terça-feira, 31 de julho de 2018

LUTO ACADÉMICO – INSTITUTO POLITÉCNICO DE BRAGANÇA

O Presidente do Instituto Politécnico de Bragança, IPB vem, em nome de toda a comunidade académica, manifestar publicamente o mais profundo pesar pelo falecimento do Diretor da Escola Superior de Tecnologia e Gestão deste Instituto, José Adriano Gomes Pires e endereçar à família e aos amigos as mais sinceras e sentidas condolências. A Instituição solidariza-se com este momento de tristeza, decretando três dias de luto académico, a terem início no dia anterior às exéquias fúnebres.

José Adriano Gomes Pires licenciou-se em Informática de Gestão no Instituto Superior de Línguas e Administração, ISLA, Lisboa no ano letivo de 1989/90. Prosseguiu os estudos na Universidade do Minho tendo concluído o Mestrado em Informática de Gestão em maio de 1995 e o Doutoramento em Tecnologias e Sistemas de Informação em setembro de 2001 e obtido a Agregação na mesma área de estudos em junho de 2013.
Iniciou a sua atividade profissional no Instituto Politécnico de Bragança em 2 de janeiro de 1992, como assistente de 1º triénio da Escola Superior Agrária, na área científica de Informática. Em 1 de abril de 1995 transita para a Escola Superior de Tecnologia e Gestão e em 12 de setembro de 1996 ingressa na categoria de Professor Adjunto na área científica de Informática. Em 14 de janeiro de 2003, após ter defendido provas públicas, ingressa na categoria de Professor Coordenador, sem agregação. Atualmente era detentor da categoria de Professor Coordenador com agregação desde 4 de junho de 2013.
José Adriano Pires também se notabilizou no mundo do futebol. Foi jogador do Grupo Desportivo de Bragança entre 1984 e 1987, em 1990 e em 1994, tendo representado ainda outros clubes nacionais – Salgueiros, Olivais e Moscavide, Mãe d´Água, Clube Atlético de Macedo de Cavaleiros e Mirandês.
Era docente do Departamento de Informática e Comunicações da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, tendo sido o responsável pela criação do bacharelato de Informática de Gestão, a primeira formação do IPB na área de informática.
Foi Presidente do Conselho Diretivo da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de 15 de outubro de 2001 a 14 de março de 2007.
Desde 24 de março de 2010 era Pró-Presidente para a área do Empreendedorismo, tendo de junho de 2007 a esta data sido responsável pelo Gabinete de Empreendedorismo e Inovação. Assumiu um papel de relevo na dinamização do programa de promoção do empreendedorismo dos Institutos Politécnicos Portugueses – POLIEMPREENDE.
Era Diretor da Escola Superior de Tecnologia e Gestão desde 18 de julho de 2017.

Faleceu a 31 de julho de 2018, aos 52 anos.

Homem de 50 anos detido por tráfico

O Comando Territorial de Bragança, através do Posto Territorial de Carrazeda de Ansiães, ontem, dia  30 de julho, deteve um homem com 50 anos por tráfico de estupefacientes, na localidade de Tralhariz, Carrazeda de Ansiães.
No decorrer de uma denúncia, os militares deslocaram-se à residência do suspeito, tendo verificado que este utilizava um terreno baldio, junto da mesma, e tinha plantado uma de cannabis que se encontrava em fase de maturação.

O detido foi constituído arguido, sujeito à medida de coação de termo de identidade e residência e está, neste momento, a ser presente no Tribunal Judicial de Instância Local de Vila Flor.

Leandro Coutinho
in:avozdetrasosmontes.pt

O PROGRAMA NACIONAL DE INVESTIMENTOS 2030 E O REFORÇO DA CENTRALIDADE IBÉRICA DE BRAGANÇA

A presente reflexão ocorre na sequência de contributo apresentado no âmbito da revisão do Plano Nacional de Políticas de Ordenamento do Território, documento indicativo para a execução de políticas públicas. Também pelo facto de estar em curso a revisão do Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas (PETI 3+) aprovado no ano de 2014, para execução no período de programação 2014-2020, agora em atualização, com a designação Programa Nacional de Investimentos 2030, em fase de consulta pública e que visa o contributo do investimento público para uma década de convergência com a União Europeia. 
A execução deste Programa será estabilizada com votação na Assembleia da República para garantir a continuidade dos investimentos, face à alteração de ciclos políticos. Trata-se de um documento essencial para a concretização de investimentos na próxima década, em primeiro lugar pela via do consenso político e em segundo lugar porque ficará ligado à programação financeira do Quadro Financeiro Plurianual, em negociação com a União Europeia para o período 2021-2027. Dependendo Portugal em 85% dos fundos comunitários para a realização de investimento público, fica bem evidente ser importante para Trás-os-Montes dispor de alguns investimentos inscritos nesse Programa, nas acessibilidades, nas infraestruturas agrícolas e outros. 
É essencial que o Programa Nacional de Investimentos 2030 não exclua Bragança do investimento público, de outra forma será preciso aguardar mais década e meia para que projetos como a ampliação do aeroporto regional de Bragança, a ligação de Bragança a Puebla de Sanábria, a conclusão do IC5 poderem ser concretizadas, eventualmente até a melhoria das ligações aos concelhos de Vinhais e Vimioso. Nessa altura será ainda mais difícil reverter o processo de despovoamento de Trás-os-Montes. Acho ser o momento de os deputados eleitos pelo circulo eleitoral de Bragança e os autarcas da CIM Terras de Trás-os-Montes utilizarem o poder dos seus mandatos para em conjunto assegurarem que os investimentos acima referidos serão incluídos no documento a ser votado na Assembleia da República.  
Bragança, tem sido ao longo da História, uma centralidade política e administrativa, capital dos Povos Zoelae, capital das Terras de Bragança sob administração da família dos Bragançãos, durante o período da Reconquista e da fundação do Reino de Portugal, mais tarde sob a influência da Casa de Bragança deu o nome à IV Dinastia do Reino, a última e a mais longa Dinastia que governou Portugal. É a mais antiga cidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, foi um importante centro nas relações comerciais e políticas com o Reino de León e mais tarde de Castela e León. Foi Cidade Fortaleza na consolidação das fronteiras do Reino de Portugal, condição que marca a sua História e identidade. 
A sua centralidade ibérica esteve sempre presente no contexto geopolitico, social e económico. Com a estabilização de fronteiras no final do século XVIII, os ciclos de emigração que se seguiram e o centralismo crescente que tomou conta do país, Bragança, cercada a norte e nascente por uma extensa fronteira, ficou mais periférica, mais isolada num território progresssivamente esquecido. Com a adesão à CEE, abriu-se uma porta de esperança no sentido de vencer o isolamento, retomar o desenvolvimento, recuperar a centralidade que teve o que, de algum modo, tem vindo a ser conseguido no plano das acessibilidades, da economia e das relações sociais, apesar de se agravar o despovoamento do território, o seu principal problema. 
Bragança tem como ligações fronteiriças principais, a norte o Portelo e a nascente a de Quintanilha que integra a Autoestrada Transmontana e como ligações secundárias, Rio de Onor, Petisqueira e Parâmio. As duas ligações  para norte não reúnem condições mínimas de segurança e de mobilidade para veículos pesados de transporte de pessoas e bens. Trata-se de estradas de montanha estreitas e com um traçado muito difícil, que em tempos serviram para as necessidades do momento em que o transporte se fazia por carroças puxadas a cavalo ou carros de bois, enquanto no presente os grandes fluxos de passageiros e de mercadorias se fazem através de veículos pesados. 
A reconquista da centralidade económica que Bragança teve, em particular com terras do antigo Reino de León, exige uma ligação capaz para norte, entre Bragança e Puebla de Sanábria, em substituição das duas existentes que não asseguram a circulação de tráfego pesado de transporte de mercadorias para exportação, que tem vindo a crescer, sendo Bragança de forma destacada o principal pólo exportador do Interior Norte, como não são opção para o transporte de turistas. 
É sobre a construção da curta ligação entre Bragança e Puebla de Sanábria e ampliação do Aeroporto de Bragança, visando o reforço da centralidade de Bragança no contexto ibérico e da sua posição no sistema urbano nacional, e consequentemente da coesão e da competitividade regional que é apresentado a presente reflexão.
Tem sido várias as iniciativas de cooperação transfronteiriças em defesa da construção de uma nova ligação entre Bragança e Puebla de Sanábria, o que corresponde à conclusão e ligação do IP2 à rede viária do país vizinho. Foi nesse sentido que, a 11 de janeiro de 2008, nas jornadas técnicas realizadas em La Bañeza com a colaboração da Associação dos Amigos de Portugal em Espanha, tendo como tema as Comunicações entre Trás-os-Montes e León, foi decida a constituição da Associação Autovia León Bragança, plataforma reivindicativa da ligação entre Bragança e Puebla de Sanábria, tendo sido apresentado estudo técnico de suporte à reivindicação, estudo que integra o mapa abaixo impresso.
A ligação do IP2 de Bragança á fronteira corresponde aos últimos KMs desta via que percorre todo o Interior de Portugal de Bragança a Faro. O plano Rodoviário de 2000 prevê esta ligação, a sua conclusão permitirá estabelecer a articulação intermodal da A4 e do IP2 com a rede espanhola através da A52 e com a linha ferroviária de Alta Velocidade que liga Madrid à Corunha, e em consequência a articulação com o modo de transporte aéreo no Aeroporto de Bragança. 
A execução desta curta ligação fronteiriça entre Bragança e Puebla de Sanábria permitirá a estruturação de um nó de intermodalidade, envolvendo três modos de transporte, rodoviário, ferroviário e aéreo e a eliminação de um forte bloqueio na fronteira, dando expressão à política de mobilidade e da coesão territorial da União Europeia. 
Esta ligação ganha maior relevância após finalização na Puebla de Sanábria da Estação de Alta Velocidade (AVE), ligação Madrid/Corunha e representa para Trás-os-Montes uma oportunidade de desenvolvimento social e económico, permitindo-lhe ganhar atratividade para a captação de investimento, nomeadamente industrial e de turismo. Coloca o Interior Norte a um passo da rede ferroviária europeia de alta velocidade com todas as vantagens económicas e sociais que isso representa. A fronteira tem que ser aberta no sentido de unir e de permitir o desenvolvimento contra a atual situação de divisão e de isolamento.  
Tem sido muitas as iniciativas a favor da construção desta ligação fronteiriça, desde instituições públicas, associações empresariais e cívicas, contam-se por mais de três dezenas. Também antigos titulares de Órgãos de Soberania, como os Ex- Presidentes da república, Dr. Jorge Sampaio, Professor Cavaco Silva, o Presidente da Junta de Castela e Leão, se manifestaram a favor da construção desta ligação.
Destaco cinco das iniciativas, a realizada a 26 de maio de 1999, de assinatura de protocolo entre a CCRN e a JAE para a realização dos primeiros estudos, e a assinatura do contrato com equipa técnica para a realização do estudo de corredores de ligação entre Bragança e Puebla de Sanábria. O estudo foi finalizado em 2002 e identificou o corredor mais curto e de menor impacto ambiental a ser desenvolvido em zona de reduzida biodiversidade, o planalto da Aveleda. Mais tarde veio a ser tomada a opção de traçado em versão que envolve a retificação do corredor de Bragança a Rio de Onor, com variante à aldeia de Varge e Rio de Onor.
Em julho de 2002 foi entregue ao Primeiro-ministro documento assinado pelos municípios do distrito de Bragança, Associações Comerciais e IPB, relativo à importância desta ligação para o desenvolvimento regional. A 31 de Janeiro de 2006, a Assembleia Geral do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular manifestou unanimidade, e inscreveu no Plano Estratégico de Infraestruturas do Noroeste Peninsular esta ligação como necessária à coesão e mobilidade territorial;
A 11 de Janeiro de 2008, na cidade de La Bañeza foi decidida a criação da Associação Autovia León Bragança, que conta com participação muito alargada, desde municípios, ayuntamientos; Instituições de Ensino Superior de ambos os lados da fronteira e as principais Associações Empresariais ao longo deste corredor rodoviário. Na Assembleia Geral de 27 de julho de 2011 decidiu concentrar esforços no troço Bragança /Puebla de Sanábria, como primeira prioridade e mais recentemente a Associação RIONOR tem vindo a reivindicar esta ligação.
É no contexto da intermodalidade e do reforço da centralidade ibérica de Bragança que o transporte aéreo tem maior relevância. O facto de o aeroporto de Bragança estar a meia distância do Porto e de Valladolid, a 200 KM de cada uma das cidades, é um bom argumento para se olhar para o conjunto dos três meios de transporte existentes e construir uma solução integrada de maior viabilidade destas infraestruturas que podem marcar a diferença para o futuro da região. 
Iniciado no ano de 1962, o aeródromo municipal conta a partir do ano de 2004, de condições que lhe permitiram certificar a infraestrutura e o serviço, podendo operar à noite, dispõe de sistema de segurança e de informação e apoio à navegação aérea, pista com 1700 metros, tem voos diários desde há duas décadas. No mês de julho de 2005, realizaram-se os primeiros voos de ligação entre Bragança e Paris (Orly), em aeronave de 48 lugares.
O plano de expansão, já com estudo de impacto ambiental, está aprovado pela Autoridade Aeronáutica e envolve a ampliação da pista para 2300 metros e novo terminal para 200 passageiros em hora de ponta, com o custo estimado de 12 milhões de euros, investimento de valor relativamente baixo para o benéfico daí resultante e que permitirá um novo impulso para rentabilizar o muito investimento já realizado ao longo de cerca de seis décadas nesta infraestrutura.
Este investimento permitirá projetar o desenvolvimento futuro na perspetiva do transporte aéreo, da logística, da atividade industrial e de serviços, nomeadamente como escola formação e de manutenção de aeronaves, áreas de oportunidade e de necessidade das companhias aéreas que necessitam de instalações e espaço aéreo e disponível, sendo o caso de Bragança, que deverá seguir o exemplo de Beja.
A construção da ligação rodoviária entre Bragança e Puebla de Sanábria e o desenvolvimento do Aeroporto de Bragança, nas perspetivas de entrada e saída de turistas, da indústria e serviços aeronáuticos é essencial para o futuro de Trás-os-Montes. O transporte aéreo direto a Bragança poderá ajudar Trás-os-Montes a acelerar o crescimento turístico, a rentabilizar investimentos feitos, a promover novos investimentos, a contribuir para contrariar o ciclo de despovoamento, de redução do emprego e da atividade económica. Lutar contra um ciclo de despovoamento exige medidas políticas públicas capazes de fazer uma inversão da situação e isso não ocorre sem visão de futuro, ousadia e planeamento.    
Reforço a ideia de que a centralidade geográfica de Bragança no contexto ibérico deve ser robustecida em termos de atividade social e económica, permitindo uma posição de maior destaque no Contexto do Sistema Urbano Nacional visando a coesão e ancoragem territorial. 
Para isso a rede de conetividade é essencial, Bragança necessita abrir uma nova porta de entrada e saída. Olhando para o mapa de infraestruturas surge como demasiado óbvio, a construção de um nó de intermodalidade do transporte rodoviário, aéreo e ferroviário, assegurando um salto qualitativo e quantitativo na estratégica de atratividade e competitividade do Interior Norte. 
Para isso, quem tem responsabilidades de representação política deve assegurar que o Plano Nacional de Políticas de Ordenamento do Território e o Programa Nacional de Investimentos 2030 incluam os investimentos relativos à ampliação do Aeroporto Regional de Bragança, à construção da ligação à Puebla de Sanábria e à conclusão do IC5, não podendo ser esquecida a melhoria das ligações interconcelhias em falta e outros investimentos essenciais ao desenvolvimento da atividade económica, designadamente na agricultura e florestas.



Jorge Nunes
in:jornalnordeste.com

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos - CATARINA HENRIQUES (TORRE DE MONCORVO, 1593 – COIMBRA, 1660)

Catarina Henriques nasceu em Torre de Moncorvo pelo ano de 1593, numa casa da Rua dos Sapateiros, sendo filha de Pedro Henriques Julião e Francisca Vaz. Tal como as suas duas irmãs, aprendeu a ler e escrever, o que era bastante normal entre as mulheres hebreias de Torre de Moncorvo e outras comunidades.

Casou com Manuel Francisco da Mesquita, natural de S. João da Pesqueira. O casal fixou residência “na Rua Nova de Baixo, da Vila Nova do Porto, integrando-se bem na elitista classe mercantil da Invicta, constituída, em grande parte, por gente oriunda de Trás-os-Montes, conforme ressalta da lista de quase uma centena de prisioneiros que a inquisição fez naquela cidade pelo ano de 1658, contando-se entre eles a nossa biografada.
Não sabemos muito bem qual o modo de vida do casal. Adivinhamos que fossem mercadores pois se fala de lotes de baetas recebidos de países do norte, de vendas de pólvora, de mercadorias embarcadas para o Brasil. E também de umas letras não aceites e dívidas difíceis de cobrar, indiciadoras de atividades prestamistas.
Facto é que tinham em casa uma criada cristã-velha, chamada Francisca Gramaxa, um escravo negro, um moço flamengo e um criado vindo da China, que depois que a patroa foi presa, aprendeu a sapateiro e se tornou conhecido no Porto como “o sapateiro de Lisboa”.
Dissemos já que o casal morava em Vila Nova (de Gaia), certamente em uma das “duas moradas de casas, ambas juntas, sitas na Vila Nova do Porto, que de uma banda partem com casas de Inácio de França e de outras com casas de João Garcia, ambos da cidade do Porto, as quais casas houve seu marido, Manuel Francisco da Mesquita, por título de arrecadação de uma dívida em preço de 500 mil réis, pouco mais ou menos”.
Para além disso, tinha “um armazém, sito defronte da porta da travessa de Santa Maria, igreja matriz de Vila Nova do Porto, que é livre e foi feito de novo pelo marido dela declarante, não sabe quanto vale, mas anda alugado aos ingleses”.
 E tinha também “um campo cercado de per si, com uma casa térrea pequena, sito na estrada que vem de Vila Nova do Porto para a ermida de São Roque, o qual campo chamam do Pinheiro, que de uma banda parte com terras de Bento Nunes, já defunto, que vivia de sua fazenda, e da outra banda com Madalena Francisca, que houve o marido dela declarante por arrematação de Frutuoso de Faria”. 
Para além do mais, estas notas do inventário dos bens de Catarina, terão algum interesse para o estudo da evolução urbana da Vila Nova e talvez haja registos notariais que possam ser investigados com vista à identificação do armazém construído por Francisco Mesquita que já então trazia alugado aos ingleses.
O casal teve 5 filhos, mas só uma filha, chamada Francisca Vaz, como a avó materna, chegou à maioridade, vindo a casar com António Mendes de Almeida, (1) mercador, natural de Trancoso, com casa comercial estabelecida no Porto, filho do médico Belchior Mendes. Filha e genro moravam com Catarina Henriques.
Entre os muitos familiares do santo ofício existentes no Porto havia então um que se chamava Domingos Rodrigues Chaves. Obtivera carta de familiar em março de 1656 e, desejoso de mostrar serviço, em 24 de abril de 1657, escreveu para Coimbra “advertindo que hoje são nesta cidade do Porto tanta gente da nação que são mais que os cristãos-velhos” e informando que corriam rumores de práticas judaicas, nomeadamente em casa de Catarina Henriques. Ouvido oficialmente sobre o assunto, em 7.5.657, pelo comissário Manuel Seabra e Sousa, a mando dos inquisidores, concretizou tais rumores:
- Disse que estando conversando algumas vezes com Manuel Pereira, mercador, morador no Terreiro, o dito Manuel Pereira, em presença de sua mulher, Margarida Cardosa, lhe dissera que ouvira dizer a uma criada que fora de Manuel Francisco da Mesquita, defunto, o qual é tido e havido por cristão-novo e sua mulher e sua filha, que faziam cerimónias que lhe pareciam judaicas (…) e que a dita criada referia que Manuel Francisco da Mesquita, sua mulher e filha se despiam algumas vezes nus, sem camisas e punham os braços em cruz e assim estavam orando algum espaço, o que lhe parecia mal… (2)
Estranha coincidência! No mesmo dia, no convento de S. Domingos, no Porto, uma escrava forra de Ângela Cardosa, apresentou-se perante o padre superior denunciando como judaizantes e que faziam jejuns judaicos um conjunto de 18 pessoas das relações da sua patroa, entre elas Catarina Henriques.
De seguida, foi um arraso: dezenas de pessoas foram presas e levadas para a inquisição de Coimbra, entre elas Catarina e Francisca, sua filha. A generalidade desses prisioneiros logo confessaram suas culpas e, pelo menos 33 delas, lançaram denúncias de judaísmo sobre Catarina Henriques, muitas deles dizendo que era em sua casa que se reuniam para fazer cerimónias e jejuns judaicos. António Fernandes, por exemplo, acrescentou que Catarina Henriques, na páscoa, cozia bolos de pão asmo e os mandava a casa de alguns amigos e correligionários, “por guarda da lei de Moisés”. Nicolau de Oliveira, natural de Madrid, morador no Porto, filho de Luís Oliveira, natural de Vila Flor testemunhou o seguinte:
- Disse que, haverá 5 anos, em Vila Nova, no Porto, em um quintal de Catarina Henriques, cristã-nova de Torre de Moncorvo e moradora no Porto, se achou com ela e com Francisco Brandão, de Torre de Moncorvo, cristão-novo, mercador, não sabe onde era morador porque naquele tempo tinha sido reconciliado no auto da fé de Coimbra, por ocasião de o dito Francisco Brandão pedir a Catarina Henriques que deixasse ficar em sua companhia uma filha sua, enquanto ele dali passava a Castela e, estando juntos, se declararam.
Metida no cárcere, em companhia de Maria Cardosa e Maria Ledesma, suas conhecidas e amigas do Porto, as três mulheres meteram-se ali a fazer jejuns judaicos, certamente não imaginando que eram vigiadas.
Também Catarina confessou que judaizava e que fora ensinada 20 anos atrás, no Porto, por sua comadre Ana Gomes de Morais, que depois fora para Madrid que, entre outras, lhe ensinou a seguinte oração, que devia rezar no primeiro dia de lua nova de cada mês: 
- Lua nova valerosa / pela pubeira que tendes / me alcançai de Deus / tal e tal coisa que lhe peço.
O que mais impressiona no processo é a descrição dos gestos de amor de Catarina com o marido. A criada que a denunciou disse que quando ele chegava a casa, a mulher vinha para ele “salmodiando, dizendo: meu escolhido na limpeza, meu limpo e outros nomes”. E quando saía, rezava ao Deus do céu, dizendo: “guardai-mo, trazei-mo e livrai-mo”. A própria filha “chamava a dita criada e lhe mostrava o modo como seu pai estava com sua mãe”. 
Não vamos falar dos interrogatórios e “exames da crença” a que foi submetida pelos inquisidores, dizendo ela que rezava orações cristãs em honra da lei de Moisés. Aliás, era mesmo dentro da igreja cristã que ela e outras se declaravam judias. Muitos outros factos poderíamos apontar em prova da sua forma de viver marrana. Por outro lado, as contraditas que apresentou revelam um quadro bem colorido da sociedade mercantil do Porto naquele tempo.
Ao fim de quase dois anos de cárcere, em 16.3.1660, foi-lhe comunicado que estava condenada a ser relaxada. Vomitou confissões, nomeadamente os muitos jejuns judaicos feitos pela alma de seu marido, falecido por janeiro de 1656. Tais confissões não satisfizeram os inquisidores que, em 22 de maio seguinte, confirmaram a sentença de morte, nos seguintes termos:
- E depois das confissões, a sentença não foi alterada, porque a ré não denunciou a sua filha Francisca Vaz, nem declarou os jejuns que fez no cárcere, que eram os principais fundamentos do dito assento.
Saberia a Catarina que a filha falecera em 12.11.1658, poucos meses depois de dar entrada nas masmorras da inquisição? A propósito, refira-se que o seu processo só foi despachado 25 anos depois, no auto da fé de 21.2.1683! Veja-se o teor da sentença: 
- Confisco de bens, absolvida na forma de direito, sepultura eclesiástica, ofertar a Deus por sua alma os sacrifícios e sufrágios da igreja. (3)

Notas:
1-ANTT, inq. Coimbra, pº 3645, de António Mendes de Almeida, apresentado em 1667, casado em segundas núpcias com Ana Mendes de Brito.
2-IDEM, pº 7575, de Catarina Henriques.
3-IDEM, pº 1860, de Francisca Vaz, falecida aos 23 anos de idade.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

O BISPO DA ÚLTIMA CATEDRAL

De passagem por Bragança, turista acidental levará, certamente, memória de uma cidade de dimensões modestas, com sinais de envelhecimento das gentes, logo de futuro breve, mas com um percurso secular longe da insignificância.

O castelo tardo-medieval, grandioso e com torre de menagem única, convive com uma catedral erigida quase sete séculos depois, a primeira do século XXI, permitindo imaginar permanência de vida, longe da decadência resignada em que vamos esmorecendo.

O acidental observador, porventura atento, se cotejasse o que vira com os índices da demografia e da economia haveria de estranhar a condição paradoxal, não tendo informação dos inúmeros sobressaltos que, ao longo do tempo, foram sinais de resistência ao fatalismo esmagador.

Ainda restaram alguns resistentes, continuadores de personagens marcantes. Entre outros, o bispo emérito da diocese de Bragança-Miranda, D. António José Rafael, falecido no domingo, também foi um exemplo de dedicação à região e à cidade, provavelmente convencido de que o seu entusiasmo, a sua força, mesmo a sua teimosia, haveriam de produzir resultados.

A catedral é um símbolo dessa vontade, apesar de o prelado não ser propriamente um bragançano. No entanto, mereceu respeito dos que de cá somos, à semelhança de alguns dos nossos que, nos últimos dois séculos, sonharam com outro destino para estas terras e estas gentes. No fim de contas, continuamos à espera.

Se nos lembrarmos de Abílio Beça, o verdadeiro homem do caminho-de-ferro do distrito, que terá entendido o comboio como um passo de gigante até ao progresso, somos levados à inquietação da objectiva inutilidade dos seus esforços.

Também podemos recordar Camilo de Mendonça e o sonho que acalentou de uma agro-indústria redentora da economia regional, que a emigração secou de forma inexorável, atirando-nos para o retorno à dura lei da natureza, a retomar o controlo do espaço, vazio das emoções da condição humana.

O prelado que findou a sua jornada neste mundo, terá sonhado com uma catedral capaz de operar um milagre, constituindo-se como referência de uma comunidade inteira a crescer e prosperar com a ajuda de Deus. Mas, apesar dele, do seu denodo e dos entusiasmos que concitou, o que se constata é que, também neste caso, passámos ao lado da história onde se enraíza o tempo que há-de vir.

Por agora, prenuncia-se a desactivação de igrejas históricas da cidade de Bragança e de algumas mais recentes, que terão constituído resposta a uma ilusória expansão da comunidade de fiéis.

Afinal, o exemplo da catedral não é uma novidade. Também o castelo, apesar da sua grandeza, não bastou para nos garantir o presente, quanto mais o futuro. A cidade deu nome a uma dinastia que, durante duzentos e setenta anos, esteve à frente dos destinos do país. Não deixámos, por isso, de permanecer na condição de periferia, apesar de o nome de Bragança continuar a ser prestigiado e por todo o mundo.

Resta-nos esperar que o rodopio das galáxias proporcione, algures no espaço-tempo, destino diferente à região e a quem ainda por cá estiver.


Teófilo Vaz
in:jornalnordeste.com

O REINO MARAVILHOSO DOS AVÓS

Olá minha boa gente,

É bom saber que há cada vez mais pessoas que nos lêem. Aproveitamos sempre esta página para tentarmos fazer dela o “reflexo” do que semanalmente acontece nos nossos programas radiofónicos. Sinto que também estamos a conseguir fazer nova família através desta página do jornal.

Em forma de balanço do mês que hoje termina já posso dizer que Julho foi o mais participativo de todos, ao longo dos quase 29 anos da nossa existência. Temos tido novas caras e novos corações que estão a dar mais vida à nossa família.

No Domingo passado tivemos mais um dia grande. Comemoraram-se as bodas de ouro matrimoniais do tio Fernandinho Moita e da tia Candidinha, do Felgar (Torre de Moncorvo),“és tão linda, ó minha aldeia!” A cerimónia realizou-se no santuário de Nossa Senhora do Amparo, onde há vinte anos, através do tio Fernandinho Moita, realizámos um Piquenicão. Desde o início do nosso programa que este tio ficou nomeado como presidente do amor e da amizade da família. Foram muitos os tios e tias que estiveram presente na cerimónia, pois os homenageados também têm feito sempre questão de estar presentes em todos os eventos para os quais têm sido convidados. Que o pão da boda continue e a saúde também.

De parabéns também estiveram, na última semana, a Inês Isabel (15), de Rio Frio (Bragança); Júlia (58), de Tuizelo (Vinhais); Fernanda (73), de Penela da Beira (Penedono – Viseu); Hilário (67) e Ana Bela (39), pais e filha, de Nuzedo de Cima (Vinhais); Liberdade Jantaradas (78), de Sendim (Miranda do Douro); Domingos Romão (53), de Caravela (Bragança); Inácio (75), de Santulhão (Vimioso); Manuel (49), de Amendoeira (Macedo de Cavaleiros); José Manuel (67), de Ifanes (Miranda do Douro) e a tia Aurorinha (72), da Póvoa (Miranda do Douro); Guilherme Henrique (83), de Stª. Eugénia (Alijó). Muita saúde para todos e que para o ano voltem a festejar o aniversário connosco.

Porque mais de 80% daqueles que nos ouvem e participam são avós, e o seu dia se comemorou na passada quinta-feira, dedico esta página àqueles que são os segundos pais.

Comemora-se o Dia dos Avós em 26 de julho. Esse dia foi escolhido para a comemoração porque é o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria (Nossa Senhora) e avós de Jesus Cristo. 

Conta a história que Ana e seu marido, Joaquim, viviam em Nazaré e não tinham filhos, mas sempre rezavam pedindo que o Senhor lhes enviasse uma criança. 

Apesar da idade avançada do casal, um anjo do Senhor apareceu e comunicou que Ana estava grávida, e eles tiveram a graça de ter uma menina abençoada a quem chamaram Maria. 

Devido à sua história, Santa Ana é considerada a padroeira das mulheres grávidas e dos que desejam ter filhos. 

Maria cresceu conhecendo e amando a Deus e foi por Ele a escolhida para ser Mãe do Seu Filho.

 São Joaquim e Santa Ana são os padroeiros dos avós.

As avós também são chamadas “segundas mães”, e muitas vezes estão ao lado e mesmo à frente da educação dos seus netos, com a sua sabedoria, experiência e com certeza um sentimento maravilhoso de vivenciar os frutos de seu fruto, ou seja, a continuidade das gerações.

Celebrar o Dia dos Avós significa celebrar a experiência de vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas no convívio com as pessoas e com a própria natureza.

Ainda me lembro de me ligar, nos primeiros programas que fiz, a jovem Ana Bela, de Paradinha Nova (Bragança), com os seus 16 anos de idade, que agora continua a participar mas, na condição de avó babada. Quem é uma ‘expert’ a criar netos é a tia Lurdes, de Pereiros (Carrazeda de Ansiães), pois já criou nove netos e nós temos acompanhado o seu crescimento.

Quem deixou tudo pelas suas 4 netas foi o tio Acácio e a sua esposa, de Alfaião (Bragança), que trocaram a sua vida rural pelo reboliço do Barreiro e assim ajudar os filhos na criação das netas. Segundo nos disse “quando eu morrer não posso levar as terras comigo, mas levo o amor que sempre dediquei às minhas netinhas”.

Também são avós a tempo inteiro o tio Teófilo Miranda e a sua esposa, tia Maria, de Gimonde (Bragança), que trocaram a sua aldeia pelo Porto, onde estão a dar uma ‘mãozinha’ aos filhos na criação dos netos.

Muitos mais são os casos de avós viúvas que vão viver com os filhos, alguns deles emigrados, para assim colaborarem na educação dos seus netos. Nesta altura de férias grandes, também são muitos os netos que vêm antes dos pais para junto dos seus avós para assim estarem mais tempo com eles e disfrutarem da sua companhia e dos seus carinhos.

A tia Ernestina, de Possacos, Valpaços, contou-nos que a sua mãe, fruto de nove filhos, teve 43 netos e 38 bisnetos. Até ver, a avó Isabel das Neves é a avó rainha da família.

O dia dos avós foi comemorado em grande no santuário de Santa Ana, em Meixedo (Bragança), onde houve a celebração da missa pela alma dos avós falecidos e acção de graças pelos avós e netos presentes, seguindo-se um jantar convívio de avós e netos, animado pelo nosso organista Francisco Cubo.

Os meus avós já os chamou Deus há muitos anos. Tive a felicidade de ser criado pelos meus avós paternos. Não sei se algum dia terei o privilégio de também eu vir a ser avô, porque felizes são os que chegam à condição de avós.

Tio João
in:jornalnordeste.com

GNR de Mirandela detém 2 homens com material contrafeito

A GNR de Mirandela apreendeu 124 peças de material contrafeito, ontem.
No âmbito de uma fiscalização rodoviária, os militares abordaram uma viatura, tendo sido detectado e apreendido 94 pares de sapatilhas de diversas marcas, 21 boxers e nove t-shirts de diversas marcas.

Os artigos estavam na posse de dois indivíduos, com 23 e os 25 anos.
O indivíduo de 23 anos encontrava-se em situação de permanência ilegal em território nacional e após ter sido detido foi presente a primeiro interrogatório no Tribunal Judicial de Mirandela. Tendo sido decretada a sua permanência no Centro de Instalações Temporárias do Porto, para ser extraditado.

Já o indivíduo mais velho, foi constituído arguido e sujeito à medida de coacção de termo de identidade e residência.

Escrito por Brigantia
Maria João Canadas

Morreu José Adriano Gomes Pires, diretor da ESTiG

Morreu o diretor da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Bragança (ESTiG), José Adriano Gomes Pires, quando se encontrava de férias em Benidorm, Espanha, acompanhado da família.

Tudo indica que o docente, com 52 anos, tenha sofrido um ataque cardíaco. Foi encontrado morto pela família durante a manhã desta terça-feira no quarto do hotel, onde estava alojada naquela zona balnear.
Natural de Angola, Zé Adriano, como era conhecido em Bragança, era docente da área da Informática do Instituto Politécnico de Bragança há vários anos, foi um dos fundadores do Gabinete de Empreendedorismo desta instituição de ensino, criou a Rural Net, uma das primeiras plataformas nacionais de venda de produtos regionais através da Internet, era empresário e Propresidente do IPB para a área do Empreendedorismo.
Teve ainda uma vida ligada ao desporto, visto que foi jogador do Grupo Desportivo de Bragança, do Salgueiros, do Macedo e do Mirandês.

Glória Lopes
in:mdb.pt

A economia de Bragança da Revolução do 25 de Abril à entrada no Novo Milénio (1974-2000)

Continuação...

No que respeita ao comércio, a Revolução de 25 de Abril de 1974 teve reflexos na forma de organização deste setor de atividade. Em plenário de comerciantes de Bragança, foi decidido efetivar a reconversão do grémio do comércio existente em associação comercial e industrial, realizando-se eleições para os respetivos órgãos sociais.
Aeródromo de Bragança

Com uma representatividade reforçada pela eleição, a direção da Associação Comercial e Industrial chamou a si uma série de iniciativas com vista não só à maior visibilidade do setor , mas também à atração de clientes de outras partes do Distrito e de Zamora. É neste contexto que aparece a Feira das Cantarinhas associada à Feira de Artesanato, desfiles de moda, animação de rua por alturas do Natal e da Páscoa, publicidade nos principais centros urbanos da vizinha província de Zamora, etc.
Apesar de todos estes esforços, um acontecimento exógeno refletiu-se negativamente no comércio de Bragança: a extinção do batalhão de Caçadores n.º 3 e a consequente saída da Cidade de muitas centenas de pessoas e respetivas famílias. Escrevia a este respeito o Mensageiro de Bragança, em 13 de outubro de 1978: “Uma vida inteira enterrados pelos socalcos das terras escarpadas, comendo o naco de pão escuro, bebendo a água dos ribeiros, cavando a terra, guardando os rebanhos, os nordestinos lá iam levando a sua cruz, desconhecendo o progresso, desconhecendo o rádio, a TV, o cinema, o teatro, o bailado, muitos nasceram e morreram sem ver um automóvel e outros conheceram tudo isto apenas quando assentavam praça em Bragança, no glorioso batalhão de Caçadores n.º 3. Pois, agora, ficámos todos mais pobres”.
Uma comissão a favor da manutenção desta unidade militar em Bragança, criada em 1978 e coordenada pelo Presidente da Câmara, engenheiro José Luís Pinheiro, decidiu adotar outras formas de luta caso o Governo não repensasse tal decisão, tendo sido aprovadas várias medidas:
• “manifestação, a nível do Nordeste, marcada já para as 14 horas do próximo dia 13 (dia de feira), na Praça da Sé, para dar a conhecer aos governantes que este povo escravo não aceitará a saída da unidade militar; não se conformará com a falta de cursos superiores na região e não cruzará os braços à falta de estradas que liguem o Nordeste ao Centro e Sul do País”;
• “contacto imediato com os emigrantes do Nordeste, para que não mandem mais divisas, por as mesmas estarem a ser canalizadas para outros pontos do País mais desenvolvidos e industrializados, enquanto o Nordeste asfixia: são 14 milhões de contos que os nossos emigrantes põem todos os anos em Portugal”;
• “corte dos circuitos da Rádio Marconi, cujas antenas se encontram instaladas na Serra de Nogueira”;
O Governo, pressionado pela população de Bragança, resolveu ceder apenas no que respeitava ao Museu Militar, devolvendo o seu acervo, que só regressou à Torre de Menagem do Castelo de Bragança em agosto de 1983.
A indústria continuou sem grande expressão, reduzida a pequenas indústrias transformadoras como as da alimentação, metalomecânica, madeira e produtos minerais não metálicos (cal, cerâmica, etc.). Todas estas pequenas indústrias ocupavam um lugar muito reduzido à escala nacional, limitando-se a atividades destinadas a satisfazer apenas as necessidades primárias da população.

A única empresa industrial digna desse nome, a PRECINORTE – Pré-Fabricados de Cimento do Nordeste Transmontano, S.A.R.L., com sede em Bragança, criada em 1972 e com um volume de vendas considerável e aparentemente sustentável, fechou as portas em 1980, deixando no desemprego cerca de 50 trabalhadores. Apesar dos trabalhadores garantirem dispor a empresa de uma considerável carteira de encomendas e dos técnicos do IAPMEI garantirem a sua viabilidade, a empresa cessou a sua atividade, face ao agravamento da situação financeira.
Em 1985 foi criado o NERBA – Núcleo Empresarial da Região de Bragança, apadrinhado pela AIP – Associação Industrial Portuguesa. Rocha de Matos, presidente da AIP garantiu “o contributo desta instituição, através da sua experiência centenária e dos seus meios, para apoiar o desenvolvimento industrial e as atividades económicas em geral, prometendo a defesa e a valorização da região bragançana”. E sublinhou constituir “o núcleo empresarial uma forma prática de dinamizar as relações entre o empresariado do Interior e o do resto do País no sentido da desejada harmonização e equilíbrio das capacidades económicas do País”.
A partir de 1986, e até ao ano 2000, toda a economia do Concelho de Bragança seria fortemente influenciada pelo início das atividades escolares do Instituto Politécnico, precisamente em 1986. Num curto período de tempo, o Instituto viu o número de alunos passar dos iniciais 135 para mais de 5 000 no virar do século, com tudo o que este incremento representa nos diferentes tipos de consumo.
Nada, nos diferentes setores de atividade, vai permanecer igual, assistindo-se a transformações profundas que relevam dessa presença sempre crescente de alunos e professores, com novas necessidades a que urgia dar resposta. É a partir deste período que o Concelho, em termos de desenvolvimento, se afasta cada vez mais dos restantes do Distrito, apresentando índices progressivamente mais elevados que o transformam numa verdadeira “ilha” de desenvolvimento no contexto da faixa interior do País.
As alterações verificadas na PAC – Política Agrícola Comum durante este período passaram de um apoio ao mercado a pagamentos diretos aos agricultores, aos quais se recomendou e estimulou a sua qualidade de guardas da natureza. Era então normal ouvir se dizer que a cerealicultura em Bragança, a partir da reforma da PAC de 1992, estava condenada ao fracasso. E havia que aceitar tal afirmação como verdadeira se tivesse subjacente uma conceção produtivista de cereais, destinados a um mercado alargado onde se praticam preços baixos. Só que a produção de algumas variedades de cereais, para os agricultores de Bragança, podia fazer-se com outras finalidades: produzir grão para mercados pouco concorrenciais e obter palha, fundamental na produção de estrumes utilizados nas culturas hortícolas e de batata e até na alimentação de bovinos.
Simultaneamente, a PAC centrou-se na qualidade dos alimentos, dando-se os primeiros passos para a proteção dos produtos alimentares regionais e tradicionais e sua certificação, ao mesmo tempo que se legislava sobre a agricultura biológica. O setor agrário de Bragança não podia ter a veleidade de pretender obter “produções de massa”, nem tal propósito seria exequível, dada a política de baixos preços praticada nos mercados internacionais, as precárias condições em que se processava a sua produção e a existência de excedentes nos mercados.
Deveria, isso sim, tentar obter um estilo/identidade que individualizasse os seus produtos, certificando a qualidade dos mesmos, procurando depois os nichos ou segmentos de mercado nacionais ou internacionais interessados na sua aquisição.
Todas estas profundas modificações a nível da PAC refletiram-se na forma de estar e de produzir dos agricultores do Concelho de Bragança, muitos dos quais iniciaram um processo progressivo de abandono do cultivo dos campos, com grandes reflexos a nível de emprego e da balança alimentar concelhia.
Como mostra o Gráfico n.º 53, aumentou desmesuradamente a área de absentismo nas explorações agrícolas por conta própria do Concelho entre 1989 e 1999, em todos os escalões de área. A única explicação para tão grande e preocupante fenómeno tem a ver, como já dissemos, com as novas orientações da PAC, totalmente desajustadas da realidade agrícola não só do Concelho, mas de praticamente todo o setor agrícola português. Uma tão grande debandada do setor agrícola provocou, ao nível do Concelho, grandes diminuições da produção da quase totalidade dos produtos da terra.
No que respeita ao trigo, uma variedade apresentava produtividades razoáveis – atendendo às fracas condições de solo e de clima – e dispunha de uma procura importante por parte dos industriais de moagem: referimo-nos ao Barbela, variedade muito procurada, já que o mercado comunitário era deficitário neste tipo de trigo fundamental para a indústria de bolachas. Segundo um estudo levado a cabo pelo CEDRU – Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano, em 1992, “após a adesão à Comunidade Europeia, Portugal deixou de importar trigo dos EUA e Canadá. Os industriais produtores de bolacha procuraram, então, alternativas no mercado nacional e comunitário, o que explica o interesse recente dos industriais pelo Barbela. Para estes, aparentemente, é inquestionável que o produto que atualmente melhor pode valorizar o trigo Barbela é a bolacha. Como se vê, a produção de cereais no Nordeste em geral e em Bragança em particular é possível e rentável, desde que adequada às reais necessidades do mercado deste tipo de produtos” – o que nem sempre aconteceu.
Tendo como referencial a produção de trigo verificada no ano de 1985 no Concelho de Bragança, verificamos que no período de 1986-1999 aquela caiu praticamente para metade, como se pode ver no Gráfico n.º 54.

Não foi apenas o aumento generalizado do preço dos fatores produtivos desta cultura que esteve na origem de tão acentuada quebra na produção, nem tão pouco as inclemências climatéricas que ocorreram nalguns anos.
Foi o abandono dos campos e a consequente diminuição da área cultivada que estiveram na base de tão drástica redução.
O que afirmámos para o trigo aplica-se também à cultura do centeio, embora de forma menos dramática.
O centeio da região, de altíssima qualidade, era mais barato e melhor do que o importado, com uma procura acrescida por parte das indústrias de moagem com vista à sua utilização no fabrico de pão centeio e de mistura e, sobretudo, na indústria de cereais de pequeno almoço. Apesar de tudo isto, a produção de centeio diminuiu significativamente nestes anos, deixando o País de ser, como era, autossuficiente.
Sendo o centeio a principal cultura cerealífera do Concelho de Bragança, servindo não só para a produção de grão mas também para o fornecimento de palha indispensável à pecuária e à produção de estrumes para os campos, a referida redução observada na produção ao longo do período em referência foi menor do que a do trigo (Gráfico n.º 55).

Também a batata viu descer significativamente a sua produção ao longo deste período, mercê do já aludido abandono em larga escala da atividade agrícola no Concelho de Bragança. As más condições climatéricas que ocorreram em alguns anos foram igualmente responsáveis pela diminuição da produção. Segundo o Mensageiro de Bragança de 24 de maio de 1988, “cerca de 70% da produção de batata prevista para este ano em Bragança encontra--se irremediavelmente perdida devido ao mau tempo, tendo já alguns agricultores lavrado novamente os campos para neles semearem novas culturas, nomeadamente milho”.
Foi praticamente abandonada a cultura da batata de semente em Montesinho e nas faldas da Serra de Nogueira, ficando os poucos agricultores que continuaram com a cultura sujeitos a terem de importá-la, na sua quase totalidade, de outros países europeus, a preços muito mais elevados. Como se tudo isto não bastasse, verificou-se neste período um acentuado aumento dos fatores de produção relativos à cultura da batata, dissuasores da produção deste tubérculo. Porém, de acordo com um estudo do CEDRU, esta situação é um pouco estranha, uma vez que “o contributo da produção de batata de semente para o desenvolvimento do setor agrário regional pode ser significativo, mas para tanto é necessário o desenvolvimento duma ação integrada visando os objetivos seguintes: aumento da produção unitária e da qualidade da batata de semente; melhoria do processo de conservação e manuseamento; organização da produção e da comercialização; divulgação das normas do setor e controlo da sua aplicação; formação profissional dos agricultores”.
Os proprietários agrícolas do Concelho, com as terras ao abandono, aproveitaram os fundos estruturais postos à sua disposição pela União Europeia para procederem à plantação de castanheiros em larga escala, vendo-se muitas centenas de hectares com este tipo de árvore. Entre 1989 e 1999, a área de castanheiros no Concelho de Bragança passou de 2 529 ha (onde se encontravam 2 275 explorações) para 5 708 ha (com 2 924 explorações), o que significa um acréscimo de 126% na área de produção, assumindo-se no panorama nacional como o Concelho mais importante no cultivo da castanha, tanto em área como em número de explorações. Optaram então por uma variedade de castanheiro que dá fruto em poucos anos, com escoamento fácil, pago a preços razoáveis.

Os donos de soutos antigos continuaram a vender madeira de castanho, cada vez mais valorizada devido ao aumento da procura e à rigidez da oferta (Gráfico n.º 56). A venda da castanha a granel e da madeira de castanho foram, para a maioria dos agricultores do Concelho, a maior fonte de receita, já que as restantes produções do setor agrícola tinham fracas rentabilidades que provocaram o seu abandono.
A produção pecuária sempre teve considerável expressão neste Concelho, sendo os ovinos e caprinos explorados em regime de pastoreio extensivo e os bovinos em regime de semiestabulação. Os bovinos leiteiros têm maior significado nos vales onde a fertilidade do solo é mais elevada.
Apesar de tudo isto – e tal como ocorreu na agricultura – também a pecuária foi abandonada por muitos daqueles que nela ocupavam a sua vida. Preços à produção muito baixos, aumentos contínuos dos fatores produtivos e concorrência desleal provocada pelas grandes superfícies comerciais – é neste período temporal que se instalam em Bragança as primeiras grandes superfícies comerciais – foram alguns dos motivos que estiveram na base desta fuga.
Todas as raças pecuárias existentes no Concelho viram diminuir os seus efetivos ao longo do período que medeia entre 1983 e 1999 (Gráfico n.º 57). Esta diminuição dos efetivos pecuários foi, em parte, contrabalançada pela política de valorização dos produtos finais do setor que então ocorreu, sobretudo através da melhoria da qualidade e do preço.

Surgiram então as primeiras unidades de transformação de carne de qualidade das raças autóctones – bovina, suína e ovina – obtidas através de um crescimento lento e isento de hormonas, o que determinou uma procura específica por parte dos estratos altos e médios altos da sociedade. Também aqui houve o cuidado da introdução de certificações credíveis e de denominações de origem corretas.
O setor do comércio no Concelho não apresentou evoluções estruturais significativas ao longo deste período.
Baixos níveis de produtividade, dimensão reduzida, fraca diversidade, atomização excessiva do comércio a retalho, uma enorme importância das feiras com os consequentes reflexos negativos a nível de concorrência com o comércio fixo, foram algumas das suas características. A importância do comércio não sedentário nesta região constituiu o primeiro estádio na evolução das formas de distribuição de bens, cobrindo quer a venda em mercados e feiras, quer a atividade do vendedor ambulante isolado. Estas formas desempenharam um papel essencial no abastecimento das populações nas áreas rurais, onde a escassez e a dispersão da procura inibiam o desenvolvimento das formas fixas. A persistência e o sucesso do comércio não sedentário residiram no facto de a oferta, ao deslocar-se, ampliar a clientela, que de outra forma seria sempre reduzida.
Deve-se, no entanto, realçar o aparecimento de estabelecimentos comerciais tendentes a satisfazer uma nova procura, oriunda dos estudantes do Politécnico, orientada sobretudo para o lazer e restauração. E aqui sim, houve efetivamente inovação, quer a nível das instalações físicas, quer da gestão, quer dos circuitos de distribuição.
Recriação medieval no castelo de Bragança

O turismo, setor estratégico para o desenvolvimento do Concelho, só a partir de finais dos anos de 1980 começou a ser encarado como algo que podia acrescentar valor à região. No Mensageiro de Bragança de 25 de março de 1983, noticiava-se que “em recente reunião, que teve lugar no Salão Nobre do Governo Civil, presidida pelo Chefe do Distrito, Dr. Telmo Moreno, e participada pelos nove presidentes das Câmaras Municipais que aderiram ao Projeto e por mais nove autarcas suplentes, foi deliberado implementar, de imediato, a Comissão Instaladora da Região de Turismo do Nordeste Trasmontano. A referida Comissão é constituída por 18 elementos, de que fazem parte os Presidentes e suplentes das Câmaras Municipais de Bragança, Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Vila Flor, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Mogadouro, Miranda do Douro e Vimioso”.
Esta iniciativa vinha romper com a prática que até então se verificava, em que a promoção turística era feita exclusivamente pelo vereador do pelouro do turismo da Câmara Municipal, preocupando-se este apenas em tirar partido das vantagens competitivas estáticas do seu Concelho. É óbvio que Bragança, como região periférica, teria que numa primeira fase tirar partido das suas vantagens competitivas estáticas, promovendo o ambiente, a etnografia, a gastronomia, as festas, etc.; porém, numa segunda fase, a atividade turística passou por uma maior especialização funcional, diversificando a oferta e introduzindo melhorias tecnológicas significativas, centrando-se, fundamentalmente, nas vantagens competitivas dinâmicas.
A Região de Turismo do Nordeste Trasmontano, então criada, fomentou a oferta mediante a recuperação do património natural e cultural, apostou em novos produtos turísticos, dinamizou a construção de alojamentos, criando uma imagem e um estilo/identidade da região que promoveu e comercializou. A resultante lógica deste esforço foi um aumento significativo dos fluxos turísticos para o Nordeste (Gráfico n.º 58).

Em 1988, foi criado o Programa Nacional de Interesse Comunitário de Incentivos à Atividade Produtiva, cujo objetivo central era a redução das assimetrias regionais através de uma implantação geográfica mais equilibrada das atividades industriais, artesanais e turísticas no território nacional. Este Programa, cofinanciado pela Comunidade Económica Europeia através do FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional em 70% nos três primeiros anos e 55% no quarto ano, era constituído por 3 regimes de incentivos:
• Sistema de Incentivos de Base Regional, dirigido às indústrias extrativa e transformadora;
• Sistema de Incentivos Financeiros ao Investimento no Turismo, dirigido ao respetivo setor;
• Sistema de Incentivos ao Potencial Endógeno, para apoiar estudos nas PMEs da indústria e do turismo.
Pouco depois, em 1991, através de incentivos do FEDER à indústria, um projeto de investimento industrial localizado no Distrito de Bragança poderia beneficiar de um subsídio variável entre 35% e 65%, uma vez que constituía uma zona prioritária para o Programa. O subsídio incidiria sobre as despesas de investimento consideradas elegíveis, designadamente as instalações fabris, máquinas, equipamentos, estudos e assistência técnica relacionados com o projeto. Pensou-se então estarem criadas as condições para que a indústria se fixasse em Bragança de forma estável e sustentada.
Para fomentar a implantação da indústria em Bragança, criou-se a primeira Sociedade de Fomento Empresarial, constituída após a alteração introduzida pelo decreto-lei 289/89, de 2 de setembro, que permitia a redução a metade do capital social mínimo legalmente estabelecido para aquelas sociedades em determinadas condições. A nova sociedade, com sede social na capital do Nordeste Trasmontano, teria um capital social de 385 mil contos e adotava a designação "Sociedade de Fomento Empresarial do Nordeste, SA".
Os promotores da SFE, autorizada por portaria datada de 6 de outubro, eram mais de 60 entidades, singulares e coletivas, que teriam participações entre 100 e 20 mil contos, sendo de destacar a totalidade das câmaras municipais do Nordeste Trasmontano e algumas instituições de crédito e seguradoras.
Recorde-se que a nova legislação sobre as SFE estabelecia para este tipo de sociedades um capital mínimo de 300 mil contos, desde que tivessem a sua sede nas regiões mais carenciadas e onde o tecido empresarial estivesse debilitado, e também desde que estas afetassem uma percentagem mínima dos seus recursos a tais sociedades.
Esta Sociedade de Fomento Empresarial, aliás, tinha já sido anunciada pelo Primeiro - Ministro, aquando da sua visita a Bragança em setembro de 1998, altura em que se reuniram em Bragança meio milhar de empresários interessados em dar um empurrão no desenvolvimento da região.
Com uma conjuntura tão favorável, surgiu em Bragança a empresa Máquinas GRUNIG Bragança, Lda., de produção de máquinas de venda de tabaco, mais conhecida por “Fábrica do Alemão”, já que o seu proprietário era daquela nacionalidade. Silva Peneda, ministro do Emprego e da Segurança Social, visitou aquela empresa, relatando o Mensageiro de Bragança que “mais do que uma inauguração, tratou-se de constatar, perante todos os empresários do Distrito, como uma fábrica pode estar a construir-se e simultaneamente a lançar no mercado o seu produto, permitindo uma maior rentabilidade. Por outro lado, o ministro do Emprego teve ocasião de verificar que toda a produção é feita com pessoal da região de Bragança, permitindo observar que os trabalhadores do Nordeste Trasmontano «são tão bons como qualquer outro trabalhador da Europa Central», uma vez formados tecnicamente na Alemanha, como aconteceu com alguns deles” .
Infelizmente para Bragança, a “Fábrica do Alemão” viria a revelar-se, poucos anos volvidos, um embuste, já que a produção de máquinas para venda de tabaco só servia para que os camiões TIR, que as levavam, trouxessem de volta resíduos altamente perigosos que eram enterrados nos terrenos adjacentes às instalações. Descoberta a fraude, desapareceu o empresário, ficaram os trabalhadores no desemprego com salários em atraso e fechando de vez a empresa.

Pese embora este infeliz episódio, instalou-se em Bragança um conjunto de pequenas empresas, bem geridas e com uma tecnologia evoluída, que responderam em grande parte às necessidades do mercado local e até nacional.
Estão neste caso empresas de enchidos regionais que exportam para as grandes superfícies comerciais do País e para muitos países europeus e asiáticos; de transformação da castanha, do morango e da cereja que exportam igualmente para o País e estrangeiro; que trabalham o granito e outros materiais; todas elas já com um contributo apreciável a nível do emprego e do valor acrescentado.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa