quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Material de armamento encontrado no aterro sanitário de Mirandela

Militares apreenderam e recolheram 57 munições de diversos calibres, uma granada, três cartuchos e três invólucros.
Material de armamento, incluindo uma granada, foi encontrado no aterro intermunicipal situado em Mirandela e que recebe o lixo de todos os concelhos do distrito de Bragança, informou esta quinta-feira a GNR.

As autoridades receberam, na terça-feira, uma denúncia "a dar conta de que estaria material de armamento no aterro", segundo informação divulgada pelas Relações Públicas do Comando Distrital de Bragança da GNR.

Segundo a fonte, os militares que se deslocaram ao local para onde é encaminhado o lixo de 13 concelhos "apreenderam e recolheram 57 munições de diversos calibres, uma granada, três cartuchos e três invólucros".

Os factos foram remetidos ao Tribunal Judicial de Mirandela.

Produtores da cultura agro-ambiental preocupados com o futuro do sector

Subsídios para produção integrada podem deixar de existir no próximo ano.
Armando Pacheco, vice-presidente da Federação de Agricultores de Trás-os-Montes e Alto Douro, afirma que nada está garantido em 2020. “Saber se vamos continuar a ter agro-ambientais e que tipo de subsídios ou de ajuda vamos ter para quem fizer este tipo de agro-ambientais numa altura em que se fala muito do ambiente. O futuro é muito preocupante porque nada disto está seguro. A agricultura biológica, em princípio, deverá continuar a ser subsidiada mas a produção integrada pode não ser”.

Estava previsto ser pago até dia 31 de Outubro, os subsídios atribuídos aos produtores de agro-ambientais. Segundo o Instituto de Financiamento da Agricultura e Pesca, o pagamento vai ser feito ainda na próxima semana. Já Armando Pacheco acredita que a situação se vai arrastar até ao final do próximo mês. “Não foram pagas conforme o calendário previsto as agro-ambientais. Normalmente é faseado, pagam sempre até ao fim de Outubro e a outra até ao fim do ano. Eles estão a ter falta de dotação orçamental, para este mês que pagarão no próximo mês” disse ainda.

O atraso dos subsídios, no valor de 40 milhões na região Norte, pode causar algumas dificuldades económicas aos agricultores. “É este dinheiro que mantêm muitas das actividades agrícolas uma vez que as produções estão a ser colhidas agora e muitos deles ainda não receberam. Não acredito que na nossa zona sejam postas em causa as colheitas mas pode por-se em causa o bom nome do agricultor em pagar as suas contas atempadamente”.

A possível falta de financiamento, em 2020, para a produção integrada e o atraso no pagamento dos subsídios são preocupações dos produtores da cultura agro-ambiental.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Castanhas de qualidade convidam à VI Feira da Castanha e Outros Produtos da Terra em Corujas

Apesar de se perspetivar uma quebra na produção deste ano, o que não vai faltar é castanha de qualidade na VI Feira da Castanha e Outros Produtos da Terra que acontece na aldeia de Corujas, em Macedo de Cavaleiros, de amanhã até domingo.
A garantia é do presidente da junta de freguesia, Eduardo Pereira, que fala numa feira em constante crescimento:

“Em Corujas a produção penso que terá uma quebra de de cerca de 30% a 40%, mas, no entanto, a qualidade é excelente.

Cada vez temos mais expositores e mais vizitantes que perguntam quando acontece a feira, porque gostam de vir até à nossa freguesia.

Tal como em todas as feiras, temos optado por ter animação musical, um dj e várias atividades.”

A novidade deste ano passa pela introdução de uma montaria ao javali, que tem lugar no sábado de manhã, seguindo-se à tarde um seminário sobre doenças do castanheiro:

“Vamos ter um seminário no qual falaremos das doenças do castanheiro, mas também das alternativas à própria árvore porque, infelizmente, a forma de tratamento não tem sido a mais eficaz e temos de pensar nisso.”

No domingo de manhã, acontece ainda o VII Percursos Pedestre Rota da Castanha, com visita a soutos e apanha de castanhas.
Ao longo dos três dias vão estar presentes, com as castanhas e outros produtos da terra, 21 expositores, maioritariamente da localidade, e a organização estima uma adesão de cerca de 2500 pessoas.


Escrito por ONDA LIVRE

As carnes ibero-americanas de qualidade já têm informação disponível em livro

As principais carnes de qualidade da Red MARCARNE do Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimentos (CYTED) passam a ter informação disponível num livro apresentado no I Congresso Ibero-Americano de Marcas de Qualidade de Carne e de Produtos Cárneos, que teve lugar na Escola Superior Agrária de Bragança (ESA) nos dias 24 e 25 de outubro.
“Não só as marcas de qualidade e as raças, mas também os espaços onde são produzidas. 
A rede integra diversos países, como Argentina, Brasil, Cuba, Chile, Equador, Espanha, Paraguai, Portugal, México e Uruguai. Procura tratar, ainda, o tema da importância destas marcas de qualidade, bem como a possibilidade do seu reconhecimento em todo o espaço ibero-americano”, explicou Alfredo Teixeira, docente e investigador na ESA, responsável pela organização do congresso em Bragança.
Glória Lopes

Tribunal mantém penas de prisão no processo das cartas de condução

O Tribunal da Relação manteve as penas de prisão aplicadas aos principais arguidos do processo de corrupção com cartas de condução de Bragança, mas revogou a proibição de os examinadores continuarem a exercer, divulgou hoje o Ministério Público.
A decisão da Relação de Guimarães data de 30 de setembro e foi divulgada hoje no portal da Procuradoria-Geral Distrital do Porto e refere-se aos recursos do acórdão proferido pelo Tribunal de Bragança, em dezembro de 2017, no mega julgamento com 111 arguidos, entre escolas de condução, examinadores, médicos e candidatos.

O processo foi desencadeado pela operação “Carta Branca” da Polícia Judiciária e resultou na condenação da maioria dos arguidos por corrupção passiva, corrupção ativa para ato ilícito, falsificação de documento, pagamento de quantias monetárias para aprovação nas provas teórica e prática de habilitação com título de condução.

Vários arguidos recorreram da sentença do tribunal de Bragança que aplicou há quase dois anos 11 penas de prisão efetiva a examinadores e proprietários de escolas de condução, entre os cinco anos e três meses e os oito anos e meio.

O Tribunal da Relação decidiu absolver três examinadores de alguns crimes de corrupção passiva, mas mantém as penas de prisão, agora fixadas entre os sete anos e cinco meses e os sete anos e oito meses.

Outros cinco arguidos, que serviam de intermediários entre candidatos e examinadores, foram também absolvidos de alguns dos crimes de corrupção passiva, mas continuam com penas de prisão entre os cinco anos e dois meses e os oito anos de prisão.

De acordo com a informação divulgada pelo Ministério Público, a relação decidiu revogar aos oito examinadores do processo a decisão da primeira instância de penas acessórias de proibição do exercício de funções.

O acórdão absolve ainda seis dos cerca de 30 candidatos à obtenção de título de condução que tinham sido condenados por corrupção ativa.

Dois arguidos viram reduzido o montante a cujo pagamento foi subordinada a suspensão da execução da pena de prisão aplicada, e a outro foi diminuída a duração da pena de prisão suspensa na sua execução.

O Tribunal da Relação decidiu ainda diminuir o valor do património incongruente apurado a seis arguidos.

O julgamento inicial do megaprocesso de corrupção com cartas de condução prolongou-se por mais de dois anos e meio e terminou em dezembro de 2017, com a condenação da maioria dos 111 arguidos, a perda de quase cinco milhões de euros a favor do Estado e a apreensão de dezenas de títulos.

O processo custou ao Estado quase 50 mil euros em rendas e outros tantos em obras para a construção de uma sala de audiências no Centro Empresarial de Bragança, por não haver condições para receber um número tão elevado de envolvidos no tribunal local.

A estes valores acresce ainda os honorários pagos pelo Estado a muitos dos advogados que fizeram a defesa oficiosa de vários arguidos durante 104 sessões.

A alegada rede de corrupção com cartas de condução levou a tribunal 30 instrutores, examinadores, funcionários e empresários, nove escolas de condução e candidatos, num total de 111 arguidos.

De acordo com a acusação, o alegado esquema de corrupção envolveu examinadores de Bragança e Mirandela e escolas de condução das duas cidades, de Murça, Vila Real, Torre de Moncorvo e Sabrosa.

Foram ainda acusados instrutores, gerentes e empresários das mesmas, mas também de outras regiões como Vieira do Minho, São João da Madeira, Paços de Ferreira, Peso da Régua, Braga, Barcelos, Póvoa de Lanhoso, Guimarães, Murça, Alijó, Felgueiras, Lousada e Paredes.

Cinco dos principais arguidos estiveram em prisão preventiva.

A maioria destas pessoas é de fora da região de Trás-os-Montes, sobretudo das zonas do Minho e Grande Porto, mas também da Guarda e até de Leiria.

O processo deu origem a um segundo julgamento com mais 118 arguidos, que começou em julho, em Bragança, e que envolve candidatos à habilitação legal para conduzir que já faziam parte do processo inicial, mas beneficiaram da suspensão do mesmo por se terem comprometido a colaborar com o apuramento da verdade.

Ao todo eram 160 pessoas que beneficiaram deste expediente e o tribunal decidiu levar a julgamento 118 destas por entender que não cumpriram o acordado anteriormente.


FALARES E DIZERES (aldeias) TRANSMONTANOS

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas..."


Foto: Daniel Vilar
I PARTE
Amanha dápor manhã, bou por a albarda na burrica, escarrincho-me em cima dela e bou amarrar uns guiços, e traer um bo feixe pra acender o lume. Lebo uma calças bestidas porque sei que bou arrebunhar as pernas e os braços todos. Os guiços estão ásperos nesta altura.
Lebo um cibo de pão e uma linguiça, para merendar e passo por lá a tarde, bou xamar a ti Maria, mas ela é uma carranhosa, não deve querer ir. Que faça c`moquera, massim eu tenho que me desenvencilhar só. Bou-me emplouricar no muro do ti jaquim, salto pro outro lado faço um manhuço bom e pronto. Massim, seu não fizer ninguém fai.
O meu tonho é um lapouço, só sabe andar cas crias e não fai mai nada. Se lhe digo alguma cousa. Responde-me logo,” cala-te, com essa ladradeira”. ele é mas é guicho bô… não majuda nada, mas vai-se lixar á noite quando xigar a casa vai larpar ao lameiro. Come merda que o Monteiro também a comia e estaba gordo. Abia era de ter arranjado uma mulher dessas arreguixadas, que são todas um refustedo, só andam bem na chaldraria e não fazem nada. No berão não trabalham que está calor, no inberno andam sempre engranhadas. Uma dessas é que o meu tonho habia d` arranjar. Eu tibe um bo pretendente mas o home era birolho, e tibo medo porí ainda me nascia a canalha também birolhos, e não o quis,mas tirando esse defeito era bô home. Sabes onte, oubi dizer que o home da ti Ana lhe deu uma saronda…mas que tunda…ele é um bardino, um gandulo, um reco coxino, nem se sabe labar anda c` as orelhas cheias de surro, aquele labrego. A desgraçada, casou com ele e o sujeito até já tinha uma zorra. A outra não o quis porque ele já daba barduada nela. Lampantim do demónio, se fosse me home…bô não me achegava a roupa ó pelo…
(………….) continua

II PARTE
Amanhã, lá bou eu, escanrranxada na burra , mais o meu cadelo. Lebo um caçoulo com uma cacha de batata, um cibo de pão, linguiça, umas azeitonicas e uma cabaça dàuga pra mim e pó cucho. Ele come tudo até come as carabunhas das azeitonas, raios partira o cadelo, nunca antes bira tal coisa. Se não lhe dou do farnel, não para de caincar.
Este cucho não bale nada é um caganças,mas é guixo, mal abro o cancelo parece que tem lume nas patas foge logo pro pé da ti Albertina. Está abituado que ela lhe dê uns furgalhos que trás sempre na algibeira do abental. Depois de larpar as furgalhas, vaise pela canelha adiante e só pára ao pé do caldeiro que ela tem á porta da corriça. Ali espreita aber se me bê e bai de caras ao pobo até que me encontra, abondame um guiço e dá-mo. Já sabe que eu o lebo comigo e lebo sempre um carolo para os dois. Por bezes, subo-o e lá bai aninhado ás carranculas da burrica (……..) 
(Continua)

III PARTE
Onte o dia correu sumenos. Trouxe um bô feixe. Mas estaba tão estafada que á noute, não cerrei olho. Já fai um frio do carbalho, tenho que botar mais uma manta na cama. Estarrafoda o imberno. A auga que fica ao relento já se põe em carambelo.
O meu tonho tinha ido pó tasco e apanhou uma piela do caraças… chiça…que cardiela…nem sei como biu o carreiro para xigar a casa. Binha metido no carrejo, encolhido na samarra, nem se bia. Quando xigou, apeteceu-me dar-lhe um cascudo, mas fiquei queta, ainda lhe passaba a borracheira e cascaba-me balente e feio.
Xigou, como um pito, enxarcado até aos ossos. Tibo pena dele, agarrei num capão, pus um bô estrafugueiro, meia dúzia de raxos e xisquei-lhe fogo. Estariçou-se no escano, aqueceu-se e dromiu-se. Maldito home, é mesmo um songa monga. Não me ajuda mesmo nada. Só bai com a cria e anda a correr o coxio. Bai pra taberna do ti João canhoto, apanha cada cardina. Cada bêz anda pior, já não o aturo…Nem sequer olha por ele, trai uma lã que mete medo, cheio de catotas , guedelhudo... qualquer dia agarro numa ceitoura e corto-lho massim, ele nem ao rabel bai…
(………………) Continua

IV PARTE
Estarrafoda a bida. Este ano tibe azar c` coelhos, apanharam o chamorro, morreram todos. E eu que tinha tanta proa neles.
Quando entraba na loja desinfetava os chanatos com criolina mas mesmo assim, foram-se com demónho. Debia ser praga da tia Aurora, botou-me mau olhado. Agora o que me bale são as pitas, que estão bem gordas, espero que não mas lebe o diabo tamém. Oramessa…acontexe-me cada cousa…ía eu estifeita da bida a buscar umas chamiças pra acender a fornalha, ia pelo carreiro distraída, meti os pés numa xarca, molhei-me toda. Axo que me engripei, bou fazer o que mandam os antigos. “Abinhate, Abifate e Abafate. Amanhã tenho que estar boa, quero ir á feira dos chãos á xega dos touros. Como o meu tonho não m` acompanha pra lado nenhum, bou na camineta, aber se a ti Maria quer ir comigo. Ando meia cismada com ela, onte a noute, andaba a cheiriscar, não sei o quê. Só bi a luz da candeia e xeirava a pitrólio que tresandava. Nem sei como o meu cadelo, não deu sinal, estava muito entretido a rilhar um osso. Mas a minha chiva, não parava de chimpar na loja. Ainda chisquei no meu tonho mas não se descozeu, esse pamonha não quer saber de nada. Mas a bizinha… saiu-me cá uma choqueira, cuscubelheira, anda como uma labrega. Parecia uma abe penada, a noute estava escura como bréu, xobia a céu aberto e nem um chuço tinha.
Entrei pra casa, mas estava uma fumaceira do caracho, bou ter que fazer um chupão,trago cá essa cisma e ninguém ma tira do toutiço. (…………)


Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.


Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA

Filme promocional de Bragança

Graça Morais – Azulejos do Mercado Municipal (2002) e do Teatro Municipal (2004)

Graça Morais é uma das mais reputadas artistas contemporâneas portuguesas, umbilicalmente ligada à sua região. Nascida em Vieiro, concelho de Vila Flor, terá sempre Trás-os-Montes presente na sua obra, acompanhando-a as recordações da infância ligadas à aldeia natal. Em 1966-1967, depois de concluir os seus estudos em Bragança, vai estudar pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, concluindo a sua licenciatura em 1971.
Painel de Azulejos - Teatro Municipal (2004) Autoria: Graça Morais
A primeira viagem fora de Portugal, efetuada em 1970, levando-a a contactar com a realidade artística em Londres, Paris e Amesterdão, irá ser decisiva para o seu percurso como pintora. Para além de exercer a docência na área da pintura, a sua participação em exposições individuais e coletivas no País e no estrangeiro passa a ser uma constante, tornando-se uma das nossas artistas mais internacionais, encontrando-se representada em importantes coleções.
Em 2008, Bragança inaugura o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, cuja autoria pertence ao arquiteto Eduardo Souto Moura (galardoado com o Pritzker Architecture Prize – 2011). João Fernandes, comissário da primeira exposição Graça Morais – Pintura e Desenho 1982/2005, aponta um facto relevante sobre a obra da artista: “Por vezes, uma inaudita e surpreendente violência contamina a afetividade com que a artista redefine e reinterpreta as figuras que representa, como se elas fossem personagens de uma tragédia antiquíssima, mas sempre presente”.
Azulejos do Mercado - Municipal (2002). Autoria: Graça Morais
Em 2002, a escritora Maria Velho da Costa, referindo-se à “mundividência” da pintora aponta a sua faceta “bem feminina […] mediterrânica, de um arcaísmo mais fiel ao luto que à retaliação”. Outros intelectuais definem-na como uma “serra escarpada” (Inês Pedrosa, 2010), vendo o mundo numa outra dimensão: “Tempo humano, sem dúvida, nem há tempo que o não seja. O tempo da consciência do tempo, que exprime nas suas figuras agarradas à terra como se nunca tivessem sido crianças, como se nunca se tivessem erguido noutros espaços que os do silêncio e do esforço” (Júlio Moreira, 2011).
Da sua autoria, a Cidade possui dois exemplos magníficos que comprovam esta visão simultaneamente realista e intemporal: os azulejos do Mercado Municipal e do Teatro Municipal.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

Viagem Ecológica do Mês: Rumo a Bragança

Com edificações de deixar qualquer um boquiaberto e doces nas "7 Maravilhas do País", Bragança foi a cidade portuguesa escolhida para a viagem ecológica deste mês.
Mosteiro de Castro de Avelãs - FOTOGRAFIA DE C.M. BRAGANÇA
Bragança é uma cidade portuguesa situada na Região Norte e sub-região de Trás-os-Montes. Com uma área geográfica de 1.117,57km2, este é oitavo maior município do país, tendo uma população de cerca de 35 mil habitantes, espalhados pelas 39 freguesias.

Viver Bragança: 5 locais a visitar
Apesar de ter sofrido com o isolamento, quando comparada com outras regiões do país, Bragança está intimamente ligada ao nascimento e desenvolvimento do país e possui no seu território um vasto património histórico e cultural, desde os primórdios da história e que ainda hoje podem ser visitados.
Selecionámos cinco locais que não poderá deixar de visitar numa viagem até Bragança.

Museu do Abade de Baçal
Os achados arqueológicos efetuados ao longo dos anos permitem concluir que a ocupação humana na cidade remonta ao Peleolítico final. Contudo, no Neolítico, o surgimento de comunidades produtoras de alimentos, a domesticação de animais e o aparecimento de forma de culto, contribuíram para o crescimento da população.
Da ocupação humana nestes períodos existem vários vestígios, sendo que alguns constituem parte da coleção existente no Museu do Abade de Baçal, nomeadamente peças de cerâmica, machados de pedra polida, pesos de tear, pontas de seta, machados de talão, alabardas, braceletes, fíbulas e, ainda, vários artefactos em pedra polida, entre outros.
Se procura conhecer um pouco mais sobre a história da cidade de Bragança, o Museu do Abade de Baçal, situado na Rua dos Museus – onde também fazem parte outros museus como o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e o Centro de Fotografia George Dussaud - é um excelente ponto de partida.
Sé Velha de Bragança - FOTOGRAFIA DE C.M. BRAGANÇA
Antiga Sé de Bragança
A igreja que funcionou como Sé Catedral teve um início atribulado. Foi projetada pelo 5º Duque de Bragança, D. Teodósio, para ser um Convento da Ordem das Clarissas, mas, em 1561, já em fase de conclusão, o mesmo foi entregue à Companhia de Jesus, que o transformou num colégio Jesuítico.
Durante 200 anos, este colégio foi palco de inúmeros momentos culturais e religiosos, tendo acabado por receber, a título universitário, os cursos de Teologia, Filosofia e Humanidades.
Após a expulsão da Companhia de Jesus de Portugal, a edificação foi entregue à diocese de Miranda do Douro, que decidiu acrescentar um novo edifício, uma vez que o atual não tinha dimensões para ser classificado como Sé.
Atualmente, após todas as alterações, a porta principal da antiga Sé de Bragança situa-se na lateral do edifício, sob um estilo Renascentista, acolhendo no tímpano um nicho com a imagem de Nossa Senhora com o Menino.

Castelo de Bragança
O Castelo de Bragança contribuiu significativamente para o crescimento urbano da cidade. O perímetro inicial defendia a antiga vila medieval, mas a malha urbana começou a estender-se extramuros, de tal modo que Bragança acabaria por ser considerada cidade.
Foi por volta de 1409 que o Rei D. João I mandou construir o atual Castelo de Bragança, como forma de afirmação de independência perante Leão e Castela. D. João I fez erguer a torre de menagem, que possui 34 metros de altura, e ampliou a edificação militar ali construída ainda no tempo de D. Sancho I, o primeiro circuito de muralhas, e de D. Dinis, mandante de um segundo perímetro de muramentos.
Como é possível observar atualmente, o Castelo de Bragança é composto por um vasto conjunto de muralhas ameadas, numa planta oval cujo interior está direcionado através dois eixos que fazem a ligação entre a Porta de Santo António e a Porta do Sol.
A partir da Porta de Santo António é possível aceder à parte velha da cidade, onde encontra duas ruas com quarteirões edificados, sendo que um deles vai dar ao pelourinho e ao local onde, em tempos, existiu a Igreja de São Pedro. No centro, encontra a Igreja de Santa Maria e a Domus Municipalis, as principais atrações da cidade.
Castelo de Bragança, o ex-líbris da cidade - FOTOGRAFIA DE C.M. BRAGANÇA
Domus Municipalis
Era na Domus Municipalis, na casa da Câmara, que a análise dos assuntos de interesse local e de justiça eram discutidos. O edifício de traça medieval, fruto de revivalismo arquitetónico, tinha como principais objetivos a valorização efetiva de uma nascente e a recolha de águas pluviais. Deste modo, a Domus Municipalis integra uma cisterna bem lavrada, com abóbada de cantaria reforçada com três arcos torais, bem configurada e apta a recuperar a precipitação da cobertura exterior.
Alguns elementos da sua construção permitem observar a existência de anexos com coberturas que também descarregavam a água das chuvas para a cisterna e, os alçados consentem um plano superior, ocupado por uma ampla sala de reuniões.

Mosteiro de Castro de Avelãs
O Mosteiro de Castro de Avelãs desempenhou um papel importante no povoamento da região e na assistência a peregrinos que faziam o Caminho de Santiago de Compostela.
No seguimento da Bula Papal de Paulo III que determinou a sua anexação à diocese de Miranda do Douro, em 1543, o Mosteiro foi extinto e todos os frades e bens foram transferidos para a mesma diocese, levando ao seu abandono.
Esta edificação é extraordinariamente original pois conservou apenas a cabeceira da origem românica, revelando a ambição monumental do projeto e o processo de construção medieval em que era a primeira parte a ser erguida. Deste modo, era possível praticar o culto nessa parte antes das obras terminarem. A cabeceira é composta por 3 capelas redondas, marcadas pelo trabalho em tijolo e pela decoração de arcadas cegas, conferindo-lhe uma qualidade arquitetónica única em Portugal.
No século XVIII, um corpo retangular prolongou a abside, a sacristia foi anexada ao absidíolo esquerdo e o direito ficou aberto ao exterior. Das dependências monacais subsiste ainda uma torre quadrangular.

Para além do património de Bragança, descubra a gastronomia típica da cidade, como os doces tradicionais. Alguns deles fazem parte da lista das "7 Maravilhas do País". De comer e chorar por mais!

Especialistas portugueses e estrangeiros abordam, hoje, no Fórum da Castanha as preocupações do sector

Especialistas portugueses e estrangeiros juntam-se, hoje à tarde, em Bragança no Fórum Internacional da Castanha, para discutir as grandes preocupações do sector.
Métodos de combate à vespa das galhas do castanheiro, o cancro ou estratégias para valorizar a castanha no mercado são alguns dos assuntos que vão ser discutidos no auditório do NERBA.

“A primeira parte tem foco nas doenças e pragas associadas ao castanheiro. A segunda parte tem foco na pós colheita e estratégia de valorização da castanha, temos uma parte de certificação e depois segue-se um debate com três empresas que trabalham na área da transformação da castanheira”, explicou Albino Bento, da organização e professor do IPB.

Fazem parte do fórum oradores e empresas espanholas que apresentarão formas de combate à vespa das galhas do castanheiro diferentes das que são usadas em Portugal.

“Que os colegas de Espanha nos tragam a experiência e estratégias que eles seguiram quer no cancro, e os resultados que estão a obter, quer na vespa, porque seguem estratégias de combate ligeiramente diferentes daquelas que nós seguimos em Portugal”, disse.

No final de cada sessão, os produtores de castanha podem esclarecer as suas dúvidas.

Neste momento, estão inscritos no Fórum da Castanha cerca de 150 produtores e técnicos de associações deste produto.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Ângela Pais

Obra Social Padre Miguel pretende ampliar a oferta de camas e uma nova valência dedicada ao tratamento de demências

Com 27 anos completos, a Obra Social Padre Miguel quer aumentar a capacidade de oferta de camas, através da ampliação das atuais instalações, quer da resposta social quer da privada.

Ao Mensageiro, o presidente da instituição, Manuel Pereira, aceitou levantar o véu sobre os projetos.
“A atual direção da Obra Social Padre Miguel, na tomada de posse para o quadriénio 2016/2019, tinha como objetivo principal consolidar a sustentabilidade financeira da Instituição, com vista a proporcionar as melhores condições possíveis no atendimento a mais de três centenas de utentes e, simultaneamente, contribuir para que todos os trabalhadores sentissem uma motivação especial para “acarinhar” aqueles que mais necessitam”, começou por explicar o responsável pela Obra.

Caçadores criaram com o corço um “laboratório natural” em Macedo de Cavaleiros

É um laboratório natural que se destinava à criação de corços para a repovoação na espécie da serra de Bornes, mas tornou-se mais do que isso. Hoje o cercado é uma maneira de estudar a espécie rara.

Pelo menos uma vez por ano, dezenas de estudantes universitários têm um laboratório natural para estudo, num cercado de corsos criado por uma associação de caçadores de Macedo de Cavaleiros e considerado pela academia um projeto singular.
Neste espaço com 35 hectares não se caça e a captura de animais que é feita tem como finalidade monitorizar os que vivem em ambiente natural no Cercado de Corsos de Grijó/Vilar, na serra de Bornes, em Trás-os-Montes.

Aprofundar o estudo da espécie é o propósito da Associação de Caçadores de Grijó e Vilar do Monte que, há vários anos, trabalha em conjunto com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e o Instituto Politécnico de Bragança (IPB).

À semelhança dos anos anteriores, também neste mês de outubro dezenas de alunos e orientadores participaram em mais uma jornada de captura dos corsos, na qual foram monitorizados 16 dos 25 animais que povoam o cercado. “Este é o outro lado da caça que, normalmente, a sociedade não vê ou não lhe é transmitido. Gerir é também caçar, estudar é também caçar, nós só podemos gerir bem se tivermos um conhecimento perfeito da espécie”, realçou à Lusa Raul Fernandes, presidente da associação de caçadores.

O trabalho começou em 2007, com a introdução de duas fêmeas que atraíram um macho ao cercado. O primeiro corso ali nascido ainda anda por lá e tem agora 11 anos. Já ali nasceram cerca de 40 animais, alguns dos quais têm sido libertados e outros vendidos, como dois exemplares para o Parque Biológico de Vinhais, ou para zonas de caça da região e do Alentejo.

O cercado, segundo Raul Fernandes, começa agora a assumir-se como “um ativo financeiro”, com retorno da venda, mas ressalvou que a razão principal da sua existência e dos prémios que tem recebido a nível nacional e internacional é a preservação e estudo da espécie.

O projeto conta com o apoio de organizações como o Safari Clube Internacional, nomeadamente ao nível do equipamento, como câmaras, de monitorização dos corsos e logística.

O presidente da associação de caçadores acredita que o trabalho que ali tem sido desenvolvido tem impacto no habitat com a serra de Bornes mais protegida de incêndios, já que o corso funciona como a cabra no controlo do mato rasteiro.

Raul Fernandes realçou também o contributo para a biodiversidade, pois o corso é presa de alguns predadores como o lobo ou um lince ibérico que passou no cercado monitorizado pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

A ideia inicial foi criar em cativeiro para repovoar a serra de Bornes, mas a espécie teve, entretanto, uma expansão natural e apontaram outro objetivo do cercado, que “é aprofundar o estudo sobre esta espécie, que não é fácil de observar”.

“É um projeto singular. É a caça como deve ser, uma caça responsável em que o caçador é não quem tira, mas que cria algo e estabiliza e conserva”, observou Filipe Silva, diretor do hospital veterinário da UTAD, parceiro no projeto.

O papel da academia é a coordenação técnico-científica, nomeadamente aquando das capturas, como indicou Aurora Monzón, bióloga do departamento florestal da UTAD. “É uma cooperação em que nós comprometemo-nos a fazer deste cercado um local de ensinamento, de experimentação e onde os alunos podem aprender técnicas de maneio e gestão de fauna cinegética e o cercado serve para saber quantos animais é que tem dentro, as características, equilibrar o número de animais para não degradar o espaço e para que os animais tenham um estado físico saudável”, indicou.

Nas capturas, são feitos vários exames aos animais que evidenciam momentos de stress considerados pelos especialistas “importantes para eles porque lhes vai permitir quando forem para o exterior, ter estratégias de defesa”.

Para os alunos é a constatação, como considerou, de que “o trabalho de conservação da natureza não passa só pelo gabinete, exige sacrifícios, exige passar por dentro do mato”. “Em termos de protocolos, em termos de experiências também educativas, é único no país e em muito países europeus. Existem poucas universidades que podem oferecer uma experiência destas aos seus alunos”, afirmou.

Também Paulo Cortês, docente do IPB, sublinhou que aquilo que se tem feito neste cercado “é o que devia ser feito em muitas outras zonas de caça para efeitos de monitorização de populações, de controlo, para ir acompanhando ao longo dos anos o que vai acontecendo com esse animais”.

De entre os jovens universitários que têm participado na experiência, já saíram seis trabalhos finais de licenciatura realizados neste contexto. Foi o caso de Armando Pereira, engenheiro florestal formado na UTAD, que fez parte das primeiras equipas e está presente todos os anos. “Quando era adolescente sempre tive uma ideia um bocado negativa em relação aos caçadores, vir aqui também me deu uma perspetiva diferente em relação ao gerir os espaços, ao ter de controlar o número de animais”, contou à Lusa.

Para outros alunos, como Morgan Motauny, que estuda zootecnia na UTAD, este foi o primeiro contacto com o corso e mais uma aprendizagem para levar para a província de origem na África do Sul, conhecida pela riqueza agrícola.

Poder estar em contacto com os animais, torna a experiência ainda melhor para Filipe Cardigos, estudante de enfermagem veterinária do IPB, enquanto a colega brasileira Poliana Campos sublinha que “na prática é outra coisa diferente da teórica”.

Comprar casa no distrito de Bragança: Macedo de Cavaleiros é um dos municípios mais atrativos

Num período em que o crédito habitação e o setor imobiliário andam muito dinâmicos, o ComparaJá.pt analisou os custos de comprar casa nos vários municípios de Bragança. O portal que permite comparar as ofertas de crédito habitação procurou perceber quanto tempo uma família necessita para pagar a sua habitação, com base nos rendimentos e preços por m2 médios.
Caso queira comprar um imóvel neste distrito, saiba que o município de Macedo de Cavaleiros está no top 5 onde o preço das habitações é mais acessível.
Para este estudo, o SIMULADOR gratuito que compara produtos bancários e pacotes de telecomunicações procurou analisar qual o prazo mínimo de um crédito habitação para a aquisição de um imóvel com 120 m2 em cada localidade, tendo por base uma taxa de esforço mensal de 33%.
Na tabela seguinte estão resumidos os dados recolhidos pelos ComparaJá.pt para o distrito de Bragança. Por apresentar um preço por m2 muito competitivo, Macedo de Cavaleiros é o quarto município onde comprar uma habitação é mais acessível neste distrito. Em pouco mais de 22 anos é possível concretizar o sonho de ter uma casa própria.

Importa salientar que a taxa de esforço consiste na percentagem do rendimento familiar destinada ao pagamento das prestações dos créditos, que é calculada da seguinte forma: (Encargos financeiros mensais/Rendimento) X 100. No fundo, corresponde ao rendimento familiar disponível para fazer face às despesas mensais, após o pagamento das obrigações mensais com empréstimos previamente contraídos.

Esta taxa não deverá ser superior a 33%, isto é, um terço do orçamento total do agregado familiar. Uma taxa de esforço elevada significa que grande parte dos rendimentos da família se destina a pagar prestações dos empréstimos bancários.

Nesta análise foi ainda tido em consideração um fator por vezes desvalorizado pelos consumidores no momento de comprar um imóvel: a poupança prévia necessária para pagar o montante correspondente à entrada inicial. Geralmente este valor equivale a 20% da casa (que também é conhecido por Loan-to-Value, ou LTV).

Assim sendo, antes de concretizar o sonho de adquirir uma habitação deverá fazer um estudo cuidado das suas finanças pessoais na hora de solicitar um empréstimo, de forma a evitar futuros endividamentos. Em todo o caso, se está à procura de uma casa no distrito de Bragança, o município de Macedo de Cavaleiros oferece-lhe opções atrativas.

UM QUASE POEMA

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")



Deslizam sombras brilhantes no negrume do Céu.
Disformes, confusas, perturbantes
Num lado brotam nascentes de rios
Afluentes que me fogem dos olhos
Gotas que me invadem a língua
Rosas negras que sangram nas mãos.
Do outro lado…
Braços que enlaçam o silêncio,
Olhares que afagam a alma,
Anjos em repouso,
Violinos em sintonia
Uma luz que permite ver na escuridão!
As horas passam na lentidão do sono
Nas interrogações dos dedos,
apontados para o infinito.
O céu é o meu refúgio.
Onde me escondo, nas horas de solidão
Onde se aninha a vida
Onde vive um coração
Onde medito…
Repouso e adormeço.


Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.


Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA

…quase poema… ou da circunstância e do acaso

Por: Fernando Calado
(colaborador do Memórias...e outras coisas...)


Se tivesse nascido há cem anos, o meu pai, decerto, teria me dado um macho e andaria pelo mundo a comprar e a vender. Talvez vendesse azeite, vinho, polvo seco e mercearia … talvez compasse peles, cornichoilos e todas as miudezas da horta que coubessem nos alforges. Depois comeria umas batatas à espanhola na taberna da tia Carçona, pagava com um pataco e seguia viagem. E talvez fosse real… humano e produtivo.
Quando fui à feira do 21 a Bragança, com o meu pai, para comprarmos uma camioneta e irmos ao negócio, não devia ter encontrado o João do Castro que me disse que as Universidades já tinham aberto as matrículas. Bebemos um fino no Flórida e amigalhamo-nos no mesmo instante e lá fomos os dois para a Faculdade, para as aulas, para as tardes longas no Café do Piolho… para as noitadas no Porto e para a Licenciatura em tempo certo, porque a mesada era curta.
Para trás ficou a camioneta verde e preta, SCANIA que o meu pai me queria comprar, ficou o negócio da madeira e dos materiais de construção. Acho que o meu pai ficou muito triste. Se tudo tem sido diferente poderia ser um comerciante, ter um Soto com uma balança decimal, aprender a sapateiro como os meus tios, oficiais nas suas sapatarias, ser um camionista… um homem com colete, negociando nas feiras. Assim, aprendi a pensar e a inquietação do pensamento e acho que me falta tempo, porque me enganei no tempo e por isso escrevo estas coisas como um vício, enquanto ouço o meu pai, para todo o sempre, levantar-se cedo, comer umas sopas de ovo e partir para o negócio. Acho que me enganei no tempo… no espaço… mas por contradição gosto do que faço, nesta permanente interrogação filosófica… mas tenho que voltar de novo:
- Tia Carçona, quanto custa uma espanholada?!
- Quanto me levais por um litro de azeite?!
Entretanto deixo este desabafo que não serve para nada, enquanto sonho com as ladeiras de Izeda condensadas na pobreza do meu texto inútil… memórias… talhadas na obediência cega da circunstância e do acaso.


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

"Santos da Casa" fazem milagres AQUI e são reconhecidos LÁ FORA...

A escola /AGRUPAMENTO DE ESCOLAS EMÍDIO GARCIA, foi distinguida com o Selo Europeu de Qualidade pelo excelente trabalho do projecto eTwinning "WordsWise", desenvolvido ao longo do ano letivo 2018-2019, na sala JISÉ2 - Centro Escolar da Sé, pela Educadora de Infância Isabel Martins. Com o projeto o Centro Escolar da Sé obteve um reconhecimento ao mais alto nível europeu.

O projecto encontra-se também divulgado numa área especial no Portal Europeu AQUI.

L ESCORPIÃO DA CUSTÓDIA - PARTE II/II - (FINAL)

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)


... continuação
Lembrou-se mais ua beç de l'artista russo i fui an direçon al gramado ambaixo de la mangueira. Tentou sentar-se subre ls carcanhales – cunseguiu: tentou abrir las piernas até tocar la bunda ne l suolo, cunseguiu (se bien que sentie alguas pontadas adonde pula manhana tubo cãibras), i fui anton que tentou l'alicran: Quedou de barriga para cima i las manos i ls pies ne l tierra; an seguida curbou-se para trás, para tentar passar la cabeça por antre las piernas- als poucos fui cunseguindo. Tentou passar ls ombros por antre las piernas i fui ende qu'ampeçou a sentir cãibras. Cumo era oustinada, la Custódie, percebendo que nun cunseguirie passar ls ombros antre las piernas, pensou an poner ls pies ne ls ombros nesta mesma situaçon an que staba. Tentou purmeiro l pie dreito. 
La pierna parecie star trabada; forçou mais un pouco i todo l que cunseguiu fui l'ampeço de mais ua cãibra na panturrilha de la pierna; zeistiu cul pie dreito i tentou cul pie squerdo: ancrible cunseguiu facilmente poner l pie squerdo subre l'ombro squerdo, ende tentou puxar l pie culas manos até próssimo de l rostro. L pie cediu nun mais que dous centímetros i la Custódie sentiu la maior delor que probara an to sue bida. Ls músclos de l braço i de la pierna squierda quedórun duros i doían, anquanto sentie druméncia na pierna i ne l braço dreito.
Tentou an ban: ua, dues, trés, quatro bezes – nada. Nun cunseguia tirar l pie squerdo de l'ombro esquerdo. Mas, l que stou fazendo?, preguntou Custódie a eilha própia. Pareço ua nino stoubada que percisa fazer “arte i reinaçones” para se sentiren bibas. You tengo quaije trinta anhos d'eidade, pensou. Stou fazendo papel d'idiota. Se l Perin me bisse eiqui desse jeito nunca mais eirie me respeitar cumo you quiero.
A delor era mui fuorte, i la Custódie choraba muito. Anton se lembrou de l caldeirãozinho i l'oubrigaçon que tenie an liebar l'almuorço pa l Perin. Mal cunseguia mexer-se, anton gritou:- socorros, socorro, me acudan!!!  Naide apareciu para ajudá-la. Al loinge, un bien-te-bi cun sou canto anquesidor; era la única testemunha!
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Ne l'eito, l Perin aguardaba la Custódie. Eilhes stában casados hai duoze anhos i eilha nunca habie chegado atrasada cul almuorço. Yá passaba de las nuobe, cun certeza, i el staba cun muita fame. Al loinge oubia rumores de bozes. Éran ls amigos i cumpadres que yá stában almuorçando an cumpanha de sues mulhiers. Que fazer?. L Perin fui, d'eito an eito, preguntando pula Custódie. Naide la tenie bisto nin an casa nin ne l camino. Perin sentiu ua mágoa mui grande. La Custódie l maltrataba hai muito, mas antre quatro paredes, nunca naide persenciou sous cheliques! I el staba faminto. Ancapaç de cumprender tal çfeita, l Perin largou l'eito i fui para casa. Ne l trajeto percurou eiqui i eilhi, preguntou pa las ninos que por eilhi perambulában, i nada, naide sabie de l paradeiro de la Custódie. Chegou a la casa i nada, nin senhal de la Custódie, percurou ne l quintal, na horta, i nada. Pensou que talbeç eilha stubisse mui deprimida i l'houbisse deixado dua beç, amenaça qu'eilha siempre fazie quando nerbosa cun algo. Pensou que talbeç stubisse muorta, an algun canto de la casa- percurou até ambaixo de la cama. Solo le restaba la possibelidade deilha tener ido ambora, fugido de casa, mas nesse anstante ls ninos chegórun de la scuola preguntando pula mai. Nó, nun puode ser, pensou. Eilha jamales deixarie ls ninos, qu'ama tanto. A el, eilha deixarie, mas a las ninos, nó.
Perin fui até la bica ne l fondo de l quintal, labou-se cumo puode, dou almuorço pa las ninos i pediu qu'eilhas se trocassen. El pensaba an deixar ls ninos na casa de la comadre Rita. Nesse anstante, alguien chamou alhá de fura: Ó de casa! Ó de casa!
Cumpadre Perin! Bocé stá ende? – era l cumpadre Zé.
- Qu'acunteciu cumpadre?, dixe l Perin.
- Qu'acunteciu? You que pregunto! La comadre Zulmira dixe que bocé stá percurando la comadre Custódie, ye berdade?
- Ye berdade Zé. La Custódie sumiu sin deixar rastros. Nun lebou l'almuorço, cumo de questume. Qu'horas son Zé?
- Ye meidie cumpadre. Mas la comadre Custódie nun fui te liebar l'almuorço ne l'eito?
- Nó, nun fui. You stou pensando an deixar ls ninos na casa de la comadre Rita i depuis salir para percurar pula Custódie. Bocé bai cumigo, cumpadre?
- Bou, respundiu l Zé.
I assi saíran; l Perin liebando ls ninos pulas manos, seguido puls passos claudicantes de l cumpadre Zé, que manquitolaba zde que, inda nino, fugindo dua onça, anfiara l pie nun buraco de tatu, quebrando-lo. El gritou de delor tan alto i cun urros tan horribles que l'onça zeistiu de caçá-lo, fugindo amedrontada. Zde anton, sou pie jamales quedou buono i el mancaba muito.
L Perin tan lougo deixou ls ninos cula comadre Rita, dou-le alguas ordes i, lamentando-se de l zaparecimiento de la Custódie, saliu a a to, seguida d'acerca pul cumpadre Zé, que lembrando-se d'algo, chamaba: cumpadre, ó cumpadre, pare un pouco.
L Perin parou, assi por parar. Na berdade, el inda nun sabie l que fazer, nin que rumo tomar.
L Zé alcançou-lo i dixe: - Zde qu'hora que la comadre Custódie stá sumida?
- Zde la manhana; sali de casa a las cinco i nun la bi mais, respundiu Perin.
- Pus anton, cumpadre! You ancontrei la comadre Custódie ne l trilho que cruza l ribeiron i, eilha staba liebando l sou caldeirãozinho. Tengo certeza qu'era l sou almuorço!
- Qu'horas éran, quando bocé la biu?,  preguntou l Perin.
- Era satamente uito i meia. You tengo certeza; porque eilha me preguntou las horas!
- Eilha staba solica?
- Si, staba. I caminaba bien debagar. Acho qu'iba debagar porque era cedo demales pa l'almuorço.
- Pus bien, dixe l Perin. Bamos até l local adonde bocé la biu, ne l trilho de l ribeiron.
I alhá se fúrun, ls dous.
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Sob la mangueira, subre l gramado, l relincho dun cabalho, mui próssimo, fizo cun que la Custódie de l Perin acordasse. Eilha habie çmaiado de delor i, pul jeito, yá staba eilhi hai horas. Tentou chamar por socorro, mas la boç nun le saliu. Sou cuorpo staba friu, sous músclos andurecidos. L pie squerdo cuntinaba angarranchado ne l'ombro esquerdo. Ne l sfuorço de zbencilhar-se, Custódie girou de tal maneira que la cumprida saia que bestia cobriu-le la cabeça, solo quedando besible, l sou traseiro bien torneado, naturalmente bestido por ua calcinha anfeitada cun zeinhos de paticos amarelinhos. I nun houbo mais jeito, Por mais que se sforçasse la Custódie nun cunseguia soltar l pie de l'ombro, nin afastar la saia de l rostro. Quedou eilhi, chena de remorso, de medo i de delor, aguardando qu'algua alma abençoada passasse por aquel trilho, le abistasse i l'ajudasse a salir daquele ardil que la bida le reserbara. Por qu'eilha era assi?, preguntaba-se la si mesma. Fui la purmeira beç que biu un cuntorcionista, i talbeç porque stubisse mui braba cul Perin, que tubisse quedado tan oubcecada por aquel artista russo. Las manos stában drumentes i paralisadas. Sentiu un lebe torpor, i outra beç çmaiou.
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L Perin i l cumpadre Zé iban l mais rápido que podien an direçon al trilho (2) de l ribeiron. Todas ls ninos de la colónia de la fazenda al tomáren coincimiento de las rezones de tanta priessa daqueles dous senhores, saíran correndo atrás deilhes; i atrás de las ninos, sous cachorros i até un cochino de stimaçon i domesticado, que pertencia al Cuca, l moleque de boca mais suja de la colónia, que l seguia tal cumo se el própio fusse tamien un cachorro. Essa stranha procisson seguiu l trilho de l ribeiron até l punto an que l cumpadre Zé afirmou ser l local adonde habie ancontrado cula comadre Custódie. L Perin anton tentou botar orde, pus naquel momiento habie un grupo de ninos, cachorros i un cochino. El scolheu uns dieç moleques para iren cul basculhando l lado dreito de l trilho; l cumpadre Zé cun outros dieç basculharian l lado squerdo. Todos stában scitados cun aqueilhes acuntecimientos. De ls dous lados de l trilho, aquel bando de garotos cun sous animales i un comandante basculhórun ls dous lados de l trilho. Passórun-se quaije ua hora, zde quando se reuniran. Nin senhal de la Custódie. Stában cumbersando, quando l Cuca achou falta de l sou cochino de stimaçon- l Gorja. Cuca chamou to la molecada: naide sabie adonde l Gorja se metera. Todos ls outros cachorros stában eilhi, al lado de sous pequeinhos senhores, sceto aquel cochino metido a cachorro.
Por absoluta falta de l que fazer, saíran todos a la percura de l Gorja. Anclusibe l Perin i l Zé. Anstruídos pul Cuca, todos chamában l Gorja pul nome; que, segundo l Cuca, el respunderie, tan lougo oubisse. Dessa maneira, esse grupo de pessonas que saíran percurando pula Custódie, staba agora a la percura dun cochino. Esso era ancomun, ye berdade, mas stában çcuntraídos: agora percurában l Gorja. Dessa maneira, saíran de las eimediaçones de l trilho i se ambrenhórun, uns pula beira de l ribeiron, outros pula bárzea que l circundaba. Até que cierto momiento l Cuca chamou pul Gorja i un grunhido se oubiu, ambaixo dua mangueira sob l qual tenie un guapo gramado. Al se aprossimáren, biran l Gorja comiento a quemido dun caldeirãozinho caído al lado. L Perin se zesperou: 
- Será que la Custódie starie muorta? 
Eimediatamente, i seguido por todos, percurórun pula Custódie. Nun fui defícel ancontrar aquel amontoado de panhos. Perin nun querie acraditar: habie ua pessona, cubierta pula saia, cul traseiro a la mostra, cubierto solo por ua calcinha cun zeinhos de paticos amarielhos, la qual l Perin reconheciu eimediatamente. Era de la Custódie. Cun ajuda de l cumpadre Zé i de ls garotos, l Perin pedia la Dius pula Custódie, anquanto uns segurában las piernas anquanto ls outros fuorçában ls ombros de la çfalecida Custódie. Quando finalmente cunseguiran zamganchar l pie squerdo oubiu-se un grito aterrador: La Custódie boltou la si ne l sato anstante an que sentiu ua delor terrible. Als poucos fui reanimando; l Perin fulo de rábia! Quando la Custódie olhou pa l marido, este le falou: 
- Que diabo ye esso?  Eilha to zamxabida dixe:
- You staba eimitando l'artista russo que bi ne l circo. El torcia l cuorpo até quedar eigual un alicran! !!!!!!!!!!!!!!
L Perin percisou de l'ajuda de l cumpadre Zé i de la molecada para carregar la Custódie até sue casa, adonde quedou acamada por dous anhos. Fúrun dous anhos de cumbibéncia de l Perin cula comadre Rita; cada beç mais ounidos! 
Ne ls radadeiros seis meses, cula biaige que l cumpadre Zezito fizo la Pernambuco para acumpanhar ls radadeiros dies de bida de la sue “mainha”, l Perin passou a drumir na casa de la comadre. Cul restablecimiento de la Custódie i la buolta de l cumpadre Zezito, l Perin trasformou-se. La Custódie nun pon l pie fura de casa, nun reclama de nada, nin se amporta se l Perin de beç an quando drume na casa de la comadre Rita, seia porque la partida de truco treminou tarde ó se l cumpadre Zezito yá staba cumpletamente bébado, cunforme palabra de la própia comadre Rita. Quanto a la molecada; fazien piadas subre cierta calcinha cun paticos amarielhos, i de cumo l perro-cochino Gorja localizou la Custódie na beira de l ribeiron. Hoije an die l Perin parece un amor de pessona. Ne ls sous quarenta anhos d'eidade, jamales alguien podie anteber l bulcon qu'eilhi se scondia. El, segundo a las malas lénguas, an meio a las comadres faladeiras de la fazenda, el aplica surras regulares na Custódie; spulsou l cumpadre Zezito de la fazenda i hoije el ampa la comadre Rita que, abandonada pul marido, conheciu la berdadeira amisade de la Custódie i de l querido cumpadre Perin, morando todos sob l mesmo teto! 
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Nota de l ACAS: este testo faç parte de l miu libro ”Fragmientos”, publicado pula Eiditora Natiba, an San Paulo, Brasil, ne l'anho de 2004. [Este libro solo puode ser ancontrado an “sebos”].
Refréncias:
              (1) cabo de sacho feito de la madeira de l guatambú, spece de madeira mais fuorte i mui mais    lebe. Antre ls campesinos, ls ”caipiras”, a simples mençon de l nome de la madeira yá amplica an ”cabo de sacho”.
              (2) camino altarnatibo i streito, para percorrer çtáncia menor que l camino oufecial.


Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.