terça-feira, 10 de julho de 2018

A ARTE DA CANTARIA EM BRAGANÇA

Olá familiazinha!

O mês de Julho entrou troado, mas o sol promete secar o feno que ainda não estava segado. Por isso, como dizem alguns dos nossos tios: “quem o tem, que o segue!”.

Os entendidos do tempo não prevêem chuva para as próximas duas semanas e por causa disso é que os escritórios da terra vão dar muito que fazer aos nossos tios e tias nos próximos tempos. É altura de matar a bicharada, nomeadamente o escaravelho da batata, pois como nos contou a tia Maria Lúcia, de Pinelo (Vimioso), anda “diariamente a fazer a eutanásia dos mal desejados da minha horta”, pois não quer usar remédios químicos e por isso é à mão e um a um que lhes atalha a vida.

Na última semana tivemos uma apresentação de um jovem de 14 anos, que estava, juntamente com o seu cão, a pastorear 216 ovelhas. Referimo-nos ao nosso primo Hugo, de Quirás (Vinhais), que embora ainda estude, aproveita as férias para tirar o curso do pastoreio. Temos percebido que há jovens que continuam a ajudar os pais nos trabalhos agrícolas, o que é muito bom porque os prepara para a vida.

Quem continua a lutar pela vida é o nosso tio Carlos, pastor de Cavages – Vale de Janeiro (Vinhais), que depois de ter estado internado três semanas no hospital de Bragança, foi transportado de helicóptero, no passado dia 5, para o Porto, onde foi operado ao coração. Que Deus o ajude.

Nos aniversariantes, começo por felicitar os 63 anos do nosso tio Manuel da Torrié (Murça), que respira Família do Tio João por todos os poros, pois como todos sabemos é vendedor de café e por onde passa espalha o amor e amizade desta família. Parabéns grande amigo. Estiveram também de parabéns Amélia Machado (62), das Quintas da Seara (Bragança); Norberto Castro (34), Seara Velha (Chaves); Glória (67), do Zoio (Bragança); Carlos Miranda (50), de Castedo (Torre de Moncorvo); Vera Marisa (37), Rio Frio (Bragança); Maria Cristina (65), Samil (Bragança); Vitória Romão (84), Caravela (Bragança); Tiago (27), Zoio (Bragança); Elisabete (42),

S. Martinho (Miranda do Douro); Isabel (40), Alfaião (Bragança) e Ilda (73), de Vale de Figueira (Tabuaço).

Agora vamos conhecer uma profissão que está quase extinta, que é a dos canteiros, os doutores da cantaria.

“De 15 de Janeiro de 1951 a 15 de Janeiro de 1953, decorreu a construção do Palácio da Justiça e da Casa dos Magistrados, sendo mandado construir pela câmara municipal que tinha essa competência legal.”(1)

Durante este período chegaram a Bragança muitos canteiros, vindos de outras zonas do país e que tornaram a cidade maior, porque por cá ficaram e fizeram a sua vida, como é o caso do nosso saudoso tio Abel Rolo, natural de Viana do Castelo e canteiro de profissão, que cá encontrou a sua esposa, a saudosa tia Crisantina Reigadas.

Vamos conhecer o filho de outro canteiro que veio para Bragança praticar a arte da cantaria.

“Chamo-me Bruno Silva, nasci em Amarante há 69 anos e vim para Bragança com um ano de idade, porque o meu pai veio trabalhar para o Palácio da Justiça (Tribunal). Somos onze irmãos e eu sou o mais velho dos rapazes e o único que seguiu a profissão de canteiro como o meu pai. Comecei a aprender esta profissão depois de fazer a 4.ª classe, no ano de 1960, com 11 anos de idade, nas obras da Escola Industrial e Comercial de Bragança.

Quando o meu pai veio de Amarante para Bragança só éramos nascidos eu e a minha irmã mais velha. Na altura veio muita gente da zona de Amarante, Viana do Castelo, Porto e Lamego, trabalhar na construção do edifício do tribunal de Bragança.

Embora já tivesse visto o meu pai trabalhar no Castro de Avelãs, localidade para onde viemos morar primeiramente, antes de virmos para Bragança, só depois de fazer a 4.ª classe na Escola da Estação é que fui trabalhar com ele para as obras da Escola Comercial e Industrial de Bragança, que já andava a ser construída há pelo menos dois anos e eu andei lá mais outros dois. A empresa construtora era a mesma que na altura também andava a construir o edifício do antigo Banco Nacional Ultramarino, onde eu também andei a trabalhar.

A maior parte da pedra vinha de Montesinho e alguma de Caçarelhos. O meu pai trabalhou também na construção da taça e da adega cooperativa, entre várias obras por toda a cidade. Eu trabalhei dos 11 anos de idade até aos 22, altura em que fui para a tropa. Quando regressei, o trabalho de canteiro começou a escassear e só esporadicamente é que ia fazendo uns trabalhinhos e fui trabalhar para o antigo mercado de Bragança.”

Ficámos a conhecer um pouco melhor a vida de quem ajudou a embelezar a nossa cidade.

Tio João
in:jornalnordeste.com

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