sábado, 22 de junho de 2019

Era uma vez um Fumador...

Nem imaginais as vezes que já estive para abordar este assunto.
Acontece, porém, que como sou eu o protagonista, estou de tal maneira confuso que nem sei por onde começar.
Assim sendo, nada como começar de qualquer maneira.
Vou escrever para os meus amigos e amigas. Sem sofismas, sem moralismo bacoco.
Simplesmente… vou-vos contar uma história.

Fumei 45 anos seguidos. Mais ou menos um maço de cigarros por dia. Nuns dias mais, noutros menos. Sempre dependente do ambiente à boa maneira dos mestres fumadores.
Nunca pensei, sequer, em deixar de fumar. Tenho amigos que fumavam 4 maços por dia. O maço de cigarros nunca podia faltar, nem em casa, nem no trabalho nem pelo caminho.
Pensareis vós. Onde é que este escrevinhador quer chegar?
E pensais bem.
É só para vos dizer que deixei de fumar aos 60 anos de idade.
Nem eu acredito. A “coisa” aconteceu de uma maneira tão esquisita que ainda hoje me custa a acreditar.
Pensei que ia morrer com um cigarro no canto da boca. Não estou livre que isso aconteça mas as probabilidades são menores. Nunca pensei, seriamente, em deixar de fumar.

ENTÃO FOI ASSIM:
Dia 8 de março de 2018, apanhei uma “bruta” gripalhada". Talvez a maior de que me lembre. Nem forças tive para ir trabalhar. O dia inteiro de cama e sem conseguir dormir o suficiente para sequer pensar.
No dia seguinte, de manhã (maldito vício) vou ao WC já com um cigarro e o isqueiro…pronto a tentar “matar o vício”. A garganta doía mas era só uma ou duas passas para enganar o corpo.
Acendi o cigarro… conforme o fumo me chega à garganta senti uma aflição como nunca tinha sentido. Um mal-estar… quase uma dor... tossi tossi. Uma aflição.
Nesse dia não fumei, no dia seguinte também não, no seguinte também não…
Tinha cigarros em casa e na gaveta da secretária do trabalho.
Olhava para os maços e não sentia vontade nenhuma de fumar um cigarro.
Pensei…
Quando acontecer uma jantarada ou coisa que o valha, lá volta a rotina.
Não voltou. Vieram as jantaradas, os convívios e os cigarros já não faziam parte dos convidados. Não voltei a comprar cigarros e muito menos a acendê-los.
Não sinto falta nenhuma deles em situação alguma. Pura ilusão.
Perguntam-me os amigos: - Tomaste alguma coisa? Foste ao médico?
A resposta é só uma: - Deixei de comprar cigarros e de os acender.
E… custou-te muito a deixar de fumar? A esta pergunta nem sei responder. Deixei e pronto.
O resto é óbvio por mais que custe admitir.
Menos cansaço, muito menos, a ligeira sensação de ter menos uns vinte anos.
Sei que não estou livre, nem eu nem ninguém, de voltar a cair no vício. Mas as probabilidades são bem menores.
Fiz mal a mim, aos meus, ao ambiente e gastei dinheiro sem necessidade.
Um dia destes, na brincadeira, disse ao jantar… um qualquer dia vou fumar um cigarrito.
O meu filho ouviu, franziu a testa e disse: - Se o fizeres eu começo também a fumar.
O meu filho nunca fumou.
O pior disto tudo é a melhoria do sentido do olfacto. A malta que fuma, e ainda mais aquela que não tem por costume mudar muitas vezes de roupa…

Àh, é verdade que a comida e a bebida tem outro sabor.

Se este meu episódio ajudar alguém a deixar de fumar, já valeu a pena esta confissão.
Abraços para os fumadores e para os ex-fumadores.





HM

1 comentário:

  1. Antônio Santos ACAS23 de junho de 2019 às 18:29

    Kkkkkk ķkkkkkkkkkkkkkklkkkkkkk!
    Interessantíssimo!
    Quanto a mim, nunca fumei.
    Meu pai quase morreu aos quarenta, por causa do cigarro (feitos de fumo de corda, enrolado em palha de milho ).
    Nós, filhos ; à época éramos sete, vimos o sofrimento. O evento nos poupou, e ninguém fumou após tal acontecimento.
    Lembro-me de meu pai comentando o fato de deixar de fumar : ele dizia que, muitas vezes, quando estava próximo de alguém fumando, abria a boca para aspirar a fumaça exalada.
    Parabéns ao iminente Henrique.
    Fumar realmente não faz bem à saúde e ao bolso! !!!!!!!
    Mas faz com que bons escritores nos contem boas histórias.

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