sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

"OS NÏZCAROS! "...(Crônica 002) Os Grandes Pensadores do nosso tempo.

Por: Silvino dos Santos Potêncio
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
Emigrante Transmontano em Natal/Brasil – desde 1979

Citação ideológica: O preço da perfeição é a práctica constante. (Andrew Carnegie) 
- Eu, pessoalmente pratico diáriamente várias coisas como por exemplo a decomposição desportiva da nossa lingua, que cada vez mais é dispensada como ferramenta oficial em Portugal! Isto é porque  na prática lá, agora,...  leva-se tudo na desportiva!  
(Silvino Potêncio, Pensador Emigrante Transmontano!)


No seguimento dos meus pensamentos a respeito de grandes pensadores do nosso tempo e vectores de influência na corrente ideológica que se alastrou nestas últimas décadas de governação lá na santa terrinha Lusitana, surgem-me aqui alguns laivos de lucidez que, tão depressa acendem a famosa luzinha no final do túnel, como em seguida se levantam em forma de tempestades de baboseiras enredadas por altas depressões atmosféricas que sacodem o mastro da lusitaniedade, já de si mais sacudido do que a sebastianissima "árvore das patacas" da emigração lusa na primeira metade do século passado. Ou seja: aquele século XX que se resumiu na idéia simplista do “vin-te buscar” para irmos para o meio do nada. 
- Contingentes de tropas enviadas ao Ultramar foram despidos dos seus dólmans e calças de cor verde-oliva,  e pomposamente substituídos por "sopas gravatas e tudo" em estilo  "Yupie"  dos anos setenta... (tenta aí a ver se arranjas trabalho remunerado) para serem devolvidos ao remetente. Agora - o já não existente Ultramar - fomos todos devolvidos na forma de ex-retornados acarinhados pela nova ordem económica e democrática  agora abertamente  aceite pelo sistema "pidesco" disfarçado de gerentes do poder constituinte porém jamais constituído a contento de todos.
- Ai, ai!,... o que será dos meus antigos endereços do Cazenga e do Sambizanga!?
- se calhar vão mandar para lá os filhos dos meus filhos e netos e eles não sabem depois o caminho de volta ao lar.
- Hordas de cidadãos, em média,  acima dos cinquenta anos de idade sobem diáriamente aos portalós dos aviões da empresa aérea nacional e algumas (muitas) internacionais,  que os levam aos mais diversos cantos do globo para ali tentarem a sua sorte de novo.
- Depois de umas quantas tentativas inglórias de lá arranjarem emprego, ou até, talvez os mais afortunados, ali investirem as suas economias, angariadas em outros tantos países de acolhimento ao longo dos anos mais produtivos das suas vidas, eles acabam por voltar à santa terrinha sempre de mãos a abanar! 
Ah!... mas aqui, é assim!? - perguntam-me hoje, na sua grande maioria aqueles que em terras tupiniquins acham que eles é que sabem fazer tudo à moda de lá.
E eu digo; aqui é assim, sim senhor!,... e sempre foi!
 - Voismecês é que acham que sabem tudo na teroria, mas depois de passar a linha do equador os polos se invertem.
Contudo eles continuam a chegar cá pelos trópicos e com eles trazem as suas “bicuatas”...
- Aqueles que, ainda na pujança física dos anos conseguem emprego no exterior, por falta de estrutura básica técnica e/ou educacional recebida na origem, não conseguem operações rendosas que garantam a estabilidade das suas aposentadorias e!,... de mãos vazias, fica mais difícil começar a trabalhar, muito menos retornar... fica prácticamente impossível conseguir um empréstimo no banco, até mesmo para comprar um banquinho com uma mesinha na frente e colocar o sujeito do outro lado, de boca escancarada,  a cuspir pipocas porque o estômago dele pegou fogo no verão passado e ainda não veio água suficiente para acalmar os calores que veem do centro do âmago da questão,  que se chama desemprego e é igual em linha recta à economia informal, ou seja; é uma uma sobrevivência social totalmente fora de forma onde, no dia-a-dia, vende-se o almoço para comprar o jantar!... enquanto isso; em outra classe de cidadãos lusos não retornados e não emigrantes acontece o oposto.  
- Aqueles que, em virtude da educação recebida, ainda que a duras penas
patrocinada honradamente à moda antiga dos seus antepassados directos, conseguem emprego no exterior, ou até mesmo "fora de portas" eles voltam para casa em reluzentes "carrões"  porque, segundo me confessam os amigos da época, torna-se indispensável ter um carro que chame a atenção!
- O individuo atrás do volante de uma simples "carocha" ou é maluco ou então esqueceu-se de mandar ajeitar a "rebimboca da parafuseta" depois dos anos de glória da adolescente democracia abrilina.
-  É absolutamente indispensável "dar nas vistas" para a sobrevivência dos ditos contingentes de tropa civil actual, talvez um pouco menos civilizada devido à não obrigatoriedade moral nem material de ir à escola. E é indispensável essa exibição porque senão,  nem a "sopeira" da vizinha do lado olha para a cara do "garanhão" por mais atlético e aplicado que o praticante seja.
- Ah!,... mas se o "engatatão" vem a bordo de uma "Mercedes Benz a o Deus"!... é tiro e queda! - Logo na primeira sachada dá minhoca...
... Ora se o poder público dos descendentes da descolonização dá o exemplo de sempre, sempre, eternamente namorar a democracia e nunca se casa com ela!... porque os nossos heróis de hoje haveriam de se preocupar com estabilidade emocional em casa e no emprego?
 - Isso é muito chato dizem uns!
- Eu quero lá saber de padrões, dizem outros!... todos no fim, são fruto da globalização de ideias e nenhum se presta a cair fora do contingente previamente estabelecido.
- (nos dias de hoje, com a globalização em plena forma práctica e física, uma semana de tempo corrido é uma eternidade...)
- Enquanto isso ele, o poder publico, vai, vai, vai,...empurra com a barriga porque lá atrás vem gente de outro partido e na dúvida,  é melhor fazer corpo mole.
- Nada de practicar qualquer esporte administrativo... o senhor que se segue que resolva... Acabou-se o tempo de subserviência.
Hoje todos temos o direito de ter e criar um monte de ideias novas!
O novo é que o bom!
- Menos o molho de escabeche que tem que ser feito com o peixe frito do dia anterior. - Isto para não falar das águas de bacalhau onde os nossos governantes actualmente parece que todos praticam a lei de Pilatos.   
Silvino Potêncio/Natal-Brasil – o homem de Caravelas "lá de xima” em Mirandela... 
(este "lá de xima" como se diz foneticamente em Trás Os Montes significa a origem nas terras Altas)

Silvino dos Santos Potêncio, nascido a 04/11/1948, é natural da Aldeia de Caravelas no Concelho de Mirandela – Trás-Os-Montes - Portugal.
Este Autor tem centenas de crônicas, algumas já divulgadas sob o Título genérico de “Crônicas da Emigração”.  Algumas destas crônicas são memórias dos meus 57 anos na Emigração foram incluídas nos Blogs que todavia estão inacessíveis devido ao bloqueio do Portugalmail.pt, porém algumas foram já transcritas para a Página Literária. 
Presidente Fundador do Clube Português de Natal e Membro activo de várias páginas em jornais virtuais ligados ao Mundo da Lusofonia.
01 – POEMAS DE ANGOLA – “Eu, O Pensamento, A Rima!...”
02 – E-Book (Livro Electrônico): “UM CONVITE P’RA TOMAR CHÁ”
03 - CURRIÇAS DE CARAVELAS- TROVAS COMENTADAS é uma Antologia que contém  Trovas  e Textos Auto Biográficos da Aldeia Transmontana. 
        São livros da minha autoria já prontos para Edição e publicação brevemente. 
Actualmente mantenho uma página literária própria, como Emigrante Transmontano em Natal/Brasil, no Portal Recanto das Letras.   
O sitio do Escritor Silvino Potêncio  www.silvinopotencio.net  está aberto a visitas de todos os leitores de Lingua Portuguesa. Conta já com mais de 56.000 visitantes à data actual. 
Muito grato pela Atenção e receba um Forte e Fraterno Abraço. 

Endereço atual para contato: 

Silvino Potencio
Rua Maçaranduba Nº 7838 – Bairro Pitimbu – Conjunto Cidade Satélite
59067-610 – NATAL – BRASIL 
Email: sspotencio@yahoo.com.br
SKYPE: sspotencio 
www.silvinopotencio.net

NENZINHA, SUA CADELA E SUA VIDA

Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS
São Paulo (Brasil)
(colaborador do Memórias...e outras coisas)
Desde criança, Nenzinha tem um sentimento de culpa. A responsável por esse sentimento era uma cadelinha que ela tinha quando criança, numa fazenda pros lados de Angicos, no Rio Grande do Norte.
Quando ela tinha cinco anos de idade, seus pais, mais ela e um irmão de sete, embarcaram num pau-de-arara, com destino ao sul maravilha. O pai vendeu por apenas uns trocados, a velha palhoça, onde moravam, sete galinhas e dois porcos magros e seis cabritos (um macho e cinco fêmeas). O sítio ressequido, de dois alqueires de terra, quase nem foi levado em conta.

Da chegada em São Paulo, bairro do Brás, ela só lembra do frio e da fome, depois de comer só farinha de aipim por seis dias consecutivos; ainda que nos primeiros dois dias a farinha era acompanhada por rapadura, que se acabou, pois o pai da Nenzinha, toda vez oferecia às outras pessoas do caminhão, e quase sempre, um ou outro aceitava, pois tinham ainda menos para comer; pelo menos eles trouxeram um saco de farinha...

Mas, voltando ao sentimento de culpa: quando a Nenzinha, sua mainha e o painho, junto com o Edinilton subiram no caminhão, que os aguardava numa estradinha a uns dois quilômetros da palhoça onde viviam, sua cadelinha, a Baleia, veio correndo atrás. Ela latia e abanava o rabo em desespero. Nenzinha chorava e pedia ao pai para apanhar a Baleia, mas ele, impassível, fingia nem escutar; talvez prevendo as dificuldades que enfrentariam na viagem e no início da vida, numa cidade grande. De objetivo mesmo, ele tinha apenas o endereço de um primo em segundo grau, o Raimundo; que morava na Vila Carrão, na Zona Leste da cidade. Milhões de vezes, durante a viagem, ele abriu, leu e tentava decorar o endereço, enquanto imaginava como seria sua vida  em São Paulo. 
Enquanto isso, Nenzinha via a Baleia perseguindo o caminhão; primeiro correndo rente ao caminhão, depois ficava um pouco para trás, talvez com as patas feridas pela terra seca e pelas pedras do caminho. Também deveria estar cansada e sedenta. Depois de uns dez quilômetros, a Baleia foi ficando para trás. E quanto mais a baleia se afastava, mais a Nenzinha sentia uma dor no peito; ela gostaria de pegar sua cadelinha, dar-lhe água da quartinha e uns afagos. Hoje, aos trinta anos de idade, moradora  no Itaim Paulista, na zona leste, ela tem uma cadela de nome Baleia, que nem de longe supera em amor o que sentia por aquela que ficou pelas estradas da vida. 
O pai de Nenzinha tornou-se pedreiro e conseguiu fazer uma casinha para a família e, aos trancos e barrancos, é o provedor da casa. A mãe adquiriu uma tosse forte durante um daqueles invernos de São Paulo, com frio de quatro graus; acabou por contrair pneumonia e morreu, quando Nenzinha tinha doze anos de idade. O irmão, Edinilton, estudou e cursa tornearia mecânica no SESI do Brás e pretende ser engenheiro. Uma pena que ele já esteja com trinta e dois anos de idade. (Parece que vai se casar o ano que vem). Nenzinha tem dois filhos, um de quatro anos e outro de dois; casou-se com o filho do primo do pai, que os abrigou nos primeiros tempos de Sampa.

Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. É natural de Cravinhos-SP. É Físico, poeta e contista. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos e entre eles, o Pequeno Dicionário de Caipirês e o livro infantil “A Sementinha” além de quatro outros publicados em antologias junto a outros escritores.


Nota do Autor:

Significado de Pau de Arara:

Pau de arara é o nome dado a um meio de transporte irregular, que embora em número infinitamente menor,  ainda é utilizado no Nordeste do Brasil, em pleno Século XXI. Consiste em caminhões adaptados para o transporte irregular de passageiros. Os caminhões paus de arara foram bastante utilizados durante o êxodo de nordestinos para o sudeste do país, principalmente para o Estado de São Paulo o termo refere-se também ao passageiro que utiliza esse tipo de veículo e, de uma forma genérica, refere-se também a todos os migrantes nordestinos.

O termo pau-de-arara, segundo Câmara Cascudo, tem a ver com caminhoneiros que vendiam pássaros, ilegalmente, e os transportavam de caminhão. Instalavam várias barras (de madeira ou ferro)no sentido transversal da carroçaria do caminhão, fechavam as laterais e cobriam a “carga”. Ali, sobre as barras, colocavam as araras, os papagaios, os periquitos, as jandaias e maritacas, que ficavam pousadas sobre as barras, ainda que fizessem enorme alarido; tal como as pessoas, com a diferença de que, a invés de barras, têm bancos de madeira. O alarido, no entanto, é bastante  parecido.

Sobre a carroceria do veículo são colocadas tábuas, que servem de assento, e a instalação de uma lona como cobertura a proteger das intempéries completam a adaptação deste para o transporte. Suas origens remontam aos tempos em que não havia outras formas para o transporte de maiores quantidades de pessoas, além de estradas bastante precárias, na Região Nordeste, além da instalação, no país, da fábrica de caminhões FNM, que popularizaram este veículo de carga, capaz de vencer os terrenos mais difíceis.


Os paus de arara foram bastante utilizados durante o êxodo de nordestinos para o sul do país, mormente o estado de São Paulo – ganhando também, entre os sulistas, as acepções do passageiro destes veículos e, de forma pejorativa, às pessoas  nordestinas.

"20 anos - Balanço e Perspectivas do reconhecimento oficial dos direitos linguísticos da comunidade mirandesa"

Hoje pelas 20h30, no Arquivo Municipal participe na inauguração da exposição "20 anos - Balanço e Perspectivas do reconhecimento oficial dos direitos linguísticos da comunidade mirandesa", seguida das "Cumbersas ne l Arquibo".

Km VERTICAL 09 de Fevereiro - 10.30h | Alfândega da Fé

Corrida única e especial, num percurso sempre em ascensão, com 1.000 metros de desnível positivo ao longo de 10 Km. 🏃🏻‍♂️🏃🏻‍♀️
Caminhada na natureza (5,3 Km) até ao topo da Serra de Bornes. 

Ponto de encontro: Hotel & Spa alfândega da fé.
Associação Recreativa Alfandeguense | Município Alfândega da Fé | Associação de Atletismo de Bragança

Nota à Comunicação Social acerca da posição da CIMDOURO sobre o PNI2030

O conteúdo político da imprensa Bragançana no século XIX

...CONTINUAÇÃO...
Nem sempre a teoria condiz com a prática, ou, se quisermos, há muitas formas de entender os princípios gerais de qualquer teoria e de os levar à prática. Por isso, para lá dos estatutos editoriais, temos agora que analisar os conteúdos concretos predominantes nas páginas dos jornais de Bragança, começando precisamente pelo compromisso ideológico, vinculação político-partidária, intervenção político-social, defesa das potencialidades da região, ataques à administração central e reivindicação de investimentos na região, ataques à administração local e defesa de grupos especiais específicos.
Primeira página do 1.º número de O Democrata

Compromisso ideológico


Os compromissos ideológicos assumidos nos respetivos estatutos editoriais têm expressão prática em muitos textos dos diferentes jornais. Esses compromissos ideológicos passam ou pela defesa dos valores do regime monárquico, ainda que com diferentes perspetivas partidárias, ou pela defesa dos valores da mudança de regime por parte dos jornais republicanos, embora num quadro de evolução democrática, sem o recurso às armas.
Dentro deste parâmetro, podemos ainda incluir a defesa dos valores religiosos, preocupação que é bem explícita nalguns jornais, que aliás eram dirigidos por sacerdotes, como no caso do Norte Trasmontano, dizendo-se “progressistas à antiga, patuleias de alma e coração, sem por isso deixarmos de ser católicos convictos e confessos, e seguir os ensinamentos de SS. Leão XIII, dando a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”.

Vinculação político-partidária

Um outro tema que absorve grande parte das páginas dos jornais em análise é a defesa dos interesses dos partidos ou do grupo social a que cada um se acha vinculado. Dentro deste parâmetro, os temas mais comuns são a defesa do próprio partido, a crítica dos partidos adversários e também a crítica dos adversários internos, isto é, dos adversários dentro do partido.
Em relação à defesa da força partidária, a que estavam vinculados, são vários os textos que exemplificam tal posição. Por exemplo, O Brigantino defenderá que “o Partido Progressista é simplesmente o partido dos grandes homens portugueses, de Passos Manuel, de José Estêvão, de Sá da Bandeira, do duque de Loulé, do bispo de Viseu, de Anselmo Bramcamp, e de muitos outros que consagraram a vida inteira ao bem-estar da Nação”.
“Levam-nos também para este campo as afeições de família, pessoas nossas que já morreram, que foram soldados fiéis do Partido Histórico, o primeiro que conhecemos, e por quem nos temos sempre sacrificado até hoje.” Ou O Norte Trasmontano, afirmando “que da parte do grosso do Partido Progressista deste Distrito e do seu indiscutido chefe, sr. conselheiro Eduardo José Coelho, nosso muito prezado amigo, há toda a vontade de bem servir esta terra, que tanto lhe deve já, mas à qual ele não é menos devedor”.
Por vezes, a defesa do próprio partido mais parece a defesa dos interesses clientelares para os seus apaniguados, como se verifica através do texto do jornal progressista, O Norte Trasmontano: “Os persistentes boatos da queda do Governo, anunciados pelos jornais de Lisboa e Porto, têm despertado aqui uma certa agitação nos numerosos e dedicados adeptos do Partido Progressista desta Cidade”. “Nós, por enquanto, abstemo-nos de emitir opinião sobre o assunto, vista a falta de seriedade que se está observando nas questões políticas, e que não permite se façam quaisquer suposições, ainda as mais bem fundamentadas; todavia, não deixamos de animar os nossos estimáveis correligionários a que tenham esperanças num futuro muito próximo”.
Os jornais republicanos também não deixam de enaltecer as suas figuras e, através delas, a mudança de regime que propugnam, como se verifica através de O Democrata: “foi tão-somente ele [José Falcão] que soube persuadir, com singelas demonstrações de palavras, como a suprema magistratura de um País, exercida hereditariamente ou pela indicação dum útero, é fatal e nociva ao bem-estar nacional, ofensiva da dignidade humana e absurda à própria razão; ao passo que exercida pela indicação da vontade nacional, seria a maior garantia do direito de cada um, e o eficaz sustentáculo do direito e haveres da coletividade chamada Nação”.
Lendo as críticas que os jornais faziam uns aos outros e aos partidos adversários, facilmente concluímos que a maior parte deles era apologista do princípio de que a melhor defesa é o ataque. Daí que apareçam com frequência ataques, quer dos monárquicos de um partido contra os monárquicos do outro partido, quer dos jornais monárquicos de um partido contra os jornais monárquicos do mesmo partido, quer, finalmente, dos periódicos republicanos contra periódicos monárquicos.
O Norte Trasmontano irá referir que é “bem triste a situação em que nos encontramos. Triste pelo mal que acusa, tristíssima pelos sintomas que revela”. “A política pessoal, o domínio dos corrilhos e das camarilhas continuam ovantes e não se vê em parte alguma um raio de esperança, sequer, de isto vir a acabar”. “A morte de Lobo d’Ávila que devia ser para o Governo e seus tutores uma advertência salutar, ainda mais os convenceu de que o caminho que seguiam, e tanto tem desacreditado as instituições e ultrajado o País, era o único viável e aquele por onde podiam caminhar a san peur et san reproche!”.
Outras vezes, eram os adversários dentro do próprio partido que sofriam os ataques do seu jornal, fustigados com textos agressivos, como no caso dos responsáveis pela gestão municipal do Partido Progressista, o mesmo partido, afinal, do jornal que os exautora, o Nordeste:
“Na quinta-feira última, decidiu a Câmara deste Concelho as reclamações que contra a contribuição municipal se lhe apresentaram alguns empregados públicos, indeferindo-as todas. O fundamento das reclamações era a falta de base em que incidisse a contribuição de 1888. Por isso que tanto a deste ano como a do ano futuro só podiam recair sobre o ordenado do ano corrente, como se prova por certidões passadas pelo secretário da
Câmara, e como se demonstra com umas considerações legais que não reproduzimos para não moer a paciência dos leitores”.
“Em virtude da resolução da Câmara (e isto basta para que se faça ideia da justiça com que aquela corporação decide), há empregados que tomaram posse do seu emprego em março de 1886, completando 21 meses de exercício no fim de dezembro de 1888, e contudo no fim daquele mês estão debitados à Câmara por contribuições de 36 meses! Não será Falperra, que com tal intenção não lançaria a Câmara o imposto, mas é uma verdadeira espoliação tributária”.
“Será muito atendível a consideração de que a Câmara precisa de dinheiro, mas nesse caso podem também os vereadores ir de trabuco em punho pedi-lo nas estradas: o fundamento é o mesmo”. “E se ainda se visse algum proveito das suas exageradíssimas contribuições e das duplicações das coletas…, mas infelizmente, a atual Câmara nem paga a quem deve, nem faz obras, nem ao menos satisfaz convenientemente essas despesas de iluminação e asseio, que são a primeira necessidade de uma terra civilizada”. “Se os progressistas não têm outra gente para ocupar neste Concelho as cadeiras curis, podem limpar as mãos à parede. Os regeneradores dissipariam, mas eram mais cuidadosos, mais patriotas e mais justos”.
Mais contundentes são os jornais republicanos contra os seus adversários políticos, que tanto podem ser os outros partidos como as classes sociais que sustentam a Monarquia, nomeadamente o clero, o exército e a nobreza.
Vejamos, por exemplo, O Democrata, em 1896: “Dispondo o povo duma imensa e invencível força que, infelizmente, não conhece, e muitíssimo pervertida pelos desmandos de toda a ordem, de que os governos monárquicos o têm feito participante, é necessário procurar dizer o que ele pode ser, levantar-lhe os adormecidos brios, e vir norteá-lo pelo caminho que melhor o conduza pela senda do dever e da honra, e nem este semanário saberá seguir por outro diferente”.
Aviso ao clero: “Ao clero, que ainda representa um grande elemento de força, e bom será que ele não acaricie a veleidade de querer excedê-la, diremos: sem crença, seja ela qual for, a sociedade não pode lutar contra os menores contratempos que a assediam, e assim a julgamos um fator dos de mais importância para o seu bom caminhar; ficando, por isso, bem assente que a respeitaremos como aos seus ministros, quando eles não procurem trair a sua nobre, quase santa e elevada missão”.
Aviso à nobreza: “À outra classe da sociedade – a nobreza – devemos dizer com franqueza que o tempo dos pergaminhos passou; e que não reconhecemos tradições que não assentem em factos de valor, promovendo estes dum saber profundo”.
Aviso ao exército: “Ao exército, onde se acham representadas as classes em que se decompõe a sociedade portuguesa, posto que reduzido a um estado vergonhoso pelos governos da realeza, diremos também: que é ele o defensor da Pátria, e o mantenedor da ordem e das instituições, quer estas promanem daqueles partidos, já por demais experimentados, quer do partido da Democracia, devendo atender-se a que será este o único que poderá ainda limpar-se da crápula e da devassidão, que por aí a escuro medra, tendo também por dever propugnar e defender a nossa ameaçada independência”. “Não queremos com isto levantar a rebelião na força armada, nem esta tem nada em que intervir na vida política das nações, porque só ao povo é que damos esse direito; mas, apenas mostrar que a louca indiferença de todos nos leva já marchando sobre ruínas”.
Pelo mesmo diapasão afina outro jornal republicano, a Voz da Pátria, em 1896: “Entre o latim da Gazeta, o petróleo do Nordeste e a água benta do Norte Trasmontano; e entre a prosa do Moncorvense e a poesia do Mirandez, era de urgente necessidade um jornal que caminhasse na vanguarda da democracia e tivesse de todos um pouco, sem seguir as doutrinas de nenhum; e a Voz da Pátria, cujos fundadores são tudo almas novas, donde os ventos do futuro varreram, há muito, as brumas do passado e as neblinas do presente, saberá conseguir esse fim, na linguagem chã e vulgar, mas pura e sincera, dessa boa gente do trabalho, desses que devem o que são a si próprios sem preocupações de belezas de estilo ou flores de retórica”. “Para as mais modestas classes sociais, para o artista e proletário é que este jornal é criado mais especialmente, porque é nessas classes que o nosso credo tem mais apóstolos e é a elas que mais desejamos orientar, pondo-as a par de verdades que muitos sabem e poucos dizem…”

Intervenção político-social

Apesar das preocupações ideológicas e políticas de caráter geral que enunciámos, os jornais de Bragança do século XIX revelam especial preocupação com as questões políticas concretas relacionadas com a res publica do Concelho e do Distrito. Nesse sentido, a defesa do aproveitamento das potencialidades da região e a reivindicação de investimentos no Distrito por parte da administração central é uma preocupação constante e transversal a todos eles, independentemente da sua orientação ideológica ou da sua filiação partidária. Efetivamente, abundam os textos de intervenção político-social sobre assuntos de dimensão nacional ou apenas de dimensão local. Por isso, iremos agrupá-los nos temas que se seguem: Crítica da classe política e denúncia de escândalos políticos relacionados com a corrupção.
Quanto a este tema, podemos desde já afirmar que a classe política é responsabilizada pelos males do País em geral e da região em particular, levando-nos a concluir que o seu desprestígio não é assunto do nosso tempo, sendo as críticas transversais, uma vez que tanto a imprensa do Partido Progressista, como a imprensa do Partido Regenerador, como ainda, logicamente, a imprensa republicana, afinam pelo mesmo diapasão.
São relatados casos de escândalos regionais, baseados em suspeitas de corrupção, compadrio, ou de puro sectarismo, nomeadamente a propósito do recrutamento militar e das mais diversas maneiras de evitar a chamada dos jovens às fileiras do Exército, quer através do suborno dos médicos da inspeção, quer através das cunhas metidas aos “notáveis”. O Nordeste dirá: “na segunda-feira passada, uns poucos de recrutas do Concelho de Mogadouro, para os quais é axiomático o princípio “o ouro tudo pode”, foram a casa do sr. dr. Barbosa, cirurgião-mor, e de bolsa aberta trataram de ajustar com este cavalheiro a sua isenção do serviço militar”. “O sr. dr. Barbosa [texto ilegível] investe de guarda-sol em riste contra os petulantes argentários, pondo-os no meio da rua à baionetada”. “Decididamente o sr. dr. Barbosa anda em maré de infelicidades”.
E também: “durante o tempo que durou a inspeção dos recrutas dos concelhos de Carrazeda de Ansiães, Moncorvo e Vila Flor, um influente político, residente na Cidade, recebeu nada menos de 152 cartas de empenho!
Não se é político impunemente”.
Primeira página do 1.º número da Voz da Pátria

A Voz da Pátria, por sua vez, em 1896, tenta aproveitar a rivalidade existente entre os dois jornais monárquicos 
de Bragança: “O Nordeste, órgão do Partido Progressista desta Cidade, publicou há tempo um artigo no qual acusava os oficiais de Caçadores 3, que acompanharam o 2.º batalhão do mesmo regimento à África, de haverem arrecadado o espólio pertencente a soldados falecidos nas campanhas das terras de Gaza”. “Em resposta ao Nordeste, a Gazeta de Bragança publicou um outro artigo no intuito de desmentir aquele jornal, dizendo que aquilo que ali se lia era uma infâmia, que os oficiais caluniados haviam de provar o contrário perante os tribunais, etc.”. “Pois até hoje, que nos conste, os oficiais expedicionários de Caçadores 3 ainda não provaram o contrário, nem perante os tribunais nem sequer na imprensa”.

Defesa das potencialidades da região

Este constituiu um dos assuntos mais debatidos pelos jornais de Bragança, monárquicos e republicanos, denunciando o abandono da região pelo Poder Central. A agricultura – nomeadamente a produção do azeite, do vinho e dos cereais e a agropecuária – a indústria das sedas, dos tecidos, a exploração do subsolo e o comércio com a vizinha Espanha são algumas das questões mais vezes referidas.
O Farol Transmontano dará o tom, logo a partir de 1845: “Aqui, aonde com toda a facilidade podíamos melhorar algumas raças dos animais proveitosos, e naturalizar outros; não só de tal não temos cuidado, mas deixamos acabar ou piorar as criações que dantes tínhamos”.
“Aqui, aonde se recolhe uma grande porção de lãs, que poderiam ser manufaturadas na Província, e subministrar o vestuário a seus habitantes; vendemos a maior parte delas aos Comissários dos Estrangeiros, para depois lhes comprarmos os panos e os cobertores”.
“Aqui, onde a indústria serícola mostrou já até que ponto seria capaz de contribuir para a riqueza da Província e do País; deixamos cair em ruínas, não obstante os esforços do Governo, um estabelecimento de filatório, que custou ao Estado muitos contos de réis; fechamos as fábricas de tecelagem, e tratamos a valiosa amoreira com maior desleixo do que pode sê-lo qualquer árvore silvestre de que nenhum proveito se espera”.
Primeira página do 1.º número de A Luz

“Aqui, onde a existência assaz frequente de váriorientos de réis e minerais poderia dar emprego à indústria da mineração e da metalurgia, e oferecer a matéria-prima a muitas artes e ofícios; vamos comprar a estrangeiros o ferro, o chumbo e o estanho, desprezando o que temos em casa”.
“Aqui, onde se colhe uma boa porção do vinho do Douro, onde o azeite de oliveira e os cereais poderiam ser um objeto de grande comércio interno, e até de exportação; não solicitamos as providências necessárias para que aquele preciosíssimo género seja capaz de sofrer concorrência nos mercados estrangeiros, nem curamos da investigação das verdadeiras causas que entorpecem o seu adiantamento e comércio, não cuidamos da benéfica oliveira com a atenção que ela merece, nem indagamos os motivos que têm concorrido para a atual estagnação comercial dos cereais”.
Mais tarde, O Distrito de Bragança, em 1885:
“Em época pouco remota, o seu comércio foi importantíssimo, fazendo transações em grande escala; e a indústria, especialmente de fabrico de veludos, era de bastante importância. Hoje, se bem que a população tem aumentado bastante, e os estabelecimentos sejam em muito maior número, já não há as transações de outras épocas, porque a falta de estradas que a ponham em comunicação com as outras povoações do Distrito conduz os povos a irem comerciar noutras localidades. Da sua antiga indústria do fabrico da seda já nada existe; e de outras indústrias não há nenhuma que possa merecer especial menção. Do resto do Distrito, se excetuarmos a fábrica de panos de seda para peneiras, em Freixo de Espada à Cinta, sem dúvida uma das mais importantes do País, quase se pode dizer o mesmo.”
“O Distrito de Bragança não é pobre; o que lhe falta é um certo número de melhoramentos indispensáveis ao seu progresso. Se houvesse um caminho-de-ferro que as pusesse em comunicação com os grandes centros, e se com este se abrissem outras estradas para diferentes pontos do Distrito, a indústria mineira teria aqui grandes empresas a explorar, porque abundam em todo o Distrito as minas de chumbo, cobre, estanho, carvão de pedra, e outros metais, sem exceção de ricas pedreiras de excelente mármore e jaspe nos concelhos de Miranda e Vimioso. Bastaria a exploração destas minas e pedreiras para que dentro em pouco tempo os ricos negociantes se locupletassem, e os pobres alargassem o acanhado recinto de seus recursos.”
Ou A Luz, em 1888: “Um quadro lacerante deveras é o que nos apresenta Bragança na época atual e no seu futuro. Como todas as coisas, Bragança teve a sua época de crescimento e prosperidade e vemos que agora tem a do seu aniquilamento.
Sendo Bragança uma terra colocada num ponto agrícola, desprezou essa garantia por pouco lucrativa e procurou no comércio e indústria a riqueza de que foi possuidora em tempos que já lá vão”.
“O desenvolvimento industrial da Espanha esfacelou-lhe o primeiro, e o das outras nações, o segundo; por isso vemos essas engenhosas máquinas de finíssimos tecidos de sedas, veludos, abandonadas e até desprezadas.
Recorreu-se à agricultura como último recurso, preferindo-se a do vinho a outra qualquer, atendendo não só às condições do terrenos mas também à facilidade da sua cultura e rendimento. Veio porém o inexorável destruidor das vinhas e eis Bragança precipitada à beira do abismo”.
“A agricultura de outros quaisquer géneros na imensa área ocupada pelas vinhas, a não ser totalmente impossível, é absolutamente difícil”. “Se em vez de administradores dos dinheiros os tivéssemos dos interesses públicos, não seria difícil obviar esta situação, substituindo o atual modus vivendi por um outro”.
“Logo que, como acima dissemos, não podemos sustentar-nos por meio da agricultura, tornem Bragança uma cidade industrial. Replicar-nos-ão que lhe falta a obra-prima, mas triplicaremos que não. O que era Istria, Carrara e outras cidades industriais, pela natureza? E não possui Bragança os mesmos elementos que essas, nas ricas minas de S. Pedro da Silva e mesmo nos seus subúrbios? Possui, decerto.”
O Democrata, em 1896, trata igualmente da decadência económica da região: “Houve tempos, não muito remotos, em que esta Cidade, bem digna de melhor sorte, via os seus naturais enredados como Penélope na sua teia, ou como a filha de Minos no seu labirinto, não sabendo para que ramo da atividade humana, tantos eram eles, haviam de fazer derivar as suas privilegiadas aptidões”.
Exemplos de pequenas notícias e publicidade do jornal O Distrito de Bragança

“Teve aqui a indústria o seu principal empório, muito especialmente no fabrico de sedas e dos melhores veludos, importando-nos pouco com o Génesis ou história do seu aparecimento ou criação em Bragança e em alguns pontos mais do seu Distrito, que não deve repugnar dizer-se que bem podia haver sucedido com a expulsão dos judeus das terras de Espanha, aonde um tão despótico ato se traduziu desde logo por um mal-estar ali geral, que só muito tarde veio a poder remediar”.
“O grande comércio, que ainda há menos de meio século aqui se fazia com a Espanha, era assombroso e ainda por imprevidência desta Nação que, fechando os seus portos a mercadorias que ali tinham um rápido consumo e que então, pelo estrago das suas indústrias, não podiam produzir, estas lhe entravam em cargas aos milhares pela nossa fronteira, devendo considerar-se Bragança como a primeira em depósitos daquelas mercadorias, muitíssimo superior a muitas outras do País e que passaram por mais importantes.”

...CONTINUA...

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade

Coordenação: Fernando de Sousa

Ferido grave num atropelamento em Torre de Moncorvo

Um jovem, de 18 anos, ficou, ontem, ferido com gravidade na sequência de um atropelamento na Estrada Nacional 102, em Torre de Moncorvo.
O rapaz foi colhido por uma viatura, ao quilometro 53 desta estrada. Segundo os bombeiros da vila, o alerta foi dado ao início da noite, por volta das 19h45m.

O jovem foi transportado para o hospital de Vila Real. No local, além dos bombeiros de Torre de Moncorvo, estiveram a Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Macedo de Cavaleiros e o Suporte Imediato de Vida de Foz Côa.

Escrito por Brigantia

Vinhais é a favor da descentralização mas não aceita a transferência de competências

Por causa de algumas dúvidas sobre os diplomas já aprovados e pela ausência de contrapartidas financeiras, que devem ser alocadas em conjunto com as competências atribuídas aos municípios, Vinhais não aceita transferência de competências.
Vinhais é mais uma das autarquias que também não aceita nenhum dos diplomas de transferências de competências do Governo. “Neste momento, não aceitamos nenhuma das competências de transferência que constavam do diploma já aprovadas. Não é a questão da descentralização, nós concordamos plenamente, tem mais a ver com a questão de alguns constrangimentos, algumas dúvidas, e, sobretudo, também tem a ver com a outra questão, a parte financeira, não haver uma alocação de verbas para esta transferência de competências que põe as dificuldades que entendemos que, neste momento, não permitem que o município aceite”, explicou o presidente da câmara.

Luís Fernandes diz concordar com a descentralização de competências mas ainda não é o momento oportuno para aceitar os diplomas propostos. “Claro que nós concordamos com a descentralização de competências para os municípios, até porque entendemos que podem prestar melhores serviços, depois à populações, mas ainda não é o momento para aceitar essas competências, como tem feito a maior parte dos municípios”.

A decisão foi aprovada por unanimidade em Assembleia Municipal.

Escrito por Brigantia
Foto: cm-vinhais.pt
Jornalista: Carina Alves

Cães de raças portuguesas não estão na moda e atravessam "crise"

Portugal tem 11 raças de cães autóctones, num total de 25.000 exemplares conhecidos. Este fim-de-semana acontece o PET Festival.

Os cães de raças portuguesas não estão "na moda", em parte devido a serem maioritariamente "raças funcionais", de grande porte, e exigirem espaço que muitas residências não têm, o que leva a que atravessem "alguma crise".

Para dar "mais visibilidade" às raças autóctones, o Clube Português de Canicultura (CPC) decidiu mudar a grande exposição anual de raças portuguesas de cães (que durante muitos anos se realizou em 10 de junho, na Feira Nacional da Agricultura, em Santarém) para o PET Festival, que decorre entre hoje e domingo na FIL, em Lisboa, sendo o sábado dedicado aos cães portugueses.

Portugal tem 11 raças de cães autóctones, num total de 25.000 exemplares conhecidos, segundo dados facultados à Lusa pela Direção-Geral de Veterinária, que admite desconhecer o "efetivo real" por "falta de comunicação da morte" de animais pelos proprietários.

O desconhecimento do efetivo real de cães de raças portuguesas é igualmente admitido pela presidente do CPC, associação responsável pelo registo inicial e pela inscrição no Livro de Origens, formalidades que decidiu isentar do pagamento de qualquer taxa desde 2014.

Porém, segundo Carla Molinari, isso não impede que muitos criadores continuem sem registar as ninhadas.

Reconhecendo que as características das raças portuguesas possam explicar em parte que estas estejam a "atravessar alguma crise", Carla Molinari referiu à Lusa que as que se encontram "em pior situação" são as que têm menor visibilidade internacional, como é o caso do cão Castro Laboreiro.

Segundo a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, as raças portuguesas reconhecidas são o Cão Barbado da Terceira, o Cão da Serra da Estrela, o Cão de Água Português, o Cão de Castro Laboreiro, o Cão de Fila de S. Miguel, o Cão de Gado Transmontano, o Cão de Serra de Aire, o Cão do Barrocal Algarvio, o Cão Perdigueiro Português, o Cão Podengo Português e o Cão Rafeiro Alentejano.

De acordo com os registos do CPC, raças como o Perdigueiro, o Cão de Água, o Podengo Grande de pelo cerdoso, o de Gado Transmontano têm registado alguma subida, e o Rafeiro do Alentejo e o Serra da Estrela de pelo curto alguma estabilidade.

Contudo, o Barbado da Terceira, o Serra de Aires, o Serra da Estrela de pelo comprido, o de Fila de S. Miguel, o Podengo Pequeno de pelo cerdoso e o de pelo liso, o Podengo Grande de pelo liso, o Podengo Médio de pelo liso e o de pelo cerdoso e o Castro Laboreiro encontram-se "em descida".

Carla Molinari lamentou que as raças portuguesas não sejam tão "acarinhadas" pela população como outras que estão "na moda", mas reconheceu que o facto de serem na maioria "raças funcionais, de trabalho", de grande porte, é um fator limitador.

Na estratégia de preservação das raças autóctones, o CPC tem procurado dar "visibilidade internacional", numa "aposta de futuro", já que é "impossível criar cães sem poder vender", disse.

As raças com maior expressão internacional são atualmente, além do Podengo, o Cão de Água, sobretudo nos países escandinavos, ou o Serra da Estrela, "também muito bem colocado em alguns países da Europa", a que se juntam alguns Serra de Aire ou mesmo o Barbado da Terceira, apesar de este não ser ainda reconhecido pela federação internacional.

"É muito importante este interesse", disse, salientando o facto de o livro das raças de cães portuguesas editado pelo CPC ser bilingue (em português e em inglês).

Frisando a ausência de subsídios, Carla Molinari afirmou que aqueles que querem continuar a desenvolver uma raça têm de vender "dois ou três cachorros de uma ninhada", mas considerou ser "ridículo falar de comércio" nesta área, salientando que muitos criadores acabam por dar ou trocar os animais.

Agência Lusa

Bispo de Bragança denuncia excesso de zelo nas fiscalizações e falta de apoios do Estado às IPSS

O bispo de Bragança pede mais respeito para quem pratica o bem.
Foto: Afonso de Sousa
O Bispo de Bragança-Miranda diz que o Estado não está a ter o acompanhamento devido às IPSS da diocese e que, para lá da falta de apoio e acompanhamento, nos últimos tempos tem havido um excesso de zelo nas fiscalizações às Instituições de solidariedade.

"Preocupa-nos o excesso de zelo que o Estado está a ter na fiscalização destas instituições e não um acompanhamento mais cuidado, que deveria ser feito." Dom José Cordeiro ressalva que as fiscalizações têm sido "duras e frias".

A CNIS, Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social também já tinha alertado para esta questão. O bispo de Bragança pede mais respeito para quem pratica o bem. "Apelamos a um maior respeito. Está em causa o bem comum, está em causa a coesão social, até a coesão territorial, no nosso caso, estão em causa muitos fatores que é importante olhar com todo o cuidado".

E acrescenta que o Estado deveria estar mais atento e ao lado das instituições e ter outro tipo de acompanhamento nas comparticipações porque há muitas a passar necessidades.

"Há algumas a passar necessidades. O Estado como parceiro destas instituições tem de estar ao nível das necessidades reais das pessoas e a comparticipação também deveria ser melhor acompanhada. Temos casos prementes, sobretudo de pessoas mais idosas, em aldeias, que se não fosse a presença destas instituições não sei como seria a vida destas pessoas".

O bispo de Bragança-Miranda salienta também que a segurança social das diversas localidades deveria ter poder de decisão, que não tem, porque são elas que conhecem os verdadeiros problemas das pessoas e instituições.

"Aquilo que tenho auscultado e entendido é que há um centralismo grande da Segurança Social e quem está aqui no terreno é que conhece as reais necessidades".

O bispo refere ainda que mais de 70 % da ação social do distrito é feita pela igreja com 14 Misericórdias, mais de 50 centros sociais, fundações católicas e a Cáritas. Até ao fim do ano, o prelado vai visitar todas as instituições para se inteirar, pessoalmente dos problemas de cada uma.

Dom José Cordeiro falava à margem de um pequeno-almoço anual com a comunicação social do distrito de Bragança.

Afonso de Sousa
TSF

IPB celebra "Dia do Instituto" com mais de oito mil estudantes de 70 nacionalidades

Mensageiro de Bragança - Capa da semana - 31 JAN.

Bispo de Bragança quer ver o Estado a apoiar mais as IPSS do interior do país

O Bispo de Bragança alertou hoje para a necessidade de o Estado apoiar mais as Instituições de Solidariedade Social do interior do país que estão a passar dificuldades.
D. José Cordeiro está preocupado com a falta de acompanhamento do Estado e denuncia o excesso de zelo na fiscalização.
Clica na imagem para aceder ao video

Feira do Fumeiro de Vinhais gera negócios de seis milhões de euros

Muito público e muitos milhões a circular são as expectativas para a 39ª edição da Feira do Fumeiro de Vinhais, marcada de 7 a 10 de fevereiro.
Este ano a fasquia do número de visitantes já perspectiva 80 mil, num evento que gera um volume de negócios de cerca de seis milhões de euros e que há muito deixou de ser concelhio para se tornar de dimensão regional.

Este ano na feira estarão presentes 70 produtores individuais de fumeiro, dos quais 36 são do concelho de Vinhais e três vão participar pela primeira vez e oito unidades de transformação, nomeadamente quatro de Vinhais, três de Bragança e uma de Vimioso. “A feira não beneficia só o concelho mas toda a região. Teremos cá produtores de nove concelhos que produzem fumeiro com a nossa Indicação Geográfica Protegida (IGP)”, deu conta o presidente da câmara de Vinhais, Luís Fernandes, durante a apresentação do certame, na passada segunda-feira, que teve lugar no Centro Interpretativo do Porco e do Fumeiro, um dos equipamentos construídos há poucos anos que também prova a importância desta produção para o concelho de Vinhais.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Duzentas coimas por falta de limpeza da floresta

No ano passado a GNR emitiu 200 autos de contraordenação, mais 95 do que em 2017, relacionados com questões de gestão de faixas de combustível, queimadas, queima de sobrantes e utilização irregular de maquinaria.
No âmbito da Defesa da Floresta Contra Incêndios, foram realizadas, no distrito de Bragança, em 2018, 416 ações de sensibilização e 2081 ações de fiscalização.

Este ano são 77 as freguesias do distrito definidas como primeira prioridade quanto à fiscalização de gestão de combustíveis pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, dado o elevado risco de incêndio florestal. Vinhais tem 15, sendo o concelho com maior número neste grau.

Quanto à segunda prioridade são 93 freguesias no total, havendo três concelhos com 11 freguesias nesta categoria nomeadamente Bragança, Macedo de Cavaleiros e Vinhais. A fiscalização é tutelada pelo Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios (SNDFCI) e as áreas de risco foram definidas com base no número de ignições em 2018.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Jantar de homenagem a Sobrinho Teixeira juntou quase 400 pessoas

Agradecido, emocionado e surpreendido. Era assim que estava o antigo presidente do Instituto Politécnico de Bragança e atual secretário de Estado da Ciência e Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira, no jantar de homenagem de que foi alvo na passada segunda-feira, em Bragança.
“O jantar correu muito bem. O objetivo era homenagear o professor João Sobrinho Teixeira, que presidiu ao politécnico durante 12 anos. 
Juntá-lo com os amigos do instituto e de fora”, frisou Anabela Martins, da comissão organizadora, que considerou terem sido “superadas todas as expectativas” com cerca de 400 participantes, incluindo o próprio Ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor.

AGR
in:mdb.pt

Miranda do Douro rejeita todas as competências a transferir pelo Governo

O Município de Miranda do Douro não vai aceitar nenhum dos diplomas de transferência de competências do Governo.
O presidente da câmara, Artur Nunes, confirma que a Assembleia Municipal concordou com esta decisão e esclarece que aguardarão mais algum tempo pois não se trata apenas de executar.

“A câmara municipal decidiu não aceitar nenhuma das competências e a Assembleia Municipal foi ao encontro da proposta da câmara, vamos ficar a aguardar mais algum tempo para ficarmos a aguardar mais algum tempo para podermos preparar o funcionamento da câmara municipal, compreender a questão financeira”, frisou.

Artur Nunes explica ainda que há duas questões. Uma quanto à responsabilidade funcional e outra que se prende com a questão financeira.

“Nas câmaras de menor dimensão, há uma responsabilidade funcional para que possamos absorver as competências e é preciso perceber que tem de haver uma mochila financeira tal como nos foi prometido”, destacou.

As autarquias e entidades intermunicipais que não quiserem assumir em 2019 as competências dos decretos sectoriais publicados terão de o comunicar à Direção-Geral das Autarquias Locais, a maioria no prazo de 60 dias após a respetiva data da publicação e entrada em vigor. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves