quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Café Pastelaria Flórida em Bragança


Placa colocada no Café Pastelaria Flórida em Bragança, pelos Antigos Alunos do Liceu Nacional de Bragança.

O Café Flórida encontra-se em remodelação com obras de pintura, limpeza e vários melhoramentos. 

Reabre ao público, COM NOVA GERÊNCIA, dia 5 de janeiro de 2019.

VISITEM!

OUTEIRO - Festa de São Gonçalo 2019


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Venha aproveitar a Feira de Stocks em Bragança no Hotel Turismo São Lázaro nos dias 5 e 6 de Janeiro.

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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Rejeitada proposta de pagamento de dívidas não documentadas do município de Macedo por esta ser “ilegal”

A Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros reprova proposta do executivo para pagamento de mais de 600 mil euros de faturas não documentadas, através de ajustes diretos, por esta ser “ilegal”.
A medida excepcional, que previa o pagamento de várias faturas oriundas do anterior mandato, necessitava de ser aprovada por unanimidade na assembleia municipal, o que acabou por não acontecer, com dois votos contra do PS e uma abstenção do PSD.

Manuel Carvalho, um dos deputados que se opôs nesta votação, explica que a medida vai contra o parecer da CCDR Norte:

“Não abdico da questão legal e aqui existe uma ilegalidade.

Todos estes fornecedores de serviços e bens têm direito a receber, não sei se foram enganados, mas o que é certo é que não tiveram os procedimentos corretos e agora apresentam as provas que têm.

Existe, no entanto, a via judicial para resolver estas questões, como foi referido pelo parecer da CCDRN e pelo próprio executivo. Em conjunto ou individualmente, esses processos podem existir e o nosso município tem variadíssimos. Com certeza que já tem a garantia que ira perder alguns deles e vai ter de pagar, mas ai sim, pagará legalmente por decisão judicial.”

Benjamim Rodrigues, autarca de Macedo, que com a aprovação desta medida arriscava-se até à perda de mandato, refere-se a uma ilegalidade que era questão de justiça:

“Estamos a cometer uma ilegalidade mas é uma questão de justiça. Eu não acredito que tenha havido má fé ao não haver pagamento, até porque os trabalhos foram executados e nós sabemos que as obras foram feitas. Apesar de ser ilegal, e atenção que esta questão pode até implicar a perda do meu mandato, é uma questão de justiça.

E volto a dizer, é ilegal mas é honesto.”

Um processo de pagamento que está agora muito mais dificultado, acrescenta o presidente:

“Vamos ter a preocupação de criar uma solução para fazer esses pagamentos, o que tecnicamente vai ser muito mais difícil, porque obrigará ou a criar uma outra solução, como inicialmente chegou a ser sugerido, ou as pessoas terão de avançar para uma ação judicial para cada um dos processos, e são imensos. Isto leva a um arrastamento do processo para pagamento de dívidas irrisórias, algumas são de 15€. “

A assembleia municipal de Macedo de Cavaleiros a não aprovar uma proposta, que embora ilegal, previa o pagamento de centenas de faturas inferiores a 20 mil euros sem recorrer para isso à justiça.

Escrito por ONDA LIVRE

Carrazeda de Ansiães aderiu à Associação de Municípios do Douro Superior

O município de Carrazeda de Ansiães aderiu à Associação de Municípios do Douro Superior (AMDS), mantendo-se, ao mesmo tempo, na Associação de Municípios da Terra Quente Transmontana.
“Decidimos aderir também a esta associação de municípios pois achamos que é uma mais valia pertencer também a esta”, frisou ao Mensageiro João Gonçalves, o presidente da Câmara de Carrazeda. A deliberação da Assembleia Municipal carrazedense data do dia 10 de dezembro mas a inclusão só agora foi formalizada.
“Há valências que esta Associação do Douro Superior tem que, por uma questão de continuidade de território, podem ser úteis. Por outro lado, decidimos juntarmo-nos a eles de forma a ganhar escala na área do Douro, sobretudo na área do Turismo. Pertencemos à CIM Douro e já tínhamos alguma afinidade com Moncorvo e Freixo. Agora poderemos fazer candidaturas conjuntas, por exemplo”, explicou João Gonçalves.
Para Nuno Gonçalves, presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, que preside à associação duriense, o objetivo é mesmo “unir” os territórios do Parque do Douro Internacional e do Alto Douro Vinhateiro.
"Trata-se de uma estrutura que integra sete municípios dos distritos de Bragança e da Guarda que se complementam fazendo a ligação entre o Alto Douro Vinhateiro (ADV) e o Parque Natural do Douro Internacional (PNDI) e, com a entrada do concelho Carrazeda de Ansiães, a AMDS ganha mais coesão territorial, aumentando a sua oferta turista e economia", adiantou o presidente da AMDS, Nuno Gonçalves.
Com a entrada de Carrazeda de Ansiães, passa para sete o número de concelhos que integram aquela estrutura que tem o rio Douro como elemento natural comum.
"Temos de aproveitar todo o potencial turístico do Douro como via navegável, turística, vinícola e patrimonial, classificado duplamente pela UNESCO no vale do Coa e no ADV", enfatizou Nuno Gonçalves.
A AMDS passa assim ser constituída pelos concelhos de Miranda do Douro, Mogadouro, Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Carrazeda de Ansiães, bem como de Vila Nova de Foz Côa e de Figueira de Castelo Rodrigo.
Já a AMTQ é constituída pelos municípios de Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Mirandela e Macedo de Cavaleiros.

AGR/FP
in:mdb.pt

Concelhos de Alfândega da Fé e Freixo de Espada à Cinta são os que pagam mais IMI em toda a região transmontana

Os municípios, por deliberação da Assembleia Municipal, definem a taxa aplicável aos prédios urbanos para vigorar no ano seguinte entre os limites de 0,3 % a 0,45 %.
Ora, em Trás-os-Montes e Alto Douro, apenas os Municípios de Alfândega da Fé e Freixo de Espada à Cinta, ambos do distrito de Bragança, aprovaram a taxa máxima, de 0,45%.
Mas, a grande maioria das câmaras da região vai aplicar a taxa mínima de 0,30%. Estão nesta situação, 17 dos 26 Municípios dos distritos de Bragança e Vila Real. Mais concretamente, os concelhos de Vinhais, Vimioso, Vila Flor, Mogadouro, Bragança, Miranda do Douro, Macedo de Cavaleiros e Carrazeda de Ansiães, do distrito de Bragança. E ainda, os Municípios de Boticas, Mondim de
Basto, Montalegre, Murça, Ribeira de Pena, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real.

Na prática, se pegarmos no exemplo de uma habitação com um valor patrimonial de 100 mil euros, os proprietários destes 17 concelhos, vão pagar menos 150 euros de IMI, do que os proprietários de imóveis dos concelhos de Alfândega da Fé e Freixo de Espada à Cinta.
No entanto, para quem tenha filhos a residir na sua habitação, a estas contas há ainda que subtrair os montantes aplicáveis aos diferentes agregados familiares. Uma redução de 20 euros para agregados com um dependente. 40 euros para quem tenha dois dependentes e está ainda prevista um desconto de 70 euros para agregados com três ou mais dependentes.
Comparativamente ao ano anterior, as taxas de IMI não sofreram qualquer alteração em 24 dos 26 concelhos. A exceção aconteceu em Mirandela, onde o IMI baixa de 0, 375, para 0,350% e em Chaves que passa dos 0,338 para 0,325%.
No distrito de Vila Real, nenhum concelho tem a taxa máxima, sendo o Município de Mesão Frio o que aplica a taxa mais alta, neste caso situa-se nos 0,430%, seguido por Alijó e Peso da Régua com 0,40% e Vila Real com uma taxa de 0,395%.
Refira-se ainda que, este ano, a liquidação do IMI tem calendário diferente, tal como o fracionamento do imposto é feito a partir de um montante inferior.
Se até aqui a primeira liquidação tinha de ser feita até ao final de Abril, agora passa a ser feito até ao final de Maio.
O limite mínimo a partir do qual o IMI pode ser pago em prestações vai passar para 100 euros, em vez dos 250 euros. Fica, assim, mais leve o pagamento do imposto para quem tem uma conta de IMI superior a este montante.
Quando o valor do IMI for superior a 100 euros e igual ou inferior a 500 euros, o pagamento é dividido em duas prestações, em Maio e Novembro. Acima de 500 euros, o imposto pode ser pago em três prestações: em Maio, Agosto e Novembro.

INFORMAÇÃO CIR (Rádio Terra Quente)

Conto de Natal: Catana e Inácio. A história de um estranho amor

O amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente. Um contentamento descontente. Cantava um poeta. Outro, por sua pena, escreveu que ele, o amor, não é eterno porque é uma chama, mas é infinito enquanto dura.

Sei bem e conheço, ou pelo menos assim julgo, assim como conheço a história de um amor, que à primeira vista diria unicamente ser um estranho amor, ou pelo menos uma estranha forma de amar numa falta de jeito de viver.

O sentir de amor de que falo já não existe no completo, porque uma das suas partes morreu. O Inácio, a quem eu comummente dava uma cigarrilha a modos de dizer todos os sábados. Resta a Catana, lerda, mas ladina que nem a raposa do romance de Aquilino.

Ele aportou na minha aldeia já homem para cima dos trinta, depois de percorrer muitos descaminhos no Porto. Ela, é rapariga da minha criação, do meu ano como faz questão de dizer, é tida e havida como ser de menor condição num quotidiano de pouco mais que o rasar o chão.

Juntaram os trapos, os míseros teres e haveres. Amarraram-se no acordar, aconchegaram-se no que sempre se afigurou como um verdadeiro desaconchego. Quase jurava até que nunca se deram a um mimo, e que todo o tempo se tratavam com remoques.

No entanto até dado momento duvidei. Depois vi que me enganei no meu ajuizar injusto ao ponto de dar como certa a falta de capacidade de amar de um e de outro. Penitencio-me de mão no peito.

No momento em que o corpo sem vida do Inácio ia descer à fundura de sete palmos de terra, que é do tamanho do infinito porque nunca mais de volta, a Catana sofreu uma atroz e genuína dor. Foi a expressão máxima de um negro estado de alma transparente e só própria de quem nada tem a esconder.

Agora, há poucos dias, três depois do Natal, a Catana foi ao meu encontro no meu recanto. Queria pedir-me que tudo fizesse para que quando ela morrer a sepultem junto ao Inácio. No mesmíssimo chão e coberta com a mesmíssima terra. Os pais estão por perto, mas ela sente que o seu lugar é de novo junto dele. Pediu também que arranje maneira de colocar uma placa com o nome e a fotografia do Inácio sobre a sua última morada na terra.

Por mim tudo farei para que assim seja pois dá-me uma certa volta ao miolo esta estranha forma de bem-quer, depois de um quotidiano vivido num estranho amor onde sobravam maus modos, aconteceram facadas, e se fingiram ausências de aflições. O meu afecto por ambos fará o resto.

Nas inúmeras vezes que o Inácio ia dar ao hospital quase em coma alcoólico, porque o último copo lhe caía frequentemente mal, ela fingia despreocupação e dizia que era bem feito. Ele que morresse que pouco se lhe dava.

Numa outra vez, ele deu por si internado, porque numa fútil discussão entre ambos, ela tresloucada deu-lhe uma facada. Clinicamente foi dado como sem hipóteses, mas regressou, remoçou e continuou. Enquanto durou o internamento ela de todo inimputável, desinquieta sofreu, e não arredou pé da cabeceira dele enquanto pode.

Naquele dia em que foi ter comigo, pela hora do almoço, apareceu-me de novo agora para me levar couves da horta que granjeia. Um dos seus poucos tesouros. Adivinhando-lhe a fome, ou pelo menos a falta de comida de jeito, combinado com o meu pai com um mero olhar, convidei-a para se sentar connosco na mesa.

O repasto era de feijocas previamente confeccionadas e congeladas, pois confessadamente na cozinha sou da maior impreparação e com um ser capaz de fazer pouco acima do nada.

Agora, o que vou relatar até pode ser imaginação minha. Sucede que estou capaz de jurar que vi as figuras do presépio ainda na sala, a espreitar por entre a porta que dá para a cozinha a apreciar a cena.

Depois, as feijocas, sabiam-se a bacalhau e a couves. Mas isso seria do meu paladar. Mas o que juro, é que ouvi o Inácio perguntar-me se tinha lume para a cigarrilha que lhe iria dar. Dianho de homem.

Devem ser efeitos do Natal.



Manuel Igreja
in:diariodetrasosmontes.com

Nós Transmontanos, Sefarditas e Marranos: FRANCISCO VAZ EMINENTE (VILA FLOR - CASTELA)

Pelourinho de Vila Flor
O primeiro Francisco Vaz que nos aparece com o sobrenome de Eminente, era um mercador de Vila Flor, casado com Isabel Pereira, filha e neta de conhecidos rendeiros, moradores na mesma vila. Francisco era já falecido em 1620, segundo a informação de seu filho, o “Eminente Lopo Vaz”, que, em outubro daquele ano, foi preso pela inquisição.(1) Lopo, nascido por 1593, estava ainda solteiro, casando mais tarde com Genebra Alvim. Tinha 2 irmãos e 3 irmãs, todos casaram e parece que todos puseram o nome de Francisco ao filho primogénito. Depois que ganhou a liberdade, Lopo e a família meteram-se a caminho de Castela.
Em 1638, quando a inquisição fez nova investida em Vila Flor, as primeiras pessoas a ser presas foram 3 “Eminentas” – a mãe, Isabel Pereira, que contava a provecta idade de 84 anos e as filhas Eva Pereira e Genebra Henriques, aquela casada com Diogo Henriques e esta com Diogo da Mesquita Muñoz.(2)
Este tinha sido preso no ano anterior, quando passava a fronteira de Miranda do Douro com 13 cargas de linhos e lenços para vender em Castela, juntamente com seu irmão Pero da Mesquita Muñoz e o companheiro Francisco Vaz Faro. Também o pai de Diogo Muñoz se chamava Francisco Vaz, o Amarelo, de alcunha e tinha um tio materno do mesmo nome, médico de profissão, casado com Inês Vaz. Um filho deste tinha loja de mercador em Lisboa, onde foi preso em 14.5.1630.(3) Como se vê, em alguns casos, entra-se num verdadeiro labirinto quando se trata de fazer alguns genealógicos da gente da nação hebreia.
Já então a família de Diogo Henriques se encontrava a viver na cidade de Pastrana e a sua vida era a de mercadejar entre Portugal e Castela. Para andar mais à vontade entre os dois reinos, adotara o sobrenome Muñoz e trazia na carteira uma certidão médica dizendo que lhe fora cortada a pele do prepúcio, por motivos de doença. Ou seria para disfarçar e estaria mesmo circuncidado, como opinaram os médicos da inquisição de Coimbra?
A prisão das “Eminentas” deixou “a nação” de Vila Flor em clima de grande apreensão, de verdadeiro terror, como se depreende do testemunho de Manuel Alvarenga, em 25.4.1642:
— Disse que defronte dele mora Maria Henriques, cristã-nova, mulher de Diogo Henriques Julião, a qual esteve 2 ou 3 meses antes do auto-da-fé último que se celebrou em Coimbra, temendo-se que dessem nela as Eminentas, que lá estavam presa e não apareceu até que veio um neto do Eminente e lhe deu aviso e logo apareceu…(4)
Se as Eminentas e Diogo Muñoz voltaram a Vila Flor, o mesmo não aconteceu com Pero da Mesquita Muñoz, que foi queimado na fogueira do auto de 30.10.1638,(5) celebrado na praça da cidade de Coimbra.
Estes e outros acontecimentos, foram seguidos de dezenas de outras prisões e da fuga da maior parte dos cristãos-novos, (e muita gente da nobreza da terra, falsamente acusada de judaizar) de modo que, a partir de 1671, praticamente deixou de existir “a nação” de Vila Flor. Obviamente que a generalidade fugiu para Castela e dali se dispersou para os mais diversos destinos.
Pastrana era desde há duas décadas a terra de morada dos Munhóz (Henriques da Mesquita) fugidos de Vila Flor, sendo ali presos, em 1626, vários membros da família, conforme declarou Pero Munhóz, em janeiro de 1638, na inquisição de Coimbra:
— Haverá 10/11 que fora preso pela inquisição de Cuenca, onde esteve 4 meses e saiu livre e foi preso por uns mexericos de dar ajuda e haverem fugido uns presos pelo santo ofício; e naquela ocasião foram presos seu pai, seu irmão Manuel Henriques, seus tios Domingos Henriques e Diogo Henriques e a tia Águeda Correia, mulher de António Henriques seu tio.(6)
Em Castela se reencontraram e cruzaram por casamentos os Henriques com os Rodrigues da Mesquita e os Lopes da Mesquita, fugidos de Vila Flor e Torre de Moncorvo. Entre eles, Dinis Álvares, que casou com Genebra Henriques e seu irmão, Bernardo Lopes da Mesquita, casado com Ângela Henriques, irmã de Julião Vasques, dos Henriques de Torre de Moncorvo. Mark Schreiber,(7) um investigador alemão contou a história desse grupo familiar, consubstanciada na árvore genealógica enquadrada neste texto.
Menos estudadas e muito nebulosas se apresentam as origens de um homem, originário de Vila Flor, que ganhou celebridade em Castela, chamado Francisco Vaz Eminente. Seria certamente um dos muitos netos ou sobrinhos-netos de Francisco Vaz Eminente, falecido em Vila Flor antes de 1620. 
A informação mais concreta que temos é de Carmen Sanz dizendo que ele pertencia aos núcleos familiares dos Henriques e dos Pereira, de Vila Flor.(8)
Por 1630, Francisco Vaz aparece referido como mercador e, em 1651, terá arrematado no almoxarifado de Sevilha a cobrança dos impostos sobre os produtos que chegavam das Índias. Por 1653, casou com Violante del Ribero, de origem portuguesa, que lhe deu dois filhos: Tomás António e João Francisco.
Para além dos direitos do almoxarifado, arrendou o fornecimento de géneros aos militares da Armada Real da Andaluzia. Em 1663 conseguiu arrendar o almoxarifado maior de Andaluzia, o que significava o controlo de todos os produtos importados e exportados pelas alfândegas do maior porto de mar de toda a Espanha.
Começaram então os problemas com os grandes mercadores e com os embaixadores e cônsules das nações estrangeiras que se queixavam das excessivas prerrogativas que lhe eram concedidas e que atentavam contra a liberdade de comércio. Acabou por ser preso, acusado de abuso de poder, passando o almoxarifado de Sevilha a ser diretamente administrado pela Fazenda Real.
Foram dois anos desastrosos para a economia do País e para a Fazenda Real, pelo que, em 1667, Francisco Vaz foi reabilitado e voltou à gerência das alfândegas de Sevilha, ainda mais fortalecido. E foi nomeado para um posto de muito prestígio, o de “contador de honor del tribunal de contadoria”. 
A partir de 1680 a direção dos seus negócios passou para a responsabilidade do seu filho Tomás, enquanto ele rumou a Madrid. E porque ficara viúvo, casou em segundas núpcias, com D. Josefa Salazar, de uma influente família de cristãos-novos portugueses.
Na qualidade de “contador de honor” e manifestando toda a sua habilidade comercial, apresentou uma série de propostas de redução das tarifas alfandegárias sobre alguns produtos, de modo a estimular a atividade comercial, não apenas em Sevilha e nos portos marítimos, mas também nos portos secos de toda a Espanha. Esse conjunto de propostas aduaneiras é apresentado como o primeiro regimento de comércio internacional e passou à história sob a designação de “Convénio Eminente”. No essencial, vigorou nos portos de Espanha até finais do século seguinte.
A inquisição, porém, mostrava-se inimiga da liberdade, não apenas no campo da religião mas também vida social e na atividade comercial. Em 29 de dezembro de 1689, Francisco Vaz Eminente foi preso e seus bens sequestrados, acusado de ser judaizante. Com ele foi também preso o seu feitor e secretário, Bernardo da Paz y Castañeda, que faleceu no cárcere.(9)

Notas:
1 - Inq. Coimbra, pº 3799. A expressão “Eminente Lopo Vaz” consta de uma informação enviada para Coimbra pelo abade da matriz de Vila Flor, Manuel de Abreu.
2 - Idem, pº 1841, de Isabel Pereira; pº 2174, de Eva Pereira; pº 1843, de Genebra Henriques; pº 7067, de Diogo da Mesquita Muñoz, aliás.
3 - Inq. Lisboa, pº 9949, de Pero da Mesquita.
4 - Inq. Coimbra, pº 6102, de Branca Rodrigues.
5 - Idem, pº 5770, de Pero Henriques da Mesquita, aliás, Pero da Mesquita Muñoz.
6 - Idem.
7 - SCHREIBER, Markus– Marranen in Madrid 1600-1670, pp. 116-119, Franz Steiner Verlag Stuttgart. Inq. Lisboa, pº 5197, de Julião Vasques; pº 2268, de Francisco António Olivares, natural de Cáceres, filho de Manuel Rodrigues e Filipa Nunes, de Vila Flor.
8 - AYIÁN, Cármen Sanz – Los Banqueros de Carlos II, pp. 346-351, Universidad de Valladolid, Secretariado de Publicaciones, 1999. 
9 - ALMEIDA, A. A. Marques de – Dicionário Histórico dos Sefarditas Portugueses, Mercadores e Gente de Trato, pp. 246-47, ed. Cátedra de estudos Sefarditas de Alberto Benveniste, Campo da Comunicação, Lisboa, 2009.

António Júlio Andrade / Maria Fernanda Guimarães
in:jornalnordeste.com

Amândio Amílcar Correia deixa comando da PSP

O Comandante Distrital da PSP de Bragança, Amândio Correia, deixou esta função, após 15 anos à frente desta instituição, pois passou à pré-reforma.
Com 40 anos de serviço na PSP, o superintendente solicitou a passagem à situação de pré-aposentação com efeitos desde o dia 1 de janeiro deste ano. "Nesta qualidade sempre procurei, através de um diálogo franco e aberto, encontrar o bom
relacionamento e as melhores formas de procedimento para que a PSP e os seus profissionais pudessem prestar aos cidadãos e às instituições um serviço público de segurança de melhor qualidade possível, possibilitando-lhes prosseguir com total normalidade o desenvolvimento de todas as suas atividades", refere Amândio Correia numa nota enviada às redações.
A subintendente Ana Maria Rodrigues, assume, entretanto, as funções de comandante em substituição.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Ano novo vida nova para o Diário de Trás-os-Montes

Também aqui no Diário vamos mudar qualquer coisa em 2019, estamos a percorrer um caminho que nos leva a integrar cada vez mais o vídeo, quer nas notícias quer nas entrevistas, quer em directos.
É esse o caminho do futuro e de adaptação às novas realidades que passam por um foco cada vez maior no telemóvel como plataforma cada vez mais usual para ler/ver noticias.

As redes sociais têm que ser nossas aliadas no sentido de divulgar cada vez mais o nosso projeto jornalístico para Trás-os-Montes, precisamos de chegar a mais leitores sem esquecer a qualidade.

A velocidade com que chegamos e divulgamos os acontecimentos é e continuará a ser o nosso objetivo, queremos estar sempre presentes onde as principais coisas acontecem.

Vamos iniciar este ano com mais dois novos colaboradores, já na primeira semana de janeiro e prometemos temas fraturantes.

Este ano temos, contudo, um grande desígnio, estamos empenhados em divulgar e promover tudo o que for acontecendo com os Caretos de Podence na sua candidatura a Património Imaterial da Humanidade pela Unesco. Vamos estar presentes em tudo o que forem fazendo, queremos ser o jornal da candidatura, vamos fazer essa caminhada até ao reconhecimento em dezembro 2019.

Bom ano para todos, especialmente para todos os Transmontanos espalhado pelo mundo. Obrigado por ser nosso leitores.

António Pereira
in:diariodetrasosmontes.com

O INVERNO E SUA UTILIDADE

Quem terá inventado o Inverno e para que serve? Quando fomos expulsos do paraíso terrestre, nesse local, o que se sabe é que era sempre Primavera e Verão: uma sucessão de dias magníficos, luminosos, cheios de sol, amenos e tépidos, até mesmo algo quentes por volta do meio-dia. Todos os cantos de pássaros e vastidões de verduras, coloridas de florzinhas, suavizavam a austeridade mineral do big bang que precedera a Criação propriamente dita seguida de todos os equipamentos e acompanhantes animais de todas as espécies. 
O Génesis não fala em nenhum momento das estações frias e intermediárias. Nem do Outono fresco em que começam a murchar as belezas do mundo nem dos Invernos rugosos que beliscam e endurecem tudo aquilo em que tocam. O programa de Adão e Eva não compreendia nada disto. Ficou claro portanto, desde o início, que a mais bonita das estações, na terra, não poderia durar muito.  
Os arrepios da carne e os calafrios não enganam sob o efeito maléfico do Inverno com os seus ventos escorregadios, as suas trombas de água gelada ou de neve que tarda a fundir.
Não passa duma fuga permanente o Inverno. Nunca deixa ninguém sossegado nem o espírito descansado através do suave ar purificado. Bate forte, martiriza, vergasta as portas das nossas casas, fustiga as nossas janelas geladas, espalha por todo o lado um cinzento radicalmente triste e sem perspectivas e vai reinando através do barulho que vai espalhando. É perverso o Inverno. E teimoso. Para que serve então? Acentua as desigualdades e torna-as aos pobres ainda mais insuportáveis. A sua única vantagem é, nesta ótica, conduzir o nosso olhar na sua direcção e estimular pequenos reflexos solidários com os nossos semelhantes mal alojados, pouco aquecidos, mal alimentados. Fiquemos por aqui. Não é alegre o Inverno quando os cortejos gelados circulam pelas ruas da aldeia, pelos nossos cemitérios. Mais uma tia, mais um amigo, mais um…“mais velho”, “muito novo”.    
A sua única utilidade, pelo que parece: é ensinar-nos, pela sua imposição, a virtude da paciência e a sabedoria da espera. Sabemos pertinentemente que o Inverno não pode durar mais do que uma estação, com os seus longos e escuros dias nas duas extremidades, entrada e saída.
Pela experiência, sabemos que se trata dum túnel com duas saídas e que a recompensa das nossas esperas, são praias de luz acrescida, da aurora ao pôr-do-sol. Ninguém o ignora; enquanto ele nos castiga, as plantas e os animais aproveitam para se preparar – com um ar de quem dorme – para um renascimento primaveril, para uma ressurreição dos ramos e das folhas, asas de verdura e de cor, alegrias renovadas. 
Basta esperar. Com toda a confiança, por bem encostados que estejamos num cantinho do mundo, pequeno e recuado. Esperar é uma arma que não engana nunca aqueles que sabem utilizá-la. Os impacientes acabam sempre por tropeçar no tapete, escorregam no chão vidrado, constipam-se com a mínima corrente de ar. Apanham todo o tipo de vírus. Os que têm paciência, estes, insensíveis à dor das manhãs frias e das noites trespassadas de humidade, esperam pela saída com a calma lentidão dos produtos que saem do frigorífico para serem descongelados. Estes sábios entre os sábios são os melhor colocados para acolher antes dos outros a chegada muito previsível do momento climático mais extraordinário do nosso planeta: a Primavera!
A primavera bendita em que o frio nos impediria por pouco de acreditar ainda, na permanência provada desta perspectiva, na ideia de que em confiança, a Primavera triunfará atrás do cinzento, do nevoeiro cerrado e do vento gelado, no momento escolhido pelos planos misteriosos da natureza: as flores, a suavidade, as nuvens brancas, as doçuras do mel e do azul do céu tal é o primeiro ensinamento do Inverno, este mestre é a esperança.



Adriano Valadar
in:jornalnordeste.com

SANTO ESTÊVÃO, O OUTRO SANTO DO NATAL

Querida familiazinha, feliz ano novo.

Começamos hoje a folhear a primeira página do livro da nossa vida deste novo ano. Esperam-nos 365 dias de luta e, como diz a família, vivendo um dia de cada vez, pois pode ser sempre o último dia, mas sabendo que é sempre o primeiro dia do resto da nossa vida. Este ano, como todos, é cheio de incertezas. As únicas certezas são que o Carnaval é numa terça, a Páscoa é num Domingo e o Natal é dia 25 de Dezembro. Para os nossos leitores desejamos um ano com muito mais sorrisos do que lágrimas e que a saúde nos ajude nesta longa caminhada para atravessarmos mais um ano.
No passado dia 25 de Dezembro, como todos os anos tem acontecido, substitui o meu dia de feriado pela melhor prenda, que é poder estar ao lado dos meus ouvintes e fazer parte do Natal de muitas famílias. Fiquei sensibilizado com o tio Queno, de Moredo (Bragança), quando lhe perguntei com quem tinha passado a consoada e ele respondeu “com o Menino Jesus e a sua mãe”. Este foi o mote para que outros ouvintes nos dissessem que também consoaram sós. Por esse e outros motivos é que estou sempre mortinho para que cheguem as 6 da manhã para abrir as portas da família que faz falta a muita gente.
Como diz o adágio, este mês de Janeiro começou geadeiro. A partir de agora é que os dias vão começar a ser maiores, pois se no Natal dão um salto de pardal, em Janeiro dão um salto de carneiro e em Fevereiro o sol já entra em qualquer ribeiro.
Quanto a aniversários, começamos por felicitar mais uma transmontana que chegou ao século de vida, a tia Beatriz, de Coelhoso. Saudamos também os companheiros de nascimento do Menino Jesus. A 25 de Dezembro estiveram de parabéns os irmãos Manuel e Alcides (62 e 64 respectivamente), de Coelhoso (Bragança); Natalino José (37), de Póvoa (Miranda do Douro); Joel de Jesus (17), de Deimãos (Valpaços); Adérito Ferreira (81), da Fradizela (Mirandela); Manuel Romão (79), de Caravela (Bragança) e Vanessa (19), de Rio Frio (Bragança). Também nos últimos dias do ano, festejaram o seu aniversário o Henrique (35), de Rio Frio (Bragança) e o casal Maria Emília e José Nascimento Veiga (82 e 89 respectivamente), de Caçarelhos (Vimioso). A todos desejamos muitas felicidades e um ano de 2019 cheio de conquistas.

Agora vamos falar do Santo Estêvão, que tantas festas tradicionais tem na nossa região.

Nos dias 25 e 26 de Dezembro em Parada (Bragança), Varge (Bragança), Ousilhão (Vinhais), Aveleda (Bragança) e Grijó (Bragança), as festas dos caretos estão ligadas ao Santo Estêvão e integram os rituais de Inverno que acontecem um pouco por todo o distrito.
Em algumas aldeias, como Samil, S. Pedro dos Sarracenos e Rebordãos, a tradição conta com a Mesa de Santo Estêvão, cujo prato principal é o bacalhau cozido. Os mordomos, sempre atarefados, não têm mãos a medir na organização destas festas comunitárias, onde o reencontro entre familiares e amigos é a recompensa genuína, que acalenta os corações saudosos.
Em Parada a tradição manda que os moços transportem, no carro de bois, o gaiteiro e os mordomos numa volta a toda a aldeia. No último dos três dias de festa faz-se a Corrida da Rosca e há onze anos que se realiza a Feira de Artesanato e Produtos Regionais.
Na Lombada todas as aldeias têm também uma Festa dos Rapazes que, desde o dia 22 de Dezembro até ao dia 1 de Janeiro, faz com que não haja um único dia sem festa. A abertura, no dia 22, é em Palácios, segue-se 23 e 24 em Laviados, continuando a 25 e 26 em S. Julião.
No dia 25 de Dezembro, como já é tradição, tive o prazer de ver a rapaziada de Deilão, Vila Meã e S. Julião a confraternizar com os rapazes de Caravela, ao som das gaitas de foles e dos tambores. As festas continuaram no dia 27 com a tradicional Calaça, em Vila Meã, em que os Meirinhos mostram estar em forma, na corrida e na cerimónia da troca de poderes. Nos dias 28 e 29 as festas tiveram a sua continuação em Caravela, encerrando-se as festividades na aldeia de Babe, nos dias 30 e 31, com a Festa dos Rapazes.
Uma curiosidade: a primeira festa de 2019 também tem lugar em Babe, dedicada às raparigas, no primeiro dia do ano.

Tio João
in:jornalnordeste.com

Câmara de Bragança reforça verbas atribuídas às juntas e uniões de freguesia

Um milhão e novecentos mil euros é o montante total que as trinta e uma freguesias e oito uniões de freguesia, do concelho de Bragança, vão receber, no próximo triénio, no âmbito da delegação de competências às mesmas.
Um valor que cresceu, substancialmente, e que, segundo o presidente da câmara, Hernâni Dias é um reforço para as dotar de mais e melhores capacidades. "Estamos a reforçar a capacidade financeira das juntas de freguesia no sentido de as dotar de maior capacidade para poderem resolver os problemas das suas populações. Visa, no fundo, capacitar ainda mais as freguesias seja ao nível da limpeza, de cuidar das escolas ou de outras iniciativas que são da competência das juntas de freguesia e que neste caso são aqui devidamente tratadas sob ponto de vista financeiro".

Este crescimento do montante atribuído deve-se, acima de tudo, à limpeza do meio rural já que foi uma das competências delegada às freguesias. "O processo de limpeza do meio rural é extremamente pesado sob o ponto de vista financeiro, exige muitos recursos e as juntas de freguesia estão em melhores condições para conseguirem fazer esse trabalho que a câmara municipal", esclareceu o autarca.

A junta de freguesia de Salsas é uma das que vê, para este triénio, o valor atribuído aumentado. Para o presidente da junta, Pedro Zoio, é uma mais valia e é destinado, na sua maioria, à limpeza de caminhos e arruamentos. "A junta de freguesia de Salsas vai receber cerca de 4 mil euros a mais. Neste caso é uma mais valia para nós podermos satisfazer as necessidades das populações. Nunca é suficiente embora nós com poucos recursos consigamos fazer muito. É destinado sobretudo à limpeza de ruas mas nós já fazíamos esse serviço".

Segundo Hernâni Dias houve um trabalho baseado na justiça, sobretudo no que toca à coesão social. "Fizemos um trabalho no sentido de conseguirmos que todas as juntas de freguesia tivessem um reforço considerável. Aumentámos substancialmente os valores a transferir e baseamo-nos em alguns critérios que entendemos justos, nomeadamente aquele que tem a ver com a coesão social, discutidos com as próprias juntas de freguesias e aprovados por unanimidade. Não houve nenhuma freguesia que não concordasse com a atribuição das verbas".

Em jeito de cerimónia, para mostrar "uma atitude colaborativa", conforme frisou o autarca, a assinatura dos acordos de execução reuniu os presidentes das freguesias e uniões de freguesia na sala de actos do Teatro Municipal, na última sexta-feira.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Canis intermunicipais do distrito de Bragança estão lotados

Os canis intermunicipais do distrito de Bragança estão lotados. O canil Intermunicipal da Terra Quente Transmontana acolhe 200 animais com capacidade para 80, já o Centro de Recolha de Animais da Terra Fria Transmontana tem 55 animais de companhia, com capacidade máxima para 60.
A mudança da lei que proíbe o abate de animais tem contribuído para o aumento de cães e gatos à espera de adopção, como destaca Manuel Miranda, secretário-geral da Associação dos Municípios da Terra Quente Transmontana. "Obriga a que os animais tenham de sair esterilizados e as eutanásia só podem ser efectuadas por critério clínico. Tem levado a que, por muito esforço que tenhamos feito nas adopções, e conseguimos, mas a lotação tem estado no máximo. Tivemos que limitar as entregas feitas pelos munícipes de forma voluntária e deixar exclusivamente aqueles animais que constituem um risco ambiental e para as pessoas".

Para este centro de Recolha Oficial de Animais para o próximo ano estão previstas obras de ampliação no valor de 150 mil euros. "No próximo semestre de 2019 vamos desenvolver um conjunto de projectos que temos de beneficiar o canil e capacitá-lo para estas novas exigências legais e aumentar significativamente essa capacidade. Estamos já num processo de aquisição de terrenos na área envolvente para ampliar as instalações e temos já uma candidatura aprovada para beneficiar o bloco operatório onde são feitas as esterilizações e melhoria das condições que o canil tem neste momento", esclareceu Manuel Miranda.

Para o centro de recolha de animais da Terra Fria Transmontana foi realizada uma candidatura para melhorar condições, apesar de ter pontuação, as verbas não foram suficientes para ser contemplada, como destaca Jorge Fidalgo, presidente da câmara municipal de Vimioso. "Fizemos uma candidatura para poder alargar o canil mas apesar de ter pontuação as verbas não são suficientes para garantir todas as candidaturas. Nós quando fizemos o canil fizemos com a lei que existia e, neste momento, o canil é intermunicipal, não existindo possibilidade, não podemos recolher os animais".

A lei de proibição de abate de animais entrou em vigor no final de Setembro do ano passado. A lei determina que se os animais acolhidos pelos Centros de Recolha Oficial que não sejam reclamados pelos seus donos no prazo de 15 dias, a contar da data da sua recolha, são “considerados abandonados e são obrigatoriamente esterilizados e encaminhados para adopção”.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Maria João Canadas

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Hoje é o penúltimo dia do ano de Graça de MMXVIII (2018)

Por: António Orlando dos Santos (Bombadas)
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Olho para trás no tempo e apodera-se de mim um não sei quê de nostalgia que não serei capaz de afastar, pois é como se cada imagem que revejo me estivesse a ser arrancada e o que se definia por imagem virtual da minha memória se houvesse convertido em substância que com a deslocação me causasse esta dor de ter tido e já não ter.

Não é posse material que me causa esta angústia que consome lentamente a minha capacidade de continuar a sentir a pertença àqueles que foram os meus maiores ou também os meus pares. Os sentimentos mais díspares surgem na sede dos meus sentidos, ocasionando algo que talvez os freudianos serão capazes de classificar cientificamente, mas que duvido, o cidadão que é leigo jamais logrará destrinçar. 
Passo a concretizar, tentando começar por aquilo que faz com que eu possa ser repositório de tantas frustrações que estando eu consciente da impossibilidade de as anular, fariam de mim um homem de aço imune a este sentido de pertença que me trás tal desassossego. É simples, quando penso no que já se foi respeitante a gente com quem convivi desde o acto em que nasci e com quem aprendi a ser o que sou e que obsta a que possa ser doutra maneira. Uma enorme multidão de sombras intangíveis mas que têm um rosto nitidamente reconhecível e que não respondem às minhas perguntas, que hoje são diversas das que formulei quando as sombras não eram sombras e a matéria de que as sombras se fizeram me respondia indicando-me o caminho e transmitindo-me a responsabilidade da minha pertença ao grupo que se foi constituindo através de tempos que se seguiram a outros tempos e se passaram a designar por bragançãos, brigantinos ou bragançanos.
Poderei mencionar muitíssimos que esse sentimento me transmitiram e que o dia-a-dia não dividia em classes sociais nem se amofinavam por possuírem menos bens materiais que outros, pois o forte elo que os ligava era impenetrável à corrosão de tudo o que não fosse o lídimo orgulho de serem bragançanos.
Falo de gente como os operários que com o meu pai trabalhavam construindo o património que hoje é destruído a pretexto de um progresso que nos aniquila quando substitui esse património por coisas inúteis e deficientemente construídas. Falo também dos homens que quase sem recursos financeiros fizeram desta terra um marco, reconhecido pela idoneidade e fidalga maneira de receber e integrar os que connosco se juntaram e consideraram esta terra como sua. Falo dos intelectuais que lutaram e que esclarecidamente trouxeram à luz o que estava oculto nos arquivos de milhentas paróquias e Tombos e que o publicaram quantas vezes a expensas suas para dizerem ao mundo que os anais destas paragens, das suas gentes e instituições, eram tão nobres e dignas como as de terras outras mais bafejadas pelos deuses e menos agrestes na dureza das suas pedras e nos frios das suas serras, mas que também não foram tão amadas das suas gentes.
Os contingentes que as Forças Armadas constituíram ao longo dos séculos tiveram sempre nos seus quadros gente ousada mais que quantas, nada e criada nesta terra e que eram parte indivisível do tal anel que nos unia.
Poderá haver quem se ria do que ponho aqui em evidência, porque não foi passado no cadinho que se calhar já não existe onde me forjaram a mim e aos que me antecederam bem assim como aos meus condiscípulos que estou certo entenderão o que criptograficamente pretendo dizer.
Vi recuperar património que forças cósmicas ajudaram a destruir ou no mínimo danificar. O Castelo que as guerras da Restauração e depois as invasões Francesas danificaram, as jóias que são o Pelourinho implantado no dorso da Porca da Vila e a Dómus Municipalis, jóia única na Península, foram recuperadas pela acção persistente e continuada de ilustres bragançanos que esclarecidos não se envergonharam de percorrerem a distância imensa que os separava naquele tempo de Lisboa, repetidas vezes para sensibilizarem o Governo da Nação da justeza e Justiça de tal empresa. 
Não assisti a um único acto da destruição de património não justificável, outrossim, o contrário foi a regra pois o que foi destruído desde os anos finais de 80 do século passado, sem justificação plausível tem sido a regra que culminou com o arrasamento da Casa dos Cantoneiros da Ponte do Sabor e espera apenas pela ocasião propícia para fazer o mesmo ao chão da Avenida João da Cruz.
Não esquecerei nunca de estar agradecido a quem tanto tem feito de bom pela nossa cultura, pelo equipamento e locais dignos para realizar os actos comemorativos e as reflexões colectivas que é necessário fazer, quando se trata de procurar consensos. Agradeço também tudo o que de bom se fez no respeitante a limpeza da cidade, ajardinamentos e equipamentos escolares. Mas nada disso é suficiente para justificar a sanha que destrói as nossas referências que são suprimidas nesciamente de maneira irreversível!
A obra de construção da cidade dos homens exige sentido de pertença que pesem as palavras dos discursos oficiais não reconheço aos próceres actuais ou do presente passado. Há um saldo discutível nas contas do passado recente, historicamente, é claro, na soma das "obras boas e das obras más", e é nesta destrinça que a história se ocupará de encontrar o resultado real e inatacável.
Seria um pecado grandioso não reconhecer tudo o que de bom foi feito após o afastamento do Presidente José Luís Pinheiro, incluindo o mandato do Dr. Mina que abre a porta a uma certa crispação que não ajudou a sensatez na tomada de decisões. Os mandatos seguintes estão na mira da história como alfobre de decisões desacertadas que não acautelaram devidamente o sentir dos cidadãos que são o elemento único e soberano a que a Edilidade tem obrigação de ouvir e respeitar. A supressão de Serviços no centro da cidade, a organização do trânsito, a qualidade dos materiais usados, as deficiências na construção do Parque da Praça Camões, as infiltrações são evidentes e ultrapassam o mínimo aceitável, o desleixo na manutenção do Corredor do Fervença, tudo o que levou ao encerramento de dezenas de casas comerciais, que resultou do olímpico desprezo a que foram votadas as vozes discordantes, são hoje motivo constante de murmuração e se mais não se nota é porque os homens e mulheres desta cidade precisam de emprego, coisa rara, hoje em dia, para si e para os filhos e netos e algo lhes diz que se tiverem a ousadia de não concordarem, os empregos ficam ainda mais difíceis de conseguir .
Resta-me pedir a Deus que inspire os homens a realizarem obra que os presentes e os vindouros se nela possam rever





Bragança 31/12/2018
A. O. dos Santos
(Bombadas)

...e era sempre natal!

Por: Fernando Calado
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Hoje passei junto ao nosso forno que há anos caiu numa derrocada medonha e infinda… continua a cair... assusta…
Ainda cheira a pão quente… às tuas mãos alvas feitas de farinha… aos teus olhos de mãe… ao teu sorriso de madrugada…
… o nosso forno… o pão nosso de cada dia… a segada… a acarreja… as malhas… o medeiro… o pão nosso de cada dia… e as memórias ficam tão presentes como o carolo de trigo que sabia sempre à chegada a casa… aos beijos… ao lume aceso… à alheira que amaciava o inverno… e era sempre natal!
… o nosso forno caiu… o pão é somente pão… nesta tristeza de quem assiste, paulatinamente, ao cair do forno… ao cair da vida… nesta noite de geada… transmontana …
… não chores!
… o fim é sempre um novo começo!
… estamos a caminho!
… arrefece na longa noite de todas as partidas… e saudades… o forno apagou-se… como os teus olhos… para sempre!
… arrefece!
… longa é a noite!


Fernando Calado nasceu em 1951, em Milhão, Bragança. É licenciado em Filosofia pela Universidade do Porto e foi professor de Filosofia na Escola Secundária Abade de Baçal em Bragança. Curriculares do doutoramento na Universidade de Valladolid. Foi ainda professor na Escola Superior de Saúde de Bragança e no Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros. Exerceu os cargos de Delegado dos Assuntos Consulares, Coordenador do Centro da Área Educativa e de Diretor do Centro de Formação Profissional do IEFP em Bragança. 
Publicou com assiduidade artigos de opinião e literários em vários Jornais. Foi diretor da revista cultural e etnográfica “Amigos de Bragança”.

A Yoko Fujiwara, em Outeiro, a aprender a fazer alheiras da forma tradicioal.




Os caretos saem à rua em Mogadouro num desfile ibérico

A vila de Mogadouro acolheu neste sábado o VI Encontro de Máscaras e mascarados ibéricos, iniciativa onde dezenas de mascarados desfilaram pelas ruas provocando grande alvoroço em quem assiste, onde as figuras demoníacas executam varias peripécias, ricas de manifestações pagãs e iniciáticas dos rapazes, que com os seus chocalhos provocam as moças procurando criar um ambiente de festa, onde toda a "pureza" da tradição é mantida na celebração do solístico de inverno.
O concelho de Mogadouro e todo o Planalto Mirandês são "ricos" nestas manifestações pagãs, na sua maioria dedicadas ao menino Deus, e o nordeste transmontano tem vários grupos de caretos, mas esta tradição que se perde no tempo, abrange zonas para lá de Trás-os-Montes, nomeadamente Espanha, toda uma região fronteiriça é rica nesta expressão de festa.

O desfile reuniu grupos portugueses e espanhóis, espalhando alegria e cor, pelas ruas de Mogadouro, iniciativa tem vindo a crescer de ano para ano, tornando-se já numa marca do concelho, sendo que existem vários investigadores se deslocam à região para assistir ao vivo á renovação anual destas tradições.

A Mogadouro chegaram grupos Espanhóis provenientes de Castela e Leão e da Galiza,  do lado português marcaram presença caretos, chocalheiros, farândulos e sécias dos concelhos de Mogadouro e Miranda do Douro, Lagoa de Mira (Coimbra) e os extraordinários  caretos de Lazarim (Lamego), com as suas mascaras esculpidas em madeira.

Segundo o presidente da autarquia de  Mogadouro, Francisco Guimarães, os concelhos abrangentes do Douro Superior vão apresentar uma candidatura das máscaras dos concelhos de Mogadouro e Miranda do Douro a Património Cultural Imaterial.

o encontro  de sábado foi ainda inaugurada uma exposição de fotografia  "Uma Viagem pelo Mundo das Máscaras" de Mercedes Vazquez Saavedra, que reúne cerca  de 160 fotografias, e estará patente durante o mês de janeiro no Salão Nobre dos Passos do Concelho.

O nordeste transmontano celebra o solístico de inverno, um período "mágico" que imana em varias localidades da região, começam em Varge, Salsas  e Ousilhão, com Dia dos “Cêpos” – Constantim,  Festa de São João Evangelista (Festa dos Solteiros) – Duas Igrejas , Festa de São João Evangelista (Fiesta de ls Moços) – Constantim, Enterro do Ano Velho em Miranda do Douro,   Festa da Velha e do Menino – Vila Chã de Braciosa, Festa do Menino de Tó / O Farândulo, Chocalheiro de Bemposta.

As gaitas de foles, os tambores e animação musical fazem parte destes rituais e acompanham sempre estes ritos e tradições, uma cultura que se perde no tempo e é absolutamente genuína e que passou ao lado de qualquer aculturação exterior.

António Pereira
in:diariodetrasosmontes.com

2018 em revista

O ano de 2018, que está prestes a terminar, ficou marcado no distrito de Bragança por várias notícias.
A 15 de Dezembro caiu o helicóptero do INEM de Macedo de Cavaleiros, no concelho de Valongo, e causou a morte aos quatro ocupantes. Dois dias depois, foi substituído por uma outra aeronave, mais pequena.

Outro assunto que marcou a actualidade foi o encerramento das estações dos CTT. A prenda natalícia para os vilaflorenses foi o fecho da estação dos correios da vila mesmo depois do município ter interposto uma providência cautelar, no tribunal administrativo de Mirandela. Fernando Barros, presidente do município de Vila Flor, não concordou com a decisão e admite recorrer. "Eu não posso concordar, enquanto autarca do interior, que estas coisas aconteçam fruto de uma privatização que não acautelou exactamente este tipo de serviço universal".

Também com surpresa, a 26 de Fevereiro, os CTT desactivaram em segredo o centro de distribuição postal em Vimioso.

As reivindicações de melhores vias de acessos marcaram também o ano. A Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM) quer uma a ligação ferroviária do Porto a Zamora, a conclusão do IC5, ligação à Puebla de Sanabria e, por Vinhais, à Gudiña, bem como melhorias nos aeródromos.

Foi anunciada a intenção de que o IC5 poderá sair da alçada da ASCENDI para a Infraestruturas de Portugal. Os autarcas da CIM contestaram. "É uma preocupação porque vai criar problemas a vários níveis. Tem a ver com a própria segurança da via, tem a ver com a manutenção do próprio sistema", esclareceu o presidente da CIM-TTM, Artur Nunes.

Na Estrada Nacional 218, no troço entre Miranda do Douro e a fronteira com Espanha, começaram as obras, em Novembro, depois de quase 10 anos de reclamações. Na mesma via, entre Vimioso e Carção, o perigo iminente de derrocada mantém-se. Jorge Fidalgo, presidente do município de Vimioso, destaca que as obras da Nacional 218 são uma questão de justiça. "Eu não quero acreditar que, seja qual for o governo, que não faça esta justiça. Não é só a Vimioso, é a Mogadouro, a Miranda do Douro, a Freixo de Espada-à-Cinta".

No Plano de Mobilidade do Vale do Tua, foi anunciado o Verão de 2019 como o arranque do sistema de transporte multimodal que estava previsto para Junho de 2017.

Em Março, foi alcançado um acordo sobre a manutenção da Linha do Tua, o que acabou com o impasse existente em matéria de segurança.

O Matadouro do Cachão foi suspenso pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), a meados de Dezembro, na sequência de uma inspecção que apontou problemas estruturais relacionados com a antiguidade da infra-estrutura. A actividade das linhas de abate de bovinos e pequenos ruminantes encerrou.

Bragança recebeu a visita de António Costa, primeiro-ministro, no início do ano, e de Marcelo Rebelo de Sousa, em Julho, marcando presença nos 500 anos da Santa Casa da Misericórdia e nos 10 anos do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais.

Orlando Rodrigues, tomou posse como novo presidente do Instituto Politécnico de Bragança e Sobrinho Teixeira, foi escolhido para secretário de estado Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. "Foi uma surpresa muito grande", confessou Sobrinho Teixeira.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) chumbou, em Janeiro, o projecto do gasoduto da REN (Redes Energéticas Nacionais), entre Celorico da Beira e Vale de Frades, em Bragança, que atravessaria o Alto Douro Vinhateiro, para fazer a ligação à rede de gás espanhola.

Pode dizer-se que este foi o ano para o processo do lixo do Cachão. A 22 de Outubro, começava, finalmente, a retirada do lixo, com 120 dias para limpar o complexo agro-industrial. Um dia histórico, refere Júlia Rodrigues, presidente da câmara de Mirandela. "Foi muito aguardado pela população e isso torna-se agora realidade e as pessoas já não acreditavam que seria possível retirar esta carga ambiental".

A Sousacamp, depois de ter entrado em processo de insolvência, viu a Assembleia de Credores deliberar que os accionistas e credores da Varandas de Sousa teriam 90 dias para apresentar um plano de recuperação, que será votado na próxima Assembleia-Geral de Credores, ainda não agendada.

Em Junho, foi instalada em Mirandela uma unidade de ataque ampliado do GIPS - Intervenção de Protecção e Socorro, com 50 militares, tendo sido anunciado que seriam instalados 76 no total.

Carla Alves foi seleccionada para liderar a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte por um período de 5 anos.

Na gastronomia, a Mesa de Mirandela, restaurante Maria Rita, no Romeu foi uma das vencedoras na grande gala final do concurso 7 Maravilhas à Mesa. O restaurante G, na Pousada de Bragança, alcançou a primeira Estrela Michelin, para a região.

O ano também foi marcado pelo encerramento de escolas. O Colégio de Torre de Dona Chama, no concelho de Mirandela encerrou portas. Mas os encerramentos não ficaram por aqui. O Colégio Ultramarino Nossa Senhora da Paz de Chacim, no concelho de Macedo de Cavaleiros, também fechou e a Escola Preparatória de Izeda perdeu os alunos do 5º e 6º anos e foram transferidos para a escola Básica Augusto Moreno, em Bragança.

O antigo presidente da câmara de Mirandela, e deputado eleito pelo círculo de Bragança nas últimas legislativas, José Silvano foi escolhido em Março por Rui Rio para novo Secretário-Geral do PSD. "Foi uma surpresa para mim", confessou José Silvano.

Também Silvano se viu envolvido em polémicas, com o caso das “presenças-fantasma”, que rebentou em Novembro. Por duas ocasiões, a sua presença foi validada no parlamento, quando esteve em outros locais.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves, Olga Telo Cordeiro e Maria João Canadas

Planalto Mirandês vai apresentar candidatura das máscaras a Património Cultural Imaterial

O Planalto Mirandês vai apresentar uma candidatura das máscaras dos concelhos de Mogadouro e Miranda do Douro a Património Cultural Imaterial.
Uma candidatura que, segundo revelou o autarca de Mogadouro, Francisco Guimarães, no sexto Encontro de Máscaras do concelho, será feita através do Douro Superior, que abrange, neste momento, sete concelhos. Conforme o autarca, a ideia já ganhou forma e procurar-se-ão agora ajudas para que possa concretizar-se. "Vamos trabalhar em conjunto de forma a apresentar esta candidatura, quanto antes melhor. Miranda do Douro será o nosso elo de ligação mais próximo já que também tem bastante daquilo que são as festas do solstício de inverno. Vamos pensar em fazer através do Douro Superior essa candidatura, que abrange sete concelhos. Ainda está muito fresca mas já não é só uma ideia".

Estas tradições ancestrais, que o nordeste transmontano vive, nesta altura do ano, onde os mascarados saem à rua, tem despertado cada vez mais a curiosidade de investigadores que procuram compreender o significado destas manifestações. E porque recentemente foi descoberta a máscara de Valverde e a galdrapa de Vila Chã da Braciosa, o autarca acredita que é fundamental que esta pesquisa seja feita. "Há, neste momento, pessoas a estudar aquilo que eram as máscaras e as tradições. Algumas desapareceram com o tempo, Valverde foi uma delas mas já conseguimos recuperar, pelo menos, aquilo que seria a imagem do careto mas, certamente, haverá muitas mais e por isso é importante que aquelas pessoas que estão ligadas à história e conhecimento do que são as máscaras que nos possam surpreender", referiu o autarca.

De Portugal, a vila recebeu, nesta sexta edição do Encontro de Máscaras de Mogadouro, caretos, chocalheiros, farândulos e sécias do concelho e de Miranda do Douro, assim como de localidades como Salsas, em Bragança, Lagoa de Mira, em Coimbra e Lazarim, em Lamego, e ainda Castela e Leão e Galiza, do lado espanhol. "Vamos alargando sempre e este ano contamos com 15 grupos o que já é óptimo", explicou Francisco Guimarães.

No encontro foi ainda inaugurada a exposição "Uma Viagem pelo Mundo das Máscaras" de Mercedes Vazquez Saavedra, no Salão Nobre dos Passos do Concelho. Mercedes Vazquez Saavedra, que já fotografou as cinco máscaras do concelho mogadourense confirma a importância destes desfiles e eventos mas todo o esplendor das máscaras está no seu local de origem, onde faz questão de as fotografar. "Estou encantada por estar aqui porque é um concelho que tem cinco máscaras que são muito importantes e o que é mais emocionante e o que sempre reivindico é que continuem sempre no seu lugar. São muito bons estes desfiles mas as máscaras nos seus locais de origem é um privilégio".

O desfile aconteceu pela tarde deste último sábado. A exposição reúne mais de 160 fotografias e estará patente todo o mês de Janeiro.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves e Olga Telo Cordeiro