sexta-feira, 31 de maio de 2019

Desculpem, comi feijoada.

Dia 4 de agosto de 2018, 0.30 horas, zona histórica da cidade de Bragança, Praça da Sé… em Portugal.

A esplanada do café estava apinhada de gente. Que bom para a cidade, para a zona histórica. Que bom para a economia da cidade e da região.

Que chuva de esperança para quem acredita que é possível viver e investir na nossa querida cidade.

De repente, um “presente” inesperado. Um cheiro nauseabundo que envergonha a cidade e todos os seus cidadãos.

Na esplanada, até então descontraído e em amena cavaqueira, orgulhoso da sua cidade, do seu centro histórico que não se cansa de elogiar, estava o Chico.

Na mesa ao lado estava um grupo de 5 turistas que falavam inglês.

O Chico pensou. Que se lixe, mal por mal, que fique eu mal visto.

- Desculpem, comi feijoada. Disse o Chico tocando no ombro de um dos turistas.

Engelharam a testa e olharam uns para os outros. Tentavam tapar o nariz e não tinham percebido o que o Chico tinha dito.

O Chico apercebeu-se e tentou, com os parcos conhecimentos de inglês, defender a sua terra.

- Sorry, I ate feijoada.

Os turistas, pagaram a despesa e foram-se embora. Quem sabe se para nunca mais voltar a Bragança, pelo menos à zona histórica e no verão.

Também o Chico e os amigos foram embora. Ali não se podia estar com aquele ar irrespirável.

Isto aconteceu ontem, aliás hoje. Não é ficção.

Quereis construir o futuro a sério ou não?

Hoje, o Centro Histórico da nossa Bragança, assim esperamos todos, vai estar apinhado de gente…

Há uns largos anos atrás, numa tertúlia de amigos, daquelas tertúlias onde nunca se falham penaltis e onde o árbitro poucas vezes, ou nenhuma, tem razão. Daquelas tertúlias onde nenhum dos presentes votou no governo se estiver a governar mal… alguém dizia:

- Vai dar para o torto. A ETAR foi projectada para uma população de 11 milhões de habitantes e já somos mais do dobro. Tinha razão. Não só deu para o torto, como ainda pior, deu merda.

Falou-se da ETAR como se falou de tudo e mais alguma coisa. Era uma tertúlia de Bragançanos preocupados e que iam andando, mais ou menos, atentos.

Não sei se a afirmação corresponde à verdade. ETAR projectada para 11 milhões e começada a construir quando já eramos o dobro.

Pouco importa saber quem falhou, agora pouco importa. As falhas são evidentes. Só não sentem essas falhas as pessoas que, como um dos meus melhores amigos, não tenham o sentido do olfato.

Vamos ao que interessa:
O tema da ETAR aparece, invariavelmente, em períodos pré-eleitorais. De uns lados reina a demagogia. De outros lados reina a ignorância.

A única preocupação que lamentarei, se não for uma preocupação consensual e completamente abrangente, é a necessidade de resolver este ENORME PROBLEMA.

Este problema não é só nosso, de Bragança, acontece em muitas e muitas cidades do País e do mundo. Mas uma coisa é certa, com o mal dos outros… podemos nós bem.

Soluções:
Quero acreditar que alguma coisa tem sido feita. É mais que evidente que não tem sido o suficiente ou o melhor.

Bragança orgulha-se de ter um dos Politécnicos mais conceituados a nível mundial. C.M.B., IPB, Governo da Nação. 

Bragança não necessita de grandes obras estruturais. A renovação das redes de águas das aldeias e a resolução do problema da ETAR serão as mais prementes.

1-    Foi errada a localização da ETAR tão próxima do núcleo habitacional e da zona histórica. Importa ponderar a possibilidade de deslocalizar a ETAR. Não, não é nas próximas eleições.

2-    Mais tanques de decantação secundários? Não sei, não percebo nada disso. Só tenho mesmo é olfacto.

3-    Tratamentos terciários com químicos que custam muito dinheiro?

Mãos à obra.
Uma Câmara que, quero acreditar, pretende resolver os verdadeiros problemas da cidade e das aldeias, mais o melhor, ou um dos melhores, Politécnicos do mundo. Parece-me que só falta a vontade e a coragem de enfrentar o problema e com vontade de o resolver definitivamente.

Unamo-nos, juntemos sinergias e enfrentemos o problema da ETAR DE BRAGANÇA.

Os cheiros, nauseabundos, oriundos da ETAR constituem um entrave ao desenvolvimento do turismo na cidade e à qualidade de vida dos cidadãos de Bragança. E...Bragança é NOSSA.

Exijo que os meus impostos sejam canalizados, prioritariamente, para resolver a questão da ETAR e só depois, se sobrar algum dinheiro, para o fogo de artifício, para o encher da mula e do bandulho das confrarias e para as maravilhas todas conseguidas com os 0,60 € mais IVA...





HM
4 de agosto de 2018

Entrevista a Ramiro Pires

O Memórias…e Outras Coisas (MOC) entrevistou Ramiro Pires (RP), um Artista Bragançano multifacetado. A sua atividade abrange diversas áreas como a pintura, a escultura, o desenho, a ilustração, a caricatura, o retrato, o teatro e, sobretudo, o ilusionismo.

MOC: Para mim e para muitos outros, és o Ramiro. Para muitos mais, uns largos milhares, és o (ORIMAR SERIP).  Um começa quando o outro acaba ou complementam-se?

RP: Oi Henrique, começas logo com uma pergunta muito interessante. Mesmo. Depois de muitos anos consigo diferenciar o “Ramiro” do “Orimar Serip” e faço sempre questão disso. “Ramiro Pires” é o meu nome próprio enquanto que o “Orimar Serip” é a personagem do mágico que o “Ramiro” interpreta. “Orimar Serip” é o nome artístico que o “Ramiro” criou. É o outro lado da lua… é o meu outro “eu”… “Orimar Serip” é o outro que não pode ser simplesmente “Ramiro Pires”. No fundo, essas personagens completam-se e por vezes separam-se. Começa quando o outro termina sem nunca desfazerem o elo de ligação. Por exemplo, na rotina diária do “Ramiro”, há sempre alguma criança ou adulto que pede para fazer “um truque mágico”. Nestas situações, deixo de ser o “Ramiro Pires” e passo desde logo a ser o mágico “Orimar Serip” completando-se com o “Ramiro”. Ou seja, é uma espécie de dois em um. (risos)

MOC: É costume dizer-se que “Santos da Casa não fazem milagres”. Sentes isso?


No Atelier de Pintura
RP: Claro que sinto… desde sempre. É triste sentir isso. Porque é que os que são de fora é que são os melhores? Quando temos, dentro da nossa “casa”, da nossa região, jovens criativos, tão bons ou melhores? Porque é que não os deixam ou não os apoiam para fazerem milagres? Porque é que projetos, vindos de fora, iguais ou idênticos aos meus, são aceites e os meus ficam nas gavetas para estudo? Será que tenho que mudar de residência para outra qualquer cidade para que me deem crédito ou valor? Gosto muito da minha cidade e tu sabes que sim. Já fiz muito por ela e quero fazer ainda mais. Mas para “Santo”, na opinião de alguns pseudos catedráticos, tenho os pés muito grandes e não consigo manter-me no “altar” nem fazer “milagres” nesta cidade… enfim… mas esquecem-se que levei e continuo a levar o nome de Bragança e a minha arte a muitos lados. E fui e sou sempre muito elogiado e muito bem recebido. Aí sim, faço milagres. Enquanto puder, tentarei fazer “milagres” na minha cidade que amo. Pois desistir é estagnar.

MOC: Ramiro. Como é ser mágico?

RP: …bom, isso tens que perguntar ao “Orimar Serip”. (risos) …Estou a brincar (risos). Mas como vês, ao (Ramiro) por vezes confundem-no com o mágico. …Quanto à tua pergunta e com certeza que o “Orimar Serip” não me leva a mal por responder por ele, digo-te, que ser mágico, é, basicamente poder fazer os sonhos acontecer. Doutra forma seria impossível. Pois, na magia, o impossível torna-se possível… é o desafiar de todas as leis físicas. Fazer levitar as nossas ideias, os nossos sonhos. Ser mágico é poder fazer com os adultos voltem a ser crianças e fazer com que as crianças vivam coloridas e mágicas fantasias. No fundo, ser mágico é sonhar e fazer sonhar …

MOC: Costumamos, nas nossas tertúlias, dizer que O F.A.O.J. marcou uma ou duas gerações. Concordas?

RP: Concordo em pleno. O F.A.O.J. foi sem dúvida uma rampa de lançamento para muitos criativos. Eu faço farte dessas gerações, em que, mesmo sem condições como hoje em dia existem, se fizeram coisas muito interessantes e levámos arte em forma de sorrisos a tantas e tantas localidades. Marcou sem dúvida!

MOC: Fizeste parte, desde a primeira hora, do grupo de atores do Teatro em Movimento liderado pelo nosso saudoso amigo Leandro do Vale. Fala-nos um pouco desses tempos.


No Museu do Abade de Baçal
RP: Sim, desde a primeira hora que fiz parte do “Teatro em Movimento”. Fui um dos escolhidos para inicialmente participarmos num curso de teatro. Curso esse que foi dirigido pelo saudoso e irmão Leandro Vale e a Helena Vidal sua companheira. Integrei de imediato o elenco do referido “Teatro em Movimento”. Mas, apesar de, já ter tido antes algumas experiências teatrais, foi para mim um enorme privilégio ter dado continuidade a esse mundo do sonho, da representação. Passei a ser assalariado duma companhia de teatro profissional. Era completamente diferente. Nesse tempo, década oitenta, descentralizámos o teatro. Levámo-lo a sítios onde por vezes a luz só existia durante o dia. Fomos ao nosso Portugal profundo do norte ao sul, aos Açores de ilha em ilha, e até ao estrangeiro. Percorremos kms e kms na carrinha “Dna Sherpa”. Foi um tempo onde a humildade, a simplicidade e o respeito operava. As pessoas desses lugares puros, deixavam a novidade das novelas, transmitidas naquela época apenas pela RTP, pois não existiam mais canais, para irem assistir ao teatro ao vivo nas casas do povo ou em salas improvisadas, com atores, ali, a poucos metros de distância, de carne e osso como elas. Tempos idos que nunca mais esquecem. E no final dos espetáculos tínhamos que ir a confraternizar com eles e ai de qualquer um de nós que não bebesse pelo copo da comunidade uma pinga saída das adegas vizinhas. “A minha pinga e o meu chouriço é o melhor”, diziam… (risos)… enfim, era tão delicioso ouvir das bocas sábias, as estórias que nos contavam. Tantas e tantas estórias que teria para mencionar e que recordarei para sempre. Foi um tempo de glória onde também tive o privilégio de conhecer e privar com grandes figuras reconhecidas da nossa praça, do teatro, do cinema, do mundo cultural. E que só as víamos na televisão. Fui um privilegiado. Foi onde dei as minhas primeiras “selfies” (risos) e os meus primeiros autógrafos porque o carinho das pessoas assim o exigiam. Foi um tempo e uma experiência que levarei sempre comigo até ao meu último destino pois aprendi bastante, sem nunca saber tudo.

MOC: Lembras-te quem emprestou a voz ao tema musical da primeira peça apresentada em Bragança, pelo Teatro em Movimento, no cine-teatro Torralta, “Canção dentro do Pão”?


No papel de Galileu Galilei
RP: Depois da “Canção dentro do Pão” aconteceram muitas peças, muitos palcos, muitas digressões, muito público. Estamos a falar de 1983 salvo erro, já do século passado (risos) e por isso tenho que ir à gavetinha da memória. Se bem me lembro, o tema musical era do nosso amigo e companheiro Higino Fernandes e quem a cantou foste tu Henrique e, tal como com este tema musical, emprestaste muitas e variadíssimas vezes a tua voz.

MOC: Algum dia pensaste em fazer do ilusionismo a tua profissão?

RP: Na verdade, sempre sonhei ser ilusionista. Sempre. Desde criança que a curiosidade da magia me acompanhava quando via os “magos” (assim chamados por serem figuras mágicas intocáveis) aquando das suas atuações nos circos. Sempre quis aproximar-me desta redoma que para mim, era um mundo impossível de alcançar. Sonhava com este mundo. Também queria ser mágico. Cheguei a espreitar pelas janelinhas das roulottes dos tais “magos” enquanto eles preparavam previamente os seus truques para as suas atuações nos circos que estacionavam perto de minha casa. Com perseverança pensei e consegui fazer do ilusionismo parte integral da minha vida. Apenas nunca pensei que, como ilusionista, conseguisse ser transversal a muitas gerações. Pois já atuei para crianças que hoje já são pais e já atuei para filhos que já foram pais. Já sou um mágico avô, não reformado e sempre no ativo (risos).

MOC: Há algum truque que queiras fazer e ainda não tenhas conseguido?

RP: Sim Henrique, queria fazer desaparecer alguns parasitas desta nossa sociedade, alguns políticos que poluem o ambiente com ideias e leis estapafúrdias, alguns pseudos donos disto tudo, como se os outros indivíduos fossem seus carneiros. (risos). Só ainda não consegui porque estas raças já são imensas, infelizmente não tenho esse poder e faltam-me os pozinhos mágicos para este tipo de aparatos (risos).

MOC: Preferes ter como público crianças ou adultos?


Peça de Teatro "Canção dentro do Pão"
RP: São públicos completamente diferentes. O público adulto já olha para os espetáculos mágicos com um pouco de desdém. Sempre com um pé atrás. Já é adulto e pensa que a magia é apenas para as crianças. Por vezes, para aplaudir, olha primeiro para o vizinho de plateia a ver se ele também aplaude. Não gosta de ser iludido, e, quando está acompanhado da sua donzela e vice versa, pior ainda (risos), apesar de saber previamente qual o tipo de espetáculo que vai ver. Esquece-se que o ilusionismo é a única profissão em que o ilusionista está autorizado a enganar nos seus espetáculos. Nas atuações para os adultos tem que se ser um ótimo entertainer. - Quanto ao público crianças, o peso que elas acarretam vale ouro. Não há, na sua gargalhada o mínimo de cinismo ou hipocrisia. Não há no seu aplauso o “forçar” do “parecer bem” ou “ter que ser”… são as células sãs de um corpo ainda em crescimento. São elas que nos fortalecem o “ego”, porque nos homenageiam com o brilho dos seus olhares ávidos de magia, sedentos de cor e estrelas saídas de um imaginário em formação. Ainda não tiveram tempo de estudar o socialmente correto ou incorreto e por isso, são apenas crianças que olham o mágico com admiração e espanto. Elas são o futuro e é nelas que acredito quando um espetáculo por elas, é considerado um verdadeiro espetáculo.  Elas tendem a imitar o ídolo e como tal tenho que ter muito cuidado com a escolha dos aparatos mágicos. Elas são muito perspicazes, pois têm uma imaginação fértil e por isso são o público mais difícil e não é qualquer truque que as seduz. A minha preferência é ter público. Sejam adultos ou crianças.

MOC: Como costumam reagir às tuas atuações?


No Coliseu da cidade do Porto
RP: São reações distintas. O público adulto demora a reagir. Primeiro “estranham e depois entranham”. Mas quando se consegue cativar, agarrar esse público adulto, é meio caminho andado. Temos admiradores e respeitadores que reage positivamente para além do espetáculo… A reação das crianças começa muito antes. Começa dias antes do espetáculo, começa quando ouvem a palavra “mágico” e reagem com carinho para todo o sempre. Nunca se esquecem e quando me veem fazem questão de me chamar “mágico” ou dizer a quem os acompanha “vai ali o sr. mágico”. São carinhosos, são puros. Quando gostam, gostam mesmo. E se não gostarem, são os primeiros a dizer na cara, que detestaram.

MOC: A pintura e o desenho são duas das tuas grandes paixões. Comercializas as obras que produzes?

RP: Sim, comercializo.

MOC: Já falhaste algum truque durante um espetáculo?


Peça de Teatro "Um Cavalheiro Respeitável"
RP: Como dizem os sábios “errar é humano” e sobretudo, como humano que sou,  quando interpreto o papel de mágico, também falho, e já falhei muitos truques durante espetáculos. As coisas por vezes acontecem-nos sem adivinharmos onde irão acontecer. Nunca acontece onde, previamente, nos ensaios, pensamos que vai acontecer. Acontece sempre no truque ao lado (risos). E claro que até hoje consegui dar a volta por cima sem que o digníssimo público se apercebesse. Mas há falhanços que acontecem e ainda bem que acontecem, pois fazem com que o truque fique ainda muito melhor aos olhos do público. Faço ainda hoje, alguns truques que “nasceram” após falhar e são um sucesso. Aprendemos com os erros.

MOC: Já passaste, certamente, muitos momentos bons e alguns maus durante os teus espetáculos. Conta-nos um momento bom e que jamais esquecerás.


Peça de Teatro "Morte Dourada"
RP: É já difícil na minha carreira mágica, encontrar apenas um momento bom. Ir à televisão é sempre um bom momento e foram já muitas vezes muitos momentos bons. Já fui premiado a nível internacional. Já tive o privilégio de atuar nos melhores palcos no nosso Portugal e no estrangeiro. Mas, atuar na grandiosa sala do Coliseu do Porto, lotado, uma referência do nosso País e além-fronteiras, também mais do que uma vez, não foi um momento bom, foi um momento esplendoroso e ficará sempre na minha retina.

MOC: E um momento mau.

RP: Já tive maus momentos, claro. Costuma-se dizer que “quem anda à chuva, molha-se”. Mas respondendo à tua pergunta, enuncio um momento terrível. Estava nos bastidores, enquanto um colega atuava e sucumbiu em pleno palco. Péssimo momento (…) …

MOC: És co-fundador da recentemente criada em Bragança, Associação “Em Nome do Grito”. O que pretende ser esta nova Associação? Já iniciou a atividade?


"O Sonho" Espetáculo Mágico
RP: Sim, Henrique, sou presidente e co-fundador da Associação “Em nome do Grito” e encenador e ator do grupo de teatro “Grito Boémio”, integrado na referida associação. Esta associação pretende ser uma lufada de ar fresco proporcionada pelas várias modalidades que a arte encerra (teatro, magia, workshops, poesia, etc, etc…).  O nosso grupo, atualmente com sete elementos, juntou-se porque queremos levar à gente desta cidade e arredores um pouco de “escapar do dia a dia e do cinzento tantas vezes pintado no rito do ritmo das estações que é a nossa vida”. As distrações são essenciais para que emocionalmente possamos abstrair-nos dos não muito raros problemas que se nos deparam. Estamos no início. Ainda não estamos definitivamente instalados. Continuamos à procura de um “lugar que sintamos nosso”, digamos, uma sede. Se defines atividade como ensaios, sim, já iniciámos. Estamos a preparar uma peça infantil e uma para adultos. Gostaríamos de fazer a diferença. Precisamos de toda a ajuda possível. Patrocínios, sócios e amigos. Conto contigo.

MOC: É usual dizer-se que atrás de um grande Homem está sempre uma grande Mulher. No teu caso, o ditado, encaixa como uma luva.

RP: Certíssimo Henrique. Encaixa como uma luva. É o meu braço direito. Está sempre nos meus bastidores porque para haver sucesso, tem que existir uma equipa invisível aos olhos do público, mas que é tão ou mais importante que o artista principal. Está sempre nos bons e nos maus momentos. 
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Meu Caro e Velho Amigo Ramiro. Muito obrigado pela entrevista com que me honraste.
Um grande abraço de profunda amizade e estima.

Henrique Martins
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Não tens que agradecer, Henrique, já muitas vezes a tua mão me foi estendida para me proporcionares espetáculos, já muitas vezes descortinei nos teus gestos e olhares essa profunda amizade e estima que é recíproca. Tu também és um caro e velho amigo, tu também tens um valor incalculável porque estás sempre PRESENTE.

«e… de tantas mãos que nos passam pelas mãos, tão poucas são as que nunca se esquecem».

As tuas nunca serão esquecidas.

Ramiro Pires

A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Por: Humberto Pinho da Silva
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..."
Em Portugal, desde o início do ano, apesar de se combater, por todos os meios, a violência na família, contam-se já mais de uma dezena de mulheres, assassinadas.
A violência doméstica não é calamidade dos nossos dias, pois entronca-se na época do antropóide pré-histórico.
Mas, que a agressão física, chegue a causar a morte, parece-me que é novidade preocupante, pelo menos na quantidade que se verifica.
Psicólogos experimentados tentam explicar o motivo que leve um dos membros, do casal, a agir com tal violência, que em muitos casos, leve à morte; mas, não conseguem conclusões definitivas.
As autoridades, por sua vez, procuram agravar as penas, para crimes desse género; mas continuam por explicar a razão, porque recrudesce a violência, não só entre os conjugues, mas, igualmente, no namoro.
Também não se descobre, porque as crianças agridem, agora, os pais e os professores; assim como os netos maltratam os avós. Outrora, nunca as crianças bateram nos professores, e raras se aventuravam a maltratar a mãe, e muito menos o pai.
Por que acontece agora?
A meu ver, é o resultado da educação que estamos a dar à juventude.
A ideia corrente, que bater nas crianças, pode traumatizá-las, levou a sociedade a condenar toda ou qualquer correção, até a simples palmada! …
Como a polícia e os tribunais, castigam o cidadão, que prevarica, também convêm, que os pais castiguem os filhos, enquanto pequenos, quando erram.
Devem assim agir – a meu ver, – para não se tornarem futuros delinquentes; e mais tarde, virem a necessitar, que o Estado os venha a castigar, fazendo o que os progenitores não fizeram.
As nossas cadeias estão cheias de criminosos, e os principais “culpados”, são os pais, por não saberem ou não quererem, repreende-los em menino.
O abandono, de grandes franjas da sociedade, e da Igreja, e o facto da juventude se ter afastado da doutrina de Jesus, tem contribuído para o aumento da violência, e de toda a espécie de delinquência e desrespeito. Porque, a Igreja, coadjuva, os pais, na educação dos jovens.
Se queremos coletividade mais justa e mais digna, temos que educar, convenientemente, a juventude.
Educar, não é só instruir, mas principalmente, inculcar: hábitos, valores morais e cívicos, que formem o carácter.
Caso contrário, as nossas cidades irão transformar-se numa selva de pedra e cimento, onde impera: o egoísmo, o desrespeito e desenfreada violência.

Humberto Pinho da Silva, nasceu em Vila Nova de Gaia, Portugal, a 13 de Novembro de 1944. Frequentou o liceu Alexandre Herculano e o ICP (actual, Instituto Superior de Contabilidade e Administração). Em 1964 publicou, no semanário diocesano de Bragança, o primeiro conto, apadrinhado pelo Prof. Doutor Videira Pires. Tem colaboração espalhada pela imprensa portuguesa, brasileira, alemã, argentina, canadiana e USA.Foi redactor do jornal: “Notícias de Gaia"” e actualmente é o responsável pelo blogue luso-brasileiro: " PAZ".

2ª Mostra do Festival de Teatro Intercâmbio entre Portugal e Espanha no Centro Cultural de Mogadouro

MEDIDAS DE PROFILAXIA. O CEMITÉRIO PÚBLICO

Os progressos continuados das ciências médicas e a sua divulgação por diversos meios fortaleceram a consciência sobre o valor e efeitos das medidas preventivas contra a doença e em prol da saúde pública. Entre os argumentos que pretendiam fomentar a sua preservação inscreviam-se as orientações tomadas em junho de 1832, as quais relegavam a venda de carnes frescas para localizações específicas, sempre afastadas do núcleo urbano, como as que ficavam “adiante da cruz da Rua do Loreto, outra nos palheiros do Terreiro de Santo António e nos campos defronte da Capela de S. Sebastião ou nos açougues aonde era costume, nos quais sempre conservaram os matadouros”. Independentemente dos maus cheiros e das sujidades resultantes da atividade, só por si, a resolução municipal permite concluir sobre as condições em que os animais eram abatidos e sobre a conservação rudimentar das matérias alimentícias.
Capela de S. Sebastião em Bragança

Por outro lado, as medidas profiláticas eram mais incisivas quando havia rebate de epidemia, que às vezes se anunciava ter origem no reino vizinho. Foi o medo da cólera que aconselhou a vereação que estava em exercício em 16 de setembro de 1834 a tomar diversas medidas. Destacamos: proceder à limpeza geral de toda a Cidade, tirando os entulhos e imundícies “que existirem nas testadas das casas”, devendo os moradores transportá-los para fora da Cidade; impedir que os porcos vagueassem pelas ruas; remover o matadouro da casa que ocupava, no prazo de três dias, para “a Quinta do Ferreira no sítio da Coxa de Trás do Forte”, nos subúrbios da Cidade; proibir o lançamento para a rua de imundícies e de águas sujas, antes da meia-noite.
O primeiro e último destes quatro pontos parecem-nos especialmente elucidativos e podem ser complementados com os efeitos de certas práticas profissionais. Como exemplo, podemos nomear Pedro Videira, mestre ferrador que exercia o ofício em plena Rua da Amargura, uma vez que a sua recusa em “tirar o banco que tem no fundo da rua”, responsável pelo embaraço do trânsito de gente, obrigou-o a desembolsar 6 000 réis para pagamento de uma multa. Sem preocupações de sermos exaustivos, pretendemos afirmar que um simples percurso urbano podia apresentar dificuldades de vária ordem a quem transitava a pé ou a cavalo. Contudo, na maioria dos arruamentos, o desconforto seria muito maior em dias de chuva, pois os pavimentos de terra batida rapidamente se transformavam em grandes lodaçais. Note-se, no entanto, que um ambiente tão cáustico não coloca Bragança no rol das singularidades urbanas, uma vez que o retrato traduz integralmente o quadro urbano nacional, sem exclusão dos centros em que os requintes e modismos de importação primeiro seduziam os salões e afetavam as atitudes.
Cemitério do Toural em Bragança

Outras razões trouxeram para um plano de destaque o tema dos cemitérios. A ideia não era completamente nova mas a sua localização extra-urbe ia além do triunfo mundividencial das perspetivas higienicistas, visto que o corpo e a morte, tradicionalmente na esfera da Igreja, resvalavam para a administração política e organizativa da sociedade. Curiosamente, em 1833, a Câmara de Bragança debruçou-se sobre um requerimento do bispo, D. José António da Silva Rebelo, em que considerava a falta que havia de um cemitério “fora desta Cidade”, destinado principalmente para os recrutas que faleciam nos hospitais locais. Enquanto o Município refletia sobre o terreno mais adequado para o efeito, avançava com a autorização de se fazerem inumações dos recrutas que morressem, no adro da Capela de S. Sebastião, de que a Câmara era padroeira. Em outubro do ano seguinte, a Câmara voltou a tratar o mesmo assunto, agora em resposta a um ofício emanado da Prefeitura da Província de Trás-os-Montes, decidindo “que se fizesse um só cemitério no Sítio da Trajinha, no Alto do Sapato, por ser mais central para toda a Cidade”. Em novembro de 1835, uma comissão de louvados avaliou o terreno em 100 000 réis, e em dezembro do ano seguinte faziam-se diligências para que a vereação não faltasse com o dinheiro necessário para a continuidade das obras que deviam ter sido concluídas pouco antes de novembro de 1837, altura em que se mandou passar uma portaria de 48 834 réis do resto que se devia ao arrematante da obra. O cemitério de Bragança acabou por ser construído entre 1838-1839.
Assim se desenhou uma nova referência espacial que se associava a uma poderosa mudança de mentalidades, visto que os enterros deixariam de se fazer nas igrejas e nos seus adros. Há poucos anos, no âmbito do programa Polis, quando os arruamentos situados no casco antigo da Cidade sofreram uma intervenção profunda, causou grande admiração o aparecimento de ossadas humanas sob o pavimento do trânsito, junto das igrejas. Gerações sucessivas habituaram-se a ver essas igrejas sem adro e por isso nunca refletiram sobre a importância do sagrado e da relação com a morte, usualmente preparada com antecedência, que, sucessivamente, levou muitos dos nossos antepassados a fazerem-se sepultar junto dos santos a que votavam mais devoção. Por isso, terá interesse deixarmos uma nota relativa à existência do adro da Igreja da Misericórdia, um espaço que iria desaparecer em resultado do processo de regularização das ruas da Cidade.
Seria em novembro de 1867, na sequência da reconstrução da calçada da Rua de Santa Clara, que se iriam perfilar certos desentendimentos entre a Câmara e a Santa Casa da Misericórdia, essencialmente por causa do adro da Igreja.
Igreja da Misericórdia em Bragança

Interessa-nos a parte em que a Irmandade declarava estar na “posse de mais de noventa anos”, “da regalia do adro que se pretende demolir” para o melhoramento da rua. Estabelecida a indemnização, demorou a ser paga e foi preciso que o provedor, em junho de 1868, esgrimisse os efeitos de uma conjuntura pouco favorável, dando a conhecer ao Município as dificuldades que passavam para continuarem a manter o hospital aberto. A crueza da realidade permitiu recordar a existência de dívidas que foram saldadas depois de se passar “uma portaria em favor da Santa Casa pela quantia de cento e cinquenta mil réis valor da indemnização do adro da igreja que… foi desfeito”.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

Alunos brasileiros do IPB protestam por causa de cortes para a educação anunciados por governo de Bolsonaro

A medida deverá reduzir o número de estudantes daquele país no IPB, em que há actualmente mais de 600 alunos em mobilidade provenientes do Brasil.
Os alunos brasileiros do Instituto Politécnico de Bragança protestaram, ontem, contra os cortes anunciados. Marcus Mota, aluno de mestrado, desde Fevereiro em Bragança, afirma que há já institutos e universidades que estão a acabar com os programas de mobilidade. "Bragança será afectada pelos cortes na educação. Os cortes de 30% do orçamento dão um impacto negativo e esse impacto fará com que menos alunos venham estudar por mobilidade através de bolsas do governo federal. Serão menos alunos em Bragança, menos receita também, e vai dar um impacto negativo. A minha instituição já anunciou que não vai trazer mais ninguém para cá. Outras instituições estão a aderir a este pacote de cortes porque são obrigados pelo governo".

O corte deve afectar em particular as bolsas. Por isso, Gabriela Ribeiro, outra estudante brasileira em Bragança, teme que apenas uma pequena franja de alunos com mais possibilidades económicas passe a conseguir fazer mobilidade. "Mesmo com a vinda de alguns brasileiros para cá, o que vamos observar é a eletização e a mudança do perfil sócio-económico dos brasileiros que estão aqui. Se hoje já temos uma elite, uma classe média presente em Bragança, a tendência é isso aumentar. A oportunidade dos alunos brasileiros que mais carecem do acesso à educação já é difícil, então nem conseguimos pensar numa oportunidade de internacionalização".

Cerca de 30 estudantes brasileiros quiseram manifestar o seu descontentamento com os cortes de 30% na educação no Brasil, que põem em causa várias instituições. "Dificultam o funcionamento das universidades e dos institutos de educação. Com isso, muitos institutos vão fechar portas. Tivemos um caso de um hospital universitário que teve 100% do corte e ele agora não consegue funcionar", reportou ainda Gabriela Ribeiro. "A nossa luta também é pela existência das universidades. Eu também venho de um Centro Federal de Educação Tecnológica, que são instituições centenárias no Brasil, e as instituições estão em risco de existência. O meu centro também já lançou uma nota a dar conta que a partir do próximo ano não tem verba para continuar a existir", contou Marcus Mota.

No designado Dia Nacional de Mobilização em Defesa da  Educação, em que no Brasil milhares saíram à rua para contestar os cortes do governo neste sector, Bragança juntou a voz aos protestos contra a medida, que levará à diminuição do número de estudantes na cidade.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

REIS


É costume nesta aldeia começar a cantar os reis mal principia o ano, incluídos nas Boas festas. Reúnem-se aos grupos, mais velhos ou mais jovens, e procuram as casas, que melhor vêem, que os podem convidar.


Boas festas como estas,
Cantam-se aos Reis e aos fidalgos.
Também nós os cantaremos,
A estes senhores honrados.

Quem diremos nós que viva,
Na toninha da cebola?
Viva lá o Sr. Manuel,
E mais a sua Senhora.

Quem diremos nós que viva,
Na folhinha do lódão?
Viva lá o Sr. Carlos
Que é um belo cidadão.

Quem diremos nós que viva,
Na folha da salsa crua?
Viva lá menina Aurora
Que alumia toda a rua.

Oh! Que lindo pinheirinho!
Onde ele veio nascer!
Vivam os donos desta casa
Que nos hão-de dar de beber.

Levantem-se lá, senhores,
Desses seus talhos dourados.
Venham-nos a dar os Reis
Que já os temos bem ganhados.

Vêm depois a dar frutas como maçãs, nozes, figos secos, às vezes chouriças, etc. que o grupo guarda para no fim comerem juntos em qualquer das casas deles, mais próprias. 
Agora já é costume dar dinheiro e dar de beber quando querem.

RECOLHA (1985) de Branca do Sacramento Rodrigues, Sambade – Alfândega da Fé.

FICHA TÉCNICA:
Título: CANCIONEIRO TRANSMONTANO 2005
Autor do projecto: CHRYS CHRYSTELLO
Fotografia e design: LUÍS CANOTILHO
Pintura: HELENA CANOTILHO (capa e início dos capítulos)
Edição: SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE BRAGANÇA
Recolha de textos 2005: EDUARDO ALVES E SANDRA ROCHA
Recolha de textos 1985: BELARMINO AUGUSTO AFONSO
Na edição de 1985: ilustrações de José Amaro
Edição de 1985: DELEGAÇÃO DA JUNTA CENTRAL DAS CASAS DO POVO DE
BRAGANÇA, ELEUTÉRIO ALVES e NARCISO GOMES
Transcrição musical 1985: ALBERTO ANÍBAL FERREIRA
Iimpressão e acabamento: ROCHA ARTES GRÁFICAS, V. N. GAIA

Festival Art Kids assinala o Dia da Criança em Bragança

No dia 1 de junho das 10h00 às 18h00, em Bragança, o Centro Cultural Municipal Adriano Moreira, a Biblioteca Municipal e a Praceta Adriano Moreira recebem diversas atividades pensadas para crianças dos 4 aos 10 anos, prometendo surpreender os mais novos com momentos de diversão e aprendizagem.
De modo a celebrar o Dia da Criança e o final de mais um ano letivo, a agenda de atividades inclui concertos, workshops de dança para pais e filhos, ateliers de olaria, actionpainting e ilustração, a apresentação do livro “A História do Rock”, entre outras brincadeiras e jogos. A diversidade do programa proporciona uma verdadeira experiência familiar a todos os participantes.

As inscrições para o ActionPaiting, JamKids e para a Aula de Guitarra devem ser efetuadas junto dos Serviços Administrativos do Conservatório de Dança e Música de Bragança. As crianças devem usar roupa colorida e confortável e não esquecer o uso de chapéu.

in.cardapio.pt

Bornes promove a cereja e os produtos da terra este fim de semana (Macedo de Cavaleiros)

A aldeia de Bornes, no concelho de Macedo de Cavaleiros promove durante o fim de semana a quarta edição do Mercado dos Produtos da Terra e Cereja da Serra.

Um certame que evidencia o fruto da época, a cereja, que este ano mantém a qualidade, assegura Miguel Romão, presidente da Junta de Freguesia de Bornes.

“Vamos na quarta edição e esperamos que corra bem, isso é o principal.

Quanto à produção de cereja este ano, no início não se previa muito boa mas depois melhorou e está dentro do norma.
A qualidade é boa. Esta é uma boa zona de produção de cereja com muita qualidade.”
Uma zona do concelho que embora se destaque pela cereja, também está a crescer em outras plantações:

“Há bastantes produtores de cereja, mas também há de castanha e ainda muitas plantações novas de amendoal.

Vamos ver no que vai dar mas acho que daqui a uns anos também haverá muita produção de amêndoa.

Só é pena que estejam a aparecer várias doenças no castanheiro, o que vai ser um problema.”

No total serão 10 os expositores que vão marcar presença na aldeia de Bornes durante o fim de semana, dos quais cerca de quatro são produtores de cerejas.
Destaque ainda para o programa Feiras e Festas da Rádio Onda Livre que vai animar a noite de sábado com os artistas Daniel Carlini, Lucy Teixeira, Irmãos Morais e Cristina Ardisson, a partir das 21h45.

Escrito por ONDA LIVRE

Comboio histórico regressa à Linha do Douro no sábado

A CP informou que a viagem inaugural do comboio histórico da Linha do Douro se realiza no sábado e que prevê a realização de 23 viagens, aos sábados e no feriado de 15 de agosto, até 26 de outubro.
O número de viagens programadas para 2019 equivale a cerca de metade das que foram realizadas no ano passado
PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

A campanha 2019 do comboio histórico do Douro arranca no sábado e fica marcada pela redução do número de viagens para as 23, o que originou críticas de autarcas e operadores turísticos da região.


A CP — Comboios de Portugal informou esta quinta-feira que a viagem inaugural do comboio histórico da Linha do Douro se realiza no sábado e que, este ano, prevê a realização de 23 viagens, aos sábados e no feriado de 15 de agosto, até 26 de outubro.

O número de viagens programadas para 2019 equivale a cerca de metade das que foram realizadas no ano passado. Nas edições anteriores, a CP realizava também viagens aos domingos.

Já no final de março, em comunicado, a empresa justificou a redução do número de viagens com a diminuição da procura que se verificou em 2018, ano em que viajaram no comboio histórico 6.190 clientes, quando em 2017 esse número foi de 10.100 clientes.

Segundo a CP, as receitas obtidas foram da ordem de 375.700 euros em 2017 e 234.100 euros em 2018.

Esta redução da oferta originou críticas por parte de autarcas e operadores turísticos da região.

Na altura, o presidente da Câmara de Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, mostrou-se “frontalmente contra” e disse que a redução da oferta turística ferroviária no Douro é “prejudicial para a imagem” do território e “para a captação de turistas”.

O programa do comboio histórico na Linha do Douro arrancou no final da década de 90.

A locomotiva a vapor, que puxa cinco carruagens históricas de madeira datadas do início do século XX, parte do Peso da Régua, distrito de Vila Real, e segue até ao Tua, concelho de Carrazeda de Ansiães, distrito de Bragança, numa viagem com vista para o rio Douro e as vinhas em socalco, em pleno Património Mundial da UNESCO.

A CP disse que “mantém a aposta neste segmento de turismo ferroviário, procurando conjugá-la com a necessária sustentabilidade e equilíbrio económico destes produtos”.

E adiantou que o comboio histórico do Douro estará também disponível para “a realização de circulações especiais, para clientes que estejam interessados na sua contratação”.

Agência Lusa

Mirandela abriu portas ao segundo "Tua Talks"

Sob o tema "IDEIAS QUE TE MOVEM, CONVERSAS QUE TE INSPIRAM", Mirandela recebeu quarta-feira a segunda edição do “Tua Talks”.
A ideia da iniciativa é proporcionar intervenções focadas nas temáticas da orientação, motivação, liderança, marketing pessoal, integração profissional e empreendedorismo. Luís Pereira, coordenador do CLDS 3G, que promove a iniciativa com o apoio de vários parceiros, explica quais são os objectivos do evento. "Trata-se de uma série de conferências por oradores convidados para que, num conceito de geração de ideias, de criação de motivação e de inspiração, as pessoas, que se encontram em determinadas situações, que sejam estudantes ou desempregados, tenham uma motivação adicional para poderem, eventualmente, definirem aquilo que serão os seus percursos profissionais. Acreditamos que em Trás-os-Montes é preciso fazer as coisas de uma forma diferente. É preciso criarmos os nossos próprios conceitos e ter as nossas próprias especificidades".

Uma das particularidades deste evento, que é replicado um pouco por todo o lado, é que, em Mirandela, não tem qualquer custo para os participantes. "Este tipo de eventos, que são replicados por todo o país e por todo o mundo, são pagos. Aquilo que fazemos aqui é fazer um evento completamente gratuito e o oradores que vêm partilhar connosco a sua sabedoria também o fazem da mesma forma", contou ainda Luís Pereira.

O auditório municipal de Mirandela acolheu, quarta-feira, a segunda edição desta iniciativa inserida na segunda Feira da Orientação Escolar e Profissional.

Escrito por Terra Quente
Foto: CM Mirandela

ObservaArribas - Festival Ibérico de Natureza das Arribas do Douro começa hoje

A partir de hoje e até domingo, Miranda do Douro volta a ser palco do ObservaArribas. O Festival Ibérico de Natureza das Arribas do Douro apresenta-se, este ano, na sua terceira edição.
O programa propõe a observação de aves e natureza, passeios pedestres, palestras, exposições, actividades para crianças e venda de produtos e serviços das áreas protegidas. Segundo Vanessa Oliveira, da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, uma das entidades organizadoras, sublinha a aliança entre os patrimónios natural e cultural. "O festival nasceu com o objectivo de chamar a atenção para a riqueza natural e cultural desta zona das arribas do douro, um conjunto transfronteiriço de duas áreas protegidas, o Parque Natural do Douro Internacional e o Arribas del Duero, que são, simultaneamente classificados, no âmbito da Rede Natura, ao nível europeu. O principal contributo é dar a conhecer as espécies, os hábitos, o seu papel fundamental na natureza. Este festival contribui sobretudo para dar a conhecer".

Além de uma feira dedicada aos produtos ligados à natureza e à região, o festival conta com uma programação com mais de 60 actividades e apresenta algumas novidades. "Temos algumas novidades: oficinas sustentáveis de fazer embrulhos para merendas com cera de abelhas, uma oficina para crianças de construção de pombais com barro, no domingo, temos um projecto que une Portugal e Espanha para passeios em carros eléctricos. Houve mais afluência na segunda edição e nesta terceira notou-se, em termos de inscrição nas actividades que a requerem, o dobro de inscrições", referiu ainda Vanessa Oliveira.

O festival é organizado pela câmara de Miranda do Douro e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, através do Parque Natural do Douro Internacional e do Life Rupis, um projecto transfronteiriço de conservação do britango e da águia-de-bonelli, liderado pela SPEA.

Escrito por Brigantia
Foto: SPEA
Jornalista: Carina Alves

Obras no centro de Macedo de Cavaleiros

Autarquia de Macedo assinou ontem contrato com o Governo que vai assegurar cerca de 65 mil euros para obras do edifício da Câmara

O município de Macedo de Cavaleiros assinou ontem um contrato com o Governo no âmbito do programa BEM – Beneficiação de Equipamentos Municipais que assegura uma comparticipação de cerca de 65 mil euros para a requalificação energética do edifício dos Paços do Concelho.
A candidatura que a autarquia submeteu ao programa ronda os 130 mil euros, que o Governo comparticipa em 50%, à qual se junta uma outra, no âmbito do Pacto dos Autarcas à Eficiência Energética, também já aprovada, que em conjunto vão ajudar a financiar um investimento total de cerca de 390 mil euros, dos quais cerca de 120 mil serão suportados pelo município.
Pedro Mascarenhas, vice-presidente da câmara de Macedo, refere que são obras necessárias para dar condições a quem trabalha naquele edifício:

“Com essas duas candidaturas em conjunto vamos fazer a intervenção nos Paços do Concelho que já bem merecem e precisam, tanto na parte visual como na da parte de eficiência energética. Quem trabalha neste edifício sabe que no verão o calor é insuportável e no inverno não há frio porque temos aquecimento eléctrico, que tem custos. Com estas obras, para além de mais digna, a nossa câmara vai ficar também mais eficiente energeticamente, mais confortável e com uma manutenção mais barata.

Nós sabemos que o edifício precisava de uma intervenção ainda maior mas o problema é conseguir fazer eleger essas ações. Dentro daquilo que era elegível, tanto numa candidatura como na outra, chegamos a esses valores que já nos permitem fazer uma intervenção que dê a este edifício toda a dignidade.”

As obras deverão começar ainda este ano.
Outros dos edifícios que também estava nas pretensões do município para ser requalificado energeticamente era o da Biblioteca Municipal, o que já não vai acontecer e o vice-presidente explica porquê:

“Chegamos a fazer uma candidatura à beneficiação energética para a biblioteca, mas de 150 mil euros, apenas nos aprovavam 40 mil. Como tal, decidimos desistir dessa candidatura  e como a percentagem de financiamento era tão baixa preferimos usar o dinheiro disponível nessa rubrica para fazer a candidatura à iluminação pública no valor de cerca de 600 mil euros, que ai sim, teve enquadramento e foi aprovada. Posto isto, vamos também lançar o concurso para substituição das luminárias e a cidade vai ficar praticamente toda com luminárias Led.”

No total foram 38 os contratos no âmbito do programa BEM assinados ontem entre o Governo e os municípios, no valor total de comparticipações de 4,7 milhões de euros, dos quais 20 destinam-se à requalificação de infraestruturas e equipamentos municipais, incluindo espaços desportivos, e 18 visam a reabilitação e remodelação de edifícios sede de municípios.
Do distrito de Bragança, também assinaram contrato as autarquias de Vila Flor e Vimioso.

Escrito por ONDA LIVRE

Investigação de montanha cria 24 novos postos de trabalho em Bragança

Um projeto recente ligado à investigação de montanha vai criar 24 novos postos de trabalho qualificado em Bragança, divulgou hoje o promotor, o Instituto Politécnico de Bragança (IPB).
Os novos colaboradores vão reforçar o Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação (CoLab More), criado no âmbito de um desafio lançado a nível nacional pelo ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor.

A cerimónia formal de assinatura de contratos está agendada para a manhã de segunda-feira, no Brigantia Ecopark, e os novos elementos “formam uma equipa multidisciplinar capaz de desempenhar funções nas diferentes áreas de intervenção do laboratório”, como especificou, em comunicado, o IPB.

O laboratório nasceu no seio do politécnico que realça a importância destas contratações com “a criação de postos de trabalho qualificados na região, possibilitando-lhes novas competências e iniciativas empresariais”.

O Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação tem como objetivo principal a definição e implementação de uma agenda de investigação e inovação nas zonas de montanha orientada para a criação de valor económico e social, segundo os responsáveis.

O projeto reúne “instituições científicas e académicas, em estreita colaboração com atores económicos, sociais e culturais”.

O CoLab MORE “trabalha na mobilização de cadeias de valor completas”, apostando em produtos de origem natural e tecnologias limpas para encontrar novas soluções, principalmente para a indústria de alimento, com vista a fortalecer o setor primário, concretamente agricultura e silvicultura, e serviços nas áreas do ecoturismo e bem-estar.

As áreas de intervenção vão da agricultura sustentável e produção florestal, alimentos e materiais de origem natural, clima, ambiente, eficiência de recursos e matérias-primas, produção industrial e energética eficiente, “limpa” e segura, saúde, bem-estar, alterações demográficas e património cultural e turismo de montanha.

Com sede no Brigantia Ecopark, o CoLab MORE é uma associação privada sem fins lucrativos constituída por unidades de investigação, laboratórios associados, e instituições de ensino superior, como os institutos politécnicos de Bragança e Guarda e Universidade do Porto, centros tecnológicos e empresas.

Na missão do laboratório estão a prestação de serviços especializados, consultoria científica, tecnológica e de inovação, vigilância tecnológica, científica e comercial, relatórios prospetivos, formação especializada, projetos de I&D, e venda e licenciamento de direitos de propriedade intelectual.

in:diariodetrasosmontes.com
C/Agência Lusa