegemonia; assim como o estado do Paraná (região de Londrina), pois além da “ferrugem”, havia o problema das geadas, fenômeno natural e impossível de demovê-la dos efeitos nefastos à cafeicultura, estes dois estados foram perdendo espaço na produção de café para os estados que estavam pouco mais ao norte, fora da “zona temperada”, onde a praga da ferrugem não havia chegado e onde, por ser montanhoso, havia muito menor ocorrência de geadas; os estados de Minas Gerais e Espírito Santo passaram então, a serem os maiores produtores de café do Brasil. Para quem não sabe, numa região onde ocorre geadas (espécie de neve, finíssima), a maior concentração acumula-se nas baixadas e grotas e é tido como verdade entre os cafeicultores que, à cada cem metros de desnível, a temperatura cai dez por cento, ou seja, para cada desnível de 100 metros, a temperatura cai 10º C. Mesmo o Brasil tendo perdido a hegemonia da produção (e principalmente comercialização) de café para a Colômbia, aqui ainda se produz muito. Com a globalização, surgiram possibilidades de mercado para novos e sofisticados produtos, para uma clientela cada vez mais exigente: os cafés orgânicos e os do tipo “gourmet”. Eu sei como se planta um cafeeiro em viveiro, como se espera o tamanho ideal para transplantá-lo para a cova definitiva, como fazer o transplante, como adubá-lo, cultivá-lo e protegê-lo, como colhê-lo, os métodos de secagem até atingirem o ponto certo para o beneficiamento, a estocagem, como torrá-lo e sem dúvida gosto de saboreá-lo; principalmente! E gostando de tomar um café delicioso, acabei por tomar conhecimento da existência de um tipo de café que julgava que não existia e que jamais iria existir: o “café de Jacu”; tema central deste artigo.


Embalagem para exportação do Café de Jacu (atual) – mote deste artigo
- Em 2007 foi anunciada a existência de um café para lá de especial em um filme produzido em Hollywood, pleno de sofisticação e riqueza, onde um dos protagonistas, Jack Nicholson, dentre outras excentricidades, adorava tomar um café provindo da Sumatra, na Indonésia. Tal café, antes da torrefação, teria sido comido por um pequeno animal mamífero e natural daquelas terras, o “civeta” e que depois de defecado pelo animal, era então recolhido e processado. Tal café tinha qualidades únicas e valia todo o dinheiro possível para comprá-lo e saboreá-lo. Era o “Kopi Luwac Coffee”, o café mais raro e caro do mundo. Este personagem tinha até uma cafeteira especial, na qual só era feito esse café especialíssimo. O outro personagem e protagonista, vivido pelo Morgam Freeman, era ao contrário, um homem de hábitos simples e vida modesta. O mote do filme é sobre a avaliação de toda uma vida e o comportamento humano, sob a ótica de duas pessoas diametralmente diferentes. O filme, que foi intitulado no Brasil de “Antes de Partir”, cujo título em Inglês é “The Bucket List”, mostrava este comportamento aparentemente antagônico entre os dois astros de cinema. Neste filme foi mencionado pela primeira vez este tipo de café e o processo, no mínimo curioso, de parte de seu processo de preparo ter incorporado a “maturação no estômago de um animal”. Há de se observar que tal “café especial” já era produzido pelo menos há uns quatro anos, antes do filme (desde 2003).
No Brasil, em agosto de 2008, começou-se a comercializar o “café de jacu”, que é a versão brasileira do café mais caro do mundo - o Kopi Luwak (como já dito acima, o Kopi Luwak é o café mais caro do mundo e o animal envolvido é um tipo de gato - ou gambá; o civeta). O café que ele come acaba saindo no estrume.
Portanto na Indonésia, há um gambá (civeta), "preparando o café"; no Brasil, há uma ave (jacu), fazendo a mesma coisa! 
Espécie nativa da mata atlântica, o jacu (nome popular da espécie "Penelope Purpurascens", da família "Gracideae", uma espécie de peru selvagem, que se alimenta de insetos, folhas e frutos, incluindo aí o café). Sua espécie não gosta muito de se mostrar em campo aberto - vive mais metido dentro da mata, a ponto de haver um verbete que o identifica com o caipira que nunca vai à cidade: este também é chamado de jacu, por não gostar muito de mostrar-se.
Na cafeicultura brasileira, hoje em dia, a maior novidade - ou a mais extravagante - vem do Espírito Santo, esse estado campeão atual de café, com a referência básica do conilon e, cada vez mais, também dos cafés especiais, ou "cafés gourmê"; desses que se vende mais por quilo do que por saca e que, no começo era assunto só de São Paulo e Minas; produtores tradicionais. 
O "café de jacu", como partícipe do processo de café "gourmet", foi descoberto por Henrique Sloper, proprietário da Fazenda Camocin, situada no distrito de Domingos Martins, no Espírito Santo. 
A Fazenda Camocim, com cerca de 300 hectares de café e eucalipto, com boa parte da área ainda de mata nativa, foi pioneira na produção do "café de Jacu". A Fazenda Camocim fica no alto da montanha. A circunstância de ser região do Espírito Santo e produtora de café de montanha; a altitude é um dos pressupostos da qualidade do café. Toda a produção desta fazenda é de café arábico orgânico. O jeito de colher café da fazenda é diferente do convencional por duas coisas:

-Primeiro; o café não vai ao chão. Ele é colhido em cima de um pano (por Deus, eu ACAS fiz isso muitas e muitas vezes), daí vai direto para a peneira e só se colhe o grão cereja (maduro), ou o seco; o café verde fica no pé, aguardando o ponto certo de maturação.

- A outra diferença, é que em determinada hora o colhedor deposita a peneira debaixo do pé de café (pára de trabalhar), abandona os panos e sacaria e sai pela rua (fileira) de cafeeiros caçando, campeando; procurando outro tipo de grão: o grão de café que o jacu comeu ainda ontem... .

Em 21 de setembro de 2008, a reportagem da TV Globo encarregou o jornalista laureado, José Hamilton Ribeiro, paulista de Santa Rosa de Viterbo e o câmera-man Jorge de Souza para filmar o jacu para o programa “Globo Rural”. A tarefa deles era mostrar que os jacus comem café e ainda fazem todo o resto do serviço. O Globo Rural mostrou: os jacus estavam por toda a parte, em volta das árvores, fazendo até aquela zoada lá dentro da mata. Um deles se coça, outro jacu, pousado na palmeira fica espiando... .
Para demonstrar mais facilmente ao jornalismo da TV Globo, o próprio administrador da fazenda colocou em campo aberto (para serem filmados), galhos e mais galhos do cafeeiro com os frutos maduros. E os jacus comeram mesmo, com gosto e apetite, segundo o José Hamilton, que afirmou então:

-Em cerca de quinze minutos, cada jacu foi aos galhos, pelo menos quinze vezes! O jacu engole o grão de café maduro, para aproveitar a polpa e o mel; o grão de café em coco tem mesmo que sair e só pode ser mesmo na forma de “’pé de moleque”: cada coco de café grudado a outro, através da resina das próprias fezes da ave. Então, o ciclo se fechou!

O Henrique Sloper de Araújo, que é formado em “comércio exterior” numa universidade dos Estados Unidos e dono da fazenda Camocim, é quem afirma:
- Em 2006, parte da plantação foi invadida por jacus — aves de porte grande, que se alimentam de frutos e habitam florestas tropicais. Embora bem-vindas, pois a fazenda desenvolve a agricultura orgânica, a partir de princípios biodinâmicos de manejo da terra e cultivo do café, a quantidade de aves impediu a colheita num pequeno vale da fazenda. Ocorre que ainda e para piorar, o jacu começou a migrar das matas para comer o café; então começou a dar prejuízo. Então, os fazendeiros pediram autorização para o IBAMA para matar esses jacus. Enquanto aguardavam a autorização, tiveram a informação do café da Sumatra! Então, eles começaram a processar o “café de jacu” para fazer um teste. 
A resposta ao teste veio depressa e foi muito animadora, portanto o teste deu certo!
Segundo o que o Sr Sloper relatou ao jornalista José Hamilton, “...não dava para colher o café com cerca de quarenta, cinquenta jacus em cada pé...”. 
Diante do impasse, Sloper buscou a ajuda de vários especialistas, mas acabou encontrando, sozinho, uma curiosa solução. Observando a festança dos jacus, ele se lembrou do filme em que se falava do Kopi Luwak — o café mais caro do mundo, produzido com grãos comidos pelo civeta, um mamífero indonésio parecido com o gambá brasileiro(vide relato acima). 
Observou que o jacu vem de manhã cedo, durante a madrugada e como o cafezal é todo rodeado de mata, ele vem e come o café. O jacu come o grão maduro no pé; o organismo da ave aproveita a polpa e o mel e descarta o fruto descascado, que sai no estruminho dela, como se fosse um pé-de-moleque (doce brasileiro feito de rapadura derretida com amendoins torrados).
Segundo o repórter José Hamilton, se pegarmos as fezes do jacu na mão, podemos afirmar uma coisa: ela não tem cheiro! Para colher o café de jacu, os empregados da fazenda Camocim vão vagueando entre os pés de café da fazenda, recolhendo as fezes do jacu com uma tipoia, uma espécie de embornal. Eles vão catando os cocôs, separando os mais “bonitos” (grãos maiores) e colocando dentro do embornal. No chão do cafezal, grãos inteiros de café apareciam no estrume deixado pelas aves. O organismo da ave aproveita a polpa e o mel, descartando os grãos de café, que, sem o pergaminho, se apresentam com as suas metades verdinhas, inteirinhas. Então, depois de lavados, basta completarem o processo: secar, beneficiar, torrar e moer os grãos para servir um dos cafés mais apreciados e caros do mundo, no caso brasileiro, o Café Jacu! 
(Lembro que, tal como ocorre no Brasil, no povoado de Sumatra - na Indonésia, onde os grãos são cultivados, os aldeões coletam e processam as fezes).


Este é o CIVETA, originário da Ásia, uma espécie de gato do mato (gato de algalha), ou gambá, ou doninha: ou então o pequeno mamífero que faz a riqueza de muitos indonésios.
Segundo especialistas, é a combinação de grãos e sucos gástricos destes civetas que dá ao Kopi Luwak o sabor e aroma que são únicos. Não existem registros precisos sobre a história do Kopi Luwak, mas acredita-se que sua origem data de cerca de 200 anos atrás, quando os colonizadores holandeses iniciaram plantações de café nas ilhas de Java, Sumatra e Sulawesi, onde hoje é a Indonésia. No caso do "café de jacu", brasileiro; praticamente toda a produção (~95%) vai para o mercado externo (especialmente Tóquio, Berlin, Londres, Paris e Costa Oeste dos Estados Unidos) e uma pequena parte é vendida no Brasil (~5%), principalmente nas capitais. E este café agora tem a ver com uma realidade do Espírito Santo, onde começou toda a história, tornando o Estado do Espírito Santo ainda mais conhecido internacionalmente, o quê revoluciona a produção de cafés especiais. O Café de Jacu, sucesso comercial no exterior, tem ajudado a impulsionar as vendas do café orgânico Camocim, com certificações de instituições nacionais e internacionais. Iniciada de forma experimental, a produção do novo café passou a ser planejada no ano seguinte, tendo em vista o mercado internacional, no qual Sloper encontra comprador certo, disposto a pagar “ouro” por lotes pequenos (pacotes de 0,250 kg) e não por sacas de sessenta quilogramas, como o café comum. Assim é exportado o café de jacu, ou, ou melhor, do já famoso "Jacu Bird Coffee". 



OPINIÃO DE QUEM ENTENDE MUITO DE CAFÉ
Na opinião do sommelier Ariel Pérez, da Casa do Porto, o Café Jacu é uma recompensa da natureza às pessoas que vivem em harmonia com o meio ambiente, respeitando a biodiversidade do planeta. Para ele, Henrique Sloper é um assistente da natureza e os jacus, uma dádiva. 
O tal café que vem nas fezes do jacu é muito bom. Harmonioso, equilibrado e tem uma acidez desejada. Deixa um sabor residual muito agradável na boca. Lembra fruto maduro, adocicado. Fica um creme na xícara depois que acaba. Enfim, é um café maravilhoso, para degustar como se estivesse tomando uma raridade, descreve Marcos Aurélio Bacceti, produtor, corretor e degustador de café para fins comerciais e de pesquisa. Ele já havia experimentado a bebida em São Paulo. 
A bioquímica Maria Brígida Scholz, pesquisadora de café do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), tomou o café-jacu pela primeira vez e também aprovou. ''Esperava que fosse um bom café. E realmente é. É muito doce, com acidez aceitável, bem agradável. O ponto de torra é suave, muito aromático'', afirma ela, que também é degustadora oficial de café. Segundo Brígida, trata-se de um café super selecionado, já que o jacu escolheu no cafeeiro os melhores frutos e bem maduros.
Em tal entrevista, o repórter José Hamilton perguntou à Brígida, se depois de beneficiado o café de jacu fica diferente; respondeu ela que o aspecto é o mesmo de um café comum. E assim entendemos que do mesmo pé de café, podemos obter dois tipos de café gourmê: aquele em que se colhe somente os grãos maduros de café e o café de jacu, que o processa no estômago. O primeiro é colhido no galho do cafeeiro, o outro no chão, onde o jacu defeca.
A procura pelo café de jacu é imensa; não há o suficiente para todos interessados.  E não existe preço fixo. Os preços são ditados através de um leilão que Sloper faz pela internet, uma vez ao ano: o preço é aquele que chegue onde o Sloper quiser.

PARECER DE UM PESQUISADOR
-Você tomaria uma bebida feita com fezes de animal? Antes de responder, saiba que é esse o ingrediente especial do café mais raro, saboroso e caro do mundo, o Kopi Luwak, originário da Indonésia. Essa, digamos excentricidade do café sempre foi considerada uma lenda urbana, até que um estudo realizado pelo pesquisador italiano Massimo Marcone, em 2004, confirmou o que deve ter feito o estômago de muitos apreciadores da iguaria revirar. Os preciosos grãos são mesmo processados pelo sistema gastrointestinal e depois retirados dos excrementos da civeta, um mamífero parecido com um gato, que não existe no Brasil (na Indonésia, as palavras Kopi e Luwak significam, respectivamente, café e civeta). O animal come somente os frutos mais doces, maduros e avermelhados do café, cujas polpas são digeridas pelo seu organismo, com exceção dos grãos, que são excretados junto com suas fezes. E é justamente essa produção limitada dos grãos (menos de 230 quilos por ano) o motivo de sua raridade, preço alto (cerca de mil dólares o quilo) e sabor inigualável, garantem os apreciadores. Quanto ao sabor, o pesquisador completa: “...Uma mistura de chocolate e suco de uva. Menos ácido e amargo do que os cafés comuns”!

Pesquisa valiosa: ENZIMAS, BACTÉRIAS E FEZES
O pesquisador explica que à medida que o grão passa pelo sistema digestivo do animal, ele sofre um processo de modificação parecido com o utilizado pela indústria cafeeira para remover a polpa do grão de café, mas que envolve bactérias diferentes das usadas pela indústria, além das enzimas digestivas do animal. É isso que dá ao Kopi Luwak seu sabor característico inigualável. Mas esse processo um tanto quanto esquisito de produzir café não representa riscos à saúde? “Os resultados dos testes que fiz em meus trabalhos mostraram que a bebida é perfeitamente segura”, garante Marcone. 
É nessas ilhas que vivem as civetas, que começaram a se alimentar da planta. Para evitar o desperdício, os plantadores de café começaram a coletar os grãos que saíam intactos das fezes dos animais. Em algum momento alguém resolveu experimentar essa variedade aparentemente pouco apetitosa e descobriu o que hoje é considerado o café mais saboroso do mundo.

DADOS ECONÔMICOS
Segundo o senhor Henrique Sloper, dono da fazenda Camocim em entrevista ao repórter José Hamilton, a diferença básica da produção do café do jacu e do café do civeta é o processo digestivo do animal, O café do civeta, como é digerido por animal parecido com um de gato ou gambá, portanto um mamífero tem a digestão mais lenta, portanto sua capacidade de produção é menor. Já “o café de jacu, por ser uma ave e por ter a digestão muito mais rápida, produz mais quantidade de café em menor tempo”, explica o dono. Unindo essa resposta com um pouco mais de lógica eu, ACAS, deduzo que o tempo maior sujeito às enzimas pode dar maior qualidade e sabor ao café, de um em relação ao outro. Daí, a diferença nos preços, mesmo sabendo que os brasileiros empenhados nesse mistér ainda estão no começo do processo e ainda podem incorporar pesquisas neste campo, que considero promissor, sob todos os aspectos. O Sr. Henrique Sloper produz, em média, 100 kg por ano, vendidos em embalagens de 250 g por R$100,00 cada (USD 25.00).
Em algumas cafeterias de São Paulo (SP), podemos encontrar esses cafés especiais, o Kopi Luwac custava, em 2009, R$ 25,00 (USD 10.00) por xícara, enquanto o café de Jacu custa R$ 10,00 (USD 4.00); exatamente o mesmo preço que é cobrado em Londrina (PR). Os preços pesquisados por mim mostrados abaixo, levam em consideração pesquisas locais que fiz e informações de artigos já publicados a respeito. Pode haver variações conforme a região, seja por locais de venda mais sofisticados, seja pela distância dos produtores ao cliente final. Enquanto os cafés Kopi Luwak (da Sumatra- Indonésia) custa cerca de US$ 1000 (ou R$ 2500,00) o kilogramo, nosso café do Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, (torrado e moído) do tipo “Blend” (formado por “conilon e robusta”, principalmente, mais palha de café, chicória ou milho torrado) custam em média cerca de R$ 9,00 (ou  ~US$ 4.00) o kg e os cafés tipo Gourmet, formado por arábico ou bourbon, catado no chão – “derriça”) atingem R$ 18,00 (ou US$ 7.50) por kg, ou bourbon catado no pano, o “café orgânico” (Cerrado Mineiro; Sul de Minas; Aralto ou Mogiana), todos eles de Minas Gerais, com exceção do Mogiana, de São Paulo, provavelmente de Cravinhos, minha terra natal), atingem o valor de R$ 51,00 (ou US$ 25.50) o kg. O café de Jacu, já foi negociado a R$ 400,00 o kg (ou US$ 200), o que já nos parece como algo promissor, enquanto não se consegue uma produção maior, pois como afirmou o principal produtor deste tipo de café, “...não existe um preço definido para o café de jacu”!

(Todos os preços acima se referem ao ano de 2009). Em 2016, 250 g do café, custava R$ 250,00!

CONSTATAÇÃO E CONCLUSÃO
O café de jacu, ou “jacu bird coffee”, está chegando a todos os lugares do Brasil, onde quer que se tenha mercado comprador. Nas cidades, o café só é servido na forma de espresso por máquinas. Eu não tive nenhuma notícia de que alguém o tenha provado, coando-o pelo processo usual em todo o Brasil: passados por coador!
Admito, no entanto, que deva ser tão bom quanto na forma de espresso. Aliás, para mim, ACAS, este fato é importante, pois a lenda do café, conta que o árabe que bebeu café pela primeira vez afirmara que quis tomar o café, porque havia notado que suas cabras ficavam mais ativas e saltitantes cada vez que comiam grãos de café maduros. No entanto, os jacus mantinham-se calmos após saborear os grãos maduros de café.

Brincadeiras à parte, a mesma Fazenda Camocim começou a produzir a partir de 2011, o café de cuíca (um roedor de pequeno porte e rabo comprido); mas isso é assunto para outro artigo.

Referências
- Algumas das informações aqui passadas, foram extraídas de textos dos seguintes jornalistas: José Hamilton Ribeiro, (São Paulo-SP), Patrícia Lapertosa (Belo Horizonte- MG). Muitos outros artigos de outros jornalistas foram lidos, porém pouco ou nada de novo adicionaram a este texto. Demais informações foram emitidas pelo próprio autor deste texto.


Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos.  É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos” e quatro em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”. 

UMA “SANTA” PORTUGUESA, VENERADA EM SÃO PAULO

Por: Humberto Pinho da Silva
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
Menina Izildinha
A cada passo deparamos com notícias sensacionais, declarando: que algures, jovem, geralmente humilde, viu ou recebeu revelações, de anjos ou da Mãe de Jesus.
Em regra são embustes e ilusões, ou autossugestão patológica; ms há, as que levantam sérias dúvidas, mesmo não confirmadas positivamente. Encontram-se, nesse caso, entre outras, a aparição de Barral – Ponte da Barca.
Todavia, mais numerosos, são os cadáveres incorruptos. Corpos encontrados intactos, após anos de serem sepultados.
O povo – que em tudo vê mistério, – logo considera o fenómeno, prova de santidade. Por esse Portugal fora, não faltam “ santinhas”, “ canonizadas”, apenas por não haver vestígios de corrupção.
Entre eles, temos o caso de Carmina Lara (cemitério de Arzila - Coimbra) e de Maria Adelaide – Arcozelo.
Muitas vezes, as “ santinhas”, foram, e são, exploradas por astuciosos, que aproveitam a boa-fé e a ignorância religiosa do nosso povo, para usufruírem vantagens.
Relata, agora, o jornal: “ Maria da Fonte” de 02/02/2018, o interessante caso da “santa” Izildinha, venerada em Monte Alto (SP) – Brasil; mas natural da Povoa do Lanhoso (17-06-1897).
O pai, funcionário público, fora transferido para Guimarães, e, naturalmente, a filha – ainda criança, – acompanhou-o.
Tempo depois de estarem instalados nessa cidade portuguesa, a menina, ficou gravemente enferma, e, segundo o atestado de óbito, faleceu de leucemia.
Nada, até aqui, é digno de registo.
A mocinha ficaria, certamente, tranquila na sua sepultura, se não fosse o caso do irmão, ao emigrar, em 1950, para o Brasil, fazer questão de a levar. 
Devo esclarecer o leitor, que a justificação, apresentada, foi a do corpo se encontrar incorrupto. Não só o corpo, mas as vestes e as próprias flores, que a acompanharam no funeral, permaneceram intactas.
Chegado a Santos, logo tratou de levantar capela, onde colocou o corpo da irmã (31-08-1950).
Rapidamente se espalhou a notícia. Populares, curiosos, e futuros devotos, foram visitar a capela, solicitando favores e graças, para os males que os atormentavam.
Entretanto, decorreram oito anos (1958). O irmão da “santa” transformou-se em abastado negociante, obtendo o honroso título de Comendador.
Por esse tempo, o irmão de Izildinha, assentou montar fábrica de produtos alimentícios, em Monte Alto (SP). Com ele, levou o corpo da irmã. Ergueu, então, em Monte Alto, sumptuoso túmulo, onde a colocou (a transladação ocorreu em 1958).
A “santidade” de Izildinha espalhou-se pela cidade, e muitos devotos asseveravam terem recebido graças, por sua intervenção.
Mas, nos anos sessenta, o Comendador, teve que vender a fábrica, e como pretendia residir em São Paulo, e não querendo separar-se da irmã, tratou de a transladar para essa cidade.
Mas o povo estava acostumado a ter a “santa” na sua cidade, e tanto protestou, tanto barulho levantou, que foi preciso resolver o assunto, na justiça.
Terminou a contenda, o tribunal, determinou (06-05-1964): que o corpo venerado em Monte Alto, deveria pertencer à cidade e não á família.
Não teve, o Comendador, outro remédio, senão obedecer à justiça. Quando faleceu, o irmão de Izildinha, foi sepultado no jazigo, em São Paulo, que mandara construir para a irmã.
A rocambolesca história, terminaria aqui, se não fosse o deputado Valdemar Corauci Sobrinho, ter conseguido que a festa, em honra de Izildinha (17 -Junho) fosse mencionada no Calendário Turístico do Estado de São Paulo.

As biografias da menina Izildinha, que consultei, têm ligeiras divergências. Por a considerar mais crível, utilizei a do conhecido jornalista José Abílio Coelho, publicada in: “ Maria da Fonte” – jornal centenário de Póvoa do Lanhoso.

Humberto Pinho da Silva, nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA.Foi redactor do jornal: “Notícias de Gaia"” e actualmente é o responsável pelo blogue luso-brasileiro: " PAZ".

sexta-feira, 29 de junho de 2018

PROIBIDO FALAR PORTUGUÊS!

A cada dia que passa a nossa, velhinha, língua fica mais "apagada", insultada, vilipendiada e ignorada.
A partir de hoje, o Memórias...e outras coisas... BRAGANÇA, vai fazer tradução para Português dos estrangeirismos que são escritos em espaços virtuais com principal incidência em espaços de Instituições e Organismos Estatais aos quais compete cumprir e fazer cumprir a obrigação de falarmos e escrevermos a língua de Camões...
Apesar da vida estar difícil para todos, as traduções serão feitas gratuitamente.
Não vou dar tréguas!


O convívio e partilha reuniram mais de duas mil pessoas no Santuário de Santa Ana, em Meixedo

Exposição de Fotografia de Alice Cordeiro

Exposição Coletiva - Três Artistas Três Olhares

O Impacto do Ensino Superior na Sustentabilidade das regiões de Baixa Densidade

Inauguração da Exposição "Viagem a Norte da História" - Instrumentos Musicais Tradicionais e Trajes Regionais

Grupo de Cantares de Sendim - L'Alma e a Tuna Académica da Universidade Sénior de Miranda do Douro

Comemorações do Dia da Cidade de Miranda do Douro

Podas severas de árvores em espaços urbanos pelas autarquias

Cada árvore é uma fábrica de oxigénio, criando um ambiente mais saudável ao homem nos aspectos físico e psíquico. Mirandela ensaiou uma política de boas podas no tempo do Presidente José Silvano e que nos enchia de orgulho. Depois de eu ter criticado as podas camarárias de então, alguns podadores camarários tiveram formação. Logo a seguir, as podas das árvores dos parques e ruas da cidade melhoraram muito. Pena é que com a sua saída da Presidência, os podadores municipais tivessem voltado às podas que me envergonham e não são um exemplo para ninguém. Muito me alegraria se a actual equipa camarária desse, ao responsável pelos espaços arbóreos, formação para melhor se cuidar das árvores em espaços urbanos e por sua vez essa competência fosse «passada» para os podadores municipais. Mirandela, como diz o dito, «ou escalda ou péla» e corta o coração, no tempo quente, vermos as árvores com podas severas, em vez de serem fonte de frescura e de um ar mais saudável.
O saudável tratamento das copas das nossas árvores dão uma melhor imagem de urbanidade da cidade. Se uma árvore, ao longo da sua vida, for bem tratada ela sabe como deve estender as suas raízes para estar em segurança, mesmo em dias de intempéries. São os cortes severos (para não dizer bárbaros) que tornam as árvores vulneráveis aos fungos que lhe vão corroendo o lenho e ao sofrerem cortes brutais elas deitam tufos de ramos que se tornam barreiras intransponíveis aos ventos e contribuindo para alguns estroncamentos e quedas.
Se quiserem ver árvores exemplarmente bem tratadas, mesmo as que estão junto às casas, vão a Guimarães e peçam apoio aos seus técnicos. Disse-me um dia o ex-Presidente do Município de Guimarães, Alfredo Magalhães, quando lhe dei os parabéns por as árvores dos espaços urbanos da sua cidade serem tão bem tratadas: - as árvores querem crescer em todo o seu esplendor. E são generosas para com os seres vivos, de um modo particular para com o homem.
Se querem ver como árvores de pequeno porte mal tratadas pelos podadores camarários vão, por exemplo, à rua Manuel Pires, junto à estação rodoviária! Digam-me se há algum motivo para aqueles cortes brutais? Ou vão ao largo da Igreja de Lamas de Orelhão, junto ao bom restaurante, Rei de Orelhão, e vejam o estado em que deixaram uma amoreira, que aqui reproduzo a foto! Dava tanto jeito a sua sombra nos dias de canícula que se avizinham!... Depois, se carregasse de amoras, evitaria que alguma fruta fosse comida pelas avezinhas, já que comeriam as suas amoras.

Jorge Lage
in:atelier.arteazul.net

Assembleia Municipal de Bragança envia propostas de investimento ao PNPOT

As propostas de ligação Bragança-Puebla de Sanabria, da passagem do aeródromo a aeroporto regional e a reivindicação da ferrovia vão ser enviadas às entidades que estão a acompanhar o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território.
As propostas que tinham sido apresentadas pelo presidente da Câmara Municipal de Bragança, Hernâni Dias, na última reunião executiva do Eixo Atlântico, foram ratificadas ontem em assembleia municipal.

“Tive oportunidade relativamente a este assunto na última reunião do Eixo Atlântico apresentar esta proposta de discussão e foi aprovada e acolhida. Hoje a Assembleia Municipal deliberou no sentido de enviar estas propostas para quem está a acompanhar o Plano Nacional da Política de Ordenamento do Território para que estes investimentos possam ser incluídos aí”, disse Hernâni Dias.

Sobre o IP2, o presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, terá afirmado na assembleia municipal daquela cidade que o autarca brigantino estaria apenas a defender os interesses de Bragança, alegando que para o distrito seria mais proveitoso a ligação por Vinhais. Hernâni Dias afirma que as prioridades sobre esta ligação já estão definidas.

“Não teço comentários sobre o que o meu colega poderá ter dito sobre esta matéria. O Plano Nacional Rodoviário é claríssimo. O IP 2 passa em Bragança e vai directo a Puebla de Sanabria e é este o plano que existe e não existe outro. Qualquer alteração feita é proposta agora, nesta altura”, acrescentou o presidente da Câmara Municipal de Bragança.

O projecto da ligação do IP 2 entre Bragança e Puebla de Sanabria, já tem mais de duas décadas e chegou a fazer parte do Plano Rodoviário Nacional, mas foi deixado devido aos alegados obstáculos ambientais. Estas são as propostas de alteração ao PNPOT, o documento orientador das estratégias de desenvolvimento territorial até 2030, elaborado pela Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte.

Escrito por Brigantia
Carina Alves

Hora do Conto - O Sonho de Mateus

A EMIGRAÇÃO NO CONCELHO DE BRAGANÇA

A emigração dos bragançanos, como dos habitantes do Distrito de Bragança – para além das migrações temporárias para Espanha –, foi muito reduzida até à segunda metade do século XIX. Ainda em 1843, a Junta Geral do Distrito referia que a região era “pouco sensível à emigração”, não podendo, assim, responder ao inquérito nacional da emigração que então foi realizado.
Por outro lado, verificamos que, enquanto os governos civis do Norte de Portugal, desde a sua constituição em 1835, passaram a dispor de livros de registo de passaportes – uma vez que a emissão destes constituía uma das atribuições dos governadores civis –, em Bragança, tal só aconteceu a partir de 1844, ano em que se regista a emissão de um passaporte. Entre 1844 e 1852, registam-se escassíssimas concessões de passaportes no Concelho – o que não quer dizer que não tivesse havido negligência por parte dos serviços do Governo Civil no registo dos que emigravam, que alguns dos seus habitantes saíssem clandestinamente do País, ou obtido o seu passaporte noutro Governo Civil. Neste último caso, podemos aventar a hipótese de que, numa primeira fase, dar-se-ia uma migração interna, com a deslocação de habitantes de Bragança para o Alto Douro, Porto ou Lisboa, para, numa segunda fase, abandonarem o País.
Tendo em consideração os livros de registos de passaporte do Distrito de Bragança entre 1844-1910, ou seja, durante o Constitucionalismo Monárquico, emigraram oficialmente do Concelho de Bragança 2 150 pessoas.
Analisando a sua distribuição anual, não é difícil fazer uma leitura económica deste fenómeno. Assim, só a partir de finais da década de 1880 é que o número de emigrantes do Município começou a ganhar algum relevo, facto que tem a ver, necessariamente, com a grave crise económica que se abateu sobre o Concelho e o Distrito, como veremos na parte desta obra destinada à economia – o afundamento da indústria das sedas na década de 1870 não parece ter atingido particularmente Bragança, mas a destruição dos seus vinhedos pela filoxera, na década de 1880, afetou duramente o seu campesinato. Vai ser neste contexto que, em 1889, pela primeira vez, surgirá uma Exortação Pastoral Relativa à Emigração, do prelado da Diocese de Bragança-Miranda, D. José Alves de Mariz – a qual, embora sugerida pelo Governo, traduz pela primeira vez a preocupação da Igreja quanto a tal fenómeno –, procurando dissuadir os seus fiéis a não deixarem a terra, a família e os seus bens, a não partirem para terras desconhecidas, onde, segundo ele, os esperavam as doenças, o abandono, a pobreza, a solidão e, quantas vezes, a morte. O segundo pico detetado nesta estatística entre 1907-1910 – apesar de os efetivos registados nos anos de 1903 a 1906 terem várias lacunas –, explica-se pela grave crise económica que o Município e toda a região atravessaram, denunciada pelo jornal Nordeste e pelos relatórios do governadores civis de Bragança, mas tem a ver, sobretudo com a chegada do caminho-de -ferro em Bragança, em 1906.
A partir de então, a integração de Bragança na rede ferroviária nacional não traduz apenas a inserção do Município no mercado nacional, definitivamente estruturado.
Traduz também, quanto à emigração, o acesso direto ao cais de partida – portos de Leixões e Lisboa, mas, também, o aumento do número de engajadores na Cidade e de toda uma publicidade que exaltava os benefícios da emigração.



Entre 1906-1910, saíram de Bragança mais de 1 000 pessoas, ou seja, quase 50% do número total de emigrantes registados entre 1844-1910 (Quadro n.º 26).
Note-se que, no conjunto destes anos, a proporção entre titulares de passaporte e respetivos acompanhantes é de cerca de 1,4 para 1, isto é, o número total de acompanhantes aproxima-se bastante do número total de titulares. Estes valores expressam, assim, uma migração de cariz familiar, ou seja, ao contrário do que acontecia noutras regiões do País, não é tão significativo o número daqueles que partem sozinhos, deixando para mais tarde (ou para nunca) a reunião familiar (Gráfico n.º 8).
A distribuição da emigração anual do Município por meses (Gráfico n.º 9) revela-nos que o máximo de saídas se verificava em setembro e outubro, ou seja, após a faina agrícola do verão, depois das vindimas, nomeadamente no Alto Douro, para as quais os trabalhadores rurais do Alto Trás-os-Montes eram convocados.
Se tivermos em consideração a distribuição dos emigrantes do Município por género (Gráfico n.º 10), verificamos que os requerentes ou titulares de passaporte são maioritariamente do género masculino, e que as mulheres e crianças integram por norma o passaporte do marido ou de um familiar.



Quanto ao estado civil dos titulares de passaportes, observa-se que a maioria dos homens que emigram é solteira. Contudo, sabemos que a partir de finais do século XIX, a saída de homens casados, acompanhados da família, aumenta gradualmente (Gráfico n.º 11).
A sua distribuição por grupos etários revela uma forte emigração familiar, uma vez que o número de crianças e jovens até aos 14 anos, ou seja, aqueles que integravam o passaporte familiar, enquanto filhos dos titulares, corresponde a 55% do total dos acompanhantes. E dos restantes 45%, trata-se, na sua esmagadora maioria, das cônjuges dos titulares (Quadro n.º 27).
Quanto aos titulares de passaportes, verificamos que estamos perante uma emigração jovem, uma vez que 58,6% do seu número total situa-se entre os 20 e os 34 anos (Gráfico n.º 12).


Sob o ponto de vista socioprofissional, naturalmente que, num concelho marcadamente rural como era o de Bragança, desprovido praticamente de indústria, se agruparmos os agricultores, lavradores, jornaleiros e os titulares de passaportes indiferenciados ou sem indicação de profissão – aqueles que se encontravam ligados à indústria ou aos serviços eram sempre bem identificados, profissionalmente, nos livros de registos de passaportes –, chegamos à conclusão de que 81,2% dos titulares de passaportes integravam o setor primário, nomeadamente a agricultura.
Uma análise mais fina das profissões revela-nos que, enquanto a emigração não teve significado, quem saía do Município era gente relativamente qualificada, ligado aos ofícios e ao comércio. Mas, a partir da década de 1880, os que emigram são trabalhadores rurais ou pequenos proprietários, arruinados pela extinção dos vinhedos ou pela usura (Quadro n.º 28).

Emigrantes numa estação transmontana de caminho-de-ferro com destino ao porto de Leixões

Além das profissões indicadas no Quadro anterior, encontrámos muitas outras, com apenas um, dois ou três titulares, como o agenciário, cozinheiro, ferrador, ferreiro, marceneiro, professor, aguadeiro, artista, caiador, canteiro, carteiro, cavouqueiro, dentista, engomadeira, fiscal aferidor, fogueiro, juiz da relação, marchante, mestre-de-obras, oficial do exército, padre, pintor, reservista, sacerdote, taberneiro, tendeiro. Individualmente pouco representativos, no seu conjunto acabam por traduzir a riqueza socioprofissional que existia na região.
Quanto ao destino dos emigrantes bragançanos, não surpreende que 92% deles se dirigisse para o Brasil, tendo como portos privilegiados de entrada Santos e Rio de Janeiro, e como destino final de trabalho os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. A título de curiosidade, refira-se um “brasileiro”, natural do Município de Bragança – Castrelos –, António do Carmo Pires, que fez fortuna no Brasil e exerceu relevante ação benemérita em Portugal, contribuindo com uma verba importante para a construção do novo hospital da Misericórdia em Bragança. António Pires requereu passaporte em 23 de abril de 1874, para o Império do Brasil. Tinha então 30 anos, era filho de “pais incógnitos e solteiro”.
As saídas para a Europa eram muito reduzidas e esmagadoramente para Espanha. E o mesmo podemos dizer daqueles que partiam para as colónias portuguesas africanas – portanto, mais colonizadores do que emigrantes –, num total de 26 titulares de passaportes, com destino, sobretudo, para Angola (Quadro n.º 29 e Gráfico n.º 13).
Após 1910, a emigração do Concelho de Bragança vai atingir valores muito elevados, em sintonia, aliás, com o crescimento avassalador da emigração portuguesa nos anos que precederam a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Entre 1911-1913, o Distrito de Bragança foi mesmo aquele que registou o maior número de emigrantes.
Não é agora o momento para analisarmos a evolução do fenómeno emigratório no Município ao longo do século XX, uma vez que a sua investigação se encontra totalmente por fazer. Sabemos que o número daqueles que saíram de Bragança acompanhou proporcionalmente a emigração do Distrito, isto é, que baixou durante a Primeira Guerra Mundial, como até 1920-1930, voltou a descer a partir de então devido à crise económica mundial que então surgiu, e manteve-se a níveis modestos até ao final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945).


A partir de meados do século XX, a emigração dos habitantes do Concelho de Bragança recrudesce novamente, agora já não em direção ao Brasil, mas rumo à Europa, destacando-se neste particular Espanha, pela sua proximidade geográfica, mas também França e Alemanha. Incapaz de manter a sua população em condições de dignidade mínima, o Concelho de Bragança viu-a partir à procura da subsistência das respetivas famílias, tornando-se numa das regiões mais repulsivas do País, sobretudo a partir dos anos de 1950.


E assim partiram muitos bragançanos, novos e velhos, homens e mulheres, prontos a recomeçar a vida noutras paragens, cidadãos de um concelho em viagem… Foram à procura da sorte noutras terras, conviver com outras gentes, sofrer a saudade da família e dos amigos, recordar o luar de agosto na aldeia, as malhas, as sementeiras, os amores…!
O Concelho escoava-se no Porto, Lisboa, Paris, Nanterre, St. Denis, Aubervilliers, Champigny, Hamburgo, Berlim, Westfalen, Andorra, Leon… à procura de um pão com sabor a lágrimas. No horizonte permanecia a firme vontade do regresso à sua Bragança natal, como tão bem disse o poeta emigrante bragançano Raul Morais:

Sozinho
Pelas ruas de Paris
Assobio baixinho
Canções de saudade
Do meu País
Aqui trabalho
E por estas ruas
Passeio, quando a noite vem
Envolta em seu manto negro
Tecido ao natural.
Mas não te iludas, França;
Porque só as minhas mãos são tuas;
A esperança, a minha esperança
Essa mora em Portugal.

Em conclusão, podemos dizer que a evolução da população de Bragança foi marcada pelas formas de organização do território que, em Portugal, se caracterizou pelo redireccionamento da ocupação humana do espaço, que privilegiou o litoral em relação ao interior. A ruralidade e o fraco desenvolvimento económico, apesar de algumas épocas de relativa vitalidade industrial, vão abrir caminho aos fluxos migratórios de saída, tanto para o litoral como para o estrangeiro, tornando-os uma constante da história contemporânea de Bragança e condicionando a dinâmica de desenvolvimento do Município e do Nordeste Trasmontano.
Bragança assistiu à debandada contínua da sua população ativa mais jovem, conduzindo-a inexoravelmente a um processo de despovoamento. Motivado por estranhos e insondáveis desígnios, quer o Concelho de Bragança, quer os restantes municípios que compõem o Distrito, não conseguiram fixar as suas populações, transformando-se numa enorme zona de repulsão.
Analisando os diferentes concelhos do Distrito, verificamos que a repulsão populacional foi uma constante a partir de meados do século XX, uma vez que praticamente todos os concelhos do Distrito de Bragança apresentam nos anos de 1951-1960, 1961-1970, 1981 1991, 1991-2001 e 2001-2011, percentagens significativas de repulsão populacional; no único concelho em que se verificou atração populacional na década de 1950 – Miranda do Douro –, tal facto ficou a dever-se, em exclusivo, à construção de três barragens hidroelétricas no Rio Douro, o que fez deslocar para aquele concelho muitas centenas de trabalhadores (Quadro n.º 30).
A repulsão populacional aumentou em todos os concelhos entre 1961 e 1970; os exemplos mais significativos são dados pelos concelhos de Miranda do Douro, que viu, com o final da construção das barragens hidroelétricas, passar de uma atração de 18,8% na década anterior para uma repulsão de 54,8%; de Vinhais, onde aumentou a repulsão de 3,5% em 1951-1960 para 58,7% em 1961-1970; e de Moncorvo, no qual a repulsão populacional mais do que triplicou do primeiro para o segundo período. Estes três concelhos foram responsáveis, entre 1960 e 1981, por cerca de 50% da diminuição da população do Distrito de Bragança, o qual teve, na década de 1960, uma perda de 34 478 habitantes.
A partir de um decréscimo populacional acentuado na década de 1960-1970, a população do Concelho – tal como a do Distrito – aumentou na década de 1970-1980, o que levou a pensar que se estava a inverter o fenómeno deveras preocupante do despovoamento; para este aumento da população não contribuiu, apenas e sobretudo, o regresso dos emigrantes; a grande contribuição foi dada pelo regresso forçado de milhares de residentes nas ex-colónias portuguesas, muitos deles naturais do Concelho e da Região e que aqui retornaram numa primeira fase das suas novas vidas – posteriormente, a grande maioria deste fluxo populacional abandonou a região, fixando-se nas cidades do litoral português ou em países estrangeiros.
Na década de 1981-1991 voltou a acentuar-se a tendência para o despovoamento do Distrito. A nível do Concelho de Bragança, o aumento verificado na repulsão populacional só pode explicar-se por dois fatores, o menor dinamismo dos saldos fisiológicos e/ou dos movimentos migratórios – mesmo que os saldos fisiológicos tivessem diminuído durante aquele período de tempo, tão elevados quantitativos de repulsão populacional têm de assentar na existência de fortes movimentos da população, sejam migrações internas ou emigrações.


Nos dez anos decorridos entre 1991 e 2001, continuou o despovoamento da região de Bragança, incapaz de fixar a sua população por manifesta ausência de atividade económica nos diferentes setores de atividade; as exceções são os concelhos de Bragança e de Mirandela, facto a que não será estranho, por um lado, o crescimento do Instituto Politécnico de Bragança e do polo deste em Mirandela, e por outro, uma certa atratividade destes centros urbanos em relação à população dos restantes concelhos.
Finalmente, na década de 2001-2011, o único Concelho que continua a atrair população é o de Bragança, embora a níveis menores do que os verificados na década anterior. O Instituto Politécnico continua a ser o grande polarizador de população, conseguindo minorar as perdas resultantes da transferência e/ou encerramento de muitos serviços públicos que estavam sediados no Concelho de Bragança; pese embora o facto do polo de Mirandela do Instituto Politécnico ter aumentado o número de alunos neste período temporal, tal não foi suficiente para evitar a perda de população verificada no Concelho de Mirandela. De qualquer modo, a nível do Distrito de Bragança a sucessiva perda de população, com concelhos muito próximos do limiar da desertificação, é calamitosa.
Os resultados do último recenseamento publicado em Portugal mais não fazem do que mostrar o contínuo despovoamento do interior, principalmente das zonas rurais, ainda que o Concelho de Bragança, muito por força da dinâmica da urbe, tenha contrariado esta tendência, registando um saldo migratório positivo.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa