sábado, 9 de junho de 2018

VIVA SANTO ANTÔNIO (de Lisboa e de Pádua)

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
       
                    SANTO ANTÔNIO E OS PEIXES
O Sermão de Santo Antônio aos Peixes constitui um documento da surpreendente imaginação, habilidade oratória e poder satírico do Padre António Vieira, que toma vários peixes como símbolos de algumas virtudes humanas e, principalmente dos vícios daqueles colonos, que são censurados com severidade. Todo o Sermão é, portanto, uma alegoria, porque os peixes são uma metáfora dos homens.

Em Lisboa, Portugal, existem modelos do Santo Antônio em cerâmica, em ferro, em borracha, em papel, em cortiça, em tecido, em madeira, em lã e até em vidro para ver na exposição «Antônio - De homem erudito... a santo popular», patente ao público no espaço cultural "A Arte da Terra".
Numas criações, oriundos de diferentes gerações e correntes artísticas, a imagem de Santo Antônio surge em poses mais clássicas e tradicionais. Noutras, o religioso é retratado sobre vários tipos de veículos: de skate, de bicicleta, de carro, de ônibus elétrico, de burro, de vespa ou até de avião. O resultado final é uma das maiores e mais fascinantes abordagens sobre o culto desta figura. Batizado Fernando de Bulhões, Santo Antônio nasceu junto à Sé de Lisboa, num dia de agosto de 1195. Por volta dos 15 ou 16 anos, tomou o hábito de "cônego regrante de Santo Agostinho". Aos 25 anos, quando já envergava o burel de frade franciscano, recolhe-se como "Eremita nos Olivais" e muda o seu nome para Antônio. No regresso forçado desde Marrocos, onde esteve deslocado devido a doença, uma tempestade desvia-o para as costas da Sicília. Ele manteve-se por terras da Itália, onde se revelaria como teólogo e pregador. As cidades francesas de Toulouse e Limoges foram pontos de passagem até se instalar em Pádua, cidade onde leva a efeito uma série de sermões e se confirma como um dos homens mais cultos da igreja de então. Em 1231, aos 36 anos, morre no oratório de Arcela, sendo canonizado um ano depois pelo Papa Gregório IX, fato que atesta a sua importância como homem. O culto de Santo Antônio tornar-se-ia popular em Portugal a partir do século XV, inspirando até hoje artistas como os artesãos, escultores, pintores e joalheiros que se inspiram nele. Anualmente, a poucos metros da casa onde nasceu Santo Antônio (em Lisboa), são feitas exposições, que têm entrada gratuita e podem ser visitadas, todos os dias, desde o início de junho até o início de julho.

         IMAGEM CLÁSSICA DE SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA (OU DE LISBOA)
O culto de Santo Antônio (nascido Fernando), assim como o de São João, da maneira que é festejada no Brasil, é herança portuguesa. Originalmente ele nada tinha a ver com namorados e casamentos. Na verdade ele era invocado e utilizado seu nome como arma contra perigos iminentes na guerra. Mesmo no Brasil, Santo Antônio era invocado pelos soldados do Império e da República; sendo que em muitos quartéis tratavam-no de “tenente”, “capitão” ou “sargento”. Têm-se notícias de que em algumas companhias do exército brasileiro, o “tenente Santo Antônio” chegou a ter soldo e um ordenança a seu serviço. Atualmente Santo Antônio já não é mais cultuado como militar, mas sim como casamenteiro e “deparador” de coisas perdidas; sendo que nessa esta última “graça”, ele a divide com São Pedro. Os “bacamarteiros” de Caruaru são ainda hoje a prova viva do Santo Antônio militar, embora eles se apresentem nas festas de São João. Com os seus poderosos bacamartes (copiados de modelos de “granadeiras” usadas pelas tropas da Tríplice Aliança na Guerra do Paraguai), eles atiram para o chão e para o alto, com cartuchos de pólvora seca. O fito é de festejar Santo Antônio, militar e casamenteiro, o nascimento de São João Batista e, obviamente, São Pedro.
O Padre Antônio Vieira, à época que vivia no Maranhão, (1656), conforme o historiador Câmara Cascudo), escreveu : ...”Se vos adoece um filho, Santo Antônio; se vos foge o escravo, Santo Antônio; se mandais uma encomenda, Santo Antônio; se esperais o retorno, Santo Antônio; se requereis o despacho, Santo Antônio; se aguardais a sentença, Santo Antônio; se perdeis a menor miudeza da vossa casa, Santo Antônio; e, talvez se quereis os bens alheios, Santo Antônio”.

- Portanto, como se denota, Santo Antônio é um santo para todas as horas e para todos os assuntos; não é à toa que me chamo Antônio: meus pais tinham bom gosto!


Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos.  É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos” e quatro em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”.

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