Têm vindo a ser detetados ninhos de vespa velutina (ou asiática) no concelho de Macedo de Cavaleiros. O primeiro foi descoberto no ano passado, na aldeia de Malta, mas há cerca de duas semanas, um novo ninho foi identificado e destruído no centro da aldeia de Bornes.
Pedro Mascarenhas, responsável pelo pelouro da Proteção Civil do Município Macedense, acredita que na zona envolvente destas aldeias possam existir mais focos desta vespa:
“Descobrimos no ano passado um ninho na zona de Malta que estava desocupado. Há pouco tempo, foi descoberto e destruído um ninho ocupado, no centro da aldeia de Bornes. Ao estarem no centro da aldeia, desconfiamos que na zona envolvente também possa haver, e se foram detetados em Malta e em Bornes, leva-nos a crer que aquela zona da serra possa ter mais ninhos de ambos os lados.”
Fica por isso o alerta a toda a população para que contactem todas as associações envolvidas na exterminação desta praga, sempre que desconfiem da existência de um ninho:
“A nossa preocupação é que as pessoas estejam atentas e se virem alguma coisa, ou desconfiarem que é um ninho de vespa asiática, pelo sim pelo não é melhor comunicarem e depois alguém irá tirar dúvidas e verificar. Se for, será destruído. A Câmara Municipal assinou um protocolo com a Associação de Produtores de Mel – A Seita da Abelha e com os Bombeiros Voluntários. São as três associações que estão responsáveis por destruir os ninhos. Para já, intervimos em duas situações, mas estamos preparados para as que possam aparecer para evitar que haja ferimentos ou danos pessoais.”
A vespa asiática é ligeiramente mais pequena que a vespa crabro. Tem o tórax e cabeça pretos sem manchas de cor e o abdómen também preto apenas com um segmento amarelo.
Escrito por ONDA LIVRE
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Corpo de homem de 51 anos encontrado a boiar no rio Tua
A GNR encontrou o corpo de um homem de 51 anos no rio Tua, na localidade de Sobreira, no concelho de Murça.
O homem, residente em Sobreira, estava desaparecido desde ontem, e depois do alerta da família a GNR iniciou as buscas, vindo a encontrar esta manhã o cadáver a boiar no rio.
No local estiveram os bombeiros de Murça com 15 homens e 7 viaturas.
INFORMAÇÃO CIR (Universidade FM)
O homem, residente em Sobreira, estava desaparecido desde ontem, e depois do alerta da família a GNR iniciou as buscas, vindo a encontrar esta manhã o cadáver a boiar no rio.
No local estiveram os bombeiros de Murça com 15 homens e 7 viaturas.
INFORMAÇÃO CIR (Universidade FM)
Acção de sensibilização para o uso do tractor é uma das novidades da IV Feira da Agricultura, em Macedo de Cavaleiros
De 6 a 8 de Setembro, Macedo de Cavaleiros recebe a quarta edição da Feira da Agricultura.
Este ano, as novidades passam pela realização de palestras e mesas redondas com temas direccionados aos agricultores.
“É também destaque a importância da raça mirandesa na nossa região e comercialização das carnes DOP e as políticas locais de descentralidade alimentar. No domingo a novidade surge seguir ao almoço, e antes da gincana de tractores, com uma acção de sensibilização sobre segurança na utilização do tractor agrícola, visto que a nossa região, infelizmente, é muito comum haver acidentes de tractor e normalmente sempre com fins trágicos”, avança Rui Vilarinho, vereador do Município de Macedo.
Uma forma de levar mais conhecimento aos técnicos agrícolas, já que este é o sector com mais impacto económico na região transmontana.
“Acho que temos a necessidade de aprender cada vez mais sobre o conceito agrícola, sobre aquilo que é a sua exploração e o respeito pelo ambiente. O conhecimento é algo que não ocupa lugar e é aquilo que mais rico tem o ser humano, a nossa missão também é levar até ao agricultor o conhecimento para depois ele poder aplicá-lo e que surta o efeito que desejamos”, disse.
De regresso está o concurso de jogos tradicionais que vai na segunda edição. Depois de no ano passado ter reunido cerca de 300 participantes, o objectivo é conseguir dinamizar ainda mais a actividade. E há boas expectativas para o certame.
Nesta quarta edição da Feira da Agricultura mantém-se a venda e exposição de produtos endógenos, os concursos de raças autóctones, provas e degustações e a habitual gincana de tractores. A abertura oficial acontece no dia 6 às 18h30, no Parque Municipal de Exposições.
Escrito por Onda Livre
Este ano, as novidades passam pela realização de palestras e mesas redondas com temas direccionados aos agricultores.
“É também destaque a importância da raça mirandesa na nossa região e comercialização das carnes DOP e as políticas locais de descentralidade alimentar. No domingo a novidade surge seguir ao almoço, e antes da gincana de tractores, com uma acção de sensibilização sobre segurança na utilização do tractor agrícola, visto que a nossa região, infelizmente, é muito comum haver acidentes de tractor e normalmente sempre com fins trágicos”, avança Rui Vilarinho, vereador do Município de Macedo.
Uma forma de levar mais conhecimento aos técnicos agrícolas, já que este é o sector com mais impacto económico na região transmontana.
“Acho que temos a necessidade de aprender cada vez mais sobre o conceito agrícola, sobre aquilo que é a sua exploração e o respeito pelo ambiente. O conhecimento é algo que não ocupa lugar e é aquilo que mais rico tem o ser humano, a nossa missão também é levar até ao agricultor o conhecimento para depois ele poder aplicá-lo e que surta o efeito que desejamos”, disse.
De regresso está o concurso de jogos tradicionais que vai na segunda edição. Depois de no ano passado ter reunido cerca de 300 participantes, o objectivo é conseguir dinamizar ainda mais a actividade. E há boas expectativas para o certame.
Nesta quarta edição da Feira da Agricultura mantém-se a venda e exposição de produtos endógenos, os concursos de raças autóctones, provas e degustações e a habitual gincana de tractores. A abertura oficial acontece no dia 6 às 18h30, no Parque Municipal de Exposições.
Escrito por Onda Livre
Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite
As produções agrícolas são a base da economia de Carrazeda de Ansiães e vão estar em destaque, durante o fim de semana, no certame dos produtos que movimentam mais de 20 milhões de euros no concelho transmontano.
Há 20 anos que a Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite é a montra do potencial agrícola do município do distrito de Bragança ribeirinho do Douro e do Tua e, entre sexta-feira e domingo, junta cerca de 80 expositores representativos da economia regional.
O evento tem espaço também para a animação musical, manifestações e usos rurais do concelho e a reprodução de uma quinta agrícola para os mais novos experimentarem o papel dos agricultores.
A maçã dos pomares plantados no planalto de Carrazeda de Ansiães é o produto agrícola que distingue este município que produz cerca de 25 mil toneladas por ano em mais de 700 hectares, como indicou o presidente da câmara, João Gonçalves, em entrevista ao jornal Mensageiro de Bragança.
De acordo ainda com o autarca, esta atividade agrícola que representa “cinco milhões de euros diretos” para a centena de produtores do concelho.
A área de plantação tem vindo a aumentar e a produção tem garantido o escoamento, sendo a falta de mão-de-obra uma das principais dificuldades com que se deparam os agricultores num concelho com pouco mais de seis mil habitantes.
Há vários anos que os produtores recorrem ao trabalho de migrantes, estando já fixada no município uma comunidade de estrangeiros considerável que se multiplica na época das campanhas agrícolas, nomeadamente na apanha da maçã e na vindima, que ocorrem por esta altura do ano.
O vinho é o produto agrícola com maior peso económico, mais de 15 milhões, segundo as contas do autarca deste concelho integrado na zona demarcada do Douro com 2.500 hectares de vinhas.
Para melhorar as condições de apoio às atividades agrícolas, a autarquia pretende alargar em mais 40 lotes a zona industrial a pensar sobretudo no armazenamento de fruta.
O regadio é outra preocupação e a razão da ambição de uma nova barragem pensada para o Lugar da veiga, próximo da vila de Carrazeda de Ansiães, avançou João Gonçalves.
O potencial agrícola, mas também turístico do concelho está em destaque durante os três dias da feira numa tenda com 1.100 metros quadrados de área de exposição e venda, como informou a autarquia.
O município espera “milhares de visitantes” no certame composto ainda por uma outra área de exibição e venda dos restantes produtos locais e regionais onde se destacam os frutos secos, mel, doces regionais, folares, bolas de carne, queijos, fumeiro e enchidos.
As noites serão animadas com artistas nacionais como Carolina Deslandes, Calema e Emanuel.
No segundo dia da feira, as ruas da sede de concelho “vão encher-se de cor e alegria com a passagem do cortejo etnográfico” representativo “das mais antigas manifestações e usos rurais deste território”.
No domingo há também a vertente religiosa com uma procissão de todos os oragos (padroeiros) do concelho em andores enfeitados com flores naturais.
Foto: Antonio Pereira
in:diariodetrasosmontes.com
C/Agência Lusa
Há 20 anos que a Feira da Maçã, do Vinho e do Azeite é a montra do potencial agrícola do município do distrito de Bragança ribeirinho do Douro e do Tua e, entre sexta-feira e domingo, junta cerca de 80 expositores representativos da economia regional.
O evento tem espaço também para a animação musical, manifestações e usos rurais do concelho e a reprodução de uma quinta agrícola para os mais novos experimentarem o papel dos agricultores.
A maçã dos pomares plantados no planalto de Carrazeda de Ansiães é o produto agrícola que distingue este município que produz cerca de 25 mil toneladas por ano em mais de 700 hectares, como indicou o presidente da câmara, João Gonçalves, em entrevista ao jornal Mensageiro de Bragança.
De acordo ainda com o autarca, esta atividade agrícola que representa “cinco milhões de euros diretos” para a centena de produtores do concelho.
A área de plantação tem vindo a aumentar e a produção tem garantido o escoamento, sendo a falta de mão-de-obra uma das principais dificuldades com que se deparam os agricultores num concelho com pouco mais de seis mil habitantes.
Há vários anos que os produtores recorrem ao trabalho de migrantes, estando já fixada no município uma comunidade de estrangeiros considerável que se multiplica na época das campanhas agrícolas, nomeadamente na apanha da maçã e na vindima, que ocorrem por esta altura do ano.
O vinho é o produto agrícola com maior peso económico, mais de 15 milhões, segundo as contas do autarca deste concelho integrado na zona demarcada do Douro com 2.500 hectares de vinhas.
Para melhorar as condições de apoio às atividades agrícolas, a autarquia pretende alargar em mais 40 lotes a zona industrial a pensar sobretudo no armazenamento de fruta.
O regadio é outra preocupação e a razão da ambição de uma nova barragem pensada para o Lugar da veiga, próximo da vila de Carrazeda de Ansiães, avançou João Gonçalves.
O potencial agrícola, mas também turístico do concelho está em destaque durante os três dias da feira numa tenda com 1.100 metros quadrados de área de exposição e venda, como informou a autarquia.
O município espera “milhares de visitantes” no certame composto ainda por uma outra área de exibição e venda dos restantes produtos locais e regionais onde se destacam os frutos secos, mel, doces regionais, folares, bolas de carne, queijos, fumeiro e enchidos.
As noites serão animadas com artistas nacionais como Carolina Deslandes, Calema e Emanuel.
No segundo dia da feira, as ruas da sede de concelho “vão encher-se de cor e alegria com a passagem do cortejo etnográfico” representativo “das mais antigas manifestações e usos rurais deste território”.
No domingo há também a vertente religiosa com uma procissão de todos os oragos (padroeiros) do concelho em andores enfeitados com flores naturais.
Foto: Antonio Pereira
in:diariodetrasosmontes.com
C/Agência Lusa
Antigos coordenadores do Parque Natural de Montesinho querem maior proximidade às populações
Numa altura em que se assinalam os 40 anos da criação do Parque Natural de Montesinho, antigos dirigentes da área protegida esperam que o modelo inicial do parque regresse e haja uma maior aproximação às populações, como afirmam que acontecia nos primeiros anos.
Carlos Guerra, que esteve à frente do Parque Natural de Montesinho entre 1993 e 1998, critica a filosofia de gestão dos últimos anos que levou ao afastamento dos residentes na área do parque e espera que o 40.º aniversário seja um ponto de viragem. “Espero que haja o regresso ao que eram os princípios e os valores que estiveram na génese da criação do PNM, a conservação da natureza, da paisagem, mas também um bom exemplo do que deve ser o desenvolvimento sustentável. O PNM tem uma área habitada que é do tamanho da ilha da Madeira e que tem muita gente a viver lá dentro e há diferentes categorias e usos do solo. Nos últimos anos, infelizmente, a política do ICNB e do ICNF correspondeu sobretudo a uma maior atenção sobre o que seria apenas os valores da conservação da natureza, a instituição afastou-se completamente da sua génese, que foi sempre uma gestão de uma forma muito articulada com as populações e trabalhando para o bem-estar das populações”, destacou.
Carlos Guerra considera que um parque não pode ser uma reserva natural e recorda que já houve tempos em que as populações que integram esta área protegida se identificavam com o PNM.
Dionísio Gonçalves também recorda os primeiros anos do parque como de convivência mais saudável dos habitantes com o parque e os seus dirigentes. O primeiro coordenador desta área protegida considera que foram as populações “os arquitectos do parque”.
Também para Dionísio Gonçalves, que foi coordenado do parque de 1979 a 1983 e ente 1986 e 1992, é preciso trabalhar para uma aproximação entre a direcção e as populações. “Segundo tenho conhecimento, as pessoas que vivem no parque sentem-se como que perseguidas. As equipas têm de andar em cima das populações, por causa das directivas, da poluição. Os objectivos da criação do PNM foram ajudar a que os arquitectos do parque, as pessoas que vivem cá e que construíram esta paisagem se pudessem manter e continuar a construir essa paisagem. Tem de haver uma ligação muito estreita entre as pessoas que vivem e os que têm de executar as tarefas de gestão”, afirmou.
O Parque Natural de Montesinho, que integra território dos concelhos de Bragança e Vinhais foi instituído a 30 de Agosto de 1979, num decreto lei que valorizava “a riqueza natural e paisagística do maciço montanhoso Montesinho - Coroa e os valiosos elementos culturais das comunidades humanas que ali se estabeleceram”.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro
Carlos Guerra, que esteve à frente do Parque Natural de Montesinho entre 1993 e 1998, critica a filosofia de gestão dos últimos anos que levou ao afastamento dos residentes na área do parque e espera que o 40.º aniversário seja um ponto de viragem. “Espero que haja o regresso ao que eram os princípios e os valores que estiveram na génese da criação do PNM, a conservação da natureza, da paisagem, mas também um bom exemplo do que deve ser o desenvolvimento sustentável. O PNM tem uma área habitada que é do tamanho da ilha da Madeira e que tem muita gente a viver lá dentro e há diferentes categorias e usos do solo. Nos últimos anos, infelizmente, a política do ICNB e do ICNF correspondeu sobretudo a uma maior atenção sobre o que seria apenas os valores da conservação da natureza, a instituição afastou-se completamente da sua génese, que foi sempre uma gestão de uma forma muito articulada com as populações e trabalhando para o bem-estar das populações”, destacou.
Carlos Guerra considera que um parque não pode ser uma reserva natural e recorda que já houve tempos em que as populações que integram esta área protegida se identificavam com o PNM.
Dionísio Gonçalves também recorda os primeiros anos do parque como de convivência mais saudável dos habitantes com o parque e os seus dirigentes. O primeiro coordenador desta área protegida considera que foram as populações “os arquitectos do parque”.
Também para Dionísio Gonçalves, que foi coordenado do parque de 1979 a 1983 e ente 1986 e 1992, é preciso trabalhar para uma aproximação entre a direcção e as populações. “Segundo tenho conhecimento, as pessoas que vivem no parque sentem-se como que perseguidas. As equipas têm de andar em cima das populações, por causa das directivas, da poluição. Os objectivos da criação do PNM foram ajudar a que os arquitectos do parque, as pessoas que vivem cá e que construíram esta paisagem se pudessem manter e continuar a construir essa paisagem. Tem de haver uma ligação muito estreita entre as pessoas que vivem e os que têm de executar as tarefas de gestão”, afirmou.
O Parque Natural de Montesinho, que integra território dos concelhos de Bragança e Vinhais foi instituído a 30 de Agosto de 1979, num decreto lei que valorizava “a riqueza natural e paisagística do maciço montanhoso Montesinho - Coroa e os valiosos elementos culturais das comunidades humanas que ali se estabeleceram”.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro
quarta-feira, 28 de agosto de 2019
«QUALQUER DIA» poema de São Marques, diz Luiz Vinagre
Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")
Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")
Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA
Carta de Pero Vaz de Caminha a El Rey Don Manuel I de Portugal…
Por: Silvino dos Santos Potêncio
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil – desde 1979
Senhor, posto que o Capitão-Mor desta vossa frota, e assim (mesmo) os outros Capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba pior que todos fazer!
Todavia tome Vossa Alteza a minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentear nem afear, aqui não há-de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu.
Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza – porque o não saberei fazer – e os pilotos devem ter este cuidado.
E portanto, Senhor, do que hei de falar começo;
E digo que;
A partida de Belém foi – como Vossa Alteza sabe, segunda feira a 9 de Março. E sábado, 14 do dito mês, entre as oito e nove horas nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grande Canária. E ali andámos todo o dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas mais ou menos, houvémos vista das Ilhas de Cabo Verde, a saber da Ilha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escobar, piloto.
Na noite seguinte, à segunda-feira (quando) amanheceu, se perdeu da Frota Vasco de Ataíde com a sua Nau, sem haver tempo forte ou contrário para (isso) poder ser!
Fez o Capítão suas diligências para o achar, em umas e outras partes. Mas… não apareceu mais!
E assim seguimos o nosso caminho, por este mar de longo, até que Terça-Feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de Abril, topámos alguns sinais de terra, estando (distantes) da dita Ilha - segundo os piltos diziam, obra de 660 ou 670 léguas – os quais (sinais) eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam de fura-buchos.
Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvémos vista de Terra! A saber;primeiramente de um Grande Monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o Capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!
Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças. E ao sol posto umas seis léguas da terra, lançámos âncoras, em dezanove braças – ancoragem limpa. Ali ficámo-nos toda aquela noite. E quinta-feira pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitura à terra, indo os navios pequenos diante – por dezassete, dezasseis, quinze, catorze, doze, nove braças - até meia légua da terra, onde todos lançámos âncoras, em frente da boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas, pouco mais ou menos.
E dali avistámos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro. Então lançámos fora os batéis e esquifes. E logo vieram todos os Capitães das Naus a esta Nau do Capitão-Mor. E ali falaram. E o Capitão mandou em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou a ir-se para lá, acudiram pela praia homens aos dois e aos três, de maneira que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá estavam dezoito ou vinte!...
Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pode deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Sómente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sobreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave,compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de papagaio…
(in: “O BRASIL DE 1500” – Volume I)
Autor: Silvino Potêncio – Emigrante Transmontano em Natal/Brasil)
Nota de Rodapé: este documento encontra-se resguardado e conservado na sua forma original no Museu Nacional “Torre do Tombo” em Lisboa, e algumas das fotos inseridas neste livro são da coleção do Autor em visita ao Castelo de Belmonte – Guarda – Portugal
E.T. o Autor foi Membro da Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses nomeada pelo Conselho de Ministros e Esta Comissão exercida no período (1986-2002) foi um organismo público criada pelo Decreto-Lei n.º 391/86, de 22 de Novembro, e integrada na Presidência do Conselho de Ministros, que tinha como objectivo a preparação, organização e coordenação das celebrações dos descobrimentos portugueses dos séculos XIV, XV, XVI e XVII.
A CNCDP foi extinta pelo artigo 2.º da Lei n.º 16-A/2002, de 31 de Maio, regulamentado pelo Decreto-Lei n.º 252/2002, de 22 de Novembro do mesmo ano, sendo as suas funções e arquivos absorvidos pelo Ministério da Cultura.
Silvino dos Santos Potêncio, nascido a 04/11/1948, é natural da Aldeia de Caravelas no Concelho de Mirandela – Trás-Os-Montes - Portugal.
Este Autor tem centenas de crônicas, algumas já divulgadas sob o Título genérico de “Crônicas da Emigração”. Algumas destas crônicas são memórias dos meus 57 anos na Emigração foram incluídas nos Blogs que todavia estão inacessíveis devido ao bloqueio do Portugalmail.pt, porém algumas foram já transcritas para a Página Literária.
Presidente Fundador do Clube Português de Natal e Membro activo de várias páginas em jornais virtuais ligados ao Mundo da Lusofonia.
01 – POEMAS DE ANGOLA – “Eu, O Pensamento, A Rima!...”
02 – E-Book (Livro Electrônico): “UM CONVITE P’RA TOMAR CHÁ”
03 - CURRIÇAS DE CARAVELAS- TROVAS COMENTADAS é uma Antologia que contém Trovas e Textos Auto Biográficos da Aldeia Transmontana.
São livros da minha autoria já prontos para Edição e publicação brevemente.
Actualmente mantenho uma página literária própria, como Emigrante Transmontano em Natal/Brasil, no Portal Recanto das Letras.
O sitio do Escritor Silvino Potêncio www.silvinopotencio.net está aberto a visitas de todos os leitores de Lingua Portuguesa.
Muito grato pela Atenção e receba um Forte e Fraterno Abraço.
Pode adquirir Ebook´s do autor AQUI.
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil – desde 1979
Senhor, posto que o Capitão-Mor desta vossa frota, e assim (mesmo) os outros Capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que – para o bem contar e falar – o saiba pior que todos fazer!
Todavia tome Vossa Alteza a minha ignorância por boa vontade, a qual bem certo creia que, para aformosentear nem afear, aqui não há-de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu.
Da marinhagem e das singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza – porque o não saberei fazer – e os pilotos devem ter este cuidado.
E portanto, Senhor, do que hei de falar começo;
E digo que;
A partida de Belém foi – como Vossa Alteza sabe, segunda feira a 9 de Março. E sábado, 14 do dito mês, entre as oito e nove horas nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grande Canária. E ali andámos todo o dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas mais ou menos, houvémos vista das Ilhas de Cabo Verde, a saber da Ilha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escobar, piloto.
Na noite seguinte, à segunda-feira (quando) amanheceu, se perdeu da Frota Vasco de Ataíde com a sua Nau, sem haver tempo forte ou contrário para (isso) poder ser!
Fez o Capítão suas diligências para o achar, em umas e outras partes. Mas… não apareceu mais!
E assim seguimos o nosso caminho, por este mar de longo, até que Terça-Feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de Abril, topámos alguns sinais de terra, estando (distantes) da dita Ilha - segundo os piltos diziam, obra de 660 ou 670 léguas – os quais (sinais) eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, e assim mesmo outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam de fura-buchos.
Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvémos vista de Terra! A saber;primeiramente de um Grande Monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o Capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!
Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças. E ao sol posto umas seis léguas da terra, lançámos âncoras, em dezanove braças – ancoragem limpa. Ali ficámo-nos toda aquela noite. E quinta-feira pela manhã, fizemos vela e seguimos em direitura à terra, indo os navios pequenos diante – por dezassete, dezasseis, quinze, catorze, doze, nove braças - até meia légua da terra, onde todos lançámos âncoras, em frente da boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dez horas, pouco mais ou menos.
E dali avistámos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro. Então lançámos fora os batéis e esquifes. E logo vieram todos os Capitães das Naus a esta Nau do Capitão-Mor. E ali falaram. E o Capitão mandou em terra a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou a ir-se para lá, acudiram pela praia homens aos dois e aos três, de maneira que, quando o batel chegou à boca do rio, já lá estavam dezoito ou vinte!...
Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pode deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Sómente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sobreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave,compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de papagaio…
(in: “O BRASIL DE 1500” – Volume I)
Autor: Silvino Potêncio – Emigrante Transmontano em Natal/Brasil)
Nota de Rodapé: este documento encontra-se resguardado e conservado na sua forma original no Museu Nacional “Torre do Tombo” em Lisboa, e algumas das fotos inseridas neste livro são da coleção do Autor em visita ao Castelo de Belmonte – Guarda – Portugal
E.T. o Autor foi Membro da Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses nomeada pelo Conselho de Ministros e Esta Comissão exercida no período (1986-2002) foi um organismo público criada pelo Decreto-Lei n.º 391/86, de 22 de Novembro, e integrada na Presidência do Conselho de Ministros, que tinha como objectivo a preparação, organização e coordenação das celebrações dos descobrimentos portugueses dos séculos XIV, XV, XVI e XVII.
A CNCDP foi extinta pelo artigo 2.º da Lei n.º 16-A/2002, de 31 de Maio, regulamentado pelo Decreto-Lei n.º 252/2002, de 22 de Novembro do mesmo ano, sendo as suas funções e arquivos absorvidos pelo Ministério da Cultura.
Silvino dos Santos Potêncio, nascido a 04/11/1948, é natural da Aldeia de Caravelas no Concelho de Mirandela – Trás-Os-Montes - Portugal.
Este Autor tem centenas de crônicas, algumas já divulgadas sob o Título genérico de “Crônicas da Emigração”. Algumas destas crônicas são memórias dos meus 57 anos na Emigração foram incluídas nos Blogs que todavia estão inacessíveis devido ao bloqueio do Portugalmail.pt, porém algumas foram já transcritas para a Página Literária.
Presidente Fundador do Clube Português de Natal e Membro activo de várias páginas em jornais virtuais ligados ao Mundo da Lusofonia.
01 – POEMAS DE ANGOLA – “Eu, O Pensamento, A Rima!...”
02 – E-Book (Livro Electrônico): “UM CONVITE P’RA TOMAR CHÁ”
03 - CURRIÇAS DE CARAVELAS- TROVAS COMENTADAS é uma Antologia que contém Trovas e Textos Auto Biográficos da Aldeia Transmontana.
São livros da minha autoria já prontos para Edição e publicação brevemente.
Actualmente mantenho uma página literária própria, como Emigrante Transmontano em Natal/Brasil, no Portal Recanto das Letras.
O sitio do Escritor Silvino Potêncio www.silvinopotencio.net está aberto a visitas de todos os leitores de Lingua Portuguesa.
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Homem de 62 anos detido por suspeita do crime de tráfico de estupefacientes
A PSP de Vila Real identificou um indivíduo do sexo masculino, de 62 anos, por suspeita de crime de tráfico de estupefacientes.
O suspeito, natural do distrito de Bragança, mas a residir em Vila Real, chamou a atenção das autoridades por ser frequente a sua presença nos locais conectados com o consumo e tráfico de droga.
A PSP de Vila Real monitorizou o individuo e após algumas vigilâncias foi identificado, tendo sido apreendidos 450 euros e um telemóvel, por estarem relacionados com a atividade de tráfico de estupefacientes.
O suspeito aguarda em liberdade o decorrer das diligências de investigação que ainda decorrem na PSP de Vila Real.
INFORMAÇÃO CIR (Universidade FM)
O suspeito, natural do distrito de Bragança, mas a residir em Vila Real, chamou a atenção das autoridades por ser frequente a sua presença nos locais conectados com o consumo e tráfico de droga.
A PSP de Vila Real monitorizou o individuo e após algumas vigilâncias foi identificado, tendo sido apreendidos 450 euros e um telemóvel, por estarem relacionados com a atividade de tráfico de estupefacientes.
O suspeito aguarda em liberdade o decorrer das diligências de investigação que ainda decorrem na PSP de Vila Real.
INFORMAÇÃO CIR (Universidade FM)
Mascarados ibéricos divulgados em pacotes de açúcar
Os mascarados ibéricos, do distrito de Bragança e da província de Zamora, estão agora a circular por Portugal e Espanha através de pacotes de açúcar.
Por proposta da Academia Ibérica da Máscara, a Delta Cafés acaba assim de emitir para distribuição um conjunto de dez saquetas de açúcar com pinturas relativas a estas figuras. António Tiza, presidente da academia, sublinha que este é “um meio poderoso" de difundir esta marca identitária das duas regiões. “Representa um meio importante de divulgação desta cultura que é comum, esta é uma forma de entrar, quase sem darmos conta, nos sítios que as pessoas frequentam e quando pegam num saquinho de açúcar e vê a imagem dos caretos, que estão perfeitamente identificados”, afirmou.
As imagens que figuram nos pacotes de açúcar são da autoria de Luís Canotilho, o primeiro presidente da Academia Ibérica da Máscara. As pinturas de óleo sobre papel deram origem, na altura, a uma exposição no Museu do Abade de Baçal, em Bragança, e depois a um baralho de cartas. O artista e também professor vê-se agradado com a ideia desta cultura estar a ser dada ainda mais a conhecer. “É importante divulgar a cultura transmontana, que é genuína, é única e também temos de ter essa missão. A cultura alimenta-se através da divulgação, porque de outra maneira não se consegue projectar, tudo o que não é divulgado, não existe”, sustentou o artista autor dos trabalhos representados nos pacotes de açúcar.
Os caretos de Grijó de Parada, do concelho de Bragança, os de Ousilhão, do concelho de Vinhais, e os diabos de Riofrio de Aliste, de Zamora, são alguns dos mascarados que estão a circular nos pacotes de açúcar.
Escrito por Brigantia
Foto: Academia Ibérica da Máscara
Jornalista: Carina Alves
Por proposta da Academia Ibérica da Máscara, a Delta Cafés acaba assim de emitir para distribuição um conjunto de dez saquetas de açúcar com pinturas relativas a estas figuras. António Tiza, presidente da academia, sublinha que este é “um meio poderoso" de difundir esta marca identitária das duas regiões. “Representa um meio importante de divulgação desta cultura que é comum, esta é uma forma de entrar, quase sem darmos conta, nos sítios que as pessoas frequentam e quando pegam num saquinho de açúcar e vê a imagem dos caretos, que estão perfeitamente identificados”, afirmou.
As imagens que figuram nos pacotes de açúcar são da autoria de Luís Canotilho, o primeiro presidente da Academia Ibérica da Máscara. As pinturas de óleo sobre papel deram origem, na altura, a uma exposição no Museu do Abade de Baçal, em Bragança, e depois a um baralho de cartas. O artista e também professor vê-se agradado com a ideia desta cultura estar a ser dada ainda mais a conhecer. “É importante divulgar a cultura transmontana, que é genuína, é única e também temos de ter essa missão. A cultura alimenta-se através da divulgação, porque de outra maneira não se consegue projectar, tudo o que não é divulgado, não existe”, sustentou o artista autor dos trabalhos representados nos pacotes de açúcar.
Os caretos de Grijó de Parada, do concelho de Bragança, os de Ousilhão, do concelho de Vinhais, e os diabos de Riofrio de Aliste, de Zamora, são alguns dos mascarados que estão a circular nos pacotes de açúcar.
Escrito por Brigantia
Foto: Academia Ibérica da Máscara
Jornalista: Carina Alves
Aprovado alargamento a todo o país do sistema de informação cadastral simplificada e do Balcão Único do Prédio
O Governo já aprovou o alargamento, a todo o território nacional, do sistema de informação cadastral simplificada e do Balcão Único do Prédio.
Pretende-se desta forma aumentar o conhecimento efectivo sobre os proprietários e a propriedade rústica.
Fazendo deste balcão, o BUPI, um instrumento de facilitação e incentivo do processo de registo de prédios, o objetivo é conhecer a propriedade rural para melhorar o ordenamento e protecção do território, explicou, em conferência de imprensa, a secretaria de Estado da Justiça, Anabela Pedroso. “O objectivo estratégico tem a ver com o conhecimento da propriedade, do proprietário e a possibilidade de fazer de forma mais ágil e fácil os procedimentos de justificação e de registo de prédio rústico omisso. Com isto vem-nos permitir que pelo menos nos 150 municípios que têm propriedade rural e não têm nem o chamado cadastro geométrico nem o predial se possa começar a ter um conhecimento mais claro da propriedade e do seu proprietário”, destacou.
A simplificação do processo e a gratuitidade do registo são incentivos para aumentar a área conhecida. “Mantem-se o modelo inicial de gratuitidade para o cidadão ou para as entidades públicas e vem permitir uma situação que nos parece importante do ponto de vista de agilização, todo o procedimento de justificação e registo de prédio omisso passa a ser feito de forma muito mais simplificada e vem permitir poder colocar algumas das peças associadas ao processo de forma desmaterializada e electrónica”, esclareceu.
Este alargamento a todo o país do projecto-piloto, que se iniciou em 10 concelhos, entre eles o de Alfândega da Fé, vai ainda permitir a partilha de informação entre os serviços da administração central.
O diploma, que já foi aprovado em conselho de ministro, é um dos elementos da Reforma das Florestas, integra o Programa de Valorização do Interior, bem como do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro
Pretende-se desta forma aumentar o conhecimento efectivo sobre os proprietários e a propriedade rústica.
Fazendo deste balcão, o BUPI, um instrumento de facilitação e incentivo do processo de registo de prédios, o objetivo é conhecer a propriedade rural para melhorar o ordenamento e protecção do território, explicou, em conferência de imprensa, a secretaria de Estado da Justiça, Anabela Pedroso. “O objectivo estratégico tem a ver com o conhecimento da propriedade, do proprietário e a possibilidade de fazer de forma mais ágil e fácil os procedimentos de justificação e de registo de prédio rústico omisso. Com isto vem-nos permitir que pelo menos nos 150 municípios que têm propriedade rural e não têm nem o chamado cadastro geométrico nem o predial se possa começar a ter um conhecimento mais claro da propriedade e do seu proprietário”, destacou.
A simplificação do processo e a gratuitidade do registo são incentivos para aumentar a área conhecida. “Mantem-se o modelo inicial de gratuitidade para o cidadão ou para as entidades públicas e vem permitir uma situação que nos parece importante do ponto de vista de agilização, todo o procedimento de justificação e registo de prédio omisso passa a ser feito de forma muito mais simplificada e vem permitir poder colocar algumas das peças associadas ao processo de forma desmaterializada e electrónica”, esclareceu.
Este alargamento a todo o país do projecto-piloto, que se iniciou em 10 concelhos, entre eles o de Alfândega da Fé, vai ainda permitir a partilha de informação entre os serviços da administração central.
O diploma, que já foi aprovado em conselho de ministro, é um dos elementos da Reforma das Florestas, integra o Programa de Valorização do Interior, bem como do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro
terça-feira, 27 de agosto de 2019
As Festas da Cidade e um Arraial que sempre neste dia, ou noite, 21 de Agosto, recordo para me sentir cada vez mais parte desta terra e suas gentes, quer os recordados estejam vivos ou hajam já descido com o corpo à terra e espírito ao céu subido.
Por: António Orlando dos Santos (Bombadas)
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Era um dia de Arraial no ano de 1958 e era já pronto o Edifício Domingos Lopes que o distinto comerciante do mesmo nome oferecia à cidade e se haveria de tornar numa referência para todos os que visitam Bragança e para os nados e criados aqui, que o identificam hoje como o Edifício do Flórida que ainda não existia.
Instalou-se no rés-do-chão a chamada cabine de som que servia de Zona Cerebral e de Coordenação do som para o perímetro que circundava a área central do que era a cidade nesse tempo, a saber, Rua Direita até à Escola Velha, área do Mercado, Praça da Sé e Rua de Trás, Rua dos Oleiros, Rua da República, Alexandre Herculano até à Flor da Ponte e o Jardim António José de Almeida que na parte inferior servia de plataforma às Verbenas e à Mina e o tabuleiro superior de ambos os lados serviam de recinto de Baile e tinham barracas de entretenimento que também se estendiam pela Rua da República dando um verdadeiro ar de festa à cidade.
Na Praça Prof. Cavaleiro de Ferreira e até mais ou menos metade da Avenida João da Cruz ficavam instalados os Carrocéis e as tendas que sendo para as mais variadas actividades transformavam a cidade num verdadeiro Arraial.
No Edifício Domingos Lopes o Senhor José Sabino Ribeiro com a sua sabedoria e discernimento montou todo o equipamento para que a música e as mensagens áudio fossem claras e pudessem assim deliciar a população e coordenar toda a logística que uma Festa desta envergadura implicava.
Havia no ar um certo ambiente de modernidade e o edifício referido, acabado de construir e com o aparato de todos aqueles aparelhos que o Senhor Sabino Ribeiro ali expunha com todas aquelas luzinhas, verdes, vermelhas, laranja em constante piscar, faziam a nossa imaginação voar e admirados toda a garotada da Caleja e outros bairros da cidade, confluíam para a frente dos painéis de vidro que ocupavam todo o perímetro da Cabine de Som que a nós nos parecia mais uma central atómica do que um simples estúdio de áudio montado e coordenado pelo mais conceituado técnico de Rádio e Electricidade que era para nós, garotio daquele tempo uma Lenda Viva.
Os locutores de serviço, lembro ainda claramente eram o Snr. Licínio Gorgueira e o Snr. Orlando Lopes, Pachilro, que ainda diz presente e é um dos homens que mais trabalhou graciosamente para o prestígio da sua cidade, tendo ocupado postos em praticamente todas as instituições desde o meu tempo de menino.
Com todo o sistema montado e a funcionar sobre esferas, andávamos nós em constante correrio entre o Campo do Toural, onde havia Tiro aos Pombos,Tiro aos Pratos, Gincana de Automóveis e Jogos de Futebol, a Praça dos Tribunais e todos os outros locais onde mexesse a Festa, quando ouviamos anunciar através da aparelhagem sonora que no dia do Arraial à noite estaria entre nós para nos deliciar com a sua voz maravilhosa a fadista Dina Lopes, nossa conterrânea que atuaria em homenagem à sua cidade, graciosamente, nos estúdios montados no novel edifício apenas inaugurado e que, como ela, eram uma honra para a cidade e região.
Todos os garotos sabiam quem era Dina Lopes que recordo hoje aqui e a quem presto homenagem pelo encanto, o orgulho e a esperança que trouxe à garotada da Caleja e também o prazer que a mim próprio nos meus oito anos inocentes e esperançosos me transmitiu quando chegada a hora e depois de haver sido anunciada cantou para a cidade um fado que era naquele tempo muito popular e que ainda hoje tenho na memória pois foi ela que fez com que não houvesse rapaz ou rapariga da minha criação que não cantasse o FADO das QUEIXAS.
(P'ra que te queixas de mim / Se eu sou assim como tu és /Barco perdido no mar / Que anda a bailar com as marés /Tu bem sabias que eu tinha queixumes / De tantos ciúmes que sempre embalei / Tu bem sabias que amava deveras /Porém quem tu eras / Confesso não sei ! Não sei quem és nem quero saber / Errei, talvez , mas que hei-de eu fazer /...
Falta dizer que a Dina era irmã da Miquelina, minha amiga, mãe do Paulo Bragança e que eu não sei hoje qual foi o seu trajeto artístico. Guardo no entanto esse tempo inesquecível que nos reservou esse pedaço de felicidade que ainda hoje trago comigo e que guardo como preciosidade do tempo em que eu vivia as Festas da Cidade. Quanto ao parentesco com o Paulo Bragança é também para mim uma alegria pois é de facto uma realidade que herdamos características dos nossos maiores que basta aperfeiçoar e elas se concretizam naturalmente.
A Dina Lopes tinha uma voz maravilhosa e o Paulo é também um excelente cantor de Fado e não só.
Nota: A música deste fado é de Carlos Rocha e a letra de Frederico de Brito. Foi um dos fados de que mais gostei pelo seu ritmo rápido e a sua poesia um tanto teatral mas bem concebida.
A guitarra desempenha um papel maior e a menção ao ciúme, tema recorrente no fado, é bem conseguido com a menção do mar e das tragédias que lá se viveram. (Barco perdido no mar, que anda a bailar com as marés. O fado, o mar e o ciúme, três tópicos do imaginário português que hoje passaram a secundários, pois a poesia musicada atual é duma pobreza quase absoluta.
Há algumas exceções, mas só para confirmarem a regra.
21 de Agosto, dia que precede a noite do Arraial deste ano de 2019
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
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| Abílio Fogueteiro |
Era um dia de Arraial no ano de 1958 e era já pronto o Edifício Domingos Lopes que o distinto comerciante do mesmo nome oferecia à cidade e se haveria de tornar numa referência para todos os que visitam Bragança e para os nados e criados aqui, que o identificam hoje como o Edifício do Flórida que ainda não existia.
Instalou-se no rés-do-chão a chamada cabine de som que servia de Zona Cerebral e de Coordenação do som para o perímetro que circundava a área central do que era a cidade nesse tempo, a saber, Rua Direita até à Escola Velha, área do Mercado, Praça da Sé e Rua de Trás, Rua dos Oleiros, Rua da República, Alexandre Herculano até à Flor da Ponte e o Jardim António José de Almeida que na parte inferior servia de plataforma às Verbenas e à Mina e o tabuleiro superior de ambos os lados serviam de recinto de Baile e tinham barracas de entretenimento que também se estendiam pela Rua da República dando um verdadeiro ar de festa à cidade.
Na Praça Prof. Cavaleiro de Ferreira e até mais ou menos metade da Avenida João da Cruz ficavam instalados os Carrocéis e as tendas que sendo para as mais variadas actividades transformavam a cidade num verdadeiro Arraial.
No Edifício Domingos Lopes o Senhor José Sabino Ribeiro com a sua sabedoria e discernimento montou todo o equipamento para que a música e as mensagens áudio fossem claras e pudessem assim deliciar a população e coordenar toda a logística que uma Festa desta envergadura implicava.
Havia no ar um certo ambiente de modernidade e o edifício referido, acabado de construir e com o aparato de todos aqueles aparelhos que o Senhor Sabino Ribeiro ali expunha com todas aquelas luzinhas, verdes, vermelhas, laranja em constante piscar, faziam a nossa imaginação voar e admirados toda a garotada da Caleja e outros bairros da cidade, confluíam para a frente dos painéis de vidro que ocupavam todo o perímetro da Cabine de Som que a nós nos parecia mais uma central atómica do que um simples estúdio de áudio montado e coordenado pelo mais conceituado técnico de Rádio e Electricidade que era para nós, garotio daquele tempo uma Lenda Viva.
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| Orlando Lopes |
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| Licínio Gorgueira |
Com todo o sistema montado e a funcionar sobre esferas, andávamos nós em constante correrio entre o Campo do Toural, onde havia Tiro aos Pombos,Tiro aos Pratos, Gincana de Automóveis e Jogos de Futebol, a Praça dos Tribunais e todos os outros locais onde mexesse a Festa, quando ouviamos anunciar através da aparelhagem sonora que no dia do Arraial à noite estaria entre nós para nos deliciar com a sua voz maravilhosa a fadista Dina Lopes, nossa conterrânea que atuaria em homenagem à sua cidade, graciosamente, nos estúdios montados no novel edifício apenas inaugurado e que, como ela, eram uma honra para a cidade e região.
Todos os garotos sabiam quem era Dina Lopes que recordo hoje aqui e a quem presto homenagem pelo encanto, o orgulho e a esperança que trouxe à garotada da Caleja e também o prazer que a mim próprio nos meus oito anos inocentes e esperançosos me transmitiu quando chegada a hora e depois de haver sido anunciada cantou para a cidade um fado que era naquele tempo muito popular e que ainda hoje tenho na memória pois foi ela que fez com que não houvesse rapaz ou rapariga da minha criação que não cantasse o FADO das QUEIXAS.
(P'ra que te queixas de mim / Se eu sou assim como tu és /Barco perdido no mar / Que anda a bailar com as marés /Tu bem sabias que eu tinha queixumes / De tantos ciúmes que sempre embalei / Tu bem sabias que amava deveras /Porém quem tu eras / Confesso não sei ! Não sei quem és nem quero saber / Errei, talvez , mas que hei-de eu fazer /...
Falta dizer que a Dina era irmã da Miquelina, minha amiga, mãe do Paulo Bragança e que eu não sei hoje qual foi o seu trajeto artístico. Guardo no entanto esse tempo inesquecível que nos reservou esse pedaço de felicidade que ainda hoje trago comigo e que guardo como preciosidade do tempo em que eu vivia as Festas da Cidade. Quanto ao parentesco com o Paulo Bragança é também para mim uma alegria pois é de facto uma realidade que herdamos características dos nossos maiores que basta aperfeiçoar e elas se concretizam naturalmente.
A Dina Lopes tinha uma voz maravilhosa e o Paulo é também um excelente cantor de Fado e não só.
Nota: A música deste fado é de Carlos Rocha e a letra de Frederico de Brito. Foi um dos fados de que mais gostei pelo seu ritmo rápido e a sua poesia um tanto teatral mas bem concebida.
A guitarra desempenha um papel maior e a menção ao ciúme, tema recorrente no fado, é bem conseguido com a menção do mar e das tragédias que lá se viveram. (Barco perdido no mar, que anda a bailar com as marés. O fado, o mar e o ciúme, três tópicos do imaginário português que hoje passaram a secundários, pois a poesia musicada atual é duma pobreza quase absoluta.
Há algumas exceções, mas só para confirmarem a regra.
21 de Agosto, dia que precede a noite do Arraial deste ano de 2019
A. O. dos Santos
(Bombadas)
"Há Festa na Aldeia" regressa este sábado a Rio de Onor
A Aldeias de Portugal anunciou hoje que a iniciativa “Há Festa na Aldeia” vai regressar no sábado com eventos, em simultâneo, nas aldeias de Ul, em Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro, e de Rio de Onor, no distrito de Bragança.
Durante o próximo fim de semana, as aldeias de Rio de Onor e de Ul vão revelar aos visitantes o seu “património, gastronomia, artesanato e a música regionais” para “provar que o que é nacional é mesmo bom, sobretudo as pessoas”, lê-se num comunicado da Aldeias de Portugal enviado hoje à comunicação social.
A iniciativa “Há Festa na Aldeia”, que existe desde 2013 e é apoiada pela Associação de Turismo de Aldeia, em parceria com as Associações de Desenvolvimento Local, tem o objetivo de “dinamizar o território rural em parceria com municípios, entidades locais e várias comunidades e baseia-se na “teoria da Mudança”, uma estratégia que coloca os habitantes das aldeias como principais agentes da mudança e onde são feitas várias formações ao longo do ano.
in:diariodetrasosmontes.com
C/Agência Lusa
Durante o próximo fim de semana, as aldeias de Rio de Onor e de Ul vão revelar aos visitantes o seu “património, gastronomia, artesanato e a música regionais” para “provar que o que é nacional é mesmo bom, sobretudo as pessoas”, lê-se num comunicado da Aldeias de Portugal enviado hoje à comunicação social.
A iniciativa “Há Festa na Aldeia”, que existe desde 2013 e é apoiada pela Associação de Turismo de Aldeia, em parceria com as Associações de Desenvolvimento Local, tem o objetivo de “dinamizar o território rural em parceria com municípios, entidades locais e várias comunidades e baseia-se na “teoria da Mudança”, uma estratégia que coloca os habitantes das aldeias como principais agentes da mudança e onde são feitas várias formações ao longo do ano.
in:diariodetrasosmontes.com
C/Agência Lusa
MINORIAS MAIORITÁRIAS
Entre as centenas que chegavam e partiam apareceu uma garota brasileira, preta, numa turma de décimo ano. Para mim à partida era apenas mais um, tanto se me dava. E a ela pelos vistos também, pois exibia um ar de quem estava de férias ná európá (e de facto estava, como se veio a constatar), o que para um brasileiro parece ser o suprassumo. De forma que se limitava a curtir, a gozar o panorama, a tentar transformar aquilo tudo numa espécie de rave party. Não que isso a distinguisse muito da maioria dos autóctones, mas um dia, a páginas tantas, já depois de ter abundantemente esticado a corda, endereçou um daqueles comentários soezes a uma parceira das filas de trás e não tive outro remédio se não expulsá-la. Levantou-se a custo, a clamar injustiça e a trovejar abominações que ao sair descarregou na porta, não sem antes ter desferido uma farpa peçonhenta: êzti prôfêssô não góztá di pêssoáz difêrêntiz!
Descontando o lado burlesco, o incidente parece-me ilustrativo de algo que à falta de melhor eu classificaria como racismo-ao-contrário. Embora as atitudes que o caraterizam transcendam a questão da raça e se estendam a outras minorias, em traços gerais elas resumem-se a fazer render o rótulo de desfavorecidas que lhes é colado. De que modo? Agravando alguma discriminação que possa existir, e sempre existirá, gritando aqui d’el rei perante o que se suspeite serem ameaças, ainda que leves, ainda que imaginárias, reivindicando um estatuto à parte que as compensaria do suposto desfavorecimento, proclamando mesmo o direito a condutas infratoras, tais como apedrejar polícias e outras que tais. E era assim protegida, assim estribada nessa condição de membro de duas minorias exploradas, jogando a cartada da vitimização, que a brasuquinha pretendia reinar. É certo que para tanto contava com algum sentimento de culpa, e portanto de complacência, por parte de um elemento da maioria exploradora, o professor. Mas como este não estava pelos ajustes, logo “não gostava de pessoas diferentes”.
Quase nem valeria a pena falar da dificuldade em definir o conceito de desfavorecido, dado nunca ser evidente demarcar fronteiras nítidas entre aquilo que é e o que não é. Inserir alguém nessa categoria ou noutra qualquer é muitas vezes um ponto de vista que depende da época, do lugar e do observador que o faz. Além disso é sempre necessário contar com a relatividade das coisas. Uma minoria que se tenha por marginalizada aqui no espaço da união europeia, por exemplo, goza de apreciáveis garantias se comparada com imensas maiorias espalhadas por esse mundo de cristo. O que mostra também que é possível a uma pessoa pertencer ao mesmo tempo a uma minoria desfavorecida e a uma ou várias maiorias privilegiadas, considerando-se elemento da primeira e omitindo a(s) segunda(s) se em determinadas circunstâncias lhe der jeito.
Mais constrangedora é a noção de que não é por integrarem grupos de alguma forma considerados desfavorecidos que as pessoas deixam de ser pessoas. É perceber que os “diferentes” não são assim tão diferentes daqueles que acusam de segregação. Se não, vejamos. Há minorias que costumam ser marginalizadas, estigmatizadas? Pois há. Mas maiorias também. Tenhamos em conta que a história universal tem sido um longo percurso em que todo o tipo de minorias tem segregado, subjugado, explorado maiorias, independentemente de umas e outras serem constituídas por negros, imigrantes, ciganos, homossexuais, canalizadores, limpa-chaminés. Qualquer grupo minoritário que ganhe alguma ascendência e se guinde ao poder esquece rapidamente a antiga condição e passa a subjugar, discriminar, explorar os outros, isto é, as maiorias.
À parte todos os progressos, é assim que somos. Primeiro os meus interesses e os do meu grupo e muito lá para o fim (e se calhar), o bem comum, a solidariedade, a ética, os valores. Uma fatalidade. Daí a minha desconfiança de que, no caso de eventualmente o poder sorrir um dia às suas minorias ditas desfavorecidas, apanhadas à brida solta, não tardaria a que os homossexuais me declarassem degenerado, os ciganos colocassem sapos à entrada das lojas onde quisesse entrar, os negros instituíssem um apartheid que me isolaria deles e respetivos privilégios, os imigrantes me barrassem a entrada no “seu” novo país. Pessimismo? Não creio…
Eduardo Pires
in:jornalnordeste.com
Descontando o lado burlesco, o incidente parece-me ilustrativo de algo que à falta de melhor eu classificaria como racismo-ao-contrário. Embora as atitudes que o caraterizam transcendam a questão da raça e se estendam a outras minorias, em traços gerais elas resumem-se a fazer render o rótulo de desfavorecidas que lhes é colado. De que modo? Agravando alguma discriminação que possa existir, e sempre existirá, gritando aqui d’el rei perante o que se suspeite serem ameaças, ainda que leves, ainda que imaginárias, reivindicando um estatuto à parte que as compensaria do suposto desfavorecimento, proclamando mesmo o direito a condutas infratoras, tais como apedrejar polícias e outras que tais. E era assim protegida, assim estribada nessa condição de membro de duas minorias exploradas, jogando a cartada da vitimização, que a brasuquinha pretendia reinar. É certo que para tanto contava com algum sentimento de culpa, e portanto de complacência, por parte de um elemento da maioria exploradora, o professor. Mas como este não estava pelos ajustes, logo “não gostava de pessoas diferentes”.
Quase nem valeria a pena falar da dificuldade em definir o conceito de desfavorecido, dado nunca ser evidente demarcar fronteiras nítidas entre aquilo que é e o que não é. Inserir alguém nessa categoria ou noutra qualquer é muitas vezes um ponto de vista que depende da época, do lugar e do observador que o faz. Além disso é sempre necessário contar com a relatividade das coisas. Uma minoria que se tenha por marginalizada aqui no espaço da união europeia, por exemplo, goza de apreciáveis garantias se comparada com imensas maiorias espalhadas por esse mundo de cristo. O que mostra também que é possível a uma pessoa pertencer ao mesmo tempo a uma minoria desfavorecida e a uma ou várias maiorias privilegiadas, considerando-se elemento da primeira e omitindo a(s) segunda(s) se em determinadas circunstâncias lhe der jeito.
Mais constrangedora é a noção de que não é por integrarem grupos de alguma forma considerados desfavorecidos que as pessoas deixam de ser pessoas. É perceber que os “diferentes” não são assim tão diferentes daqueles que acusam de segregação. Se não, vejamos. Há minorias que costumam ser marginalizadas, estigmatizadas? Pois há. Mas maiorias também. Tenhamos em conta que a história universal tem sido um longo percurso em que todo o tipo de minorias tem segregado, subjugado, explorado maiorias, independentemente de umas e outras serem constituídas por negros, imigrantes, ciganos, homossexuais, canalizadores, limpa-chaminés. Qualquer grupo minoritário que ganhe alguma ascendência e se guinde ao poder esquece rapidamente a antiga condição e passa a subjugar, discriminar, explorar os outros, isto é, as maiorias.
À parte todos os progressos, é assim que somos. Primeiro os meus interesses e os do meu grupo e muito lá para o fim (e se calhar), o bem comum, a solidariedade, a ética, os valores. Uma fatalidade. Daí a minha desconfiança de que, no caso de eventualmente o poder sorrir um dia às suas minorias ditas desfavorecidas, apanhadas à brida solta, não tardaria a que os homossexuais me declarassem degenerado, os ciganos colocassem sapos à entrada das lojas onde quisesse entrar, os negros instituíssem um apartheid que me isolaria deles e respetivos privilégios, os imigrantes me barrassem a entrada no “seu” novo país. Pessimismo? Não creio…
Eduardo Pires
in:jornalnordeste.com
Livros de mogadourenses apresentados na biblioteca municipal Trindade Coelho
A biblioteca municipal Trindade Coelho, em Mogadouro, abriu portas a mais dois filhos da terra que se dedicam à escrita.
Um deles foi Irene Telo de Castro que apresentou aos mogadourenses o seu mais recente livro. Segundo a autora, este “Momentos de Vida”, escrito em prosa poética, dá a conhecer “sentimentos que, de uma forma ou de outra, todos nós partilhamos. Justifico o título, momentos de vida, pelo facto de se encontrarem neste livro pedaços de mim e de pessoas que fui conhecendo ao longo da vida pessoal e profissional, abordo locais que me são queridos e situações que me marcaram”, afirmou a autora.
Também, Francisco Baptista, da aldeia de Brunhoso, apresentou aos conterrâneos uma publicação que é dedicada à sua passagem pela Guiné e à localidade de onde é natural. “Este livro começou com um blog de camaradas da Guiné, onde estive há 50 anos, comecei a escrever o que se tinha passado comigo nos dois anos que lá estive. E passei também a falar da minha aldeia, Brunhoso, porque na infância e juventude vivi tempos muito duros, que me marcaram muito”, contou Francisco Baptista.
A autarquia de Mogadouro tem vindo a promover a apresentação de publicações das gentes da terra. Virgínia Vieira, vereadora da câmara municipal de Mogadouro, sublinha a importância de ajudar a dar a conhecer os escritores. “O que nós queremos é ter mais conterrâneos a escreverem, a deixarem as suas memórias, porque quando escrevem ficam as memórias para o futuro, para os jovens mais tarde saberem as nossas origens”, destacou.
Os livros destes autores mogadourenses foram apresentados no fim-de-semana passado.
Escrito por Brigantia
Fotos: Município de Mogadouro.
Jornalista: Carina Alves
Um deles foi Irene Telo de Castro que apresentou aos mogadourenses o seu mais recente livro. Segundo a autora, este “Momentos de Vida”, escrito em prosa poética, dá a conhecer “sentimentos que, de uma forma ou de outra, todos nós partilhamos. Justifico o título, momentos de vida, pelo facto de se encontrarem neste livro pedaços de mim e de pessoas que fui conhecendo ao longo da vida pessoal e profissional, abordo locais que me são queridos e situações que me marcaram”, afirmou a autora.
Também, Francisco Baptista, da aldeia de Brunhoso, apresentou aos conterrâneos uma publicação que é dedicada à sua passagem pela Guiné e à localidade de onde é natural. “Este livro começou com um blog de camaradas da Guiné, onde estive há 50 anos, comecei a escrever o que se tinha passado comigo nos dois anos que lá estive. E passei também a falar da minha aldeia, Brunhoso, porque na infância e juventude vivi tempos muito duros, que me marcaram muito”, contou Francisco Baptista.
A autarquia de Mogadouro tem vindo a promover a apresentação de publicações das gentes da terra. Virgínia Vieira, vereadora da câmara municipal de Mogadouro, sublinha a importância de ajudar a dar a conhecer os escritores. “O que nós queremos é ter mais conterrâneos a escreverem, a deixarem as suas memórias, porque quando escrevem ficam as memórias para o futuro, para os jovens mais tarde saberem as nossas origens”, destacou.
Os livros destes autores mogadourenses foram apresentados no fim-de-semana passado.
Escrito por Brigantia
Fotos: Município de Mogadouro.
Jornalista: Carina Alves
Documentário Alfaião distinguido em festival internacional de curta-metragem na Índia
O documentário “Alfaião”, que, ao longo de 13 minutos, dá a conhecer o dia-a-dia desta aldeia do concelho de Bragança, foi, mais uma vez premiado.
O filme, que já conta com dez distinções, recebeu agora o prémio de melhor documentário internacional no The Next, Festival Internacional de Curta-metragem, em Calcutá, na Índia. O realizador, André Almeida Rodrigues, natural de Matosinhos, não contava com a distinção mas sublinha o agrado que é receber mais um prémio. “Primeiro há sempre uma pré-selecção por parte do festival e Alfaião acabou por se distinguir dessa selecção oficial como melhor documentário internacional. Vejo com grande satisfação o percurso que o filme está a fazer até ao momento. É mais importante uma exibição do que um prémio, mas quando há um prémio é sempre uma agradável surpresa”, afirmou.
O realizador afirma ainda que as gentes da aldeia de Alfaião também se têm mostrado orgulhosas com os prémios que o filme tem conseguido uma vez que está a levar mais longe o nome da localidade. “Para a última ceia de Natal comunitária da aldeia fui convidado para ir a Alfaião e toda a aldeia me distinguiu com uma placa de agradecimento por ter levado Alfaião pelo mundo fora. As pessoas estão muito satisfeita, porque com o filme é a aldeia que é projectada, as pessoas, o seu dia-a-dia”, destaca.
O filme, que enaltece os aspectos quotidianos e simples da vida na aldeia de Alfaião, é da autoria de André Almeida Rodrigues e surgiu como projecto final de mestrado do jovem, em 2016.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
O filme, que já conta com dez distinções, recebeu agora o prémio de melhor documentário internacional no The Next, Festival Internacional de Curta-metragem, em Calcutá, na Índia. O realizador, André Almeida Rodrigues, natural de Matosinhos, não contava com a distinção mas sublinha o agrado que é receber mais um prémio. “Primeiro há sempre uma pré-selecção por parte do festival e Alfaião acabou por se distinguir dessa selecção oficial como melhor documentário internacional. Vejo com grande satisfação o percurso que o filme está a fazer até ao momento. É mais importante uma exibição do que um prémio, mas quando há um prémio é sempre uma agradável surpresa”, afirmou.
O realizador afirma ainda que as gentes da aldeia de Alfaião também se têm mostrado orgulhosas com os prémios que o filme tem conseguido uma vez que está a levar mais longe o nome da localidade. “Para a última ceia de Natal comunitária da aldeia fui convidado para ir a Alfaião e toda a aldeia me distinguiu com uma placa de agradecimento por ter levado Alfaião pelo mundo fora. As pessoas estão muito satisfeita, porque com o filme é a aldeia que é projectada, as pessoas, o seu dia-a-dia”, destaca.
O filme, que enaltece os aspectos quotidianos e simples da vida na aldeia de Alfaião, é da autoria de André Almeida Rodrigues e surgiu como projecto final de mestrado do jovem, em 2016.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
Autarca de Vila Flor acredita que o Plano de Mobilidade do Tua será mesmo implementado no próximo ano
O presidente da câmara de Vila Flor confirma que o plano de mobilidade do Tua será uma realidade para o ano.
Após três anos de avanços e recuos, em Fevereiro, foram assinados, em Vila Flor, os contratos para as obras que faltava fazer na via para pôr o comboio a andar. Estava assim previsto que neste mês o comboio voltasse a apitar na linha do Tua. As previsões não se cumpriram já que dias depois surgiram contrariedades com a responsabilidade da execução dos trabalhos. O autarca Fernando Barros confirma agora que os entraves estão ultrapassados e para o ano o projecto será uma realidade. “Os projectos difíceis arrancam sempre assim. Todos os entraves estão, neste momento, resolvidos e nós para o ano vamos ter aquele projecto, Agora, todos nós temos de trabalhar, o promotor e nós”, afirmou.
O autarca considera ainda que o projecto será um sucesso. “Acredito muito na minha terra e na minha região, acho que projectos como o do Vale do Tua vão ser um sucesso. Acredito que o comboio vai ser voltar a apitar e que vai haver mobilidade turística e quotidiana”, defendeu.
Fernando Barros acredita que o plano de mobilidade do Tua será “um projecto âncora para a região”.
Escrito por Brigantia
Foto: ADRVT
Jornalista: Carina Alves
Após três anos de avanços e recuos, em Fevereiro, foram assinados, em Vila Flor, os contratos para as obras que faltava fazer na via para pôr o comboio a andar. Estava assim previsto que neste mês o comboio voltasse a apitar na linha do Tua. As previsões não se cumpriram já que dias depois surgiram contrariedades com a responsabilidade da execução dos trabalhos. O autarca Fernando Barros confirma agora que os entraves estão ultrapassados e para o ano o projecto será uma realidade. “Os projectos difíceis arrancam sempre assim. Todos os entraves estão, neste momento, resolvidos e nós para o ano vamos ter aquele projecto, Agora, todos nós temos de trabalhar, o promotor e nós”, afirmou.
O autarca considera ainda que o projecto será um sucesso. “Acredito muito na minha terra e na minha região, acho que projectos como o do Vale do Tua vão ser um sucesso. Acredito que o comboio vai ser voltar a apitar e que vai haver mobilidade turística e quotidiana”, defendeu.
Fernando Barros acredita que o plano de mobilidade do Tua será “um projecto âncora para a região”.
Escrito por Brigantia
Foto: ADRVT
Jornalista: Carina Alves
Seis detidos em operação da GNR em festa de música no concelho de Macedo de Cavaleiros
No passado sábado, a GNR realizou uma operação de prevenção criminal a um festival de música na localidade de Carrapatas, concelho de Macedo de Cavaleiros.
Em resultado desta operação, foram detidos quatro indivíduos por tráfico de droga, dois por condução sem habilitação legal e apreendidas sete doses de óleo de cannabis e 37 doses de haxixe.
Ficaram ainda registadas infrações por consumo de estupefacientes, condução com taxa de álcool no sangue superior ao permitido e um título de condução caducado.
Os detidos foram presentes, ontem, ao Tribunal de Macedo de Cavaleiros, sendo que aos indivíduos acusados de tráfico de estupefacientes foi-lhes aplicado seis meses de pena suspensa e 70 horas de trabalho comunitário, e aos detidos por condução sem habilitação, seis meses de pena suspensa e uma multa de 250 euros.
Escrito por Onda Livre (CIR)
Em resultado desta operação, foram detidos quatro indivíduos por tráfico de droga, dois por condução sem habilitação legal e apreendidas sete doses de óleo de cannabis e 37 doses de haxixe.
Ficaram ainda registadas infrações por consumo de estupefacientes, condução com taxa de álcool no sangue superior ao permitido e um título de condução caducado.
Os detidos foram presentes, ontem, ao Tribunal de Macedo de Cavaleiros, sendo que aos indivíduos acusados de tráfico de estupefacientes foi-lhes aplicado seis meses de pena suspensa e 70 horas de trabalho comunitário, e aos detidos por condução sem habilitação, seis meses de pena suspensa e uma multa de 250 euros.
Escrito por Onda Livre (CIR)
O Louco da Praça das Águas Cantantes, ou Foto da Periferia
Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
São Paulo - Brasil
19:00 h do dia 30-11-2007; Praça Nicola Viviléchio, Taboão da Serra (SP), Brasil.
A noite caía sobre Taboão da Serra, obviamente com a permissão da Câmara Municipal. A Praça Nicola Viviléchio se fez bonita como há muito tempo não ousava ser. Milhões de pequeninas lâmpadas cobriam os troncos das trinta e oito árvores plantadas na praça. O espírito de Natal pairava no ar. Duas dezenas de crianças brincavam, correndo em volta da velha marquise, no centro da praça, onde num passado nem tão distante assim, o maestro Álvaro Manoel comandava uma banda de música mui charmosa, executando maxixes, marchas, polcas, dobrados e habaneras. Em volta da marquise, quatro ou cinco casais sentados ou de pé, trocavam confidências e falavam de amor. Algumas mães apreciavam seus rebentos nas reinações usuais, com olhares cúmplices. Muitos desempregados ainda procuravam nas páginas do “Jornal de emprego”, mais uma chance na vida. Políticos contornavam a praça, ''em direção à Câmara Municipal'' alguns atores de teatro ensaiavam, dentro do Cemur, ali, em frente à praça.
Um louco, vestido à Chaplin, olhava continuamente para a fonte luminosa, ainda desligada. Ele não tinha mais de trinta e poucos anos, a meu ver. Vestia os pés com velhos, surrados e furados tênis; um pé em vermelho, outro em verde; a calça, branca e encardida e com um rasgo na retaguarda, deixava antever outra calça, vermelha, sob a calça branca. A camisa, de listras horizontais, multicolorida e bonita, ainda que surrada, com mangas compridas, bufantes, em cores contrastantes e abotoadas até o pescoço, deixava antever, uma bonita gravata azul escuro, puída, presa com nó górdio. Os cabelos longos e em desalinho e a barba rala, não deixava dúvidas sobre certo desajuste mental. Os dentes, muito brancos, mostravam-se minuto a minuto, num sorriso silencioso.
As mãos do louco, longas e magras, com os dedos indicadores em riste, traçavam ondas, círculos e elipses no ar; como que estivesse regendo uma orquestra invisível. Notei-o muito magro. Subitamente, passou a contornar a fonte luminosa da praça, primeiro lentamente, depois se apressando aos poucos e ao final, exatamente quando a fonte luminosa foi ligada, ele estava correndo, suado, ofegante, feliz.
As pessoas que lá estavam aos poucos foram atraídas pelo comportamento completamente fora dos padrões; do louco.
Algumas mulheres olhavam com certo receio a desenvoltura do louco e chamavam, para perto de si, seus rebentos; estes aturdidos, atendiam sem saber o “por quê”!
Dos alto-falantes da fonte luminosa, concomitantemente com o espetáculo de luzes, cores e águas, ouviu-se as primeiras notas de uma ária da música “As Quatro Estações”, de Vivaldi.
E a praça encheu-se com aquelas notas: “tã, tã, tã, tã tarã, tarã, tantantan ...” .
O louco deu um grito agudo, mais parecido com um pio do gavião real. Em seguida, subiu a pequena mureta que limitava as ruelas da praça com os canteiros que circundava a fonte luminosa. Curvou-se cerimoniosamente para as águas cantantes, pés juntos, joelhos dobrados e tronco curvado, olhos cerrados, mãos estendidas em direção à fonte. Em seguida voltou-se costas para a fonte e, diante do público incrédulo, repetiu o cumprimento; tudo exatamente com um maestro de verdade faria, se ali estivesse.
Enquanto algumas pessoas ali na praça faziam muxoxo, sorriso velado, o louco se concentrava, enquanto que a gravação atingia uma parte da música começava um “pizzicato”, ele regeu com energia, mãos ondulantes, olhar enérgico para as águas, que alternavam cores e jatos de cinco metros de altura, depois de um metro e novamente de dois e cinco metros; o louco rodava círculos com os braços e mãos. Quando o jato de água abaixava, ele abaixava, quando o jato subia, ele se punha na ponta dos pés. Começou um “adágio andante”, num crescente, que culminou num movimento “allegro”. O louco maestro suava aos borbotões, mesmo assim não demonstrava cansaço. Foram juntando às pessoas que ali estavam, todo tipo de gente, em pouco, era uma multidão em volta da fonte e do louco.
O operador do som da fonte resolveu então mudar a música e colocou uma valsa de Strauss Jr., a famosa “Danúbio Azul”. O louco maestro, tomado de emoção, tremia da cabeça aos pés, encharcado de suor e de respingos da fonte, feições retorcidas, cabelos em desalinho. Ele bailava com uma “partner” invisível. Num relance, colheu uma rosa no canteiro defronte, prendendo-a aos dentes, enquanto bailava com tanta felicidade, que toda a cidade se iluminou.
Chegaram os guardas municipais, defensores do patrimônio público, que tentaram agarrar o louco. Algumas pessoas se divertiam com a situação; outras permaneceram com comportamento frio, nem contra nem a favor.
Agora estavam três pessoas dentro da fonte, entre os canos chafarizes, com feições multicoloridas. O louco no ponto mais alto, os outros abaixo, o povo assistindo.
De repente, ouviu-se um estrondo, qual um trovão. Um corisco riscou os céus das Terras de Taboão e, um anjo todo de branco e enormes e alvas asas, tomou o louco entre os braços e o levou aos céus, longe da praça, dos guardas municipais e do povo.
Umas três semanas depois desse evento, sonhei com o louco. O rosto sereno, a barba, os cabelos negros e longos eram os mesmos. Olhou-me e mostrou-me as chagas de suas mãos. Era Natal em Taboão da Serra, Brasil. O mundo ocidental sabia, muito bem, quem era o louco da praça...
Criado em 28.02.2008 by ACAS
Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos. É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos” e quatro em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”.
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
São Paulo - Brasil
19:00 h do dia 30-11-2007; Praça Nicola Viviléchio, Taboão da Serra (SP), Brasil.
A noite caía sobre Taboão da Serra, obviamente com a permissão da Câmara Municipal. A Praça Nicola Viviléchio se fez bonita como há muito tempo não ousava ser. Milhões de pequeninas lâmpadas cobriam os troncos das trinta e oito árvores plantadas na praça. O espírito de Natal pairava no ar. Duas dezenas de crianças brincavam, correndo em volta da velha marquise, no centro da praça, onde num passado nem tão distante assim, o maestro Álvaro Manoel comandava uma banda de música mui charmosa, executando maxixes, marchas, polcas, dobrados e habaneras. Em volta da marquise, quatro ou cinco casais sentados ou de pé, trocavam confidências e falavam de amor. Algumas mães apreciavam seus rebentos nas reinações usuais, com olhares cúmplices. Muitos desempregados ainda procuravam nas páginas do “Jornal de emprego”, mais uma chance na vida. Políticos contornavam a praça, ''em direção à Câmara Municipal'' alguns atores de teatro ensaiavam, dentro do Cemur, ali, em frente à praça.
Um louco, vestido à Chaplin, olhava continuamente para a fonte luminosa, ainda desligada. Ele não tinha mais de trinta e poucos anos, a meu ver. Vestia os pés com velhos, surrados e furados tênis; um pé em vermelho, outro em verde; a calça, branca e encardida e com um rasgo na retaguarda, deixava antever outra calça, vermelha, sob a calça branca. A camisa, de listras horizontais, multicolorida e bonita, ainda que surrada, com mangas compridas, bufantes, em cores contrastantes e abotoadas até o pescoço, deixava antever, uma bonita gravata azul escuro, puída, presa com nó górdio. Os cabelos longos e em desalinho e a barba rala, não deixava dúvidas sobre certo desajuste mental. Os dentes, muito brancos, mostravam-se minuto a minuto, num sorriso silencioso.
As mãos do louco, longas e magras, com os dedos indicadores em riste, traçavam ondas, círculos e elipses no ar; como que estivesse regendo uma orquestra invisível. Notei-o muito magro. Subitamente, passou a contornar a fonte luminosa da praça, primeiro lentamente, depois se apressando aos poucos e ao final, exatamente quando a fonte luminosa foi ligada, ele estava correndo, suado, ofegante, feliz.
As pessoas que lá estavam aos poucos foram atraídas pelo comportamento completamente fora dos padrões; do louco.
Algumas mulheres olhavam com certo receio a desenvoltura do louco e chamavam, para perto de si, seus rebentos; estes aturdidos, atendiam sem saber o “por quê”!
Dos alto-falantes da fonte luminosa, concomitantemente com o espetáculo de luzes, cores e águas, ouviu-se as primeiras notas de uma ária da música “As Quatro Estações”, de Vivaldi.
E a praça encheu-se com aquelas notas: “tã, tã, tã, tã tarã, tarã, tantantan ...” .
O louco deu um grito agudo, mais parecido com um pio do gavião real. Em seguida, subiu a pequena mureta que limitava as ruelas da praça com os canteiros que circundava a fonte luminosa. Curvou-se cerimoniosamente para as águas cantantes, pés juntos, joelhos dobrados e tronco curvado, olhos cerrados, mãos estendidas em direção à fonte. Em seguida voltou-se costas para a fonte e, diante do público incrédulo, repetiu o cumprimento; tudo exatamente com um maestro de verdade faria, se ali estivesse.
Enquanto algumas pessoas ali na praça faziam muxoxo, sorriso velado, o louco se concentrava, enquanto que a gravação atingia uma parte da música começava um “pizzicato”, ele regeu com energia, mãos ondulantes, olhar enérgico para as águas, que alternavam cores e jatos de cinco metros de altura, depois de um metro e novamente de dois e cinco metros; o louco rodava círculos com os braços e mãos. Quando o jato de água abaixava, ele abaixava, quando o jato subia, ele se punha na ponta dos pés. Começou um “adágio andante”, num crescente, que culminou num movimento “allegro”. O louco maestro suava aos borbotões, mesmo assim não demonstrava cansaço. Foram juntando às pessoas que ali estavam, todo tipo de gente, em pouco, era uma multidão em volta da fonte e do louco.
O operador do som da fonte resolveu então mudar a música e colocou uma valsa de Strauss Jr., a famosa “Danúbio Azul”. O louco maestro, tomado de emoção, tremia da cabeça aos pés, encharcado de suor e de respingos da fonte, feições retorcidas, cabelos em desalinho. Ele bailava com uma “partner” invisível. Num relance, colheu uma rosa no canteiro defronte, prendendo-a aos dentes, enquanto bailava com tanta felicidade, que toda a cidade se iluminou.
Chegaram os guardas municipais, defensores do patrimônio público, que tentaram agarrar o louco. Algumas pessoas se divertiam com a situação; outras permaneceram com comportamento frio, nem contra nem a favor.
Agora estavam três pessoas dentro da fonte, entre os canos chafarizes, com feições multicoloridas. O louco no ponto mais alto, os outros abaixo, o povo assistindo.
De repente, ouviu-se um estrondo, qual um trovão. Um corisco riscou os céus das Terras de Taboão e, um anjo todo de branco e enormes e alvas asas, tomou o louco entre os braços e o levou aos céus, longe da praça, dos guardas municipais e do povo.
Umas três semanas depois desse evento, sonhei com o louco. O rosto sereno, a barba, os cabelos negros e longos eram os mesmos. Olhou-me e mostrou-me as chagas de suas mãos. Era Natal em Taboão da Serra, Brasil. O mundo ocidental sabia, muito bem, quem era o louco da praça...
Criado em 28.02.2008 by ACAS
Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos. É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos” e quatro em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”.
A doceira americana que mudou as mulheres de uma aldeia do Douro
Quando chegou a Trás-os-Montes, em 1987, o feminino não se conjugava em Portugal da mesma forma a que Puri Fernandes se tinha habituado nos EUA. Isso mudou e com a sua ajuda.
Não há como Puri", garantem os amigos. E Parambos, freguesia do concelho de Carrazeda de Ansiães, onde mora, sentiu a turbulência da chegada desta americana, em 1987. Purificacion Fernandes, de 70 anos, conta como um suspiro dos EUA mudou para sempre uma pequena aldeia do Douro. Depois de anos a viajar pelo mundo, entre a língua portuguesa, a espanhola e a inglesa, e de uma carreira de nome nos EUA, goza agora a sua reforma (de forma ativa) nesta localidade que ajudou a mudar, entre a adrenalina de um negócio de compotas e o alojamento rural numa casinha de campo.
Trocou Washington pelo Douro a proposta do marido, o "senhor doutor" Mário Vasco Fernandes, reconhecido médico, cientista e pintor, de raízes portuguesas - mas sem nunca ter morado em Portugal. A casa era da família e resolveram comprá-la quando o pai de Mário morreu. Ele apreciava mais Lisboa, mas Puri queria mesmo era a sua casa no campo. Mantiveram-na propositadamente como uma habitação parada no tempo, de traça antiga e característica de Trás-os-Montes. Quase se podia adivinhar a que zona do país pertence mesmo que só a víssemos pintada num dos quadros do seu já falecido marido.
Só se diferencia da maioria das casas de Parambos por não ter um grande cartaz verde e branco à porta, com uma qualquer frase em declaração de amor ao Sporting Clube de Portugal. Não fosse esta considerada a aldeia mais sportinguista do país. Há anos que 100% dos seus habitantes partilham o mesmo clube. E nem Puri escapou. Não há rasto de Sporting cá fora, mas lá dentro guarda cachecóis e camisolas verdes e brancas. Uma delas onde tem inscrito o logótipo do negócio que fez florescer quando chegou a Parambos e pelo qual é mais popularmente conhecida. Desta casa, saem os famosos Doces da Puri, compotas artesanais de todos os tipos de fruta que planta na sua quinta.
Estamos na cozinha, onde Puri mexe com firmeza um creme de marmelada, com uma colher de pau, enquanto recorda o ano de 1995. O mesmo em que decidiu lançar este pequeno-médio negócio, que de local já corre mundo. No terreno que a família do marido lhes deixou em Parambos, nasciam várias árvores de fruto, com fruta a mais para duas pessoas. Rodopia a colher com mais força e continua a contar. Foi numa ótica de reutilização que Puri decidiu, então, fazer delas creme, ao qual chamaria compota. Começou por fazê-la sozinha, até as encomendas não chegarem para duas mãos, tendo agora três outras mulheres ao seu serviço. Entretanto, o creme já fervilha na panela e toda a atenção tem de estar naquela mestria. Em segundos, a marmelada está pronta a ir para as taças de porcelana. Ou para as embalagens de plásticos e vidro, se já tem dono à espera.
Já lá vão vários prémios para os doces que saem desta cozinha diariamente. Uns nacionais, outros internacionais. Mas "não há segredos", garante Puri. Só uma filosofia, que vai aplicando à vida: "No que toca a doces, nunca se pode mudar a receita original." Por isso é que, aos 70 anos, também já não tenciona abandonar Parambos, a sua primeira receita portuguesa.
Mudar a aldeia, mulher a mulher
No início de 1987, o país preparava-se para umas eleições legislativas que viriam a manter Aníbal Cavaco Silva no lugar de primeiro-ministro português. Portugal andava devagar, não muito longe da ressaca dos tempos de repressão. Ainda mais nas pequenas localidades, e Parambos não era exceção. A pequena localidade de menos de 300 habitantes não estava preparada para, de repente, receber um pedaço do norte da América, tão livre e desperta. Nem para Puri Fernandes. Mas a norte-americana lembra como a sua chegada "veio provocar várias mudanças na aldeia, principalmente para as mulheres".
Teve "uns problemas" no início. Era a esposa de Mário Vasco Fernandes e não a Puri. "Não me reconheciam o direito de responder a nada sequer." Mas respondia, garante.
"O meu marido fazia aqui produção do vinho e, na altura das vindimas, os ajudantes tinham por tradição limpar o sapato do dono da terra quando ele chegava. Mas não era o dele que limpavam. Era o meu."
Lembra-se da estranheza que causou e daquela que sentiu quando chegou. "Estávamos a construir esta cozinha e chamámos uma pessoa referenciada aqui da aldeia para a pintura. Quando estava a pôr andaimes para pintar, eu pensei: 'Vou aproveitar para ajudar, até porque sou boa com pinturas.' Eu subi e, imediatamente, mostrou-se chateado por uma mulher se estar a meter no trabalho dele. Disse-lhe 'vai ser mais fácil dar um pontapé no seu rabo e atirá-lo lá para baixo do que você tirar-me daqui de cima'. E ele percebeu que com esta não se brinca", recorda, sem conter uma gargalhada.
O que "era aceitável nos EUA, cá nem pensar". Nem mesmo uma mulher lavar um carro. "Quando cheguei, sempre que convidava as mulheres para algo, diziam-me que não podiam porque os maridos não deixavam ou que iam perguntar-lhes se podiam ir. Mas fui mostrando que nós temos um papel maior do que este enquanto mulheres. Que ser eu a lavar o carro, por exemplo, não me tira nenhum pedaço."
Aos poucos, a norte-americana viu a aldeia transformar-se. Deixou de ser a esposa de alguém para ser a "dona Puri". Rapidamente, provocou um reconhecimento que nenhuma outra mulher parecia ter naquela aldeia. "O meu marido fazia aqui produção do vinho e, na altura das vindimas, os ajudantes tinham por tradição limpar o sapato do dono da terra quando ele chegava. Mas não era o dele que limpavam. Era o meu."
Nunca pensou acerrimamente se a determinação com que define o papel de uma mulher na sociedade é fruto da vida ambulante que leva desde que tem meses de idade, de contacto com diferentes culturas ou do caminho profissional que escolheu. Adivinha que seja um pouco dos dois, mas que talvez se deva mais às profissões que exerceu. Primeiro, trabalhou como como membro do quadro internacional de programas de desenvolvimento regional e social na Organização dos Estados Americanos (OEA). Depois, nos programas sociais da Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento.
No caso de ambos os cargos que exerceu nos EUA, lembra que "era a única mulher entre homens". Ou "one of the guys", como costuma dizer. "E quando se trabalha só com homens, aprendes a sobreviver como mulher e a afirmar-te no meio deles", conta. "Se faziam uma piada, eu chutava uma pior e acabava ali a conversa."
Pouco a pouco, Puri foi provocando uma revolução silenciosa entre as mulheres. Mas não foi apenas o papel feminino que mudou em Parambos. Conta que a chegada do casal teve também influência na forma como os locais olhavam para as suas habitações. Onde viam uma casa longe de acompanhar os tempos modernos, Puri via a beleza da tradição. "Houve uma altura em que as pessoas queriam desmanchar as casas e construir novas, de tijolos. Eu dizia-lhes para não o fazerem, que tinham casas tão bonitas de pedra, para as preservarem", conta. Assim foi, na maioria dos casos.
Um amor em Washington que se prolongou até ao Douro
Puri nasceu na Galiza, onde não ficou mais do que meses, até os pais se decidirem mudar para a Argentina por motivos profissionais. O pai tinha uma carreira de sucesso na indústria de fornos elétricos. Por isso, quando a filha tinha apenas 5 anos, voltam a voar, desta vez sem trocar de continente: para o Brasil. Primeiro, em Brasília, depois no Rio de Janeiro.
Só mais tarde, era ela uma estudante de Direito, conhece o pai de um dos seus três filhos, com quem queria experimentar a vida nos EUA. Mas apenas quando já estava separada e com um filho com meses de vida, em 1970, é que Puri assentou neste país. E mesmo com tanta outra vida passada até lá chegar, que lhe deu até um sotaque brasileiro quando fala português, considera-se "100% norte-americana".
Corria o ano de 1978 quando abriu espaço a um amor que a acompanharia para o resto da vida. Neste ano, Puri e Mário Vasco Fernandes cruzaram pela primeira vez caminhos, numa conferência em Washington. "Tinha ele acabado de ficar viúvo", lembra.
Puri conta a vida de Mário em tom de admiração. O médico veterinário foi também o cientista que ajudou a criar a vacina da raiva, que substituiu a descoberta de Pasteur. Durante cerca de 30 anos, ocupou os quadros superiores da Organização Mundial da Saúde, entre 1965 e 1989.
Viajou o mundo, ancorado na profissão, mas mais em pormenor a América do Sul, onde criou um instituto que alcançou a erradicação da febre aftosa. Geriu ainda uma instituição que coordenava a saúde de toda a América Latina e assinou centenas de trabalhos em revistas científicas conceituadas. Puri confidencia mesmo que Mário "foi uma vez indicado para o Prémio Nobel da Medicina".
Depois de reformado, aos 73 anos, dedicou-se a uma paixão antiga: a pintura. Mostrou a sua obra a Carrazeda de Ansiães, que de tão encantada decidiu, em 2015, dar o seu nome a uma das suas ruas - agora Rua Dr. Mário Vasco Fernandes. Mário pintava sobretudo cartas de amor às tradições transmontanas, as suas casas e becos. A técnica tinha aprendido há mais de três décadas, quando frequentou escolas da Academia de Arte Livre de Paris, nos anos 1950.
A sua vida começou 20 anos adiantada à de Puri Fernandes. "Estávamos em fases muito diferentes da vida, mas resultávamos porque ele sabia que eu estava bem com ele, mas estava muito bem sozinha também. É a segurança de que um relacionamento precisa, seja ele qual for", explica.
Portugal só foi um plano por consequência da sua história de amor e é o país onde Puri pretende gozar o resto da vida. "Já sou transmontana", não teme em dizer. "Aqui ou nos EUA, estou em casa."
Catarina Reis
Diário de Notícias
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
Não há como Puri", garantem os amigos. E Parambos, freguesia do concelho de Carrazeda de Ansiães, onde mora, sentiu a turbulência da chegada desta americana, em 1987. Purificacion Fernandes, de 70 anos, conta como um suspiro dos EUA mudou para sempre uma pequena aldeia do Douro. Depois de anos a viajar pelo mundo, entre a língua portuguesa, a espanhola e a inglesa, e de uma carreira de nome nos EUA, goza agora a sua reforma (de forma ativa) nesta localidade que ajudou a mudar, entre a adrenalina de um negócio de compotas e o alojamento rural numa casinha de campo.
Trocou Washington pelo Douro a proposta do marido, o "senhor doutor" Mário Vasco Fernandes, reconhecido médico, cientista e pintor, de raízes portuguesas - mas sem nunca ter morado em Portugal. A casa era da família e resolveram comprá-la quando o pai de Mário morreu. Ele apreciava mais Lisboa, mas Puri queria mesmo era a sua casa no campo. Mantiveram-na propositadamente como uma habitação parada no tempo, de traça antiga e característica de Trás-os-Montes. Quase se podia adivinhar a que zona do país pertence mesmo que só a víssemos pintada num dos quadros do seu já falecido marido.
Só se diferencia da maioria das casas de Parambos por não ter um grande cartaz verde e branco à porta, com uma qualquer frase em declaração de amor ao Sporting Clube de Portugal. Não fosse esta considerada a aldeia mais sportinguista do país. Há anos que 100% dos seus habitantes partilham o mesmo clube. E nem Puri escapou. Não há rasto de Sporting cá fora, mas lá dentro guarda cachecóis e camisolas verdes e brancas. Uma delas onde tem inscrito o logótipo do negócio que fez florescer quando chegou a Parambos e pelo qual é mais popularmente conhecida. Desta casa, saem os famosos Doces da Puri, compotas artesanais de todos os tipos de fruta que planta na sua quinta.
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
Estamos na cozinha, onde Puri mexe com firmeza um creme de marmelada, com uma colher de pau, enquanto recorda o ano de 1995. O mesmo em que decidiu lançar este pequeno-médio negócio, que de local já corre mundo. No terreno que a família do marido lhes deixou em Parambos, nasciam várias árvores de fruto, com fruta a mais para duas pessoas. Rodopia a colher com mais força e continua a contar. Foi numa ótica de reutilização que Puri decidiu, então, fazer delas creme, ao qual chamaria compota. Começou por fazê-la sozinha, até as encomendas não chegarem para duas mãos, tendo agora três outras mulheres ao seu serviço. Entretanto, o creme já fervilha na panela e toda a atenção tem de estar naquela mestria. Em segundos, a marmelada está pronta a ir para as taças de porcelana. Ou para as embalagens de plásticos e vidro, se já tem dono à espera.
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
Já lá vão vários prémios para os doces que saem desta cozinha diariamente. Uns nacionais, outros internacionais. Mas "não há segredos", garante Puri. Só uma filosofia, que vai aplicando à vida: "No que toca a doces, nunca se pode mudar a receita original." Por isso é que, aos 70 anos, também já não tenciona abandonar Parambos, a sua primeira receita portuguesa.
Mudar a aldeia, mulher a mulher
No início de 1987, o país preparava-se para umas eleições legislativas que viriam a manter Aníbal Cavaco Silva no lugar de primeiro-ministro português. Portugal andava devagar, não muito longe da ressaca dos tempos de repressão. Ainda mais nas pequenas localidades, e Parambos não era exceção. A pequena localidade de menos de 300 habitantes não estava preparada para, de repente, receber um pedaço do norte da América, tão livre e desperta. Nem para Puri Fernandes. Mas a norte-americana lembra como a sua chegada "veio provocar várias mudanças na aldeia, principalmente para as mulheres".
Teve "uns problemas" no início. Era a esposa de Mário Vasco Fernandes e não a Puri. "Não me reconheciam o direito de responder a nada sequer." Mas respondia, garante.
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
"O meu marido fazia aqui produção do vinho e, na altura das vindimas, os ajudantes tinham por tradição limpar o sapato do dono da terra quando ele chegava. Mas não era o dele que limpavam. Era o meu."
Lembra-se da estranheza que causou e daquela que sentiu quando chegou. "Estávamos a construir esta cozinha e chamámos uma pessoa referenciada aqui da aldeia para a pintura. Quando estava a pôr andaimes para pintar, eu pensei: 'Vou aproveitar para ajudar, até porque sou boa com pinturas.' Eu subi e, imediatamente, mostrou-se chateado por uma mulher se estar a meter no trabalho dele. Disse-lhe 'vai ser mais fácil dar um pontapé no seu rabo e atirá-lo lá para baixo do que você tirar-me daqui de cima'. E ele percebeu que com esta não se brinca", recorda, sem conter uma gargalhada.
O que "era aceitável nos EUA, cá nem pensar". Nem mesmo uma mulher lavar um carro. "Quando cheguei, sempre que convidava as mulheres para algo, diziam-me que não podiam porque os maridos não deixavam ou que iam perguntar-lhes se podiam ir. Mas fui mostrando que nós temos um papel maior do que este enquanto mulheres. Que ser eu a lavar o carro, por exemplo, não me tira nenhum pedaço."
Aos poucos, a norte-americana viu a aldeia transformar-se. Deixou de ser a esposa de alguém para ser a "dona Puri". Rapidamente, provocou um reconhecimento que nenhuma outra mulher parecia ter naquela aldeia. "O meu marido fazia aqui produção do vinho e, na altura das vindimas, os ajudantes tinham por tradição limpar o sapato do dono da terra quando ele chegava. Mas não era o dele que limpavam. Era o meu."
Nos cargos que ocupou, era a única mulher entre homens. "E quando se trabalha só com homens, aprendes a sobreviver como mulher e a afirmar-te no meio deles."
Nunca pensou acerrimamente se a determinação com que define o papel de uma mulher na sociedade é fruto da vida ambulante que leva desde que tem meses de idade, de contacto com diferentes culturas ou do caminho profissional que escolheu. Adivinha que seja um pouco dos dois, mas que talvez se deva mais às profissões que exerceu. Primeiro, trabalhou como como membro do quadro internacional de programas de desenvolvimento regional e social na Organização dos Estados Americanos (OEA). Depois, nos programas sociais da Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento.
No caso de ambos os cargos que exerceu nos EUA, lembra que "era a única mulher entre homens". Ou "one of the guys", como costuma dizer. "E quando se trabalha só com homens, aprendes a sobreviver como mulher e a afirmar-te no meio deles", conta. "Se faziam uma piada, eu chutava uma pior e acabava ali a conversa."
Pouco a pouco, Puri foi provocando uma revolução silenciosa entre as mulheres. Mas não foi apenas o papel feminino que mudou em Parambos. Conta que a chegada do casal teve também influência na forma como os locais olhavam para as suas habitações. Onde viam uma casa longe de acompanhar os tempos modernos, Puri via a beleza da tradição. "Houve uma altura em que as pessoas queriam desmanchar as casas e construir novas, de tijolos. Eu dizia-lhes para não o fazerem, que tinham casas tão bonitas de pedra, para as preservarem", conta. Assim foi, na maioria dos casos.
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
Um amor em Washington que se prolongou até ao Douro
Puri nasceu na Galiza, onde não ficou mais do que meses, até os pais se decidirem mudar para a Argentina por motivos profissionais. O pai tinha uma carreira de sucesso na indústria de fornos elétricos. Por isso, quando a filha tinha apenas 5 anos, voltam a voar, desta vez sem trocar de continente: para o Brasil. Primeiro, em Brasília, depois no Rio de Janeiro.
Só mais tarde, era ela uma estudante de Direito, conhece o pai de um dos seus três filhos, com quem queria experimentar a vida nos EUA. Mas apenas quando já estava separada e com um filho com meses de vida, em 1970, é que Puri assentou neste país. E mesmo com tanta outra vida passada até lá chegar, que lhe deu até um sotaque brasileiro quando fala português, considera-se "100% norte-americana".
Corria o ano de 1978 quando abriu espaço a um amor que a acompanharia para o resto da vida. Neste ano, Puri e Mário Vasco Fernandes cruzaram pela primeira vez caminhos, numa conferência em Washington. "Tinha ele acabado de ficar viúvo", lembra.
Puri confidencia mesmo que Mário "foi uma vez indicado para o Prémio Nobel da Medicina".
Puri conta a vida de Mário em tom de admiração. O médico veterinário foi também o cientista que ajudou a criar a vacina da raiva, que substituiu a descoberta de Pasteur. Durante cerca de 30 anos, ocupou os quadros superiores da Organização Mundial da Saúde, entre 1965 e 1989.
Viajou o mundo, ancorado na profissão, mas mais em pormenor a América do Sul, onde criou um instituto que alcançou a erradicação da febre aftosa. Geriu ainda uma instituição que coordenava a saúde de toda a América Latina e assinou centenas de trabalhos em revistas científicas conceituadas. Puri confidencia mesmo que Mário "foi uma vez indicado para o Prémio Nobel da Medicina".
Depois de reformado, aos 73 anos, dedicou-se a uma paixão antiga: a pintura. Mostrou a sua obra a Carrazeda de Ansiães, que de tão encantada decidiu, em 2015, dar o seu nome a uma das suas ruas - agora Rua Dr. Mário Vasco Fernandes. Mário pintava sobretudo cartas de amor às tradições transmontanas, as suas casas e becos. A técnica tinha aprendido há mais de três décadas, quando frequentou escolas da Academia de Arte Livre de Paris, nos anos 1950.
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| "Já sou transmontana", não teme em dizer. "Aqui ou nos EUA, estou em casa."© Leonel de Castro/Global Imagens |
A sua vida começou 20 anos adiantada à de Puri Fernandes. "Estávamos em fases muito diferentes da vida, mas resultávamos porque ele sabia que eu estava bem com ele, mas estava muito bem sozinha também. É a segurança de que um relacionamento precisa, seja ele qual for", explica.
Portugal só foi um plano por consequência da sua história de amor e é o país onde Puri pretende gozar o resto da vida. "Já sou transmontana", não teme em dizer. "Aqui ou nos EUA, estou em casa."
Catarina Reis
Diário de Notícias
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