segunda-feira, 1 de abril de 2019

Concurso "Janela Florida"

O concurso "Janela Florida" é aberto a todos os cidadãos que possuam residência no concelho de Macedo de Cavaleiros, bem como entidades públicas, privadas, associações e cooperativas que tenham ou ocupem imóveis no município.

Para mais INFORMAÇÕES.

O Investigador José Brandão contabilizou 900 livros proibidos, de 1933 a 1974

No período do Estado Novo tudo o que era publicado nos jornais, revistas, livros, filmes, música e até os programas de rádio passavam pela censura, que aprovava ou não o seu conteúdo e até corrigia ou riscava o que entendia que não podia ser dito.

O Investigador José Brandão contabilizou 900 livros proibidos, de 1933 a 1974. A Biblioteca Municipal desafia os jovens, que frequentam o 3.º Ciclo do Ensino Básico e do Secundário, a “adotar” um dos livros censurados pelo Estado Novo e, a partir dele, elaborarem um pequeno vídeo, com o máximo de 5 minutos de duração, que denuncie uma situação /comportamento/ prática censurável ou uma que mereça ser promovida.

É possível consultar a lista referida na Biblioteca Municipal.

Oficinas “Páscoa na Biblioteca

O Município de Macedo de Cavaleiros promove entre 09 e 17 de abril as oficinas “Páscoa na Biblioteca”. 

A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição através do e-mail bibliotecamunicipal@cm-macedodecavaleiros.pt. O número de participantes é limitado às primeiras 15 inscrições efetuadas até ao dia 5 de abril.

Durante este período irá realizar-se as seguintes oficinas:
- Escrita Criativa (Uma sessão para jovens entre os 6 -11 anos, uma para + de 11 anos e outra para adultos)
- Hora do Conto a partir do livro “História de uma flor”, de Matilde Rosa Araújo, seguida de uma oficina de construção de um cravo (6-12 anos)
- Dança – Hip Hop (6-12 anos)
- Representação, “Os Músicos da Aldeia” (a partir dos 6 anos e serão aceites até 30 inscrições)
- Construção do Ovo da Páscoa (6-12 anos)

"À Manhã"

"À Manhã" retrata o quotidiano do mundo rural, abordando problemas como o despovoamento e o envelhecimento da população. 

A ação desenrola-se numa aldeia envelhecida e desertificada do interior do país onde cinco personagens, três mulheres e dois homens, dão corpo aos seus próprios desejos e receios, numa “viagem” pelo tempo das estações.

Protagonizado pela Filandorra - Teatro do Nordeste, a peça é exibida no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros no próximo dia 05 de abril. O preço da entrada é de um euro.

19.ª edição da Feira do Folar de AGROCHÃO

A Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros e a Junta de Freguesia de Vilarinho de Agrochão promovem a 19.ª edição da Feira do Folar.

É um certame em que o produto que lhe dá o nome tem impressos a qualidade e o saber de muitas gerações de pessoas desta localidade e que, por isso, tem tido uma adesão crescente de ano para ano e igual relevância na economia local. Folar, doces, pão, chouriças, salpicão e alheiras são produtos que pode encontrar nesta feira.

A Feira do Folar de Vilarinho de Agrochão decorre no fim-de-semana de 6 e 7 de abril e contará ainda com uma caminhada que visa assinalar o Dia Mundial da Atividade Física.

II Concerto Quaresmal - Paixão de Cristo segundo São Marcos 19 Abril | 21h00 Igreja Matriz de Torre de Moncorvo

Serei o que me deres...que seja AMOR.

CARTAZ OFICIAL DO 20º FESTIVAL INTERCÉLTICO DE SENDIM

Festa da Bola Doce Mirandesa e Produtos da Terra

A Câmara Municipal de Miranda do Douro e a Sabores de Miranda – Associação de Produtores Gastronómicos das Terras de Miranda promovem, os produtos regionais, na Festa da Bola Doce Mirandesa e Produtos da Terra que decorre de 18 a 20 de abril de 2019 no Largo do Castelo.

Os concursos tem como objetivo promover e incentivar a produção e consumo dos produtos a concurso bem como estimular o seu melhoramento sensorial e degustativo, sensibilizando a população para a valorização dos recursos e produtos locais. Estes são produtos típicos da época que se avizinha, a Páscoa, e estão presentes na mesa de todos os mirandeses.

VI Concurso da Bola Doce Mirandesa - dia 19 de abril de 2019, às 15H30

A Bola Doce Mirandesa é um ex-libris de Miranda do Douro. Trata-se de um doce genuíno e um dos ícones gastronómicos do nosso Concelho. É um bolo doce, maravilhosamente envolvente com sabor intenso a canela. 
O aspeto exterior da Bola Doce Mirandesa é caraterístico e único, internamente, descobre-se uma massa surpreendentemente fofa e húmida devido ao recheio.

VI Concurso do Folar de Carne Mirandês- dia 20 de abril de 2019, às 15H30

O Folar, é um pão com caraterísticas particulares. A massa é semelhante à massa de pão, mais fina e com adição de ovos. O recheio é feito com carne de porco fumada (presunto, chouriço e chouriça) intercalada com a massa de pão. 

Venham apreciar e degustar estes produtos de excelência!

Visite Miranda do Douro de 18 a 20 de abril de 2019.

MÊS AZUL- CPCJ MIRANDA DO DOURO

Com abril chega o "MÊS AZUL" e a campanha dos maus tratos na infância.
A CPCJ de Miranda do Douro lança a todas as crianças mirandesas um desafio para cada dia com o calendário dos afetos.

"O Azul funciona para mim como um constante lembrete/alerta para lutar pela proteção das crianças."
(Bonnie W. Finney)

Encontro entre Gerações em Mogadouro - Várias pessoas encontraram-se no recinto da Festa das Amendoeiras em Flor para trocar experiências.

Concerto Solidário da ACISMC angariou cerca de 500 euros para ajudar famílias com necessidades do concelho

A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Macedo de Cavaleiros conseguiu angariar cerca de 500 euros com o concerto solidário da passada sexta-feira.

Uma verba que vai servir para comprar bens essenciais que serão depois entregues a famílias carenciadas do concelho, já referenciadas pela Segurança Social.

Foram cerca de 100 as pessoas que se juntaram a esta causa. Embora esperasse uma maior adesão, Paulo Moreira, presidente da ACISMC, faz um balanço positivo da iniciativa:

“O balanço é positivo.

Muitas pessoas, mesmo não estando presentes, fizeram questão de participar, o que é bom.
Tivemos meia casa, o que não foi, de todo, o previsto, mas damos-nos por satisfeitos porque houve realmente muita gente a apoiar.
Com este dinheiro vamos comprar bens essenciais que não vão ser entregues a associações, mas sim a famílias do concelho. 
Que fique claro que todo este valor será para ajudar as pessoas com necessidades.”
Um concerto que contou com a atuação da orquestra da Escola Profissional de Arte de Mirandela (Esproarte), que também se mostrou solidária para com a causa, atuando a custo zero.

Atividades importantes para ajudar mas também para promover a instituição, Júlia Rodrigues, presidente da Esproarte e autarca de Mirandela:

“Temos este espírito solidário, que é também uma das missões da Esproarte.

Já participamos e temos participado em várias iniciativas solidárias, que têm um objetivo partilhado: ajudamos entidades solidárias, deste e outros concelhos, mas também darmos a conhecer a escola.
Estas são iniciativas de salutar.”
Na noite de sexta-feira foram cerca de 50 os alunos, em várias formações, que estiveram em Macedo de Cavaleiros a dar o seu contributo para uma causa solidária.

Escrito por ONDA LIVRE

Mostra de Teatro do Douro 2019 arranca sábado

Arranca este sábado em Santa Marta de Penaguião a partir das 21h30 mais uma edição, a décima primeira, da Mostra de Teatro do Douro, organizada pela Associação Vale d’Ouro.

Ao longo de pouco mais de um mês, além de Santa Marta de Penaguião, também Carrazeda de Ansiães, Sabrosa, Pinhão, Favaios, Mesão Frio e Régua receberão os oito espetáculos que compõem a “rota mágica do teatro” em 2019.

“A Greve do Sexo”, o clássico texto de Aristófanes que tem Lisístrata como protagonista, é a primeira proposta da Mostra de Teatro do Douro 2019. Num arranque inédito deste festival em Santa Marta de Penaguião, o Teatro Fórum Boticas leva a sua adaptação deste texto da Atenas Clássica e que terá sido encenado pela primeira vez em 411 a.C. Numa ação concertada e com o objetivo de acabar com a guerra, as mulheres de várias povoações da Antiga Grécia fazem “greve” ao sexo provocando um conjunto de divertidas peripécias ao longo da peça. O espetáculo decorre no Auditório Municipal e tem entrada gratuita.

A Mostra de Teatro do Douro 2019 continua a ser o principal evento organizado pela Associação Vale d’Ouro e este ano tem mais motivos de interesse, segundo o Presidente da Direção da instituição, Luís Almeida: “vamos começar em Santa Marta de Penaguião pela primeira vez e é também uma forma de reconhecermos a importância desta vila para o nosso festival ao longo dos anos nesta que é uma edição muito especial porque tem novos palcos, novos grupos, mais espetáculos e mais produção original”.

A edição de 2019 chegará pela primeira vez a Carrazeda de Ansiães e regressa a Favaios depois de vários anos de interregno naquela vila: “além de estarmos no distrito de Bragança pela primeira vez, o regresso do festival a Favaios, num desafio lançado pela C. M. Alijó, assume particular importância pelo centésimo aniversário do Teatro António Augusto Assunção”.

Em termos de programação, Luís Almeida considera ser uma edição muito abrangente: “vamos ter vários estilos de comédia onde se inclui uma revista, teatro para a família e vamos contar mais um pedaço da história do Douro, no último fim-de-semana, em que nos associamos à Régua, Cidade do Vinho 2019.

Até 18 de maio diversos palcos na região recebem este festival onde participam o Teatro Fórum Boticas, Grupo de Teatro de Novelas, Teatro Experimental Flaviense, Grupo de Teatro do Centro Cultural Lordelense, Grupo de Teatro Aldeia Verde, Núcleo de Teatro da AC Vermoim, Grupo de Teatro da Universidade Sénior de Rotary do Peso da Régua e Teatraço. As entradas são gratuitas, exceto no último espetáculo, e continuam a dar prémios para usufruir na região. Todas as informações estão disponíveis AQUI.

in:diariodetrasosmontes.com

Lançamento do livro “Chuvisca e os Guardiões das Sementes Nativas”

A Azimute vem pelo presente meio convidar V.Exa. para estar presente na cerimónia de lançamento do livro “Chuvisca e os Guardiões das Sementes Nativas”, um livro da Azimute, apoiado pela Missão Continente no âmbito do projeto Sementes com Vida, dia 05 de abril pelas 18h00, na Biblioteca Municipal de Bragança.
O lançamento contará com a presença da ilustre escritora e autora do livro Margarida Fonseca Santos.

O livro Chuvisca e os Guardiões das Sementes Nativas, escrito por Margarida Fonseca Santos e ilustrado por Carla Nazareth, é uma das atividades do projeto “Sementes com Vida” e pretende sensibilizar os mais novos, de uma forma lúdica e pedagógica, para o tema das sementes nativas, das tradições das Aldeias Pedagógicas e das relações intergeracionais. Os livros vão ser oferecidos a crianças do 1ºciclo (3º e 4º ano) dos concelhos de Bragança e Vimioso.

Será para nós uma honra poder contar com a sua participação neste evento. 

O projeto "Sementes com Vida" tem como objetivo capacitar e sensibilizar a comunidade para a importância de preservar e propagar as sementes nativas em prol de uma alimentação saudável. 


DA CRIAÇÃO DO GOVERNO CIVIL DE BRAGANÇA À REGENERAÇÃO (1835-1851)

Em 21 de maio de 1834, o prefeito da província de Trás-os-Montes, Francisco António de Almeida Morais Pessanha, é pressionado pelo Governo a iniciar as suas funções. De existência efémera e atribulada, as prefeituras são extintas em 1835, e neste ano, na sequência da carta de lei de 25 de abril, que implementou a divisão administrativa do Reino em distritos, foi criado o Distrito de Bragança, com sede nesta Cidade, tendo sido nomeado para Governador Civil Venâncio Bernardino Ochoa, que tomou posse a 28 de setembro. Bragança passou, a partir de então, a sede de Distrito, prerrogativa que manteve até ao presente.
Edifício do Governo Civil de Bragança no início do século XX

A agitação política em Bragança, como por todo o Nordeste Trasmontano, vai manter-se entre 1834 e 1837, com assaltos, ajustes de contas contra os miguelistas, divisões entre clérigos e fiéis (cisma dos mónacos), prisões, etc.
Ainda em 1834, são presos na cadeia de Bragança o pároco de Algoso e o capitão-mor da mesma vila, por terem organizado uma guerrilha composta por perto de duas centenas de homens, que nos primeiros dias de maio aclamou D. Miguel nas vilas de Algoso e Miranda do Douro, esta última, reconquistada por forças portuguesas auxiliadas por 200 carabineiros espanhóis.
Em janeiro de 1835, o Periódico dos Pobres no Porto noticia que a “ladroeira” na Cidade de Bragança e “vizinhanças é grande: têm assaltado várias quintas e estradas; e isto feito por soldados e paisanos”.
A instabilidade sociopolítica continuou, de tal modo que o Governo foi obrigado a concentrar forças em Bragança para anular levantamentos populares, combater o banditismo e a difusão da doutrina dos mónacos.
O juiz de direito da comarca de Bragança, em 26 de março de 1837, escrevia que “o génio do mal divaga impune por todas as terras deste Concelho, aqui e ali aparecem ladrões que, infestando as estradas, atacam a segurança individual, e em toda a parte os inimigos do Governo tramam contra a ordem estabelecida”. Em Bragança, entre 1835-1840, são presos aqueles que fazem parte da “seita mónoco-sismática”, cujos membros não iam à missa, não praticavam os atos religiosos e espalhavam “suas criminosas doutrinas neste Concelho, assim como têm praticado em diversos pontos desse bispado”.
A agitação política a nível nacional mantinha-se alimentada por duas leituras diferentes do liberalismo, a esquerdista e a conservadora. A Revolução de setembro de 1836 deu a vitória aos radicais, que aboliram a Carta Constitucional, colocando em vigor a Constituição de 1822. Os conservadores vão procurar restaurar a Carta, provocando um golpe de Estado, a Belenzada, em novembro de 1836, e uma guerra civil em 1837, que ficou conhecida por Revolta dos Marechais. A Belenzada parece não ter motivado qualquer agitação em Bragança, mas a Revolta dos Marechais (marquês de Saldanha e duque de Terceira), iniciada em julho de 1837, opondo os cartistas aos setembristas, teve alguns reflexos nesta Cidade.
O general visconde das Antas, comandante da Divisão Auxiliar Portuguesa à Espanha, assim como os seus oficiais, a 14 de agosto de 1837, em Burgos, protestaram a sua fidelidade à Rainha e à Constituição Política da Monarquia Portuguesa, lamentando a “ingrata rebelião” cartista. Contudo, uma das duas brigadas que integravam aquela força, e que regressou a Portugal, entrando em Bragança a 30 de agosto de 1837, aderiu aos defensores da Carta Constitucional de 1826. Foi nomeada na Cidade uma Junta Governativa, mas de efémera duração, uma vez que a guerra civil terminou em 20 de setembro – não acabando, contudo, a agitação política.
Em 6 de maio de 1838, a Câmara de Bragança jurou a nova Constituição. Mais tarde, em 17 de julho, foi instalada a Junta Geral do Distrito de Bragança, de acordo com o Código Administrativo de 1836, a qual, nas sessões de 1839, publicadas no Diário do Governo, irá pôr a nu a aflitiva situação em que se encontrava Bragança e o seu Distrito: “não há instrução pública, não há administração da justiça”, o comércio está “estagnado e a agricultura definhada”, e estradas propriamente ditas não existiam.
O Setembrismo, progressivamente despojado do seu vigor inicial, recebeu o golpe final em fevereiro de 1842, quando Costa Cabral proclamou a restauração da Carta Constitucional no Porto. O cabralismo, embora procurando desenvolver economicamente o País, estabeleceu “um regime de repressão e violência” (Oliveira Marques), que degenerou, entre 1846-1847, em guerra civil.
Indignados com o despotismo de Costa Cabral, a corrupção existente, o aumento dos impostos, a crise agrícola, a lei que proibia os enterros nas igrejas, e o efeito de contágio do levantamento da Galiza contra o Governo de Espanha, as populações do Norte de Portugal levantaram-se contra os Governos de D. Maria II (sucessivamente de Costa Cabral, do duque de Palmela, e de Saldanha), organizando Juntas Governativas um pouco por todo o Reino, modelo rapidamente adotado pelas forças que permaneceram fiéis aos Governos de Lisboa. A Junta do Porto, que se manteve em funções mesmo após o movimento da Maria da Fonte (abril-maio de 1846), que terminou com a saída de Costa Cabral do Governo, acabou por agrupar todos os movimentos contestatários, assumindo a chefia da Patuleia, o que deu origem à “mais terrível e longa guerra civil que se registou entre os liberais” (Oliveira Marques).
É evidente que este prolongado conflito teve profundas repercussões em Bragança e no seu Distrito. Não é fácil historiar a evolução dos acontecimentos que ocorreram em 1846 1847 no Nordeste Trasmontano, uma vez que as fontes de que dispomos são escassas, e Francisco Manuel Alves referiu já o que é conhecido, sobretudo para 1847, transcrevendo e comentando alguns documentos, nomeadamente os que fazem parte da obra A Patuleia, publicada em 1909 pela Biblioteca Pública Municipal do Porto. Contudo, não podemos deixar de chamar a atenção para dois aspetos que nos parecem importantes quanto a Bragança, neste período de grande agitação político-social, que são comuns às duas partes em confronto, os cartistas, fiéis ao Governo de Lisboa, e os revoltosos “patuleias” da Junta do Porto: a criação de estruturas burocrático-administrativas que simbolicamente representaram o Estado, destinadas à apropriação dos fundos públicos e arrecadação de impostos, por um lado; e o aparecimento da Junta Governativa de Bragança e de boletins oficiais publicados na mesma Cidade, por outro.
Se em 1846, as forças que permaneciam fiéis ao Governo de D. Maria II, nomeadamente do visconde de Vinhais, dominam Trás-os-Montes, batendo no Distrito de Bragança guerrilhas “rebeldes” e “miguelistas” que teriam surgido no âmbito do movimento contestatário do Governo de Costa Cabral – a Maria da Fonte –, iniciado em abril desse ano, a verdade é que, já no quadro do movimento da Patuleia (outubro de 1846 a junho de 1847), as tropas leais ao Governo, do comando do visconde de Vinhais, são batidas em Mirandela, em abril-maio desse ano, pelas forças do general Bernardino Coelho Soares de Moura, da Junta do Porto, e obrigadas a retirar-se para Espanha.
Com efeito, em 5 de maio de 1847, as autoridades fiéis a D. Maria II abandonam Bragança, retirando para Espanha, nomeadamente, o Governador Civil do Distrito, Francisco Xavier de Morais Pinto, o secretário do Governo Civil, Diogo Albino de Sá Vargas, a maior parte dos empregados do Governo Civil, e os “influentes do Distrito”, os Pessanhas e os Mirandas, levando consigo as verbas relativas à cobrança da décima e existentes em cofre, os documentos da repartição de fazenda e numerosos papéis de secretarias.
Passou a servir de Governador o conselheiro de distrito Manuel Bernardo Pinheiro de Lacerda, logo substituído por Quintino Teixeira de Carvalho, antigo secretário do Governo Civil, que, nomeado pela Junta do Porto, chega a Bragança quatro dias mais tarde, para tomar posse do cargo.
Três dias depois, o marechal de campo que comandava a 5.ª divisão militar, António Joaquim Guedes de Oliveira e Silva, afeto à Junta do Porto, Patuleia, edita uma proclamação aos trasmontanos, em Bragança, contra o Governo de Costa Cabral.
A preocupação dos revoltosos, como tinha sido a dos cartistas, uma vez dominada Bragança, foi a de arrecadar as verbas cobradas pelo tesoureiro-pagador da Cidade e seu Distrito, como se pode ver pela obra já referida, A Patuleia.
Em maio de 1847, a Junta do Porto nomeou para tesoureiro-pagador Jacinto José de Sá Lima, o qual, porém, não foi obedecido pelo seu antecessor, que se recusou a entregar-lhe as verbas existentes em cofre, nem por vários recebedores concelhios quanto ao envio de fundos para Bragança.
Quintino Teixeira de Carvalho, secretário do Governo Civil de Bragança, nomeado interinamente como Governador Civil do Distrito pela Junta do Porto, requisitou a Jacinto Lima as verbas necessárias para pagar os vencimentos aos militares, o calçado e tecidos necessários às tropas, mas também os ordenados dos funcionários das repartições e serviços públicos indispensáveis ao seu funcionamento “normal”, nomeadamente, ao pessoal da alfândega de Bragança, da repartição da Fazenda e do Governo Civil, no qual trabalhavam, além do governador, três oficiais, três amanuenses e o porteiro.
Uma vez terminada a Junta do Porto, logicamente foram substituídos Teixeira de Carvalho na secretaria do Governo Civil (por Sá Vargas) e Jacinto Lima na pagadoria distrital.
Por outro lado, em 1846-1847, até à retirada das forças que permaneciam fiéis ao Governo de D. Maria II, em maio de 1847, à semelhança do que aconteceu em Vila Real, exemplo também seguido em numerosas cidades e vilas do Reino, estabeleceu-se a Junta Governativa de Bragança, tendo como presidente o par do Reino António José de Miranda, primeiro visconde de Paradinha do Outeiro, o qual soube manter Bragança e o seu Distrito em obediência ao Governo de D. Maria II. Esta Junta foi reconhecida superiormente, como se vê pelo ofício do embaixador de Portugal em Madrid que, em 10 de novembro de 1846 chegou a pedir ao Governo espanhol armamento para lhe ser entregue junto da fronteira de Bragança a fim de aquela poder combater mais eficazmente as forças da Patuleia em Trás-os-Montes, assim como as guerrilhas miguelistas que aclamavam D. Miguel como “Rei de Portugal absoluto”.

A Junta Governativa de Bragança promoveu a publicação, nesses anos, do Boletim Oficial de Bragança, que constitui um marco fundamental na história da imprensa na Cidade, uma vez que aí foram impressos. Com efeito, durante a Maria da Fonte e a Patuleia, foram publicados, com o mesmo título, dois Boletim Oficial de Bragança, um primeiro, que pertencia ao Partido Popular, em junho de 1846; e um segundo, dividido em duas séries, em defesa do Governo de D. Maria II, a primeira série em outubro e novembro de 1846, iniciado logo a seguir à exoneração de Sousa Teles de Governador Civil de Bragança, e uma segunda série, entre março e maio de 1847, que terminou com a retirada das autoridades e forças conservadoras para Espanha, perseguidas pelas tropas da Junta do Porto.
Do primeiro, são conhecidos dois números, talvez os únicos números do Boletim Oficial de Bragança. O n.º 1 foi publicado em 23 de junho de 1846, e dá conta de uma força de Caçadores n.º 3, comandada pelo capitão Ziegnheim, ter encontrado no cabeço de S. Brás, próximo à torre de D. Chama, uma guerrilha miguelista capitaneada por Luís dos Reis, a qual, depois de batida, debandou completamente, deixando sete mortos e alguns feridos. O n.º 2 tem a data de 25 de junho e dá a notícia de ter sido batida uma guerrilha miguelista em Alfândega da Fé pelo capitão de Cavalaria Doutel, e perseguida uma outra no Concelho de Vinhais pelo capitão Ilharco.

Provavelmente não se publicaram mais números, visto terem sido sufocadas as revoltas miguelistas, ainda no mês de julho.
O segundo Boletim Oficial de Bragança surgiu em defesa do Governo cabralista, na ocasião em que o barão do Casal se achava na província de Trás-os-Montes e havia aderido ao Governo de Saldanha, ou da “emboscada” de 6 de outubro de 1846.
O n.º 1 da primeira série, sem data, foi publicado em meados do mês de outubro e contém a proclamação da Rainha, de 6 de outubro; o decreto de 8 de outubro, demitindo Júlio do Carvalhal de Sousa Teles do cargo de Governador Civil de Bragança; e em “à última hora” publicou várias notícias, entre elas a de o barão do Casal, a tropa e o povo terem aderido em Chaves às ordens da Rainha. O n.º 2 traz uma proclamação do barão do Casal, datada de Chaves em 15 de outubro de 1846, e o n.º 3 uma outra proclamação do Governador Civil interino de Vila Real, António Alves de Aguiar, datada de 17 de outubro. Um pequeno suplemento a este último número dava a inexata notícia de que no Porto se proclamara a obediência às ordens da soberana. O primeiro número com data é o 4.º, publicado em 27 de outubro. O último número da coleção da primeira série é o n.º 15, de 24 de novembro de 1846.
A segunda série do Boletim Oficial de Bragança, igualmente impresso na Tipografia de Bragança, a duas colunas, cabralista, começou com o n.º 1, publicado na terça-feira, 16 de março de 1847. O último número é o n.º 15, de 4 de maio do mesmo ano. Foi também editado um suplemento ao n.º 10. O formato deste Boletim Oficial de Bragança, embora igual ao da primeira série, revela, sob o ponto de vista tipográfico maior qualidade técnica.
O autor desta publicação, fiel ao Governo de D. Maria II, segundo o jornal O Nacional, foi o secretário do Governo Civil de Bragança, Diogo Albino de Sá Vargas.

Em suma, as forças leais à Junta do Porto apenas dominaram Bragança e o seu Distrito por algumas semanas, uma vez que, em 16 de junho de 1847, o exército espanhol, com as tropas do barão de Vinhais, proveniente de Zamora, está já em Bragança e dois dias mais tarde, o Governador Civil nomeado pelo Governo de D. Maria II, Francisco Xavier de Morais Pinto, apela aos habitantes do Distrito, já na Cidade, para os seus habitantes permanecerem tranquilos, uma vez que a guerra civil ia terminar “com o triunfo completo da causa da legalidade e da ordem”.
Com efeito, o Governo, incapaz de bater os revoltosos, ao abrigo do Tratado da Quádrupla Aliança de 22 de abril de 1834, solicitou a intervenção da Espanha, Inglaterra e França, a qual obrigou à assinatura da Convenção de Gramido em 29 de junho de 1847, que consagrou a derrota das forças da Patuleia e a vitória do Governo cartista, fiel à Rainha.
Fazendo um balanço da evolução política de Bragança e seu Distrito em 1846-1847, chegamos à conclusão de que Bragança se manteve, praticamente durante todo o tempo, com a exceção referida, fiel ao partido cabralista, ao Governo de D. Maria II e teve uma ação decisiva no combate às guerrilhas miguelistas que então infestaram a região.

Título: Bragança na Época Contemporânea (1820-2012)
Edição: Câmara Municipal de Bragança
Investigação: CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade
Coordenação: Fernando de Sousa

POEMA


Era uma vez um homem
Que três vezes enviuvou
Casando com mulher pobre
Grande riqueza encontrou
Grande riqueza encontrou,
Grande riqueza veio a achar
Nunca mais àquela porta
Uma esmola se viu dar
Só na semana santa
E a semana que há-de vir
Só ali um pobrezinho
É que foi pedir
O homem que era
Dorido do coração
A esmola que lhe foi dar
Foi um bocadinho de pão
Saiu a fera de lá de dentro
E das mãos lho foi tirar
Com a ira que trazia
A caldeira foi deitar
Anda cá ó homem,
Anda cá se queres ver
Uma caldeira cheia de sangue
Sem água a ferver
Ó mulher amaldiçoada,
Amaldiçoada de nação
Cobriste-te de ódio
Por causa de um pedaço de pão.

RECOLHA 2005 SCMB, DOMINGOS SARAIVA, Idade: 79.
Localização geográfica: MEIXEDO – ORIGEM + 50 anos.

FICHA TÉCNICA:
Título: CANCIONEIRO TRANSMONTANO 2005
Autor do projecto: CHRYS CHRYSTELLO
Fotografia e design: LUÍS CANOTILHO
Pintura: HELENA CANOTILHO (capa e início dos capítulos)
Edição: SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE BRAGANÇA
Recolha de textos 2005: EDUARDO ALVES E SANDRA ROCHA
Recolha de textos 1985: BELARMINO AUGUSTO AFONSO
Na edição de 1985: ilustrações de José Amaro
Edição de 1985: DELEGAÇÃO DA JUNTA CENTRAL DAS CASAS DO POVO DE
BRAGANÇA, ELEUTÉRIO ALVES e NARCISO GOMES
Transcrição musical 1985: ALBERTO ANÍBAL FERREIRA
Iimpressão e acabamento: ROCHA ARTES GRÁFICAS, V. N. GAIA

Bombeiros e município em negociações sobre parque de campismo Mirandela

Depois dos desentendimentos entre a Câmara Municipal de Mirandela e a Associação de Bombeiros da cidade acerca de quem deve explorar o Parque de Campismo, agora, a presidente da Câmara, Júlia Rodrigues, e o presidente da Direcção da Associação de Humanitária de Bombeiros, Marcelo Lago, estão dispostos a entrar em acordo.
Para Marcelo Lago, se o município se disponibilizar a pagar os investimentos de melhoria do Parque de Campismo, os bombeiros estão dispostos a sair do equipamento municipal. “Se formos ressarcidos do valor que nós investimos nós entregamos o parque, foi assim que assembleia deliberou. Caso contrário não entregamos o parque”, frisou.

Júlia Rodrigues, embora tenha uma leitura clara acerca de quem tem razão, entende que a solução passa mesmo por uma negociação a bem de todos os mirandelenses. “O que vai acontecer é chegarmos a um ponto de negociação e a um acordo que julgo que é bom par ambas as partes e para os mirandelenses. De facto os bombeiros investiram algum dinheiro, no entanto, existem outras situações vertidas em protocolo que não foram cumpridas, por isso, podia até dar-se o caso de haver uma cessação por justa causa, mas não é isso que nós queremos”, frisou.

Perante a acusação do responsável dos bombeiros de Mirandela, de que Júlia Rodrigues teria reunido com os trabalhadores do parque de campismo sem comunicar à direcção, a autarca refere que foi chamada pelos próprios funcionários depois destes lhe terem manifestado receio em relação ao seu futuro laboral.

A Associação de Bombeiros tem vindo a explorar o Parque de Campismo Municipal de Mirandela nos últimos anos, através de um protocolo estabelecido com o Município, mas a actual gestão autárquica entendeu mudar de estratégia na área do turismo e solicitou a saída dos bombeiros deste equipamento municipal. Esta situação não agradou a Marcelo Lago.

As conversações para um acordo devem acontecer durante esta semana. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Conclusões do conselho municipal consideram que a cidade de Bragança é segura

Conselho Municipal realizou-se na sexta-feira e reuniu cerca de 30 entidades e apontam dados positivos em relação.
O período com mais acidentes em Bragança acontece às terças-feiras e aos sábados, entre as 16h00 e as 20h00. Esta é uma das conclusões que o novo comandante do comando distrital da PSP de Bragança, em funções há cerca de um mês. José Neto não consegue explicar esta incidência: “da análise que fazemos face aqueles indicadores que são os atropelamentos, despistes e colisões, dispersos pelas horas da semana, chegamos aqueles dados. São estes períodos, com maior incidência.  Nestas artérias mais sensíveis vamos colocar as nossas patrulhas e o nosso policiamento dirigido e tentar perceber realmente o que se passa”, explicou José Neto.

Um outro aspecto que foi salientado por José Neto é que quando a PSP coloca uma operação radar em curso na cidade, imediatamente a localização do aparelho é conhecida através das redes sociais. O comandante da PSP está a analisar uma forma diferente para executar o seu trabalho.

“A PSP tem de se adaptar, inclusivamente a cidade de Bragança é circular. O que quer dizer que se eu coloco uma operação em determinado local, em poucos minutos toda a gente percebe que a polícia está ali. O que quer dizer que eu tenho que encontrar outras soluções para fazer o meu trabalho”, acrescentou José Neto.

Declarações à margem do Conselho Municipal que se realizou na sexta-feira e reuniu cerca de 30 entidades. O comandante interino do Comando Territorial da GNR de Bragança, Pedro Gonçalves, assegura que a cidade é segura e que o desafio é para os militares é melhorar o modelo de policiamento: “o concelho de Bragança é seguro. Efectivamente as pessoas têm essa percepção e não só porque os números assim o indicam. Há muito que falta fazer e nós queremos melhorar no dia-a-dia, principalmente numa área tão crítica, como é a de segurança”, disse Pedro Gonçalves.

Hernâni Dias, presidente da câmara municipal de Bragança, considera o factor de segurança um ponto de atractividade turística: “também numa percepção clara que os territórios se medem hoje sobe o ponto de vista da competitividade pelas questões da segurança. Se nós continuarmos a pensar que Bragança continua a ser essa cidade segura que hoje em dia continua a ser uma preocupação dos cidadãos”, sustentou Hernâni Dias.

Na cidade de Bragança existe um polícia para 300 habitantes, de acordo com informações da PSP.

Escrito por Brigantia
Jornalista: Maria João Canadas

Capa de honras mirandesa vai conquistar moda francesa

Depois de ter servido de inspiração às criações do estilista português Nuno Gama, e ter assim feito parte da Moda Lisboa, por dois anos, a capa de honras mirandesa vai conquistar a moda francesa.

A informação foi deixada pelo presidente da câmara de Miranda do Douro, Artur Nunes, ontem, à margem da cerimónia de exaltação de capas.

“Na alta-costura francesa também vai ser apresentada a capa de honras como uma forma diferente de estar na moda e agora vamos passar par a moda francesa”, afirmou o autarca que disse ainda que o facto de a peça de vestuário ter chegado ao Papa deu outra visibilidade às capas e “um passo em frente na valorização de um património que só existe aqui e tem uma projecção a nível mundial”.

Aureliano Ribeiro, de 82 anos, é um dos 3 artesãos que resta na região. Começou a trabalhar na confecção das capas desde os 15 anos e esclarece que há cada vez mais gente a querer ter um destes exemplares.

“A capa de honras mirandesa é uma peça muito minuciosa para se trabalhar e todo o artesão que a faz tem de se dedicar um bocadinho para manter as tradições que já existiam quando aprendi com o meu avô e com o meu pai. Desde que câmara começou a fazer esta exaltação toda a gente quer ter um capa para representar aqui neste dia, tem-se notado um bocado de diferença que têm mandado fazer muitas capas ultimamente”, destacou.

O evento acontece desde 2005 e, segundo o mirandês Vítor Domingues, que trouxe à sua capa à cerimónia, esta era usada como protecção.

“A capa de honras era usada quase sempre, os agricultores e os pastores utilizavam tanto quando fazia frio como calor, era uma forma de protecção. Havia uma distinção da gente mais rica que é a Honra, a parte de trás da capa que os ricos usavam na sua capa”, explicou.

A cerimónia começou com um desfile até à concatedral de Miranda, onde aconteceu a eucaristia e a exaltação das capas. 

Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves

Projeto ‘Junto à Terra’ alarga atividades ao Vale do Tua e sensibiliza novas gerações a valorizar e preservar a Biodiversidade dos seus territórios

As atividades de campo da 3.ª edição do projeto ‘Junto à Terra’ (JaT) no território do Baixo Sabor (JaT Sabor) arrancaram no dia 19 de março, em Macedo de Cavaleiros, com uma visita de alunos/as do 8.º ano de escolaridade ao Geossítio Gnaisses de Lagoa, localizado na margem direita do Rio Sabor, muito próximo da aldeia de Lagoa. O ciclo de atividades de campo do JaT Sabor irá decorrer ainda nos dias 3 de abril, em Alfândega da Fé; 4 de abril, em Mogadouro, e 5 de abril, em Torre de Moncorvo. 

Neste ano letivo 2018/2019, o projeto JaT alargou a sua área de intervenção, e realiza também, pela primeira vez, atividades no território do Foz Tua (JaT Tua), nos cinco concelhos por ele abrangidos, durante os meses de março e abril, nomeadamente nos dias 25, 26 e 27 de março, em Mirandela; 28 de março, em Carrazeda de AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, a APFNT – Associação de Produtores Florestais do Nordeste Transmontano, o Grupo Lobo – Associação para a Conservação do Lobo e do seu Ecossistema, a Associação GeoPark Terras de Cavaleiros, a Zasnet - Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial, o SEPNA-GNR – Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana, o PNRVT – Parque Natural Regional do Vale do Tua, o Grupo Nordeste – Grupo para a Promoção do Desenvolvimento Sustentável, a Silvidouro – Associação Agro-Florestal, a Aflodounorte - Associação Florestal do Vale do Douro Norte e o IPB-CIMO – Centro de Investigação de Montanha do Instituto Politécnico de Bragança. 

Cada uma das entidades mencionadas é responsável por uma Oficina dinamizada durante os vários dias de atividades de campo com os/as alunos/as. As várias entidades trabalham, junto da comunidade escolar, temas bastante diversificados, escolhidos tendo em conta as especificidades de cada território, que estão inseridos nas Oficinas de campo. No Jat Sabor, os temas das Oficinas são: 

Oficina 1 - "Pastorícia e Biodiversidade" | Promotor: AEPGA 
Oficina 2 - "Biodiversidade Florestal" | Promotor: APFNT 
Oficina 3 - "Os Minerais e a Biodiversidade" | Promotor: GeoPark Terras de Cavaleiros 
Oficina 4 - "À Descoberta do Lobo" | Promotor: Grupo Lobo 
Oficina 5 - "Biodiversidade Agrícola e Selvagem" | Promotor: Palombar 
Oficina 4 - "Proteção da Natureza e do Ambiente" | Promotor: GNR - SEPNA 
Oficina 7- "Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica" | Promotor: ZASNET 

Já as Oficinas do JaT Tua são dedicadas aos seguintes temas: 
Oficina 1 - "A avifauna do Vale do Tua" | Promotor: Grupo Nordeste 
Oficina 2 - "As náiades do Tua e a biodiversidade de rios" | Promotor: IPB-CIMO 
Oficina 3 - "Morcegos no Vale do Tua" | Promotor: PNRVT 
Oficina 4 - "Proteção da Natureza e do Ambiente" | Promotor: GNR - SEPNA 
Oficina 5 - "Microrreservas e Habitats" | Promotor: Silvidouro/Aflodounorte 
Oficina 6 - "Reserva da Biosfera Transfronteiriça da Meseta Ibérica" | Promotor: ZASNET 

Durante as oficinas, os jovens participantes recebem um kit composto por um saco de pano, um “Passaporte”, uma t-shirt e uma caneca. O “Passaporte JaT Sabor” e o “Passaporte JaT Tua” são cadernos didáticos com conteúdos de educação ambiental que são também um guia para as Oficinas temáticas integradas nas atividades de campo, com uma componente vincada na valorização do território, e fomentando uma cultura cívica que considere o ordenamento do território e a conservação e respeito pelo património - natural, paisagístico e cultural - que nos permita viver em harmonia e conscientes sobre os limites do Planeta, incluindo a adaptação às alterações climáticas. 

A componente prática do projeto JaT pretende sensibilizar as novas gerações, através da realização de atividades junto à terra, ou seja, in loco, para a importância do seu contexto ecológico e ambiental, bem como dos recursos e património naturais. O grande objetivo é ensinar os mais novos a valorizar e a preservar a Natureza e a Biodiversidade dos territórios onde vivem. 

José Pereira, presidente da Palombar e membro da direção do Grupo Nordeste, sublinha a importância deste projeto para “potenciar, num futuro próximo, a fixação destes jovens no seu território e incutir-lhes um olhar diferenciador sobre os recursos endógenos e o seu potencial como motor do desenvolvimento regional e rural, desenvolvimento este baseado em conceitos de sustentabilidade mais amplos que integrem a vertente ambiental, mas que considerem também as vertentes económica, social e cultural, numa perspetiva de manutenção do desenvolvimento e dos padrões de vida atuais e da sua necessária evolução com maior responsabilidade, ética e eficiência”. 

Nuno Portal, diretor de sustentabilidade da EDP Produção, manifestou estar “muito satisfeito com a aceitação do Junto à Terra pela comunidade escolar” e “acredita que os jovens, depois de beneficiarem destas iniciativas, passam a valorizar o seu património natural como fator de desenvolvimento socioeconómico e, assim, a compreender a necessidade de respeitar e proteger este valor endógeno”. 

O JaT Sabor é dirigido a alunos/as do 8.º ano de escolaridade dos Agrupamentos Escolares dos concelhos de Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Mogadouro e Torre de Moncorvo. Já o JaT Tua é direcionado para alunos/as do 8.º ano de escolaridade dos Agrupamentos Escolares dos concelhos de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor, e ainda a alunos/as da Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Carvalhais e da ESPROARTE – Escola Profissional de Arte de Mirandela. A rede de parceiros, além dos agrupamentos escolares e escolas profissionais, estendese ainda a todos os Municípios abrangidos pelo projeto, bem como à Associação de Municípios do Baixo Sabor. 

O projeto Jat
O JaT é um projeto de educação ambiental dirigido para a Comunidade Escolar, “onde a importância da biodiversidade é comunicada numa linha concetual que parte do pensamento global para a ação local. É um processo que procura criar, nos jovens, uma abordagem de Sustentabilidade feita de atitudes, de mudança comportamental e de uma (re)valorização do território por força do contributo do património natural e dos serviços dos ecossistemas para a economia local e bem-estar da sua comunidade e população em geral”, explica Rui Manuel Rodrigues Lopes Teixeira, do Conselho de Administração Executivo da EDP. 

O JaT nasceu da estratégia definida pela EDP para mitigar o impacte na biodiversidade decorrente dos aproveitamentos hidroelétricos do Baixo Sabor e Foz Tua. Um perfil que contrarie a tendência natural de degradação ambiental e de perda de biodiversidade verificada nestes territórios do interior, provocada, em grande parte, pelo êxodo rural e pelo consequente abandono das atividades agro-silvo-pastoris tradicionais. 

O JaT é, desta forma, um processo que procura criar, nos jovens, uma abordagem de Sustentabilidade feita de atitudes, de mudança comportamental e de uma (re)valorização do território por força do contributo do património natural e dos serviços dos ecossistemas para a economia local e bem-estar da sua comunidade e população em geral. 

O JaT teve a sua fase piloto no território do Baixo Sabor (JaT Sabor), onde, ao longo dos anos letivos 2016/2017 e 2017/2018, foi construído, testado e maturado em todas as ações didático-pedagógicas das três vertentes/etapas (prática, teórica e patilha), num envolvimento ativo de todos os parceiros de projeto (escolas, autarquias, e outras organizações públicas, privadas ou da sociedade civil). No corrente ano letivo, 2018/2019, para além de ser a sua 3.ª edição no território do Baixo Sabor, é a 1.ª edição na expansão para o território do Foz Tua (JaT Tua). 

As atividades do Jat 
As atividades do Jat estão organizadas em três etapas que, percorridas sequencialmente, fecham um ciclo anual, coincidente com um ano letivo: Etapa I -componente teórica; Etapa II - componente prática e Etapa III – componente partilha. 

A atividade da Componente Teórica decorre numa dinâmica ensino-aprendizagem em modo e-learning e em contexto de sala de aula, com recurso a uma ferramenta eletrónica didático-pedagógicas (site e e-learning) construída para o efeito, disponibilizada em juntoaterra.edp.pt. Estes conteúdos estão configurados para serem acedidos via computador ou via dispositivos móveis.

A Componente Prática, por sua vez, tem como objetivo levar os/as alunos/as para um contexto de campo próximo dos valores naturais do seu território e, através do contacto direto com as particularidades e os conhecimentos da biodiversidade local, transmitir-lhes todo o potencial valor socioeconómico associado e a importância que representa para o desenvolvimento das comunidades locais. Através de oficinas temáticas, e tendo como “guia” o “Passaporte JaT”, os/as alunos/as percebem a biodiversidade que lhes pertence, que lhes é útil e que deve ser protegida como legado das gerações futuras. 

Para além das atividades de campo, a componente prática prevê ainda atividades de desenvolvimento de competências técnicas e pessoais nos/as alunos/as, indutoras e facilitadoras da execução do trabalho final, um vídeo, candidato a um concurso e prémio. Cada ciclo anual do projeto JaT termina com a atividade ‘Partilha’, designada por ‘Workshop Final JaT’. Esta etapa procura gerar uma dinâmica de intercâmbio entre os/as alunos/as dos diferentes agrupamentos e os demais parceiros de projeto. É neste contexto que os trabalhos da lista final, selecionados pela votação do público, são apreciados por um júri independente constituído para o efeito. 

Este é o momento onde os/as alunos/as autores dos trabalhos têm oportunidade de apresentar os seus trabalhos ao júri e ao restante público para, no final, serem anunciados os 3 vencedores premiados.

in:noticiasdonordeste.pt