sexta-feira, 29 de março de 2019

Guia do rio para descer Douro de canoa ou caiaque

O Douro vai ter um “Guia de Rio” para mostrar a navegabilidade desde a nascente até à foz.
O projecto é da Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro para auxiliar os que querem descer o rio de canoa ou caiaque, como adiantou Artur Nunes que preside a esta associação. “Qualquer pessoa que queira fazer um trajecto fluvial, seja de caiaque ou de canoa, pode utilizar este guia, pode saber quais os percursos navegáveis, onde pode comer ou dormir, qual a dificuldade do percurso, o números de quilómetros e os dias que leva”, destacou.

O projecto fará a geo-referenciação ao longo dos mais de 890 quilómetros do rio entre a nascente nos Picos de Urbión em Espanha e a foz na cidade do Porto. O percurso divide-se em 26 etapas e tem indicações também para quem quiser seguir o Douro a pé ou de bicicleta.

Segundo o também presidente da Câmara de Miranda do Douro este era um instrumento necessário para valorizar o potencial do rio. “Os grandes rios mundiais já tinham um guia destes, nós vamos ser o primeiro a ter um guia de rio. Penso que vai dar uma grande visibilidade ao Douro”, salientou.

O Guia de Rio integra o projecto o "Flumen Durius", que tem uma dotação financeira de 1,4 milhões de euros, financiados em 75% por fundos da União Europeia através do programa INTERREG Portugal – Espanha.

A presidência da Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro passou a semana passada a ser assumida por Miranda do Douro. Artur Nunes estabelece como prioridade o fortalecimento das relações transfronteiriças. “Dar continuidade ao projecto anterior relativamente à proposta estratégica de cooperação transfronteiriça defendendo o Douro como eixo mais antigo de desenvolvimento e cooperação na Península Ibérica”, destacou.

Miranda do Douro sucede à cidade espanhola de Aranda del Duero na liderança da Associação Ibérica de Municípios Ribeirinhos do Douro para os próximos dois anos, uma entidade que reúne 56 municípios portugueses e espanhóis atravessados pelo rio. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Olga Telo Cordeiro

Incêndio consome edifícios em quinta às portas de Bragança

Um incêndio que deflagrou esta manhã consumiu a cozinha de uma habitação e anexos de uma quinta às portas de Bragança, Quinta de Joana Dias.
O incêndio iniciou-se numa cozinha e a palha no interior dos anexos preocupou os bombeiros, como salientou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Bragança, José Fernandes: “tivemos um alerta para um incêndio numa habitação e quando chegamos ao local, demos conta que a cozinha estava tomada pelas chamas e que já se tinha propagado para dois palheiros contíguos. De imediato o combate passou à não propagação de uma outra habitação, que conseguimos. A partir daquele momento, tivemos um trabalho muito minucioso que consistiu em retirar toda a palha e o feno dos palheiros e apagar o fogo no exterior”.

Na habitação viviam os caseiros da quinta, no entanto não será necessário realojá-los:

“Há prejuízos de materiais avultados, mas sem desalojados. Na parte da habitação, só ficou destruída a cozinha, tendo conseguido que não se propagasse para os quartos e para outra habitação contígua. Nem animais, nem pessoas estiveram em perigo”, acrescentou José Fernandes.

O alerta para esta ocorrência foi dado às 11 horas e chegou a ser combatido por 24 operacionais apoiados por sete viaturas.

Escrito por Brigantia

quinta-feira, 28 de março de 2019

MENINO PERDIDO

Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas..."


Fantasma dos sonhos
De asas cortadas
Pássaro ferido
Prisioneiro da vida
Pardal a saltar 
Sem eira nem beira 
Sem rumo nem ninho,
Sem onde aninhar!
De sorriso apagado
flagelo do mundo 
Cabelo eriçado
Coração destroçado
Num canto imundo! 
Na roupa rasgada
No caos sufocada 
Na bala perdida 
Miséria trilhada
Menino a chorar!
Nas vozes submersas 
Em choros e ais 
Sorrisos cortados,
Com gritos e berros,
que no dia-a-dia se tornam banais.
Ninguém para te ouvir 
Ninguém para ajudar
Esquecido por Deus 
Vagueias na esperança
De alguém que te engana
Com vida de cão
Num mundo sacana!
Metendo-te à frente,
Num prato vazio 
Migalhas à toa 
Sem água nem pão!
Menino perdido…
Mereces da vida
Uma outra morada
Uma outra guarida
Uma grande atenção!
Que o teu sofrimento 
Se esfume no vento 
Renasça na vida 
Criança sorrindo
De amor infinito,
enorme e profundo
Para ser feliz em todo o planeta
Em qualquer canto do mundo.

Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.


Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA

Projeções Cinematográficas | Abril 2019 - BRAGANÇA

O touro azul, o capador ou o moleiro fino. Quando as lendas se transformam em livro

As estórias de Bragança e Vinhais vão tornar-se um livro, depois de serem lidas nas escolas.
Foto: Pixabay/ninocare

Um projeto saído do Orçamento Participativo Nacional de 2016 está a fazer com que se procurem os contos e as lendas dos concelhos de Bragança e Vinhais, que no passado eram contados nos serões de inverno e nos intervalos dos trabalhos agrícolas.

Este trabalho está quase em vias de passar para livro com estórias de todas as freguesias destes dois concelhos. Antes disso, os contos serão lidos nas escolas do primeiro ciclo e os pequenos alunos farão desenhos alusivos ao tema. Os melhores ilustrarão a publicação.

Um dos contadores escutados no concelho de Vinhais foi o GNR reformado, Luís Gonçalves de setenta anos. É o mais novo de todos, e são muito poucos, os habitantes da pequena aldeia de Romariz. Sentamo-nos no fundo das escadas da casa para ouvir os contos de antigamente...o primeiro começa ali ao fundo, junto ao rio onde havia uma ponte velha.

"Dizem que veio uma grande tempestade e levou a ponte. Uns dias antes, um capador tinha ido trabalhar para o outro lado do rio nas aldeias de lomba. Na noite da tempestade voltou, em cima do cavalo para casa, como se nada fosse. No dia seguinte, quando o viram, perguntaram-lhe: Então por onde passaste? Ele respondeu: pela ponte, por onde havia de ter sido? Toda a gente ficou perplexa porque a ponte tinha desaparecido. Ele, confuso foi lá ver e reparou que a ponte só tinha uma trave de ponta a ponta e as marcas das ferraduras do cavalo. Dizem que ficou sem fala, meteu-se na cama e nunca mais de lá saiu."

"Lembro-me que quando era pequeno, falavam em nomes, mas também já me esqueci", salienta Luís Gonçalves.

Os nomes tornavam o conto mais verdadeiro e até se pode ter dado o caso de ter acontecido. Os contos e as lendas vão sempre para lá do normal, perto do sobrenatural e ao lado dos inúmeros encantamentos. Depois adaptam-se aos locais...quase todos têm uma moura encantada...como aquela da nascente que tinha um fio de ouro que foi partido enquanto era puxado e se desfez o encantamento da moura, e outros.

Luís Gonçalves encantava-se na infância com os serões longos do inverno quando lá em casa, os mais velhos contavam estas e outras histórias... foi com eles que aprendeu. "O meu pai era um contador dos verdadeiros. Ele e outros contavam muitas. Para os pequenos e para os grandes, as vermelhas", diz.

As vermelhas eram só para os mais crescidos.... Para os mais pequenos, o avô Luís, sempre que pode põe os netos à escuta. " E eles gostam de ouvir".

Como a do cavalo branco que avisou as populações da chegada das invasões francesas ou a do rapaz que, para salvar as três irmãs dum encantamento mau, transformou-se em leão para lutar com um ouriço-cacheiro e tirar de dentro dele uma pomba que tinha um ovo que quebrava o feitiço....

Luís Gonçalves sabe muitas e foi um dos contadores do concelho de Vinhais, que Roberto Afonso da Academia da Máscara Ibérica ouviu.

"Quase todas as lendas no nosso concelho e em Bragança será a mesma coisa, têm a ver com as mouras, com as grutas das mouras encantadas, com histórias de santos e que se repetem de terra para terra. Histórias de batalhas e guerras com algumas variantes e até nas próprias aldeias há mais do que uma versão da mesma lenda".

É o que parece acontecer na aldeia do Parâmio, no concelho de Bragança. O sr. Hermínio Fernandes de 82 anos está pronto a contar-nos os mandamentos do moleiro.

"Anda cá meu saco, três maquias te rapo. Uma por te levar, outra por te trazer e outra para o meu burrinho comer. Vem a minha Maria tira a sua maquia, vem a minha mulher tira o que ela quer. Vem o meu criado, este saco ainda não foi maquiado e eu, se não fosse por me envergonhar, até o baraço te havia de maquiar"

Toda a vida trabalhou na agricultura. A aprendizagem dos contos e lendas é sempre muito semelhante...nas noites, à lareira, os mais velhos, diziam e ensinavam todo o tipo de lenga-lengas. "Não havia televisão e os serões passavam-se assim."

É na cozinha de Hermínio Fernandes e na companhia da esposa que nos conta a conta do pastor que foi à festa à aldeia vizinha de Soeira e que pelo caminho lhe aconteceram um sem número de peripécias.

Hermínio tenta, sempre que pode, passar oralmente as estórias aos seus netos. São um público atento. O avô mistura a realidade com a ficção como aquela do bacalhau que uma vez contou à neta mais velha em que o próprio era a personagem principal. "Ela não acreditou que a raposa falasse (risos) mas expliquei-lhe que nestas histórias pode acontecer tudo. Era o tempo em que os animais falavam".

Da aldeia do Parâmio saltamos até à cozinha da Dona Maria de Fátima Nogueiro, na aldeia de Nogueira, ao lado de Bragança. Tem 82 anos. Viveu com a mãe solteira até aos 28. Foi com ela que aprendeu as estórias, e nas dela os animais sempre falaram.

"Principalmente a de um animal muito particular, a do touro azul que aparecia no lameiro a uma menina órfã de mãe e à qual a madrasta não lhe dava merenda para levar os animais para o pasto. Todos os dias o touro azul aparecia e dizia-lhe para tirar um guardanapo de trás da orelha. E logo aprecia uma merenda farta. Assim foi durante muitos dias até a madrasta desconfiar. Nos dias seguintes foi ela com os animais mas não apareceu o touro azul... e já não me lembra do fim", diz desconsolada.

A dona Maria de Fátima já não se lembra do remate mas a história tem um final feliz.

António Tiza é o presidente da Academia Ibérica da Máscara e foi ele que recolheu esta e outras histórias em todas as freguesias de Bragança. "É um projeto interessante porque para lá de se fazer uma recolha das que ainda os mais velhos se lembram, é uma boa maneira de atualizar um repertório que se vai perdendo."

O projeto saiu duma proposta do Orçamento participativo Nacional, que teve como proponente Alex Rodrigues, presidente da Junta de Pinela.

"Para não perdermos a nossa essência. Fiquei muito sensibilizado pela importância que foi dada ao projeto. Pelas instituições, pelos professores e principalmente pelas crianças que vão poder recordar histórias de lugares que conhecem e, mais tarde, quem sabe, contá-las a outros."

O Projeto tem a colaboração do escritor Alexandre Perafita e a validação científica fica a cargo da UTAD, Universidade de Trás os Montes e alto Douro.

Afonso de Sousa
TSF

Bragança tem mais 32 dias de calor em relação ao resto do país

Em quatro décadas, o clima de Portugal mudou e a previsão é que as temperaturas máximas continuem a aumentar.
Ao fim de 40 anos, o verão esticou mais de um mês e Bragança é a segunda cidade onde o fenómeno mais se nota, com mais 32 dias de calor do que antes.

Meio milhar de espectadores no Festival de Teatro em Alfândega da Fé

Terminou a X Edição do Festival de Teatro de Alfândega da Fé com um saldo considerado muito positivo.Cerca de 500 espetadores assistiram às diferentes peças que este ano foram apresentadas no festival que teve início no passado dia 10 com a peça “Amor de Dom Perlimplim com Belisa em seu Jardim”, de Frederico Garcia Lorca, encenada pelo Grupo de Teatro Filandorra.

A segunda peça representada foi da responsabilidade do grupo Peripécia, intitulada “La Tortilla de Mi Madre”, uma tragicomédia sobre a solidão, a negação da perda, a criação e o passar do tempo. 

O último dia foi reservado para o grupo de teatro da casa, o TAFÉ que, perante uma lotação esgotada, apresentou a peça “Leandro, Rei da Helíria”, de Alice Vieira, "onde o amor, mais uma vez o amor, de uma filha que quer tanto ao seu pai como a comida quer ao sal!". 

O grupo de teatro amador vai levar a palco esta peça a outros concelhos do distrito, fruto do trabalho que está a ser desenvolvido nesta escola municipal de teatro, que conta com atores dos 8 aos 80 anos. 

Segundo nota de imprensa do município, esta iniciativa veio "reforçar a importância do investimento na área da cultura e mostrar que a persistência dá muitos e bons frutos. Alfândega da Fé é, hoje, um exemplo no distrito pela quantidade e qualidade de programas culturais que organiza. A autarquia quer fazer mais e fazer diferente, este é o mote da sua estratégia cultural", salientam.

Em Alfândega da Fé, ao domingo no final da tarde, foram muitos os aplausos, os sorrisos e suspiros, que marcaram mais uma edição do Festival de Teatro.

in:noticiasdonordeste.pt

Praia da Fraga da Pegada vai ter várias alternativas para a prática de desporto (Azibo)

Já começaram os trabalhos para a construção de equipamentos desportivos na Praia da Fraga da Pegada, no Azibo (Macedo de Cavaleiros).
Um investimento de cerca de 40 mil euros, totalmente suportados pela autarquia de Macedo, que vai possibilitar a prática de várias modalidades a quem frequentar aquele espaço, como explica Rui Vilarinho, vereador do município:

“Neste momento está a acontecer um movimento de terras para que, num futuro bem próximo, sejam construídos equipamentos desportivos, para que todos os macedenses e não só possam desfrutar daquele espaço que é tão aprazível.

Vamos fazer um campo de futebol de praia, um de ténis, outro de basquetebol, e vamos ainda ter um circuito de manutenção com algumas máquinas de elíptica e musculação.
As estruturas vão estar situadas num local próximo às duas praias para que possamos associar o lazer ao desporto. Há muitos anos que estas estruturas fazem falta.”
Obras que deverão estar concluídas até ao mês de junho do presente ano.

No entanto, este projeto está também associado à criação do já anunciado Centro de Canoagem, cujo projeto está concluído e aprovado:

“Tem que haver aqui uma ligação estreita entre as estruturas. O edifício da canoagem vai dar resposta a algumas necessidades que eventualmente poderão aparecer aquando da utilização destes campos.

Está tudo bem definido, é uma estratégia conjunta, e é nesse sentido que vamos executar estas obras, de forma a que os nossos munícipes tenham mais espaço para praticar as modalidades, porque desporto é saúde.
O projeto para o Centro de Canoagem está feito e autorizado pela Associação Portuguesa da Ambiente, e agora estamos à espera de que haja um aviso em que possamos candidatá-lo. “
De recordar que a prática de desportos náuticos federados no Azibo é um dos objetivos desta autarquia, que estabeleceu já uma parceria com o Clube Náutico de Ponte de Lima, um dos mais conceituados do país, com vista a promover ensino especializado aos atletas e técnicos.

Escrito por ONDA LIVRE

O ‘G’ foi eleito o melhor restaurante de Trás-os-Montes

O ‘G’, restaurante dos irmãos Tó e Óscar Geadas, em Bragança, ganhou o prémio melhor restaurante de Trás-os-Montes Flavours & Senses, edição 2019.
Mais uma distinção para este espaço de gastronomia inovadora, que já é detentor de uma Estrela Michelin, a primeira da região, bem de como diversos galardões que reconhecem a sua qualidade. “É um prémio importante que resulta da votação de um júri constituído por várias pessoas, bem como um reconhecimento do nosso trabalho, o que é sempre muito bom”, referiu Tó Geadas ao Mensageiro.
Entre os cinco nomeados estavam ainda o Solar Bragançano (Bragança), o Maria Rita e o Grês, ambos de Mirandela, e o Cais da Vila, localizado em Vila Real.
Os prémios Flavours & Senses, entregues na passada segunda-feira, durante uma cerimómia que teve lugar no Palácio da Pousada do Freixo, no Porto, podem ser considerados os Óscares da gastronomia. No ano passado o Solar Bragançano trouxe para Bragança o prémio de melhor de Trás-os-Montes.

Glória Lopes
in:mdb.pt

Bragança quer elevar a monumento natural o "Tojal dos Pereiros"

A Câmara de Bragança vai iniciar o processo de classificação como Monumento Natural Local do conjunto de rochas do Tojal dos Pereiros considerado “dos mais importantes testemunhos” da evolução da Terra, adiantou hoje o presidente, Hernâni Dias.

“Este geossítio é aquele doce que qualquer geólogo gosta de comer” é a ilustração que o autarca fez à Lusa da importância das rochas existentes em três sítios da colina do cabeço de Tojal dos Pereiros, junto à zona industrial da cidade de Bragança.

O município irá dar início à abertura do procedimento para classificação deste sítio com rochas que testemunham a transformação geológica mais antiga de Portugal, que terá ocorrido há mais de mil milhões de anos, como é descrito na sustentação do processo.

O estatuto de Monumento Natural Local visa, segundo a autarquia, uma proteção adequada à preservação e valorização, e implicará a elaboração de um regulamento de gestão e a proposta ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) para integração na Rede Nacional de Áreas Protegidas.

O processo começará com a publicação em Diário da República do aviso de abertura do período de discussão pública de 20 dias, seguir-se-á a análise dos possíveis contributos, a redação da proposta final para aprovação pela Assembleia Municipal e publicação da classificação em Diário da República.

O presidente da Câmara não consegue estimar quanto tempo será necessário para todos estes passos.

Hernâni Dias sublinhou à Lusa que os núcleos do geossítio estão disponíveis para visitação e que ao longo dos anos têm despertado o interesse da comunidade científica, e tem havido muita gente a visitar o local.

O Tojal dos Pereiros é descrito como “um dos mais importantes testemunhos dos processos geológicos complexos da evolução do planeta (Terra), em que a colisão de dois continentes, ocorrida há aproximadamente 400-380 milhões de anos, levou ao desaparecimento de um oceano e ao transporte por mais de 200 quilómetros de materiais rochosos de diversas procedências, desde sedimentos dos fundos oceânicos, de crusta oceânica e do manto superior-crusta continental inferior”.

O reconhecimento da importância destas rochas como um dos valores naturais do concelho foi reiterado aquando da elaboração do Plano Diretor Municipal em vigor, integrando-o na categoria de “locais com interesse geológico”.

Para além da sua referência na bibliografia especializada, o Cabeço de Tojal dos Pereiros consta, por iniciativa do geólogo Carlos Meireles, do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), do inventário de sítios com interesse geológico do Geoportal deste organismo.

O município descreve ainda que “em breve constará, juntamente com mais três locais da região de Bragança, do Inventário Nacional de Geossítios, na categoria de Terrenos Exóticos do Nordeste de Portugal, na sequência das propostas elaboradas pelos especialistas Elisa Preto Gomes da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Carlos Meireles do LNEG.

Recentemente, na fase de elaboração do Projeto para Ampliação da Zona Industrial das Cantarias, a autarquia de Bragança reservou duas áreas, às quais se viria a juntar uma terceira já em fase de obra, destinadas à criação de núcleos de fruição patrimonial destas rochas do Maciço de Bragança.

As rochas distribuem-se por uma área de quase cinco mil metros quadrados e “tornam-se na melhor oportunidade para estudar quer a evolução geotectónica do planeta, quer a composição da crusta continental/manto superior ao longo da sua história, permitindo uma “Viagem” ao interior da Terra”, segundo a fundamentação para a classificação.

O estatuto a atribuir é municipal, mas o presidente da Câmara não põe de parte a possibilidade de, no futuro, avançar para um processo de classificação de âmbito nacional.

Foto; António Pereira
in:diariodetrasosmontes.com

Direcção Regional de Cultura restaura ermitério do século XVI no concelho de Miranda do Douro

O ermitério “Os Santos”, localizado entre Sendim e Picote, no concelho de Miranda do Douro está a ser restaurado.
A intervenção está acontecer pelas mãos do especialista em conservação e restauro, Joaquim Caetano que explica que o objectivo é fazer a limpeza de massas, no mural datado do séc. XVI, para evitar mais degradação.

“Para além de procurar evitar a progressão dos danos, se o reboco está a descolar-se fixá-lo, anular as grandes interferências, o trabalho consiste em pôr massas novamente e recuperar do ponto de vista cromático e formal o que é possível. Se há uma pequena lacuna e conseguirmos constituir a forma que teria, fazemo-lo, no entanto, não repintamos não inventamos, por questões de autenticidade da peça”, sublinhou.

O espaço está classificado como Imóvel de Interesse Público, desde 2006 e localiza-se numa rural isolada. O especialista responsável pelos trabalhos destaca que é um mural único e daí a importância de o recuperar.

Os trabalhos duraram cerca de duas semanas e estão na recta final, numa intervenção de cerca de 13 mil euros, a cargo da Direcção Regional de Cultura do Norte, executada em parceria pelo Centro de Conservação e Restauro de Arte Sacra da Diocese de Bragança-Miranda. É fruto de uma candidatura apresentada pela DRCN em conjunto com a Junta de Castela e Leão ao programa INTERREG V-A – Programa Operacional de Cooperação Transfronteiriça Espanha – Portugal. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Maria João Canadas

Autarquia de Vinhais recupera edifício para centro de acolhimento e inserção social

Vinhais vai ter um centro de acolhimento cujo objectivo é receber pessoas que se encontrem temporariamente sem casa ou que estejam desprovidas de apoio familiar.
No concelho não há qualquer um sem-abrigo, segundo o presidente da câmara de Vinhais. Mesmo assim, Luís Fernandes alega que é uma resposta necessária que servirá qualquer pessoa que possa precisar da ajuda. “Pode servir para várias situações. Quando se fala de sem abrigo, refere-se a pessoas que por um temporal, por um incêndio ou qualquer outra situação fique sem casa e momentaneamente tenha de ter um espaço, como em situações de violência doméstica, por exemplo, sendo um espaço de acolhimento temporário”, destacou.

O espaço vai nascer através da recuperação de uma casa no centro histórico da vila e, devido às dimensões, irá ter a capacidade de receber mais que uma família caso seja necessário.

O projecto, que é da autarquia de Vinhais, resulta de uma candidatura apresentada ao programa Bem - Beneficiação de Equipamentos, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. Irá custar cerca de 270 mil euros e vai ser financiado a 50%. As obras irão começar após a fase concursal pela qual o projecto está agora a passar. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Ingresso de alunos do ensino profissional no superior sem exames pretende aumentar qualificação

O governo está a preparar uma medida que vai permitir aos alunos do ensino profissional o acesso ao ensino superior através de concursos locais promovidos pelas instituições de ensino, sem necessidade de realizar exames nacionais.
O secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Sobrinho Teixeira, adianta que o número de vagas ainda não está definido, mas será limitado.

“Haverá aqui uma fase de candidatura dos alunos a um determinado número de vagas, que ainda não está definida qual a percentagem inicial. Haverá um processo de discussão dentro do governo e com as instituições, mas funcionará numa base voluntária para que no ano posterior seja generalizada”, adiantou.

Esta é uma medida considerada piloto e que deverá ser definida em Abril e tem o objectivo de “promover de uma forma expressiva e pro-activa a qualificação dos alunos que vêm do profissional”.

O objectivo é que a medida entre em vigor já no próximo ano lectivo.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Maria João Canadas

Alfândega da Fé vai receber reunião internacional do projeto LIFE

O Município de Alfândega da Fé é o anfitrião do encontro internacional do projeto Life Adaptate que decorre nos dias 4 e 5 de abril. Uma iniciativa de âmbito internacional que tem como objectivo a definição e adoção de estratégias locais para a mitigação dos efeitos das alterações climáticas. O projeto visa também reforçar o compromisso dos municípios europeus com o Pacto dos Autarcas para a Energia e Clima.
No encontro vão estar presentes mais cinco municípios europeus: Águilas, Cartagena, Lorca (Espanha), Smiltene (Letónia) e Mértola (Portugal), numa lógica de partilha de experiências, boas práticas e resultados da implantação do projeto a nível local.

Em Alfândega da Fé, as actividades deste projeto incluem a criação de um lago natural, na União de Freguesias de Gebelim e Soeima, que irá ajudar à diminuição da temperatura ambiente, assim como promover a irrigação das áreas agrícolas, e, em caso de incêndio florestal, auxiliar no combate às chamas.

Está também prevista a criação de zonas de sombreamento no parque de estacionamento das viaturas do município, com recurso a uma estrutura que comportará um campo de painéis fotovoltaicos para produção de energia. O objectivo é que os edifícios municipais sejam energeticamente suficientes e sustentáveis.

Responder aos desafios das alterações climáticas é uma preocupação da autarquia de Alfândega da Fé que já possui um Plano Estratégico de Adaptação às Alterações Climáticas. Em curso estão várias ações de sensibilização junto de públicos-alvo específicos.

Iniciado em finais de 2017, o projeto Life Adaptate já permitiu testar alguns modelos de atuação e, através destes, perceber os efeitos na mitigação e adaptação às alterações climáticas que se fazem sentir cada vez mais.

in:noticiasdonordeste.pt

quarta-feira, 27 de março de 2019

No Município de Bragança juntaram-se cerca de 130 pessoas, para assistir a uma peça de teatro.

Inauguração da exposição “Casa de Férias” de Fernanda Fragateiro

Incêndio combatido por mais de 100 bombeiros e por um meio aéreo (Notícia em atualização)

Um incêndio de grande dimensão lavra esta tarde na zona de Castrelos e Carrazedo no concelho de Bragança. O fogo está ser combatido por 83 operacionais apoiados por 29 viaturas e por meio aéreo.

O alerta para o incêndio foi dado pelas 12h39 e segundo apuramos o fogo ainda não está dominado. 
O comandante Operacional Distrital, João Afonso, disse ao Mensageiro que "não há aldeias em risco e que o fogo lavra numa zona de mato, carvalhos e pinheiros".
Recorde-se que a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil determinou a passagem do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais ao Estado de Alerta Especial Amarelo em todos os distritos do país face às previsões meteorológicas para os próximos dias, que apontam para um significativo agravamento do risco de incêndio florestal no território do Continente. 
A Situação de Alerta abrange todos os distritos entre as 00h00 do dia 27 de março e as 23h59 do dia 31 de março.

Glória Lopes
in:mdb.pt

PERGUNTA DE RUA - CONSELHOS AO NOVO COMANDANTE DISTRITAL DA PSP

Trás-os-Montes e Alto Douro: espelho de um país cada vez mais moderno e também vazio de gente

Viver hoje em Trás-os-Montes e Alto Douro já não tem nada de desterro. A região modernizou-se e deixou de poder queixar-se da falta de acessibilidades. Hoje, o grande problema é mesmo o despovoamento e o envelhecimento da população, embora haja cada vez mais investidores a olhar para Trás-os-Montes como uma terra de oportunidades.
Adriano Miranda

Fim de tarde, o sol a começa a aproximar-se das costas do horizonte, mas ainda há luz suficiente para fazer rebrilhar os fraguedos da serra da Padrela e aquecer a solidão da aldeia de Cubas, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, Vila Real. Há duas ou três casas recuperadas, outras tantas abandonadas, olivais e hortas bem granjeadas, soutos desfolhados. Quando acaba a terra arável, já na lomba soalheira da Padrela, começa um outro mosaico, uma sucessão de sobreiros, pinheiros, pedra, carvalhos, pedra, carvalhos cada vez mais pequenos, pedra, pedra e, por fim, torres eólicas a fazer de capelas no cimo da serra.

Cubas fica a meia encosta da Padrela, com vistas desafogadas sobre o imenso vale de Vila Pouca. A sede de concelho dista 17 quilómetros. “Os meus filhos estão sempre a dizer que isto é o fim do mundo, mas para mim é um paraíso”, filosofa Francisco Costa, 77 anos e um dos dois únicos habitantes da aldeia. O outro é a mulher, Maria Alves, que conheceu quando, com 17 anos, chegou a Cubas para “servir um patrão”. Na altura, recorda, “viviam cá mais de 40 pessoas”.

A dada altura, já com uma “carrada” de filhos, Francisco fez o que sempre fizeram os diferenciados do interior rural, aqueles que não se contentam em repetir a mesma vida de pobreza dos antepassados: emigrou. Ao fim de 15 anos em França, já com algum dinheiro e uma pequena reforma, regressou a Cubas para retomar o seu destino. “Agora, só saio daqui para Valoura [aldeia vizinha e onde fica o cemitério da freguesia]”, diz Francisco.

Foi em Cubas que o brasileiro Neni Glock filmou, para a RTP, parte do belíssimo documentário Transmontanos, um retrato do quotidiano de duas aldeias (a outra foi Cerdedo, no concelho de Boticas, já nos píncaros do Barroso) que é também o retrato de Trás-os-Montes. Uma região de paisagens belíssimas, fértil em ar puro, água e terra arável, servidas por túneis e autoestradas de última geração, porta de entrada na Europa, mas cada vez mais vazia de gente.

Em Trás-os-Montes, o Inverno demográfico é tão pesado como o Inverno climático. O fenómeno torna-se real quando a taxa de natalidade não repõe de forma consistente o nível de mortos. Um país, para repor a sua população e crescer, deve manter uma taxa de fertilidade de 2,1 filhos por mulher. Em Trás-os-Montes, é menos de metade desse valor. Menos gente significa menos potencial de riqueza. Em regra, cerca de 80 por cento da riqueza gerada na economia advém do capital humano.

No final de 2017, residiam em Trás-os-Montes e Alto Douro 387.755 pessoas. Para este cálculo, considerou-se a soma das populações das três comunidades intermunicipais em que se divide hoje a região: Alto Tâmega, Terras de Trás-os-Montes e Douro. Juntas, Juntos, estes ocupam uma área total de 11.667 quilómetros quadrados, o que dá bem a ideia da baixíssima densidade populacional da região.

Os 387.755 residentes dividiam-se assim: 87.157 no Alto Tâmega, 192.046 no Douro e 108.547 nas Terras de Trás-os-Montes. Em relação a 2011, o Douro perdeu 13.856 pessoas, o Alto Tâmega cerca de 9500 pessoas e as Terras de Trás-os-Montes quase 7 mil. Pior: todos os concelhos perderam habitantes. Até mesmo Vila Real e Bragança, que durante muito tempo foram servindo de cidades-tampão e captando população dos concelhos vizinhos, encolheram. Vila Real baixou de 51.850 para tinha 49.951 residentes, menos 0,24% do que em 2011, e Bragança regrediu 0,29%, passando de 35.341 habitantes para 33.668. “Precisamos de um plano nacional de longo prazo que fomente o investimento público mas também a captação de investimento privado, com mais apoios à fixação da mão-de-obra qualificada e às explorações agrícolas familiares, que olhe de outra forma para a floresta e a agricultura e estimule a emergência de projectos na zona de fronteira, de modo a travarmos esta hemorragia demográfica”, defende Jorge Nunes, ex-presidente da Câmara Municipal de Bragança e actual quadro da Comissão de Coordenação da Região Norte. O problema demográfico é transversal ao país, mas “é muito mais preocupante para o interior, porque leva ao despovoamento do território e o despovoamento leva à fragilização dos serviços e da actividade económica, à desertificação e à desqualificação do território. E nenhuma região, por si só, consegue reverter o declínio demográfico”, sustenta Jorge Nunes.

A região não só está a esvaziar-se como também está a envelhecer acima da média nacional e até da região Norte, onde há 158,3 pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 crianças ou jovens com menos de 15 anos. Só Vila Real tem um índice de envelhecimento ligeiramente inferior: 156,9. Todos os outros municípios estão bem acima. Em Vinhais, por exemplo, a situação assume já proporções dramáticas: Por cada 100 jovens, há 580 idosos.

A situação tende a agravar-se, porque os nascimentos continuam em regressão. A taxa bruta de natalidade (nados-vivos por cada 1000 habitantes) no país era de 8,4, em 2017. No Alto Tâmega era de 5,7 nados-vivos, no Douro de 6,1 e nas terras de Trás-os-Montes de 6,3.


O fecho massivo de escolas primárias também ajudou ao esvaziamento e envelhecimento da região. As razões pedagógicas, associadas ao baixo números de alunos, podem ser atendíveis, mas, como sublinhou um dia ao PÚBLICO Rui d’Espiney, sociólogo e com uma larga experiência no desenvolvimento de projectos de combate ao isolamento das escolas em zonas rurais, o efeito foi devastador. “Tirar as crianças das zonas rurais acelerou a sua desertificação. A partir do momento em que as crianças saíram, os pais também saíram. As comunidades ficaram mais pequenas, isoladas e perdidas”, afirmou.  Mesmo com a construção de modernos centros escolares, o número de alunos não tem parado de diminuir. Só os nove municípios da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes perderam mais de metade dos alunos, desde o infantário ao secundário, em 17 anos, passando de mais de 23 mil em 2001 para cerca de onze mil em 2017.

Jovens precisam-se
Há mais números pouco simpáticos para a região. Por exemplo, o PIB per capita de Trás-os-Montes também é dos mais baixos do país. Cada residente contribui apenas com 12.680 euros no Alto Tâmega, 13.458 euros no Douro e 13.615 em Terras de Trás-os-Montes. Porém, olhando para lá das estatísticas, é inegável que a qualidade de vida é hoje muito melhor em Trás-os-Montes. Mesmo as muitas Cubas e Cerdedos que existem na região já dispõem das infraestruturas básicas para uma vivência digna. A imagem de uma região isolada e miserável já não pode ser atribuída a Trás-os-Montes. A região modernizou-se e ficou mais próxima do resto do país e da Europa.

Durante décadas, julgou-se que a resolução dos problemas de Trás-os-Montes passava por desencravar o território, por acabar com o seu isolamento em relação ao resto do país. No II Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro, realizado em 1941, já era essa a grande reivindicação. Foi nesse congresso que Miguel Torga apresentou, em jeito de fábula, o famoso texto Reino Maravilhoso, que viria a fixar referentes identitários sobre a região e os transmontanos, com os famosos “para lá do Marão mandam os que lá estão" e o “entre quem é”.

Era o tempo em que se demorava sete horas de Bragança a Lisboa e em que era necessário perder um dia para ir de comboio de Miranda ao Porto. A região era mesmo isolada. As estradas eram más e, para agravar, os comboios começaram a fechar. Primeiro foi a Linha do Sabor, depois a do Tâmega, a seguir a do Corgo. Antes, já tinha fechado o troço da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca de Alva. Também foram fechando as minas (Borralha, Jales, Moncorvo) e desfeito o sonho agrícola criado em torno do complexo do Cachão.

Com a chegada dos fundos comunitários, foi feito um investimento gigantesco em infra-estruturas básicas. As estradas demoraram a chegar mas chegaram. Primeiro foi o IP4. Depois o IP4 passou a auto-estrada, deixando Bragança a duas horas do Porto e Vila Real a uma. Fizeram-se também a A24, que liga Chaves-Vila-Real-Régua-Lamego a Viseu; a A7, que a partir de Vila Pouca e passando por Ribeira de Pena, liga a A24 a Guimarães; o IP2, que liga a A4, a partir de Macedo de Cavaleiros, à A25, em Celorico da Beira; o IC5, que passa por Alijó, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Alfândega da Fé, Mogadouro e termina em Miranda do Douro; e, finalmente, foi derrubada a grande barreira física e psicológica de Trás-os-Montes, com a construção do túnel do Marão, que colocou Vila Real a cerca de 45 minutos do Porto.

Ao mesmo tempo, o Douro tornou-se navegável e abriu caminho a um verdadeiro boom de turistas fluviais. E tanto Vila Real como Bragança passaram a dispor de ligações aéreas para Lisboa.

Vila Real, Bragança e Chaves foram também contempladas com grandes investimentos do programa Polis, que tornou as cidades mais bonitas, limpas e habitáveis. E todas as sedes de concelho foram requalificadas e equipadas com bibliotecas, piscinas, pavilhões gimnodesportivos, museus e auditórios. Construíram-se hospitais (só em Vila Real há três: um público e dois privados), teatros, conservatórios de música e centros de congressos e exposições nas principais cidades — e até em algumas vilas.

Vila Real e Bragança tornaram-se também dois importantes pólos de ensino superior. A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) tem perto de sete mil alunos e o Instituto Politécnico de Bragança possui ainda mais: 8300 alunos inscritos (com os que estão em mobilidade, o número total de alunos sobe para 9 mil), um terço dos quais são estrangeiros. “Em termos percentuais, somos a instituição de ensino superior do país com mais alunos internacionais, assegura Luís, vice-presidente do IPB. Há também ensino superior em Chaves (uma escola de enfermagem da Cruz Vermelha e alguns cursos profissionais ministrados pelo Instituto Politécnico de Bragança), em Mirandela (um pólo do IPB) e em Lamego (pólo do Instituto Politécnico de Viseu. A dada altura, chegou haver também ensino superior em Miranda do Douro e em Macedo de Cavaleiros, mas estes pólos acabaram por fechar, por falta de alunos.


Atrair estudantes estrangeiros é, de resto, uma das grandes apostas da academia transmontana. O IPB está a fazê-lo com muito sucesso. “Há mais de uma década que temos vindo a apostar na internacionalização”, até porque “nos custos de estudar e de viver nesta região somos muito competitivos”, sublinha Luís Pais. A UTAD tem estado pior (entre chineses, sul-africanos e africanos de países de língua portuguesa, tem apenas cerca de 600 alunos estrangeiros).  “Precisamos de captar a nova geração de emigrantes”, defende o reitor da UTAD, Fontainhas Fernandes, que tem feito “road-shows” por França. Na sua opinião, o grande desafio passar por atrair mais gente de fora e também por criar condições para “fixar quadros na região”.

Sem gente, sobretudo quadros mais qualificados, fica mais difícil atrair novos investidores, como sublinha Paulo Fernandes, responsável máximo da Faurécia Bragança, a maior fábrica de Trás-os-Montes. A unidade da multinacional francesa constrói sistemas de escapes automóveis para as principais marcas automóveis da Europa, emprega 850 pessoas e no último ano facturou perto de 500 milhões de euros. Apenas menos 56 milhões de euros do que facturou toda a região duriense na venda de vinho do Porto e DOC Douro em 2018 (no contexto vitivinícola nacional, 556 milhões de euros é um valor importante, mas a riqueza do Douro, onde 33 por cento dos viticultores do Douro têm mais de 65 anos e 92% dos lavradores possuem menos de cinco hectares de vinha, está cada vez mais concentrada em torno de um pequeno número de empresas; com o preço das uvas em valores ridículos, a maioria dos produtores sobrevive apenas). O gestor reconhece que não foi fácil recrutar tanta gente. Mesmo assim, Paulo Fernandes garante que a empresa está para “ficar muitos anos em Bragança”, não vendo razões para não se investir hoje no interior e poder ser competitivo.

Gonçalo Quadros, o fundador e CEO da Critical Software, pensa da mesma maneira. A empresa tornou-se uma estrela mundial na indústria do software a partir de Coimbra e os planos de crescimento da empresa passam por abrir centros de engenharia em várias capitais de distrito. Um deles será instalado em Vila Real. Vai ter 120 trabalhadores e funcionará na antiga sede distrital da empresa Infraestruturas de Portugal. 

Depois da Faurécia e, antes, da Kathrein Automotive (empresa alemã situada em Vila Real e que produz antenas para marcas como a BMW, a Mercedes, a Volvo, a Audi ou a Ford, empregando mais de 500 trabalhadores e facturando perto de 100 milhões de euros), a chegada da Critical Sotware a Vila Real foi, talvez, a melhor notícia que aconteceu em Trás-os-Montes nos últimos anos. O recrutamento já começou e a falta de engenheiros em Trás-os-Montes não assusta Gonçalo Quadros. “O nosso mote é: ‘não precisamos que vocês venham ter connosco; nós vamos ter convosco’. As pessoas querem trabalhar na cidade onde têm raízes, junto das pessoas de quem gostam, da família. (…) Só não vão trabalhar para lá porque não encontram oportunidades, não têm desafios que as preencham e, portanto, têm de sair”, afirmou numa entrevista recente ao PÚBLICO. 

O exemplo da Critical Software pode, de resto, ser inspirador e levar outros investidores a seguir o mesmo caminho. Coincidência ou não, duas outras empresas tecnológicas mais pequenas já mostraram interesse em instalar-se em Vila Real, segundo o reitor da UTAD, que diz não poder revelar ainda os nomes. Numa primeira fase, as duas novas empresas deverão ficar instaladas no campus da universidade, que, finalmente, começa a abrir-se e a trabalhar mais directamente com o sector empresarial.

Já sob a direcção de Fontainhas Fernandes, foi instalado no (também novo) Régia Park de Vila Real um Centro de Excelência da Vinha e do Vinho. Este centro veio por fim às “capelas” que existiam na UTAD e acabar com as investigações avulsas, juntando numa mesma plataforma e debaixo de objectivos comuns cerca de 100 investigadores. No Régia Park vai ficar também instalado um centro Fraunhofer, uma parceria da UTAD com o Centro IKTS da Fraunhofer em Dresden para actuar no domínio da agricultura de precisão, nomeadamente nas áreas do vinho e da vinha. A Fraunhofer-Gesellschaft é a maior organização de investigação aplicada na Europa e mais prestigiada da Alemanha. Tem uma equipa de cerca de 25 mil pessoas distribuídas por mais de 80 centros de investigação em todo o mundo.

A UTAD vai acolher ainda dois dos 11 Laboratórios Colaborativos (estruturas que juntam em consórcio centros de investigação, laboratórios associados, instituições do ensino superior, centros tecnológicos, empresas e diversas instituições locais) que vão ser criados na região Norte: um dedicado à vinha e aos vinhos portugueses e outro à gestão integrada da floresta e do fogo. O Instituto Politécnico de Bragança também vai acolher um Laboratório Colaborativo, com o sugestivo nome de “Montanhas de Investigação”, e que irá actuar em sectores tão diferentes como a conservação da biodiversidade, agro-indústria, floresta, alterações climáticas, património histórico e cultural e turismo.


Como se vê, em Trás-os-Montes não faltam hoje parques tecnológicos, nem escolas, nem hospitais, nem equipamentos culturais, nem muito menos boas acessibilidades. Se há algo que ainda falta, além de gente, é uma banda larga ainda melhor. “A conectividade da banda larga em Trás-os-Montes é dez vezes mais baixa do que no Porto”, queixa-se o reitor da UTAD. E a conectividade é na actualidade um elemento crítico na captação de investimento. Porque com uma boa rede digital é possível trabalhar e criar riqueza a partir de qualquer lugar. Até mesmo a partir da pacatez de aldeias como Cubas. Afinal de contas, o mundo está hoje à distância de um clique.

Pedro Garcias
Interior
Jornal Público

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