quarta-feira, 31 de outubro de 2018

O Auditório Paulo Quintela abriu portas ao lançamento do livro Plast&Cine 2017 em Homenagem ao Arquiteto Souto de Moura.

O jornal P’ra cá do Marão (1933)

Em 1933, vai aparecer um novo periódico local com este título. O primeiro número surge em 9 de abril, no dia em que a Constituição, plesbicitada em março, é promulgada. Simples acaso, ou mais do que isso?
No editorial, “Ocupando um posto”, propõe-se “a paz entre todos os portugueses, esperançados em que, alguma vez, chegará o dia de todos se unirem numa mesma esperança de amor à volta dos símbolos da Pátria”.

Ponte dos Açougues

A União Nacional – que se tornou no único “partido do regime”, havia sido fundada em julho de 1930. Eram tempos em que se propagandeava o sentimento de unidade que se acreditava ser preciso forjar, para enterrar de vez o 
divisionismo e a conflitualidade provocados pela “partidocracia”, responsável pelo estado lastimável a que o País tinha chegado. Para unir os portugueses, era necessário “ordem e autoridade”.
Sobressai, uma vez mais, o tom lamuriento com que se reivindica o que era devido a gentes tão esquecidas pelos poderosos. Lembra-se que “p’ra cá do Marão vive um povo de heróicas legendas e de honrados timbres, esquecido quase sempre pelos poderosos, que mandam. Povo esse, valente, com direitos a fazer respeitar, que tem reivindicações a fazer valer, numa ânsia insofrida de progresso, que não podem ficar calados. Pátria! República! Província! Eis a trilogia com que galhardamente – como divisa – este jornal se apresenta, a quem o ler”.
O número três, de 30 de maio, vai renovar o desafio já lançado no número anterior. “Porque se não faz um Congresso Trasmontano?” As individualidades, “que constituem as elites da sua população”, desenvolvem atividades que “se têm estiolado em improfícuas lutas dum facciosismo político sem finalidade nacional”. “Deviam antes juntar-se em torno de objetivos comuns e de desideratos que propugnassem pela defesa dos interesses dos que vivem p’ra cá do Marão. Mas antes, deveria realizar-se um congresso do Distrito de Bragança, que “seria, assim, a antecâmara do futuro congresso trasmontano… O Distrito de Bragança, isolado pela distância, tem questões materiais a resolver dotadas de uma acuidade notável; mas acima de todas estas, e como condição primordial da sua resolução, figura a questão moral” – assina Sá Alves.


O artigo de abertura, que tem como título “Dr. Oliveira Salazar”, propala palavras que foram ditas aos governadores civis que se reuniram, na residência do Presidente, a 7 do corrente: “Não podemos dar por terminada a nossa missão. É que a Constituição foi votada mais por um ato de confiança cega nos governantes do que pela compreensão por parte dos eleitores”. “A política a seguir de futuro é conseguir que quem votou cegamente nos governantes nos siga”. Era essencial fidelizar o eleitorado: urgia “criar uma consciência plena de Estado Novo”.
Fala-se com entusiasmo de algumas obras públicas e da necessidade de melhorar a Cidade, sugerindo a resolução de várias situações. Constata-se que já se iniciaram os trabalhos de “reempedramento do troço que da estação vai ao entroncamento de Vale de Álvaro”; há que avançar “com o calcetamento das ruas principais da nossa Cidade”. Porque se ficava pelas intenções, pergunta-se depois: “afinal, para que foi feita uma planta para modificação da pavimentação da Praça da Sé?”. Bragança “é uma Cidade que precisa caminhar, embelezar-se e tornar-se agradável à vista dos que a visitam”.


Há sugestões simples e problemas que se arrastam. Na Praça do Mercado não se deviam vender produtos expostos no chão; nas “terras do nosso País, os géneros à venda nos mercados públicos estão expostos em tabuleiros apropriados. Porque não se faz, nesta Cidade, o mesmo?”
Há “inúmeras ruas onde necessário se torna lhe seja aberto o coletor para esgotos”. Tais trabalhos estariam já orçamentados e a Comissão Administrativa do Município estaria empenhada na sua realização.
“A extinção dos cães” – “que atrasador espetáculo” feito “em nome da profilaxia da raiva” –, pela maneira como é executada, impressiona o “repórter”. Espetáculo “desumano”, o envenenamento dos cães “pela estricnina em pleno dia e em plena via pública!” Os bolos são ainda perigosos para os outros cães, que não os vadios, para outros animais e para as crianças. É tempo de “remodelarmos os processos bafientos dos tempos que já lá vão”.
Em “notas da quinzena”, figura uma notícia sobre o novo edifício da filial da Caixa Geral de Depósitos. O repórter visita-o, fica impressionado com as instalações e faz este comentário: de “linhas sóbrias e gosto estético invulgar no nosso País, pois a construção obedece aos traços mais avançados da arquitetura alemã, já se ergue, majestoso, na Rua Abílio Beça”.
Quase dois meses passados, em 22 julho, informa-se que a Câmara está a construir o novo Matadouro Municipal. “Em pouco mais de um ano, o vetusto pardieiro de Além do Rio encerrará as suas portas a bem da higiene e da salubridade públicas”. O Município, “fazendo desaparecer o casebre infecto da Ponte dos Açougues, dará o primeiro passo para o saneamento do populoso bairro”.
Propagandeiam-se os melhoramentos que aí vinham: regressou de Lisboa o Governador Civil – o capitão Salvador Nunes Teixeira –, depois de ter conferenciado com as mais altas individualidades, acerca dos “novos e importantes melhoramentos que vão ser feitos no nosso Distrito”.
As preocupações com o “alindamento” da urbe, para mostrar uma nova cara aos visitantes, não cessam. “Bragança, capital de Distrito” – a 30 de setembro de 1933 – para não continuar a ser apenas a sede das autoridades e do funcionalismo civil e militar, precisa “de se alindar, aformosear”. A nova Avenida João da Cruz, ainda em construção – “e quem sabe até quando” – deixa “visionar que vamos encontrar uma Cidade moderna”. E o que se vê? “As ruas calcetadas à portuguesa precisam de grandes reparações e consertos”. A Praça Almeida Garrett é a “sua sala de estar. É o ponto de reunião das suas figuras mais representativas, onde às portas dos seus estabelecimentos se cavaqueia amenamente, onde se faz um pouco de blague e onde até… se corta um pouco… na casaca dos outros. Pois bem. Aquilo como está é uma vergonha. Não queremos dizer que [Bragança] tenha ficado inativa perante este vento de renovação” que percorre o País. Tem o “lindo Jardim António José de Almeida de linhas modernas… Mas para que esta obra ficasse completa necessitava de outras, como sejam a cobertura da Ribeira do Fervença, o aformoseamento das suas entradas com motivos decorativos”.

Aspecto do Jardim Público no segundo quartel do século XX

O Fervença, que volta a ser designado por ribeira – como acontecia no século XVIII –, e um estranho projeto de cobertura! As esperanças de que as coisas andem são muitas, porque “preside à Comissão Administrativa do nosso Município o major senhor Teófilo de Morais, espírito moço, inteligente, capaz de resolver, a contento de todos, todos os problemas que têm vivido sem solução, há longo tempo”.
Ainda este lamento, que acaba por ser sintomático do atraso da urbe: “Telefones” – “Infelizmente”, não há novas “da instalação dos telefones no nosso Concelho”. “Só a nossa Cidade e a cidade da Guarda são as únicas que não foram dotadas ainda com os telefones”. Em contraponto, noticia-se o progresso: instalou-se no Hospital da Misericórdia o aparelho de “raios ultravioleta”, que já “presta serviço”...
Há outros problemas. O Tribunal de Bragança, “onde funciona a secretaria judicial”, por não ter condições, necessita de uma “limpeza radical”.
Diz-se, com um registo que se quer humorístico, mediante a dificuldade em prosseguir com a construção da Avenida João da Cruz: “vai ser contactada uma empresa americana para transportar para longe um prédio que obsta ao prosseguimento da Avenida”. O tom é o mesmo para falar da deficiente iluminação elétrica: “a empresa fornecedora de luz elétrica encomendou em Marrocos alguns quilómetros de torcida para aplicar às lâmpadas”.
Para fechar, na edição de 30 de setembro, uma informação relacionada com a “vida social”, com o “mundanismo”, que denota práticas que vinham de tempos anteriores: numa “ceia à americana”, na noite de 17 de setembro, no Centro Republicano de Bragança, foram coroadas onze rainhas. Para evitar ferir suscetibilidades, havia rainhas para todos os gostos. À cabeça, a dra. Emília Morgado, “Rainha da Elegância”; senhoras das “melhores” famílias – Direito, Teixeira, Coelho, Navarro, Borges, Pinto – completavam a lista: desde a Rainha do Salero, passando pela do Olhar, da Beleza Clássica, da Gentileza, da Vivacidade, da Graciosidade, da Compostura, da Candura, até à Rainha da Civilidade.
Informação muito virada para a Cidade, que facilmente esquece o mundo rural constituído pelas freguesias do seu Município – à semelhança, aliás, de praticamente todos os jornais bragançanos.
A Bragança dos nossos dias é fruto de uma caminhada que continuou a ser feita em consonância com os tempos que vieram depois de 1933. Muito se andou… Apesar de erros e desvios, ao longo do percurso, tem-se assistido – em especial nos últimos 30 anos – ao desenvolvimento e progresso da Cidade, conferindo-lhe uma modernidade que respeita a sua identidade. Deve dizer-se que também é diferente pelos patrimónios que ainda conserva…


Nos dias que correm, embora os tempos sejam difíceis, já não se ajusta a apreciação que da Cidade era feita, em 1910, quando o Rei se preparava para a visitar: “cidade pobre em haveres e parca em entusiasmos, que a vida torturada que sofre, no cruciante labor quotidiano, abandonada, não lhe deixa abrir a boca num sorriso franco de felicidade, mas apenas numa expressão magoada de artificial contentamento…” Felizmente, em face do percurso que foi realizado, estamos distantes deste esclarecedor e bem escrito diagnóstico. É outra Cidade. Diferente.
Porque as cidades – tal como os indivíduos – “são o que foram, são o que são, mas são, essencialmente, o que está para vir”…

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

Concurso Municipal de Presépios 2018 - BRAGANÇA


"Ouriço de Contos"

Concurso Literário Contos de Natal 2018 - BRAGANÇA

Esta noite há invocação de espíritos e leitura de cartas em Macedo de Cavaleiros

A noite de 31 de outubro celebra o típico dia das bruxas, ou em inglês, o Halloween. O primeiro registo desta celebração remonta a 1745, e no calendário cristão era o dia que significava a véspera do dia de todos os santos – All Hallows’ Eve.
Atualmente, embora ainda se faça a alusão aos mortos, a data converteu-se numa grande festa, com origem na Inglaterra que se foi difundindo pelo mundo e que perdura até hoje.

Muitos protestantes celebravam-na usando máscaras e visitando as casas dos católicos para exigir deles cerveja e pastéis, dizendo-lhes: trick or treat (doçura ou travessura).

Esta noite, por Macedo de Cavaleiros, a data vai ser celebrada à antiga, e a Casa do Professor organizou um evento que pretende aliar tradições e histórias, como refere Virgínia Sousa, membro da direção:

“O halloween é uma festa importada e que levou a que a juventude se esquecesse que, em muitas aldeias de Trás-os-Montes, era tradição que na passagem do dia 31 de outubro para 1 de novembro, se acendesse uma fogueira que tinha o objetivo de iluminar os mortos na passagem para o outro mundo. É uma tradição histórica, que tem origem nos Celtas, que acreditavam que no dia 31 a natureza adormecia e as almas eleitas era elevadas à qualidade de santos. Com a introdução do halloween, foi-se esquecendo esta temática e os jovens perderam esta tradição. 

Na Casa do Professor, decidimos aliar o o halloween atual com o mais antigo. Vamos ter a fogueira, vamos fazer invocação das almas, e depois vai haver música, queimada e o cemitério.”

Uma noite que promete ser muito assustadora:

“Assustadora, muito assustadora. É um evento aberto a toda a gente, gostaríamos que houvesse muitas participações, era sinal que as pessoas não se querem esquecer das tradições do nosso povo.
Já decorámos a casa com muitas coisas aterradoras e o cemitério está pronto, com campas.” 


Invocação de espíritos, leitura de cartas, bola de cristal, música e doces, esta noite na Casa do Professor, em Macedo de Cavaleiros.

É caso para dizer, doçura ou travessura? 

Hoje, as partir das 21h00, celebra-se o halloween na casa do professor de Macedo de Cavaleiros, para o qual estão todos convidados. A entrada é gratuita.

Escrito por ONDA LIVRE

Obras na Antiga Sé de Miranda do Douro estão paradas

A obra de instalação da estrutura de acolhimento aos visitantes da antiga Sé de Miranda do Douro está parada no âmbito de um “processo de insolvência da empresa subcontratada pela Lusocol, Sociedade Lusa de Construções, Lda, entidade a que foi adjudicada a empreitada”, esclarece, em comunicado, a Direção Regional de Cultura do Norte.
Na mesma nota, a DRCN deixa a garantia de que a referida obra, “a ser instalada nas ruinas do Paço Episcopal”, “será retomada tão breve quanto possível”, uma vez que aguarda que a “Lusocol assegure mão-de-obra necessária para prosseguir os trabalhos”, esclarecem.

SM
in:mdb.pt

Pela primeira vez Carrazeda de Ansiães recebe um curso superior

Abriu ontem, de forma oficial, o ano lectivo para os 23 alunos do Curso Técnico Superior Profissional de Energias Renováveis e Instalações Eléctricas, que o Instituto Politécnico de Bragança está a ministrar na antiga Escola Profissional de Ansiães.
O presidente da Câmara de Carrazeda, João Gonçalves, espera que a seguir a este possam surgir outros cursos técnicos superiores para ajudar a qualificar a população: “uma comunidade qualificada tem sempre melhores hipóteses de decidir bem e de ter mais sucesso profissionalmente ou pessoalmente, nas suas decisões. É com base nessa qualificação da comunidade, com empresas qualificadas e pessoas mais capazes de competir no mercado e assim gerar mais postos de trabalhos e fixar mais pessoas no território”.

O presidente do Instituto Politécnico de Bragança, Orlando Rodrigues, salienta a importância deste tipo de cursos para concelhos como Carrazeda, nomeadamente para a valorização do seu sector económico: “nós entendemos que o concelho tem um dinamismo económico muito importante, com grande potencial, em torno de alguns produtos emblemáticos da região, que estão a gerar muito valor acrescentado e riqueza, como é o caso do vinho e da maçã. O sector agrícola é muito tecnológico na região e importa apoiar, mas o conselho tem outras potencialidades como o turismo.” 

A maior parte dos 23 alunos é de Carrazeda de Ansiães. É o caso de Dina Tavares que vê neste curso uma oportunidade para se qualificar: “eu sempre quis fazer este curso que tem muitas saídas profissionais.”

Para além de estudantes de Carrazeda, este curso técnico superior profissional conseguiu captar jovens de concelhos vizinhos. É o caso de Manuel Afonso, de 22 anos, residente em Vila Flor: “concorri a este curso porque fiz o ensino profissional em Murça. Depois comecei a trabalhar e parei durantes 2 anos e vi aqui uma oportunidade para me qualificar”.

Daniel Fontinha é de Alijó e também se inscreveu no Curso Técnico Superior Profissional de Energias Renováveis e Instalações Eléctricas de Carrazeda de Ansiães: “trabalho no ramo da construção civil e este curso acaba por completar a minha formação”.

São 23 os alunos do Curso Técnico Superior Profissional de Energias Renováveis e Instalações Eléctricas, que o Instituto Politécnico de Bragança está a ministrar na antiga Escola Profissional de Ansiães.

Escrito por Rádio Ansiães (CIR)

GNR recupera material roubado em Carrazeda de Ansiães

O Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Mirandela recuperou ontem material furtado em Carrazeda de Ansiães.
No âmbito de uma investigação por furto num armazém agrícola, que decorria há três meses, os militares identificaram dois indivíduos, de 29 e 38 anos, e recuperaram um gerador furtado.

Os suspeitos foram constituídos arguidos e ficaram sujeitos a termo de identidade e residência. 

Escrito por Rádio Ansiães (CIR)

Colisão rodoviária faz três feridos

Cooperantes da Onda Livre vão tomar posição quanto à não assinatura do protocolo de colaboração com a autarquia

A pedido dos cooperantes, a Assembleia Geral da Cooperativa de Informação e Cultura, Rádio Onda Livre Macedense, convocou uma reunião extraordinária com o fim de ser tomada uma posição relativamente à não assinatura do protocolo de colaboração com a Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros, situação esta que está a causar constrangimentos financeiros à instituição.
Este é um compromisso que existia há quase três décadas e assegurava um pagamento mensal por parte da autarquia à rádio, para que esta, em contrapartida, prestasse os serviços designados no plano de atividades, divulgasse a Agenda Cultural, assim como outros assuntos do interesse da população macedense.

O primeiro protocolo, assinado em 1990, garantia que o município pagaria à rádio o valor mensal de 140 contos, o que é hoje equivalente a 700€. O último, que vigorou durante o ano de 2017, assegurava um valor mensal correspondente a 1500€ durante os 12 meses.

No entanto, chegado janeiro do presente ano, este protocolo não foi renovado sem que tal fosse comunicado por escrito, apesar das várias tentativas de negociação por parte da direção da rádio, e sucessivas promessas feitas pela autarquia, como refere Joaquim Santos, presidente da Rádio Onda Livre Macedense:

“Desde novembro do ano passado até maio deste ano, esta direção tentou negociar várias vezes com a câmara, de forma a chegar a um entendimento.

Nós compreendemos que a autarquia atravessa dificuldades financeiras, mas a verdade é que nos foi prometido que iriam dar, pelo menos, o que era dado pelo anterior executivo. O sr. presidente, Benjamim Rodrigues, disse inclusive que ia tentar ajudar-nos com um pouco mais devido ao esforço que estávamos a fazer com o desenvolvimento da Onda Livre TV.

Assim me foi dito de todas as vezes que conversamos até que, em maio, o senhor diretor de departamento recusou o protocolo, alegando que não estava bem e queria fazer outras coisas. Mesmo assim, o sr. presidente disse que iria resolver este problema.

Em junho, liguei novamente ao presidente e foi ai que ele me disse que não havia dinheiro para a Rádio Onda Livre e que iria arranjar outra forma para nos ajudar. Ainda não tivemos nenhum documento que nos dissesse oficialmente que não há protocolo, mas a verdade é que neste momento não estamos a usufruir dele.

O município dá a entender para a população que nos deu 17 mil euros no até ao mês de julho, mas até à data de hoje só nos deu 2 mil pela realização de alguns trabalhos que fizemos a pedido deles. Todos os restantes foram a nossa conta e saldo.

Portanto, vamos desmistificar estas coisas e tomar as decisões certas e necessárias para que a Rádio Onda Livre continue a fazer o seu trabalho como deve fazer em prol dos macedenses, do concelho e distrito em geral.”

Neste momento, a Rádio Onda Livre emprega cinco funcionários a tempo inteiro e desde janeiro que a fonte de rendimento da instituição resume-se quase ao angariado com os trabalhos de publicidade.

Este assunto foi exposto na Assembleia Geral Ordinária desta cooperativa que aconteceu segunda-feira, e os 26 cooperantes presentes concordaram em marcar uma sessão extraordinária com o objetivo de ser tomada uma posição conjunta para resolver o problema.

Joaquim Santos garante que a Rádio está no limite das suas posses financeiras, e se mesmo depois desta reunião o protocolo não for assinado, terá de reduzir despesas, começando pelo despedimento do pessoal:

“A Rádio atualmente não está a ter os meios necessários para continuar com os profissionais que tem, e teremos de despedir três pessoas.

Depois, passará a ser uma rádio mais dedicada à musica e menos às notícias pois ficará só uma jornalista.

Esta situação está a tornar-se insuportável e, como tal, temos de tomar uma decisão.

Ou o município aceita ou não aceita, ou então que nos diga quais são as condições para que cheguemos a um entendimento. Porque dizer que vai fazer têm-nos deixado até hoje à espera de resposta, e nós não podemos continuar assim porque o fim do mês está ai.

Nós estamos abertos a todas as opções e só assim é que conseguiremos falar e resolver esta situação.”

Até lá, aguarda-se a decisão dos cooperantes que será conhecida na reunião de assembleia extraordinária convocada para dia 13 de novembro.

Escrito por ONDA LIVRE

Uma questão de perspetiva?

Quem for visitar as quintas de Carragosa vê a placa com o brasão da freguesia, nova, junto à capela ali existente.
Uma boa ideia. Mas seria preciso gastar dinheiro nas letras que ilustram a parte de trás? 
A julgar pela perspetiva que se oferece aos visitantes, só algum mais curioso, como o Zé, que vá espreitar por trás da dita ou o Super-Homem com visão de raio x a conseguem ler...


in:mdb.pt

Pastores detidos por incêndios florestais

Dois pastores foram detidos esta terça-feira no concelho de Macedo de Cavaleiros por suspeita do crime de incêndios florestal. Um dos homens, com 27 anos, foi detido pela GNR na localidade de Talhas, por ter ateado um incêndio para renovar o pasto para o rebanho, informou hoje o Comando Distrital de Bragança.
O fogo deflagrou na segunda-feira e resultou numa área ardida de cerca de 200.000 metros quadrados de mato e azinheiras.
Segundo uma fonte da GNR , os militares deslocaram-se ao terreno e seguiram um trilho de passagem de gado, acabando por detetar um indivíduo que, confrontado com os factos, admitiu ter incendiado o local com o objetivo de renovar o pasto para o seu rebanho.
A Polícia Judiciária deteve outro pastor, de 57 anos, suspeito de ter ateado um foco de incêndio florestal em Vale de Ginço, também no concelho de Macedo de Cavaleiros.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Hoje é dia de gala dos 25 anos do Jornal Nordeste

O Jornal Nordeste completa, este ano, 25 anos. Hoje o dia é de comemorar com uma gala no Teatro Municipal de Bragança.
Uma cerimónia que ficará marcada pela homenagem a 14 personalidades da região que se distinguiram no último quarto de século, em diversas áreas desde a intervenção cívica, à criação cultural e actividade empresarial, como destaca o actual director de informação do jornal, Teófilo Vaz: “fundamentalmente com uma gala que servirá para homenagear cidadãos deste nordeste transmontano que têm tido e tiveram papéis decisivos na defesa dos interesses da região e na promoção do desenvolvimento. Naturalmente, pretendemos que sejam homenageados todos os nordestinos que permanecem e tentam que o futuro seja possível neste interior”.

25 anos passados deste percurso, a homenagem póstuma ao fundador do Jornal Nordeste, Fernando Subtil, era incontornável: “há 25 anos o jornal resultou de um empenhamento notável de uma figura memorável de Bragança e do distrito Fernando Subtil. Um cidadão exemplar, empenhado permanente activo na procura para que o futuro fosse aqui possível. O Jornal Nordeste transformou-se num meio interventivo, mas fundamentalmente direccionado para informação séria com profundidade sobre aquilo que acontece nesta nossa terra e no distrito”.

Outros homenageados serão Adriano Moreira, Jorge Nunes, Sobrinho Teixeira, Graça Morais, Costa Andrade, Galandum Galundaina, Celmira Macedo, Eurico Carrapatoso, Rentes de Carvalho, Marco Ferreira, o Solar Bragançano, Valle Pradinhos e a Tanoaria Gonçalves.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

A mobilidade e a eficiência energética estiveram em discussão no III Seminário de Intercâmbio de Experiências

No encontro foram debatidos temas como a "Energia na Europa", "Poupança energética e sustentabilidade na Administração" e "Boas Práticas das cidades do eixo Atlântico.
Discutir assuntos como a energia, a poupança energética e a sustentabilidade foram os objectivos do III Seminário de Intercâmbio de Experiências no âmbito da Mobilidade e da Sustentabilidade do Eixo Atlântico que aconteceu ontem em Bragança.

Hernâni Dias, presidente da câmara da capital de distrito destaca esta foi uma troca de partilhas de políticas entre municípios portugueses e espanhóis, num passo muito importante no desenvolvimento dos territórios, no que diz respeito à adopção de medidas amigas do ambiente.

“Este foi um momento de tentarmos aprender uns com os outros sobre o que cada um faz e tem sucesso no seu território, tendo em conta uma vertente importante, que é a adopção de medidas amigas do ambiente. É isto que se pretende, no sentido de podermos vir a ter poupanças energéticas, no âmbito das políticas que são praticadas nos vários municípios”, sustentou o autarca.

O autarca acrescenta que são muitas as áreas que os municípios têm de trabalhar como a mobilidade e os resíduos: “sejam elas na mobilidade, nos resíduos ou nos próprios consumos de energia eléctrica quando usamos um determinado tipo de construções, por exemplo, nas habitações. É um conceito muito interessante de tentarmos perceber de que forma é que as novas tecnologias e a utilização de equipamento mais sofisticado pode ajudar a melhorar e nossa eficiência das nossas cidades”.

As boas práticas tiveram em destaque numa conferência promovida pelo Eixo Atlântico. 

Escrito por Brigantia
Foto: Município de Bragança
Jornalista: Maria João Canadas

Projeto ConnectNatura promove conservação de aves necrófagas e reforça conectividade da Rede Natura 2000

A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural vai avançar em breve com a implementação do projeto “ConnectNatura – Reforço da Rede de Campos de Alimentação para Aves Necrófagas e Criação de Condições de Conectividade entre Áreas da Rede Natura 2000”.

Projeto ConnectNatura promove conservação de aves necrófagas e reforça conectividade da Rede Natura 2000

O projeto da Palombar ConnectNatura é financiado pelo Fundo Ambiental – Ministério do Ambiente e tem como parceiro o ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

O seu objetivo é criar condições para recuperar e reforçar as populações de aves necrófagas em duas Zonas de Proteção Especial (ZPE) da Rede Natura 2000, classificadas ao abrigo da Diretiva Aves, e que estão localizadas no norte de Portugal, nomeadamente as ZPE ‘Serra do Gerês’ e ‘Montesinho/Nogueira’. Estas duas ZPE estão também inseridas em Sítios de Importância Comunitária (SIC).

As ZPE abrangidas pelo projeto ConnectNatura integram ainda a Rede Nacional de Áreas Protegidas (RNAP), apresentando o estatuto de Parque Nacional, no caso da Serra do Gerês, e Parque Natural, no que se refere a Montesinho.

O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), classificado em maio de 1971, foi a primeira área protegida criada em Portugal, sendo a única com o estatuto de Parque Nacional, reconhecido internacionalmente com idêntica classificação, desde a sua criação, por parte da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), devido à riqueza do seu património natural e cultural, sendo um dos últimos redutos do país onde se encontram ecossistemas no seu estado natural, com reduzida ou nula influência humana, integrados numa paisagem humanizada.

A natureza e a orientação do seu relevo, as variações de altitude e as influências atlântica, mediterrânica e continental traduzem-se na variedade e riqueza do coberto vegetal, nomeadamente, matos, carvalhais e pinhais, bosques de bétula ou vidoeiro, abundante vegetação bordejando as linhas de água, campos de cultivo e pastagens.

As matas do Ramiscal, de Albergaria, do Cabril, todo o vale superior do rio Homem e a própria Serra do Gerês são um tipo de paisagem que dificilmente encontra em Portugal algo de comparável.

O PNPG é território de espécies emblemáticas como o lobo-ibérico (Canis lupus signatus) e a águia-real (Aquila chrysaetos). Micromamíferos diversos, como a toupeira-deágua (Galemys pyrenaicus), diversidade de répteis e anfíbios e uma fauna ictiológica que inclui a truta-do-rio (Salmo truta) e outras espécies de peixes enriquecem também o quadro zoológico.

O Parque Natural de Montesinho (PNM) foi classificado pela primeira vez em agosto de 1979. Este Parque possui uma elevada diversidade biológica, resultante da diversidade de habitats que ocorrem nesta área de montanha. Com mais de 110 espécies de aves nidificantes, é uma área importante para as aves de rapina, como a águia-real (Aquila chrysaetos).

Estão referenciadas para o PNM 70% das espécies de mamíferos terrestres ocorrentes em território nacional, apresentando cerca de 10% destas espécies um estatuto de conservação desfavorável, segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal.

Projeto ConnectNatura promove conservação de aves necrófagas e reforça conectividade da Rede Natura 2000

De destacar ainda a presença de uma das mais importantes populações de lobo-ibérico (Canis lupus signatus) em Portugal. As principais presas silvestres deste grande carnívoro, nomeadamente o veado (Cervus elaphus), o corço (Capreolus capreolus) e o javali (Sus scrofa) são também mamíferos abundantes nesta região.


Este parque possui também uma diversidade de vegetação que pode ser observada em percursos de poucos quilómetros, encontrando-se carvalhais, soutos, sardoais (bosques de azinheira), bosques ripícolas, giestais, urzais, estevais, lameiros, etc.

As medidas a implementar no âmbito deste projeto serão dirigidas a espécies estritamente e parcialmente necrófagas que constam do Anexo I da Diretiva Aves e que possuem um estatuto de conservação desfavorável em Portugal, em particular o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus) e a águia-real (Aquila chrysaetos).

As ações previstas têm como objetivo melhorar as condições de alimentação e de aceitação social, de forma a reverter as tendências populacionais negativas e a promover o retorno e/ou a fixação dessas aves nesses territórios, os quais constituem áreas de presença histórica.

Para além disto, o projeto contribuirá para reforçar a conectividade entre populações/núcleos populacionais, através de corredores entre áreas da Rede Natura 2000, e para restaurar cadeias tróficas ancestrais.

No âmbito do projeto ConnectNatura, a Palombar vai aumentar a disponibilidade de alimento para as espécies-alvo, através da reativação e/ou construção de campos de alimentação, bem como através da criação de áreas de alimentação no interior de explorações pecuárias. Estas medidas contribuirão para expandir a rede de campos/áreas de alimentação para aves necrófagas no norte de Portugal, favorecendo, desta forma, a existência de um continuum espacial (ou espaços de conectividade) com disponibilidade de alimento para as espécies-alvo, criando, assim, condições para o seu retorno e/ou fixação em novos territórios, em particular nas áreas de implementação do projeto.

É também um dos objetivos específicos do projeto ConnectNatura desenvolver ações de educação e sensibilização em escolas e para o público em geral, de modo a melhorar o seu conhecimento sobre as espécies-alvo, bem como ações direcionadas a grupos de interesse relevantes (caçadores, criadores de gado, agricultores, setor turístico), de forma a torná-los agentes ativos na conservação das espécies.

Adicionalmente, pretende-se valorizar os territórios, criando e disseminando o conhecimento e a experiência adquirida na aplicação de boas práticas ao nível da conservação da natureza.

Projeto ConnectNatura promove conservação de aves necrófagas e reforça conectividade da Rede Natura 2000

Outras espécies de aves parcialmente necrófagas, como o milhafre-real (Milvus milvus), que também apresenta um estatuto de conservação desfavorável no nosso país (sobretudo a sua população residente) e o milhafre-preto (Milvus migrans) também serão beneficiadas pelas ações que serão implementadas no terreno.


Em Portugal, as espécies de aves necrófagas, em particular as espécies-alvo deste projeto, apresentam, no geral, um estatuto de conservação delicado, encontrando-se numa situação populacional desfavorável, o que reflete a importância da implementação deste projeto de conservação da Palombar. 

A PalombarAssociação de Conservação da Natureza e do Património Rural é uma entidade sem fins lucrativos, criada em 2000, que tem como principais objetivos promover a conservação dos ecossistemas agrícolas, florestais e selvagens, assim como a preservação do património edificado e respetivas técnicas tradicionais de construção. Ainda que a sua área de intervenção seja cada vez mais alargada, tem vindo a atuar sobretudo em Trás-os-Montes.

in:noticiasdonordeste.pt

QUANDO UM DIA MORRER

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas..."


Não quero lágrimas, nem flores
Não quero vestes negras
Não quero gritos nem dores!
Quando um dia morrer…
Quero luz e quero paz
Podem dançar, podem rir,
Isso para mim tanto faz!
Quando um dia morrer…
Quero boas recordações
Dos amigos e familiares
Guardem-me nos corações!
Quando um dia morrer…
Quando a minha alma partir,
Deixem-na voar livremente,
Quero findar, quero ir
Quero partir para sempre!
O meu corpo…
Joguem-no no meio dos montes
Trás-os -Montes onde nasci.
Quero ser terra,
Quero ser pó!
Igual ao pó de onde surgi!
Quando um dia morrer…
Quero chegar lá no céu
Plena de luz, a brilhar.
Roçar as estrelas, 
Sentir o beijo do luar.
Quero deixar para traz,
Tudo que me fez infeliz,
tudo que não me fez falta, 
tudo o que nada me diz!
Quando um dia morrer…
Por favor, flores NÃO
Quero luz a iluminar-me o rosto
Um simples vestido branco,
Costurado com poesias,
bordado com o coração,
para envolver meu corpo
E... selar o meu caixão.

Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.

Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA

Concerto Orquestra do Norte

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Ansiães Douro Trail supera expectativas

Mais de duas centenas e meia de participantes oriundos de vários pontos do norte de Portugal estiveram presentes ontem, dia 28 de Outubro, em Carrazeda de Ansiães, na segunda edição do Ansiães Douro Trail.


Cerca de 250 participantes tiveram a oportunidade de aliar a vertente desportiva com a descoberta de um património e paisagens únicas, bem como conhecer o castelo de Ansiães e o Alto Douro Vinhateiro, classificado pela UNESCO como Património Mundial. 

Este evento, que é organizado pelo Município de Carrazeda de Ansiães em parceria com a empresa Naturthoughts, teve este ano como novidade a certificação por parte da Associação Portuguesa de Trail Running (ATRP), passando o Ansiães Douro Trail a integrar a Taça de Portugal de Trail.

A edição 2018 desta prova desportiva registou um acréscimo muito significativo do número de participantes, tendo as inscrições duplicado face ao ano transacto.

O Ansiães Douro Trail compôs-se por três provas diferentes que satisfizeram uma variedade de atletas que se dirigiram até ao concelho de Carrazeda de Ansiães para participar no trail longo de 29 Km, no trail curto de 16 Km e na caminhada não competitiva, composta por 11 Km.

Os atletas participantes passaram no passado domingo por vários trilhos, tendo como ponto de partida e de chegada o Centro de Apoio Empresarial de Carrazeda de Ansiães (CAECA).

Os percursos das diferentes provas competitivas e não competitivas permitiram a quem nelas participou a fruição de extensos troços da paisagem duriense classificada como Património da Humanidade e também do emblemático Castelo de Ansiães, uma vila medieval classificada como Monumento Nacional e onde ainda permanecem estruturas de grande valor arquitectónico, como é o caso da igreja de São Salvador de Ansiães, considerada por muitos historiadores de arte como uma verdadeira jóia do românico português.

in:diariodetrasosmontes.com

INQUISIÇÃO – LUTAS POLÍTICAS – PUREZA DE SANGUE (4) - VILA FLOR: ÂNGELA LEMOS

Depois de ouvir muitas dezenas de testemunhas em Vila Flor, Torre de Moncorvo, Lisboa, Aveiro e Setúbal, os inquisidores não conseguiram saber se Ângela Lemos era cristã-velha inteira, como ela dizia ou se tinha alguma percentagem de sangue judeu, como afirmavam os denunciantes.

Foi presa em fevereiro de 1667, com base em uma dezena de denúncias feitas por cristãos-novos de Vila Flor dizendo que com ela tinham feito cerimónias ou declarações de judaísmo, 4 delas em sua própria casa, e uma no seu quintal. Outra testemunha contou mesmo, com todos os pormenores, a celebração de uma “missa judaica” presidida por um oficiante de T. Moncorvo, na qual participou Ângela de Lemos.

Seis anos depois, em março de 1673, foi solta como “levemente suspeita” e presumindo que ela foi vítima de uma “conjuração” urdida por Diogo Henriques Julião e outros cristãos-novos de Vila Flor, em vingança contra as famílias nobres e da governança da terra.

Sem dúvida que a sua prisão se inscreveu no domínio da luta política que, com mais ou menos intensidade, se desenrolou em Vila Flor, como, aliás, na generalidade das terras Transmontanas, mais ou menos em paralelo e como pretexto na questão religiosa.

Razões para os cristãos-novos se vingarem de Ângela é que não faltavam, derivadas da profissão e atividade do seu marido, Luís Cabral de Sousa – tabelião do público judicial e notas, conforme ela explicou aos inquisidores, em muitas audiências.

Na verdade, Luís Cabral(1) era um dos homens nobres de Vila Flor que a inquisição costumava encarregar para executar prisões, como foi o caso de Inês Álvares e Maria Lopes Vinagre, presas na grande leva de novembro de 1664 e que ele fez “com toda a satisfação, dando inteiro cumprimento ao que lhe mandavam”.

Sendo notário do público judicial, competia-lhe também assistir e “tomar nota” nos inventários dos bens sequestrados aos que iam presos, trabalho que ele fazia “com todo o zelo e cuidado da Fazenda Real”.

Parte dos bens sequestrados eram logo vendidos em hasta pública para se fazer dinheiro e pagar as despesas da prisão e condução dos prisioneiros para Coimbra. Obviamente que, algumas vezes, tais bens eram arrematados por umas “cascas de alhos” pelos nobres da terra, seus familiares ou apaniguados. A propósito, veja-se a seguinte declaração de Ângela perante os inquisidores:

— A viúva que ficou do Alferes de Vila Flor e suas filhas (…) todas são suas inimigas e de seu marido por lhe comprar alguns móveis ao tempo de suas prisões, e por o marido da ré ser o que as prendeu (…) e lhes comprar os seus móveis.

Para conduzir os presos a Coimbra, com seu “ fato, cama e cozinha” tomavam-se cavalgaduras, de forma algo suspeita, dependendo dos “humores” do responsável pela prisão ou condução, nisso havendo pessoas que teriam queixas contra o marido de Ângela de Lemos.

A este respeito temos uma história incrível, com o cristão-novo João Lopes a tentar “entalar” Luís Cabral, na sua qualidade de “homem da inquisição”. Com efeito, dirigiu-se a ele dizendo que desejava ir a Coimbra apresentar-se na inquisição. Para isso, necessitava de transporte que não tinha, e pedia a ele, Luís Cabral, que lhe emprestasse um macho… Obviamente que este não lhe emprestou o macho, mas nem por isso João Lopes deixou de ir a Coimbra e… Ironia: este João Lopes foi a Coimbra dizer que Luís Cabral e Ângela Lemos, em sua própria casa, se declararam judeus, com ele e com sua prima Inês Álvares Vinagre!(2)

João Lopes, Inês Vinagre, Isabel Coutinho, Constança Rodrigues seriam alguns dos que foram apresentar-se em Coimbra, pagos por Diogo Henriques Julião e por ele instruídos para denunciarem como judeus os nobres que “se mostravam solícitos em dar ajuda e favor nas prisões dele confitente e das pessoas de Vila Flor que foram presas”.

Esta foi a defesa apresentada por Ângela Lemos (e outros nobres acusados falsamente). Vejamos um pouco das suas próprias palavras:

— A ré foi culpada por conjuração que contra ela e outras pessoas ordenou Diogo Henriques e outros seus parentes e apaniguados de Vila Flor, dando meio tostão por dia aos que vieram testemunhar (…) e João Carvalho, de Vila Flor dizem também ser da conjuração e é inimigo do marido dela ré e a razão da inimizade foi por que, tendo tomado ambos os foros do senhorio de Vila Flor, depois disso, ao fazer as contas, tiveram grandes dúvidas e diferenças, de que ficaram inimigos e por tais conhecidos.

Na verdade, este João Carvalho,(3) foi um dos 30 e tantos cristãos-novos presos em Novembro de 1664 pela inquisição em Vila Flor e, em Coimbra, perante os inquisidores confessaria o seguinte:

— Haverá 3 meses e meio, na cadeia de Torre de Moncorvo, se achou com Pedro da Costa, procurador de causas em Vila Flor e com António Álvares, natural de Chacim e morador em Vila Flor, mercador, e com um filho natural do mesmo, chamado Francisco Álvares, solteiro, também mercador, e com Gonçalo Lopes Vinagre, sapateiro, e com os sobreditos Diogo Mendes Papoina e com um sobrinho deste chamado Gaspar Mendes, moradores em Vila Flor; e disse Pedro da Costa que agora que vinham presos para esta inquisição era tempo de se vingarem de alguns escudeiros de Vila Flor, que tinham parte de cristãos-novos (…) E ele confitente e outros da sua companhia disseram que não denunciavam. E Pedro da Costa tornou a dizer que se ele tivera 3 ou 4 homens do seu humor, haviam de fazer nesta matéria de denunciar nesta inquisição contra os ditos cordeiros mestiços de Vila Flor uma coisa que fosse soada.(4)

Era o levantar do véu sobre a “conjuração” dos “falsários” de Vila Flor. Mais explícitas foram as confissões de Genebra Alvim, cunhada de Diogo Henriques Julião e de Branca Rodrigues, sobrinha do mesmo, que confessaram ter jurado falso contra Ângela e contra as outras pessoas da nobreza de Vila Flor, em plano arquitetado com outros e para se vingarem deles.

Outra prova da “conjuração” e da “falsidade” das denúncias dos que se foram apresentar em Coimbra, foi reconhecida pelos inquisidores quando chegou a notícia de “terem fugido para Castela logo que chegaram a Vila Flor, idos desta cidade onde se vieram apresentar”. Obviamente que tinham medo de ser presos por “falsários”, crime bem mais grave.

Quanto a Ângela Lemos, regressaria a Vila Flor, bem mais velha e alquebrada, possivelmente mais compreensiva com as mulheres cristãs-novas e sem vontade de repetir os insultos de outrora chamando-lhe “judias, perras, putas, cadelas”.

Resta falar desta mulher que nasceu em Lisboa, cerca de 1633. O seu pai, Manuel Borges de Lemos, natural de Torre de Moncorvo, encontrava-se ali ao serviço da casa dos Senhores de Sampaio.(5) A mãe, Juliana Pereira, natural de Setúbal, viera para Lisboa, ao serviço da senhora condessa de Vila Franca. A propósito do casamento de Manuel e Juliana, a patriarca da família Lemos, vª, natural de Santarém, moradora em Lisboa, em casa de seu filho Rafael de Lemos, advogado da Casa da Suplicação, familiar do santo ofício “que sentiu o casamento de Manuel Borges, por lhe dizerem que casava pobre, em tanto que ela o remediou com algumas coisas”.

Andava Ângela pelos 8 ou 9 anos quando os pais a trouxeram para Torre de Moncorvo e a casa de morada era no castelo, pois que o seu pai foi empossado pelo Senhor de Sampaio, como seu representante, no cargo de alcaide.

O casamento de Ângela Lemos com o tabelião de Vila Flor Luís Cabral de Sousa, ter-se-á realizado ao início da década de 1640, no castelo de Moncorvo, certamente com a presença dos senhores condes de Sampaio.

Com o casamento, Ângela abandonou a morada do castelo de Moncorvo mudando-se para Vila Flor, para o paço dos senhores de Sampaio. Era também um ambiente fidalgo, espécie de “Corte na Aldeia”. Sim, que o Paço era frequentado pela família dos Senhores, pelo ouvidor, o capelão, o notário, o procurador, o alcaide… Até o espaço urbano da vila ganhou designação específica e esta é uma nota bem interessante para o estudo do desenvolvimento urbano da vila. A propósito, veja-se o testemunho de Maria Lopes Ramalha:

— Disse que conhece muito bem Ângela Lemos, haverá 16 anos, por serem vizinhas e morarem no Terreiro do Paço do senhor desta vila adentro.

Notas:

1 - inq. Coimbra, pº 5956, de Ângela Lemos.

2 - Inq. Coimbra, pº 2880, de João Lopes; pº 10441, de Inês Álvares.

3 - João Carvalho pertencia a uma família de cristãos-novos do Felgar e Mogadouro que fugiram para Madrid e ali se tornaram grandes mercadores. João teve menos sucesso que os irmãos pois faleceu nos cárceres da inquisição. Inq. Coimbra, pº 8994.

4 - Pº 5956.

5 - De acordo com o testemunho de Paulo Couraça Teixeira, homem nobre de Torre de Moncorvo, Manuel Borges de Lemos entrou ao serviço dos senhores de Vila Flor em 1631. Este Manuel Borges de Lemos era filho de António Borges de Castro, escrivão do público judicial de Torre de Moncorvo e sua mulher Ângela Lemos, natural de Aveiro, moradora em Lisboa, também na casa dos Senhores de Vila Flor, que os seus pais serviam.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

O TIO ALCINO DANÇARINO

Olá familiazinha, vamos de novo falar para o nosso povo. Cada vez que me lembro que já são 29 anos de Família do Tio João, casados no passado dia 29 de Outubro, segunda-feira, e que começámos numa simples brincadeira, sem sequer imaginarmos no que iria dar e agora é uma coisa muito séria. Se quando começámos era uma incógnita, passados 29 anos é uma grande certeza, porque fazemos parte da vida de muita gente que não tem consigo a família. Todos os dias, tenho cada vez mais vontade que sejam as 6:00 horas da manhã para estar ao serviço do povo. Uma palavra de agradecimento a todos aqueles que há já 29 anos têm a pachorra de me terem em suas casas. No passado fim-de-semana, desde sexta a Domingo, tivemos mais uma peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Lurdes, em França. Recordo que este foi exactamente o destino da primeira das 273 viagens que já fizemos ao longo destes anos. Ao todo, já levámos mais de 1500 pessoas a Lurdes, uma vez com seis autocarros, várias vezes com dois e três e desta vez com um. Este ano tivemos a sorte de ter calhado no mesmo dia da peregrinação do exército francês a Lurdes e de termos visitado Cauterets e o alto dos Pirinéus. O nosso jornal está a comemorar as Bodas de Prata da sua existência. A página do Tio João começou há cerca de 20 anos e foi editada durante um ano e meio, tendo tido um interregno de 15 anos, retomando a publicação contínua há cerca de 3 anos a esta parte. Desejamos que a nossa página continue a fazer parte deste jornal nos próximos 25 anos. A última semana foi uma daquelas em que o nosso “ministro dos parabéns” menos cantou, porque houve pouca gente a fazer anos. Mesmo assim estiveram de parabéns a Patrícia Mendes (29), de Lagoas (Valpaços), que nasceu no mesmo dia do programa; os filhos da tia Denérida, de S. Julião (Bragança), a Maria Luísa (43) e o João Luís (41), que fazem anos no mesmo dia; a tia Donzília, de Casas da Estrada (Alijó) e a Eugénia Moreira (50), de Oleirinhos (Bragança). A todos desejo saúde e paz, que o resto a gente faz. Deixo-vos com o tio Alcino Dançarino, que tão solicitado é nas nossas festas para dançar, coisa a que ele nunca se nega, não parando do princípio ao fim. Vamos então conhecer melhor o nosso tio dançarino.

Em que ano é que nasceu? Em 1931.

Como é que foi a sua infância. O que é que recorda mais?

Recordo-me da muita fome que agarrei… Uma sardinha para três. Ia à Torre de Dona Chama, com vinte bois e um bolso cheio de castanhas assadas. Calçado com uns socos e sem meias. Também ia a Macedo de Cavaleiros três vezes por mês, a conduzir vinte bois e vacas em troca de 100 escudos, mas andava dois dias. Ia para lá com os animais e depois vinha para cá a pé.

Como foi depois a sua vida?

Depois casei, deixei a mulher grávida e dois filhos e fui para França em 1964.

Diga-me lá porque é que é conhecido como Alcino Dançarino? Onde é que arranja tanta energia para quando vai às festas do Tio João estar a dançar do princípio ao fim?

Tenho muitos conhecimentos, Tio João e como eu sou educado, tenho muitas pessoas amigas e elas próprias me chamam para dançar.

Mas o gosto pela dança já é desde garoto, ou só de agora?

Onde se descobriu que eu era artista para a dança foi no “Bolero”, em França, com a Linda de Suza, onde ganhei um prémio.

Como é que com 87 anos consegue ainda dançar tanto sem se cansar? Eu sei que há muitas mulheres que gostam de dançar consigo, porque você sabe realmente dançar…

É porque eu lhes dou muito carinho e dobro-as… Depois  ao irem já a quatro centímetros do chão do baile, falo-lhes com amor e este amor prende-as e levantam-se logo, porque dizem que nunca viram dar assim carinho…

Nesta nossa última festa do Piquenicão em Vinhais, com quantas mulheres dançou?

Eu sei lá! Mais de vinte ou trinta. Elas é que me chamam porque eu sou educado…

E agora com esta idade o que espera da vida?

Já falei com o S. Pedro e disse-lhe que quero chegar aí aos 98, porque o meu pai faleceu com 94… Não sei se seria a sonhar ou pessoalmente. Ele disse-me que a porta se abria para mim mas levando-lhe uma para ele e outra para mim, ao que eu lhe perguntei se a queria gorda ou magra. O S. Pedro respondeu-me que gosta mais da carne e eu disse-lhe que gostava mais dos ossos, porque não tenho tanto trabalho nem tanto peso. Portanto ele fica com a gorda e eu fico com a magra…

Tio João
in:jornalnordeste.com