No passado sábado, a GNR realizou uma operação de prevenção criminal a um festival de música na localidade de Carrapatas, concelho de Macedo de Cavaleiros.
Em resultado desta operação, foram detidos quatro indivíduos por tráfico de droga, dois por condução sem habilitação legal e apreendidas sete doses de óleo de cannabis e 37 doses de haxixe.
Ficaram ainda registadas infrações por consumo de estupefacientes, condução com taxa de álcool no sangue superior ao permitido e um título de condução caducado.
Os detidos foram presentes, ontem, ao Tribunal de Macedo de Cavaleiros, sendo que aos indivíduos acusados de tráfico de estupefacientes foi-lhes aplicado seis meses de pena suspensa e 70 horas de trabalho comunitário, e aos detidos por condução sem habilitação, seis meses de pena suspensa e uma multa de 250 euros.
Escrito por Onda Livre (CIR)
terça-feira, 27 de agosto de 2019
O Louco da Praça das Águas Cantantes, ou Foto da Periferia
Por: Antônio Carlos Affonso dos Santos
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
São Paulo - Brasil
19:00 h do dia 30-11-2007; Praça Nicola Viviléchio, Taboão da Serra (SP), Brasil.
A noite caía sobre Taboão da Serra, obviamente com a permissão da Câmara Municipal. A Praça Nicola Viviléchio se fez bonita como há muito tempo não ousava ser. Milhões de pequeninas lâmpadas cobriam os troncos das trinta e oito árvores plantadas na praça. O espírito de Natal pairava no ar. Duas dezenas de crianças brincavam, correndo em volta da velha marquise, no centro da praça, onde num passado nem tão distante assim, o maestro Álvaro Manoel comandava uma banda de música mui charmosa, executando maxixes, marchas, polcas, dobrados e habaneras. Em volta da marquise, quatro ou cinco casais sentados ou de pé, trocavam confidências e falavam de amor. Algumas mães apreciavam seus rebentos nas reinações usuais, com olhares cúmplices. Muitos desempregados ainda procuravam nas páginas do “Jornal de emprego”, mais uma chance na vida. Políticos contornavam a praça, ''em direção à Câmara Municipal'' alguns atores de teatro ensaiavam, dentro do Cemur, ali, em frente à praça.
Um louco, vestido à Chaplin, olhava continuamente para a fonte luminosa, ainda desligada. Ele não tinha mais de trinta e poucos anos, a meu ver. Vestia os pés com velhos, surrados e furados tênis; um pé em vermelho, outro em verde; a calça, branca e encardida e com um rasgo na retaguarda, deixava antever outra calça, vermelha, sob a calça branca. A camisa, de listras horizontais, multicolorida e bonita, ainda que surrada, com mangas compridas, bufantes, em cores contrastantes e abotoadas até o pescoço, deixava antever, uma bonita gravata azul escuro, puída, presa com nó górdio. Os cabelos longos e em desalinho e a barba rala, não deixava dúvidas sobre certo desajuste mental. Os dentes, muito brancos, mostravam-se minuto a minuto, num sorriso silencioso.
As mãos do louco, longas e magras, com os dedos indicadores em riste, traçavam ondas, círculos e elipses no ar; como que estivesse regendo uma orquestra invisível. Notei-o muito magro. Subitamente, passou a contornar a fonte luminosa da praça, primeiro lentamente, depois se apressando aos poucos e ao final, exatamente quando a fonte luminosa foi ligada, ele estava correndo, suado, ofegante, feliz.
As pessoas que lá estavam aos poucos foram atraídas pelo comportamento completamente fora dos padrões; do louco.
Algumas mulheres olhavam com certo receio a desenvoltura do louco e chamavam, para perto de si, seus rebentos; estes aturdidos, atendiam sem saber o “por quê”!
Dos alto-falantes da fonte luminosa, concomitantemente com o espetáculo de luzes, cores e águas, ouviu-se as primeiras notas de uma ária da música “As Quatro Estações”, de Vivaldi.
E a praça encheu-se com aquelas notas: “tã, tã, tã, tã tarã, tarã, tantantan ...” .
O louco deu um grito agudo, mais parecido com um pio do gavião real. Em seguida, subiu a pequena mureta que limitava as ruelas da praça com os canteiros que circundava a fonte luminosa. Curvou-se cerimoniosamente para as águas cantantes, pés juntos, joelhos dobrados e tronco curvado, olhos cerrados, mãos estendidas em direção à fonte. Em seguida voltou-se costas para a fonte e, diante do público incrédulo, repetiu o cumprimento; tudo exatamente com um maestro de verdade faria, se ali estivesse.
Enquanto algumas pessoas ali na praça faziam muxoxo, sorriso velado, o louco se concentrava, enquanto que a gravação atingia uma parte da música começava um “pizzicato”, ele regeu com energia, mãos ondulantes, olhar enérgico para as águas, que alternavam cores e jatos de cinco metros de altura, depois de um metro e novamente de dois e cinco metros; o louco rodava círculos com os braços e mãos. Quando o jato de água abaixava, ele abaixava, quando o jato subia, ele se punha na ponta dos pés. Começou um “adágio andante”, num crescente, que culminou num movimento “allegro”. O louco maestro suava aos borbotões, mesmo assim não demonstrava cansaço. Foram juntando às pessoas que ali estavam, todo tipo de gente, em pouco, era uma multidão em volta da fonte e do louco.
O operador do som da fonte resolveu então mudar a música e colocou uma valsa de Strauss Jr., a famosa “Danúbio Azul”. O louco maestro, tomado de emoção, tremia da cabeça aos pés, encharcado de suor e de respingos da fonte, feições retorcidas, cabelos em desalinho. Ele bailava com uma “partner” invisível. Num relance, colheu uma rosa no canteiro defronte, prendendo-a aos dentes, enquanto bailava com tanta felicidade, que toda a cidade se iluminou.
Chegaram os guardas municipais, defensores do patrimônio público, que tentaram agarrar o louco. Algumas pessoas se divertiam com a situação; outras permaneceram com comportamento frio, nem contra nem a favor.
Agora estavam três pessoas dentro da fonte, entre os canos chafarizes, com feições multicoloridas. O louco no ponto mais alto, os outros abaixo, o povo assistindo.
De repente, ouviu-se um estrondo, qual um trovão. Um corisco riscou os céus das Terras de Taboão e, um anjo todo de branco e enormes e alvas asas, tomou o louco entre os braços e o levou aos céus, longe da praça, dos guardas municipais e do povo.
Umas três semanas depois desse evento, sonhei com o louco. O rosto sereno, a barba, os cabelos negros e longos eram os mesmos. Olhou-me e mostrou-me as chagas de suas mãos. Era Natal em Taboão da Serra, Brasil. O mundo ocidental sabia, muito bem, quem era o louco da praça...
Criado em 28.02.2008 by ACAS
Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos. É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos” e quatro em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”.
(colaborador do "Memórias...e outras coisas..")
São Paulo - Brasil
19:00 h do dia 30-11-2007; Praça Nicola Viviléchio, Taboão da Serra (SP), Brasil.
A noite caía sobre Taboão da Serra, obviamente com a permissão da Câmara Municipal. A Praça Nicola Viviléchio se fez bonita como há muito tempo não ousava ser. Milhões de pequeninas lâmpadas cobriam os troncos das trinta e oito árvores plantadas na praça. O espírito de Natal pairava no ar. Duas dezenas de crianças brincavam, correndo em volta da velha marquise, no centro da praça, onde num passado nem tão distante assim, o maestro Álvaro Manoel comandava uma banda de música mui charmosa, executando maxixes, marchas, polcas, dobrados e habaneras. Em volta da marquise, quatro ou cinco casais sentados ou de pé, trocavam confidências e falavam de amor. Algumas mães apreciavam seus rebentos nas reinações usuais, com olhares cúmplices. Muitos desempregados ainda procuravam nas páginas do “Jornal de emprego”, mais uma chance na vida. Políticos contornavam a praça, ''em direção à Câmara Municipal'' alguns atores de teatro ensaiavam, dentro do Cemur, ali, em frente à praça.
Um louco, vestido à Chaplin, olhava continuamente para a fonte luminosa, ainda desligada. Ele não tinha mais de trinta e poucos anos, a meu ver. Vestia os pés com velhos, surrados e furados tênis; um pé em vermelho, outro em verde; a calça, branca e encardida e com um rasgo na retaguarda, deixava antever outra calça, vermelha, sob a calça branca. A camisa, de listras horizontais, multicolorida e bonita, ainda que surrada, com mangas compridas, bufantes, em cores contrastantes e abotoadas até o pescoço, deixava antever, uma bonita gravata azul escuro, puída, presa com nó górdio. Os cabelos longos e em desalinho e a barba rala, não deixava dúvidas sobre certo desajuste mental. Os dentes, muito brancos, mostravam-se minuto a minuto, num sorriso silencioso.
As mãos do louco, longas e magras, com os dedos indicadores em riste, traçavam ondas, círculos e elipses no ar; como que estivesse regendo uma orquestra invisível. Notei-o muito magro. Subitamente, passou a contornar a fonte luminosa da praça, primeiro lentamente, depois se apressando aos poucos e ao final, exatamente quando a fonte luminosa foi ligada, ele estava correndo, suado, ofegante, feliz.
As pessoas que lá estavam aos poucos foram atraídas pelo comportamento completamente fora dos padrões; do louco.
Algumas mulheres olhavam com certo receio a desenvoltura do louco e chamavam, para perto de si, seus rebentos; estes aturdidos, atendiam sem saber o “por quê”!
Dos alto-falantes da fonte luminosa, concomitantemente com o espetáculo de luzes, cores e águas, ouviu-se as primeiras notas de uma ária da música “As Quatro Estações”, de Vivaldi.
E a praça encheu-se com aquelas notas: “tã, tã, tã, tã tarã, tarã, tantantan ...” .
O louco deu um grito agudo, mais parecido com um pio do gavião real. Em seguida, subiu a pequena mureta que limitava as ruelas da praça com os canteiros que circundava a fonte luminosa. Curvou-se cerimoniosamente para as águas cantantes, pés juntos, joelhos dobrados e tronco curvado, olhos cerrados, mãos estendidas em direção à fonte. Em seguida voltou-se costas para a fonte e, diante do público incrédulo, repetiu o cumprimento; tudo exatamente com um maestro de verdade faria, se ali estivesse.
Enquanto algumas pessoas ali na praça faziam muxoxo, sorriso velado, o louco se concentrava, enquanto que a gravação atingia uma parte da música começava um “pizzicato”, ele regeu com energia, mãos ondulantes, olhar enérgico para as águas, que alternavam cores e jatos de cinco metros de altura, depois de um metro e novamente de dois e cinco metros; o louco rodava círculos com os braços e mãos. Quando o jato de água abaixava, ele abaixava, quando o jato subia, ele se punha na ponta dos pés. Começou um “adágio andante”, num crescente, que culminou num movimento “allegro”. O louco maestro suava aos borbotões, mesmo assim não demonstrava cansaço. Foram juntando às pessoas que ali estavam, todo tipo de gente, em pouco, era uma multidão em volta da fonte e do louco.
O operador do som da fonte resolveu então mudar a música e colocou uma valsa de Strauss Jr., a famosa “Danúbio Azul”. O louco maestro, tomado de emoção, tremia da cabeça aos pés, encharcado de suor e de respingos da fonte, feições retorcidas, cabelos em desalinho. Ele bailava com uma “partner” invisível. Num relance, colheu uma rosa no canteiro defronte, prendendo-a aos dentes, enquanto bailava com tanta felicidade, que toda a cidade se iluminou.
Chegaram os guardas municipais, defensores do patrimônio público, que tentaram agarrar o louco. Algumas pessoas se divertiam com a situação; outras permaneceram com comportamento frio, nem contra nem a favor.
Agora estavam três pessoas dentro da fonte, entre os canos chafarizes, com feições multicoloridas. O louco no ponto mais alto, os outros abaixo, o povo assistindo.
De repente, ouviu-se um estrondo, qual um trovão. Um corisco riscou os céus das Terras de Taboão e, um anjo todo de branco e enormes e alvas asas, tomou o louco entre os braços e o levou aos céus, longe da praça, dos guardas municipais e do povo.
Umas três semanas depois desse evento, sonhei com o louco. O rosto sereno, a barba, os cabelos negros e longos eram os mesmos. Olhou-me e mostrou-me as chagas de suas mãos. Era Natal em Taboão da Serra, Brasil. O mundo ocidental sabia, muito bem, quem era o louco da praça...
Criado em 28.02.2008 by ACAS
Antônio Carlos Affonso dos Santos – ACAS. Nascido em julho de 1946, é natural da zona rural de Cravinhos-SP (Brasil). Nascido e criado numa fazenda de café; vive na cidade de São Paulo (Brasil), desde os 13. Formou-se em Física, trabalhou até recentemente no ramo de engenharia, especialista em equipamentos petroquímicos. É escritor amador diletante, cronista, poeta, contista e pesquisador do dialeto “Caipirês”. Tem textos publicados em 8 livros, sendo 4 “solos” e quatro em antologias, junto com outros escritores amadores brasileiros. São seus livros: “Pequeno Dicionário de Caipirês (recém reciclado e aguardando interesse de editoras), o livro infantil “A Sementinha”, um livro de contos, poesias e crônicas “Fragmentos” e o romance infanto-juvenil “Y2K: samba lelê”.
A doceira americana que mudou as mulheres de uma aldeia do Douro
Quando chegou a Trás-os-Montes, em 1987, o feminino não se conjugava em Portugal da mesma forma a que Puri Fernandes se tinha habituado nos EUA. Isso mudou e com a sua ajuda.
Não há como Puri", garantem os amigos. E Parambos, freguesia do concelho de Carrazeda de Ansiães, onde mora, sentiu a turbulência da chegada desta americana, em 1987. Purificacion Fernandes, de 70 anos, conta como um suspiro dos EUA mudou para sempre uma pequena aldeia do Douro. Depois de anos a viajar pelo mundo, entre a língua portuguesa, a espanhola e a inglesa, e de uma carreira de nome nos EUA, goza agora a sua reforma (de forma ativa) nesta localidade que ajudou a mudar, entre a adrenalina de um negócio de compotas e o alojamento rural numa casinha de campo.
Trocou Washington pelo Douro a proposta do marido, o "senhor doutor" Mário Vasco Fernandes, reconhecido médico, cientista e pintor, de raízes portuguesas - mas sem nunca ter morado em Portugal. A casa era da família e resolveram comprá-la quando o pai de Mário morreu. Ele apreciava mais Lisboa, mas Puri queria mesmo era a sua casa no campo. Mantiveram-na propositadamente como uma habitação parada no tempo, de traça antiga e característica de Trás-os-Montes. Quase se podia adivinhar a que zona do país pertence mesmo que só a víssemos pintada num dos quadros do seu já falecido marido.
Só se diferencia da maioria das casas de Parambos por não ter um grande cartaz verde e branco à porta, com uma qualquer frase em declaração de amor ao Sporting Clube de Portugal. Não fosse esta considerada a aldeia mais sportinguista do país. Há anos que 100% dos seus habitantes partilham o mesmo clube. E nem Puri escapou. Não há rasto de Sporting cá fora, mas lá dentro guarda cachecóis e camisolas verdes e brancas. Uma delas onde tem inscrito o logótipo do negócio que fez florescer quando chegou a Parambos e pelo qual é mais popularmente conhecida. Desta casa, saem os famosos Doces da Puri, compotas artesanais de todos os tipos de fruta que planta na sua quinta.
Estamos na cozinha, onde Puri mexe com firmeza um creme de marmelada, com uma colher de pau, enquanto recorda o ano de 1995. O mesmo em que decidiu lançar este pequeno-médio negócio, que de local já corre mundo. No terreno que a família do marido lhes deixou em Parambos, nasciam várias árvores de fruto, com fruta a mais para duas pessoas. Rodopia a colher com mais força e continua a contar. Foi numa ótica de reutilização que Puri decidiu, então, fazer delas creme, ao qual chamaria compota. Começou por fazê-la sozinha, até as encomendas não chegarem para duas mãos, tendo agora três outras mulheres ao seu serviço. Entretanto, o creme já fervilha na panela e toda a atenção tem de estar naquela mestria. Em segundos, a marmelada está pronta a ir para as taças de porcelana. Ou para as embalagens de plásticos e vidro, se já tem dono à espera.
Já lá vão vários prémios para os doces que saem desta cozinha diariamente. Uns nacionais, outros internacionais. Mas "não há segredos", garante Puri. Só uma filosofia, que vai aplicando à vida: "No que toca a doces, nunca se pode mudar a receita original." Por isso é que, aos 70 anos, também já não tenciona abandonar Parambos, a sua primeira receita portuguesa.
Mudar a aldeia, mulher a mulher
No início de 1987, o país preparava-se para umas eleições legislativas que viriam a manter Aníbal Cavaco Silva no lugar de primeiro-ministro português. Portugal andava devagar, não muito longe da ressaca dos tempos de repressão. Ainda mais nas pequenas localidades, e Parambos não era exceção. A pequena localidade de menos de 300 habitantes não estava preparada para, de repente, receber um pedaço do norte da América, tão livre e desperta. Nem para Puri Fernandes. Mas a norte-americana lembra como a sua chegada "veio provocar várias mudanças na aldeia, principalmente para as mulheres".
Teve "uns problemas" no início. Era a esposa de Mário Vasco Fernandes e não a Puri. "Não me reconheciam o direito de responder a nada sequer." Mas respondia, garante.
"O meu marido fazia aqui produção do vinho e, na altura das vindimas, os ajudantes tinham por tradição limpar o sapato do dono da terra quando ele chegava. Mas não era o dele que limpavam. Era o meu."
Lembra-se da estranheza que causou e daquela que sentiu quando chegou. "Estávamos a construir esta cozinha e chamámos uma pessoa referenciada aqui da aldeia para a pintura. Quando estava a pôr andaimes para pintar, eu pensei: 'Vou aproveitar para ajudar, até porque sou boa com pinturas.' Eu subi e, imediatamente, mostrou-se chateado por uma mulher se estar a meter no trabalho dele. Disse-lhe 'vai ser mais fácil dar um pontapé no seu rabo e atirá-lo lá para baixo do que você tirar-me daqui de cima'. E ele percebeu que com esta não se brinca", recorda, sem conter uma gargalhada.
O que "era aceitável nos EUA, cá nem pensar". Nem mesmo uma mulher lavar um carro. "Quando cheguei, sempre que convidava as mulheres para algo, diziam-me que não podiam porque os maridos não deixavam ou que iam perguntar-lhes se podiam ir. Mas fui mostrando que nós temos um papel maior do que este enquanto mulheres. Que ser eu a lavar o carro, por exemplo, não me tira nenhum pedaço."
Aos poucos, a norte-americana viu a aldeia transformar-se. Deixou de ser a esposa de alguém para ser a "dona Puri". Rapidamente, provocou um reconhecimento que nenhuma outra mulher parecia ter naquela aldeia. "O meu marido fazia aqui produção do vinho e, na altura das vindimas, os ajudantes tinham por tradição limpar o sapato do dono da terra quando ele chegava. Mas não era o dele que limpavam. Era o meu."
Nunca pensou acerrimamente se a determinação com que define o papel de uma mulher na sociedade é fruto da vida ambulante que leva desde que tem meses de idade, de contacto com diferentes culturas ou do caminho profissional que escolheu. Adivinha que seja um pouco dos dois, mas que talvez se deva mais às profissões que exerceu. Primeiro, trabalhou como como membro do quadro internacional de programas de desenvolvimento regional e social na Organização dos Estados Americanos (OEA). Depois, nos programas sociais da Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento.
No caso de ambos os cargos que exerceu nos EUA, lembra que "era a única mulher entre homens". Ou "one of the guys", como costuma dizer. "E quando se trabalha só com homens, aprendes a sobreviver como mulher e a afirmar-te no meio deles", conta. "Se faziam uma piada, eu chutava uma pior e acabava ali a conversa."
Pouco a pouco, Puri foi provocando uma revolução silenciosa entre as mulheres. Mas não foi apenas o papel feminino que mudou em Parambos. Conta que a chegada do casal teve também influência na forma como os locais olhavam para as suas habitações. Onde viam uma casa longe de acompanhar os tempos modernos, Puri via a beleza da tradição. "Houve uma altura em que as pessoas queriam desmanchar as casas e construir novas, de tijolos. Eu dizia-lhes para não o fazerem, que tinham casas tão bonitas de pedra, para as preservarem", conta. Assim foi, na maioria dos casos.
Um amor em Washington que se prolongou até ao Douro
Puri nasceu na Galiza, onde não ficou mais do que meses, até os pais se decidirem mudar para a Argentina por motivos profissionais. O pai tinha uma carreira de sucesso na indústria de fornos elétricos. Por isso, quando a filha tinha apenas 5 anos, voltam a voar, desta vez sem trocar de continente: para o Brasil. Primeiro, em Brasília, depois no Rio de Janeiro.
Só mais tarde, era ela uma estudante de Direito, conhece o pai de um dos seus três filhos, com quem queria experimentar a vida nos EUA. Mas apenas quando já estava separada e com um filho com meses de vida, em 1970, é que Puri assentou neste país. E mesmo com tanta outra vida passada até lá chegar, que lhe deu até um sotaque brasileiro quando fala português, considera-se "100% norte-americana".
Corria o ano de 1978 quando abriu espaço a um amor que a acompanharia para o resto da vida. Neste ano, Puri e Mário Vasco Fernandes cruzaram pela primeira vez caminhos, numa conferência em Washington. "Tinha ele acabado de ficar viúvo", lembra.
Puri conta a vida de Mário em tom de admiração. O médico veterinário foi também o cientista que ajudou a criar a vacina da raiva, que substituiu a descoberta de Pasteur. Durante cerca de 30 anos, ocupou os quadros superiores da Organização Mundial da Saúde, entre 1965 e 1989.
Viajou o mundo, ancorado na profissão, mas mais em pormenor a América do Sul, onde criou um instituto que alcançou a erradicação da febre aftosa. Geriu ainda uma instituição que coordenava a saúde de toda a América Latina e assinou centenas de trabalhos em revistas científicas conceituadas. Puri confidencia mesmo que Mário "foi uma vez indicado para o Prémio Nobel da Medicina".
Depois de reformado, aos 73 anos, dedicou-se a uma paixão antiga: a pintura. Mostrou a sua obra a Carrazeda de Ansiães, que de tão encantada decidiu, em 2015, dar o seu nome a uma das suas ruas - agora Rua Dr. Mário Vasco Fernandes. Mário pintava sobretudo cartas de amor às tradições transmontanas, as suas casas e becos. A técnica tinha aprendido há mais de três décadas, quando frequentou escolas da Academia de Arte Livre de Paris, nos anos 1950.
A sua vida começou 20 anos adiantada à de Puri Fernandes. "Estávamos em fases muito diferentes da vida, mas resultávamos porque ele sabia que eu estava bem com ele, mas estava muito bem sozinha também. É a segurança de que um relacionamento precisa, seja ele qual for", explica.
Portugal só foi um plano por consequência da sua história de amor e é o país onde Puri pretende gozar o resto da vida. "Já sou transmontana", não teme em dizer. "Aqui ou nos EUA, estou em casa."
Catarina Reis
Diário de Notícias
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
Não há como Puri", garantem os amigos. E Parambos, freguesia do concelho de Carrazeda de Ansiães, onde mora, sentiu a turbulência da chegada desta americana, em 1987. Purificacion Fernandes, de 70 anos, conta como um suspiro dos EUA mudou para sempre uma pequena aldeia do Douro. Depois de anos a viajar pelo mundo, entre a língua portuguesa, a espanhola e a inglesa, e de uma carreira de nome nos EUA, goza agora a sua reforma (de forma ativa) nesta localidade que ajudou a mudar, entre a adrenalina de um negócio de compotas e o alojamento rural numa casinha de campo.
Trocou Washington pelo Douro a proposta do marido, o "senhor doutor" Mário Vasco Fernandes, reconhecido médico, cientista e pintor, de raízes portuguesas - mas sem nunca ter morado em Portugal. A casa era da família e resolveram comprá-la quando o pai de Mário morreu. Ele apreciava mais Lisboa, mas Puri queria mesmo era a sua casa no campo. Mantiveram-na propositadamente como uma habitação parada no tempo, de traça antiga e característica de Trás-os-Montes. Quase se podia adivinhar a que zona do país pertence mesmo que só a víssemos pintada num dos quadros do seu já falecido marido.
Só se diferencia da maioria das casas de Parambos por não ter um grande cartaz verde e branco à porta, com uma qualquer frase em declaração de amor ao Sporting Clube de Portugal. Não fosse esta considerada a aldeia mais sportinguista do país. Há anos que 100% dos seus habitantes partilham o mesmo clube. E nem Puri escapou. Não há rasto de Sporting cá fora, mas lá dentro guarda cachecóis e camisolas verdes e brancas. Uma delas onde tem inscrito o logótipo do negócio que fez florescer quando chegou a Parambos e pelo qual é mais popularmente conhecida. Desta casa, saem os famosos Doces da Puri, compotas artesanais de todos os tipos de fruta que planta na sua quinta.
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
Estamos na cozinha, onde Puri mexe com firmeza um creme de marmelada, com uma colher de pau, enquanto recorda o ano de 1995. O mesmo em que decidiu lançar este pequeno-médio negócio, que de local já corre mundo. No terreno que a família do marido lhes deixou em Parambos, nasciam várias árvores de fruto, com fruta a mais para duas pessoas. Rodopia a colher com mais força e continua a contar. Foi numa ótica de reutilização que Puri decidiu, então, fazer delas creme, ao qual chamaria compota. Começou por fazê-la sozinha, até as encomendas não chegarem para duas mãos, tendo agora três outras mulheres ao seu serviço. Entretanto, o creme já fervilha na panela e toda a atenção tem de estar naquela mestria. Em segundos, a marmelada está pronta a ir para as taças de porcelana. Ou para as embalagens de plásticos e vidro, se já tem dono à espera.
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
Já lá vão vários prémios para os doces que saem desta cozinha diariamente. Uns nacionais, outros internacionais. Mas "não há segredos", garante Puri. Só uma filosofia, que vai aplicando à vida: "No que toca a doces, nunca se pode mudar a receita original." Por isso é que, aos 70 anos, também já não tenciona abandonar Parambos, a sua primeira receita portuguesa.
Mudar a aldeia, mulher a mulher
No início de 1987, o país preparava-se para umas eleições legislativas que viriam a manter Aníbal Cavaco Silva no lugar de primeiro-ministro português. Portugal andava devagar, não muito longe da ressaca dos tempos de repressão. Ainda mais nas pequenas localidades, e Parambos não era exceção. A pequena localidade de menos de 300 habitantes não estava preparada para, de repente, receber um pedaço do norte da América, tão livre e desperta. Nem para Puri Fernandes. Mas a norte-americana lembra como a sua chegada "veio provocar várias mudanças na aldeia, principalmente para as mulheres".
Teve "uns problemas" no início. Era a esposa de Mário Vasco Fernandes e não a Puri. "Não me reconheciam o direito de responder a nada sequer." Mas respondia, garante.
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
"O meu marido fazia aqui produção do vinho e, na altura das vindimas, os ajudantes tinham por tradição limpar o sapato do dono da terra quando ele chegava. Mas não era o dele que limpavam. Era o meu."
Lembra-se da estranheza que causou e daquela que sentiu quando chegou. "Estávamos a construir esta cozinha e chamámos uma pessoa referenciada aqui da aldeia para a pintura. Quando estava a pôr andaimes para pintar, eu pensei: 'Vou aproveitar para ajudar, até porque sou boa com pinturas.' Eu subi e, imediatamente, mostrou-se chateado por uma mulher se estar a meter no trabalho dele. Disse-lhe 'vai ser mais fácil dar um pontapé no seu rabo e atirá-lo lá para baixo do que você tirar-me daqui de cima'. E ele percebeu que com esta não se brinca", recorda, sem conter uma gargalhada.
O que "era aceitável nos EUA, cá nem pensar". Nem mesmo uma mulher lavar um carro. "Quando cheguei, sempre que convidava as mulheres para algo, diziam-me que não podiam porque os maridos não deixavam ou que iam perguntar-lhes se podiam ir. Mas fui mostrando que nós temos um papel maior do que este enquanto mulheres. Que ser eu a lavar o carro, por exemplo, não me tira nenhum pedaço."
Aos poucos, a norte-americana viu a aldeia transformar-se. Deixou de ser a esposa de alguém para ser a "dona Puri". Rapidamente, provocou um reconhecimento que nenhuma outra mulher parecia ter naquela aldeia. "O meu marido fazia aqui produção do vinho e, na altura das vindimas, os ajudantes tinham por tradição limpar o sapato do dono da terra quando ele chegava. Mas não era o dele que limpavam. Era o meu."
Nos cargos que ocupou, era a única mulher entre homens. "E quando se trabalha só com homens, aprendes a sobreviver como mulher e a afirmar-te no meio deles."
Nunca pensou acerrimamente se a determinação com que define o papel de uma mulher na sociedade é fruto da vida ambulante que leva desde que tem meses de idade, de contacto com diferentes culturas ou do caminho profissional que escolheu. Adivinha que seja um pouco dos dois, mas que talvez se deva mais às profissões que exerceu. Primeiro, trabalhou como como membro do quadro internacional de programas de desenvolvimento regional e social na Organização dos Estados Americanos (OEA). Depois, nos programas sociais da Fundação Pan-Americana para o Desenvolvimento.
No caso de ambos os cargos que exerceu nos EUA, lembra que "era a única mulher entre homens". Ou "one of the guys", como costuma dizer. "E quando se trabalha só com homens, aprendes a sobreviver como mulher e a afirmar-te no meio deles", conta. "Se faziam uma piada, eu chutava uma pior e acabava ali a conversa."
Pouco a pouco, Puri foi provocando uma revolução silenciosa entre as mulheres. Mas não foi apenas o papel feminino que mudou em Parambos. Conta que a chegada do casal teve também influência na forma como os locais olhavam para as suas habitações. Onde viam uma casa longe de acompanhar os tempos modernos, Puri via a beleza da tradição. "Houve uma altura em que as pessoas queriam desmanchar as casas e construir novas, de tijolos. Eu dizia-lhes para não o fazerem, que tinham casas tão bonitas de pedra, para as preservarem", conta. Assim foi, na maioria dos casos.
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| Foto Leonel de Castro/Global Imagens |
Um amor em Washington que se prolongou até ao Douro
Puri nasceu na Galiza, onde não ficou mais do que meses, até os pais se decidirem mudar para a Argentina por motivos profissionais. O pai tinha uma carreira de sucesso na indústria de fornos elétricos. Por isso, quando a filha tinha apenas 5 anos, voltam a voar, desta vez sem trocar de continente: para o Brasil. Primeiro, em Brasília, depois no Rio de Janeiro.
Só mais tarde, era ela uma estudante de Direito, conhece o pai de um dos seus três filhos, com quem queria experimentar a vida nos EUA. Mas apenas quando já estava separada e com um filho com meses de vida, em 1970, é que Puri assentou neste país. E mesmo com tanta outra vida passada até lá chegar, que lhe deu até um sotaque brasileiro quando fala português, considera-se "100% norte-americana".
Corria o ano de 1978 quando abriu espaço a um amor que a acompanharia para o resto da vida. Neste ano, Puri e Mário Vasco Fernandes cruzaram pela primeira vez caminhos, numa conferência em Washington. "Tinha ele acabado de ficar viúvo", lembra.
Puri confidencia mesmo que Mário "foi uma vez indicado para o Prémio Nobel da Medicina".
Puri conta a vida de Mário em tom de admiração. O médico veterinário foi também o cientista que ajudou a criar a vacina da raiva, que substituiu a descoberta de Pasteur. Durante cerca de 30 anos, ocupou os quadros superiores da Organização Mundial da Saúde, entre 1965 e 1989.
Viajou o mundo, ancorado na profissão, mas mais em pormenor a América do Sul, onde criou um instituto que alcançou a erradicação da febre aftosa. Geriu ainda uma instituição que coordenava a saúde de toda a América Latina e assinou centenas de trabalhos em revistas científicas conceituadas. Puri confidencia mesmo que Mário "foi uma vez indicado para o Prémio Nobel da Medicina".
Depois de reformado, aos 73 anos, dedicou-se a uma paixão antiga: a pintura. Mostrou a sua obra a Carrazeda de Ansiães, que de tão encantada decidiu, em 2015, dar o seu nome a uma das suas ruas - agora Rua Dr. Mário Vasco Fernandes. Mário pintava sobretudo cartas de amor às tradições transmontanas, as suas casas e becos. A técnica tinha aprendido há mais de três décadas, quando frequentou escolas da Academia de Arte Livre de Paris, nos anos 1950.
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| "Já sou transmontana", não teme em dizer. "Aqui ou nos EUA, estou em casa."© Leonel de Castro/Global Imagens |
A sua vida começou 20 anos adiantada à de Puri Fernandes. "Estávamos em fases muito diferentes da vida, mas resultávamos porque ele sabia que eu estava bem com ele, mas estava muito bem sozinha também. É a segurança de que um relacionamento precisa, seja ele qual for", explica.
Portugal só foi um plano por consequência da sua história de amor e é o país onde Puri pretende gozar o resto da vida. "Já sou transmontana", não teme em dizer. "Aqui ou nos EUA, estou em casa."
Catarina Reis
Diário de Notícias
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Incêndio deixa homem desalojado em Mascarenhas (Mirandela)
Um homem, na casa dos 40 anos, ficou hoje desalojado devido a um incêndio, na freguesia de Mascarenhas, concelho de Mirandela.
Na altura da propagação das chamas, ninguém estava na habitação, não havendo por isso feridos a registar.
O alerta foi dado cerca do meio-dia, e para o local dirigiram-se 14 operacionais, apoiados por seis viaturas.
O lesado, único morador da casa, está agora a ser acompanhado pelo serviço de Ação Social do Município.
Escrito por ONDA LIVRE
Na altura da propagação das chamas, ninguém estava na habitação, não havendo por isso feridos a registar.
O alerta foi dado cerca do meio-dia, e para o local dirigiram-se 14 operacionais, apoiados por seis viaturas.
O lesado, único morador da casa, está agora a ser acompanhado pelo serviço de Ação Social do Município.
Escrito por ONDA LIVRE
Alfândega da Fé celebra uma década do Festival Sete Sóis Sete Luas
O município de Alfândega da Fé celebra, com espetáculos nos dias 06 e 13 de setembro, uma década da chegada a este concelho do distrito de Bragança do Festival Sete Sóis Sete Luas, informou hoje a Câmara Municipal.
Alfândega da Fé aderiu em 2010 à rede cultural deste festival internacional com 33 localidades de 13 países do Mediterrâneo e do mundo lusófono, como recorda, numa nota de imprensa, a autarquia que é a única a integrar esta rede no Norte de Portugal.
Desde então, o final do verão é marcado na vila transmontana pelos ritmos de várias “latitudes e longitudes” como irá acontecer nas duas primeiras sextas-feiras de setembro.
Na noite de 06 de setembro atuam no Largo de São Sebastião a ORKESTRA POPULAR DES 7LUAS, composta por músicos de Portugal, Espanha, Guiné Bissau, Itália e Brasil, e também os grupos de cantares de Alfândega da Fé e Sambade, uma freguesia deste concelho.
A 13 de setembro chega de Cabo Verde a BRAVA 7LUAS BAND e a noite termina com o projeto “O que é singular num coletivo?”, resultado de uma parceria entre o Serviço Educativo do Museu do Douro e a Escola de Música da Associação Musical de Alfândega da Fé.
O festival internacional Sete Sóis Sete Luas conta 27 edições repartidas por várias localidades com o propósito de promover o diálogo intercultural e divulgar a cultura e potencialidades das localidades e países participantes. De acordo com a autarquia de Alfândega da Fé, “o Sete Sóis Sete Luas faz das artes plásticas e da música popular contemporânea o instrumento privilegiado para a promoção turístico cultural dos diferentes países que o integram, mas também a gastronomia e os sabores destes locais se cruzam nesta festa da multiculturalidade”.
“De Alfândega da Fé para todo o mundo, o chefe Marco Gomes, natural deste concelho, levou em julho, os sabores das terras transmontanas até Itália. Também cá já chegaram aromas e sabores dos vários países desta rede, intensos e ricos como as suas culturas”, recorda o município.
Este festival começou por uma parceria entre Itália e Portugal e foi sendo alargado a países como a Grécia, Espanha, Cabo Verde, França, Marrocos, Israel, Croácia, Brasil, Roménia, Eslovénia e Tunísia.
O evento é feito de várias atividades como exposições, residência artísticas, laboratórios de criatividade, degustações e concertos.
A Música Do Mundo Em Alfandega Da Fé
Largo de São Sebastião
O Festival Sete Sóis Sete Luas, promotor de artes e culturas do Mediterrâneo e do mundo lusófono, com o apoio do Municipio de Alfandega da Fé e do programa Europa Criativa, será mais uma vez apresentado em Alfandega da Fé para celebrar a sua XXVII edição.
6 SETEMBRO 21H30 | LARGO S. SEBASTIÃO Orkestra Popular des 7Luas (Brasil, Espanha, Guiné-Bissau, Itália, Portugal) com a participação dos grupos de cantares de Alfândega da Fé e de Sambade Produção Original do Festival Sete Sóis Sete Luas com o apoio do Programa Europa Criativa
ENTRADA LIVRE 13 SETEMBRO 21H30 | LARGO S. SEBASTIÃO
Brava 7Luas Band (Cabo Verde) 22H30 | LARGO S. SEBASTIÃO projeto “O que é Singular num Coletivo?”
Parceria entre o Serviço Educativo do Museu do Douro com Escola de Música de Associação Musical de Alfândega da Fé
in:diariodetrasosmontes.com
C/Agência Lusa
Alfândega da Fé aderiu em 2010 à rede cultural deste festival internacional com 33 localidades de 13 países do Mediterrâneo e do mundo lusófono, como recorda, numa nota de imprensa, a autarquia que é a única a integrar esta rede no Norte de Portugal.
Desde então, o final do verão é marcado na vila transmontana pelos ritmos de várias “latitudes e longitudes” como irá acontecer nas duas primeiras sextas-feiras de setembro.
Na noite de 06 de setembro atuam no Largo de São Sebastião a ORKESTRA POPULAR DES 7LUAS, composta por músicos de Portugal, Espanha, Guiné Bissau, Itália e Brasil, e também os grupos de cantares de Alfândega da Fé e Sambade, uma freguesia deste concelho.
A 13 de setembro chega de Cabo Verde a BRAVA 7LUAS BAND e a noite termina com o projeto “O que é singular num coletivo?”, resultado de uma parceria entre o Serviço Educativo do Museu do Douro e a Escola de Música da Associação Musical de Alfândega da Fé.
O festival internacional Sete Sóis Sete Luas conta 27 edições repartidas por várias localidades com o propósito de promover o diálogo intercultural e divulgar a cultura e potencialidades das localidades e países participantes. De acordo com a autarquia de Alfândega da Fé, “o Sete Sóis Sete Luas faz das artes plásticas e da música popular contemporânea o instrumento privilegiado para a promoção turístico cultural dos diferentes países que o integram, mas também a gastronomia e os sabores destes locais se cruzam nesta festa da multiculturalidade”.
“De Alfândega da Fé para todo o mundo, o chefe Marco Gomes, natural deste concelho, levou em julho, os sabores das terras transmontanas até Itália. Também cá já chegaram aromas e sabores dos vários países desta rede, intensos e ricos como as suas culturas”, recorda o município.
Este festival começou por uma parceria entre Itália e Portugal e foi sendo alargado a países como a Grécia, Espanha, Cabo Verde, França, Marrocos, Israel, Croácia, Brasil, Roménia, Eslovénia e Tunísia.
O evento é feito de várias atividades como exposições, residência artísticas, laboratórios de criatividade, degustações e concertos.
A Música Do Mundo Em Alfandega Da Fé
Largo de São Sebastião
O Festival Sete Sóis Sete Luas, promotor de artes e culturas do Mediterrâneo e do mundo lusófono, com o apoio do Municipio de Alfandega da Fé e do programa Europa Criativa, será mais uma vez apresentado em Alfandega da Fé para celebrar a sua XXVII edição.
6 SETEMBRO 21H30 | LARGO S. SEBASTIÃO Orkestra Popular des 7Luas (Brasil, Espanha, Guiné-Bissau, Itália, Portugal) com a participação dos grupos de cantares de Alfândega da Fé e de Sambade Produção Original do Festival Sete Sóis Sete Luas com o apoio do Programa Europa Criativa
ENTRADA LIVRE 13 SETEMBRO 21H30 | LARGO S. SEBASTIÃO
Brava 7Luas Band (Cabo Verde) 22H30 | LARGO S. SEBASTIÃO projeto “O que é Singular num Coletivo?”
Parceria entre o Serviço Educativo do Museu do Douro com Escola de Música de Associação Musical de Alfândega da Fé
in:diariodetrasosmontes.com
C/Agência Lusa
Macedo de Cavaleiros: um palco de multiculturalismo com o Festival Internacional de Música Tradicional
Anualmente, o festival vai trazendo à cidade a música e a cultura de vários pontos do mundo e, desta vez, além de grupos portugueses, estiverem em destaque a vizinha Espanha e as sonoridades do continente africano.
O grupo espanhol Aljibe veio pela segunda vez, tendo sido a primeira visita há 12 anos. Juan Rodriguez, da banda, destaca a receptividade do público português. “O festival é uma maravilha e está consolidado com tantas edições e tantos anos. É muito difícil chegar a consolidar um festival assim que a cada ano se vai superando. A música em Portugal encanta-nos porque temos muito em comum, muitos ritmos e instrumentos tradicionais e a prova está no que fazemos. Temos muito em comum, mais que o que pensamos. A noite foi preciosas e o público magnífico”.
Quem também actuou no festival foram os portugueses Albaluna. A banda, de Torres Vedras, que em 2020 cumpre 10 anos, veio pela primeira vez. Para o músico Rúben Monteiro é uma forma de conhecer outras formas de fazer música. “Este tipo de festivais é das coisas mais importantes que se pode fazer dentro do nosso género musical e penso que, de uma forma geral, para dinamizar seja o interior seja o litoral. No caso dos Albaluna temos viajado muito, tanto em Portugal como no resto do mundo, e aquilo que mais gostamos de fazer é tocar, conhecer novas culturas, pessoas, e fazer novas amizades e podemos difundir a nossa música”.
Bruno Berça, dos Gaiteiros do Nordeste, grupo que tem vindo há vários anos a fazer parte do cartaz do festival, sublinha o intercâmbio que a iniciativa permite criar entre vários grupos. “Já há alguns anos que temos vindo a participar e temos um carinho muito especial por este festival. Dá-nos muito gosto participar porque o público acolhe-nos bem, as pessoas gostam e já nos conhecem. É sempre uma experiência muito boa. Dá a conhecer às pessoas aquilo a que no dia-a-dia aquilo não têm acesso. É importante porque é um festival internacional e permite o intercâmbio entre grupos”.
Pela primeira vez, o festival contou este ano com três dias de festa. Além dos concertos na Praça das Eiras também se levou a música à Praia da Ribeira, no Azibo, e à Igreja de São Pedro.
O festival decorreu ao longo do fim-de-semana.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
O grupo espanhol Aljibe veio pela segunda vez, tendo sido a primeira visita há 12 anos. Juan Rodriguez, da banda, destaca a receptividade do público português. “O festival é uma maravilha e está consolidado com tantas edições e tantos anos. É muito difícil chegar a consolidar um festival assim que a cada ano se vai superando. A música em Portugal encanta-nos porque temos muito em comum, muitos ritmos e instrumentos tradicionais e a prova está no que fazemos. Temos muito em comum, mais que o que pensamos. A noite foi preciosas e o público magnífico”.
Quem também actuou no festival foram os portugueses Albaluna. A banda, de Torres Vedras, que em 2020 cumpre 10 anos, veio pela primeira vez. Para o músico Rúben Monteiro é uma forma de conhecer outras formas de fazer música. “Este tipo de festivais é das coisas mais importantes que se pode fazer dentro do nosso género musical e penso que, de uma forma geral, para dinamizar seja o interior seja o litoral. No caso dos Albaluna temos viajado muito, tanto em Portugal como no resto do mundo, e aquilo que mais gostamos de fazer é tocar, conhecer novas culturas, pessoas, e fazer novas amizades e podemos difundir a nossa música”.
Bruno Berça, dos Gaiteiros do Nordeste, grupo que tem vindo há vários anos a fazer parte do cartaz do festival, sublinha o intercâmbio que a iniciativa permite criar entre vários grupos. “Já há alguns anos que temos vindo a participar e temos um carinho muito especial por este festival. Dá-nos muito gosto participar porque o público acolhe-nos bem, as pessoas gostam e já nos conhecem. É sempre uma experiência muito boa. Dá a conhecer às pessoas aquilo a que no dia-a-dia aquilo não têm acesso. É importante porque é um festival internacional e permite o intercâmbio entre grupos”.
Pela primeira vez, o festival contou este ano com três dias de festa. Além dos concertos na Praça das Eiras também se levou a música à Praia da Ribeira, no Azibo, e à Igreja de São Pedro.
O festival decorreu ao longo do fim-de-semana.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
Aldeia brigantina de São Pedro de Sarracenos assinalou 19 anos de feira das cebolas
Conhecida como a terra das cebolas, a aldeia de São Pedro de Sarracenos, em Bragança, celebrou ontem o sector agrícola.
Há 19 anos que a localidade abre portas a um certame dedicado às cebolas e há quem diga que será mesmo a mais antiga feira rural do concelho. Fábio Pires, um dos agricultores que leva o produto à feira, dedica-se a este cultivo há três anos e destaca que não falta gente para comprar. “Vende-se bem, cerca de 2500 quilos. É o terceiro ano e cada ano tenho vendido mais. Aqui na feira vendo perto de 1500 mas depois vou vendendo ao longo do ano. Isto é gosto próprio pela agricultura, tem que se gostar e isto é um passatempo”.
Humberto dos Santos, presidente da junta de freguesia, sublinha que a feira é uma verdadeira festa para a localidade. “É a mais antiga do concelho deste tipo de feiras e isto já é uma tradição. A nomeada da aldeia é São Pedro das cebolas talvez porque a cebola tem qualidade. Temos dois produtores a vender na feira mas quase todas as casas produzem para consumo próprio”.
Hernâni Dias, presidente da câmara municipal de Bragança, destaca que a feira atrai gente de todo o concelho e até de fora dele. “Muita gente aqui vem propositadamente, até de outros concelhos. Já encontrei aqui pessoas da zona do Porto que vieram propositadamente para adquirir as cebolas. Mostra que há muito interesse pelo produto. Faz com que as nossas aldeias se mantenham vivas, sejam visitadas por outras pessoas que não vivem nessas mesmas localidades e, no fundo, dar um contributo para a actividade económica do concelho”.
A Feira das Cebolas aconteceu ontem, pela décima nona vez, em São Pedro de Sarracenos.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
Há 19 anos que a localidade abre portas a um certame dedicado às cebolas e há quem diga que será mesmo a mais antiga feira rural do concelho. Fábio Pires, um dos agricultores que leva o produto à feira, dedica-se a este cultivo há três anos e destaca que não falta gente para comprar. “Vende-se bem, cerca de 2500 quilos. É o terceiro ano e cada ano tenho vendido mais. Aqui na feira vendo perto de 1500 mas depois vou vendendo ao longo do ano. Isto é gosto próprio pela agricultura, tem que se gostar e isto é um passatempo”.
Humberto dos Santos, presidente da junta de freguesia, sublinha que a feira é uma verdadeira festa para a localidade. “É a mais antiga do concelho deste tipo de feiras e isto já é uma tradição. A nomeada da aldeia é São Pedro das cebolas talvez porque a cebola tem qualidade. Temos dois produtores a vender na feira mas quase todas as casas produzem para consumo próprio”.
Hernâni Dias, presidente da câmara municipal de Bragança, destaca que a feira atrai gente de todo o concelho e até de fora dele. “Muita gente aqui vem propositadamente, até de outros concelhos. Já encontrei aqui pessoas da zona do Porto que vieram propositadamente para adquirir as cebolas. Mostra que há muito interesse pelo produto. Faz com que as nossas aldeias se mantenham vivas, sejam visitadas por outras pessoas que não vivem nessas mesmas localidades e, no fundo, dar um contributo para a actividade económica do concelho”.
A Feira das Cebolas aconteceu ontem, pela décima nona vez, em São Pedro de Sarracenos.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
Seminário de São José, em Bragança, vai sofrer obras de requalificação
A diocese de Bragança-Miranda já assinou o contrato de empreitada para a primeira fase do projecto.
Segundo o padre Delfim Gomes, que integra o Instituto Diocesano do Clero, e está a acompanhar o projecto, a obra tem como objectivo renovar o corpo central da estrutura para que possa funcionar como uma casa do presbitério local e para a formação permanente dos pastores, em todas as fases da vida sacerdotal. “Há uma necessidade na nossa diocese de um espaço físico que englobasse toda a área pastoral. Verificámos que o espaço ideal era o seminário. Trata-se da requalificação do corpo central do seminário que irá servir para este objectivo. Em primeiro lugar é o apoio que tem que se dar aos sacerdotes jubilados, ter um espaço de conforto e de afecto ao fim de uma vida dedicada ao evangelho, e, em segundo, centralizar nesse espaço um lugar de formação dos seus agentes pastorais. Vai ser um polo dinamizador de toda a pastoral”.
A empreitada tem o valor global de um milhão e 300 mil euros. Para a assegurar, a diocese está a contar com o apoio das paróquias transmontanas e de todos quantos queiram contribuir. “Essa é a parte mais complicada da obra. Estamos a acompanhá-la já há dois ou três anos, na elaboração de projecto. Esta fase, que é a estrutura e telhado, é a primeira fase, que fica em 635 mil euros. A obra está divida em duas fases. Vamos contar com o apoio de várias pessoas e vamos começar a fazer uma campanha de angariação de fundos porque é uma obra que embora localizada em Bragança é de todos e para toda a diocese”.
A diocese pretende ainda abrir este espaço à comunidade em geral, enquanto lugar de retiros ou exercícios espirituais. “Queremos que o seminário seja uma casa aberta à comunidade. Não podia ser de outra forma”.
A empreitada passa pela requalificação de espaços como a biblioteca, cozinha, bar e lavandaria e será criado um auditório. O actual edifício do seminário recebeu os primeiros alunos em 1932.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
Segundo o padre Delfim Gomes, que integra o Instituto Diocesano do Clero, e está a acompanhar o projecto, a obra tem como objectivo renovar o corpo central da estrutura para que possa funcionar como uma casa do presbitério local e para a formação permanente dos pastores, em todas as fases da vida sacerdotal. “Há uma necessidade na nossa diocese de um espaço físico que englobasse toda a área pastoral. Verificámos que o espaço ideal era o seminário. Trata-se da requalificação do corpo central do seminário que irá servir para este objectivo. Em primeiro lugar é o apoio que tem que se dar aos sacerdotes jubilados, ter um espaço de conforto e de afecto ao fim de uma vida dedicada ao evangelho, e, em segundo, centralizar nesse espaço um lugar de formação dos seus agentes pastorais. Vai ser um polo dinamizador de toda a pastoral”.
A empreitada tem o valor global de um milhão e 300 mil euros. Para a assegurar, a diocese está a contar com o apoio das paróquias transmontanas e de todos quantos queiram contribuir. “Essa é a parte mais complicada da obra. Estamos a acompanhá-la já há dois ou três anos, na elaboração de projecto. Esta fase, que é a estrutura e telhado, é a primeira fase, que fica em 635 mil euros. A obra está divida em duas fases. Vamos contar com o apoio de várias pessoas e vamos começar a fazer uma campanha de angariação de fundos porque é uma obra que embora localizada em Bragança é de todos e para toda a diocese”.
A diocese pretende ainda abrir este espaço à comunidade em geral, enquanto lugar de retiros ou exercícios espirituais. “Queremos que o seminário seja uma casa aberta à comunidade. Não podia ser de outra forma”.
A empreitada passa pela requalificação de espaços como a biblioteca, cozinha, bar e lavandaria e será criado um auditório. O actual edifício do seminário recebeu os primeiros alunos em 1932.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
Vila Flor é dos concelhos que mais exporta no distrito de Bragança
A garantia foi deixada pelo presidente da câmara, Fernando Barros, na décima sexta edição da TerraFlor, certame que terminou ontem.
Na origem dos números está, essencialmente, o que é produzido no concelho em termos agrícolas mas o autarca sublinha que há cada vez mais produtores e que têm crescido em termos do que é a promoção e estratégia de marketing do que comercializam. “Vila Flor está entre o segundo e terceiro concelho que mais exporta no distrito de Bragança. Temos aqui produtos na agro-indústria que têm peso enorme, como os cogumelos, a nível de frutas, no vale da Vilariça, temos produtores de grande dimensão, que abastecem as grandes cadeias de distribuição, e outros produtos como o azeite e o vinho. Hoje a TerraFlor tem um leque enorme de produtores de Vil Flor. Os nossos produtores hoje são produtores que sabem estar, que sabem apresentar e comunicar. Há uma coisa muito importante, em todas as suas embalagens têm escrito algo fundamental que é: Vila Flor”.
Já que a agricultura é a maior responsável pela posição que o concelho ocupa em termos de exportação, o autarca sublinha o peso que a água tem naquela região. “Temos um projecto aprovado de uma barragem para Friexiel mas já estamos a trabalhar num reforço da Vilariça e vamos apresentar ainda a este aviso uma candidatura. Precisamos de mais água no Vale da Vilariça. Não se faz agricultura rentável sem água e vai ser essa a nossa aposta”.
A décima sexta edição da TerraFlor contou com mais de 120 expositores que aplaudem a divulgação que com o certame é dado ao concelho. “É importante e sempre positivo divulgar o que temos aqui”, considerou uma das expositoras.
Nesta edição da TerraFlor o turismo assumiu destaque através de um seminário. Segundo Ana Fragoso, da organização, tentou assim perceber-se que é importante fazer crescer a área do turismo porque é complementar e, ao mesmo tempo, ajuda a vender os produtos e a terra. “É também uma forma de promover os próprios produtos. Os recursos que Vila Flor tem podem ser vendidos através do turismo. É um sector que se quer incrementar e que se procura que cresça. Nada melhor que trazer conhecimento e informação por isso trouxemos aqui alguns especialistas de diversas áreas. Falamos dos territórios, das pessoas e de como rentabilizar e criar diferenciação em cada território”.
A TerraFlor, que contou com mais de 120 expositores, essencialmente do concelho de Vila Flor, terminou ontem.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
Na origem dos números está, essencialmente, o que é produzido no concelho em termos agrícolas mas o autarca sublinha que há cada vez mais produtores e que têm crescido em termos do que é a promoção e estratégia de marketing do que comercializam. “Vila Flor está entre o segundo e terceiro concelho que mais exporta no distrito de Bragança. Temos aqui produtos na agro-indústria que têm peso enorme, como os cogumelos, a nível de frutas, no vale da Vilariça, temos produtores de grande dimensão, que abastecem as grandes cadeias de distribuição, e outros produtos como o azeite e o vinho. Hoje a TerraFlor tem um leque enorme de produtores de Vil Flor. Os nossos produtores hoje são produtores que sabem estar, que sabem apresentar e comunicar. Há uma coisa muito importante, em todas as suas embalagens têm escrito algo fundamental que é: Vila Flor”.
Já que a agricultura é a maior responsável pela posição que o concelho ocupa em termos de exportação, o autarca sublinha o peso que a água tem naquela região. “Temos um projecto aprovado de uma barragem para Friexiel mas já estamos a trabalhar num reforço da Vilariça e vamos apresentar ainda a este aviso uma candidatura. Precisamos de mais água no Vale da Vilariça. Não se faz agricultura rentável sem água e vai ser essa a nossa aposta”.
A décima sexta edição da TerraFlor contou com mais de 120 expositores que aplaudem a divulgação que com o certame é dado ao concelho. “É importante e sempre positivo divulgar o que temos aqui”, considerou uma das expositoras.
Nesta edição da TerraFlor o turismo assumiu destaque através de um seminário. Segundo Ana Fragoso, da organização, tentou assim perceber-se que é importante fazer crescer a área do turismo porque é complementar e, ao mesmo tempo, ajuda a vender os produtos e a terra. “É também uma forma de promover os próprios produtos. Os recursos que Vila Flor tem podem ser vendidos através do turismo. É um sector que se quer incrementar e que se procura que cresça. Nada melhor que trazer conhecimento e informação por isso trouxemos aqui alguns especialistas de diversas áreas. Falamos dos territórios, das pessoas e de como rentabilizar e criar diferenciação em cada território”.
A TerraFlor, que contou com mais de 120 expositores, essencialmente do concelho de Vila Flor, terminou ontem.
Escrito por Brigantia
Jornalista: Carina Alves
domingo, 25 de agosto de 2019
A Cripta
Por: Manuel Amaro Mendonça
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Envolto na capa e o rosto oculto pela aba do chapéu, Umbelino saltitou de sombra em sombra, evitando ser visto pelos funcionários que acendiam os lampiões da rua. Colou-se à parede do adro da igreja, correu para o entreaberto portão de metal e penetrou nas sombras das árvores. Ofegante, aproveitou aquele momento para se acalmar e trazer os batimentos cardíacos a um ritmo aceitável.
Não gostava nada daquilo que lhe pediram para fazer, mas a verdade é que tiraram as sortes e ele perdeu… agora não podia dar parte de fraco. Não que tivesse qualquer escrúpulo, simplesmente… há coisas que deviam ser deixadas sossegadas.
As vozes longínquas dos acendedores de candeeiros ecoavam na rua, indistintas, mas revelando que ainda se encontravam por perto. O embuçado manteve-se quieto e calado nas sombras. Um gato preto passou e eriçou os pelos do dorso, surpreendido e assustado com a silenciosa presença, antes de fugir a bufar em grandes saltos.
Finalmente as ruas estavam em silêncio e o homem ergueu-se e caminhou lentamente até ao portão do adro e espreitou a praça vazia. Ao fundo, uma caleche passou apressada, os cascos do cavalo batendo forte na calçada. O silêncio regressou em seguida.
Ele voltou a ocultar o rosto embrulhando-se na capa e baixou a aba do chapéu. A sua respiração saía sob a forma de vapor da estreita abertura que deixara para os olhos. Avançou, com passos silenciosos, pela viela estreita que subia paralela ao adro da igreja. Não havia ninguém nas ruas naquela noite de Novembro, o frio fazia com que ninguém quisesse sair de casa, mesmo que ela tivesse poucas condições. O calor da lareira, haveria de os aquecer um pouco durante a ceia e depois recolher-se-iam para “debaixo das mantas”. Também Umbelino preferia estar na taberna a beber aguardente, em vez de estar ali, ao frio, quase a fazer algo que não queria. Como que por se recordar, tirou um pequeno cantil de bolso e sorveu dois golos que queimaram forte na garganta.
***
Deveria ter desconfiado, logo que o criado bem vestido o abordou na taberna da viúva, que não lhe trazia “recado” fácil. Foi a qualidade das roupas do enviado, que despertou a cobiça de Adalberto e Silvério, que com ele partilhavam as “aventuras” com que iam conseguindo “aquilo com que se compram as sardinhas”. Assim que o estranho contou o que se pretendia, Umbelino preparava-se para recusar, mas os outros dois protestaram e quiseram saber qual a paga. O “cliente” estava disposto a pagar dez mil reis! Todos ficaram de boca aberta. Vendo que captara a nossa atenção, o criado explicou que o seu patrão pretendia reaver um objeto de grande valor sentimental que fora sepultado com a sua esposa e para isso estava disposto a desembolsar dez mil reis, se lhe entregassem o que pretende.
“Mas afinal, se é a tumba da esposa, porque não a manda exumar e recolher o que quer?” Perguntou Silvério desconfiado.
“A falecida senhora minha patroa, era de origem abastada já antes do casamento e possuía muitos bens próprios; houve coisas que a família exigiu que fossem sepultadas com ela, de acordo com o escrito no testamento. O meu patrão não podia desonrar-se e recusar.” Respondeu o criado simplesmente.
“Mas de que se trata afinal? Que é que o seu patrão quer assim tanto, para pagar uma fortuna dessas? ”Apesar da ideia do cemitério não lhe ser amigável, a paga fazia Umbelino reconsiderar.
“Um simples anel! O anel que o meu patrão lhe ofereceu de noivado e que pretende manter de sua propriedade, como recordação da amada esposa.” Concluiu o criado sorridente. “Apenas têm que trazer algo que cabe no bolso do colete e receber dez mil reis por isso.”
Claro que concordaram em fazer o serviço. Não era uma quantia que se visse todos os dias. Além de que, era muito mais fácil roubar um morto, que um vivo que grita, esperneia e às vezes traz uma pistola ou uma faca. Não era contudo trabalho para ser feito por mais do que um; três homens a vaguear na rua à noite, rapidamente atrairiam as atenções e tudo poderia correr mal. Acordaram em tirar às sortes com os dados… e Umbelino perdeu. Esteve quase a acovardar-se e dar o dito por não dito, mas não se atreveu a ser alvo da chacota dos companheiros.
***
Chegou finalmente ao portão engradado do cemitério e fez-se um só com os contornos do granito, numa manobra que mostrava experiência, enquanto se certificava que a rua continuava vazia. Mais dois golos, serviram para lhe dar alguma coragem, antes de escalar ágilmente o enorme portão e saltar para o empedrado do lado de dentro.
A visão da “floresta de mármore”, fracamente iluminada pela luz bruxuleante das velas e pequenas luminárias, não contribuía em nada para que se sentisse mais calmo. O coração batia apressadamente e sentia as costas húmidas e geladas. Percorreu o cemitério ao longo dos mausoléus, escondendo-se do fraco brilho da lua, enquanto contava mentalmente os sepulcros. As instruções eram claras: era o mausoléu da família Vasques de Sá, o décimo sexto após a porta lateral e terceiro antes da interceção com a nova ala do campo-santo. A chave estava pendurada do lado de dentro amarrada a um cordel e o caixão era o segundo à direita.
Chegou ao sepulcro correto. Inspirou fundo, e bebeu mais um pouco, antes de atirar o braço através da grade do portão e tatear em busca da chave. Sentia todos os pelos da nuca eriçarem-se. O ruído de passos sobressaltou-o e encolheu-se no espaço escuro entre os dois mausoléus. O brilho metálico de uma faca refulgiu na sua mão.
Através do espaço entre duas lápides, Umbelino viu o guarda do cemitério, vindo do acesso à ala nova, empunhando uma candeia. Passava e espreitava para dentro de cada um dos sepulcros. Preparou o punhal para uma estocada que o silenciasse rapidamente e aguardou. Não foi necessária a violência, pois o vigia passou rapidamente e a espreitar apenas de relance. Nunca saberá como esteve perto de perder a vida naquela ronda.
Assim que os passos deixaram de se ouvir, retornou à sua busca e logrou finalmente apanhar a chave. Foi quando tentou abrir a porta, que verificou que o cordel era demasiado curto para chegar à fechadura e demasiado resistente para que o conseguisse rebentar. Resmungou baixo a sua frustração e preparou-se para o cortar, mas depois pensou que deveria deixar tudo como estava e seria melhor desamarra-lo e atá-lo novamente. Com pouca luz e mãos enregeladas, teve muitas dificuldades em perceber como estava o nó e passou imenso tempo a insultar o fio, a chave, o cemitério, o seu patrão e ele próprio por se deixar levar nesta aventura. Furioso, num impulso irrefletido, sacou da faca e cortou brutalmente o cordel… a chave tilintou no interior escuro da cripta.
Se pudesse gritar aos céus as suas frustrações, tudo seria mais fácil, como não podia, viu-se na obrigação de dar saltos de fúria, enquanto praguejava sem soltar um som, executando uma dança grotesca.
Atirou-se sobre o portão e apalpou inutilmente o chão tentando ouvir ou sentir o objeto. Repetiu a operação com a ponta da faca, novamente sem sucesso. O desespero estava quase a leva-lo às lágrimas; sentou-se no chão, de costas para o mausoléu, com a cabeça entre os joelhos.
Recomposto, repetiu as tentativas para encontrar a chave, no interior completamente escuro. Soprou a fúria e chutou a impotência contra o portão. Com um gemido de ferro enferrujado, este abriu-se ligeiramente. “O maldito portão nunca esteve fechado!” Gritou silenciosamente enquanto amarrotava o chapéu na cabeça, furioso com a sua própria estupidez.
Empurrou a grade com receio e deu os primeiros passos no escuro. Algo tilintou em contacto com a bota e ele, num dos seus acessos de fúria, chutou a chave. Vários objetos metálicos tilintaram e alguns caíram em ruídos nada bem-vindos a quem não quer ser visto nem ouvido. Encolheu-se com os dentes cerrados, surpreendido com a sua própria estupidez. Espreitou para o exterior a ver se o guarda por um acaso regressava.
Sentindo-se mais seguro, olhou para as silhuetas difusas dos caixões nas prateleiras à sua direita. Estavam os três limpos, mas não havia duvidas que o do meio brilhava com madeira nova. Engoliu em seco, benzeu-se e puxou o ataúde para fora, com esforço. Deixou que a cabeceira continuasse em cima da prateleira e pousou a parte dos pés no chão. Com a faca, trabalhou a fraca fechadura e abriu-a, dedicando-se depois a cortar o chumbo que o lacrava. Um cheiro intenso a morte invadiu o compartimento quase fazendo-o vomitar.
Levantou a tampa respeitosamente e contemplou na penumbra a velha senhora Vasques de Sá. Quase não se conseguia distinguir os pormenores, mas percebia-se que estava cuidada e não muito envelhecida. Não fosse o cheiro e poderia dizer-se que dormia. Pegou no lenço das mãos e tapou o nariz. Pensando melhor, tirou o pequeno cantil do bolso e engoliu mais dois golos, depois humedeceu o lenço e tornou a tapar o nariz com ele… “Ah, muito melhor!”.
Renovou a benzedura e soltou um pesado suspiro. Afastando a cara o mais que podia, apalpou as mãos da falecida até identificar, entre os diversos anéis que lhe adornavam os dedos, aquele com a pedra quadrada que era o seu objetivo. Dada a proximidade do rosto do cadáver, conseguiu também distinguir o brilho do ouro, num grosso cordão, em volta do pescoço. Puxou o anel por várias vezes, parecia que a morta não queria ver-se despojada da jóia, mas por fim acabou por sair. Mirou o objeto à luz difusa que se escoava para o compartimento antes de o meter no bolso. Observou novamente a mulher… “Afinal, ela já não precisa de nada do que tem.” pensou. Se bem o pensou, melhor o fez e ignorando o cheiro, colocou as mãos atrás do pescoço da morta para soltar o cordão. Nesse preciso momento, o ataúde escorregou para fora do seu apoio e caiu ruidosamente no chão de mármore, arrastando Umbelino para cima do cadáver, boca com boca, num involuntário ato de necrofilia. Horrorizado com o inusitado ósculo, ele gritou enlouquecido e tentou sair do ataúde, de onde não se conseguia soltar. Durante o que lhe pareceu uma eternidade, lutou para libertar o braço, bloqueado atrás do pescoço da mulher, enquanto gritava por perdão. Atirou o peso do seu corpo para fora e arrastou o cadáver e o caixão, ficando desta vez por baixo do conjunto. Os uivos desesperados que soltava, seriam capazes de gelar o sangue nas veias de qualquer um que se abeirasse do cemitério naquele momento. Quando conseguiu soltar-se e sair debaixo da “armadilha”, ergueu-se de um salto para sentir o toque diáfano do manto de um fantasma pousar-lhe na cabeça. Nova sequência de gritos enquanto tentava libertar-se do ser sobrenatural em que se enroscava cada vez mais. Gritou, gritou e gritou, até que uma luz trémula iluminou a cripta. Gradualmente, os gritos foram abrandando e transformaram-se num choro manso e soluçante.
O guarda do cemitério iluminou o mausoléu com a sua lanterna. Era o caos total: um caixão tombado, candelabros e outras peças de prata espalhados por todo o chão. Mesmo no meio, um homem de rosto cinzento, com o cabelo completamente branco e os olhos raiados de sangue, estava atabalhoadamente enrolado no tule das cortinas. Chorava e estendia a mão numa súplica muda.
Manuel Amaro Mendonça nasceu em Janeiro de 1965, na cidade de São Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos, a "Terra de Horizonte e Mar".
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (Agosto 2015), "Lágrimas no Rio" (Abril 2016) e "Daqueles Além Marão" (Abril 2017), todos editados pela CreateSpace e distribuídos pela Amazon.
Ganhou um 1º e um 3º prémio em dois concursos de escrita e os seus textos já foram seleccionados para mais de uma dezena de antologias de contos, de diversas editoras.
Outros trabalhos estão em projeto e saírão em breve, mantenha-se atento às novidades AQUI.
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Envolto na capa e o rosto oculto pela aba do chapéu, Umbelino saltitou de sombra em sombra, evitando ser visto pelos funcionários que acendiam os lampiões da rua. Colou-se à parede do adro da igreja, correu para o entreaberto portão de metal e penetrou nas sombras das árvores. Ofegante, aproveitou aquele momento para se acalmar e trazer os batimentos cardíacos a um ritmo aceitável.
Não gostava nada daquilo que lhe pediram para fazer, mas a verdade é que tiraram as sortes e ele perdeu… agora não podia dar parte de fraco. Não que tivesse qualquer escrúpulo, simplesmente… há coisas que deviam ser deixadas sossegadas.
As vozes longínquas dos acendedores de candeeiros ecoavam na rua, indistintas, mas revelando que ainda se encontravam por perto. O embuçado manteve-se quieto e calado nas sombras. Um gato preto passou e eriçou os pelos do dorso, surpreendido e assustado com a silenciosa presença, antes de fugir a bufar em grandes saltos.
Finalmente as ruas estavam em silêncio e o homem ergueu-se e caminhou lentamente até ao portão do adro e espreitou a praça vazia. Ao fundo, uma caleche passou apressada, os cascos do cavalo batendo forte na calçada. O silêncio regressou em seguida.
Ele voltou a ocultar o rosto embrulhando-se na capa e baixou a aba do chapéu. A sua respiração saía sob a forma de vapor da estreita abertura que deixara para os olhos. Avançou, com passos silenciosos, pela viela estreita que subia paralela ao adro da igreja. Não havia ninguém nas ruas naquela noite de Novembro, o frio fazia com que ninguém quisesse sair de casa, mesmo que ela tivesse poucas condições. O calor da lareira, haveria de os aquecer um pouco durante a ceia e depois recolher-se-iam para “debaixo das mantas”. Também Umbelino preferia estar na taberna a beber aguardente, em vez de estar ali, ao frio, quase a fazer algo que não queria. Como que por se recordar, tirou um pequeno cantil de bolso e sorveu dois golos que queimaram forte na garganta.
***
Deveria ter desconfiado, logo que o criado bem vestido o abordou na taberna da viúva, que não lhe trazia “recado” fácil. Foi a qualidade das roupas do enviado, que despertou a cobiça de Adalberto e Silvério, que com ele partilhavam as “aventuras” com que iam conseguindo “aquilo com que se compram as sardinhas”. Assim que o estranho contou o que se pretendia, Umbelino preparava-se para recusar, mas os outros dois protestaram e quiseram saber qual a paga. O “cliente” estava disposto a pagar dez mil reis! Todos ficaram de boca aberta. Vendo que captara a nossa atenção, o criado explicou que o seu patrão pretendia reaver um objeto de grande valor sentimental que fora sepultado com a sua esposa e para isso estava disposto a desembolsar dez mil reis, se lhe entregassem o que pretende.
“Mas afinal, se é a tumba da esposa, porque não a manda exumar e recolher o que quer?” Perguntou Silvério desconfiado.
“A falecida senhora minha patroa, era de origem abastada já antes do casamento e possuía muitos bens próprios; houve coisas que a família exigiu que fossem sepultadas com ela, de acordo com o escrito no testamento. O meu patrão não podia desonrar-se e recusar.” Respondeu o criado simplesmente.
“Mas de que se trata afinal? Que é que o seu patrão quer assim tanto, para pagar uma fortuna dessas? ”Apesar da ideia do cemitério não lhe ser amigável, a paga fazia Umbelino reconsiderar.
“Um simples anel! O anel que o meu patrão lhe ofereceu de noivado e que pretende manter de sua propriedade, como recordação da amada esposa.” Concluiu o criado sorridente. “Apenas têm que trazer algo que cabe no bolso do colete e receber dez mil reis por isso.”
Claro que concordaram em fazer o serviço. Não era uma quantia que se visse todos os dias. Além de que, era muito mais fácil roubar um morto, que um vivo que grita, esperneia e às vezes traz uma pistola ou uma faca. Não era contudo trabalho para ser feito por mais do que um; três homens a vaguear na rua à noite, rapidamente atrairiam as atenções e tudo poderia correr mal. Acordaram em tirar às sortes com os dados… e Umbelino perdeu. Esteve quase a acovardar-se e dar o dito por não dito, mas não se atreveu a ser alvo da chacota dos companheiros.
***
Chegou finalmente ao portão engradado do cemitério e fez-se um só com os contornos do granito, numa manobra que mostrava experiência, enquanto se certificava que a rua continuava vazia. Mais dois golos, serviram para lhe dar alguma coragem, antes de escalar ágilmente o enorme portão e saltar para o empedrado do lado de dentro.
A visão da “floresta de mármore”, fracamente iluminada pela luz bruxuleante das velas e pequenas luminárias, não contribuía em nada para que se sentisse mais calmo. O coração batia apressadamente e sentia as costas húmidas e geladas. Percorreu o cemitério ao longo dos mausoléus, escondendo-se do fraco brilho da lua, enquanto contava mentalmente os sepulcros. As instruções eram claras: era o mausoléu da família Vasques de Sá, o décimo sexto após a porta lateral e terceiro antes da interceção com a nova ala do campo-santo. A chave estava pendurada do lado de dentro amarrada a um cordel e o caixão era o segundo à direita.
Chegou ao sepulcro correto. Inspirou fundo, e bebeu mais um pouco, antes de atirar o braço através da grade do portão e tatear em busca da chave. Sentia todos os pelos da nuca eriçarem-se. O ruído de passos sobressaltou-o e encolheu-se no espaço escuro entre os dois mausoléus. O brilho metálico de uma faca refulgiu na sua mão.
Através do espaço entre duas lápides, Umbelino viu o guarda do cemitério, vindo do acesso à ala nova, empunhando uma candeia. Passava e espreitava para dentro de cada um dos sepulcros. Preparou o punhal para uma estocada que o silenciasse rapidamente e aguardou. Não foi necessária a violência, pois o vigia passou rapidamente e a espreitar apenas de relance. Nunca saberá como esteve perto de perder a vida naquela ronda.
Assim que os passos deixaram de se ouvir, retornou à sua busca e logrou finalmente apanhar a chave. Foi quando tentou abrir a porta, que verificou que o cordel era demasiado curto para chegar à fechadura e demasiado resistente para que o conseguisse rebentar. Resmungou baixo a sua frustração e preparou-se para o cortar, mas depois pensou que deveria deixar tudo como estava e seria melhor desamarra-lo e atá-lo novamente. Com pouca luz e mãos enregeladas, teve muitas dificuldades em perceber como estava o nó e passou imenso tempo a insultar o fio, a chave, o cemitério, o seu patrão e ele próprio por se deixar levar nesta aventura. Furioso, num impulso irrefletido, sacou da faca e cortou brutalmente o cordel… a chave tilintou no interior escuro da cripta.
Se pudesse gritar aos céus as suas frustrações, tudo seria mais fácil, como não podia, viu-se na obrigação de dar saltos de fúria, enquanto praguejava sem soltar um som, executando uma dança grotesca.
Atirou-se sobre o portão e apalpou inutilmente o chão tentando ouvir ou sentir o objeto. Repetiu a operação com a ponta da faca, novamente sem sucesso. O desespero estava quase a leva-lo às lágrimas; sentou-se no chão, de costas para o mausoléu, com a cabeça entre os joelhos.
Recomposto, repetiu as tentativas para encontrar a chave, no interior completamente escuro. Soprou a fúria e chutou a impotência contra o portão. Com um gemido de ferro enferrujado, este abriu-se ligeiramente. “O maldito portão nunca esteve fechado!” Gritou silenciosamente enquanto amarrotava o chapéu na cabeça, furioso com a sua própria estupidez.
Empurrou a grade com receio e deu os primeiros passos no escuro. Algo tilintou em contacto com a bota e ele, num dos seus acessos de fúria, chutou a chave. Vários objetos metálicos tilintaram e alguns caíram em ruídos nada bem-vindos a quem não quer ser visto nem ouvido. Encolheu-se com os dentes cerrados, surpreendido com a sua própria estupidez. Espreitou para o exterior a ver se o guarda por um acaso regressava.
Sentindo-se mais seguro, olhou para as silhuetas difusas dos caixões nas prateleiras à sua direita. Estavam os três limpos, mas não havia duvidas que o do meio brilhava com madeira nova. Engoliu em seco, benzeu-se e puxou o ataúde para fora, com esforço. Deixou que a cabeceira continuasse em cima da prateleira e pousou a parte dos pés no chão. Com a faca, trabalhou a fraca fechadura e abriu-a, dedicando-se depois a cortar o chumbo que o lacrava. Um cheiro intenso a morte invadiu o compartimento quase fazendo-o vomitar.
Levantou a tampa respeitosamente e contemplou na penumbra a velha senhora Vasques de Sá. Quase não se conseguia distinguir os pormenores, mas percebia-se que estava cuidada e não muito envelhecida. Não fosse o cheiro e poderia dizer-se que dormia. Pegou no lenço das mãos e tapou o nariz. Pensando melhor, tirou o pequeno cantil do bolso e engoliu mais dois golos, depois humedeceu o lenço e tornou a tapar o nariz com ele… “Ah, muito melhor!”.
Renovou a benzedura e soltou um pesado suspiro. Afastando a cara o mais que podia, apalpou as mãos da falecida até identificar, entre os diversos anéis que lhe adornavam os dedos, aquele com a pedra quadrada que era o seu objetivo. Dada a proximidade do rosto do cadáver, conseguiu também distinguir o brilho do ouro, num grosso cordão, em volta do pescoço. Puxou o anel por várias vezes, parecia que a morta não queria ver-se despojada da jóia, mas por fim acabou por sair. Mirou o objeto à luz difusa que se escoava para o compartimento antes de o meter no bolso. Observou novamente a mulher… “Afinal, ela já não precisa de nada do que tem.” pensou. Se bem o pensou, melhor o fez e ignorando o cheiro, colocou as mãos atrás do pescoço da morta para soltar o cordão. Nesse preciso momento, o ataúde escorregou para fora do seu apoio e caiu ruidosamente no chão de mármore, arrastando Umbelino para cima do cadáver, boca com boca, num involuntário ato de necrofilia. Horrorizado com o inusitado ósculo, ele gritou enlouquecido e tentou sair do ataúde, de onde não se conseguia soltar. Durante o que lhe pareceu uma eternidade, lutou para libertar o braço, bloqueado atrás do pescoço da mulher, enquanto gritava por perdão. Atirou o peso do seu corpo para fora e arrastou o cadáver e o caixão, ficando desta vez por baixo do conjunto. Os uivos desesperados que soltava, seriam capazes de gelar o sangue nas veias de qualquer um que se abeirasse do cemitério naquele momento. Quando conseguiu soltar-se e sair debaixo da “armadilha”, ergueu-se de um salto para sentir o toque diáfano do manto de um fantasma pousar-lhe na cabeça. Nova sequência de gritos enquanto tentava libertar-se do ser sobrenatural em que se enroscava cada vez mais. Gritou, gritou e gritou, até que uma luz trémula iluminou a cripta. Gradualmente, os gritos foram abrandando e transformaram-se num choro manso e soluçante.
O guarda do cemitério iluminou o mausoléu com a sua lanterna. Era o caos total: um caixão tombado, candelabros e outras peças de prata espalhados por todo o chão. Mesmo no meio, um homem de rosto cinzento, com o cabelo completamente branco e os olhos raiados de sangue, estava atabalhoadamente enrolado no tule das cortinas. Chorava e estendia a mão numa súplica muda.
Manuel Amaro Mendonça nasceu em Janeiro de 1965, na cidade de São Mamede de Infesta, concelho de Matosinhos, a "Terra de Horizonte e Mar".
É autor dos livros "Terras de Xisto e Outras Histórias" (Agosto 2015), "Lágrimas no Rio" (Abril 2016) e "Daqueles Além Marão" (Abril 2017), todos editados pela CreateSpace e distribuídos pela Amazon.
Ganhou um 1º e um 3º prémio em dois concursos de escrita e os seus textos já foram seleccionados para mais de uma dezena de antologias de contos, de diversas editoras.
Outros trabalhos estão em projeto e saírão em breve, mantenha-se atento às novidades AQUI.
Ls cucos: la criaçon de l morgado
Por: António Preto Torrão
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Tengo que, de modo special, l’agradecer a Lila Martins, de Bal de Frades, las anformaciones que me dou subre la maneira de ser i de bibir de ls cucos i a miu armano Eimílio subre ls páixaros q’habie, i inda hoije hai, an Angueira.
La refréncia que, eiqui, fago a las caminadas ou, dezindo talbeç melhor, a las bolandas de l par de cucos pul termo d’Angueira ye ũa forma de, pa que nun se squéçan ou, pori, se pérdan, quedáren screbidos ls nomes de ls sítios i adonde son i por donde pássan las marras antre ls termos d’Angueira i de ls pobos bezinos: la Speciosa i Samartino, poboaçones de l cunceilho de Miranda, i Caçareilhos, San Joanico, Sarapicos i Abelhanoso, de l cunceilho de Bumioso.
Alhá por haber an Angueira un casal coincido cumo ls Cucos – la alcunha que, cumoquiera por l’home ser minhoto i, cumo tal, benido de loinje i de fuora, le ponírun –, nun cuideis, pori, que ye subre la tie Cuca i l tiu Cuco ou algun filho deilhes que trata esta cuonta. Bonda ber qu’esse casal tubo trés filhos – dues moças i un moço. Assi, niun deilhes podie ser morgado. Nó, desta beç, nun stou a screbir subre ties i homes d’Angueira, mas, solamente, subre páixaros: un par de cucos que se botou anté lhá i por alhá quedou alguns meses, anté ser berano.
Bamos, anton, a ber l qu’esse par de cucos fui a fazer a Angueira i las buoltas que por alhá ambos a dous andubírun a dar pul termo.
1. Ls porparos
Nun le bondando ũa beç na bida, ye cumo se todos ls anhos tubisse l’oubrigaçon d’ir a Meca an pelegrinaige, un ritual de quien tamien nun ten parança nin paradeiro cierto, l par de cucos aparece quando stá a ampeçar la primabera. Cu’aqueilha sue maneira de ser que les ye tan própia, ne l sou bai i ben d’anho a anho, chégan ambos a dous a Angueira. Cumoquiera, ban anté lhá tamien pa retemperar fuorças, pa gozar ls aires de l campo, tan saudables, tan buonos, que son cumo que ũa bençon de l cielo i de la natureza.
Benidos sabe Dius, i cuido you saber tamien. donde, mas passando pula Speciosa, nun deimingo de março de l meio de l seclo passado, ban a dar a Cruç de Canto. Ambos a dous, a par, éntran ne l termo d’Angueira puls Palancaricos i, lhougo a seguir i quaije sin se dáren de cunta, stan yá ne ls Palancares. Antes de l Cascalhal, bíran caras a la Senhora de la Lhuç i ban a dar a las Queijeiras. Deilhi, bótan-se para Ourrieta ls Ninos i, bolando subre la marra de l termo d’Angueira cul de la Speciosa, pássan de la Cierba pa l Castro. Apuis de las ruinas de l castro, deixando la marra i seguindo pula marge squierda de la ribeira d’Angueira, ban caras a l’açuda de ls Regatos, mesmo al cimo de Terroso.
Al ber i quaije raspar ne ls galhos de riba de las arbes daquel choupal tan alto, bira-se l macho pa la fémea i, an lhenguaige própia de cuco, que alhá tenerei que bos star a traduzir, diç-le el:
– Carai, stou tan stafado! Apetecie-me mesmo pousar eilhi abaixo naqueilha yerba pa çcansar un cachico!
– Pus dizes bien. Oulha que you, pa lhá de l cansaço i dũa buona lharaita, stou inda c’ũa sede que nin te digo!
Assi, eilhi, quedórun un stantico a la selombra, a çcansar, a buer ũa pinga d’auga nun de ls regatos i a quemer un muordo, que ye cumo quien diç, ũas paixarinas i lhibulinas q’ándan eilhi a bolar i inda uns grilhos antre las yerbas.
– Ai que bien se stá eiqui! – diç el todo cunsolado.
– Ah si!… Mas nun te squeças qu’inda hai que dar bien a las alas! – respunde-le eilha.
Bótan-se, anton, a bolar porriba de caliendra caras al molino de las Trés Ruodas ou de ls Lucas, cumo ye coincido tamien. Deilhi, chubindo pa la Galharda, abáixan, apuis, pula olga de las Carbalhinas, pa la Yedra. Bolando subre la copa de ls freznos, uolmos, choupos i amineiros pa la outra marge, ban a dar al cimo de l’açuda de l molino de Terroso, l sítio adonde l ribeiro de la Puontelhina desauga na ribeira. Bótan-se, apuis, ribeiro arriba, antre Peinha Ferreira i Peinha de la Garça. Pul final de la tarde, mal chégan a la peinha al fondo de la Puontelhina, inda antes de pousáren ne l cimo de l fragaredo, bótan ũa oulhadela alredor. Parecendo agradar-le l sítio, diç l Cuco pa la Cuca:
– Que stafa! Hoije ganhemos bien l die!
– Carai, se ganhemos! Stou tan stafadica! Por mi, quedábamos yá eiqui a drumir!
Claro que l Cuco nun se fizo rogado. Assi i todo, inda antes disso i de tratáren de l que les trai a Angueira, bótan-se a acaçar uns sartigalhos i moscas pa la cena desse die. Yá de papo cheno, cuntina la Cuca:
– Carai, ls nuossos cumpadres stában carregadicos de rezon. Pul que bimos, parece-me que l termo d’Angueira ye mesmo de-lei pa la nuossa criaçon!
– Oulha que you staba un cachico çcunfiado, mas agora beio qu’eilhes son mesmo de cunfiança! Yá biste que guapo que ye, eilhi abaixo, dun lhado i doutro de l ribeiro?
– Si, claro! Que rico sítio adonde benimos a dar! Eiqui, alredor, quaije parece l cielo!
I, inda mesmo antes de çcansáren, pónen-se a cumbinar por donde, a seguir, han de botar-se a fazer l recoincimiento de l termo d’Angueira. Que, praino a praino, olga a olga, ourrieta a ourrieta, balhe a balhe, lhadeira a lhadeira, cabeço a cabeço, han de quedar a saber bien cumo ye. Claro que lhougo calculórun que, an bolandas por uns lhados i por outros, andarien, assi, cumoquiera, acupados ũa semana. Mas tiempo nun les faltaba de sobra.
Quemidos i buídos i cun todo cumbinado, bótan-se, anton si, a drumir çcansados.
(Cuntina: 2. Pelegrinaige pul termo)
António Preto Torrão. Licenciado em Filosofia (Universidade do Porto)
DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Mestre em Educação – Filosofia da Educação (Universidade do Minho)
Pós-graduado em Inspeção da Educação (Universidade de Aveiro)
Professor e Presidente Conselho Diretivo/Executivo
Orientador de Projetos do DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Autor de livros e artigos sobre Administração Educativa
Formador Pessoal Docente e Diretores de AE/Escolas
Inspetor e Diretor de Serviços na Delegação Regional/Área Territorial do Norte da IGE/IGEC
Bocabulairo//vocabulário
Abancar – permanecer, assentar-se, ficar // abutro – abutre // acá – cá // acupar – ocupar // adil – terra de pousio // adonte – aonde, onde // adregar – calhar, acontecer // agradable – agradável // águila – águia // aire – ar // al – ao // ala – asa, vamos // alhá – lá // alredor/es – em volta/arredores // ampaciente – impaciente // ampeçar – começar // amentar – falar casualmente // amporén – pessoa franzina ou inútil, estorvo, impecilho // an – em // andubírun (forma do verbo andar) – andaram // anformacion – informação // anho – ano // anrezinar – zangar // anton – então // apartar-se – separar-se // aporcatar-se – prevenir-se // apuis – após, depois // arada (tierras de) – terra lavrada, parte das terras de sequeiro do termo, próprias para cereal, que, em anos alternados, estão ou lavradas e, no ano seguinte, cultivadas, a produzir trigo ou centeio // arbe – árvore // arena – areia // armano – irmão // arriba – acima // atabano – atavão, inseto que flagela o gado bovino, muar e asinino // auga – água // bai i ben – vai e vem // bal/he – vale // beç – vez // bençon – benção // benir/do – vir/vindo // bezino – vizinho // bien – bem, muito // bolandas – voos, andanças // bolar/bolo – voar/voo // bondar – bastar // boubielha – poupa // buer – beber // Bumioso – Vimioso // buono – bom // calecer – aquecer // caliendra – canal por onde corre a água do açude para o moinho // caliente – quente // caminada – caminhada // camino – caminho // çcansar/o – descansar/o // çcoincido – desconhecido // çcuidar – descuidar // çcunfiar/nça – desconfiar/nça // cena – ceia // centeno – centeio // cerrar – fechar // çfrente – diferente // chano – chão // cheno – cheio // chougarço – chaguarço, pequena planta rasteira de folha miudinha que cresce nas moitas // chubir – subir // cielo – céu // cien – cem // ciguonha – cegonha // chínchara – pequeno pássaro que faz o ninho na erva dos lameiros // coincer – conhecer // çperdiçar – desperdiçar // çponer – pôr-do-Sol // çpuntar – despontar // coquelhada – pequeno pássaro que faz o ninho em terras lavradas ou de pousio // corona – coroa // ctáncia – distância // cuidar – pensar // çcuidar – descuidar // cul/a – com o/a // cumoquiera – talvez // cun/c’un/c’ũa – com/com um/com uma // cunceilho – concelho // cuntinar – continuar // cuorbo – corvo // da peto – de propósito // de-lei – como deve ser // dende – daí // desaporcatado – desprevenido // desaugar – desaguar // dezir – dizer // die – dia // dous/dues – dois/duas // dreito – direito // drento – dentro // fago/fai (formas do verbo fazer) – faço/faz // eilha/eilhes – ela/eles // eilhi – ali // eilusion – ilusão // eimaginaçon – imaginação // eiqui – aqui // eisagero – exagero // el – ele // ende – aí // fago/fai – (formas do verbo fazer) faço/faz // fame – fome // folecra – pequeno pássaro que faz o ninho nos ramos de arbustos // frezno – freixo // fuolha (tierras de) – folha (terras de), parte cultivada das terras de sequeiro, próprias para produção de cereal (trigo ou centeio) // fuonte – fonte // fuora – fora // fuorasteiro – visitante/viajante vindo de fora // gabilan – gavião // galhar – galar, fecundar o ovo da galinha // galhina – galinha // galho – galo, ramo // grilho – grilo // guapo – bonito, pimpão // gulodice – guloseima // hardeiro – herdeiro // hospedaige/eiro – hospedagem/eiro // l/la – o/a // lhá – lá // lhabandeira – lavandisca // lhadeira – ladeira, vertente do monte // lhado – lado // lhadron/aige – ladrão/ladroagem // lhagarto – lagarto // lhameiro – lameiro, prado com cerca // lhançar – lançar // lharaita – fome // lhebar – levar // lhéngua/lhenguaige – língua/linguagem // lhibulina – libelinha // lhinaige – linhagem // lhougo – logo // lhuna/r – lua/r // loinje – longe // manhana/ica – manhã/zinha, amanhã // mano – mão //marge – margem // marie pousa – mariposa, borboleta // marie tresa – louva a Deus // mari píndula – papa-figos // molino – moinho // moucho – mocho // muordo – mordidela, bicada // naide – ninguém // nial – ninho // niada – ninhada // nin – nem // niũa – nenhuma // nũa – numa // nuite – noite // nun – não, num // oucasion – ocasião // olga – baixa fértil entre pequenas elevações do terreno // oulhadela – olhada // oulhar – ver, olhar // oumentar – aumentar // ourrieta – pequeno vale fértil // pa – para // paçpalhaço – codorniz // paixarina – borboleta // pa lhá – para lá // palomba/r – pomba/l // perdiç – perdiz // perdigon – perdiz macho, perdigão // peinha – fragaredo // pelegrinaige – pereginação // pelegrino – peregino // piçarra – pedra de xisto // pie – pé // pita – galinha // pita-ciega – pássaro noturno, noitibó // pita d’auga – galinhola // pitico – pintainho // pobo/açon – povo/ação // poner – pôr // porparar/o – preparar/ção // pori – por azar // porriba – por cima // preacupaçon – preocupação // própio – próprio // proua – vaidade // pul/a – pelo/a // purmanhana – alvorecer, manhã cedo // purmeiro – primeiro // quaije – quase // quelor – cor // queluobra – cobra // quemer – comer // queruja – coruja // quetobia – cotovia // quien – quem // rabialba – pequena ave // reata – corda ou correia de prender as bestas pelo pescoço ou pela cabeçada para as conduzir // recoincimiento – reconhecimento // regato – ribeirito, fio de água // reissenhor – rouxinol // relba/da – primeira lavra após a ceifa/lavrada pela primeira vez após a ceifa // relhance – relance // rezon – razão // riu – rio // Samartino – São Martinho de Angueira // sartigalho – saltão // saudable – saudável // scarabeilho – escaravelho // scarbar – remexer a terra com as unhas // scoba – giesta // scolher – escolher // screbir – escrever // scuolha – escolha // scusa/do – escusa/do, desnecessário // seclo – século // selombra – sombra // séstia – sesta // solo – só // soutordie – no dia seguinte // spadanha – espadana, planta aquática cuja folha tem a forma de espada // spabilar/ado – fazer despertar/esperto, listo // Speciosa – Especiosa // spertar – despertar, acordar // spineiro – espinheiro // squecer – esquecer // squierdo – esquerdo // stafa/r/do/dico – canseira, cansar/do/dinho // stantico – instantinho // star – estar // stómado – estômago // tener – ter // tierra – terra // tomielho – tomilho // touça – mata de carvalhos // trapola – galho cortado a curta distância do caule da árvore onde rebentam novos galhos e que serve também para subir ao cimo da árvore // tubisse/tubírun (formas do verbo “tener”) – tivesse/tiveram // ũa – uma // uobo – ovo // uolho – olho // uolmo – olmo, negrilho // xara – esteva // yá – já // ye – (forma do verbo ser) – é // yerba – erva; you – eu
(colaborador do "Memórias...e outras coisas...")
Tengo que, de modo special, l’agradecer a Lila Martins, de Bal de Frades, las anformaciones que me dou subre la maneira de ser i de bibir de ls cucos i a miu armano Eimílio subre ls páixaros q’habie, i inda hoije hai, an Angueira.
La refréncia que, eiqui, fago a las caminadas ou, dezindo talbeç melhor, a las bolandas de l par de cucos pul termo d’Angueira ye ũa forma de, pa que nun se squéçan ou, pori, se pérdan, quedáren screbidos ls nomes de ls sítios i adonde son i por donde pássan las marras antre ls termos d’Angueira i de ls pobos bezinos: la Speciosa i Samartino, poboaçones de l cunceilho de Miranda, i Caçareilhos, San Joanico, Sarapicos i Abelhanoso, de l cunceilho de Bumioso.
Alhá por haber an Angueira un casal coincido cumo ls Cucos – la alcunha que, cumoquiera por l’home ser minhoto i, cumo tal, benido de loinje i de fuora, le ponírun –, nun cuideis, pori, que ye subre la tie Cuca i l tiu Cuco ou algun filho deilhes que trata esta cuonta. Bonda ber qu’esse casal tubo trés filhos – dues moças i un moço. Assi, niun deilhes podie ser morgado. Nó, desta beç, nun stou a screbir subre ties i homes d’Angueira, mas, solamente, subre páixaros: un par de cucos que se botou anté lhá i por alhá quedou alguns meses, anté ser berano.
Bamos, anton, a ber l qu’esse par de cucos fui a fazer a Angueira i las buoltas que por alhá ambos a dous andubírun a dar pul termo.
1. Ls porparos
Nun le bondando ũa beç na bida, ye cumo se todos ls anhos tubisse l’oubrigaçon d’ir a Meca an pelegrinaige, un ritual de quien tamien nun ten parança nin paradeiro cierto, l par de cucos aparece quando stá a ampeçar la primabera. Cu’aqueilha sue maneira de ser que les ye tan própia, ne l sou bai i ben d’anho a anho, chégan ambos a dous a Angueira. Cumoquiera, ban anté lhá tamien pa retemperar fuorças, pa gozar ls aires de l campo, tan saudables, tan buonos, que son cumo que ũa bençon de l cielo i de la natureza.
Benidos sabe Dius, i cuido you saber tamien. donde, mas passando pula Speciosa, nun deimingo de março de l meio de l seclo passado, ban a dar a Cruç de Canto. Ambos a dous, a par, éntran ne l termo d’Angueira puls Palancaricos i, lhougo a seguir i quaije sin se dáren de cunta, stan yá ne ls Palancares. Antes de l Cascalhal, bíran caras a la Senhora de la Lhuç i ban a dar a las Queijeiras. Deilhi, bótan-se para Ourrieta ls Ninos i, bolando subre la marra de l termo d’Angueira cul de la Speciosa, pássan de la Cierba pa l Castro. Apuis de las ruinas de l castro, deixando la marra i seguindo pula marge squierda de la ribeira d’Angueira, ban caras a l’açuda de ls Regatos, mesmo al cimo de Terroso.
Al ber i quaije raspar ne ls galhos de riba de las arbes daquel choupal tan alto, bira-se l macho pa la fémea i, an lhenguaige própia de cuco, que alhá tenerei que bos star a traduzir, diç-le el:
– Carai, stou tan stafado! Apetecie-me mesmo pousar eilhi abaixo naqueilha yerba pa çcansar un cachico!
– Pus dizes bien. Oulha que you, pa lhá de l cansaço i dũa buona lharaita, stou inda c’ũa sede que nin te digo!
Assi, eilhi, quedórun un stantico a la selombra, a çcansar, a buer ũa pinga d’auga nun de ls regatos i a quemer un muordo, que ye cumo quien diç, ũas paixarinas i lhibulinas q’ándan eilhi a bolar i inda uns grilhos antre las yerbas.
– Ai que bien se stá eiqui! – diç el todo cunsolado.
– Ah si!… Mas nun te squeças qu’inda hai que dar bien a las alas! – respunde-le eilha.
Bótan-se, anton, a bolar porriba de caliendra caras al molino de las Trés Ruodas ou de ls Lucas, cumo ye coincido tamien. Deilhi, chubindo pa la Galharda, abáixan, apuis, pula olga de las Carbalhinas, pa la Yedra. Bolando subre la copa de ls freznos, uolmos, choupos i amineiros pa la outra marge, ban a dar al cimo de l’açuda de l molino de Terroso, l sítio adonde l ribeiro de la Puontelhina desauga na ribeira. Bótan-se, apuis, ribeiro arriba, antre Peinha Ferreira i Peinha de la Garça. Pul final de la tarde, mal chégan a la peinha al fondo de la Puontelhina, inda antes de pousáren ne l cimo de l fragaredo, bótan ũa oulhadela alredor. Parecendo agradar-le l sítio, diç l Cuco pa la Cuca:
– Que stafa! Hoije ganhemos bien l die!
– Carai, se ganhemos! Stou tan stafadica! Por mi, quedábamos yá eiqui a drumir!
Claro que l Cuco nun se fizo rogado. Assi i todo, inda antes disso i de tratáren de l que les trai a Angueira, bótan-se a acaçar uns sartigalhos i moscas pa la cena desse die. Yá de papo cheno, cuntina la Cuca:
– Carai, ls nuossos cumpadres stában carregadicos de rezon. Pul que bimos, parece-me que l termo d’Angueira ye mesmo de-lei pa la nuossa criaçon!
– Oulha que you staba un cachico çcunfiado, mas agora beio qu’eilhes son mesmo de cunfiança! Yá biste que guapo que ye, eilhi abaixo, dun lhado i doutro de l ribeiro?
– Si, claro! Que rico sítio adonde benimos a dar! Eiqui, alredor, quaije parece l cielo!
I, inda mesmo antes de çcansáren, pónen-se a cumbinar por donde, a seguir, han de botar-se a fazer l recoincimiento de l termo d’Angueira. Que, praino a praino, olga a olga, ourrieta a ourrieta, balhe a balhe, lhadeira a lhadeira, cabeço a cabeço, han de quedar a saber bien cumo ye. Claro que lhougo calculórun que, an bolandas por uns lhados i por outros, andarien, assi, cumoquiera, acupados ũa semana. Mas tiempo nun les faltaba de sobra.
Quemidos i buídos i cun todo cumbinado, bótan-se, anton si, a drumir çcansados.
(Cuntina: 2. Pelegrinaige pul termo)
António Preto Torrão. Licenciado em Filosofia (Universidade do Porto)
DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Mestre em Educação – Filosofia da Educação (Universidade do Minho)
Pós-graduado em Inspeção da Educação (Universidade de Aveiro)
Professor e Presidente Conselho Diretivo/Executivo
Orientador de Projetos do DESE em Administração Escolar (ESE do Porto)
Autor de livros e artigos sobre Administração Educativa
Formador Pessoal Docente e Diretores de AE/Escolas
Inspetor e Diretor de Serviços na Delegação Regional/Área Territorial do Norte da IGE/IGEC
Bocabulairo//vocabulário
Abancar – permanecer, assentar-se, ficar // abutro – abutre // acá – cá // acupar – ocupar // adil – terra de pousio // adonte – aonde, onde // adregar – calhar, acontecer // agradable – agradável // águila – águia // aire – ar // al – ao // ala – asa, vamos // alhá – lá // alredor/es – em volta/arredores // ampaciente – impaciente // ampeçar – começar // amentar – falar casualmente // amporén – pessoa franzina ou inútil, estorvo, impecilho // an – em // andubírun (forma do verbo andar) – andaram // anformacion – informação // anho – ano // anrezinar – zangar // anton – então // apartar-se – separar-se // aporcatar-se – prevenir-se // apuis – após, depois // arada (tierras de) – terra lavrada, parte das terras de sequeiro do termo, próprias para cereal, que, em anos alternados, estão ou lavradas e, no ano seguinte, cultivadas, a produzir trigo ou centeio // arbe – árvore // arena – areia // armano – irmão // arriba – acima // atabano – atavão, inseto que flagela o gado bovino, muar e asinino // auga – água // bai i ben – vai e vem // bal/he – vale // beç – vez // bençon – benção // benir/do – vir/vindo // bezino – vizinho // bien – bem, muito // bolandas – voos, andanças // bolar/bolo – voar/voo // bondar – bastar // boubielha – poupa // buer – beber // Bumioso – Vimioso // buono – bom // calecer – aquecer // caliendra – canal por onde corre a água do açude para o moinho // caliente – quente // caminada – caminhada // camino – caminho // çcansar/o – descansar/o // çcoincido – desconhecido // çcuidar – descuidar // çcunfiar/nça – desconfiar/nça // cena – ceia // centeno – centeio // cerrar – fechar // çfrente – diferente // chano – chão // cheno – cheio // chougarço – chaguarço, pequena planta rasteira de folha miudinha que cresce nas moitas // chubir – subir // cielo – céu // cien – cem // ciguonha – cegonha // chínchara – pequeno pássaro que faz o ninho na erva dos lameiros // coincer – conhecer // çperdiçar – desperdiçar // çponer – pôr-do-Sol // çpuntar – despontar // coquelhada – pequeno pássaro que faz o ninho em terras lavradas ou de pousio // corona – coroa // ctáncia – distância // cuidar – pensar // çcuidar – descuidar // cul/a – com o/a // cumoquiera – talvez // cun/c’un/c’ũa – com/com um/com uma // cunceilho – concelho // cuntinar – continuar // cuorbo – corvo // da peto – de propósito // de-lei – como deve ser // dende – daí // desaporcatado – desprevenido // desaugar – desaguar // dezir – dizer // die – dia // dous/dues – dois/duas // dreito – direito // drento – dentro // fago/fai (formas do verbo fazer) – faço/faz // eilha/eilhes – ela/eles // eilhi – ali // eilusion – ilusão // eimaginaçon – imaginação // eiqui – aqui // eisagero – exagero // el – ele // ende – aí // fago/fai – (formas do verbo fazer) faço/faz // fame – fome // folecra – pequeno pássaro que faz o ninho nos ramos de arbustos // frezno – freixo // fuolha (tierras de) – folha (terras de), parte cultivada das terras de sequeiro, próprias para produção de cereal (trigo ou centeio) // fuonte – fonte // fuora – fora // fuorasteiro – visitante/viajante vindo de fora // gabilan – gavião // galhar – galar, fecundar o ovo da galinha // galhina – galinha // galho – galo, ramo // grilho – grilo // guapo – bonito, pimpão // gulodice – guloseima // hardeiro – herdeiro // hospedaige/eiro – hospedagem/eiro // l/la – o/a // lhá – lá // lhabandeira – lavandisca // lhadeira – ladeira, vertente do monte // lhado – lado // lhadron/aige – ladrão/ladroagem // lhagarto – lagarto // lhameiro – lameiro, prado com cerca // lhançar – lançar // lharaita – fome // lhebar – levar // lhéngua/lhenguaige – língua/linguagem // lhibulina – libelinha // lhinaige – linhagem // lhougo – logo // lhuna/r – lua/r // loinje – longe // manhana/ica – manhã/zinha, amanhã // mano – mão //marge – margem // marie pousa – mariposa, borboleta // marie tresa – louva a Deus // mari píndula – papa-figos // molino – moinho // moucho – mocho // muordo – mordidela, bicada // naide – ninguém // nial – ninho // niada – ninhada // nin – nem // niũa – nenhuma // nũa – numa // nuite – noite // nun – não, num // oucasion – ocasião // olga – baixa fértil entre pequenas elevações do terreno // oulhadela – olhada // oulhar – ver, olhar // oumentar – aumentar // ourrieta – pequeno vale fértil // pa – para // paçpalhaço – codorniz // paixarina – borboleta // pa lhá – para lá // palomba/r – pomba/l // perdiç – perdiz // perdigon – perdiz macho, perdigão // peinha – fragaredo // pelegrinaige – pereginação // pelegrino – peregino // piçarra – pedra de xisto // pie – pé // pita – galinha // pita-ciega – pássaro noturno, noitibó // pita d’auga – galinhola // pitico – pintainho // pobo/açon – povo/ação // poner – pôr // porparar/o – preparar/ção // pori – por azar // porriba – por cima // preacupaçon – preocupação // própio – próprio // proua – vaidade // pul/a – pelo/a // purmanhana – alvorecer, manhã cedo // purmeiro – primeiro // quaije – quase // quelor – cor // queluobra – cobra // quemer – comer // queruja – coruja // quetobia – cotovia // quien – quem // rabialba – pequena ave // reata – corda ou correia de prender as bestas pelo pescoço ou pela cabeçada para as conduzir // recoincimiento – reconhecimento // regato – ribeirito, fio de água // reissenhor – rouxinol // relba/da – primeira lavra após a ceifa/lavrada pela primeira vez após a ceifa // relhance – relance // rezon – razão // riu – rio // Samartino – São Martinho de Angueira // sartigalho – saltão // saudable – saudável // scarabeilho – escaravelho // scarbar – remexer a terra com as unhas // scoba – giesta // scolher – escolher // screbir – escrever // scuolha – escolha // scusa/do – escusa/do, desnecessário // seclo – século // selombra – sombra // séstia – sesta // solo – só // soutordie – no dia seguinte // spadanha – espadana, planta aquática cuja folha tem a forma de espada // spabilar/ado – fazer despertar/esperto, listo // Speciosa – Especiosa // spertar – despertar, acordar // spineiro – espinheiro // squecer – esquecer // squierdo – esquerdo // stafa/r/do/dico – canseira, cansar/do/dinho // stantico – instantinho // star – estar // stómado – estômago // tener – ter // tierra – terra // tomielho – tomilho // touça – mata de carvalhos // trapola – galho cortado a curta distância do caule da árvore onde rebentam novos galhos e que serve também para subir ao cimo da árvore // tubisse/tubírun (formas do verbo “tener”) – tivesse/tiveram // ũa – uma // uobo – ovo // uolho – olho // uolmo – olmo, negrilho // xara – esteva // yá – já // ye – (forma do verbo ser) – é // yerba – erva; you – eu
SOU…
Por: Maria da Conceição Marques
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")
Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
(colaboradora do "Memórias...e outras coisas...")
Um sinal do tempo,
Um relógio sem tempo
passando pela vida
Em ruas desertas,
Pó e contratempo!
Sou, ave solitária
Desbravando caminhos
Voando nos montes
Bebendo nas fontes
Contrariando destinos!
Sou, ingénua e teimosa
Um pouco vaidosa
Na esquina da vida,
Sou, chaga e sou ferida
Bastante orgulhosa!
Coração magoado
No peito rasgado,
Roto, esfarrapado
Pela virtude e pecado!
Sou, pedinte de beijos
Antigos desejos que o tempo matou!
Sou, alma perdida
Nas bermas da vida
Que alguém despejou.
Sou, chama e sou vento
Fúria e desalento
furacão da vida.
Raiva, sentida
Que o mundo engendrou!
Sou, folha rasgada´
Rosa desfolhada
Pétala caída
Que a primavera arrancou!
Sou, sonho e realidade
Confusa saudade
Que a vida gerou!
Sou, pau e sou pedra
Sou casa e sou rua
Senhora da serra
Com brilho de lua!
Sou, peito e sou ventre,
Pedaço de gente
Sadia e doente
Que a febre moldou!
Sou, apenas instantes
Palavras sentidas
Marcas da vida
Que o passado deixou!
Maria da Conceição Marques, natural e residente em Bragança.
Desde cedo comecei a escrever, mas o lugar de esposa e mãe ocupou a minha vida.
Os meus manuscritos ao longo de muitos anos, foram-se perdendo no tempo, entre várias circunstâncias da vida e algumas mudanças de habitação.
Participei nas colectâneas:
POEMA-ME
POETAS DE HOJE
SONS DE POETAS
A LAGOA E A POESIA
A LAGOA O MAR E EU
PALAVRAS DE VELUDO
APENAS SAUDADE
UM GRITO À POBREZA
CONTAS-ME UMA HISTÓRIA
RETRATO DE MIM.
ECLÉTICA I
ECLÉTICA II
5 SENTIDOS
REUNIR ESCRITAS É POSSÍVEL – Projecto da Academia de Letras Infanto-Juvenil de São Bento do Sul, Estado de Santa Catarina
Livros editados:
-O ROSEIRAL DOS SENTIDOS
-SUSPIROS LUNARES
-DELÍRIOS DE UMA PAIXÃO
-ENTRE CÉU E O MAR
-UMA ETERNA MARGARIDA
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