terça-feira, 10 de julho de 2018

LAGOS DO SABOR (ILHAS DE ÁGUA E BRUMA)

Um lago é uma ilha de água no meio de um território mais vasto. Quer uns quer outras são formações raras no Nordeste e as que existem não são espontâneas antes foram criadas por intervenção humana. Também aí reside parte da importância do conjunto de lagos (arquipélago lacustre?) recentemente apresentado em Lisboa no auditório do Padrão dos Descobrimentos. A qualidade do projeto, a importância de que se reveste para a região e, sobretudo, a sua localização, torna-me difícil uma análise isenta e desapaixonada. Refugio-me no facto de ser cronista e não jornalista para dizer claramente o que penso e, por respeito para com os meus leitores, faço primeiro, uma declaração de interesses:

Sou desde há muito um entusiasta da barragem do Baixo Sabor que proporcionou este fantástico projeto. Foi, aliás por causa dela e da sua defesa pública que comecei esta aventura de cronista há mais de uma dezena de anos. Tenho fortíssimos laços familiares e sentimentais a Mogadouro e sou natural de Moncorvo.

Precisamente, têm origem ou raízes em Moncorvo, as duas intervenções que realmente contam e são conterrâneos de Trindade Coelho os artistas que lhe deram brilho à cerimónia, com um belo apontamento musical.

Nuno Gonçalves, Presidente da Câmara de Moncorvo, fez um excelente discurso. Realista e pragmático sem deixar de ser sensível e visionário. Partindo do retrato natural e realista que o novo lençol de água desenhou nas nossas terras pintou, em Belém, um quadro atractivo e sedutor com determinação e esperança. Tudo depende agora da vontade pública para concretizar este excelente e necessário projecto de desenvolvimento e promoção. Esse foi o mote para a intervenção da Secretária de Estado, também ela com raízes em Moncorvo de onde é natural a sua mãe e que garantiu que o PNPOT já contempla investimento direto e indireto adequado, para esta região.

É-me muito difícil destacar algo mais de tudo o resto. Gente boa, afável e acolhedora, paisagens encantadoras, gastronomia preciosa e potencial de atração, há muito por todo esse Portugal e todos os dias chega a Lisboa, prometendo histórias de encantar, lugares de perder a respiração, petiscos de provar e chorar por mais e abraços fraternos de gente genuína e generosa em troca de atenção, promoção e investimento. Records do Guiness não me parece que sejam suficientemente mobilizadores e, mesmo que captem a atenção dos média, julgo ser efémera e sem grande potencialidade futura, a publicidade assim angariada. Tudo isso explica o relativo desinteresse da comunicação social lisboeta pelo evento.

Mesmo sendo verdade que há uma enorme carga simbólica no local onde feita a apresentação, se a mensagem não for percebida por aqueles a quem a queremos fazer chegar, que utilidade poderá ter? Mais valia tê-la feito no Douro. Dos que estiveram junto ao CCB, seriam pouquíssimos a faltar lá e, seguramente, muito mais se lhes juntariam. Não tenho dúvida que a reportagem da imprensa regional acabaria por ter mais eco. Nada impediria a oportuna visita do Presidente da AMBS aos estúdios da TVI e as declarações à TSF podiam ser prestadas no local.

De qualquer forma, este passo menos acertado não pode ser razão para esmorecimento! Pelo contrário!! Chegou o tempo de arregaçar as mangas, unir esforços, congregar vontades e concretizar um projeto de inquestionável valor, para a região, para o Baixo Sabor e, sobretudo, para Moncorvo onde foi idealizado e projectado pelo antigo Presidente da Câmara, Fernando Aires Ferreira.



José Mário Leite
in:jornalnordeste.com

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